Você Sempre Vale a Pena
11 Capítulo 11: Derek
Notas iniciais
Já faziam dois meses que eu e Stiles estávamos juntos. Não havíamos assumido nosso relacionamento de forma pública, mas todos que nos conheciam sabiam que estávamos envolvidos. Mas eu ainda precisava formalizar nosso relacionamento de uma forma mais concreta, por isso eu o levei para jantar em um dos meus restaurantes preferidos.
Stiles estava usando uma de suas camisas estampadas, como sempre, e toda vez que eu olhava para ela, eu ria. Nela estava estampado “Hale’s Enterprises”, mas “Hale’s” era feita com os elementos químicos da tabela periódica, hidrogênio, alumínio e einstênio.
— Você é tão nerd. — Disse quando ele tirou o casaco e eu vi a camisa de novo.
— Quando seu computador queimar de novo, quero ver quem você vai chamar. — Ele disse, estreitando os olhos e dando um rosnado, mas com um cara super sapeca.
— Bom, existe um ótimo estagiário nerd na empresa. Ele é muito bom no que faz. — Respondi com um sorriso, enquanto íamos para nossa mesa. — O único problema é que ele costuma não seguir nosso código de vestimenta da empresa.
— Achei que essa camisa fazia parte do código de vestimenta... Tem Hale’s Enterprises estampada nela!
Ri alto e puxei a cadeira para que ele se sentasse. Nosso jantar foi como todos os outros, mas ao mesmo tempo foi diferente. Estar ao lado de Stiles era assim, até mesmo a rotina parecia diferente. Era única em cada detalhe e sempre imprevisível.
Havíamos terminado de jantar e Stiles devorava sua sobremesa, quando eu decidi que aquela era a hora certa para meu pedido.
— Você... — Suspirei, sem graça e tive certeza que minhas bochechas estavam vermelhas, pois Stiles estava sorrindo. — Bom, você sabe que eu gosto das coisas certas e oficiais e agora que eu e você vamos... Vamos começar a ir no clube, eu gostaria de tornar as coisas um pouco mais oficiais entre nós. — Tirei uma pequena caixinha de veludo preto e abri, colocando sobre a mesa e estendendo a ele. Nela havia uma aliança de platina com uma pequena triskele gravada na parte de cima. — Você quer ser meu namorado, Stiles?
Me sentia mais nervoso do que quando contei a Chris sobre ser gay. Eu temia que Stiles negasse e me deixasse ali. Porém, ao ver o sorriso bobo que brotou nos lábios deles e seu rosto ficando corado, eu sabia a resposta.
— Senhor Maníaco por Oficializações. — Ele disse, ficando ainda mais vermelho. — Claro que eu quero.
Coloquei a aliança no dedo anelar da mão direita dele e dei um pequeno beijo.
Terminamos nosso jantar e quando estávamos no carro pedi para que Stiles me levasse ao seu clube BDSM, de novo.
— Você não precisa fazer isso, Derek. — Ele murmurou e eu vi toda a certeza naqueles olhos.
— Mas eu quero. Eu quero estar à altura dos seus desejos e poder satisfazer suas necessidades. Além do mais, eu já te disse que isso também é uma parte de mim que eu quero descobrir melhor.
Stiles ficou em silêncio por algum tempo, apenas contemplando a avenida.
— Eu não quero te transformar em algo que você não é.
— Você não está me transformando... — Falei e dei um suspiro. —Vamos fazer assim: eu vou com você hoje. Não faremos nada, apenas assistiremos e se eu achar que não é aquilo que eu quero, nós vamos embora, ok?
Stiles acenou e me deu a localização do clube.
Quando chegamos ao Castelo dos Prazeres, senti como se o ambiente se tornasse mais denso. O ar começou a estalar e eu senti como se uma parte dentro de mim começasse a sair a vida, acordar, como se estivesse sempre dentro de mim, mas estava dormindo. Era uma sensação totalmente nova e eu estava muito feliz de que eu estava compartilhando isso com o Stiles.
Nós entramos pelos portões e quando batemos na grande porta de madeira esculpida, um segurança enorme apareceu atrás de uma mesa como um anfitrião. Stiles se apresentou e o segurança acenou achando o nome dele na lista de sócios e de que era permitido ele entrar, mas quando olhou para mim semicerrou os olhos. Stiles se apressou para explicar.
— Esse é o meu namorado. — Ele olhou para mim com um sorriso ao usar a palavra. — Ele está querendo conhecer mais sobre o estilo de vida e como hoje é um dia que tem várias cenas acontecendo, eu queria mostrar a ele.
O grande homem olhou diretamente para mim agora e começou a me instruir, bem firme e direto em suas palavras:
— Aqui no Castelo dos Prazeres nós temos regras bem rígidas e esperamos que todas elas sejam cumpridas estritamente, tanto aos sócios quanto aos visitantes. — Falando isso, ele pegou alguns papéis dentro de uma gaveta do seu lado da mesa e estendeu a mim. — Aqui estão as regras para você como um visitante e como se portar dentro do clube sem lhe causar problemas. Leia atentamente tudo que estiver escrito e quando terminar, o Sr. assina ao final e me entregue. Te darei uma pulseira branca que significa que o Sr. é um visitante e novato para precaver de que qualquer um dentro do clube saiba o que você é aqui esta noite.
Fiquei estupefato com tamanha organização dentro de um clube BDSM, nunca pensei que teria tantos detalhes que precisavam ser tratados e acordados antes. Stiles se sentou em uma das cadeiras em frente à mesa do segurança e eu me sentei na outra e peguei todos aqueles papeis de regras e comecei a ler bem minuciosamente.
Não só por Stiles achar que eu estava tentando agradar a ele, eu realmente estava interessado no BDSM e se esse era o caminho a ser traçado para eu me tornar um Dom de excelência eu iria começar fazendo as coisas bem corretamente.
Quando eu comecei a ler, tinha as especificações de como era o clube, as áreas coletivas, os andares de cima com quartos privados e alguns para cenas específicas. No térreo tinha a boate, bar e algumas áreas de demonstrações de cenas públicas e alguns instrumentos e materiais de uso BDSM e fora uma ‘floresta’/jardim, que me deixou muito curioso sob sua função. E claro, existia um calabouço no subsolo, pensei, que era para dar um tipo de realidade as masmorras.
Logo depois, vinham as regras de comportamento. Quem pretende participar de alguma cena na noite só tem direito a uma bebida, quem beber mais que isso não é autorizado a entrar/fazer nenhuma cena, cada área de cena tem um Mestre de Calabouço para fazer a segurança das cenas e impedir que alguém passe dos limites com os seus parceiros, as cenas nos quartos privados, só são permitidos para aqueles que já tem algum parceiro fixo a mais tempo, para ter um grau de confiança maior. Existiam os estagiários, que eram empregados e empregadas no Clube que era o nome dado aos submissos em treinamento do Clube.
A classificação de Dominadores e Mestres para os Top’s. Os iniciantes/visitantes, submissos iniciantes e estagiários usavam pulseiras com colorações diferentes para determinar o que você era no Clube e quais práticas você estava disposto a fazer dentro do Clube. Esse uso de pulseiras também acontecia em festas coletivas ou quando era aberto Clube para aulas de inicialização no estilo de vida.
Depois de ler quase quatro páginas de regras, a última coisa que me chamou a atenção era as restrições e punições caso transgredisse alguma regra do Clube. Uma dela era que ninguém poderia interromper uma cena, mesmo que você ache que alguma coisa está acontecendo de errado, só Mestres de Calabouço tinham autoridade para isso, pois eles tinham experiência e antes de uma cena pública começar, os participantes tinham que dizer as suas safeword, para que eles soubessem que se um submisso pronunciasse ela, mas o Top não parasse a cena, ele interromperia a cena, separaria o casal e iria ter as devidas sanções para o Top.
Caso qualquer pessoa fizesse isso sem a devida autoridade, seria punido pelo seu parceiro ou pelo Top que estivesse praticando a cena.
Eu não tinha nada a reclamar das ordens do Clube, pois parecia extremamente seguro e bem organizado. Quando terminei de ler, levantei o olhar e Stiles olhava para mim com um ar apreensivo, lhe dei um sorriso de canto e perguntei ao segurança à nossa frente:
— Onde está a caneta para que eu posso assinar o Termo de Conduta, Senhor...?
— Mestre Zane. Aqui está a caneta. Tem certeza de que está de acordo com tudo aqui escrito?
— Sim. Eu realmente quero isso. — Dei um olhar direcionado ao Stiles, afim de que ele acreditasse naquilo que eu estava dizendo. — Acho que isso sempre foi aonde eu pertenci.
Depois que terminei de assinar, Mestre Zane me deu uma cópia para que eu pudesse ter e ler quando eu quisesse, além do mais ao final tinha todos os contatos e endereço do Clube, assim seria mais fácil eu procurar mais informações sobre o tema sem ter que ficar pedindo tudo para Stiles.
Quando entramos no lobby principal do castelo, a decoração era magnética, em tons de vinho, vermelho, preto e dourado, tinha um ar de realeza e poder que emanava do lugar. Me senti de novo como se fosse atraído por aquele lugar e não queria ir contra essa voz dentro de mim que dizia:
“Isso é onde você pertence?”
Como se ecoasses meus pensamentos, quando entramos na área do bar e boate, escura, brilhante a totalmente sensual, tocava a música – Where You Belong – The Weeknd.
“Where you belong?
Onde você pertence?
I'm in control, when you give me your body, yeah
Eu estou no controle, quando você me dá o seu corpo, yeah
I feel our souls burnin' up when I'm, inside of you and I
Sinto nossas almas queimarem quando estou dentro de você e eu
I'ma leave a mark, just to remind you
Vou deixar uma marca, só para lembrá-lo
Where you belong, baby
Onde você pertence, baby
Give me your all, scream as loud as you want
Dê-me você por inteiro, grite tão alto quanto você quiser”
Ao escutar aquela letra eu segurei Stiles pela cintura, pressionei meu corpo todo junto ao dele, como se fôssemos peça de quebra-cabeça e nos encaixamos perfeitamente. Olhei no fundo de seus olhos e senti uma chama queimar dentro da alma dele, como se ele também entendesse essa emoção de pertencer a um lugar certo. Olhei para boca dele e cheguei perto o suficiente para quase encostar nossos lábios, mas não o beijei, simplesmente falei:
— Eu quero isso com você, meu bem. Mas tudo isso não é só por você. Eu quero aprender a ser um homem do qual você precisa, mas eu também preciso descobrir a mim mesmo. Descobrir onde eu pertenço.
Stiles suspirou com a nossa proximidade e acenou a cabeça, mas não era como se eu fosse totalmente leigo sobre o assunto de dominação, portanto e disse:
— Palavras, Stiles. Eu preciso escutar você.
Ele deu um gemido ao escutar a minha ordem e abriu a boca para falar, mas nesse momento eu pressionei mais o meu quadril no dele, para ele poder sentir a minha ereção e o quanto tudo aquilo me excitava. Sua boca ficou aberta em um ‘O’ perfeito e com um suspiro ele disse:
— Eu entendo, Senhor. — Quando ele terminou com um Senhor, aquilo foi a faísca que eu precisava. Segurei na base da nuca dele e dei um aperto firme em seus cabelos, o beijando com tanta intensidade, que estava tirando todo o ar dele e o meu também. Ele gemeu e tentou colocar as mãos em meu peito, mas no caminho das suas mãos eu consegui interceptá-lo e prender as suas mãos atrás das costas. Ao ser contido novamente, ele gemeu, com um som vibrante em meu peito e arqueou em minha direção. Terminei o beijo mordendo o lábio inferior dele e puxando abrindo meus olhos para conseguir gravar aquela expressão de prazer estampada no rosto dele.
Afastei e senti ele cambalear para recuperar o equilíbrio. E puxei em direção ao bar e fomos cumprimentados por um dos Mestres do Castelo, ele que cuidava do bar e dos estagiários, Stiles sussurrou para mim. Tinha os olhos sagazes e não deixava escapar nada.
— Sejam bem-vindo ao Castelos dos Prazeres, Senhores. O que vão beber hoje?
— Eu vou querer uma dose de uísque e o meu companheiro, o que vai querer? — Falei olhando para Stiles no final.
— Só um gim tônica mesmo.
— Ok.
Quando voltou com a bebidas para nós dois, olhou para a pulseira branca que ostentava no meu pulso e encarou Stiles.
— Você que o trouxe, Stiles? — Ele nem esperou Stiles responder e continuou. — Fico muito feliz por você ter encontrado alguém tão especial assim. Divirtam-se por aí.
Stiles estava vermelho como um pimentão, mas quando abrir a boca para tentar perguntar o que tinha acontecido diante dos meus olhos e tinha perdido, ele me encarou ficando sério de novo e disse:
— Vamos dar uma volta. Vamos ver se você gosta mesmo daqui.
Nós pegamos nossas bebidas e fomos dar uma volta na área de cenas públicas, onde tinha uma cena acontecendo que chamou a minha atenção.
Havia uma parede feita em cordas, que parecia uma teia de aranha e nela havia uma submissa presa em um estilo de cordas que eu reconheci ser de shibari. O Dom que a acompanhava na cena tinha em mãos um chicote de nove caudas, e quando ele balançou seu braço direito com chicote, eu notei duas pulseiras iguais a minha, uma branca e uma preta. Me lembrei dos termos em que eu tinha lido antes que as cores significavam iniciante e Dominador, respectivamente. Quando ele irrompeu em mais um golpe, a moça falou:
— Amarelo.
O Dominador da cena foi até ao Mestre de Calabouço e o homem com um colete dourado deu algumas instruções a ele. Ele voltou a sua submissa com um olhar terno e carinhoso que lhe foi retribuído da mesma forma.
Cheguei a imaginar que a submissa tivesse testando o seu Amo, mas era perceptível que ela tinha um carinho muito grande por ele e eles tinham uma química quase palpável. Ao chegar perto dela, ele lhe deu um beijo na testa e começou a fazer algumas perguntas, das quais não deu para escutar. Mas ao terminar ele segurou no rosto dela e enquanto a beijava ia afrouxando os nós que prendiam o corpo dela e alguns que a prendiam a teia. Quando ele se afastou, ela sorriu e ele perguntou:
— Qual a cor, minha sub?
— Verde, Senhor.
Ao ver aquela cena eu fiquei extremamente excitado, não só pelo conteúdo sexual, mas por tudo que tinha por trás daquilo. Entretanto eu ainda estava confuso com aquele esquema de cores e outras coisas, por isso perguntei para Stiles:
— O que significa essas cores?
— Venha, vamos nos sentar e eu te explico o que é.
Fomos andando até achar um par de sofás vazios e quando fomos nos sentar eu percebi que Stiles queria ficar afastado de mim. Contudo, tive certeza que era para não querer influenciar qualquer decisão que eu fosse tomar a respeito do Clube.
“Mal sabia ele que eu já tinha tomado a minha decisão muito antes dele dizer qualquer coisa a respeito.”
Por isso, quando ele foi se sentar longe de mim eu o puxei pela cintura e o coloquei no meu colo.
— Muito melhor assim... — Disse, acariciando sua coxa. — Agora, me explique todo o seu conhecimento, Geniozinho do BDSM. — Ele me deu aquele sorriso aberto e pude perceber que ele relaxou em meu colo à medida que ia falando.
— O esquema de cores serve para aqueles que estão começando no estilo de vida. Quando você e seu parceiro ainda não tem tanta experiência e não tem uma safeword própria. Lógico, que alguns casais têm uma desde o início do relacionamento, mas aqui no Clube os iniciantes e principalmente em cenas públicas com eles se usam as safewords usuais. Verde para quando está tudo bem para prosseguir com uma cena, ou seja, o submisso está confortável e apto para a cena. Amarelo para quando o submisso não é totalmente contra a uma determinada ação ou algum comando, mas ainda não tem uma confiança plena daquilo, ou talvez pode se usar quando não é um Vermelho que significa parar a cena completamente, mas precisa de um tempo para se recompor ou para pedir para que o seu Dom mude alguma coisa, converse com ele, confira se está tudo certo, para que assim ele possa prosseguir com a cena. Como a gente viu que ele era um iniciante, quando a sub dele disse amarelo ele foi buscar instruções ao Mestre de Calabouço depois foi aplicar aquilo com a parceira dele. O BDSM é um aprendizado como qualquer outro, mas definitivamente mais prazeroso.
Aquele jovem homem no meu colo estava fazendo coisas para mim que nem eu mesmo conseguia reconhecer. Ele estava me dando um sorriso maroto quando terminou de falar e eu o puxei para mais perto de mim e comecei a beijá-lo como se pudéssemos nos fundir e nos tornar um só.
O restante do tempo em que passamos no Castelo, Stiles ficou me explicando algumas coisas, me mostrando alguns casais, me apresentando aos Mestres, me mostrando os objetos e nomes de práticas.
Depois de deixá-lo em casa, já de madrugada, cheguei na minha casa entrando sem fazer muito barulho pois todo mundo já estava dormindo, inclusive Allison, pois percebi que seu carro estava na garagem. Eu estava bastante cansado, mas muito feliz pelo que tinha acontecido hoje. Stiles e eu jantamos publicamente, para ele poderia ter sido só mais uma das minhas manias de oficializar tudo, mas era a primeira vez que eu assumia publicamente que era gay.
Tomei meu banho e fui dormir, Mas infelizmente tive dificuldades, já que estava achando minha cama grande demais. No fundo eu havia gostado de poder dividir a cama com Stiles, de sentir sua presença, seu cheiro e poder abraçá-lo.
Stiles estava mexendo com coisas em mim que jamais imaginei encarar. Depois de longos minutos agarrado aos travesseiros, acabei adormecendo, mas infelizmente, tive um dos piores pesadelos do ano.
“Hoje o tio Peter ia jantar em casa, por isso todas as minhas irmãs estavam em casa ajudando a mamãe fazer o jantar. Quando a campainha tocou no meio da tarde eu achei estranho e fui atender a porta enquanto minha mãe saia da cozinha me acompanhava. Era o Xerife Stilinski. O que o xerife fazia em minha casa? Logo depois vi ele entrando para o escritório com a minha mãe e conversar de portas fechadas, quando subi para o meu quarto e passei em frente ao escritório só escutei o nome, um nome que me acompanharia em todos os meus pesadelos, PETER.
Eu costumava gostar do meu tio, mas desde que ele saiu da cidade para a faculdade, havia se tornado um babaca e nós constantemente brigávamos.
O jantar estava tão agradável quando meu tio pediu para que minha mãe e irmã fosse servir o café após o jantar na biblioteca e disse que queria conversar comigo. Uma conversa entre homens. Estávamos caminhando para o porão e quando chegamos no meio dele e me virei para ele, ele me segurou e pressionou um pano umedecido com clorofórmio em minha boca e nariz, logo depois disso senti tudo ficar preto e não sentir mais nada.
Ao acordar e sentir o cheiro de fumaça, fiquei em alerta total, mas para a minha desesperança eu estava trancado no porão. Comecei a gritar e a esmurrar a porta para tentar sair de lá, não tinha janelas ali e a fumaça negra entrava por debaixo da porta me sufocando aos poucos. Eu estava gritando, pedindo ajuda, tentava sem conseguir sair do lugar chegar até minhas irmãs e minha mãe. O fogo ardia e a fumaça me sufocava, eu tentava, eu tentava, mas não conseguia, eu não ia conseguir salvar minha família. Eu estava ficando sem forças e gritava:
— Mãe!!!!
Eu escutava alguém me chamando...”
— Derek! Acorda! — Alguém segurava firme os meus ombros e falava e novo. — Derek! Derek!
Saltei da cama em um salto e quase derrubei Allison que estava em cima de mim. Então percebi um tanto quanto atordoado que ela que me libertara desse pesadelo horrível.
Ela me abraçou novamente, limpando o suor do meu rosto, me afagando e me colocando confortável em seus braços enquanto sussurrava para mim:
— Está tudo bem. Ninguém vai te machucar mais. Estamos aqui. Estamos aqui para você.
Eu aos poucos ia me acalmando de novo, enquanto sentia ela cuidar de mim, como sempre fez, desde que era uma criança. Eu sempre a achei linda, com um ursinho de pelúcia. Allison tinha uma forma acolhedora de me abraçar e me fazer sentir melhor que até parecia minha irmã de sangue. Ela ficou ao meu lado e a abracei fortemente, precisando sentir esse amor e carinho que ela tinha para mim.
Ao levantar o meu olhar para a porta Chris estava escorado ao portal cruzou os braços e olhou para mim com um sorriso, mas um olhar firme.
— Estamos aqui para você, filho. Sempre que precisar e nós não iremos sossegar até colocar esse cretino atrás das grades.
Eu torcia no fundo do meu peito que isso acontecesse antes dele tentar mais alguma coisa contra aqueles que eu mais amava.
E Stiles....
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