Você Sempre Vale a Pena
10 Capítulo 10: Stiles
Notas iniciais
— PETER?
— Peter. — Foi a única palavra que eu consegui ouvir naquela segunda-feira, quando eu estava indo até a sala de Derek para me despedir.
Eu não sabia quem era e por ser o nome de um homem, pela primeira vez eu senti uma pontadinha no meu coração, que eu não sabia o que era, mas não era uma sensação muito boa.
Bati na porta e pedi licença e quando entrei, vi Derek bastante preocupado e expressão era fria e dura. Boyd pediu desculpas e saiu da sala, me deixando sozinho com meu atual ‘ficante’, pelo menos eu acho que era isso que estava chamando nossos encontros.
— Estou te atrapalhando, Derek? — Perguntei, me sentindo por um momento um pouco deslocado, sem saber o que fazer naquela situação.
— Não, Stiles. Você nunca atrapalha. — Ele deu um sorriso falso. — Vou indo para casa, você também deveria ir, baby.
— Sim, claro. Eu só tinha pensado... Talvez você queira jantar comigo hoje. — Eu disse completamente receoso. A forma como Derek estava agindo, me incomodava. Eu não costumava ficar sem graça na presença dele.
— Stiles me desculpe, mas hoje não é um bom dia. Eu realmente preciso ir para casa. Fica para próxima, ok? — Ele disse, caminhando em minha direção e me dando um beijo rápido, sem toda aquela química que tínhamos. Saímos da sala e eu não podia tirar aquela sensação ruim de que alguma coisa muito errada estava acontecendo.
Derek estava distante a semana toda. A princípio achei que fosse por problemas com seu trabalho, mas depois que ele “me esqueceu” na empresa, eu tive certeza que alguma coisa muito grave havia acontecido.
Nós havíamos marcado um jantar na noite de sexta, em uma das poucas vezes que eu tinha conseguido conversar com ele pessoalmente. Eu havia esperado por ele até as cinco e meia na sala dos estagiários e quando ele não apareceu, decidi subir até o andar dele e ver se havia acontecido alguma coisa.
— Stiles? — Érica parecia surpresa por eu estar na recepção que antecedia a sala de Derek. — O que você está fazendo aqui?
— Bom... Você sabe. Eu tinha um compromisso com o Sr. Hale. — Disse, tentando soar um pouco mais profissional.
— Compromisso? Espera... Vocês tinham um encontro? — Ela parecia surpresa.
— Sim... Era isso. Ele está em alguma reunião?
Érica deu um suspiro pesado e se sentou em sua mesa.
— Ele já foi embora, Stiles. — Seu olhar dizia que ela não queria ter que me dizer aquelas palavras.
— Como? — Perguntei confuso. — Ele já foi embora?
— Ele saiu daqui tem uma hora. Se você quiser posso tentar localizá-lo. — Ela sugeriu, mas eu apenas balancei a cabeça negativamente.
— Deixa para lá. Mais tarde eu ligo para ele. — Disse e saí arrasado.
Fiz todo o caminho até a estação de metrô a pé, pensando em o que teria acontecido.
“Maldita hora que decidi vir de carona com ele”, rosnei internamente.
Minha frustração só aumentou, quando tive que pegar o metrô lotado e quando cheguei em casa, eu havia atingido o nível máximo de raiva que cabia em meu interior.
Passavam das onze da noite e eu ainda não havia falado com Derek. Ele tentou me ligar, mas eu não atendi. Não estava afim de começar uma briga que eu não tinha experiência. Nunca havia tido um relacionamento que não fosse apenas sexual.
“Ah! Que merda! Olha o que eu fiz comigo!” Gritei internamente e joguei um travesseiro em minha cara. Ainda estava transpirando ódio quando ouvi a campainha tocar.
Esperei que ela tocasse mais duas vezes antes de me levantar e ir até a sala.
— Da próxima vez, vou te deixar na rua, Scott! — Gritei, enquanto pegava minha chave e destrancava a porta. — Será que você ainda não aprendeu a andar com a chave de casa, não?
Ainda mantive meu monólogo com a porta e ao ver que quem estava lá era Derek e não Scott, me assustei. Quando me recompus tentei fechar a porta, mas ele colocou o pé no batente e me impediu.
— Stiles...
— Não. Eu não estou interessado. — Disse, mas deixei que ele reabrisse a porta.
— Me desculpe. Eu só... — Derek suspirou e balançou sua cabeça. — Me perdoe.
— Derek, onde você estava? — Perguntei magoado. Ele nem sequer havia me mandando uma mensagem para desmarcar. — O que você foi fazer que era tão importante a ponto de você esquecer de desmarcar comigo? Um sms dizendo: “Não terei tempo de te encontrar.” Já bastava.
— Eu posso entrar? Eu não quero ter essa conversa aqui no corredor.
Olhei nos olhos de Derek e aquilo foi minha perdição. O arrependimento estava estampado ali. Dei um passo para o lado e deixei que ele entrasse.
Derek se encaminhou para o sofá e o segui, me sentando na mesinha de centro, de forma que ele estava na minha frente.
— Me diga, Sr. Hale... O que aconteceu? Não só hoje. Você tem estado distante a semana toda. Sabe, se você cansou de mim, pode me dizer. Não precisa se afastar ou me evitar.
— Não! Não é isso! — Ele falou desesperado e se inclinou e pegou minhas mãos, mantendo-as entre as suas. — Stiles... Não é isso. Você não é um brinquedo, eu não me cansaria de você. É só que... Você sabe.
— Eu não sei, Derek. Se você não me contar, eu não posso te ajudar em nada. Eu nunca estive em um relacionamento comum antes, mas tenho certeza de que é preciso conversar quando se tem problemas. Sempre, em qualquer relacionamento.
— Eu entendo porque que você está magoado comigo, mas me deixe te explicar? Por favor?
— Certo. — Disse e esperei que Derek soltasse minhas mãos, mas ele apenas apertou mais forte.
— O incêndio que aconteceu na minha casa quando pequeno.... Eu mencionei que ele foi armado e não um acidente como está divulgado para todos. — Senti meu corpo travar com aquela menção. Derek estava falando da sua família por conta própria. — Então... O causador do incêndio, ele está de volta. Ele está na cidade e eu não sei o que fazer.
Não sabia o que responder ou sequer como agir diante daquela informação. Eu apenas apertei as mãos de Derek numa vã tentativa de transmitir a ele um pouco de conforto.
— Quem é ele, Derek? E se você sabe quem foi, porque ele não está preso?
— Seu pai... Ele bem que tentou prendê-lo, mas não existe nada que ligue meu tio ao incêndio. Quer dizer, nada fora o depoimento de um adolescente de 15 anos, que publicamente tinha uma péssima relação com ele.
— Seu tio? Porque ele faria isso? E o que meu pai tem a ver com isso?
— Eu não sei, Stiles. E nunca vou saber, não é? Eu só sei que ele está de volta. A última vez que ele apareceu, ele quase me fez perder tudo de novo. Ele sabotou o carro que eu estava com Chris e Allison. E bom, seu pai é um velho amigo da família Hale.
Ele tentou dar um sorriso ao dizer que meu pai era amigo de sua família, mas o terror estava estampado em seu. E não consegui me manter afastado dele, involuntariamente, eu toquei seu rosto e quando sentiu minha mão em sua bochecha, Derek suspirou e colocou uma das suas mãos em cima da minha.
— Foi por isso que você me deixou plantado na empresa? Você estava fugindo desse seu tio?
— Não. Eu fui conversar com meu terapeuta, Dr. Deathon. Eu admito que fiquei com medo, mas não por mim. Peter é capaz de tudo e quando ele descobrir que estou saindo com você, ele vai tentar te atacar. Então eu... Eu não sabia de deveria impor esse risco a você. Ele pode tentar te machucar...
Dei um suspiro e me sentei ao lado de Derek, o puxando para meu peito e fazendo um cafuné em seus cabelos.
— Se ele fizer isso, ele terá um bom motivo para ser preso. Eu ainda sou o filho do xerife.
Ficamos assim por alguns minutos, até que a porta se abriu novamente e Scott chegou com Allison.
— Eu te falei que ele estaria aqui. Se acalme agora, ok? — Scott falou para Allison e ela simplesmente foi em direção a Derek e o atacou.
— Para que você tem um celular caro? Para ficar desligado? Eu quase tive um ataque cardíaco! Maldito! — Ela dizia enquanto batia no peito de Derek. Aquilo me surpreendeu, considerando que ele não gostava que o tocassem.
— Acho que você já sabe quem está na cidade. — Ele falou e tentou segurar as mãos dela.
— Será que alguém pode me contar o motivo pelo qual ela surtou? E o que está acontecendo? — Scott pediu e seu tom e voz dizia que ele não aceitaria não saber da situação.
Derek explicou parte da situação para Scott, mas eu sabia que havia mais coisas por trás do “Meu tio que foi o causador do incêndio que matou toda minha família, está de volta na cidade.”
Depois que Scott se sentiu satisfeito, ele levou Allison para seu quarto e me deixou a sós com Derek.
— Venha. Vamos dormir. Você ficará aqui hoje. — Eu decretei e Derek deu um sorriso amarelo.
— Stiles eu não... Eu acho que não é recomendável. Você sabe, eu não consigo...
— Você não vai voltar para casa e ficar lá sozinho. Allison vai ficar aqui e Chris está viajando. — Eu o cortei. — Tem um maluco solto pela cidade. E é um maluco que já tentou te matar uma vez.
— Não precisa se preocupar. Ele não vai chegar perto de mim. Ele vai me atacar de outras formas.
— Derek, eu não vou te tocar, nem precisamos dormir na mesma cama. O sofá parece ótimo para mim. Além do mais, só aceito seu pedido de desculpas se você passar noite aqui comigo. — Eu o chantageei e ele sorriu.
— Isso é golpe baixo. — Ele se aproximou de mim e me agarrou pela cintura. Um gemido fraco escapou dos meus lábios quando Derek começou a roçar sua barba em meu pescoço.
— E isso é o quê? — Gemi quando ele me virou e me beijou.
— Um pedido de desculpas reforçado.
— Você vai ficar? — Perguntei com um beicinho.
— Só se você me emprestar uma camisa. — Pude ver a diversão em seu olhar.
Levei Derek para meu quarto e lhe mostrei minha cômoda, onde ele poderia escolher alguma camiseta que servisse nele.
Quando ele tirou a camisa e me deu as costas, meu olhar se perdeu na imensa triskele que ele tinha tatuado entre suas omoplatas.
— Uma triskele? — Perguntei encantado. — O que significa?
— É o símbolo da minha família.
— Sr. Misterioso. — Murmurei e Derek se virou para mim, usando minha camisa laranja e azul que estava ridiculamente apertada em seu corpo.
Eu ajeitei minha cama e construí uma pequena muralha entre eu e Derek, de forma que eu não o tocasse de noite. Apesar de estar muito curioso para saber o motivo pelo qual ele não gostava de ser tocado, decidi dar a ele o tempo que ele precisava. Quando ele estivesse pronto, ele me contaria.
Derek me deu um beijo antes de dormir e eu pude ler o pedido de desculpas em seu olhar quando ele viu a muralha de travesseiro.
— Tudo bem. Você fica desse lado. Não invada meu território, ou declararei guerra. — Disse com humor, a fim de quebrar um pouco a tristeza dele.
— Bobo. — Ele disse com um sorriso.
Eu sabia que não devia, mas fiquei afagando seus cabelos enquanto ele dormia. Era tão bom ver Derek ali, relaxado e tranquilo. Derek deu um suspiro profundo e se aninhou na muralha de travesseiro e um pequeno sorriso brotou em meus lábios.
Não havia como negar. Eu estava apaixonado por ele.
“Pela primeira vez na vida, eu apaixonei por alguém. Droga, eu estava perdido.”
Na manhã seguinte, eu estava sentado tomando café com Derek e ele estava me encarando constantemente e de uma forma tão profunda que parecia que iria me furar no meio. Para ser específico, ele encarava meu pescoço onde estava localizado o colar que por coincidência era o símbolo da família dele que ele tinha uma tatuagem nas costas.
No fundo, eu sabia que Derek queria saber mais sobre o colar, sobre mim e tudo que me cercava tanto quanto eu queria saber sobre ele. E então eu percebi ali uma forma de descobrir algumas coisas sobre ele.
“Um bom jogo de troca de informações.”
— Qual é o significado da sua tatuagem, Derek? — Perguntei, colocando minha caneca no balcão e acariciando a mão dele.
— É o símbolo da minha família... — Ele disse apaticamente, mas correspondeu o carinho em meus dedos.
— Sim, você já me disse isso. Mas eu quero saber qual é o significado por trás disso.
— Nenhum específico... — Derek disse com um tom de desdém como se fosse sem importância, mas no fundo eu sabia que não era.
— Se você me contar o seu, eu te levo no lugar que me fez começar a usar esse símbolo no meu pescoço. — Os olhos de Derek se arregalaram surpresos e motivados por finalmente saber o que triskele significava para mim. Seus olhos aderiram uma coloração única, uma mistura entre verde, azul e castanho, e com tanta intensidade que parecia perfurar a minha alma.
“Eu tinha conseguido a sua total atenção.”
— Tudo bem, Stiles. Você ganhou. Essa história tem a ver comigo, só porque minha família foi muito ligada à cultura celta. Minha mãe sempre nos ensinou a respeito e acabamos que nos consideramos dentro da história e do mito. — Derek pegou seu telefone e começou a ler alguma coisa nele. — “O triskele pode ter diferentes significados: a tripla manifestação da energia divina, Força, Sabedoria e Amor, que se relaciona com as três classes sociais dos antigos celtas: Guerreiros, Druídas e Produtores. Pode igualmente representar a Água, Céu e a Terra que com o seu movimento se reúnem todos e o quarto elemento, o Fogo, representado pelo círculo que os envolve. Pode ainda representar as três manifestações que tornam possível a evolução humana: Corpo, Alma e Mente. Em suma, quem possuir um triskele pode escolher a representação melhor que se adapte ao seu Eu interior.” — Deixou o telefone sobre o balcão e me encarou.
— Bela explicação. Você podia ser professor. — Sugeri e o fiz rir. Aquele som era tão incrível e me fez tão bem.
“Você está indo ferrado!” Meu subconsciente gemeu e eu dei um suspiro.
— Essa é a explicação do significado do símbolo. Mas isso só tem um significado para mim, porque com esse símbolo eu me sinto capaz de ser tudo e qualquer coisa e ainda sim fazer sentido. Ser preto, branco e todos os tons de cinza entre eles. Ser eu mesmo sem me desmanchar, ter a forma que eu mais precisar e me adaptar no melhor de mim.
Eu fiquei impressionado com o significado tão profundo de um símbolo em uma tatuagem, mas não era nada disso que significava para mim.
— Caramba, isso é extraordinário. Mas de todos os significados que você falou nenhum deles tem a ver com o que esse símbolo significa para mim.
— O quê? Eu pensei que fosse por algum desses motivos que você usava esse colar. — Ele disse surpreso. — Eu até imaginei que você tinha usado o colar na entrevista por minha causa.
— Não, Derek... Nenhum deles funcionam para mim. Mas calma, vamos em um lugar e eu te mostro o que isso significa para mim. Só que teremos que trocar de roupa. O mundo ainda não está preparado para ver toda a beleza do meu pijama.
Trocamos de roupa e quando descemos para a garagem, Derek fez um ruído de insatisfação por ter que entrar no meu Jipe.
— A gente poderia ir no meu carro ao invés de pegar essa lataria. Eu poderia pegar tétano se cortasse meu dedo aqui!
Dei um olhar maligno para Derek e falei:
— Eu nunca abandonei esse jipe. E nunca vou abandonar. Você está entendendo?
Ele deve ter sentido que eu estava falando sério, porque apenas acenou e entrou carro pacificamente. Depois de algum tempo dirigindo eu fui explicando para ele no caminho algumas coisas até chegar ao castelo.
— Derek, eu estou te levando ao lugar que me mostrou a minha verdadeira natureza. Esse lugar me ensinou e me moldou em tudo o que eu sou hoje e eu não me envergonho disso em nenhum momento.
— Stiles eu não sei porque você está falando assim. Até parece que você faz algo muito aterrador e macabro.
Eu dei um sorrisinho de lado e falei:
— Nós já estamos quase chegando, vamos ver como vai ser. Feche os olhos. E não espie! — Pedi.
Depois de mais ou menos 20 minutos dirigindo na IE-5 eu fiz uma curva para dentro de uma trilha com o meu carro. Derek olhou desconfiado para mim, mas continuou calado. Entrei na trilha que levava ao Castelo dos Prazeres, o lugar que mudou a minha vida para melhor e depois de cinco minutos na estrada de terra podemos avistar ao longe o castelo todo de pedra e cercado por grades de aço de 3 metros de altura. Estacionei no portão, porque naquele momento nós não precisaríamos entrar.
— Pode olhar, Derek. — Quando ele deu uma olhada para o portão e viu o símbolo da triskele feito de aço e fundido com as grades do portão principal do Castelo, ele ficou estático. Era quase como se fosse possível ver seus pensamentos trabalhando em se organizar. Ele virou em minha direção confuso, como se fosse um menino pedindo explicações de “Como assim Papai Noel não existe?”
— Stiles, eu não estou entendendo. Você me trouxe em algum antigo castelo celta? Você faz parte de algum tipo de Ceita? Alguma adoração ao demônio?
Eu tive que rir dessa última pergunta.
— Não bobinho. Não é nada disso que você está pensando. Apesar de ser uma comunidade bem unida, nós não somos uma Ceita e muito menos adoramos o demônio. Aqui nós enaltecemos o prazer que nosso corpo pode dar. — Derek ainda continuava confuso e por isso tratei de me adiantar e prosseguir. — Esse lugar se chama Castelo dos Prazeres e ele é um clube BDSM.
Derek continuava a me encarar, mas agora com um interesse renovado sobre o seu rosto. Percebi que era minha chance de dizer tudo e esclarecer o porquê do colar.
— Bom, como nós conversamos antes, eu sou um submisso assumido e sem vergonha disso. Mas não são todos os lugares que aceitam ou sequer entendem o que é isso. Além do mais existe muita gente perigosa e que se aproveita dos fetiches alheios para fazer maldade, fora as pessoas realmente estranhas que se aproveitam disso. Enfim, eu descobri nesse local um modo de ser quem eu realmente sou e me libertar de forma sã, segura e consensual. Por conta disso eu me tornei membro do clube e comecei a aprender a me comportar como um verdadeiro submisso.
Derek fez uma cara de espanto.
— Tem quem se aproveita do fetiche alheio? Isso é crueldade. E como assim você teve que aprender a ser submisso?
— Bem-Vindo ao mundo real. É preciso todo um treinamento, tanto para ser Dom quanto sub. Aqui as pessoas aprendem e se aperfeiçoam para não fazer nada de errado e estarem satisfeitas consigo mesmas. E principalmente para não machucar o seu parceiro. Eu sou um submisso natural, mas eu precisava aprender mais sobre o estilo de vida e tudo aquilo que nós já conversamos. Então, eu descobri esse lugar e ele me ensinou tudo e me explicou a respeito do símbolo BDSM ser uma triskele.
Quando eu me calei, Derek abriu a boca perplexo:
— Como assim? O que um símbolo celta tem a ver com o estilo BDSM?
— Para leigos, o símbolo é apenas uma joia estilizada ao símbolo do Yin-Yang, porém essa tal semelhança não é acidental. Os contornos representam duas fases, o início e o término, e no caso do BDSM isso também de aplica, mas com três divisões: B/D, bondage e disciplina, D/s, dominação e submissão, e S/M, sadismo e masoquismo. As três divisões também podem se referir ao SSC. — Derek franziu a testa com a sigla e eu continuei a explicar. — São, Seguro e Consensual. São essas três palavras que regulam todo o cenário BDSM. É preciso que as cenas e o relacionamento sejam sadios, seguros e consensuais. Há também quem relacione o símbolo com as posições dentro da comunidade, Top’s, Bottom’s e Switchers.
— Posições? Top? Stiles, eu não estou entendendo. — Derek disse com um gemido.
— Não é difícil, meu bem. Top são os Dominadores, aqueles que gostam de estar no poder, bottom os submissos, quem cede o poder e os Switchers que alternam de posição, submisso e Dominador.
— E você é o que? Um Switcher? — Ele franziu a testa e aquilo formou uma ruga adorável entre suas sobrancelhas.
— Sou um bottom. Eu não consigo assumir o poder na cama Derek. Eu preciso que alguém me controle.
Ele ficou em silêncio por alguns segundos apenas encarando o portão do castelo.
“Acho que agora eu o assustei mesmo”, pensei tristemente.
— Uau, eu não sabia que existia esse significado. Estou surpreso que nunca ouvido falar. — Ele deu um olhar meio sinistro com um sorriso sacana no rosto e acrescentou — Acho que sempre pertenci ao meio e nunca soube...
Quando notei que ele havia compreendido o significado daquilo para mim, acabei rindo de alívio.
— Eu acho que o colar lhe cai muito bem, Stiles. Isso diz muito sobre quem você é. Como a minha tatuagem diz sobre mim. Eu acho que isso é sinal de como nos completamos, não acha?
Eu não respondi, apenas sorri para ele. Liguei o carro e estávamos indo embora, quando fui surpreendido pela voz de Derek.
— Onde posso me informar para me tornar membro do Clube? — Eu olhei espantando para ele. Eu não poderia acreditar que ele estava mesmo dizendo isso.
— Para que você quer entrar no Clube?
— Eu disse que eu faria qualquer coisa para te ter. Além do mais, isso é só uma outra forma de nomear minha personalidade dominadora. Apesar não exercitar ela em toda sua plenitude sexual, eu não consigo deixar de querer sempre comandar as coisas. Então, quando posso me inscrever? Estou ansioso para me descobrir completamente como você fez.
"Agora eu realmente estava ferrado." Pensei por fim.
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