Você quer ser meu?
21 Uma festa e uma madrugada insone em outro canto da cidade - EXTRA ALEXY X ANDREW
Notas iniciais
POV ALEXY
Eu já estava de olho nele há muito tempo, antes mesmo do Anton começar a implicar com aqueles dois. Aliás, eu acho que o Anton começou a fazer isso justamente porque percebeu que eu observava o Andrew há um tempinho.
Nunca tive muita chance de chegar junto — me faltava coragem. Principalmente quando eu vi que o que ele e o Alois tinham não era mais apenas uma simples amizade, tinha evoluído para um namoro. Um namoro morno, diga-se de passagem, era claro que o Alois apenas aceitava os carinhos e beijos do Andrew e retribuía-os sem muita vontade. Eu ficava me perguntando:
“Por que o Andrew se sujeitava a isso? Como ele não via que aquela relação não era correspondida na mesma intensidade pelo loiro?”
Mas como nunca tivemos amizade, nunca sequer conversamos mais do que duas ou três palavras, essas dúvidas ficaram apenas na minha cabeça.
As poucas tentativas de aproximação acabavam acontecendo por causa dos ataques homofóbicos que o Anton direcionava para os dois, ataques esses que eu, em qualquer outra ocasião ficaria rindo e assistindo de camarote quão estúpido o meu colega podia ser. Mas quando vi que eles eram direcionados ao Andrew; e que ele, diferente do que eu achava, ia para cima tirar satisfação; resolvi tomar partido e aparar as asinhas afoitas por briga do Anton. Foi aí que nos falamos a primeira vez, gostei do tom de voz dele, era mais fino que o meu, é claro, afinal sou mais velho, mas achei que combinou perfeitamente com aquele jeito meio punk meio gótico dele.
O tempo passou e o meu interesse pelo garoto só aumentou. Mas como chegar nele se ele não participava de clube nenhum, exceto do de teatro e estava obrigatoriamente sempre acompanhado do loiro? Não tinha como! E eu fiquei aguardando uma chance, qualquer uma que me propiciasse trocar algumas palavras com o moreno.
Naquela noite, nem estava com muita vontade de ir na festa. Acho que eu preferiria ir num cinema ou apenas ficar em casa assistindo algum filme na televisão. Mas o Anton ficou me enchendo o saco, ele e os outros da turma, me atormentaram tanto que acabei me dando por vencido e fui.
Soube que tinha sido uma péssima ideia quando vi os dois, Andrew e Alois, chegarem de mãos dadas na festa e, dali em diante, não consegui mais tirar meus olhos do Andrew. Assisti tudo, desde as inúmeras garrafas de vodka saborizadas que o Andrew tomou, os beijos cada vez mais quentes que ele trocou com o namorado, as danças que começaram meio desengonçadas mas depois adquiriram um ar erótico e nessa hora eu já tinha também perdido a conta do quanto eu havia bebido. Claro que eu sou acostumado, há dois anos minha vida aos finais de semana se resumiam em baladas e festas de amigos então, mesmo que eu tivesse bebido bastante ainda me sentia bem desperto e nem um pouco zonzo.
Fiquei ali, do outro lado da sala, olhando os dois se amassarem contra a parede da sala, parecia que o Andrew era o ativo na relação, mas nas minhas fantasias não era assim. Queria tê-lo embaixo de mim, choramingando por mais e sussurrando o meu nome. Me lembro de ter pensado isso quando vi os dois se agarrando e meu pênis quis dar sinal de vida dentro das minhas calças, dei um apertão nele. Como se estivesse o recriminando: "fique quieto, ele não é seu” — pensei numa conversa masculina entre o meu cérebro e o meu pênis.
Vi os dois saírem e discutirem, e sim, me envergonho de admitir, mas os segui. Sentia que algo não estava bem e fiquei por perto.
Botando mau olhado no namoro dos dois? Acredito que não. Eu queria o Andrew mas não odiava o Alois, ele era indiferente para mim.
Vi quando discutiram pela segunda vez e desisti, aquilo estava ficando doentio, estava virando um stalker. E nem anônimo eu era: Alois já tinha percebido e me olhava curioso, tentando me decifrar, por outro lado, Andrew passou a me olhar com hostilidade.
Depois que eles brigaram nos fundos da casa, eu voltei para a minha rodinha de amigos, peguei mais uma dose de vodka e a virei, tornei a encher o copo. Foi quando vi Andrew arrastando o Alois para cima nas escadas. Tive certeza que algo muito errado estava acontecendo. Ele não deveria estar arrastando o outro desse jeito, pensei em intervir, mas o que eu ia falar? Afinal os dois eram namorados, vai que aquilo era um fetiche.
Por dois segundos eu consegui ver o olhar do Alois para o salão, ele não se fixou em mim mas eu pude ver que aquilo não era encenação, nem fantasia sexual nenhuma, o garoto estava aterrorizado. Andrew o estava forçando de verdade. Dei um impulso e comecei a andar pela sala transformada em pista de dança, então uma mão me segurou pelo cotovelo:
_Aquilo não é da sua conta. Você virou guarda-costas por acaso? – a voz estava meio enrolada pela bebida e falha por causa da música alta, virei minha cabeça na direção da mão que me segurava: era o Anton.
Dei um puxão no meu braço e me livrei do aperto.
_Isso também não é da sua conta – falei para ele e olhei de volta para as escadas, os dois já tinham sumido, provavelmente estavam no corredor, isso se não já tivessem encontrado um quarto vago.
_Você parece um cachorro babão, correndo atrás do dono. Aí, eu me pergunto: que dono? Aquele lá nem te nota, trouxa.
Respirei fundo e contei até dez para não socar a cara do meu colega.
_Vai se foder – respondi e dei as costas à ele.
Fui aos encontrões com as pessoas que dançavam, tentando chegar até as escadas e subir. Não era uma distância muito grande, mas estava lotado e as pessoas se moviam, dançando e fechando o meu caminho à cada passo.
Quando finalmente cheguei à escada, vi Alois descer correndo e chorando.
Ainda tentei ir atrás dele, mas logo o loiro se perdeu na multidão de pessoas que lotavam aquela sala, voltei para a escada e antes de conseguir subir os degraus, vejo o Andrew descer direto. Passou por mim batendo o ombro no meu, nem deve ter me visto, andou direto para a porta da casa.
_Andrew! – chamei-o, mas ou ele não me ouviu ou fingiu não me ouvir.
Fui atrás dele e quando finalmente o encontrei, estava sentado no gramado de frente da casa, parecia desolado.
_Ei… – falei chamando atenção do garoto – O que foi que aconteceu?
Ele balançou a cabeça negativamente.
Suspirei. Andrew parecia bêbado.
_Sabe, arrastar o namorado para um quarto contra a vontade dele, não costuma dar certo — comentei me sentindo quase idiota.
Ele provavelmente pensou a mesma coisa, pois me lançou um olhar meio furioso. Dei um sorriso para tentar acalmá-lo e me sentei ao seu lado.
_Ele terminou comigo – falou sem olhar para mim.
Eu assenti com a cabeça, olhando-o de canto de olho.
_E você achou que tentando forçá-lo iria fazê-lo mudar de ideia?
Andrew ficou alguns minutos em silêncio, eu até achei que ele não tivesse me ouvido ou simplesmente estivesse me ignorando, mas então ele falou:
_Só não queria perdê-lo.
_Não me parece que você o teve algum dia – falei dando de ombros.
Ele se virou para mim, o cenho franzido.
_Como é?
Dei de ombros novamente.
_Sei lá, cara. Eu tinha a impressão que ele não gostava tanto assim de você — falei num tom neutro e me xinguei mentalmente, afinal… olha o tipo de conversa que eu estava tendo com um bêbado!
Andrew suspirou.
_Talvez você tenha razão. Alois nunca me amou, mas eu estava disposto a esperar o sentimento dele mudar.
_Aff, que coisa emo — falei sem pensar.
Ele me olhou com raiva e ia se levantar, mas no primeiro impulso, perdeu o equilíbrio e caiu novamente sentado na grama fofa e úmida pelo orvalho da noite.
_Merda!! – exclamou e eu consegui ver como ficou vermelho de vergonha, quer dizer, mais vermelho ainda, pois suas bochechas já estavam coradas por causa do álcool.
Me segurei para não rir e me levantei. Estendi a mão para ele e demorou alguns segundos até ele decidir segurá-la e eu o puxar para cima.
_Pra onde você vai? – perguntei vendo-o voltar para dentro da casa.
_Procurar um lugar para dormir – respondeu com a voz meio enrolada.
_Vá para casa – dei uma corridinha para alcançá-lo, a qual foi bem curta, pois ele não tinha se distanciado muito com aqueles passos vacilantes.
Andrew balançou a cabeça negativamente.
_Se eu aparecer em casa desse jeito, meu pai me arranca o couro e minha mãe joga álcool que é para judiar mais.
Segurei ele pelo pulso.
_Mas lá dentro está cheio.
_Eu acho um canto e me resolvo.
A ideia estalou na minha mente e não vou mentir em dizer que vi ali a minha chance de tentar me aproximar do Andrew. Se tivesse sorte, poderia até beijá-lo.
_Andrew, conhece aquele ditado?
_Que ditado?
_Que cu de bêbado não tem dono? Quer mesmo dormir nesse estado e sozinho, no meio daquela festa? – perguntei.
Ele pareceu ponderar, olhou para os lados, coçou a cabeça.
_E agora? – devolveu a pergunta, provavelmente tentando achar uma saída.
_Pode ficar na minha casa – falei sorrindo um pouco, mas por dentro tava uma ebulição de ansiedade. Não que eu quisesse fazer algo com o Andrew, mas poderia surgir uma amizade disso, talvez eu conseguisse pelo menos um beijo, nem que eu tivesse que esperar ele dormir para isso.
Então eu me dei conta do que estava planejando atacar o cara e fiquei com vergonha de mim mesmo. A parte sóbria do meu cérebro pesou na consciência e eu prometi à mim mesmo que não abusaria do bêbado. Por mais que ele estivesse estuprável daquele jeito.
Depois de um tempo, que para mim foram muitos minutos, mas que na verdade, devem ter sido apenas segundos, Andrew me respondeu:
_ Não vou incomodar? – perguntou corando .
_Claro que não – sorri tranquilizando-o – Só vou lá dentro pegar a minha jaqueta. – dei meia volta e caminhei para a casa.
_Mas a festa ainda não terminou, não quero te atrapalhar, eu espero aqui ou no carro – argumentou, me segurando pelo braço.
Pousei a mão no rosto do Andrew, perto da orelha; e fiz um carinho.
_Não tem mais nada nessa festa que me interesse.
Andrew corou mais e eu pude ver ele tentar entender o significado do meu gesto e das minhas palavras. Ri internamente, meu coração estava acelerado, segurei a mão do Andrew e andei em direção à mansão, ele não tentou resistir e isso me deixava ainda mais nervoso, nervoso de felicidade.
Entrei em casa com ele logo atrás de mim, segurei a mão dele firmemente, pois ele não conseguia andar em linha reta. Fui até onde minha turma estava, ninguém ligou muito quando peguei a minha jaqueta que estava no encosto de uma poltrona, mas tive certeza que teria problemas quando o Anton apareceu do nada e me olhou com raiva.
_Pra onde você vai? – perguntou ríspido.
_Estou indo embora – respondi em tom calmo, vestindo a jaqueta e verificando as chaves do carro no bolso da frente da minha calça.
_Mas eu ia com você!
_Você não disse que ia voltar com o Johny? – perguntei, Johny era um amigo nosso, um ruivo divertido que fazia piada com tudo.
_Não vou mais, vou com você – Anton largou o copo de bebida ainda cheio sobre a mesa.
_Então vamos – voltei a segurar o Andrew e foi aí que o Anton viu o garoto. Seus olhos se estreitaram.
_O que você está fazendo com ele? – me perguntou como se eu fosse algo dele além de amigo.
Suspirei e respondi.
_Tô levando ele pra casa.
_Agora você é lixeiro? Vai ficar com o resto do viadinho loiro?
Senti o Andrew apertar a minha mão e impulsionar o corpo para frente. Fui mais rápido e devolvi.
_Fica na sua, Anton. Não começa com essas palhaçadas – segurei firme a mão do Andrew, senti os dedos dele me apertarem e tremerem.
_ Palhaço é você. Se contenta com resto quando pode ter algo muito melhor — deu mais um gole na bebida.
Olhei para os lados, obviamente o Anton estava bêbado também, do contrário, nunca falaria isso em voz alta e ainda em público, mas ninguém parecia ter nos ouvido.
_Cala a sua boca, Anton. Você não sabe o que tá falando, depois vai se arrepender – falei tentando acalmá-lo, nem tanto por mim, mas sim por ele.
Então Anton largou o copo sobre a mesa, e veio para cima de mim.
_Quem vai se arrepender é você, por ficar com esse monte de lixo – me deu um empurrão e eu dei alguns passos para trás, quase pisando no Andrew que lutava para soltar a sua mão da minha.
Soltei a mão dele apenas o tempo de segurar o Anton pelo colarinho e praticamente o erguer do chão.
_Cale. A. Boca. Estou avisando. Você está dando uma ceninha de ciúme, quer dar bandeira mesmo???
Vi ele arregalar os olhos, compreendendo a situação e então, se acalmar. O soltei e ajeitei a jaqueta dele.
_Vá pra casa também, o Johny vai te dar carona.
Anton baixou os olhos e ficou em silêncio, eu sabia que ele estava chateado, sabia que ele tinha outros planos para esse final de festa. Planos que incluíam eu, ele e o banco do carro numa rua deserta. O problema era que, ele não perguntou para mim o que eu achava desse plano, não perguntou porque já sabia qual seria a resposta.
Me virei para ir embora e cadê o Andrew?
Havia sumido.
Me xinguei mentalmente por tê-lo solto e xinguei mais ainda o Anton por provocar tudo isso. Sai procurando o Andrew por todo canto, meio que empurrando as pessoas pelo caminho. Encontrei ele já na rua, andando meio trôpego pela calçada, corri um pouco e o alcancei, segurando-o pelo pulso.
_Andrew! – o virei para mim – Pra onde você vai?
_Estou indo para casa.
_Mas a sua casa é na direção contrária.
Ele virou o rosto, estava tão bonitinho, meio descabelado, os olhos brilhando e as bochechas rosadas por causa do álcool. Olhou para o outro lado, confuso demais para saber qual o caminho certo seguir para chegar em casa.
_Vem, eu te levo. — não dei chance para ele negar nada, puxei-o um pouco e logo ele me acompanhou até o carro.
Abri a porta e o coloquei sentado no banco do carona, fechei a porta e dei a volta para entrar no outro lado.
_Não quero te causar problemas – me falou quando entrei no carro e coloquei a chave na ignição.
_Não está causando – liguei o carro e tomei a direção da minha casa.
Ficamos em silêncio por um tempo, às vezes eu o olhava de canto de olho, ele estava fofamente envergonhado, ou pelo menos parecia isso. Sorri sozinho.
_Ele parecia bem enciumado – comentou sem olhar diretamente para mim.
_Anton? Relaxa, ele é esquentadinho assim, mas não é ciúme não – disfarcei.
Andrew riu.
_Cara, se tem uma coisa que eu sei é reconhecer um ataque de ciúme. E aquilo foi definitivamente um ataque de ciúme. Vocês têm algo? — dessa vez ele me olhou, aqueles olhos negros profundos.
_Já tivemos, mas isso é passado — respondi olhando para a rua.
_Acho que ele não entendeu.
_Ele nunca entende as coisas mesmo. É meio burro – brinquei, na verdade Anton era meio burro mesmo.
Andrew riu um pouco e finalmente chegamos em casa, estacionei o carro na garagem e saímos do carro.
_Quer ajuda? – perguntei ao garoto que andava à passos lentos, se apoiando no carro, mas ele era orgulhoso e negou com a cabeça. Fui até a porta de entrada e abri a casa para então perceber que Andrew tinha parado sem conseguir apoio.
Fui até ele e o segurei pelo braço.
_Não precisa, eu consigo – falou meio enrolado e eu não pude deixar de rir, ganhei um tapa no braço por causa disso.
_Deixa de ser orgulhoso. Tá travado de tão bêbado.
_Não estou.
_Claro que não. Aquela árvore do outro lado da rua é que está.
_Que árvore? – ele se virou para ver a tal árvore e eu ri mais.
O levei para dentro, até a cozinha.
_Comeu alguma coisa?
_Não.
_Beber de estômago vazio… meus parabéns – ironizei e fiz um sanduíche para ele, aproveitei e comi um também.
Andrew comeu em silêncio e eu ali, o observando atentamente, aproveitando para aprender todos os detalhes do meu crush.
Depois que terminamos de comer, ele parecia mais desperto.
_Tá melhor? – perguntei.
Ele assentiu com a cabeça.
_Então é ir dormir agora – me levantei da mesa – Mas antes um banho para te curar de vez dessa bebedeira.
Andrew até conseguiu se levantar e andar até o pé da escada, onde ficou olhando para cima, nem perguntei nada, sabia que ele estava se perguntando se ia conseguir subir.
"Quantas vezes eu não caí nessa escada, chegando meio bêbado da balada?” — pensei enquanto descia e o pegava no colo, não dava para subirem dois lado a lado.
Surpreendentemente , Andrew não reclamou nem nada, apenas segurou frouxamente nos meus ombros, e eu adorei ele ter feito isso. Sorri timidamente e o levei para a minha suíte.
Poderia tê-lo levado para o quarto de hóspedes que também era uma suíte? Sim, podia. Mas e a tentação que querer seduzi-lo? Ah… essa era grande demais.
_Pode me pôr no chão – pediu e eu me dei conta que o levei como uma princesa até o meu quarto. Ambos estávamos muito corados.
O coloquei no chão imediatamente e cocei a nuca, sem jeito.
Ele ainda deu uma cambaleada mas logo depois se equilibrou. Abri o meu armário e peguei uma camiseta e uma calça para ele.
_Acho que vão ficar grandes, mas devem servir – entreguei as peças para ele e indiquei o banheiro – As toalhas estão no armarinho.
Andrew se encaminhou para lá e encostou a porta. Encostou, mas não trancou e o que aconteceu?
Ela abriu um pouco. O suficiente para eu ver ele todo atrapalhado tirando a roupa, abrindo o box e se enfiando lá. Logo o barulho da água se fez presente. Fiquei sentado na cama, decidindo o que eu deveria fazer: poderia ser bem sacana e o surpreendendo no banho… ou poderia ser decente e apenas cuidar do colega embriagado…
A vontade de ser sacana era grande, mas me controlei com bom moço que eu tentava ser.
Logo o barulho da água cessou e o Andrew saiu do banho, a água escorria no corpo dele. Era bonito, ele era bem magro e a musculatura não era muito desenvolvida, mas era definida. Me imaginei tocando aquele corpo, fazendo ele estremecer sob os meus toques, meu membro pulsou de desejo e não consegui controlar a ereção.
Tentei disfarçar quando ele saiu do banheiro, mas foi missão impossível.
_Alexy, acho que nem vou usar essa calça, ela ficou gigante em mim – ele me entregou a calça meio amassada e eu engoli em seco ao ver o Andrew, com os cabelos negros soltos, pingavam algumas gotinhas de água na camiseta preta que tinha ficado grande demais para ele, ela parava um pouco abaixo do quadril e deixava à mostra as coxas brancas dele.
Balancei a cabeça, tentando espantar os pensamentos pervertidos.
_Tudo bem – peguei a calça e a larguei em qualquer canto.
_A-acho que vou dormir na sala – Andrew falou olhando para os lado, obviamente tentando ver onde poderia dormir.
_Ih… aquele sofá é um quebra coluna. Ninguém consegue deitar ali e ficar bem, desalinha tudo. – menti, afinal o meu sofá era bem confortável.
_Hum… então… tem algum colchão ou algo assim? – perguntou envergonhado.
_Tem a minha cama, ela é grande o suficiente — falei na maior cara de pau, passei a mão sobre o colchão da cama de casal em que eu estava sentado.
Andrew arregalou os olhos.
_Acho melhor não. É estranho.
_O que é estranho? Dois amigos dormirem na mesma cama? – falei como se não fosse nada de demais, e não era mesmo, já tinha dormido na mesma cama com amigos e nunca tinha rolado nada, isso não era regra.
Andrew ficou em silêncio, ainda ponderando sobre o que eu havia dito.
_A cama é grande, nós nem vamos nos encostar – eu tentei convencê-lo.
_Não sei…
_ É isso ou o chão – eu menti, tinha um quarto ali do lado, tão confortável quanto o meu e desocupado, mas eu não ia perder a chance de dormir junto com ele.
Isso pareceu convencê-lo, Andrew se sentou na cama, do lado oposto ao meu. Peguei cobertores extras e me deitei.
_Boa noite, Andrew – falei, todo inocente. Me virei de costas para ele e fingi que ia dormir.
Logo ele se deitou também e eu desliguei a luz do abajur, mergulhando o quarto na escuridão.
_ Boa noite, Alexy. Obrigado – falou baixo.
_De nada.
Até tentei dormir, mas percebi que Andrew se mexia sem parar.
_O que foi? Estranhando a cama.
_É – respondeu, mas eu percebi que ele estava escondendo algo.
_Fala o que está te incomodando.
_Nada…
_Pode falar, tô vendo que tá irrequieto aí.
Andrew suspirou.
_Alois… – murmurou.
Me virei para ele, tentando focar em meio à escuridão na figura deitado ao meu lado.
_Você não deveria ficar assim – falo num tom neutro, não sabendo exatamente o que falar.
_Eu não queria que nada disso tivesse acontecido. Será que se eu ligar para ele agora, a gente volta? – murmurou.
Respirei pesadamente, soltando o ar com calma pela boca.
_Por que você não parte para outra? Deixe o Alois, se ele tiver que ser seu, vocês irão voltar. O que não dá é você ficar correndo atrás dele.
Andrew pareceu pensar um pouco, devido ao silêncio que se fez presente ou apenas estava tão bêbado que havia caído no sono. E quando, eu mesmo já havia até desistido de engatar uma conversa, ouço a voz dele.
_Talvez você tenha razão, mas... eu gosto dele e sou tímido demais. Ninguém se aproxima de mim – lamentou.
Abri meus olhos na semi escuridão.
_Você não dá chance de ninguém se aproximar. Fica fechado no seu canto, não puxa papo com ninguém e quando alguém se aproxima só fica falando do Alois.
_É porque ele é importante, é o assunto mais interessante que eu tenho para falar.
Suspirei mentalmente. Se o que eu sentia pelo Andrew poderia ser classificado como paixão, aquilo que ele sentia pelo Alois, era o quê?
Me ergui, apoiando meu peso em um cotovelo, deitando-me de lado.
_Já passou pela sua cabeça que tem gente que não acha o Alois tão interessante assim? Podem achar você mais interessante do que aquele loiro lá.
Andrew também se levantou um pouco, apoiando os cotovelos na cama.
_Eu não acredito nisso – lamentou e eu imaginei que talvez ele estivesse corado.
_Eu acho você mil vezes mais interessante que o Alois – declarei e acendi o abajur da mesinha de cabeceira.
Não dei chance para que ele falasse mais nada, me inclinei sobre ele e o beijei, segurando seu rosto com a mão perto da orelha. Senti Andrew se petrificar, paralisado pelo susto do beijo roubado, me aproximei mais, diminuindo a nossa distância mas sem estar realmente colado à ele.
Encerrei o beijo suave e olhei nos olhos dele na penumbra.
_Acredita em mim agora? – perguntei.
_Não...sei… – suspirou – O que foi isso?
_Isso chama-se beijo. A gente dá em pessoas que a gente gosta – brinquei e pousei a mão na sua cintura.
_Isso eu sei, idiota. Quero saber por que fez isso.– ele me empurrou, mas eu voltei para a posição inicial.
_Volto a dizer: a gente dá em pessoas que a gente gosta – repeti, sorrindo levemente.
_Mas…
Dei a cartada final, arriscando tudo ou nada.
_Seja meu essa noite.
_O QUÊÊ? – perguntou alto, a voz meio grogue e desafinada.
_Gosto de você Andrew. Gosto há um bom tempo – falei baixo, como se contasse um segredo.
Era um segredo mesmo, eu nunca havia admitido em voz alta e para ninguém que eu gostava dele.
Andrew ficou quieto e eu resolvi beijá-lo mais uma vez, não por capricho meu, mas porque eu havia sentido os lábios dele nos meus e precisava desesperadamente senti-los novamente.
Segurei-o pela cintura, dessa vez colando os nossos corpos e voltei a beijá-lo.
Essa seria a hora em que, caso ele não me quisesse, iria me empurrar, xingar e muito provavelmente dar um murro na minha cara. Mas, contra todas as minhas expectativas e de acordo com os meus sonhos, Andrew retribuiu ao beijo.
Aos poucos senti que ele se entregava, relaxando nos meus braços e retribuindo o beijo de modo tímido. Deitei-o novamente e me deitei por cima. Houve um momento de hesitação por parte dele mas, assim que eu mordisquei o lábio inferior e o suguei de leve para logo em seguida aprofundar o beijo, ele me abraçou pelo pescoço. Ouvi um pequeno gemido e meu membro pulsou.
Sim… eu estava com Andrew. Estava com o meu crush, beijando-o na minha cama, num quarto escuro. Minha mente se agitou na expectativa do que haveria até o final da noite.
Passei as mãos pelos ombros dele, apertando-os levemente, descendo pelos braços e então segurei na cintura. Deslizei minha língua pelo lábio inferior do Andrew e ele entreabriu-os para mim. Sorri no meio do beijo e toquei a língua dele com a minha.
Andrew correspondia, mas eu percebia que ele estava envergonhado e claro, nós nem nos falávamos direito até há poucas horas. Encerrei o beijo e o olhei: ele estava tão bonitinho.
Achei que agora, ele iria me dar o toco, mas não foi isso que aconteceu. Andrew me encarou com aqueles profundos olhos negros e mordeu o cantinho do lábio, como se estivesse tomando uma decisão. Devia estar mesmo, pois segundo depois ele se jogou nos meus braços, me abraçando e fazendo eu voltar a cair sobre ele. Me beijou de um jeito bem mais profundo e audacioso, deslizando a língua na minha boca e incitando que eu fizesse o mesmo com ele. Assim que eu voltei a explorar a boca do moreno com a língua ele sugou a minha, arranhando minha nuca e puxando um pouco os cabelos da região.
Ofeguei e o prensei contra o colchão, começando a tirar a sua roupa, cada peça tirada era um tremor que percorria o corpo magro do Andrew e eu, que imaginava que ele seria extremamente tímido, me surpreendi com ele também puxando a minha roupa, arrancando-a até com mais rapidez do que eu a dele.
Em segundos estávamos nus, eu encaixado entre as pernas do Andrew, roçando nossos corpos intensamente. Beijei o pescoço dele, ah… aquele pescoço que eu já quis tanto marcar com os meus beijos agora estava ali, disponível para mim. Não perdi tempo e mordisquei a pele branca, dando chupões, marcando-a como minha.
Andrew gemeu baixo e arqueou o corpo, o abracei apertando, descendo os beijos para o peito dele, dando alguns beijos nos mamilos, consegui sentir a temperatura do corpo dele se elevar alguns graus, eu mesmo estava quente. Quente e excitado. E quando eu, encerrei as carícias e saquei o tubinho de lubrificante da gaveta da mesinha de cabeceira, o vi estremecer e vi o medo nos olhos dele. Sorri, o tranquilizando e lambuzei os dedos com o líquido escorregadio. Beijei o abdome e encostei os dedos na entrada do Andrew, ele a contraiu, negando a passagem.
_Relaxe, vai ser bom, eu prometo – falei em voz calma, beijando as coxas dele e massageando a entrada, atento para que quando ele a relaxasse, eu pudesse invadi-lo.
Beijei demoradamente as faces internas das coxas antes de finalmente segurar o membro duro de Andrew e o colocar na boca. Sugando-o com uma lentidão proposital. Andrew gemeu mais alto e relaxou a musculatura, permitindo que o primeiro dedo o invadisse, comecei a mover o dedo ao mesmo tempo em que seguia o chupando, concentrando minha atenção à glande rosada.
Cada gemido, cada contorção daquele corpo me excitava mais. Inseri o segundo dedo e os empurrei profundamente.
_Ahh… Alexy…. – Andrew soltou o gemido mais erótico que eu já tinha ouvido.
Retirei os meus dedos, incapaz de esperar mais e me posicionei. Por alguns segundos nossos olhos se encontraram, então Andrew os fechou, inclinando um pouco a cabeça para trás e abrindo mais as pernas para mim, me fazendo ficar ainda mais duro. Me inclinei para a frente, apoiando meu peso nos meus antebraços e comecei a penetrá-lo lentamente, sentindo-o tão apertado a ponto de machucar um pouco o meu membro.
Andrew me abraçou pelo pescoço, me trazendo para ele, fazendo nossos tórax roçarem um no outro. Beijei seu pescoço e ganhei de presente as pernas dele se enroscarem no meu quadril.
Dei um selinho nos seus lábios e comecei a me mover.
_Alexyyyy…– Andrew gemeu arrastado, contraindo a entrada como se não quisesse que eu saísse do seu corpo.
Puxei meu quadril para trás e voltei a estocar, Andrew entreabriu os lábios, num gemido mudo e então eu perdi o controle — comecei a estocar com mais força, indo mais fundo e ganhando gemidos mais altos.
Abri meus olhos e sorri. Era exatamente assim nos meus sonhos. Andrew corado, os lábios entreabertos deixando escapar a respiração descompassada, o suor começando a molhar a fronte dele. Ele me abraçava apertado praticamente gemendo no meu ouvido.
Eu conseguia sentir ele se contrair e me apertar, gemi de prazer. A pele do Andrew parecia pegar fogo de tão quente que estava. Beijei seus ombros, deslizando a língua para o pescoço, dando alguns chupões pelo caminho, até chegar na boca. Nossos lábios se encaixaram direitinho e nos beijamos até perdermos o fôlego.
E quando eu aumentei a velocidade das estocadas, fazendo a cama ranger, os gemidos de Andrew se tornaram praticamente gritos que me impulsionavam a ir mais rápido e fundo dentro daquele corpo gostoso. Gemi alto, segurando na cintura dele, subindo com as mãos espalmadas para as costas e segurando em seus ombros, meu quadril batendo incansável nas nádegas firmes dele.
_Ahhh.. aahhhh … – Andrew gemeu arrastado, arqueou a coluna e cravou as unhas nos meus braços, se derramando entre os nossos corpos.
E apenas aí, é que eu me permiti atingir o orgasmo que eu vinha segurando há um tempinho. Gemi alto, me derramando dentro dele, voltei a beijá-lo, abafando nossos gemidos enquanto meu membro expulsava os últimos jatos de sêmen. Me afastei alguns centímetros e o olhei.
Andrew estava ofegante, de olhos fechados, beijei a boca dele mais uma vez, simplesmente porque não conseguia não fazê-lo, ele me retribuiu mas logo interrompeu o beijo por falta de fôlego. Me deitei ao lado.
E então ficamos meio constrangidos, Andrew puxou o edredom, se cobrindo até o queixo, os olhos fixos no teto. Nem parecia o garoto que se contorcia de prazer e me arranhava há poucos minutos atrás. Estendi a mão e segundos depois ele entrelaçou os dedos nos meus.
_Eu gostei – falei baixo, mais para mim do que para ele; mas Andrew respondeu.
_Eu também gostei, uma primeira vez surpreendente – falou com um sorriso envergonhado.
Fiquei surpreso com aquilo, não achei que ele fosse virgem, quer dizer...nem havia pensado nisso… ele e o Alois viviam agarrados na escola. Pensei que já tinha rolado entre eles. Mas sim, me senti um premiado por ter sido o primeiro do Andrew.
_Surpreendente? – perguntei.
Andrew ficou mais corado ainda.
_Sempre achei que a minha primeira vez seria com o … – ele deu um suspiro e mudou um pouco o rumo da conversa – Não pensei que eu fosse ficar por baixo.
Ri da expressão envergonhada que ele fez e resolvi brincar.
_Não seja por isso você pode ficar por cima e me cavalgar… Aaiiii – recebi um soco um pouco forte no braço e ele escondeu o rosto com as mãos numa atitude toda fofa.
Puxei ele para mim, o abraçando.
_Estou brincando – ri, apertando mais o abraço, sentindo ele tentar se soltar para depois ir se acalmando e terminar por me retribuir o abraço.
_Idiota – falou irritado mas logo se aconchegou no meu peito.
Fiquei ainda muitos minutos acordado, abraçado à ele, sentindo o tórax de Andrew subir e descer na respiração suave de quem havia pego no sono. E estava tão gostosinho que adormeci assim também.
*
Acordamos no dia seguinte já bem tarde da manhã, acordei na verdade com o Andrew se mexendo na cama. Me mexi e minha cabeça latejou pela ressaca, olhei para Andrew e ele parecia estar dez vezes piores: o cabelo todo bagunçado, olheiras e cara de quem estava com enxaqueca.
_Bom dia – falei baixo, me sentando na cama.
_Huum...bom dia – a voz do Andrew saiu rouca demais e ele pigarreou tentando clareá-la.
Podia-se ver que ele estava envergonhado, sentou-se na cama também e olhou em redor, acredito que tentando se localizar na casa estranha que ele nunca havia ido. Correu os olhos pela cama e olhou para mim, ajeitei o ededron no meu quadril e sorri um pouco.
Então a compreensão do que havíamos feito caiu na cabeça dele e foi muito clichê, isso para não falar que foi cômico. Ele arregalou os olhos, olhando o meu rosto, depois desceu o olhar para o meu peito, se dando conta que eu estava sem camiseta. Olhou para o próprio tórax e levantou o ededron, vendo que estava completamente nu. Voltou a olhar para mim e eu dei um sorrisinho amarelo e um dar de ombros.
_É exatamente isso que você está pensando – falei calmo – Você não se lembra de nada?
Andrew corou muito e passou a mão no rosto, espantando o resto de sono que ainda tinha.
_Achei que tivesse sonhado... cara...que louco – suspirou e se deixou cair de volta nos travesseiros.
_Uma loucura boa –comentei e também voltei a me deitar.
_Uhum – concordou.
Silêncio…
Um silêncio constrangedor. Acho que ambos queríamos levantar mas agora estávamos com vergonha um do outro. Suspirei e me levantei, cobrindo meu quadril com um lençol. Andrew tentou fazer o mesmo mas desistiu, fazendo uma careta de dor.
_Que horas são? Pega meu celular por favor? – pediu.
Cacei onde tinha jogado as calças dele ontem à noite e peguei o aparelho, entregando pra ele.
_Puta merda!!! – olhou a tela do celular – Ferrou!
_O que foi? – perguntei já sabendo que devia ser as inúmeras ligações perdidas, muito provavelmente dos pais.
Ele apenas balançou a cabeça e digitou algo no celular.
_Tenho que ir embora, meus pais vão me matar.
Entreguei as roupas pra ele e fui para o banheiro, dando um pouco de privacidade para ele se vestir.
Depois desci para a cozinha e liguei a cafeteira elétrica, colocando o pó e a água nos seus respectivos locais.
Logo depois ele desceu também.
_Toma um café, você está com uma cara horrível – despejei o líquido quente e recém coado numa caneca e a coloquei nas mãos do Andrew que tomou alguns goles.
_ Seus pais estão viajando?
_Eles moram em outro país. Eu moro sozinho há dois anos – expliquei.
Eu queria que ele tivesse ficado mais, que nós pudéssemos ter passado o dia todo juntos, mas principalmente, eu queria ter conseguido dizer como aquela noite tinha sido maravilhosa para mim. Mas isso ficou preso na minha garganta por causa da maldita timidez.
Logo Andrew foi embora, nos despedimos com um abraço esquisito na porta de casa.
Passei o resto do dia deitado no sofá que não, não era desconfortável, olhando para a televisão sem realmente assisti-la e relembrando como foi transar com o Andrew.
Então me toquei que não tinha nem pego o número do telefone dele. Dei um tapa na minha testa, me xingando por ser burro. Peguei o meu celular e mandei um whats para o presidente do conselho estudantil, ele era o meu primo e tinha informações valiosas sobre todos os alunos. Seria fácil para ele conseguir o número do celular do Andrew.
Vinte minutos depois eu recebi a mensagem com o número e o endereço, sorri feliz e salvei nos meus contatos. Mandei uma, duas, três mensagens e nada de resposta.
Suspirei, talvez ele não gostasse de mim, talvez tenha odiado ter perdido a virgindade com um semi-desconhecido, estando bêbado ainda por cima e depois de levar um toco do namorado. Pensando bem… era meio esquisito mesmo. Não sei como eu reagiria estando no lugar do Andrew.
Resolvi deixar quieto e não mandei mensagem nenhuma mais. Mas no dia seguinte as minhas mensagens nem sequer tinham sido visualizadas. Esperei o dia inteiro e nada. O Anton, por outro lado, me encheu de ligações, atendi a primeira mas assim que ele veio me enchendo novamente com o fato de eu ter ido embora com o Andrew ao invés dele, eu desliguei e não atendi mais nenhuma.
À noite tentei telefonar para ele, caiu na caixa postal então tomei uma decisão. Tomei um banho rápido e me vesti, saí de casa e fui até a casa do Andrew. Já estava meio tarde da noite, mas ainda tinha algumas luzes acesas. Esperei do outro lado da rua, encostado numa árvore, até um pouco depois que todas as luzes da casa se apagaram.
Então atravessei a rua, rodei a casa, tentando adivinhar qual janela seria a do quarto do Andrew. Até ver um adesivo com o símbolo da saga de Percy Jackson colado no vidro, ele era fosforescente e brilhava no escuro.
“Só pode ser essa” — pensei.
Peguei uma pedrinha e joguei na janela. Nada.
Joguei mais duas e nada.
Na terceira, eu uma luz fraca se acendeu no quarto e logo a cabeça do Andrew apareceu na janela. Fui para a parte mais clara do jardim lateral, bem de frente para a janela.
Vi ele se espantar, surpreso por eu estar ali. Fiz um sinal para ele descer, ele negou com o dedo. Insisti e ele negou novamente. Então eu fiz sinal que iria subir e ele me pareceu meio desesperado com essa possibilidade. Não quis nem saber e comecei a escalar a árvore que tinha do lado da janela dele. Logo eu pulei para dentro do quarto.
_Você tá louco? O que faz aqui? – Andrew perguntou em um sussurro alarmado.
_Precisava te ver – respondi me aproximando dele.
Isso pareceu desconcertá-lo. Ficou olhando para mim, sem saber o que fazer.
_Tem coisas que eu queria ter te dito e eu não consegui.
_O quê, por exemplo? – tentou controlar, mas eu vi a sombra de um sorriso nos lábios dele.
_Eu adorei passar a noite com você. Eu gosto de você há muito tempo mas nunca consegui me aproximar por causa do Alois. E … aquilo que aconteceu com a gente ...hum… – suspirei, um pouco constrangido – não foi sexo casual. Eu … eu acho que te amo.
Dei mais um passo e colei meu corpo no do Andrew, abraçando-o pela cintura e então eu vi. Uma grande mancha avermelhada abaixo do olho esquerdo, o lábio cortado e os olhos inchados de tanto chorar.
Olhei para ele com dó e passei as pontas dos dedos pela bochecha, Andrew fechou os olhos, as pálpebras tremulando.
_Seu pai? – murmurei.
Ele apenas assentiu e encostou a testa no meu peito. O abracei mais apertado.
_Desculpa.
_Não foi culpa sua — murmurou – Eu iria apanhar de qualquer modo.
Fiquei revoltado com aquilo.
“Como pode um pai bater assim num filho?”
_Andrew… – chamei e ele olhou para mim, acariciei seu rosto.
_Quero ser seu namorado, você me aceita? – senti meu coração se acelerar demais, pulando no meu peito à mil por hora. Tentarei arrancar aquele loiro do seu coração e tomar conta dele para sempre.
Andrew então abriu um sorriso tão lindo… daqueles que fazem tudo se iluminar quando se abrem, mas balançou a cabeça em negativa.
_Você é doido… – comentou.
_Posso ser por você? – sorri também, olhando nos olhos negros dele.
_P-pode.
_Posso ser seu namorado? – quis confirmar porque achei que tinha ouvido errado.
_Pode – Andrew riu e então eu não resisti mais.
Tomei os lábios dele nos meus e fui surpreendido pelo garoto me abraçando e me puxando para a cama.
Caímos deitados nela e eu aprofundei o beijo até começar a sentir meu corpo esquentar. Encerrei o beijo, puxando o ar e ofegando um pouco. Era verão e Andrew estava de camiseta folgada e uma bermuda mas ainda não estava aquele calor infernal que por vezes fazia no auge do verão. Mesmo assim eu comecei a suar.
_Acho melhor eu ir embora – falei querendo ficar.
_Eu quero mais – Andrew falou entre tímido e safado. Numa mistura que fez meu coração disparar mais ainda.
_Mas… e os seus pais? Se eles nos pegam… – falei receoso.
Andrew me puxou e sussurrou no meu ouvido.
_É só a gente ir devagarinho – e depositou um beijo no meu pescoço.
Agradeci aos céus pela sorte de ter conseguido um namorado safado e gostoso.
Transamos naquela noite, tomando todo o cuidado para ninguém nos ouvir. Ficamos conversando entre um round e outro, ele me contou que estava de castigo e o pai havia tomado o celular dele por ele ter passado a noite fora. Disse que ninguém, exceto o Alois, sabia que ele era gay, o que eu duvidei muito, pois todos na escola também sabiam disso, mas não falei nada. Fui embora de madrugada, cansado e feliz.
Na noite seguinte eu voltei, mais pedrinhas na janela e mais uma noite junto dele.
Isso se seguiu nas noites seguintes, da terceira em diante ele já deixava a janela aberta e a televisão ligada com o volume alto para diminuir a chance dos pais dele nos ouvirem.
E foi assim, através de uma festa que eu nem queria ir, que eu consegui o que eu sempre quis.
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