Você Sempre Esteve Em Mim (parte 2)

2 Capítulo 2 - Bom demais pra ser verdade...


Notas iniciais
Música do Capítulo: OneRepublic - Fear

R: Quinn, você viu a minha saia preta? [gritava do quarto]

Q: Qual delas? [gritava da sala]

R: Aquela que eu mais gosto! [disse chegando no mesmo cômodo]

Q: Eu não sei qual é. [disse calma]

R: Aquela, Quinn! [exclamou, como se dissesse algo óbvio]

Q: Rach, você tem milhares de saias pretas e muitas que se parecem. Você precisa ser mais específica. [disse com paciência]

Preparavam-se para o primeiro dia de aula do novo ano letivo. Quinn estava pronta, calma e sentada no sofá, esperando a morena terminar de se vestir. Mesmo que já vivessem muito unidas antes, dividir o mesmo teto é, definitivamente, diferente. A paciência da loira passou a ser testada toda as vezes em que Rachel perdia alguma peça de roupa em algum lugar da casa. Era uma constante e Quinn não se irritava. A morena sempre acabava resolvendo usar outra coisa e esquecia completamente daquela peça que a tinha enlouquecido numa busca desenfreada.

Q: Você não era assim quando morávamos em apartamentos diferentes. Nunca vi você perdendo nada.

R: Você me deixa meio desorientada. [sorriu]

Q: Devo me preocupar com isso? [perguntou com um sorriso confuso]

R: De jeito nenhum! [deu-lhe um selinho] Isso foi um elogio, meu amor...

Kurt, Blaine e Britt já tinham saído para suas respectivas aulas, enquanto Santana, Quinn e Rachel seguiam no carro:

S: Berry, quando estiver voltando não esqueça de buscar a Britt em Juilliard. Hoje é seu dia de motorista e seja competente. [disse autoritária]

R: Não enche, Santana! [revirou os olhos]

S: Se você fizer minha Britt esperar muito, eu quebro seus dedos. Aí quero ver você conseguir satisfazer a Fabray por completo! [ameaçou brincando, mantendo o tom sério]

Q: Cala a boca, Santana! [repreendeu]

R: É. Cala a boca! [complementou]

Q: Vamos jantar fora hoje? [desconversou, pondo a mão suavemente na coxa da namorada]

S: Olha a pouca vergonha... Eu estou aqui! [provocou, sendo ignorada pelas duas]

R: É um encontro, Fabray? [perguntou sorrindo]

Q: Sim. É um encontro. [confirmou também sorrindo]

R: Eu aceito! Que horas você me busca?

Q: Às 19h, na porta do nosso quarto. [disse com um sorriso ainda maior]

R: Hahahaahahahhaha Estarei lá!

Rachel dirigiu calmamente, animada por voltar às aulas. Teria muito mais aulas práticas agora. E isso a enchia de energia. Mais do que já tinha...

Em Juilliard, Britt estava encantada com aquele universo que nem em sonho ela ousou imaginar. Já tinha se conformado em fazer uma faculdade mais acessível e acreditava que Santana sempre seria a que teria um futuro promissor. Ela seria a grande mulher por trás da grande mulher. Mas Quinn havia dado a ela uma chance de ouro e ela nunca seria capaz de retribuir. Faria de tudo para deixar a amiga orgulhosa. Para ela, já era um começo... Passou por algumas salas de dança e viu pessoas dos mais variados estilos, mas o que predominava era clássico. Sabia que, por enquanto, não poderia ser a mesma Britt da escola. Ela não sabia se encontraria pessoas que a entendessem, como tinha no Mackinley. Ela estava ali para se tornar profissional e faria de tudo para ser a melhor.

Na NYU, Kurt acompanhava Blaine até o prédio dele, reclamando as frustrações de seu curso. O namorado o estava incentivando a tentar entrar em NYADA de novo, ou em Juilliard. Sabia que ele seria mais feliz em qualquer um daqueles lugares. Mas Kurt ainda se sentia envergonhado por não ter sido aceito. E nunca mais havia conversado sobre isso. Até Rachel pensava que ele tinha descoberto um novo sonho, mas na verdade, ele só adormecia o dele.

Em Columbia, Santana se despediu de Quinn e se encaminhou para sua primeira aula, enquanto a loira tinha a intenção de passar primeiro em uma das bibliotecas. Caminhava tranquilamente pelos corredores, quando foi agarrada de repente por trás, sentindo seus pés abandonarem o chão:

M: Você está em quase todas as minhas turmas!!!!! [girava a loira sem parar, animado]

Q: Michael, me põe no chão! [pedia rindo]

M: Seremos, praticamente, gêmeos siameses nesse semestre. [continuava segurando a loira]

Q: “Praticamente” implica dizer que é “quase”. “Como se fosse”. Ou seja, me solta! Não precisamos ficar colados um no outro.

M: Pronto, pronto! Está no chão. [disse ao soltá-la]

Q: Obrigada! [sorriu] Adorei a notícia de que terei você por perto por muito tempo. [disse sincera]

M: Hey! A Rachel me mata se vir você dando em cima de mim assim, descaradamente! [disse brincando, fingindo medo]

Q: Eu não estou dando em cima de você! [deu-lhe um tapa no ombro] Não seja idiota!

M: Falando em dar em cima e em ser idiota, Jennifer se matriculou em algumas matérias nossas. Ela está na sua cola. [avisou]

Q: Aquela garota é louca! [disse irritada]

M: Eu concordo com você! E não estou falando isso no sentido figurado. Eu acho que ela precisa mesmo de tratamento. Ela está obcecada por você, Quinn. [dizia preocupado]

Q: Ela que não se aproxime de mim. Eu até tentei ser cordial. Encontrei com ela algumas vezes na academia e fui educada, tentando deixar pra lá o que ela já tinha feito. Mas como você sabe, ela me encheu de mensagens estapafúrdias durante as férias. Se a Rachel cruzar com ela, não vai sobrar nem um pedacinho dela pra contar história.

M: A baixinha é danada! [exclamou]

Q: Você não viu nada! Na escola ela precisou ser segurada para não avançar e bater nos jogadores de futebol. Vários deles. Eram uns armários e foi uma tarefa bem difícil contê-la.

M: Não duvido disso. Bom, nossa primeira aula é pra lá, por que você está indo para o lado contrário?

Q: Vou à biblioteca.

M: Quinn, estudamos cinema para assistir mais e ler menos. [brincou]

Q: Quando eu ganhar o Oscar com meu documentário sensacional, cheio de cultura, você estará dirigindo mais um blockbuster besteirol. [disse com um divertido ar superior]

M: Esse é o plano! [respondeu sorrindo]

Na biblioteca, Quinn buscava a lista de livros que havia feito nas férias. O papel caiu da bolsa e quando a loira foi buscar, alguém se abaixou ao mesmo tempo para ajudá-la:

J: Oi! [disse com o papel na mão]

Q: Oi, Jennifer! Você poderia me dar o papel? [perguntou após respirar fundo]

J: O que eu ganho em troca? [perguntou provocante]

Q: Eu só vou pedir mais uma vez... Você poderia me dar o papel?

J: Não estou vendo nenhuma vantagem nisso.

Quinn olhou para os lados e viu que elas estavam sozinhas naquele corredor. Pegou-a pelo colarinho e a ergueu do chão, encostando-a na enorme estante. A loira a segurava com força antes de falar:

Q: Se você pensa que vai ficar me rondando, você está muito enganada! Eu quero você longe de mim. Você me entendeu, sua louca? [Quinn estava cansada das abordagens dela]

J: Eu ainda vou fazer você se apaixonar por mim, Q! [disse segura]

Q: Não me chame de “Q”. Eu não te dei intimidade! [soltou-a, afastando-se]

J: Mas um dia seremos mais íntimas do que você é da imbecil da sua namoradinha.

Não houve tempo para a Jennifer dizer qualquer outra coisa. Quinn a acertou em cheio com um forte tapa no rosto que a fez cambalear. Jennifer levou a mão ao local, surpresa pela atitude da loira. Quinn a pegou pelo colarinho de novo e segurou com força:

Q: Isso é só um aperitivo do que eu posso fazer com você se você ficar tentando se infiltrar na minha vida! [ameaçou]

Quinn viu o medo intenso nos olhos de Jennifer, mas sabia que aquilo era passageiro. Que ela ainda ia rondá-la e não sabia até que ponto sua paciência funcionaria.

Em NYADA, Rachel estava pronta para conhecer o novo professor de dança. De costas para a porta, descobriu que ele tinha chegado quando viu as outras garotas paralisadas, olhando na mesma direção. Virou-se para ver e entendeu o motivo da hipnose. Ele era lindo!

B: Bom dia! Eu sei que vocês já sabiam meu nome, mas agora me apresento pessoalmente. Sou Brody Weston e serei o professor neste semestre. [disse cordial]

A: Minha nossa! Isso é homem para um banquete! [comentava ansiosa]

R: Contenha-se, Amber! Ele é nosso professor. Você precisa respeitá-lo. [repreendeu]

A: Eu já soube que ele pega as alunas. Ele já pegou até Cassandra July. [fofocou]

R: E você acha que ele vai pegar você? [desdenhou de brincadeira]

A: Tomara que ele me pegue! [juntou as mãos em oração]

R: E o Nathan?

A: Ele precisa agir mais. Se continuar naquela lentidão, vai perder a pouca chance que ainda tem comigo.

B: Não precisam se apresentar, eu sei o nome de todos. Eu vou pôr a música e quero que vocês dancem em pares. Preciso ver como estão depois das férias. Não faço milagres, afinal...

Os casais começaram a se formar e quando Rachel tentava resolver com quem dançar, foi interceptada:

B: Rachel Berry... Você vai dançar comigo! [disse se aproximando dela]

R: Vou? [surpreendeu-se]

B: Vai! [segurou-a para conduzi-la] Ouvi dizer que os professores que mexem com você são aniquilados sem dó nem piedade. Prefiro ser seu amigo a ser derrotado. [disse sorridente, girando-a]

R: Isso não é verdade. [defendeu-se ofendida]

B: Bem... Se é verdade ou não, isso veremos depois. [deu de ombros] Mas de uma coisa eu sei: obrigado por me conceder mais turmas. Com a saída de Cassandra, tenho mais trabalho. [disse brincando]

Durante toda a aula, Rachel se soltou tranquilamente. O novo professor era muito mais didático do que Cassandra e deixava o ambiente bem mais agradável. Isso fazia com que os alunos adquirissem mais confiança e se desenvolvessem mais. Rachel pensou que, finalmente, poderia dançar tranquila. No fim da aula, era perceptível que todos haviam gostado do novo professor. Quando a morena estava próximo à porta, sentiu a presença de alguém ao seu lado. Brody caminhava junto dela:

B: Eu vi sua apresentação final de canto. [disse com um sorriso charmoso]

R: Viu? [perguntou com um sorriso]

B: Sim! Você é fantástica! [elogiou]

R: Obrigada... [agradeceu encabulada]

B: Um boa parte dos alunos daqui vão acabar virando professores, treinadores, consultores. Poucos vão brilhar no palco. Você é uma das poucas pessoas que vai chegar lá. [garantiu]

R: Eu...Eu não sei como agradecer. [estava muito encabulada]

B: Um jantar qualquer dia desses e ficamos quites. [disse seguro]

R: Um o quê? [surpreendeu-se]

B: Um jantar. [repetiu]

R: Eu...eu... Me desculpe, mas eu vou ter que recusar.

B: Hum. Deixa eu adivinhar... Comprometida?

R: Sim. [sorriu mostrando o anel]

B: Com aliança e tudo? Tenho que me dar por vencido... [fingiu tristeza]

R: De qualquer forma, obrigada!

B: O convite está de pé, caso seja possível acontecer um dia... [piscou-lhe e deu a volta, indo em outra direção]

Rachel estava surpresa pela abordagem do professor. Tão rápido e descarado! Ela não estava acostumada com isso. Sentia-se aliviada por ele não ter insistido... As aulas seguintes foram menos interessantes, mas porque ela estava fisicamente cansada. Achava um absurdo o horário da aula de dança. Dificultava todo o resto de seu dia.

A morena caminhava pelo estacionamento de NYADA, fazendo anotações mentais para conversar com Brittany. A amiga tinha que ajudá-la a melhorar seu condicionamento para ser uma perfeita dançarina. Se Brody tinha razão e era verdade que nem todos os alunos brilhariam no palco, ela iria se esforçar para ser a melhor e garantir seu tão sonhado lugar na Broadway. Enviou uma mensagem para Britt, avisando que já estava indo buscá-la em Juilliard. Abriu o carro, jogou suas coisas no banco de trás e pôs a chave na ignição. Assustou-se com a porta do passageiro se abrindo bruscamente. Um homem sentou ao seu lado e ela não poderia estar mais surpresa:

R: Senhor Fabray? [exclamou assustada]

Russel: Olá, Rachel Berry! Precisamos ter uma conversinha... [disse com um sorriso assustador]

Rachel pensou em sair do carro, mas foi impedida:

Russel: Fique aqui! [puxou-a com força]

R: Por favor, o que o senhor quer comigo? [perguntou assustada] Como me achou aqui?

Russel: Todos em Lima sabem que a filha do casal de pecadores estuda nessa tal de NYADA. Quer dizer, casal não, porque para isso precisava haver uma mulher nessa equação... E eu reconheceria esse carro em qualquer lugar. Eu dei para a Quinn quando ela ainda não era uma pecadora. [disse sério]

R: Senhor Fabray, por favor me deixe ir... [pedia amedrontada]

Russel: Nós vamos ter uma conversinha... [disse calmo]

R: Por favor...

Russel: CALA A BOCA! [gritou]

Rachel estava tremendo. Há muito tempo ninguém tinha notícias de Russel Fabray. E ela jamais imaginaria que ele apareceria em Nova York. Ou pior, em NYADA! O que afinal ele queria com ela?

Russel: Dirija esse carro! [ordenou]

R: Para onde vamos? [perguntou com medo]

Russel: Apenas dirija!

R: Por favor, não...

Russel: EU MANDEI VOCÊ DIRIGIR! [gritou mostrando-a uma pistola na cintura]

Rachel começou a ficar apavorada. Não conseguia sair dali.

Russel: Eu mandei você dirigir! Você está brincando comigo?

R: Não! Não... [respondia assustada]

Com muita dificuldade a morena conseguiu colocar o carro em movimento. Percebeu Russel se ajeitar no banco do carona tranquilo, como se fosse um passeio normal.

Russel: Sabe, Rachel... Eu dei muito duro para fortalecer o nome da minha família na sociedade. Ser um Fabray sempre foi sinônimo de respeito. Mas minha Quinnie se perdeu. Eu não sei o que aconteceu, mas ela se perdeu. E quando pensei que ela tinha se achado, descubro que ela virou lésbica.

R: Senhor...

Russel: Cale a boca! [interrompeu] Apenas dirija! Continuando... Eu descobri que aquela garota que eu criei como uma princesa, não tinha parado de me afrontar depois que cresceu. Descobri pela boca dos outros que ela estava envolvida com você. [disse irritado]

R: O senhor foi um péssimo pai e... [tentou falar]

Russel: EU MANDEI VOCÊ FICAR CALADA! [gritou novamente] Então, garota estranha, eu não estou falando de paternidade. Estou falando de uma reputação que eu demorei uma vida inteira para construir. E eu tenho certeza de que agora a culpa é toda sua!

Rachel começava a chorar, tentando dirigir sem causar um acidente, morrendo de medo do que ele pretendia fazer.

Russel: Eu passei muito tempo afastado, tentando sobreviver à vergonha que Quinnie me fez passar. Mas eu cansei de viver na escuridão. E pra voltar à minha vida normal, eu não posso permitir que meu nome continue jogado na lama. Eu preciso que você saia de nossas vidas. Eu tenho que eliminar você do nosso caminho...

Rachel sentiu seu coração quase sair pela boca. Não conhecia esse pavor que lhe dominava. Pensou que tudo estava estranhamente perfeito. É claro que algo estragaria. Sua vida estava sendo boa demais para ser verdade...


Notas finais
Obrigada pelos vários comentários ao 1º capítulo! :)
Aqui vai o segundo. É uma prévia dos novos desafios que elas enfrentarão nessa segunda fase. :)
Por favor, comentem!
Beijos!