Você Sempre Esteve Em Mim (parte 2)
3 Capítulo 3 - Ultimato...
Notas iniciais
“Russel: Eu passei muito tempo afastado, tentando sobreviver à vergonha que Quinnie me fez passar. Mas eu cansei de viver na escuridão. E pra voltar à minha vida normal, eu não posso permitir que meu nome continue jogado na lama. Eu preciso que você saia de nossas vidas. Eu tenho que eliminar você do nosso caminho...
Rachel sentiu seu coração quase sair pela boca. Não conhecia esse pavor que lhe dominava. Pensou que tudo estava estranhamente perfeito. É claro que algo estragaria. Sua vida estava sendo boa demais para ser verdade...”
R: Pelo amor de Deus, me deixa ir! [chorava desesperada]
Russel: PARE O CARRO AGORA! [gritou]
A morena obedeceu. Não fazia ideia de onde estavam, mas não era tão deserto assim. Era uma rua normal, mas não sabia o quanto as pessoas que passassem poderiam ver através da película escura dos vidros do carro. Sentiu um estranho alívio quando pensou que ele não faria nada de grave com ela, pois se atirasse, por exemplo, as pessoas o veriam quando ele saísse do carro. Enganou-se ao pensar que previa o possível pior. Sentiu a mão pesada dele agarrar seu pescoço. Ele apertou e o ar começou a lhe escapar:
Russel: Não fale o nome de Deus em vão, sua pecadora! Você não tem esse direito! [disse entre dentes]
Ele apertava mais e Rachel se desesperava para tentar respirar. O som de seu celular começou a ressoar dentro do carro. Ele a soltou. Ela tossiu assustada e tentou sair do carro de novo, mas ele a segurou com mais força. O celular continuava tocando e a bolsa estava no banco de trás. Ela sabia que não atenderia...
Brittany estava estranhando a demora da morena. Já fazia um bom tempo que tinha recebido a mensagem. Ela não demoraria mais do que dez minutos para chegar até Juilliard. Já fazia mais de 30 minutos e ela não tinha chegado. Resolveu ligar para Santana:
S: Oi, meu amor! [atendeu derretida]
B: San, sabe da Rachel?
S: Ela vai te buscar.
B: Eu sei. Ela me mandou mensagem. Mas já passou muito tempo e ela não atende o celular.
S: Aquele “projeto de gente” vai me pagar! Eu disse a ela que não deixasse você esperando.
B: Relaxa, San! Eu só acho estranho.
S: Ela deve aparecer daqui a pouco. Se ela demorar mais, pegue um táxi que eu faço com que ela pague.
Rachel não sabia se Russel a teria soltado caso o celular não tivesse tocado. Ele a segurou com uma mão, enquanto com a outra buscou o celular da morena. Ao pegá-lo, sentiu seu ódio aumentar: a foto na tela era dela com Quinn. Ele desligou o aparelho.
Russel: Eu quero que você me escute bem... [disse enquanto sacava a arma da cintura, fazendo Rachel estremecer de pavor] Eu construí um império e o abandonei por vergonha. Eu passei muito tempo pagando pelo pecado da Quinnie. Eu não vou tolerar mais um. Eu vou recuperar meu lugar na minha cidade, na sociedade. E não vou aceitar os olhares de reprovação que tenho recebido. Eu ganhei muito dinheiro, mas precisei gastar muito também, para chegar onde cheguei. A Quinnie só está onde está por minha causa.
Rachel, atrevida, abriu a boca para falar, quando ele gritou de novo:
Russel: EU JÁ MANDEI VOCÊ FICAR CALADA! [ela se segurou, sem conseguir parar de chorar] Todo o dinheiro que mantém a Judy, Frannie e Quinnie é meu. Você está levando a minha menina para o mau caminho!
Quando ele engatilhou a arma, Rachel tentou abrir a porta e ele a segurou pelos cabelos, puxando com força:
Russel: Não queira provocar um homem furioso, garota! [disse com a voz ameaçadora]
O choro dela foi ficando ainda mais forte e ele voltou a mexer na arma. Frio, ele retirou o pente de munição. Estava vazio...
Russel: Veja só... Está sem balas. [mostrou a ela] Hoje, você vai voltar pra casa inteira. Mas eu não posso garantir que será assim da próxima vez... [ela se apavorou novamente] Você vai sair da vida da Quinnie. Afastar dela essa pouca vergonha que vocês chamam de namoro. Vocês estão desrespeitando Deus! Desafiando a igreja! [disse indignado] Eu vou ter minha filha de volta. Vou poder reconstruir minha família. Posso até aceitar a bastardinha. Não me importa como você fará isso. Eu só quero voltar a andar de cabeça erguida em Lima, como um cidadão respeitado com sua família. Nenhum homem sozinho tem o mesmo respeito de um homem chefe de família...
R: Seu preconceituoso asqueroso! [disse enraivecida]
Russel: Cale a boca, cantorinha! [ordenou, voltando a segurar em sua garganta] Eu não vou sujar minhas mãos com você. Você tem um mês, que é o tempo que pretendo levar para voltar para a minha casa... Um mês para acabar com essa palhaçada. Ou eu vou ser obrigado a acabar com você... E não fale nada disso para a Quinnie se você não quiser que outras pessoas paguem pelo seu pecado. Polícia? Nem pensar! E por mais que você se sinta segura porque não vai me ver nos lugares, saiba que não sou eu quem vai cuidar de você caso não cumpra o que eu estou mandando. Você não está mais segura em lugar nenhum! [ameaçou]
Ele deu um sorriso debochado e moveu-se para sair do carro:
Russel: Na próxima vez que você se encontrar com essa pistola, ela estará carregada. E quem estiver com ela não hesitará em usá-la.
R: Você não seria capaz de mandar me matar! Mesmo você, esse verme que é! [chorava, mas não conseguiu ficar calada]
Calmo, ele falou:
Russel: Você é um lixo! Não significa nada para mim. Então, acabar com você não me trará qualquer remorso... Será um favor para a humanidade. [levou o dedo indicador aos lábios e fez sinal de silêncio, para a morena ficar calada]
Rachel não acreditou quando o viu saindo do carro. Ela não parava de tremer. Não acreditava no que tinha acontecido. Russel era assunto morto. Não se falava nele, não se pensava nele. Era como se ele nunca tivesse existido. Quinn vivia muito bem sem ele em sua vida. Como esse homem apareceu assim do nada? Como ele a encontrou? A morena voltou a chorar. Sentiu seu pranto doer em seu corpo. Entendeu que a dor não era por isso. A cabeça doía pela força com que ele puxou seu cabelo. O pescoço doía pela força com que ele quase a estrangulou. Aquilo era surreal demais! Não sabia dizer quanto tempo tinha ficado ali parada, sem saber o que fazer. Ela simplesmente não sabia como se mover de novo. Estava paralisada de medo e surpresa. Sem pensar, ligou o carro e saiu dali, dirigindo sem rumo, chorando alto, soluçando sem parar.
S: Oi, amor! [atendia novamente]
B: San, o telefone da Rachel está desligado agora. Estou preocupada.
S: Calma, Brit! Deve ter descarregado e ela deve estar no trânsito. Pegue um táxi e venha, ok?!
B: Ok!
S: Eu te amo!
B: Eu também!
Santana não quis dizer, mas ela começava a se preocupar. Pegou o telefone pra ligar para Rachel e estava desligado. Não queria alarmar Quinn. Torcia para que fosse mesmo só o trânsito.
Brit chegou em casa, Blaine e Kurt também. Só faltavam Quinn e Rachel. Santana torcia para que a morena estivesse com ela. A loira chegou sozinha. Eram 18:30 e nada de Rachel, nem de seu celular. A morena devia ter pego Brit em Juilliard às 16 horas. Havia mais de duas horas e meia que ninguém conseguia falar com ela. A porta do 112 estava aberta quando Quinn tentava abrir a porta do 110. Santana chegou ao corredor:
S: Q, Você precisa... [começou a falar, temerosa]
Q: Eu preciso me apressar, S! [interrompeu] Marquei com a Rach às 19 h e só consegui chegar agora. Ela deve estar uma arara aí dentro. [dizia enquanto colocava a chave na fechadura]
S: Ela não está aí.
Q: Não? [estranhou olhando o relógio]
S: Quinn, não sabemos da Rachel. Ela mandou uma mensagem para a Brit, dizendo que estava indo buscá-la, mas não chegou lá. A Brit ligou para ela e ela não atendeu, até que o telefone foi desligado e está desligado até agora. [disse angustiada]
Q: Como assim? [preocupou-se]
S: Pensei em ligar pra polícia, mas me agarrei à possibilidade de vocês estarem juntas.
Quinn abriu a bolsa correndo e pegou o celular para ligar pra namorada. Caiu na caixa-postal. Tentou mais duas vezes e nada. Ligou para Amber e Nathan. Eles não sabiam dela... Resolveu ligar pra polícia:
Q: Alô... Eu queria falar sobre um desaparecimento! [dizia nervosa]
Policial: Adulto ou criança?
Q: Adulto! [respondeu rapidamente]
Policial: Está desaparecido há quanto tempo, senhora?
Q: Não sei... Duas horas, mais ou menos! [estava tremendo]
Policial: Senhora, precisa ser mais de 24 horas para considerarmos desaparecimento.
Q: Não! Eu não posso esperar isso tudo! [gritou ao telefone]
Policial: Senhora, estamos em Nova York. Duas horas é o tempo que muita gente passa no trânsito. Não podemos considerar que são todos desaparecidos.
Q: Como é que é? [perguntou indignada]
Policial: Se em 24 horas a pessoa não aparecer, volte a nos contactar que faremos a busca.
Quinn desligou o telefone sem acreditar. Voltou a ligar para o celular de Rachel e nada. Já estavam todos juntos na sala do 110, esperando por ela. Quinn decidiu sair e fazer o trajeto que ela faria para chegar em Juilliard, mas Santana não deixou. A loira ficou nervosa e discutiu com a amiga. Brit a acalmou...
Rachel não sabia como conseguia dirigir. O choro já tinha passado, mas continuava tremendo. Deu-se conta de que reconhecia aquele caminho que fazia e quando olhou o relógio do painel do carro, percebeu que tinha passado tempo demais dirigindo sem parar.
Já passava das 21 horas quando eles escutaram o barulho da fechadura. Quinn se levantou rapidamente e foi em direção à porta. Rachel entrou abatida. Não tinha como esconder a forma como se sentia e nem saberia justificar todo aquele tempo sem dar notícia.
Q: Rach? Onde você estava? [perguntou se aproximando dela]
Todo mundo se levantou e foi até elas. O rosto de Rachel entregava que ela havia chorado. E muito!
Q: Fala comigo, Rach! [ordenou, segurando seu rosto]
R: Sequestro relâmpago. [foi o que conseguiu inventar]
Q: O quê? Oh meu Deus! Você está bem? [perguntou extremamente preocupada]
Rachel não respondeu. Voltou a chorar. Quinn a abraçou. Ela se apertou no abraço da loira, como nunca tinha se apertado antes. Quinn sentiu que ela estava morrendo de medo. A morena tremia em seus braços.
S: Vou ligar pra polícia! [apressou-se]
R: NÃO! [gritou, separando-se de Quinn] Não! Ele me ameaçou e, mesmo assim, usava uma máscara. Eu não vou saber identificar e ele pode...
Q: Precisamos dizer à polícia, Rach! [interrompeu]
R: Não! Por favor, não! [insistiu assustada]
Q: O que ele fez com você? [perguntou angustiada]
R: Nada! Foi só susto. Não precisa de polícia. Eu vou ficar bem... [tentou dissimular]
Britt foi até ela e a abraçou forte. Kurt fez o mesmo. Quinn agradeceu aos amigos, mas pediu para ficar sozinha com ela. Quando todos saíram, a loira a levou para o banheiro e tirou a roupa dela. Rachel se deixava despir. Quinn observou o corpo da morena, procurando marcas que pudessem dizer mais do que ela queria falar. Respirou aliviada quando viu que tudo estava bem. Quase tudo... Havia a marca da mão do suposto bandido em seu pescoço.
Q: Ele machucou você? [perguntou calma, para não assustá-la]
R: Não. [mentiu] Ele só, perdeu a paciência e apertou meu pescoço. [respondeu baixinho]
Q: Rach, por favor, vamos à polícia! [pediu]
R: Não! Vamos deixar isso pra lá. Eu estou bem. Só quero esquecer isso... [disse agoniada]
Quinn a colocou embaixo do chuveiro e a acompanhou no banho. Manteve a água quente, como sabia que a morena gostava. Num determinado momento, ficaram abraçadas, enquanto a loira acariciava as costas da namorada. Rachel estava fragilizada e ela iria cuidar dela.
Após o banho, Quinn secou o cabelo da morena e deitou-se com ela. Rachel deitou no peito da loira e sentiu o carinho delicado em seus cabelos...
Q: Quer comer alguma coisa? [perguntou carinhosa]
R: Estou sem fome! [disse quase num sussurro]
Quinn se moveu e deslizou na cama, para ficar no mesmo nível da morena:
Q: Não se preocupe, meu amor! Eu não vou deixar nada de ruim te acontecer, certo? [Rachel apenas assentiu com a cabeça] Eu te amo... Te amo... Te amo... [repetiu baixinho sobre seus lábios, beijando-a com ternura]
Quinn era seu lugar seguro, ao mesmo tempo em que havia se tornado o motivo de toda a insegurança em que agora se encontrava... Ela era a salvação. E o perigo... E ela não sabia como lutar contra isso...
Notas finais
Esse é só o começo de todo o drama que acontecerá nessa fase. E esse não é o único. ;)
Mas não será só drama, ok?! Podem acalmar os corações! :)
Vamos ver como isso se desenrola...
Aguardo os comentários!
Beijos!
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