Você não entende...

7 Capítulo 6 Extra: Os sentimentos de um demônio.


Notas iniciais
Olá, este é o capítulo extra, escrito pela minha amiga Nathália Barros, ele é tipo um spin-off, não conta na história original. (Ou será que conta?) Eu, sinceramente, amei essa "fic" que ela escreveu, então vou postar como extra aqui, espero que vocês também gostem. Obrigada por tudo novamente e boa leitura!

POV Murilo

Assim que bate o sinal do intervalo, saio da minha sala e vejo Johnny saindo da dele apressado — como sempre, aliás. Eu sabia que ele não gostava da minha presença, mas eu o perseguia mesmo assim. Afinal, era minha única diversão.

Hoje ele não pegou o caminho habitual, mas foi até a entrada da coordenação, provavelmente para resolver algo sobre as faltas que teve. Estranhamente, ele não entrou no recinto, apenas observava algo lá dentro pela janela. Fiz meu procedimento de sempre: respirei fundo e recitei meu mantra. "Vai lá, Murilo, seja o cara maneiro que ele acha que você é. Se acalma, chama ele pelo apelido e dá seu sorriso conquistador", disse baixinho para mim mesmo. Assim tomei coragem e fui lá falar com ele.
Caminhei silenciosamente até a janela e puxei conversa quando cheguei bem perto de Johnny.

– Espionar é feio, J.

Ele pulou de susto, provavelmente pelo meu hálito batendo em seu pescoço. Nota mental: chegar um pouco menos perto. Ou não, né. Hehe.

– Vai se ferrar, cara. — ele disse, voltando a espiar dentro da sala.

Acompanhei seu olhar e meu sorriso irônico murchou. Torci o nariz e fiz cara de nojo, e ao ver a confusão de Johnny, tratei de me explicar.

– Esse cara não. — ok, confesso que não torci o nariz por causa do cara. O que me fez perder o sorriso foi perceber que Johnny ainda se interessava por Lorena, mesmo após tantas rixas e xingamentos.

– Que que tem esse cara? — perguntou ele, obviamente preocupado. Essa preocupação era o que me alarmava. Sim, eu gostava de Lorena como pessoa, mas ela era, digamos... Minha "rival no amor".

– Ele é o padastro dela. — respondi a contragosto.

– E daí? Desembucha. — mandou ele.

– Não posso te contar. — e eu realmente não podia, deveria ser fiel aos meus princípios.

– Murilo, você lembra do "eu faço tudo que você quiser", né? Conte-me. — decretou ele, me encarando. O jeito que ele me olhou, tão determinado a saber da história... Não pude deixá-lo sem saber.

Suspirei fundo e fiz um gesto para que ele me seguisse. Tive que me controlar para não pegá-lo pela mão; eu sei que acabaria corando, e ainda tinha que manter minha imagem na frente dele.

Fomos até a quadra fechada, onde ficaríamos a sós.

– Por que teve que me trazer aqui? — perguntou Johnny, enquanto andávamos até a cesta onde guardavam as bolas de basquete.

– Isso é um dos segredos da Lorena, seria arriscado contar num lugar onde qualquer um pode ouvir. — respondi.

– Ok — disse ele, cruzando os braços -, conta logo.
Suspirei e peguei uma bola no cesto. Comecei a contar enquanto ele me observava, impaciente.

– O pai dela morreu faz sete anos e faz três anos que a mãe dela namora aquele cara lá, Augusto.

– E daí? — perguntou ele. Suspirei novamente e comecei a quicar a bola pela quadra.

– Daí que quando a mãe dela viaja a negócios, aquele cara faz o que quiser com ela — explanei, fazendo uma cesta. Johnny arregalou os olhos e pude vê-lo sendo consumido pelo ódio e nojo.

– MAS QUE FILHO DA PUTA! — exclamou, enquanto eu buscava outra bola no cesto.

– Concordo, e o pior é que ela se recusa a contar pra mãe. — falei, fazendo outra cesta e voltando para pegar mais uma bola.

– POR QUÊ?!

– Não sei... Você deve estar pensando em ir lá agora e arranjar um barraco, mas não vá, eu te peço isso.

– Eu vou lá agora — afirmou ele. Ao perceber sua determinação em defendê-la, o segurei pelo braço, ainda com a bola de basquete na mão direita.

Abaixei o rosto para que ele não percebesse que eu corava. Eu não queria que ele fosse... Só queria que ele prestasse atenção em mim. Eu sei, eu sei, ele nunca sentiria por mim o mesmo que sinto por ele, mas ainda assim...

– Não seria inteligente da sua parte. Eu realmente não queria que você descobrisse por mim e nessa situação. — "Lorena deveria ter te contado, afinal, vocês logo vão estar juntos, não é?", tive vontade de completar, mas deixei como estava.

– Por que você sabe disso? — ele perguntou, me olhando furiosamente. Doeu? Doeu. Mas não pude responder.

– Não posso te dizer, desculpa.

– Puta merda. — ele me deu as costas e saiu da quadra, visivelmente irritado comigo.

Deixei meu corpo se arrastar pela parede até que eu terminasse sentado no chão. Eu deveria deixar assim, não devia? Era melhor não demonstrar ciúmes. Não é como se ele precisasse saber de meus sentimentos, já que é por Lorena que seu coração bate mais rápido, e isso podia ser percebido de longe.

Soltei a bola de basquete, observando-a rolar pela quadra. Quem era um idiota qualquer como eu, que se auto-intitula demônio, para interferir no que está escrito nas linhas tortas do destino?

Notas finais
Então é isso pessoal, até o próximo final de semana. A história está ficando mais longa do que seria a princípio, mas espero que estejam gostando dela, eu tenho um grande apego a ela. Por favor, qualquer erro e/ou sugestão comentem ou entrem em contato comigo, isso me ajuda muito!