Você Sempre Vale a Pena
6 Capitulo 6: Stiles
Notas iniciais
“Oh Meu Deus! Eu estava acabado.”
Quando eu tentei prender o Derek na parede e ele me imobilizou e me dominou ao invés de deixar ser dominado, eu pensei que poderia morrer naquele exato momento.
Sua boca quente e gostosa estava fazendo coisas terríveis para minha resistência e a sua língua estava levando para fora de mim, toda as dúvidas que eu tinha sobre me relacionar com ele. Ele estava pressionando o quadril em mim e eu tinha certeza que ele havia sentido a minha ‘dura’ resistência por ele.
Quando eu tentei ir para mais perto dele e desvencilhar as minhas mãos dos seus punhos ele se separou de mim e me encarou. Por alguns segundos me perdi naqueles belos olhos verdes, que mais pareciam caleidoscópios.
Nós dois estávamos com as respirações ofegantes e o sinal do elevador que tínhamos chegado ao estacionamento soou. Ele me soltou e virou, saindo do elevador e murmurou:
“O que há com elevadores?”. Eu ainda tentava me ajustar e me recompor desse nosso beijo eletrizante, quando ele olhou para mim ainda escorado na parede do elevador e falou com um sorriso de vitória no rosto tão safado que não estava me ajudando em nada:
— Vamos Stiles! Eu te devo um café.
— Cla...Claro, vamos. — Eu gaguejei.
Enquanto andávamos pelo estacionamento, eu notei uma variedade de carros e perguntei se eram de todo moradores do prédio e ele disse:
— Não, nesta parte do estacionamento, todos aqui são meus.
Eu fiquei com cara de bobo olhando para ele e caminhamos em direção a um Camaro Preto. Eu tinha certeza que esse havia sido o carro em que ele me buscou ontem, pois tinha uma marca de mão borrada no vidro e eu podia apostar que era a minha.
Entramos no mesmo carro, sem dizer nada um para o outro, nem sobre a noite passada e nem sobre o beijo de agora, só dirigimos até o café que o Derek falou que iria me levar.
— Para quem não queria ser visto comigo na boate ontem, irmos tomar café da manhã em um lugar público não é a melhor decisão.
— Essa cafeteria é da Allison. Poderemos tomar café da manhã reservadamente lá.
— Achei que sua irmã cursasse Artes. — Disse e no mesmo segundo me arrependi.
— Eu nunca te disse o que minha irmã fazia... Muito menos que tinha uma irmã. — Ele falou e me olhou profundamente. — Você andou pesquisando sobre mim!
O tom triunfante de Derek me deixou sem graça e não conseguia negar.
— Talvez... Eu precisava saber com quem iria trabalhar. Vai que estou entrando em uma empresa que mexe com coisas ilegais. — Falei sarcasticamente. Derek sabia que eu havia procurado sobre ele na internet por pura curiosidade.
— Vou fingir que acredito. — Ele murmurou, antes de abrir a porta da cafeteria para mim.
Tomamos café em silêncio, com apenas alguns comentários meus sobre como a comida do lugar era boa e em menos de uma hora, Derek havia me levado para casa. Pensei que ele fosse ir embora logo em seguida, entretanto, ele desceu do carro e me acompanhou até a entrada do prédio em que eu e Scott morávamos.
— Você gostaria de entrar? — Perguntei sarcasticamente, ao ver que Derek já me acompanhava pelas escadas.
— Seria um prazer. — Ele respondeu no mesmo tom. — Eu deveria cobrar um dólar por cada vez que você usa o sarcasmo comigo. Dobraria meu império em questão de duas semanas.
— Você sabe que deveria me manter longe de você. Eu não sou bom para você. Mas não tenho forças para afastá-lo. — Disse morbidamente. Derek era um cavaleiro vestido de armadura brilhante, algo que eu não queria em minha vida. E nem sabia se merecia.
— Então não fique. Vamos subir. — Ele disse de uma maneira simples e objetiva.
Subimos para meu apartamento e quando abri a porta me deparei com uma cena que nunca esperei ver. Scott estava dando uns amassos em Allison no sofá da sala, sem a camisa e a Allison embaixo dele.
— Scott! — Bradei ao mesmo tempo que Derek chamava por Alison.
— Allison! Parece que eles estão adorando se conhecer. — Derek falou com um tom misterioso e lançou a Allison um olhar duro.
— Obrigado pela carona, senhor Hale. Até amanhã na empresa. — Disse com uma firmeza e Derek acenou. Estava agradecendo a Deus por ainda ter o resto do domingo para me recompor e processar tudo que havia acontecido no final de semana. Seria ótimo ter esse tempo para colocar em ordem minha armadura que Derek tinha conseguido afrouxá-la um pouco.
— Certo... Se possível, tente seguir nosso código de vestimenta. Ou pelo menos, usar algo mais discreto que seu colete amarelo.
Ergui uma sobrancelha para ele e lhe dei um sorriso. Alheios a nossa interação, Scott tinha levantado do sofá com Allison e eles estavam se beijando de uma forma tão doce e gentil que pareciam um casalzinho apaixonado de adolescentes. Derek e eu arranhamos a nossa garganta e eles se separaram com um sorriso bobo no rosto e disseram junto:
— Até mais, baby. — Scott ainda resolveu dar uma piscadinha para Allison e ela deu uma risadinha e abaixou no sofá para pegar sua bolsa e me dá um bom dia acalorado, com direito a um abraço e passou por Derek dizendo:
— Vamos maninho. Estou com fome e tenho que preparar o nosso almoço — Ela parecia radiante e saiu do apartamento saltitando.
Derek olhou para mim e deu um olhar de soslaio para Scott, que já foi logo dizendo:
— Captado a mensagem Sr. Hale. Eu vou cuidar bem da sua irmãzinha. O que é uma surpresa para mim, ela ser sua irmã. — Scott disse isso e passou por mim em direção ao seu quarto entrou e fechou a porta.
Fiquei com uma cara de desentendido, porque eu não tinha captado essa mensagem interna entre Derek e Scott, mas a oportunidade parecia ter acabado, pois Derek foi dizendo:
— Até mais, baby. — Imitando a despedida de Scott e Allison. — Eu vejo você amanhã na empresa, teremos uma semana agitada, então espero que você esteja preparado. — Despois de dizer isso ele me deu um rápido beijo que me deixou feito uma estátua na sala de casa. Vi quando ele deu um sorriso sacana e foi embora sem mais uma palavra, me deixando sozinho para lidar com aquele turbilhão de emoções que ele havia desencadeado.
Mais à tarde, eu perguntei a Scott como ele poderia estar tão íntimo com Allison, uma fez que eles haviam se conhecido na noite anterior.
— Eu conheço Allison da época que estudamos juntos. Antes da mãe dela morrer nós estudávamos no mesmo colégio e brincávamos juntos quando crianças. Acho que era platônico desde então.... — Ele terminou de dizer isso com uma risada.
— Mas como assim? Eu não me lembro dela.
— E nem iria. Eu te conheci logo depois que ela teve que sair da escola. O pai dela estava passando por dificuldades, mas quem conhece a história direito é minha mãe, pois ela que conhece o pai da Allison, Chris. E seu pai também conhece Chris por causa da mamãe. Legal todas as famílias se encontrarem de novo depois de tanto tempo, não é?
Scott saiu e eu fiquei tão mais confuso do que na hora que cheguei em casa.
“O que os Argent têm com os McCall? Porque todas as famílias? Será que a mãe de Scott ou o meu pai conheciam a família de Derek também?” Minha cabeça iria dar um nó de tantas questões dentro de mim.
No dia seguinte, vesti um jeans escuro e uma camisa de botões também escura, mas por baixo dela, usava uma camiseta que dizia “Garoto de Programa”. Coloquei minha touca de sempre e torci para que Derek soubesse das minhas roupas.
Eu sabia que minha roupa ia contra o código de vestimenta da empresa, mas eu não poderia me importar menos. Os únicos códigos que eu me importava de seguir eram os dos computadores.
Cheguei à minha sala e logo comecei a trabalhar. Só o trabalho para tirar Derek da minha cabeça.
Cerca de duas horas depois que cheguei a empresa, fiz uma pausa para tomar um café e quando entrei na copa, encontrei Érica e mais três loiras sentadas na mesa rindo. Elas seguravam uma revista nas mãos e pareciam discutir um assunto muito sério.
— Olá. — As cumprimentei gentilmente e todas me deram um sorriso. Havíamos criado uma convivência agradável.
— Stiles... Você sabia que nosso Big Boss foi visto carregando um homem em uma boate no sábado? — A loira número um perguntou.
— Pena que não podemos ver o rosto. O cara escondeu bem a tempo! — A loira de cabelos cacheados falou.
— Você saberia me dizer quem é? — Érica perguntou com um sorriso e me entregou a revista. Ao olhar a foto eu constatei que realmente era eu, mas meu rosto estava escondido no peito de Derek. Eu sabia que Érica havia me reconhecido, mas ela não havia dito nada.
— Não... — Murmurei sem graça. Érica poderia me fazer perder o estágio se contasse.
— Pena.. Queria saber quem foi o cara capaz de achar um coração embaixo de todo aquele terno preto, mal humor e carrancas. — Ela disse. — Agora eu preciso ir, antes que alguma tragédia aconteça lá em cima e eu perca meu emprego.
Érica se levantou e quando passava por mim, me deu uma piscadela.
— Isso explica porque nunca vimos ele com nenhuma mulher em qualquer um dos eventos sociais. — A loira número um disse olhando para a loira número dois que deu um suspiro triste.
— Ou em qualquer outro lugar né?
— Pena é isso... Acho um desperdício um homem tão bonito quanto ele, ser gay. — A loira número quatro falou e aquilo me deixou profundamente irritado.
— A única coisa aqui que é desperdício, é a água oxigenada que você usa no cabelo, minha cara. Mesmo se ele fosse hetero não ficaria com alguém como você.
Sai da copa irritado e mal havia me sentando em minha mesa quando recebi um correio interno, pedindo para que eu me dirigisse à sala de Derek.
“O que ele quer comigo agora?”
Subi até o andar que ficava a sala de Derek e assim que cheguei lá, Érica me disse para entrar sem bater.
— Mandou me chamar, Senhor Hale? — Perguntei, ao entrar na sala dele. Derek estava com alguns outros homens em sua sala e quando me viu, me lançou um sorriso comedido.
— Sim... Meu computador insiste em travar sem parar. Será que você pode dar uma olhada para mim? — Disse e se virou para os outros da sala. — Senhores, é isso. Não aceito proposta nenhuma menos de cinquenta mil.
Derek continuou sua reunião enquanto eu concertava seu computador. Ou pelo menos procurava por algum problema. Tudo parecia em ordem naquele computador.
Os acionistas se levantaram para sair e eu continuei revistando o computador.
— Senhor Hale, não temos nenhum problema aqui. — Disse, quando ficamos a sós na sala.
— Sim, nós temos um problema aqui. — Ele me disse com seus olhos brilhando de uma maneira encantadora e com um sorriso de gato que parecia ter engolido o passarinho.
“O que ele está tramando?”
— Bom, eu já revistei seu computador, ele não parece ter nada demais.
— Nosso problema não é técnico, Senhor Stilinski. É pessoal. Eu quero um jantar com você... Como pagamento por ter sido acordado no meio da noite e por ter cuidado de você bêbado. — Ele disse decisivamente e senti meu rosto esquentar.
Abri a boca para respondê-lo, mas fomos interrompidos por uma ligação.
— Hale. — Ele disse. E depois de suspirar pesadamente prosseguiu — Preciso de um minuto. Espere. — Derek tapou o bocal do telefone e olhou para mim — Me responda até o final o expediente.
Sai da sala de Derek e ainda atordoado com o convite inesperado e nem me dei conta que Érica estava bloqueando minha passagem.
— Era você na foto! — Ela exclamou, me mantendo preso entre sua mesa e a porta da sala de Derek.
— Não sei do que você está falando. — Respondi, com minha cara de paisagem.
— Jura que não sabe? Então como você me explica isso. — Ela falou, apontando para meu colar na foto e depois para o colar em meu pescoço.
— Isso é um colar barato de camelô. Muita gente usa. — Desconversei.
— Stiles... Não minta! Não é todo mundo que anda por ai com uma triskele pendurada no pescoço. — Ela parecia alegre.
— Certo sou eu. O que vai fazer com a informação? Divulgar para o TMZ? Contar para a legião de loiras daqui? Você sabe que eu seria demitido e Derek negaria tudo.
Não pude deixar de sentir um pequeno incomodo ao dizer aquilo.
“Onde estou com a cabeça? Ele nunca iria assumir um relacionamento comigo... Ou com qualquer outro homem”. Parei aquele pensamento no meio e me repreendi “Jura que você está pensando em um relacionamento com ele?” Érica deu uma risada e depois de me agarrar, me deu um abraço apertado.
— Finalmente ele achou alguém! Se você o magoar, eu faço Boyd, meu namorado/ melhor amigo de Derek/ Segurança particular dele, para te dar uma surra. — Ela me disse com um sorriso afetado. — Agora saia daqui.
Voltei para meu andar e passei metade da tarde refletindo sobre o pedido de Derek. Eram cerca de três da tarde quando o telefone em minha mesa tocou e Érica me avisou que Derek precisava que eu fosse consertar a impressora dele, que se recusava a imprimir.
Ao chegar lá, descobri que Derek havia desinstalado o programa da impressora.
— Por que eu acho que você está fazendo isso de propósito? — Resmunguei.
— Porque eu estou. — Ele me deu um sorriso cafajeste.
— Muito maduro da sua parte, Senhor Hale.
— Se for preciso, vou queimar todos meus eletrônicos para te fazer vir aqui.
— Isso soa meio psicótico, Senhor Hale. — Disse, sem tirar os olhos da tela do computador.
Reinstalei o programa e estava prestes a sair quando Derek me chamou.
— Pense no meu pedido.
Mais uma vez voltei para a minha sala e para minha surpresa, Derek não telefonou novamente. Trabalhei na nova plataforma do site da empresa até o fim do expediente. Havia uma parte do site que insistia em desconfigurar sempre que trocávamos de navegador.
O relógio da minha mesa marcou cinco horas e desliguei meu computador. Arrumava as coisas para ir embora e estava tão concentrado que nem percebi Derek entrar na sala.
— Já pensou no meu pedido? — Ele perguntou, me fazendo gemer.
— Você quer me matar de susto? — Rosnei, com a mão sobre o meu coração que estava disparado.
— Eu quero minha resposta! — Ele parecia uma criança implorando para ganhar um brinquedo muito caro.
— Você age como se eu tivesse mesmo uma opção de escolha. Passe em minha casa às sete. — Resmunguei.
— Será o melhor jantar de sua vida. — Ele disse triunfante e me deixou ir.
“O que eu estava fazendo?”
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