Você não entende...

2 Capítulo 2: O Demônio.


Notas iniciais
Olá, olá! Bom, eu estava empolgada pra postar logo e então postei antes de sexta, graças a uma amiga minha que me incentivou a sair da preguiça! Espero que gostem do capítulo e boa leitura! Yaay!

– AAAAAAH — ela continua gritando — me solta fantasma!

– Fantasma? — a pessoa ri ironicamente — Eu sou um demônio!

– KYAAAAAAA — ela corre.

– Quem é você?

– Murilo, o demônio da 5208 e você seria...?

– Alguém cujo nome não lhe interessa.

– Só perguntei por formalidade, Johnny da 4209 — ele me lança um olhar vitorioso.

– Você que me jogou aquele maldito livro de matemática? — pergunto irritado.

– Oh! Como adivinhou? — ele sorri de uma maneira estranha.

– Sabe, isso é óbvio. Somos os únicos babacas nessa escola, não somos? — reviro os olhos.

– Hahaha, sabe eu estou aqui por que quero — diz ele me mostrando um CD — e é bom que ninguém saiba disso.

– E se eu espalhar que você está aqui? O que você vai fazer? Chorar? — sorrio ironicamente.

– Ora, vamos fazer um acordo, te dou uma cópia desse CD e você fica de bico calado.

– E o que há nesse CD?

– As provas dos próximos bimestres — ele arqueia as sobrancelhas — inclusive as de matemática...

– Feito, saiba que se for falso, vou espalhar rapidamente — ele me joga um CD encapado e eu o pego no ar.

– Não quebro nenhum acordo, Sr. Encrenca.

– Que assim seja.

– E a sua amiguinha? Vai deixar ela escondida e com medo? — ele pergunta rindo.

– Amiga? Ela é apenas um peso desnecessário que tenho que carregar por mais duas semanas.

– Que romântico. E o que vocês fazem essa hora aqui na escola? — ele me olha malicioso — É algum tipo de feti...

– Cala a boca — ele ri — o negócio é que a velha da coordenadora esqueceu a gente preso aqui.

– Odeio aquela mulher — ele franze a testa.

– Você é da época do "vpg"?

– Sim...

– Entendo.

– Amigos?

– Nem pensar — ele ri.

– Já esperava por isso — diz ele ainda gargalhando.

~.~

Depois disso resolvemos procurar pela Lorena e eu já estava cansado de procurar aquela maldita irritante.

– Ela era boa no pique-esconde, hein?

Eu bocejo e ignoro seu comentário, não tô nem um pouco afim de gastar saliva com ele.

Depois de um bom tempo, achamos ela dormindo no laboratório no final do corredor do último andar.

– Lore... — Murilo me interrompe e faz sinal de silêncio pra mim, fico com raiva e tiro a mão dele da minha boca de uma forma bruta.

– Calma aí valentão, — ele sussurra — não vê que ela tá dormindo.

– Diz o cara que acordou ela dizendo ser um demônio.

– Shh, isso é passado. Olha pra ela, um anjinho dormindo — ele sorri.

– Ela é irritante e tudo de ruim, mas eu sei que é linda, mas e daí?

Ele me olha malicioso.

– Não tá pensando o mesmo que eu?

Maldito, nojento, psicopata... Não pode estar pensando em...

– Isso mesmo, cara. É uma ótima oportunidade — ele diz mexendo na calça e lambendo os beiços.

– Não me faça vomitar... — não consigo me controlar e dou um soco na cara dele, o que faz ele bater as costas no armário e gemer de dor.

– Aí, seu corno — grita ele irritado — eu tava zoando, seu animal!

– Não se brinca com essas coisas, seu doentão!

– Quem tá aí?

– Lorena, sou eu.

– Brutamontes! O fantasma se foi?

– Não, tá bem do meu lado, sua cega — eu aponto pro lado com o polegar.

– Seu retardado — diz ele se levantando com a mão no nariz, provavelmente sangrando — não me apresente como um fantasma pra uma dama.

– Queria que eu apresentasse como o quê? Um doente tarado? — digo com cara de nojo — E Lorena, relaxa pode largar esse cabo de vassoura atrás de você, esse babaca aqui não é nem fantasma nem demônio.

– Puta que pariu, Johnny, desculpa Lorena pela linguagem, mas puta que pariu.

– Então você é só um tarado? Ufa — ela suspira aliviada.

– Como assim "só"? Esse cara aqui queria... — ele põe a mão suja na minha boca de novo e dessa vez dou outro soco, agora no braço.

– Cacete, dá pra parar de ser bruto?

– Ele? Parando de ser bruto? — ela cai na gargalhada.

– Preferia ter te deixado aí — cruzo os braços e reviro os olhos.

– E por que não deixou? — diz ela me imitando.

– Por causa desse mulherengo aí.

– Cala a boca. Prontos pra sair da prisão?

– E tem algum jeito de sair daqui sem ser tentar pular o muro? — ouço uma risada fraca atrás de mim, maldita praguenta.

– Pelo novo vestiário masculino que estão reformando. Eles deixaram um buraco na parede aberto que dá na rua atrás da escola. Se alguém realmente quisesse roubar essa escola, já tinha roubado.

– Qual seu nome? — pergunta Lorena com cara de interesse.

– Murilo, sua linda — sério isso? "Sua linda"? Com certeza ela vai dar algum tipo de fora nesse cara.

Olho pra ela esperando algo irritante de sua parte e ela... Cora!? Ela tá parecendo um tomate de tão vermelha.

– O-Obrigada... — diz ela sem jeito e eu me sinto estranho, tenho vontade de socá-lo mais uma vez.

– Não precisa agradecer, quando alguém é linda tenho prazer em chamá-la assim.

– Ótimo, um gentleman tarado. Combinação estranha — digo por impulso.

– Melhor um gentleman tarado do que um brutamonte como você — ela diz irritada.

– Prefiro ser um brutamonte do que uma patricinha irritante igual você — digo encarando ela furiosamente e ela retribui o olhar.

– Murilo — ela vira as costas para mim — o que você tá fazendo na escola? — ela pergunta séria — E por que você sabe dessa passagem?

– Ér... Bem... Sabe.... É uma longa... — ele coça a cabeça rindo sem graça.

– Desembucha.

– Okay, okay — ele levanta os braços — estou aqui por que queria pegar os arquivos das provas dos próximos bimestres e vender. Sabe, eu preciso de uma grana a mais.

– E você vai e tem essa ideia genial. Nossa — involuntariamente sorrio — e você achava que ninguém iria descobrir? — ela cruza os braços.

– Vamos fazer um acordo... Você não conta nada pra ninguém e eu te dou um CD com os arquivos, — ele tira outro CD da bolsa — que tal?

– Nada disso, vocês podem não saber mas eu faço parte do grêmio dessa escola. Isso não seria ético de minha parte — ela diz brava.

– Quantas revelações — eu simulo um bocejo — e daí?

– Daí que eu vou contar pra diretora — droga... Minha prova de matemática — e você será suspenso.

– E por que uma novata faz parte do grêmio? — ele pergunta sorrindo estranho.

– Sou uma boa administradora, está no meu histórico.

– Lorena da 4209, não é? — ele bufa. — Sabe, eu sou o demônio da 5208, isso porque eu sei o segredo mais sombrio de cada um nessa escola. Inclusive o seu.

– E-Eu duvido.

– É mesmo? — ele chega perto dela e sussurra algo em seu ouvido, vejo daqui ela arregalar os olhos.

– C-Como você...? Por quê?

– Desculpe, mas nesse joguinho é olho por olho, minha linda.

– N-Não tente imitar o L — ela grita com voz de choro e saí correndo da sala.

– Ela tava chorando?

– Sim.

– É tão ruim assim?

– Deve ser terrível pra ela, não sei como... Esquece. Vai atrás dela, ela não deve querer ver minha cara agora.

– Nem eu iria querer — digo saindo da sala.

~.~

– Lorena, tá aí? — grito dentro do banheiro feminino.

– Vai embora — ela grita de volta.

– Vamos sair daqui patricinha irritante — a procuro pelas cabines — cadê você? — quando abro a porta da última cabine ela está sentada em cima da privada fechada, abraçada às pernas, de saia e com sua roupa íntima à mostra, ela percebe na hora pra onde eu olho.

– SAAAI — ela chuta meu rosto e eu caio pra trás, forte.

Ela se levanta na velocidade da luz, vermelha novamente. Duas vezes no mesmo dia? Isso é um recorde.

– Depois o outro que é um tarado — ela diz furiosa e ainda corada.

– Não tenho culpa se você se senta tão indecentemente. — digo já de pé — Você vai sair daqui ou não?

– Não com aquele cara — ela diz séria.

– Ele é um babaca.

– Eu sei, Mr. Óbvio.

– Vamos logo e larga de frescura — pego ela pelo braço e saio arrastando ela pra fora do banheiro.

– Me larga — ela tenta se soltar — eu não quero mais olhar pra cara dele.

– Não tô nem aí.

– Seu insensível!

– Cala a boca.

Consigo arrastá-la até o vestiário que o doentão falou pra gente e ela veio me xingando de tudo quanto é nome de lá até aqui, como eu previ, ele estava esperando a gente lá.

– E aí moçada — ele diz sorrindo pra nós.

– E aí doentão.

– Sério que você vai me chamar assim agora?

– Seríssimo.

– Ei, linda — ele diz chegando perto de Lorena — você me desculpa? — ele sorri.

– Mas é claro — ela sorri de volta — que não! — ela chuta a perna dele.

– Não precisa ser agressiva!

– Sorte a sua que eu não chutei onde realmente dói — ela diz cerrando o punho.

– Ok, ok... Mas você não vai contar pra ninguém, certo?

– Não...

– Ótimo, olha, se te faz ficar melhor eu te conto um segredo meu — ele chega perto dela e sussurra algo que eu tento escutar.

Ela cai na gargalhada.

– E isso é segredo? — ela continua rindo.

– Claro que é — ele diz constrangido.

– Não queria interromper o casal, mas sabe... Quero ir pra casa — cruzo os braços e reviro os olhos.

Notas finais
Como sempre, até semana que vem, qualquer erro e/ou sugestão por favor comentem ou entrem em contato comigo, obrigada!