Você Sempre Esteve Em Mim (parte 2)
38 Capítulo 38 - "Tudo o que você quiser..."
Notas iniciais
R: “Emily Hobbit”?! [exclamou] Esse foi o melhor que você conseguiu, Santana?!
S: Esse nome é ótimo! [defendeu-se] E não reclame! Não tive muito tempo! Não imaginava que a Fabray daria com a língua nos dentes e te traria aqui...
Rachel olhava insegura para a identidade falsa que Santana havia conseguido para ela. Enquanto isso, Quinn olhava ao redor do stand de tiro, concentrada...
Q: Tem certeza de que quer tentar? [pousou a mão nas costas da namorada]
R: Tenho! [respondeu firme]
Enquanto Santana mirava seu alvo, Quinn arrumava o fone de ouvido em Rachel. A loira sentia que a morena estava tremendo levemente.
Q: Você não precisa fazer isso... [disse suavemente]
R: Preciso sim! [tentou passar a mesma firmeza de antes]
Q: Não precisa!
R: Eu quero tentar...
Ainda que estivessem usando fones de ouvido, os barulhos dos tiros ainda eram percebidos. Principalmente os de Santana. A latina parecia que sabia o que estava fazendo. A população de Lima Heights ficaria orgulhosa... Santana estava estraçalhando o alvo de papel que imitava a silhueta humana. O mais assustador, era que a latina parecia gostar do que fazia...
R: Entende agora por que tenho medo quando você sai sozinha com ela?
Q: Dadas as circunstâncias, você deveria se sentir segura por tê-la por perto...
R: Essa fúria... Ela sempre foi assim?
Rachel estava surpresa. Santana atirava como se fosse a coisa mais natural do mundo. E ela nunca havia disparado antes. Era algo natural... Mas havia na latina um senso apurado de proteção que agora estava potencializado. Ela tinha que proteger suas amigas. Ela não se perdoaria se algo de ruim acontecesse a qualquer uma delas. Ela precisava estar preparada para o que estava por vir.
Quinn demonstrava toda sua paciência e cuidado ao guiar as mãos de Rachel em direção ao alvo. Ajudou a segurar a arma e sentiu o corpo da namorada estremecer. A morena não estava segura. O metal em suas mãos parecia queimar. Ela não tinha certeza se conseguiria, mas ela precisava tentar.
Todos os tiros falharam...
Por mais vontade que tivesse, por mais firme que estivesse naquela decisão, Rachel simplesmente não conseguia acertar o alvo. Seu corpo não respondia aos seus comandos e aquilo a estava frustrando. Os poucos tiros que acertaram o alvo não foram muito úteis. Ela abaixou a arma e seus ombros caíram. Sentia-se impotente. Incapaz de aprender a proteger seu amor. Quinn percebeu que ela travava uma luta mental. Rachel sentiu as mãos da loira deslizarem por seus braços e o calor do corpo da namorada lhe acalentar.
Q: Pode soltar... [disse suavemente enquanto tentava tirar a arma das mãos dela] Por favor, meu amor... Solte...
Rachel segurava a arma com força! Não conseguia soltar. Em sua mente tudo o que passava era que Quinn era capaz de tudo por ela, enquanto ela era incapaz de acertar um mísero alvo de papel...
R: Desculpa... [disse agoniada]
Q: Não se desculpe, meu amor... Apenas solte...
Quando a arma voltou às mãos de Quinn, a respiração de Rachel tornou-se mais pesada. A sensação que tinha era a de que a loira teria mesmo que se colocar na linha de frente porque ela seria incapaz de fazer isso...
R: Deixe-me tentar de novo? [pediu insegura]
Q: Fique tranquila... Não precisa...
R: Como eu vou proteger vocês? Como eu vou cuidar de vocês?
Quinn soltou a arma colocando-a sobre o pequeno balcão e tomou o rosto de Rachel entre suas mãos. Normalmente era a morena quem fazia isso, mas como o constante carrossel que era a relação delas, a loira assumia o papel da outra, a fim de acalmá-la:
Q: Olha pra mim... [Rachel obedeceu] Você me disse que nada irá acontecer. Continue acreditando nisso. Eu preciso que você acredite nisso!
Santana se aproximou e viu que não era hora para piadinhas sobre a mira de Rachel. A respiração da morena começava a ficar precária e parecia que ela teria um ataque de pânico. Rapidamente a latina a puxou. Sabia que Quinn não tinha treinado e era importante que a loira soubesse atirar. Com Rachel entrando em desespero, Quinn concentraria toda a sua atenção nela e no fim, seriam duas a não saber atirar.
Q: Vamos sair daqui! [preparou-se para guardar a arma]
S: Q... Eu vou buscar água com a Rachel. Tirá-la desse ambiente com cheiro de pólvora. Você tenta atirar aí.
Q: Eu não vou deixá-la sozinha!
S: Eu sou o quê, afinal?! Sou ninguém?!
Q: Você entendeu o que eu quis dizer.
S: A Berry só precisa de ar e um pouco d’água. Relaxe!
Rachel lançou um olhar em concordância. Não queria preocupar Quinn mais do que ela já estava preocupada. Conhecendo bem Santana, a loira sabia que a latina queria mais do que buscar água com Rachel. Sabia que ela queria conversar e por isso, apenas por isso, aceitou se separar da namorada por alguns minutos. E também porque viu como Santana atira. Não teria com o que se preocupar se estivessem juntas.
Quatro copos seguidos de água e Rachel ainda estava com sede. As mãos levemente trêmulas e Santana atenta a seus movimentos não a ajudavam a se sentir melhor.
R: Eu não sei o que houve... [encostou-se à parede, respirando fundo]
S: Você estava entrando em pânico. [cruzou os braços, encostando-se à parede contrária]
R: Eu sou uma idiota! [movia a cabeça para frente e para trás, dando leves pancadas na parede]
S: Calma! Atirar não é uma coisa natural, que todo mundo sabe fazer.
R: Parece natural pra você.
S: Mas você é diferente de mim...
R: Como eu posso me sentir bem sabendo que eu não sou capaz de pegar aquela arma e acertar nem a porcaria da perna daquele bandido? [amassou o copo na mão, irritada] Se a Quinn ou a Beth precisarem de mim, a única coisa que eu vou saber fazer é chorar ou gritar! Mas que bela porcaria que eu sou!
S: Deixa de drama, Berry! [afastou-se da parede para se aproximar mais dela]
R: Não é drama, Santana! A Quinn está disposta a fazer tudo. Ela me disse. Ela falou até em morrer para nos proteger. Eu senti meu sangue congelar porque havia uma certeza tão intensa na voz dela que eu tenho certeza de que era verdade. Eu queria dividir esse peso com ela.
S: Rachel... [disse com a voz calma] Não importa o que você faça. Não importa se você sabe atirar de fuzil ou lutar com espadas afiadas. A verdade mesmo é que ela nunca dividirá o peso com você. [afirmou segura]
R: Como assim?
S: A Quinn te trouxe aqui para te tranquilizar. Porque você queria vir... Mas em nenhum momento ela pensou em permitir que você assumisse esse papel de protegê-la. Ela é incapaz de se colocar atrás de você. Onde quer que vocês estejam, aconteça o que acontecer, ela se colocará à sua frente e levará o chumbo grosso que vier.
R: Mas...
S: Você sabe que é assim! Você sabe!
Quando Santana e Rachel deixaram Quinn a sós, a loira demorou cerca de dois minutos para se concentrar. Ela olhava o alvo à sua frente e imaginava que teria que ser perfeita quando precisasse. Posicionou os pés como sabia que deveria posicionar, esticou os braços e atirou. Duas vezes. Uma vez com as duas mãos. Outra vez apenas com uma. Apertou o botão ao seu lado e viu o alvo se aproximando de si para analisar seu desempenho. Retirou o papel do gancho de metal e o segurou. Apenas dois tiros. Ambos certeiros no meio da testa do homem de mentira...
R: Santana disse que você só me levou para o stand de tiro porque eu queria ir, mas que em nenhum momento você pensou em deixar que eu te protegesse. [dizia calma, enquanto tirava a roupa para tomar banho]
Q: Santana fala demais! [limitou-se a dizer]
R: Eu não estou brincando quando eu digo que quero proteger vocês... [sua voz saiu chorosa]
Quinn se virou para ela e se aproximou, segurando seu rosto novamente:
Q: Olha bem pra mim! [disse firme, fazendo Rachel encará-la] Eu já disse que não há nada que eu não faça por você. Não adianta você me pedir para baixar a guarda e deixar que você me proteja. Eu não sei fazer isso. Não agora! [disse firme] Eu preciso que você não se chateie com isso. Preciso que você confie em mim e acredite que você não precisará me proteger. Não sou eu quem precisa de proteção! É você e Beth. É minha obrigação cuidar de vocês e é a minha natureza!
R: Mas essa arma... [fechou os olhos] Estar naquele lugar me fez ter a impressão de que as coisas são mais graves do que eu pensei que eram...
Q: Eu espero que não sejam, mas eu estou preparada para se forem. Eu não vou deixar que nada de mal nos aconteça, ok?!
R: Eu não vou aguentar se acontecer alguma coisa ruim com você. [seu medo era evidente] Eu simplesmente não vou aguentar!
Q: Eu não sou o alvo, meu amor...
Rachel acariciava os cabelos de Quinn, que tinha a cabeça apoiada em seu colo. Mantinham um silêncio necessário. Dividiam aquela ausência de som com a mesma cumplicidade de sempre.
R: Precisamos comprar roupas pra você... [disse baixinho]
Q: Por que? [perguntou suavemente, surpreendida com o assunto]
R: Porque estou usando todas as suas blusas para dormir. Estava vendo que minha parte do closet está tomada de coisas suas que eu uso...
Q: É só você me devolver... [sorriu de leve]
R: Eu não quero devolver... Adoro seu cheiro se misturando às minhas roupas! Eu não vou abrir mão disso!
Quinn puxou o rosto da morena para um beijo. Não passou de um gesto carinhoso, sem segundas intenções. Antes que o clima pudesse esquentar, o celular de Quinn chamou a atenção das duas. Rachel se esticou para pegá-lo na mesinha de cabeceira e pôde ver que se tratava de uma mensagem do Puck. Surpreendeu-se com a ausência de ciúmes naquele momento.
R: É o Noah...
Quinn se ajeitou na cama e se sentou. Olhou para Rachel buscando algum indício de ciúmes, mas não encontrou nada. Deslizou o dedo sobre a tela e destravou o celular, abrindo a mensagem. Descobriu que se tratava de um arquivo de vídeo. Puxou a morena para si, colocando-a sentada entre suas pernas, já sabendo do que poderia se tratar. Assim que o vídeo começou a ser reproduzido, o sorriso em ambas foi instantâneo. Beth aparecia na tela, imitando Quinn como Cheerio. Tentava reproduzir de forma adoravelmente desengonçada os passos da loira. A voz de Noah se fez presente:
N: Quem você é?
B: Eu sou a “Kim”! [disse animada]
Rachel sorriu abertamente, sentindo o abraço de Quinn se apertar contra seu corpo. Logo o vídeo cortou para Beth sentada no sofá, acariciando o Nemo de pelúcia que tanto amava:
N: Quem te deu esse Nemo?
B: Foi a “Kim”! [disse sorridente]
N: Eu gosto muito da Quinn! Você também gosta?
B: Eu “ama”! [respondeu orgulhosa]
Rachel ouviu o fungado nervoso de Quinn em seu ouvido. É claro que a loira estava chorando. Ainda que suavemente, era impossível não se emocionar com a forma como Beth se referia a ela. O vídeo terminava com a loirinha mandando beijo para a câmera. Rachel teve o cuidado de travar o celular novamente e tirá-lo da mão de Quinn. Colocou de lado e tentou se virar, mas a loira estava relutante. Segurou a morena na mesma posição. Rachel sentiu os lábios de Quinn fazerem pressão em seu pescoço, sem movimento. A loira queria ficar daquele jeito, sem se mover. A morena cedeu. Não forçou mudar. Passou a acariciar os braços que lhe rodeavam, em um carinho paciente, sem a menor pressa, sentindo cada menor arrepio que causava na pele branca de Quinn...
R: Eu nunca disse isso a ninguém... Mas às vezes eu paro por alguns minutos para conversar com Deus. Eu o agradeço pela vida que ele me proporciona ter a seu lado. [Quinn a apertou mais] Agradeço por ser sua... [dizia carinhosa] Tenho conversado com Ele, pedindo para retirar essa grande carga que você carrega em suas costas desde sempre. Pedindo que Ele te dê a leveza que você me dá...
Os lábios de Quinn se moveram. O deslize delicado sobre a pele morena indicava que as palavras de Rachel surtiam efeito. De alguma forma, acalmavam o coração ferido da loira.
R: Eu te amo tanto e é tão bom te amar assim! [disse em tom de confissão] Eu me sinto tão mais madura, tão melhor! Eu me sinto tão especial por ser sua... E eu serei sempre! Serei sempre sua e tudo o que você quiser...
Quinn, enfim, permitiu que a morena se movesse um pouco. Fez com que seu rosto virasse num ângulo perfeito para capturar os lábios carnudos. Renovava-se naquele beijo. Sentia o gosto da namorada e se permitia pensar que as coisas poderiam mesmo acabar bem. Por um segundo, ela conseguia se sentir em paz... Rachel sentia o carinho interminável com que a loira lhe provava. Quinn era toda devoção quando a beijava. Ela era só amor...
Rachel se virou e se encaixou em seu colo, beijando carinhosamente a testa quente da namorada. A febre que surgia indicava o de sempre: Quinn estava fragilizada emocionalmente, ainda que estivesse em fúria...
O celular da loira tocou novamente. Rachel sorriu, pensando ser mais um vídeo fofo de Beth. Um número desconhecido aparecia na tela. O corpo da loira enrijeceu e a morena sentiu. Assim que Quinn tentou impedir que Rachel visse a tela do celular, percebeu que não fazia mais sentido ter esse tipo de reação. Não havia mais segredos entre elas. Destravou a tela insegura, estranhando ao ver que se tratava de uma foto. Rachel estremeceu em seu colo. A imagem era daquele dia, de Rachel entrando no carro mais cedo. A mensagem que seguia era perturbadora:
“Você está preparada para perdê-la muito em breve?”
[CONTINUA...]
Notas finais
Os próximos capítulos serão cruciais na história e preciso de cuidado ao escrevê-los. Mais tarde vem o seguinte a este e amanhã haverá outro. Só não posso garantir hora. Pode ser que eu só consiga concluir de madrugada.
De qualquer forma, espero que gostem deste enquanto esperam pelo próximo!
Obrigada pelos comentários deixados aqui, no twitter e no ask!
Comentem sempre! ;-)
Beijos!
P.S.: A música do capítulo foi uma indicação que recebi de um(a) anônimo(a) via ask e achei que se encaixou perfeitamente no capítulo. Obrigada a quem me mandou a dica! :-)
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