Você quer ser meu?

13 Uma vida dupla e uma chance


Notas iniciais
Então, minha gente, cá estamos nós... Mais um capítulo para vocês. Não tenho muito o que falar então, boa leitura.

Eu estava vivendo uma vida dupla e estava me sentindo péssimo com isso.

Na escola eu aceitava placidamente os carinhos de Andrew, aceitava os abraços, as carícias no rosto e nos cabelos, os beijos discretos depositados na minha bochecha ou no pescoço e aqueles beijos roubados quando ninguém estava vendo. Eu já havia dito inúmeras vezes que nós devíamos parar com isso, que esse caminho não ia levar à lugar nenhum, exceto por uma possível briga e perda da amizade que era justamente o que eu queria evitar à todo custo; mas todas as vezes que eu falava isso, Andrew argumentava, dizendo que sabia disso tudo, que não estava criando esperanças, só estava aproveitando o momento. Eu tinha fortes desconfianças que ele estava mentindo mas por fraqueza ou carência me calava e continuava aceitando seu amor.

E isso se refletia em casa. Eu já não tinha tanta disposição para continuar jogando com o Claude, me sentia estranho, me sentia errado. Aquilo que o Andrew havia me dito na lanchonete ainda ecoava na minha mente.

“Eu vejo você correndo atrás do Claude e o cara nada… só fica te afastando. Você merece mais, Alois”.

Será que eu merecia mesmo?

Será que eu estava perdendo o meu tempo?

Será que eu deveria esquecer o Claude e partir para outro?

E esse outro? Seria o Andrew? Ou seria ainda uma terceira pessoa?

Minha cabeça estava uma confusão só. Estava perdido sem saber o que eu sentia direito e por quem e, para piorar Claude parecia que estava sentindo falta das minhas provocações.

Naquele final de semana, quando eu bati na sua porta preocupado pela sua demora em se levantar depois de uma semana em que ele ficou estranho todos os dias, jamais imaginei que ia passar as horas seguintes deitado na mesma cama que ele e ainda termos trocado beijos abraçados um ao outro. Na verdade, eu queria ter feito mais, queria ter feito tudo, porque eu o desejava acima de qualquer coisa mas, como sempre, ele me negou e eu tive que me contentar em ficar apenas abraçado com Claude.

Parecia que Claude estava começando a abrir uma brecha porque foi ele quem me puxou para o beijo, mas na segunda-feira minha vida dupla tinha voltado e eu tornei a me afastar dele.

Claude parecia incomodado mas se limitava a fazer cara feia e ficar calado. Eu preferiria que ele dissesse alguma coisa, qualquer coisa. Quer dizer, ele não me queria então deveria estar feliz por eu estar com alguém.

Mas eu realmente estava com o Andrew?

Meu coração dizia que não. Eu apenas me deixava levar e a minha consciência pesava ainda mais.

Ou será que realmente o Claude sentia algo por mim?

Nesse caso, por que ele não falava comigo? Por que ele repelia minhas tentativas?

Eu sentia minha cabeça rodar e acho que estava ficando meio doente.

Eu precisava de uma válvula de escape, algo para desestressar um pouco. Graças aos Céus, eu tinha duas festas para ir!!!

Se bem que não sei se isso iria melhorar alguma coisa, já que uma era com o Claude e a outra com o Andrew. Mas só de pensar que eu iria poder conversar, ver gente nova e, principalmente, dançar, já me bastava para alegrar um pouquinho.

Porém, para isso, eu tinha que ir bem nas provas semestrais. Duvido que Claude fosse me deixar ir na festa da escola se eu tirasse notas ruins — a primeira coisa que ele faria seria retirar a minha autorização.

Certo dia, estávamos Andrew e eu sentados no chão do pátio, com as costas apoiadas na parede, Andrew ouvia música no celular e eu lia um livro. Era aula vaga e estávamos de mãos dadas, ele acariciava lentamente a palma da minha mão com o polegar. Fomos tirados do nosso mundinho particular com a voz de um cara.

_Oi — falou e nós levantamos nossos olhos para o recém-chegado quase ao mesmo tempo.

Era o Alexy. Seu uniforme estava meio desalinhado, o blazer torto e metade da camisa para fora das calças. Além de estar descabelado.

Estranhei a aparência dele mas não comentei nada.

_O-oi — respondi, Alexy olhou brevemente para mim e desviou os olhos.

Andrew apenas assentiu com a cabeça e apertou meus dedos. Ambos o encarávamos aguardando ele falar.

_Bem...Eu só queria perguntar se está tudo bem? — coçou a nuca, meio nervoso.

Andrew franziu as sobrancelhas e eu me calei, afinal o cara nem olhava para mim direito.

_O Anton não encheu vocês de novo, não é?

_Ah, não. Ele nunca mais nos importunou — acabei respondendo bem humorado diante do silêncio obstinado do meu amigo — Não é, Andrew?

A expressão do Andrew melhorou também.

_Sim. Nunca mais falou nada embora ainda fique olhando meio torto.

Uma sombra de sorriso se formou no rosto do Alexy.

_Olhar não tira pedaço. Mas se ele os importunarem, não hesitem em me contar que eu dou um jeito.

Falou isso e deu as costas, acenando brevemente com a mão direita.

Olhei para o Andrew e ele me devolveu o mesmo olhar interrogativo.

_Você entendeu alguma coisa? — perguntei.

_Nada.

_Nem eu. Qual que é a dele, hein?

_Sei lá. Vai ver é o defensor dos apaixonados.

“Aff” — Andrew às vezes é tão cafona.

Mas um cafona fofo, eu tinha que admitir — estar com ele era ter sempre uma overdose de açúcar. Não respondi nada. Ia falar o quê? Que eu não estava apaixonado?

Maio passou voando e nós entramos em junho, as provas se iniciariam em breve. No final da aula, o professor de química entregou o calendário de provas.

“Credo!!! Ninguém merece duas provas por dia!!!” — pensei desanimado quando vi a montanha de matérias que eu teria que repassar.

E o pior, era uma quinta-feira e as provas começariam na segunda.

_A gente pode estudar junto. O que acha?

Fechei a porta do meu armário.

_Pode ser — respondi contente, afinal eu ainda tinha muitas dificuldades em acompanhar as aulas, ainda resquício do tempo que vivi na rua.

_Amanhã na minha casa.

Assenti com a cabeça e antes de nós sairmos do prédio, Andrew se inclinou e me deu um selinho.

_Tchau — falou rindo e saiu sem me esperar.

Tentei desfazer a cara de surpreso e saí também. Claude estava me esperando dentro do carro parado na frente da escola. Por um momento fiquei com medo que ele tivesse visto o beijo mas quando sentei no banco do passageiro, ele estava no normal dele.

Na tarde daquele dia eu avisei que iria estudar na casa do Andrew no dia seguinte e por isso não precisava ir me buscar. Sua expressão era de puro desagrado.

_Por que vocês não vêm estudar aqui?

_Porque você fica lançando olhares assassinos para o Andrew — expliquei como se fosse a coisa mais óbvia.

_Não olho, não.

_Olha sim. E de qualquer modo, ele já veio muitas vezes aqui, não tem problema eu ir uma vez lá.

Eu nunca tinha ido na casa do Andrew e ele falava muito pouco dos pais. A mãe era dentista e o pai era um empresário que viajava bastante pelo país inteiro.

_Vai ter alguém em casa? — perguntou erguendo uma sobrancelha.

_Não sei. Acho que sim. Parece que a mãe só trabalha meio período.

Claude não gostou mas concordou contanto que eu voltasse antes das cinco horas da tarde.



A casa do Andrew não ficava muito longe da escola mas era na direção contrária à minha. Caminhamos lentamente e depois de trinta minutos chegamos numa grande casa com um gramado verdinho na frente e sem cerca nenhuma. As paredes eram de tijolinhos aparentes e havia detalhes arquitetônicos em torno das janelas e portas em alvenaria branca. Era uma casa bem charmosa com aquelas janelas ampas e a porta de entrada em madeira de lei.

E qual não foi a minha surpresa quando Andrew abriu a porta com a chave que levava no bolso e a casa estava vazia?

_Sua mãe não está em casa?

_Não. Ela tinha alguns clientes à tarde.

_Ah.

Andrew me levou até a cozinha e nós almoçamos sanduíches. Depois ele me mostrou a casa. Por dentro era tão charmosa quanto por fora. Não era extremamente luxuosa mas era aconchegante. Exceto pelo fato de não ter nenhuma foto da família em lugar nenhum.

_Vocês não tiram fotos? — perguntei curioso.

_Algumas. Mas a minha mãe não expõe na casa — respondeu sorrindo e chegando por trás de mim que olhava interessado a estante da sala.

_Pensei que ia conhecer a sua mãe, pelo menos.

Andrew riu e passou os braços pela cintura.

_Vou te apresentar direito para eles.

“Ooou caminho perigoso. Eu não queria ser apresentado direito para ninguém” — sabia muito bem o que isso significava.

_Vamos estudar, então? — mudei de assunto.

_Vamos — respondeu sorrindo.

Então Andrew me levou para o quarto dele. Não queria estudar no quarto mas no final das contas, estávamos sozinhos em casa, em qualquer cômodo seria igual.

O quarto dele estava completamente arrumado, como se tivesse feito faxina recentemente. Os lençóis perfeitamente esticado sobre o colchão, as fronhas dos travesseiros fofos bordados com monogramas em azul escuro.

Começamos estudando inglês pois seria a primeira prova. Até que eu não ia tão mal nessa matéria então estava fácil.

Me sentei no chão sobre uma almofada e com as costas apoiadas a cama. Andrew sentou-se na cama.

Estudamos por três horas e meia sem parar. Minha cabeça já estava latejando.

_Ahhh. Não aguento mais — Andrew jogou o livro para longe na cama — Chega, vamos descansar.

_Apoiado — falei contente e fechei o livro.

Andrew saiu do quarto e voltou trazendo um pacote gigante de Doritos e uma garrafa de Coca-cola estupidamente gelada.

Pulou no colchão e serviu o refrigerante em dois copos, enquanto eu abria o pacote de salgadinho e pegava alguns, tingindo meus dedos de laranja. Entregou um copo para mim e ligou a televisão começando a procurar um canal.

_Você vai ficar aí no chão?

_Tá tudo bem.

_Tá nada. Vem logo.

Antes que eu pudesse me afastar, Andrew me puxou pelo braço para cima da cama. Tentei sentar no colchão mas ele me deitou.

_Andrew!!

_Não tem nada de legal na TV. O que você acha da gente namorar um pouquinho?

_Acho que a gente devia estudar mais — respondi mas Andrew me ignorou e me beijou.

Acabei deixando a coisa rolar. Abri meus lábios e senti a língua de Andrew entrar macia na minha boca, tocando o meu músculo timidamente, rolei a minha na dele e a suguei muito levemente. Andrew deslizou as mãos pelos meus braços até as mãos onde entrelaçou brevemente os dedos nos meus para logo depois subir com elas pelas laterais do meu tronco.

Abracei o seu pescoço e ele intensificou o beijo, suas mãos passeavam trêmulas pelo meu peito. Eu podia ver o quão nervoso ele estava. Andrew tentou desabotoar minha camisa do uniforme e eu segurei seus punhos, interrompendo o beijo e o impedindo.

Nossos olhos se encontraram por breves segundos. Minha mente ecoou.

“Eu vejo você correndo atrás do Claude e o cara nada… só fica te afastando. Você merece mais, Alois”.

“Você merece mais, Alois”.

“Você podia me dar uma chance, não podia?”

Puxei Andrew para mim e o beijei, ele deixou escapar um gemido e começou a abrir a minha roupa. Distribuiu beijos pelo meu queixo e se encaminhou ao meu pescoço, depositando beijos singelos.

As carícias de Andrew eram diferentes de tudo que eu já tinha visto. Eram doces, vacilantes e de certo modo, inocentes.

“É a primeira vez dele” — percebi e o bichinho da culpa colocou mais um saco de areia na minha consciência.

Era para a minha primeira vez ter sido assim: calma, lenta, doce e vacilante, comigo descobrindo aos poucos as novas sensações e não do jeito que foi, com um desconhecido, um episódio violento e doloroso.

_Alois… — Andrew sussurrou meu nome como uma prece e beijou o meu peito, trilhando-o lentamente.

Um gemido fraco escapou dos meus lábios, eu não estava exatamente excitado mas não estava ruim estar ali. Trouxe Andrew para mais um beijo e ele gemeu quando eu inseri minhas mãos por baixo da sua camisa.

Logo Andrew voltou ao meu tórax, me beijando, me apertando. Começando a se esfregar em mim, tocando seu quadril timidamente no meu. Percebi sua ereção por baixo da calça social do uniforme.

Os toques se tornaram um pouco mais ousados. Começou a mordiscar e sugar meu pescoço e quando tocou o meu membro ainda coberto pelas camadas de tecido eu ofeguei.

“Seria tão bom se fosse o Claude…”

Como eu queria que fosse o Claude ali, me beijando, me tocando, me despindo lentamente…

Como eu queria que fosse a respiração dele batendo quente contra a minha pele, sua voz sussurrada no meu ouvido.

Fechei meus olhos com mais força e então era Claude na cama comigo.

Senti minha calça ser aberta e uma mão se infiltrar ali, tocando a minha intimidade.

“Claude me tocando”.

Meu abdome foi beijado.

“Claude me beijando”.

Me senti esquentar, fiquei duro e ouvi um ofego que não foi meu.

Puxei-o para cima e o beijei com paixão, deslizando minha língua na boca dele e explorando sua boca com vontade.

Meu pênis estava sendo massageado gostosamente e eu fiz o mesmo com ele.

Ouvi gemidos e acompanhei, produzindo os mesmos sons.

Meu pescoço era beijado e mordiscado agora.

“Claude…”

“Claude…” — pensei

_Claude… — sussurrei e imediatamente abri meus olhos, levando as mãos à boca, me dando conta que havia gemido o nome errado.

Andrew ouviu, é claro, e parou o que estava fazendo.

Eu estava roxo de vergonha mas ele não parecia irritado.

_D-desculpa, Andrew. Desculpa.

O empurrei levemente, tentando me levantar. Não tinha clima para mais nada.

Andrew espalmou a mão no meu peito, me fazendo deitar novamente. Sorriu cálidamente para mim.

_Tudo bem. Não tem problema.

“O QUÊ????” — minha mente gritou — “Esse cara existe?”

Recuperei um pouco a presença de espírito e falei.

_Tem problema, sim!!! — e tentei me levantar novamente.

Andrew voltou a me empurrar e subiu no meu quadril. Segurou meu rosto com as duas mãos e me olhou nos olhos.

_Não tem problema, mesmo — beijou a minha testa no espaço entre os meus olhos — Agora feche os olhos — beijou a ponta do meu nariz.

Depositou um selinho nos meus lábios e voltou a me encarar.

_Pode fingir que eu sou o Claude. Eu não me importo.

Tomou os meus lábios num beijo mais exigente e rápido.

Eu automaticamente o abracei, correspondendo ao beijo.

E então me dei conta do que estava fazendo.

Nunca seria certo fazer isso. Usar o Andrew, transar com ele fantasiando que era o Claude ali, aproveitar do seu amor para suprir a minha carência.

Empurrei os ombros do moreno e interrompi o beijo. Seus olhos estavam escuros de desejo mas eu ignorei esse fato.

_Não posso, Andrew. Não dá! — declarei.

Sua expressão se entristeceu e ele saiu de cima de mim.

_Por mim tudo bem, Alois. É sério!

_Não, não é tudo bem. Desse jeito não dá!

Me levantei da cama e ele segurou o meu pulso.

_Fica.

Olhei o relógio na cabeceira da cama dele. Marcava 17:20.

_Está tarde. Tenho que ir.

Andrew ia contestar mas como se tivesse sido ensaiado, meu celular tocou e eu atendi.

Era o Claude, reclamando que eu estava vinte minutos atrasado!!!

Duvido que ele tenha trabalhado no livro, deve ter ficado o tempo todo controlando o horário.

Desliguei o telefone.

_Era o Claude. Estou atrasado.

Andrew se deu por vencido.

Arrumei minhas coisas e quando eu estava de saída na porta, Andrew falou:

_Nós ainda estamos juntos, não é?

Olhei para ele. Olhos doces e apaixonados me olharam de volta.

Sorri de lábios fechados para ele e deixei que me desse um selinho antes de segurar com força a alça da mochila e tomar o caminho de casa.

Notas finais
O que acharam? O próximo capítulo já está bem adiantado. Eu ia postar os dois ao mesmo tempo mas estou ansiosa então postei esse primeiro. Acredito que até amanhã postarei o próximo. Beijos