Você De Novo?
11 Alma Infectada
Notas iniciais
Bom gente, eu estou recebendo muitos reviews, o que é muito bom! Então não posso reclamar com vocês! Eu só vou avisar aqui como funciona minha regra de postagem, para os leitores que estão um pouco confusos! hahahah!
Bom, o meu prazo é de 7 em 7 dias, então uma vez por semana, eu posto um capítulo. Os posts dependem também do número de reviews, pelo número de favoritos. por exemplo: Eu tenho 10 pessoas que favoritaram a história, eu espero 10 reviews por capítulo para postar, entendem?
Bom, é isso aí! No último capítulo Nicholas e Sidney entraram em um acordo então aqui vai mais um! Espero que gostem bastanteeee porque esse capítulo, minha gente é ENORME! hahahahahah!
Boa leitura!
Moradia No Purgatório – Dia 16
–E então Sidney, como andam suas anotações?
–Sinceramente? Não andam.
–Não parou com os remédios como eu havia sugerido?
–Desculpe, não.
–Pois bem...
Estava mais uma vez eu ali, sentada na pequena sala da Dra. Eliane, agora recebendo um olhar de desaprovação e um longo suspiro de decepção por eu não ter obedecido quanto ao negócio dos remédios. Quer saber? Eu fiquei com medo. Não queria ter os sonhos e eu já achava que minha vida já estava bagunçada demais por conta do que estava acontecendo com Nicholas e todo o resto. Eu não queria mais problemas como aqueles pesadelos horrorosos que talvez conseguissem completar a extrema vontade que eu já sentia de me matar. Estremeci ao me lembrar da cena de quando achei minha mãe no banheiro, desmaiada e entupida de remédios. Havia sido o pior dia da minha vida e pensando bem eu não teria coragem de fazer o que ela havia feito. Eu definitivamente não queria acabar como ela.
–Sidney... -Dra. Eliane apoiou a prancheta no colo enquanto tirava os óculos e olhava em meus olhos. Mudei de posição desconfortável com a mudança de expressão. –Eu preciso saber: Você está aqui por que quer? Porque se nós formos andar com essa seção, teremos de ter contribuição de ambas as partes, ou seja, eu faço e você faz. Eu entendo como sua vida deve estar uma loucura e entendo que deve ter milhões de coisas na cabeça, mas eu estou aqui para ajudar. Mas primeiro: Você quer se ajudar?
–Olha... –Um suspiro deixou meus lábios. –Acho que como eu já estou aqui não mata continuar, mas... Eu tenho medo.
–Medo de quê?
Perguntou recolocando os seus óculos e pegando de volta a prancheta. Mordi o lábio.
–Medo... De tudo. Eu sou medrosa. Não quero voltar com os pesadelos, eu tenho medo do que pode acontecer.
–Mas se você não mudar como fará? Vai querer continuar com essa vida até o fim?
–Não...
Baixei os olhares.
–Sidney, eu acredito que todo trauma tem cura quando querem ser curados. Você quer curá-lo?
–Sim...
–Então me prometa que assim que chegar em casa vai guardar a sete chaves as pílulas.
–Tudo bem...
–Ótimo... –Assentiu satisfeita enquanto fazia algumas anotações. –Mas então... Algo diferente nessa semana?
Sim. Vejamos. Eu e meu pai estamos nos dando bem, Jessica está se tornando suportável apesar de claramente não ser tão boa quanto minha mãe para o casamento dos dois, a casa está arrumadinha e... Eu e meu irmão estamos nos pegando. Meus olhos caíram sobre a Dra. Eliane que agora me observava por cima dos óculos ao perceber meu silêncio. Abri um sorriso amarelo enquanto mais uma vez mudava a posição desconfortável, e sob pressão tentava fazer sentido para qualquer palavra que fosse sair da minha boca. O que saiu foi:
–Eu e Nicholas estamos começando a nos dar melhor.
Isso, Sidney! Grandioso!
–Ah é mesmo? Isso é bom... Conte-me.
–Bem... Nós saímos para almoçar depois da nossa última seção aqui, e foi... Interessante. Acho que as coisas ficam mais fáceis quando não estamos brigando.
–Então está começando a vê-lo mais como um irmão.
–Não. –Tossi. –Não mesmo.
–Bem... Isso vai levar tempo. Nicholas apareceu em sua vida de repente então, será de fato complicado perceber que ele é um membro da sua família. –Você não faz ideia... –E com a mulher do seu pai?
–O que tem ela?
–Como vai a relação de vocês?
–Boa.
–Defina.
–Ah... Eu ando aturando ela.
–Uhum...
–Pois é...
Os olhos da Dra. Caíram sobre mim e logo percebi que não estava falando o suficiente. O que? Eu não queria falar de Jessica e como eu não conseguia olhar em seus olhos sabendo das coisas horríveis que estavam acontecendo entre Nicholas e eu. Era como se ela fosse minha sogra. E meu pai meu sogro. Aquilo era perturbador! Tentei afastar os pensamentos atordoadores da minha cabeça.
–E sua mãe?
–Minha mãe?
–Sim. Tem recebido notícias?
–Na verdade não...
Franzi a testa um pouco desconfortável. Fazia de fato muito tempo que eu não via nem ouvia falar da minha mãe... Esperava que ela estivesse bem. Mordi o lábio enquanto Dra. Eliane assentia e voltava a escrever. Meu coração apertou e por um momento senti que havia abandonado minha mãe. Eu não gostava da sensação. Se colocando de pé, a mulher caminhou em direção a algumas gavetas e de lá, tirou um livro de capa preta com alguns escritos em branco, que folheou e viu estar com todas as páginas limpas. Ergueu-o para mim, fazendo-me abrir uma expressão confusa. Peguei-o de forma hesitada.
–Escreva seus sonhos e dia aqui, ok? É muito importante que faça o cronograma da semana inteira e não deixe faltar nenhum detalhe. Posso contar com isso?
Não.
–Sim.
–Ótimo. –Assentiu a Dra. Enquanto tirava seus óculos e apoiava-os em uma mesa. –Acho que chegamos ao fim da nossa seção.
–Certo. Tenha um bom dia, Dra. Eliane.
–Igualmente, Sidney.
(...)
–Nicholas, filho... Por que está usando cachecol nesse calor?
Meus olhos se voltaram para Jessica, que passava a mão na ponta do cachecol que Nicholas tinha enrolado no pescoço, fazendo-o gelar por um momento, e um pouco nada delicadamente, afastar o tecido das mãos da mulher. Estremeceu.
–Eu estou com frio.
–Esses jovens de hoje...
Papai balançou a cabeça negativamente enquanto cortava um pedaço do bife que tinha em seu prato. Os olhos de Nicholas se voltaram para mim e por um momento tivemos um entendimento. Senti meu rosto esquentar um pouco e antes de baixar os olhares, limpei a garganta, deixando sobre meu prato já vazio os talhes.
–Eu vou me retirar... Com licença.
–Toda, querida.
Jessica permitiu sorridente, enquanto eu pegava meu prato sobre a mesa e me levantava da cadeira indo em direção à cozinha. Logo depois que meu prato foi colocado dentro da pia, pude ouvir alguns múrmuros da sala e em seguida, Nicholas apareceu atrás de mim colocando seu prato junto do meu e se apoiando no balcão, com os braços cruzados me observando. Ergui uma sobrancelha, observando-o confusa.
–O quê?
–As minhas camisas polo acabaram. –Coçou a cabeça em desdém. –Eu estou assando com essa porra.
Prendi a risadinha que quis sair dos meus lábios e assenti, fingindo que achava terrível a situação cômica. Nicholas revirou os olhos, balançando a cabeça negativamente e tocou o pescoço sobre o chupão que eu via ainda estar arroxeado.
–Me diga: Como você fez isso? Nunca vi um hematoma durar mais de sete dias.
–Eu sou foda.
–Concordo.
–Deixa isso respirar. Tá horrível.
Reclamei enquanto puxava o tecido para longe do pescoço do garoto. Nicholas revirou os olhos, balançando a cabeça negativamente.
–Está louca? O que o pai vai pensar?
–Que o filho dele é pegador.
–Exato. O filho dele é pegador incestuoso.
–Não consegue inventar uma menina que faria isso em você?
–Não das que eu costumo ficar.
–Só pega beata?
Nicholas ergueu uma sobrancelha e logo entendi o que seu olhar queria dizer. Com uma careta lhe dei o tapa mais forte que consegui em seu braço em tom de protesto.
–Ei! Não gostei do seu olhar.
–Ai! E não. Nenhuma das meninas com quem já namorei faria um estrago desses sem algum tempo de namoro.
–Não sabe o que está perdendo então.
–Não me tente...
Seus olhos se estreitaram e eu senti um arrepio tomar conta de mim, enquanto abria um sorriso bobo. Balancei a cabeça negativamente enquanto pegava um copo d’água e lhe dando uma piscadela me virava para subir em direção ao meu quarto. Eu adorava aquilo. Enquanto meu pai e Jessica estivessem em casa, Nicholas e eu éramos irmãos e eu poderia tenta-lo o quanto eu quisesse. Mas quando os dois saíssem de casa, como costumavam fazer aos sábados, e que eu sabia que aconteceria hoje já que... Adivinhem: Era sábado, eu teria um grande problema nas mãos, e seria segurar qualquer um dos dois lados quando tivéssemos um pouquinho de liberdade.
Eu não fiz muita coisa no resto do dia. Callie me ligou quando era mais ou menos oito horas da noite e como sempre, passamos algumas horas conversando pelo Skype. Era impressionante como as novidades chegavam na vida de minha amiga, e como estavam tendo mil festas lá em casa só porque eu não estava mais lá. E o papo era sempre o mesmo:
–Só faltava você para ser perfeito!
–Cala boca, vadia. –Revirei os olhos enquanto dava uma mordida no hambúrguer que havia feito para mim. –Você está adorando essa vida de festas aí.
–Não posso reclamar. –Sorriu Callie enquanto jogava os cabelos loiros para trás, dando uma risadinha em seguida. –Mas eu sinto falta da minha melhor amiga, entende? Já que ela me abandonou por um ruivo delicioso e uma loira oxigenada.
–Não fale assim de Felly.
–Falo assim de todos os seus amigos já que eles querem me substituir.
Dei uma risadinha do ciúmes da loira enquanto revirava levemente os olhos. Eu estava morrendo de saudades de Callie, era quase surreal. A minha sorte era que logo minha amiga estaria vindo e aí sim seria uma festa. Christian e Felly iam adorar ela, com certeza as coisas aqui iam ser melhores do que nunca! Soltei um suspiro enquanto enrolava meus cabelos conseguindo fazer coque nele sem elástico, já que tinha comprimento suficiente para eu fazer um nó com ele. Abri um sorrisinho enquanto olhava para a imagem da minha amiga por um tempo.
–Eu estou com taaaaaaaaaaaantas saudades!
–Ai! Eu sei como é! Te juro. A vida está quase insuportável sem você aqui, Cindy.
–Sua mentirosa.
–É sério! –Minha amiga deu risada diante da minha birra. –Tem que ver o Johnny! Enlouqueceu depois que você sumiu.
–Como ele está?
Perguntei dessa vez um pouco incerta, mordendo o meu lábio. Bem. Johnny era uma pessoa de quem eu tentava ao máximo não lembrar. Nós havíamos ficado juntos por um tempo antes de eu me mudar e... Nós não levamos tão bem a separação. Ele era um fofo, mas tinha uma mentalidade um tanto inconstante. Eu já esperava que ele surtasse ou coisa do tipo sem me ter por perto.
–Ele só está. Está com Katherine.
–O quê?!
Não aguentei segurar o grito. Katherine? Ahn! Não! Qualquer uma menos ela! Sabem Megan? Aquela que meus amigos abominam? Katherine é mais ou menos uma delas, mas muito, muito mais puta! Ela havia dormito com o time de futebol americano inteiro! E Johnny estava com ela! Mas é claro que estava! Ele era o maldito capitão do time de basquete!
Não sei se foi por causa do meu grito, ou porque eu simplesmente dei o azar de receber a notícia naquele momento, mas a porta do meu quarto se abriu e logo meu pai colocou a cabeça para dentro, se certificando de que eu estava inteira. Eu não estava. Eu mordia um lado do meu travesseiro e puxava o outro com as mãos, com toda vontade do mundo de rasga-lo ao meio. Meus olhos caíram nos dele e logo uma expressão de confusão tomou conta do seu rosto. Pude ver sua ruga de preocupação.
–Cindy... Está tudo bem?
–Sim.
Grunhi fazendo-o franzir a testa e em seguida olhar para o computador.
–Está falando com Callie?
–Oi tio.
A voz da minha amiga pôde ser ouvida, vindo do monitor. Meu pai abriu um sorriso.
–Olá Callie. O que aconteceu com Sidney?
–Ela está em choque... Não se preocupe, está tudo bem.
–Posso confiar?
–Pode!
–Tudo bem... Espero que venha logo, vai ser muito bem vinda aqui. –Sorriu mesmo sabendo que Callie não poderia vê-lo já que a câmera estava voltada para mim que mordia o travesseiro, congelada. Olhou-me, preocupado. –Filha, Jessica e eu estamos indo. Seu irmão está em casa qualquer coisa.
–Ok.
Falei entredentes sem soltar o travesseiro. Papai abriu um sorriso enquanto balançava a cabeça negativamente.
–Eu te amo. Fique bem.
E então fechou a porta. Joguei o pedaço de pluma longe e afundando a cabeça na almofada soltei o grito mais alto que consegui. Eu não precisava olhar para Callie para saber qual era a sua cara. Eu queria matar alguém.
–Caraca... Eu sabia que você ia reagir mal, mas isso...
–Você não entende, Callie. –Falei com a voz sendo abafada pelo travesseiro. –Isso é um desastre. Poderia ser qualquer uma! Até mesmo Ellen Morgan! Mas Katherine?! Aquela Katherine!
–Mas você não gosta mais do Johnny, então...
–Mas ele faz parte do meu histórico! –Exclamei tirando a face do travesseiro. –Imagine só! O histórico dele: Fulana, Cicrana, Sidney e Katherine! Eca!
–É... Talvez você tenha razão...
–Pois é!
Exclamei quase deitando em posição fetal. Aquilo não estava acontecendo! Eu queria ir para o Texas só para socar aquela cara linda do Johnny! Meus olhos foram tirados do monitor quando ouvi as três batidas em minha porta. O som do carro saindo da garagem pôde ser ouvido, e logo eu já sabia quem estava do lado de fora. Nicholas abriu a porta lentamente, como sempre tentando ver se eu estava descente. Acenei com a mão e o olhar mortal para que ele saísse, mas ele fez o favor de ignorar. Caminhou em minha direção ainda se inclinando na frente da câmera, para ver a imagem de Callie que estava uma gata em seu pijama do Domo.
–Nicholas!
Protestei. Callie arregalou os olhos assim que a imagem do garoto apareceu e automaticamente começou a arrumar os cabelos, que já estavam impecáveis, combinando com seus enormes cílios. Estreitei os olhos ao prestar atenção na expressão da minha amiga. Callie estava mesmo afim de Nicholas? Eu poderia dizer.
–Quem é essa pessoa?
Perguntou meu irmão, curioso. Callie deu uma risadinha jogando o cabelo e deu de ombros como sempre fazia quando flertava. Só faltava ela começar a piscar.
–Essa pessoa é Callie. Com certeza Sidney já falou de mim.
–Na verdade não. –Nicholas deu de ombros, fazendo a expressão de alegria da minha amiga sumir. Cobri o rosto com as mãos. –Sidney não costuma conversar comigo. Ela não confia em mim.
–Isso é uma pena... O que é isso no seu pescoço?
Perguntou minha amiga com os olhos arregalados ao ver a marca no pescoço de Nicholas. Senti meu rosto queimar. O que ele estava fazendo?! Eu queria soca-lo.
–Eu caí.
–De pescoço?
Callie deu risada, achando engraçada a resposta de Nicholas. Ele assentiu.
–Sim. Sou um desastrado.
–Imagino que sim...
Concordou Callie em um tom safado demais para o meu gosto. Senti meu estômago ficar do tamanho de uma ervilha. O que era aquilo? Eles estavam realmente flertando?! Na minha frente?! Eu ia matar Nicholas! Olhei feio para meu irmão que agora se sentava ao meu lado, parecendo gostar da conversa com Callie, ou então do efeito que ela estava causando sobre mim.
–Então... Você vem pra cá, certo? Ainda não conheci nenhuma das amigas antigas de Sidney...
–Eu vou sim, se tudo der certo! Estou superansiosa!
–É... Você vai gostar. Aqui é ótimo!
–Ok!
Fui eu quem exclamou dessa vez, interrompendo a conversa que estava começando. Callie me olhou confusa, enquanto Nicholas abria aquele seu sorriso idiota que já denunciava que ele fazia aquilo de propósito. Estreitei os olhos o olhando feio, enquanto respirava fundo e voltava a olhar para a minha amiga. Suspirei.
–Eu vou ver o que o babaca quer aqui. Depois nos falamos, amiga.
–Ok! Saudades, amiga! Te amo!
–Foi um prazer conhece-la.
Sorriu Nicholas do seu jeito mais sedutor possível. Minha amiga soltou uma risadinha nervosa do outro lado da tela. Ah Callie...
–Igualmente Nicholas!
–Beijos.
Falei rapidamente antes de fechar o laptop. Nicholas me observava com aquela expressão irritante de vitorioso e a vontade que eu tinha era de enfiar a mão em sua boca e arrancar todos os seus dentes. Era impressionante como ele adorava me tirar do sério. E meu humor já não era dos melhores.
–Você estava realmente dando em cima da Callie?
–Eu? Não. Ela? Provavelmente.
–Você é ridículo.
Revirei os olhos, completamente irritada. Nicholas deu uma risadinha, o que não ajudou muito. Seus olhos azuis pararam sobre mim.
–O que? Você está com ciúmes de mim?
Perguntou fazendo-me dar quase um pulo. Eu? Com ciúmes?
–Não! Claro que não! Ciúmes de você? Pode sonhar!
–O que foi então, Cindy?
–Por favor, não me chama assim.
Grunhi enquanto cruzava os braços. O garoto riu enquanto aproximava o rosto do meu.
–Não me culpe, eu queria que você desligasse o computador.
–Poderia ter sido mais sutil?
–Não.
–Eu te odeio.
–Mentira.
Não falei nada. Nicholas puxou-me para perto de si e logo nossos lábios se juntaram mais uma vez em um delicioso e calmo beijo. Eu nem acreditava que aquilo estava acontecendo e com consentimento de ambas as partes. Aquilo era doentio e nojento... Mas maravilhoso. Por um momento imaginei se Callie um dia sonharia que algo desse tipo estava acontecendo entre eu e meu irmão. Eu não podia culpa-la por sentir atração por Nicholas, pois afinal, ele era lindo e teoricamente apenas o meu irmão. Mas não era exatamente o que se passavam por nossas mentes perturbadas.
A mão de Nicholas estava firme em minha cintura, enquanto a outra tratava de puxar meu corpo para perto do seu e ao pouco fazer que nos inclinássemos contra a cama. Talvez Nicholas estivesse certo no final das contas. Ele não era perfeito, ele tinha a máscara, mas em sua mente, para estar onde estava agora, deveriam se passar as coisas mais perversas e horríveis possíveis. “Não sabe o que penso em fazer com você” suas palavras voltavam a minha mente e eu sentia todo o meu corpo se arrepiar. Aquilo era normal? Eu sabia que sim, mas no caso de um namoro adolescente e não um caso de incesto doentio, que se fosse descoberto por alguém acabaria com nossa vida em todos os sentidos.
Eu puxava firme a cabeça de Nicholas para junto da minha e ao máximo tentava impedir que nos separássemos. Nossas bocas estavam grudadas em um beijo delicioso e como sempre, eu pedia para que não acabasse. Os lábios deixaram os meus e logo os beijos molhados desciam por meu rosto, e pescoço, alcançando uma área em que ele tratou de encher de beijinhos e deu uma mordiscada. Senti meu corpo se arrepiar e um suspiro deixou meus lábios. Os olhos azuis se grudaram em mim.
–Quero te dar um chupão também.
Sorriu malicioso, de forma que nunca imaginei ver em seu rosto, e que tenho que admitir, ficou maravilhosa estampada nos olhos azuis. Mordi o lábio engolindo em seco até achar minha mente para raciocinar suas palavras. Arregalei os olhos em espanto.
–Não! Está louco? Um aparecer com chupão até vai, mas os dois? Meio suspeito, não acha?
–Talvez... –Deu de ombros. –Mas eu não pretendo deixar marca.
Nem tive tempo de discutir. Os lábios dele se voltaram aos meus e mais uma vez deixei meu corpo entrar no transe que me causava toda vez que aquilo acontecia. Pude sentir o toque quente do garoto se arrastando pela extremidade do meu corpo, e aos poucos fui sentindo o tecido da minha blusa ser subido. Só isso, fez meu corpo reagir e meu coração acelerar a mil. Mas o que? Não! A única pessoa com quem eu havia transado em toda a minha vida, havia sido Johnny e ele havia demorado meses para poder simplesmente tocar em mim direto. Nicholas realmente achava que seria tão fácil? Pois não seria! Mas então... Por que eu não o mandava parar? Inferno! Suas mãos já estavam na altura da metade da minha barriga enquanto eu tinha meu conflito interno, meu corpo estava quente e eu sentia calor. É... Talvez tirar a blusa seria bom só para matar o calor. Isso. Tentei me convencer enquanto dessa vez minhas mãos escorregavam para debaixo da camiseta fina de Nicholas. Eu conseguia sentir todos os seus músculos, daquelas costas definidas deliciosas. Seu corpo era perfeito, simplesmente perfeito e eu me imaginava como eu havia fugido daquilo por tanto tempo. Sem pensar duas vezes, arranquei para fora do seu corpo sua camisa, que ele ajudou a retirar, a jogando no chão logo em seguida. Levei um tempo para admirar seu peitoral, que não demorou muito, até o garoto se curvar sobre mim novamente, e voltar a beijar meus lábios. Praguejei. Nicholas abriu um leve sorriso sem se desgrudar dos meus lábios, enquanto dessa vez subia minha blusa o bastante para exibir o sutiã que eu usava, e para-la erguida sobre meus seios. Não se deu ao trabalho de tirá-la. Tentei não ficar envergonhada com a lingerie nada sexy que eu usava, porque cá entre nós, nem sonhando eu preveria que aquele momento aconteceria logo hoje.
–Sexy.
–Cala a boca.
Revirei os olhos da piada do garoto, o que o fez dar uma risadinha e voltar a beijar-me pousando a mão sobre meu sutiã e massageando meus seios, fazendo com que meu corpo se dobrasse só com a sensação deliciosa de suas mãos onde estavam. O que eu estava fazendo mesmo? Foda-se. Meu corpo estava a mil e Nicholas com seu joelho conseguiu fazer com que eu abrisse as pernas para ele se encaixar. O colchão da cama parecia ter textura de água, contra o rígido corpo de Nicholas que me prensava cada vez mais e mais para baixo. Eu estava com a cabeça a mil, as sensações dentro de mim eram loucas e eu agarrava sua nuca com força o que parecia animá-lo ainda mais. Pousando uma mão em cada parte do meu sutiã, abaixou-os fazendo-os parar sob os meus peitos, deixando-os a mostra e empinados contra o tecido que o segurava para cima, enquanto eu via o lindo sorriso safado de abrir no rosto de Nicholas sem exibir seus dentes. Mordi o lábio. Me dando uma piscadela o garoto levou a boca a um dos meus seios, fazendo meu corpo se arrepiar de uma vez só e como nunca, fazendo-me deixar escapar um leve gemido pela sensação, que deve ter agradado o garoto.
–Mas já?
Brincou com um sorriso bobo no rosto. Seus lábios contornaram meus seios enquanto ele tratava de mordisca-lo lentamente enquanto a outra mão massageava o outro. Seus olhos antes fechados se voltaram aos meus e logo, pude sentir o leve chupão, que fez meu corpo praticamente pular em todos os sentidos por dentro, fazendo-me fechar os olhos e soltar mais um leve gemido. Nicholas abriu um sorriso enquanto soltava meu seio. Soltei um grunhidinho em protesto.
–Eu pedi pra parar?
Perguntei em tom manhoso. Nicholas deu uma risadinha, balançando a cabeça negativamente e voltou aos meus lábios, puxando-me para cima de si enquanto se sentava na cama lentamente. Fiquei ali, sentada em seu colo, enquanto suas mãos alisavam minhas costas em busca do fecho do sutiã que logo caiu inutilmente sobre meu colo. Minha camiseta foi arrancada do meu corpo e os beijos voltaram para meu pescoço. Fechei os olhos sentindo os lábios deliciosos enquanto acariciava os cabelos de Nicholas lentamente. Eu estava louca por ele e isso qualquer pessoa poderia ver. Nicholas havia conseguido fazer comigo em apenas uma noite o que todos os caras com quem já fiquei tentaram fazer em meses, e nunca conseguiram. Revirei os olhos não conseguindo parar de morder o meu lábio. Tinha alguma coisa muito errada, ou então muito certa com aquele garoto.
Seus lábios subiram até minha orelha, onde senti-a ser mordiscada e logo o sussurro que fez meu corpo inteiro se arrepiar.
–Não tem ideia de como é linda, tem?
O sorriso em meu rosto não conseguiu ser contido. Nicholas voltou a me deitar na cama e por um momento só me observou. Escorregando a mão pelo cós da minha calça, subiu acariciando meu corpo inteiro até chegar em meu rosto. Se inclinou novamente em minha direção, me dando um beijo.
–Marrenta, mas linda.
Ah meu Deus! Eu queria gritar. Os sussurros de Nicholas eram tão sedutores que conseguiam deixar até mesmo Johnny Depp no chinelo. Quando eu iria pensar em toda a minha vida que aquele beatinho de merda que eu via pela casa e se tornar uma pessoa tão sexy? Eu respondo: Algo no corpo não musculoso demais e completamente definido, na expressão de safado, e no nada perfeito que eu via agora, era o contraste que havia entre a parte santa de Nicholas e a que ele escondia para poder ter aquela parte boa. Ele era a pessoa mais equilibrada que eu já havia visto em minha vida, sabendo exatamente a hora de ser e de não ser. Quem dera se um dia eu fosse metade assim... Eu era muito instintiva, nada equilibrada... E o fato de estar como estava com Nicholas naquele momento mostrava bem isso.
Eu odiei minha vida quando ouvi alta e clara a campainha do Skype soar, fazendo com que Nicholas pulasse para longe de mim e eu me encolhesse para o outro lado da cama, com o coração a mil e os olhos arregalados. Foi mais o susto de nós dois por estarmos fazendo algo errado do que qualquer outra coisa, porque ninguém poderia nos ver, contanto que eu aceitasse a chamada. Mas quem poderia ser? Callie havia me chamado de novo? Mas que merda! Eu falei que ia estar ocupada! Nicholas pareceu se acalmar depois de um tempo, e provavelmente esperava que eu jogasse o computador para longe, mas eu não fiz exatamente por duas razões: 1- eu havia finalmente me dado conta de que estava praticamente dormindo com ele e tão cedo, isso estava errado. E 2- eu fiquei curiosa para saber quem era o infeliz no Skype.
Agarrei meu sutiã no chão e o vesti, logo em seguida fazendo o mesmo com minha blusa. Nicholas arregalou os olhos ao ver eu começar a me vestir. E em tom de protesto observou eu recolocar as peças de roupa.
–Está falando sério?
–Quero ver quem é. Vai que é uma emergência.
Pude ouvir um suspiro saindo de sua boca e fiquei aliviada por ele não discutir comigo. Abrindo o computador pude ler a sequencia de letras na tela, que de uma só vez fez meu coração pular e meu corpo congelar. Ah, mas eu queria mesmo conversar com ele. Meus olhos caíram em Nicholas que tinha os braços cruzados como uma criança emburrada, e revirei os olhos por sua reação.
–Pode me dar licença um minutinho?
–Não. –Respondeu teimoso. –Quero ver quem foi a pessoa filha da puta que broxou você.
Revirei os olhos mais uma vez e balancei a cabeça negativamente enquanto me virava para a tela. Nicholas estreitou os olhos enquanto eu arrumava o cabelo e tentava ficar bonita na medida do possível. O que? Johnny era meu ex e eu ainda tinha um resto de vaidade.
–Fique calado.
Falei para Nicholas assim que apertei o botão aceitar, fazendo logo em seguida, aquela face conhecida surgir na tela. Os cabelos castanhos estavam em topete e ele tinha o mesmo rosto de bebê de sempre. Os olhos castanhos me observavam de forma amigável e tinha um sorriso no rosto. Nicholas estava de frente para mim e atrás do laptop, então não conseguia ver a tela, mas deve ter suspeitado de algo por causa da minha reação.
–Ei você...
–Ei você... Como está a casa nova?
Meus olhos caíram em Nicholas que ergueu a mão para o teto e as soltou em seguida, me olhando feio e movendo a boca sem som, pronunciou: Você está brincando comigo? Abri um sorrisinho e voltei os olhos a tela, soltando um suspiro e dando de ombros.
–Está boa. Acho que já estou me acostumando.
–Isso é bom, eu acho...
–Johnny... Eu fiquei sabendo de algumas coisas pela Callie hoje.
Comecei, já o olhando feio e fazendo-o mudar de posição desconfortável. Sabe, Johnny tinha muitos músculos e era enorme, um típico jogador de futebol americano, o que ele era antes de abandonar o time pelo basquete onde também se saiu bem. Ele era o cara dos esportes, o gostosão, mas por dentro, eu sabia que era um fofo e quase uma criança. E me doía pensar o que Katherine poderia fazer com as garras fincadas nessa criança.
–Eu sei... Eu conversei com a Callie e eu queria falar exatamente sobre isso com você. Katherine... Não é nada sério. Eu estava sozinho, eu não sabia o que fazer, eu já me acostumei com você do meu lado... Foi horrível te ver longe. Eu só queria achar alguém pra me fazer esquecer.
–Mas justo ela, Johnny? Sabe que eu te amo e muito antes de tudo isso nós éramos melhores amigos. Eu posso e garantir que Katherine não é sua melhor opção.
Sim. Eu e Johnny éramos melhores amigos antes de namorarmos. Eu sempre fui muito mais sua mãe do que sua namorada e bem... Nós ainda éramos amigos, mesmo tendo muito carinho pelo outro e mesmo estando longe. Não acho que eu conseguiria ficar com Johnny de novo, mas eu ainda o amava.
Ao virar meus olhos para o outro lado da cama, pude ver Nicholas me observando completamente boquiaberto. Tentei não rir da cena enquanto voltava meu foco para o bobalhão do outro lado da tela. Eu queria tanto estar no Texas para guia-lo.
–Ela não é tão ruim quanto dizem, S. Não é você... Mas é suficiente.
Soltei um longo suspiro. Tão ingênuo... Apoiei o rosto com a mão e olhei docemente para o monitor. Por onde eu começava? Ela estava o enganando, o fazendo de bobo... Eu podia pensar em milhões de coisas para lhe dizer naquele momento, mas não disse. Não disse, não porque não quis, mas porque fui interrompida, pelo vulto de cabelos negros que entrou em minha frente, me empurrando para o lado, e abrindo um sorriso enorme para a câmera, fazendo Johnny abrir aquela expressão de confuso que costumava fazer nas aulas de matemática.
–Ei!
Protestei, mas Nicholas foi mais rápido. Olhou para Johnny fazendo uma careta.
–Em primeiro lugar meu amigo, se você está curtindo a menina, foda-se, pega ela e não liga pra se essa aqui gosta ou não porque: Surpresa! Ela está longe e não pode mandar em você. –Sorriu cínico fazendo os meus olhos se arregalarem. O que era aquilo?! Lhe dei um tapa no braço tentando empurra-lo da frente do monitor, mas estava difícil. –Em segundo lugar, pare de ficar sofrendo! Pelo que eu vejo você não sabe muito como ser o macho da relação, então eu te explico: Vá até a sua namorada, taca o foda-se para o mundo e mostra quem manda. Se ela é gostosa e tá boa para você, vai fundo irmão. Terceiro: Vai realmente ouvir a Sidney? Ela não sabe o que é bom.
–Nicholas!
Gritei irritada. Johnny franziu a testa ainda observando surpreso o monitor, parecendo um gatinho perdido. Cobri a mão com o rosto.
–Quem é você?
–Eu? Não importa quem sou eu, eu só sou alguém que você deveria ouvir.
–Você é namorado da Sidney?
Ia negar, mas antes que eu pudesse, Nicholas me agarrou tampando minha boca e abriu um sorriso. Me debati tentando me soltar. Eu ia mata-lo!
–Podemos dizer que sou isso aí.
–Por que a Sidney deixou você ouvir nossa conversa?
–Não importa. Eu ouvi e agora estou aqui te falando de homem pra homem.
Lhe dei uma cotovelada. Nicholas me olhou feio, mas não se moveu. Ele era bem mais forte do que parecia. Johnny ainda confuso olhou para a tela, parecendo atônito. Pelo que eu percebia seus olhos estavam em Nicholas e ele não parecia entender o que estava acontecendo. Pude começar a reconhecer sua expressão de sem graça.
–Você é mesmo namorado da Sidney?
–Você não é muito esperto, é? –Nicholas franziu a testa. –Mas tudo bem, pelo menos você é bonito, cara. Agora faz o que eu te falei. Desliga essa merda de computador e vai pegar a sua namorada.
–Hm... Ok... –Johnny coçou a cabeça. –Obrigado?
–Não por isso.
Nicholas sorriu vitorioso enquanto Johnny encerrava a ligação e fechava o Skype. Uma risadinha saiu para fora dos lábios do garoto que agora havia me soltando. Ele não havia feito isso. Antes que ele pudesse perceber avancei sobre ele, caindo ambos no chão, eu em cima dele e com todas as minhas forças comecei a lhe dar tapas. Nicholas protestava enquanto tentava segurar minhas mãos.
–Ai! Qual é Sidney!
–Você é retardado! Ridículo! Idiota!
Mais risadas saindo da boca dele. Eu ia mata-lo. Nicholas segurou minhas mãos me deixando ainda mais puta. Lhe dei uma joelhada de onde eu estava.
–Credo, pra que tanta agressão?
–Você não vê? Deixou o menino mais confuso ainda! Por que fez isso?
–O cara tinha que deixar de ser mulherzinha.
–E por isso disse aquele tanto de abobrinhas machistas?
–Não me entenda mal, Sid. Eu não sou machista, mas um cara desses precisa de um sacode. Pode ter certeza que ele só vai pegar parte do que eu falei. –Fez uma careta. –Ou nada né... Sério mesmo que aquele era o seu ex?
–Você é um idiota.
–Eu precisava de vingança. –Sorriu enquanto me virava contra o chão, ficando dessa vez ele por cima e me dando um selinho. Queria soca-lo ainda. Carícias não iam ajudar em nada. –Onde paramos mesmo?
–Onde eu te expulsava do meu quarto.
Exclamei enquanto o empurrava para longe de mim. Nicholas revirou os olhos, sem se aproximar dessa vez.
–Ficou brava mesmo?
–Foi sacanagem o que você fez. –Falei em tom magoado. –Acho que prefiro o seu lado certinho.
–Não tenho lado certinho.
–Não, não! Só é a grande parte de você.
–Ah qual é. Sou quase um bad boy.
Falou em tom brincalhão, fazendo-me dar risada. Parei por um momento. Por que eu estava rindo?!
–Não me faça rir quando estou brava com você.
–Ah Sid. –Sorriu Nicholas enquanto me puxava pelos braços para o seu colo. Me deu um selinho novamente. –Deixa de ser marrentinha, vai?
–Você é um saco.
–E você adora isso em mim.
Sorriu confiante fazendo-me revirar os olhos. Encostei minha testa na de Nicholas olhando-o fundo nos enormes olhos azuis.
–Se tocar um dedo a mais hoje em mim, eu juro por Deus que te mato.
–Já toquei você em quantidade suficiente por hoje. Amanhã a gente conversa.
Brincou enquanto colava seus lábios nos meus em mais um daqueles deliciosos e doentios beijos incestuosos. Nicholas poderia ser mil coisas: Poderia ser filhinho de papai, poderia ser irritante, poderia ser certinho demais e poderia ser uma pessoa que me tirava do sério. Mas eu estava começando a gostar da sua companhia, e esse fato tinha tudo para causar o Apocalipse.
Notas finais
Beijoooos
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