Você De Novo?

12 Rumores Correm


Notas iniciais
Ei gente, aqui vai mais um capítulo.
Eu odeio ficar cobrando vocês, isso é realmente cansativo e muito chato, então eu vou parar. Mas não vou aceitar reclamações por demora nos capítulos, porque eu ando muito desmotivada e se vocês não se veem na obrigação de postar o comentário, eu não me vejo em obrigação de postar a história, antes de eu ter vontade.
Minhas leitoras regulares, mil perdões isso refletir em vocês também. Agradeço vocês muito e saibam que são especiais pra mim! Depois eu dou um jeito de recompensar pelo prejuízo e tal... Quem sabe vocês aparecem em um capítulo, sei lá! hahahahah
Quem querem no próximo capítulo? Nesse será Christian e Felicity
Espero que gostem desse! Boa leitura!

Moradia No Purgatório – Dia 17

Eu não sabia para onde correr, eu só sabia que tinha que correr. Meus pés doíam, eu sentia que eles sangravam por pisar descalços, contra aquelas pedras pontiagudas do solo, mas eu continuava correndo. Eu sentia dor, muita dor, mas eu não queria parar, eu não ia parar. Meus olhos estavam focados na visão do homem que se afastava cada vez mais, usando um paletó chique e carregando uma mala sua de roupas. Atrás de mim, eu via minha mãe, ajoelhada e chorando, desolada no solo chorando como nunca havia visto antes. Eu também estava chorando, eu estava me sentindo horrível. O homem não olhava para trás, era frio e andava em passos lentos, eu ia lhe alcançar uma hora ou outra se não perdesse meus pés antes, eu ia! Eu sentia que logo meus ossos começariam a ficar expostos, mas não estava nem aí! Eu estava me aproximando.

Ao alcançar a figura, agarrei a perna do homem tão forte, que qualquer pessoa que visse aquilo, acharia de partir o coração. Meu vestido branco que usava estava cheio de sangue, assim como minha boneca que havia largado em algum lugar do percurso até ali. Eu estava dolorida, mas havia chegado, finalmente havia chegado e não o deixaria ir embora, não deixaria que nada acontecesse com nossa família. Meu pai me olhou com os olhos frios que eu sabia que só tinha em meus sonhos, mas que deixava minha pressão baixa e me dava vontade de desmaiar. Com um sorriso cínico, me puxou pelos cabelos e com toda a força em seu braço, lançou-me para longe, contra as pedras do solo, fazendo a parte do meu corpo com que havia entrado contato no chão se rasgar, abrindo várias feridas que me faziam gritar mais ainda de dor.

–Esqueça isso, filha. –Mamãe falou do outro lado, afogada em seus soluços. –Ele não quer mais a gente. Ele tem uma família. Uma família melhor.

Meu rosto estava banhado pelas lágrimas, mas pude me virar na direção em que meu pai estava, bem a ponto de o ver ali, dessa vez parado, mas não pensando em voltar como eu sonhava que estivesse. Papai estava abraçado, de um lado com Jessica e do outro com Nicholas. Os três riam, riam muito alto, gargalhavam, como se estivessem diante da cena mais engraçada do mundo. Olhando para trás eu podia ver os soluços que minha mãe dava, com os cabelos loiros atrapalhados caídos na frente do seu rosto, tão bonito, que agora estava devastado pela tristeza. Era uma cena horrível. Uma cena de cortar o coração.

–Eu odeio vocês!

Gritei o mais alto que eu podia para os três do outro lado da rua, mas eles continuavam rindo e rindo. Minha mãe olhou-me com a tristeza nos olhos e o brilho que havia neles era quase de se arrancar o coração. Os ventos começaram a mudar e logo eu senti meu corpo sendo envolvido por uma brisa, que com o tempo se tornou tão forte e tão forte que senti meu corpo deixando o chão. Com os olhos arregalados, voei em direção a Jessica, meu pai e Nicholas, que ergueram os braços para me agarrar, enquanto a brisa me levava até eles, e consequentemente me tirava de minha mãe!

–Não!

Pude ouvir o grito de horror sair dos lábios dela. Tentei me debater, chorei, mas eu não me libertava da brisa, era impossível fazer aquilo. Com um tempo, meu pai, Jessica e Nicholas me agarram, prendendo-me em seus braços e fazendo-me tentar escapar, sem conseguir. Eu era muito pequena e eles eram muitos. Eu queria ir até a minha mãe que estava jogada do outro lado da rua. Eu queria correr até ela, mas não me deixavam.

Com os olhos tristes e com as pernas mal a suportando. Mamãe colocou-se de pé, trêmula enquanto me abria um sorriso completamente desolado. Tirando a mão de trás das costas, surgiu com um revolver, o qual colocou na boca e puxou o gatilho tão rapidamente, que nem tive tempo de gritar ao ver o seu corpo sem vida caindo ao chão.

–Não!

Me debati, mas ainda não queriam me soltar. Eu queria correr! Eu queria ir até ela! Eu queria ajuda-la! Mas então o mundo se quebrou em milhões de pedaços.

–Sidney! Pare! Acorde!

Meus olhos se arregalaram e de uma só vez acordei. Piscando para acostumar a visão, pude ver Nicholas, parado de frente para mim, segurando meus pulsos e me sacodindo como se eu fosse uma louca ou coisa do tipo. Meus olhos caíram sobre ele e depois sobre o quarto. Senti meu coração bater mais pesadamente. Eu havia tido outro maldito pesadelo por causa do maldito remédio que minha maldita psicóloga havia me mandado ficar sem. Meus olhos se encheram d’água enquanto eu me lembrava da horrível cena da minha mãe ao se matar. Eu entendia o sonho, eu sabia do que se tratava. Eu havia a abandonado, eu havia a abandonado para morar com essa família. E nem me preocupei em vê-la, ou em saber o que ela achava disso. Eu era uma filha horrível, eu poderia morrer.

–Ei. Por que está chorando? Pelo amor de Deus, Sidney, eu te imploro! Fale comigo.

Nicholas estava desesperado, eu via o medo em seus olhos. Sem pensar duas vezes o abracei, puxando-o para perto de mim e enterrei a cabeça em seu peito, soluçando como louca e sentindo a dor tomar conta de mim. Nicholas envolveu-me em seus braços, enquanto acariciava meus cabelos e mantinha os lábios em minha cabeça, onde tratava de dar alguns beijinhos e sussurrar que estava tudo bem. Só que não estava tudo bem e ele não sabia disso.

–O que aconteceu, Sid?

Perguntou em um sussurro. Eu não queria falar. Nem queria pensar em como havia sido horrível o meu sonho e em como ele refletia em minha vida de agora. Daquela fez, pela primeira vez, eu havia sonhado não com o abandono do meu pai à nossa família, mas sim com o meu abandono à minha mãe.

–Eu sou uma péssima filha, Nicholas.

–O que? –Perguntou confuso, ainda afagando meus cabelos. –Não. Está dizendo isso pelo que aconteceu mais cedo? Não somos filhos ruins...

–Não Nicholas, é muito pior do que isso.

Solucei ainda em tom choroso. Meu irmão franziu a testa olhando-me agora confuso. Ele não entendia, ele não entenderia. Nicholas tirou meus cabelos do rosto enquanto eu tentava esconde-lo, seu olhar era preocupado e ele não estava parecendo apreciar a cena. Ele parecia triste e isso me deixava triste. Comecei a chorar mais.

–Ei, ei, ei... –Me abraçou mais forte. –Me conte o que aconteceu. Foi outro pesadelo?

Assenti enquanto fungava e enxugava meu nariz que já escorria. Tomei ar tentando parar os soluços. Eu me sentia uma criança.

–O que você sonhou? Com meu pai de novo?

–Também. –Funguei. –E com você, e com Jessica e comigo. Nicholas, eu abandonei minha mãe e ela se matou.

–Mas foi só um sonho, não é verdade. –Abriu um sorrisinho sem exibir os dentes. –Sua mãe está bem.

–Não, não está. –Sai dos seus braços me sentando na cama direito. Soltei um suspiro olhando para o colchão. Eu conseguia sentir os olhos de Nicholas em mim. –Eu a abandonei ao vir para cá, na vida real. Eu nunca mais liguei para saber como ela estava, nunca mais fui vê-la.

–Mas a culpa não é sua, Sid. Você está passando por todo um período de adaptação aqui. –Falou tentando me acalmar. Nicholas saiu de onde estava, se sentando de frente para mim, para que eu pudesse olhar para ele. –Se você quiser, eu te levo para ver sua mãe amanhã mesmo. São algumas horas de carro, mas a gente pode aproveitar as férias e fazer uma viagem pra lá. Não da mais de dois dias de ida e volta, da? A gente da um jeito.

Meus olhos se enchiam de água na medida em que eu ouvia Nicholas falar. Ele estava sendo tão perfeito e fofo comigo, que eu já estava mais calma, e quando mais nova, a única pessoa que conseguia me acalmar depois de um pesadelo era minha mãe. Só. E eu continuava chorando o resto da noite caso ela não estivesse comigo. Nicholas tinha um carisma incrível, que sem dúvidas, ao contrário de mim, havia herdado do papai. Soltei um suspiro enquanto assentia e enxugava as lágrimas em meu rosto. Ele tinha razão. Nada que uma visita não fizesse... Mas eu não poderia levar ele comigo. Ele ainda era uma das razões pela qual minha mãe estava mal.

–Pode deitar aqui comigo?

Foi tudo o que saiu da minha boca. Nicholas assentiu. Puxando-me para mais perto de si, na medida em que eu entrava sob os cobertores e me aninhava embaixo deles, no quentinho. Nicholas deitou-se abraçado comigo, me confortando em seus braços. Soltei um suspiro enquanto olhava para os enormes olhos azuis que me observavam. Engoliu em seco.

–Esqueceu o remédio hoje de novo?

Balancei a cabeça negativamente.

–Tenho que ficar sem. E tenho que anotar todo esse inferno depois. Ordens da Dra. Eliane.

–Acho que eu vou ter que dar uma conversinha com aquela mulher.

Abri um sorriso quase minúsculo, mas ainda um sorriso, com o que o ouvi falar. Balancei a cabeça negativamente, lhe dando um selinho nos lábios e soltando um suspiro. Nicholas sorriu, colocando mais uma mecha dos meus cabelos atrás da orelha, e acariciando o meu braço lentamente enquanto eu fechava os olhos, sentindo o peso do sono me tomar.

–Boa noite, Sid.

–Boa noite...

(...)

–Um lago? Uau! Acho que o seu sábado fez o meu parecer um velório.

–Que horror Felly! –Dei risada enquanto ouvia minha amiga reclamar sobre as brigas que surgiram no almoço em seus avós. Famílias sempre iguais. –Não deve ter sito tão ruim assim!

–O meu foi um sonho...

O sorriso no rosto de Christian era indescritível. Ele estava deitado no banco em que estávamos com os pés para o encosto e de cabeça para baixo. A cena era engraçada. Tinha os olhos pouco abertos e aquele tipo de sorriso que só temos quando estamos apaixonados.

–Ah sim, e senhor apaixonado achou o príncipe encantado. Esfregue mesmo na cara das encalhadas aqui.

Brincou Felly, enquanto revirava os olhos. Balancei a cabeça negativamente enquanto puxava o ruivo pela gola da blusa.

–Pode parar de dar uma de morcego do amor, meu fofo. Seu cérebro já é meio sobrecarregado com toda essa hiperatividade. Nem quero ver como vai ficar com o sangue todo aí.

Sorri enquanto meu amigo se sentava no banco, dessa vez como gente e me desferia um olhar feio. Mostrou a língua para mim, abrindo um sorrisinho.

–Troy gostou da minha hiperatividade.

–Seu sujo.

Felly grunhiu, fazendo Chris arregalar os olhos e dar um pulo de onde estava. Dei risada com a reação do meu amigo.

–Não! Eu não quis dizer... Ah Felicity! –Mais risadas. Christian olhou-nos com bico. –Me deixe em paz, senhorita mal humorada.

–Awn! Não fica sem graça, Cricri. –Sorri lhe dando um abraço e um beijo na bochecha. –Entende que esse é meu papel como revoltada e do de Felly como mal humorada.

–É sério... –Christian olhou para a loira, dessa vez com o cenho franzido. –Você está mais mal humorada do que o normal.

–Eu não sou mal humorada! –Exclamou Felly. –Eu só não estou tão bem hoje.

–O que aconteceu?

Franzi a testa, agora também preocupada e soltando Christian que se arrumou ao meu lado no banco. Ambos paramos para aprestar atenção na loira que estava linda com a trança nos cabelos loiros coloridos. Felly deu de ombros, apoiando o queixo em suas mãos e soltando um longo suspiro.

–Megan. Ela aconteceu.

–O que essa menina fez dessa vez?

Perguntei, curiosa. Tudo bem que a garota era detestável, e pareceu uma víbora só de olhar para ela no banheiro do restaurante no dia em que fui lá com Nicholas, mas... Estremeci ao me lembrar da forma que ela olhou para ele quando me viu sentada em sua mesa. Nojenta. Meus olhos caíram em Felly. Algo me dizia que todo aquele seu ódio não era fruto de um ciúme do seu irmão.

–Ela não sai da minha casa mais! Já basta James estar com aquela nojenta! Agora ela fica lá em casa também!

–Ah loira! –Chris exclamou pulando para mais perto dela. –Não fique em casa. Simples. Fique conosco. Somos muito mais agradáveis.

Garantiu fazendo um curto sorriso aparecer no rosto da minha amiga. Pude ouvir um suspiro.

–Esse é o problema, Chris! Eu estou perdendo a minha casa! A minha casa! Para ela.

–James não sabe que você não gosta dela? –Franzi a testa. –Por que continua levando ela lá então?

–Porque James é um idiota! E os malditos avós dela nunca saem de casa. Nossa casa é o único lugar 100% livres de pais, já que os meus sempre estão fora, para eles poderem transar.

–Isso é nojento... -Estremeceu Chris. Assenti um pouco horrorizada pela lógica de Felly. Mas quem era eu para me sentir horrorizada por alguma coisa? Eu quase havia dormido com Nicholas na noite anterior... E ele é meu irmão. –Não, é sério! Imagine o tanto de DST que James deve ter pegado!

–Desde que não seja AIDS...

–Ai que horror, gente! –Exclamei, chamando a atenção dos dois. Agora eu estava ficando encucada. Eu não gostava da garota, mas para mim aqueles xingamentos estavam meio que fora do padrão. –O que aconteceu de tão ruim? Eu conheci a Megan e ela não me parece uma aidética ou coisa do tipo...

–O que? –A surpresa se estampou no rosto de Felly que logo se colocou de pé. –Conheceu Megan? Como assim?! O que ela disse?

–Eu conheci ela no banheiro do restaurante. –Franzi a testa. –Sei que é a mesma, porque Nicholas me falou dela... Ou eu tentei fazer com que ele me falasse.

–Espere... –Felly me olhou dessa vez confusa. Por que eu estava achando aquela sua reação desesperada tão estranha? –Nicholas? Nicholas Mckibben? O que estava fazendo com ele em um restaurante?

Comecei a me sentir sufocada com tantas perguntas. Por que ela estava tão surpresa? E será que conhecia Nicholas melhor do que havia me dito da última vez? Franzi a testa, me colocando de pé dessa vez com cara de desconfiada. Qual era a de Felicity? O que ela estava escondendo?

–Conhece Nicholas?

–Sim... Já te disse isso?

–Mas tipo... Conhece mesmo? Tipo de conversar e tudo mais?

Felly desviou os olhares. Ergui uma sobrancelha enquanto levava as mãos até a cintura. Christian nos observava em silêncio, parecendo curioso e tenso com a cena. Eu estava tensa.

–Não...

–Então por que tanta surpresa na voz?

–Olha, Sidney! –Felly pareceu começar a falar, mas assim que fez, se interrompeu. Seus olhos caíram em Christian e depois em mim. Pude ouvir um longo suspiro deixando os seus lábios. Franzi a testa mais uma vez, sentindo a confusão tomar conta de mim. Odiava não saber das coisas! –Christian. Se um dia abrir a boca para contar o que estou prestes a dizer...

O ruivo sentado no banco deu um pulo ao ouvir seu nome, e assentiu quando ouviu a ameaça silenciosa da garota. O que era aquilo? Fez um zíper no rosto com a mão.

–Sou um túmulo.

–O que foi, Felicity?

–Olha... Eu não quero que nenhum dos dois me julgue e o que eu estou prestes a contar é tipo, uma coisa que ninguém no mundo além do meu irmão sabe. Então eu estou confiando muito sério em vocês.

–Ok! Fala logo!

Insisti me sentindo completamente curiosa. Minha amiga bufou, cobrindo o rosto com as mãos.

–Lembra que eu disse que tinha uma amiga que era afim do Nicholas? Tipo... Por muito tempo? –Assentimos. –Bem... Teve uma festa em um dia e eu fui até ele para ver se eu conseguia arranja-lo para ela... Mas eu estava alta, ele também, a festa estava boa e... Bom... Nós ficamos.

Meus olhos se arregalaram mais do que deveriam e eu senti meu estômago embrulhar. Por que aquela reação? Acho que era porque eu não esperava um dia encontrar alguma das meninas com quem Nicholas já havia ficado, ainda mais porque Felly havia dito que ele era um cara impossível de se ficar, e isso era bom... Descobrir que minha amiga dali havia conseguido algo com ele era... Péssimo. Agora eu sabia com quem Nicholas já havia estado, sabia que ela era linda, inclusive mais do que eu, e isso me dava ciúmes. Bastante. Prendi a respiração tentando não deixar minha expressão ser notada.

–Hm... O que?

–Eu sei, eu sou horrível. O pior é que saímos por mais um tempo sem ela saber... Mas o que eu posso fazer? Ele é maravilhoso e é tipo, o Deus do sexo. Eu fui idiota e uma péssima amiga. Não tem noção de como eu me odiei depois disso.

Eu estava tonta. Ela havia dormido com ele? Ótimo! Mas como Felicity havia dito, quem era eu para estar julgando ela? Nicholas era meu irmão e eu estava com ciúmes porque eu estava ficando com ele também. Ela havia traído a amiga, o que é realmente muito ruim. Mas eu? Eu estava traindo minha família, em todos os sentidos.

–O que aconteceu? No fim das coisas?

Perguntou Christian boquiaberto. Eu não estava falando, eu não conseguia. Acho que tudo o que eu fazia era olhar para o nada e ser esmagada pelos meus pensamentos.

–Eu disse pra ele que não poderia ter nada sério com ele por causa da Abby... E ele terminou comigo.

–Ele terminou com você?

Consegui repeti. Felly assentiu com um suspiro. Por que eu me sentia melhor agora? Bem, Nicholas havia dito não para Felicity e sim para mim... Isso subia minha autoestima em todos os sentidos, por mais doentio que isso parecesse. Chris ainda estava um pouco chocado com a história, mas eu não. Eu havia feito coisa muito pior, com certeza não faria isso com minha amiga, mas Felly havia errado. E eu considerava o erro como modo de aprendizado. Ao se sentir tão mal, eu tinha certeza que a garota não repetira o mesmo incidente e isso era bom. Abri um sorriso, o que fez minha amiga abrir uma expressão surpresa. Franziu a testa completamente confusa. Seus olhos paravam em mim com dificuldade.

–O que é isso?

–Pensei que fosse algo tipo, muito pior.

–Pior do que isso? Sidney!

–Eu sei, Felly! O que você fez com a sua amiga não se faz. Mas te conheço bem o bastante para saber que isso nunca vai se repetir. E eu fico feliz. Você aprendeu, acho que é o que conta no final das coisas porque... Bem, errar é humano.

Juro por Deus que pude ver um brilho nos olhos da minha amiga que logo em seguida abriu um sorriso e me deu um abraço. Meu sorriso triplicou enquanto eu retribuía o abraço da loira. Nem acreditava que eu estava sabendo um segredo tão grande... Quando que nos tornamos tão amigas daquele jeito?

–Obrigada, Sid! Nunca deixaria nada acontecer com você desse tipo! E caso aconteça, nós quebramos a garota!

Dei risada do que escutei, com logo em seguida Christian que pulou na gente nos abraçando também, fazendo uma espécie de abraço triplo que quase nos levou para o chão. Pude ouvir a risada saindo dos meus amigos também.

–Abraço grupal!

–Ah esse ruivo!

–Mas agora...! –Felly interrompeu enquanto conseguia se libertar dos braços esmagadores do nosso amigo. –Me conte sobre a Megan!

–Bem! –Sorri animada. –Eu encontrei ela no banheiro do restaurante que eu fui e como eu não sabia quem ela era, naturalmente gostei do batom que ela estava usando. Aí eu comentei. Ela me olhou toda fresca e mesmo sem eu ter perguntado, me esfregou na cara que ele era da Prada. Eu juro que achei isso muito nojento. Eu fiquei em silêncio depois e ela veio me perguntar o meu nome. Quando ela me disse que era Megan eu suspeite. Só me confirmaram tudo depois.

–Ai, aquela nojenta! –Felly exclamou estreitando os olhos. Christian fez o mesmo o que foi engraçado. –Mas foi Nicholas que falou para você sobre ela, não foi? O que fazia com...

A frase de Felly foi interrompida, assim que seus olhos se firmaram atrás de mim. Pensei em me virar para olhar o que havia causado esse efeito na menina, mas não precisei. Assim que os passos puderam ser ouvidos, pude escutar saindo dos lábios do ruivo:

–Falando no diabo...

–Sidney? –Os olhos de Nicholas pararam em mim, enquanto o alívio parecia tomar posse do seu rosto. Franzi a testa, completamente confusa por vê-lo. O que ele estava fazendo aqui? –Eu estava te procurando por toda parte!

–E por quê? Deixei a mensagem de que eu estaria aqui com eles.

–É eu sei...

Cumprimentou Christian com um gesto, enquanto meu amigo retribuía com um sorriso. Os olhos do meu irmão caíram em Felly que ergueu uma sobrancelha, com um sorriso amarelo. Olhei bem para os dois tentando sentir ciúmes, mas não aconteceu. Seja lá o que Nicholas e Felly tiveram, parecia ter sido encerrado.

–Christian, esse é Nicholas, meu irmão.

Apresentei-o formalmente já que Nicholas ainda não conhecia o ruivo de conversas e vice versa. Chris abriu um sorriso.

–Oi.

–E aí, Christian?

–Espera. –Felly chamou, agora observando-nos assustada. –Nicholas é seu irmão?

Assenti, enquanto via o rosto da minha amiga se tornar rosa e de repente se tornar incrivelmente sem graça. Felly desviou os olhares, observando qualquer lugar menos a gente. Franzi a testa me voltando para Nicholas novamente.

–E...

–O pai e a mãe vão sair. Pra variar. Eu tenho que sair com uns amigos mais tarde então alguém precisa tomar conta da casa.

–E esse alguém supostamente sou eu.

Deduzi de mal grado. Nicholas assentiu. Soltei um suspiro enquanto me virava para meus amigos que olhavam fixos para meu irmão –ou melhor, Christian fazia isso –enquanto Felly olhava para o outro lado do parque.

–Gente. Vamos pra casa? Estou sozinha lá e...

–Olá gay, TPM e Sid.

Uma voz terceira surgiu do nada interrompendo-me no meu convite. Virei-me a tempo de ver James que chegou passando o braço por meus ombros e pelos de Felly nos puxando em um meio abraço. Senti meu rosto corar um pouco, ainda mais por causa do sorriso idiota que havia se formado em meu rosto e também pelo fato de Nicholas ter visto aquilo. Seus olhos se cerraram em minha direção bem no momento em que James pareceu notar sua presença. Seus olhos se arregalaram por um curto período de tempo e logo pude sentir uma leve tensão em seus músculos, já que seu braço estava me envolvendo. Mudou o apoio de perna.

–Mckibben...

–Velasquez...

Por que aquela tensão? Meus olhos caíram em Nicholas e depois em James, estudando-os bem por um momento e sem sucesso tirando conclusão alguma. Eles não se gostavam, mas por que? Que merda! Será que todos estavam ligados ali? Com tantas pessoas no mundo, meu irmão tinha que já ter um relacionamento nada afetivo com a maioria dos meus amigos? Eu não ia deixar aquilo se estender. Me soltei dos braços de James, ficando de frente para os meus amigos.

–Vocês vão fazer algo hoje a noite?

–Sidney... –Nicholas me interrompeu antes que eu pudesse desenvolver meu pensamento. –Eu ia perguntar se você não quer ir com a gente para o centro? Ia ser bom pra te apresentar parte da cidade.

–Mas...

Meus olhos se viraram para meus amigos, que abriram um sorriso –exceto James –e me olharam de forma simpática.

–Relaxa Sid, a gente sai amanhã.

Garantiu Chris. Assenti com um suspiro.

–Ok... Eu já vou pra casa então, Nicholas.

–Certo... Não demore. Tchau pra vocês.

Falou em um tom não muito animado, mas disfarçado, enquanto dava as costas e por fim saía. Chris tinha um olhar indescritível no olhar, algo como animação e malandragem, como se tivesse acabado de descobrir um segredo da CIA e estava louco para contar para alguém. Felicity e eu nos entreolhamos, achando cômica a cena. James teria feito isso também, se não estivesse encarando meu irmão se afastar.

–O que é isso, ruivo?

Perguntei com um sorriso na face. Chris deu um pulo.

–Deixa eu ver se eu entendi... Nicholas é o garoto com quem Felly ficou e também é o cara que é irmão da Sid... Que mundo pequeno!

–Espera... O Mckibben é seu irmão?

James me perguntou, surpreso, com uma expressão exatamente como a de Felicity. Parece algo meio ridículo de se falar, mas era surpreendente como os gêmeos eram parecidos, mesmo em reação. Assenti.

–Sim, ele é.

–Meu Deus, Sid! –Felly exclamou. –Mil desculpas por falar dele daquele jeito, tipo...

–Relaxa, amiga. –Dei risada. –Não somos próximos ou coisa do tipo.

–Me pareceu... –James falou em tom seco enquanto finalmente voltava os olhares para a nossa direção. –Ele não gostou muito de me ver encostado em você.

Abri a boca, mas não saiu som. Vai Sidney. Explica essa. Eu poderia inventar mil e uma coisas, minha mente estava pensando em todas as desculpas que eu poderia usar, mas graças a Deus, e graças a santa Felicity, minha vida foi salva, pois com um sorriso a loira comentou:

–Mas também, com a rivalidade do time de vocês...

Então era isso? Rivalidade de jogo? Essa era a tensão entre os dois? Fiz força para não revirar os olhos.

–Mas James, você é mais velho. –Christian comentou, confuso. –Nicholas tem quantos anos, Sidney?

–Dezoito...

–Eu tenho dezenove. –James ergueu uma sobrancelha. –Ou seja, nós jogamos em times rivais por dois anos. Esses merdas invadiram o luau da escola, se lembra? Tentaram quebrar nosso espírito escolar.

–Você da muita bola pra essas coisas. –Felly revirou os olhos cortando os lamentos do irmão. Quis agradecer. –Sid, você não tinha que ir?

–Sim! –Exclamei, me esquecendo que não deveria demorar. Dei um abraço em cada um dos meus amigos. Abri um sorriso. –Até amanhã!

–Até...

Pude ouvir em uníssono. Bom, não havia dado tempo, mas eu estava começando a gostar dos babados que rodavam por aquele lugar. Então Nicholas não era o garoto que estudava o dia todo por boas notas. Ele era um jogador, mesmo que de um colégio de filhinhos de papai dotados. Então quer dizer que ele era do tipo de esportes? Explicava o corpo definido... Bem, uma coisa era certa, mesmo não tendo tido tempo dessa vez, eu voltaria atrás desse assunto e descobriria tudo com meus lindos amigos fofoqueiros, já que Nicholas era correto demais para abrir a boca. E eu não podia mentir... Gostei da forma com que Nicholas havia me olhado quando James havia me abraçado. Doentio? Talvez, mas não deixava de ser legal. Eu tinha tanto para pensar naquele momento que ia explodir! Mas não tão rápido! Eu ainda tinha um encontro com os amigos do meu irmão.


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Notas finais
O que acharam? :)