Você Sabia o Que Estava Por Vir
12 Capítulo XI - É... Talvez surpresas não sejam tão ruins assim...
Notas iniciais
Seja lá para onde estava indo, era longe, muuuito longe. Uma música da Rihanna tocava na rádio, enquanto seguíamos uma estrada passamos ao lado de uma casa em que o que não faltava era adolescente bêbado, por uma momento pensei que era para lá que íamos, mas ele passou direto sem nem olhar para o lado o que realmente me tranquilizou, a última coisa que queria era ir para uma dessas festas. Depois de um bom tempo no carro, enquanto conversávamos comecei a sentir o cheiro de maresia, agora como sentia o cheiro de mar se estava assim tão longe não me pergunte. Ele parou o carro no meio-fio de uma avenida pouco movimentada, desceu do carro e abriu a porta para mim:
–Chegamos! – Exclamou ele enquanto trancava o carro.
–E onde exatamente chegamos?
–Ah não me diga que ainda não sabe?!
–É eu... – Olhei em volta e observei novamente me garantindo se não havia algo enorme e chamativo no meio da avenida vazia. – Eu realmente não sei.
–Vem. – Disse ele enquanto me puxava para uma pequena rua que não chegava a ser uma ruela, que eu aparentemente não tinha avistado antes, ou seja, devia ter olhado 3 vezes para a avenida.
Em pouco tempo o asfalto era substituído por areia, se via alguns pontos verdes em meio a grande praia que se abria a minha frente, essa que era parcialmente bloqueada de minha visão por um grande píer de madeira que se alongava adentro do mar, logo abaixo do píer, com os pés enterrados na areia cinza, se encontrava uma mesa posta de jantar e duas cadeiras.
–Você é louco? – Perguntei quando percebi aquela mesa de jantar.
–Não! Pelo menos não louco mesmo, sabe, sou um pouco estranho, anormal, meio louco no sentido popular, mas não LOUCO.
–Então, você com certeza não está bem, imagina o trabalho!
–Não não, na verdade estou ótimo! E quanto a trabalho... Não foi tão trabalhoso, só foi um pouco difícil garantir que a mesa não ia cair, ou a comida, com o vento, por conta da areia ou o mar, mas sem ser isso, só os problemas com animais, areia na comida, não ser roubado e muito possivelmente me acharem doido por vir na praia com tudo isso e arrumar uma mesa embaixo do píer às 20:00, mas sem ser isso...
–Claro! Sem ser esses pequenos detalhes não é? Quase nada!
–Viu, você me entendeu.
–É... Você pode pensar assim se quiser.
Nós sentamos e comemos, bem na verdade nós mais conversamos.
–Me explica, por que não um restaurante? – Perguntei.
–Por que um restaurante é normal, vai me dizer que você iria preferir estar em um restaurante a aqui?
–É, ta certo, mas da mesma forma! Olha o trabalho que você teve!
–Eu não me preocupo muito com isso. Não acho que levar uma menina no restaurante, cinema ou seja lá onde. é bom, por que o menino vai levar crédito por simplesmente levar ela em um lugar onde qualquer um pode ir, agora eu fazer o ambiente, ser uma surpresa, isso faz toda diferença, por que eu sei que eu me esforcei, eu sei que eu fiz alguma coisa sem ser somente dirigir, eu fiz algo que vai surpreendê-la e fazê-la sentir todo o valor que tem. – Ele falava olhando em meus olhos e não pude controlar ficar vermelha, não que eu consiga, enfim, você entendeu.
–Aah... – Eu realmente não fazia ideia do que falar, não ia chegar e falar que ele é fofo, não é muito minha cara... Então, dar uma de idiota monossilábica pareceu o melhor para o momento.
Começamos a comer e quando terminamos fomos andar no píer, o qual antes estávamos jantando logo abaixo (não irei me acostumar com isso). O píer formava um grande T, no final haviam duas plataformas flutuantes, fomos para uma delas observar os peixes mais de perto.
–Então Douglas, depois de me dar conta de que não sabia sua idade decidi que farei mais perguntas para você. – Disse me virando para ele.
–Então será tipo um talk show?
–Pode se dizer que sim.
–Tudo bem, mas com uma condição.
–E qual seria essa?
–Que eu também possa fazer perguntas.
–Tuudo bem! Pode começar.
–Renata... – Começou ele com voz de apresentador. – Espera! Preciso saber seu sobrenome para fazer a pergunta.
–Ok, mas você perderá sua vez, já que fez uma pergunta.
–Tudo bem, eu aceito esse risco, Então... – Disse ele voltando ao tom de apresentador de programa de Tv. – Renata, qual o seu sobrenome?
–Russo.
–Renata Russo?
–Isso mesmo, pode fazer piada, estou acostumada, quero ver se você tem alguma nova.
–Mas é claro que o sol vai voltar amanhã mais uma vez eu sei. – Cantou ele, impressionantemente ele cantava muuito bem. – Escuridão já vi pior, de endoidecer gente sã, espera que o sol já vem.
–Ook. Essa é nova. – Falei ainda impressionada com sua voz. – Douglas, o que está fazendo no momento? Me refiro a trabalhar, estudar.
–Estou na faculdade, música.
–Sério?
–Sim.
–Aah que legal! E você toca algum instrumento?
–Sim, violão, guitarra, bateria, teclados, violino e estou aprendendo baixo.
–Ah claro! – Aquele momento “In Your Face”.
–Ah e eu canto um pouquinho.
–Entendi... Essas pessoas com talento sobrando... Você poderia me dar um pouco? – Pedi.
–É acho meio difícil, mas assim que descobrir como te falo e nós dividimos.
–Muito obrigado.
–Mas e então Renata Russo, o que fez uma estudante se mudar logo no último ano?
–O emprego da mãe!
–Aah!
–Qual o seu sobrenome? – Perguntei mantendo a voz de apresentadora.
–Agliardi.
–Não sou muito boa com idiomas, mas acho que isso é italiano.
–Acertou!
–E então Renata, eu quero muito mesmo outro beijo seu... Será que você me impediria?
Ele começou a se aproximar e após um longo tempo eu disse:
–Tempo esgotado! Próxima pergunta.
Ele não pareceu achar isso um impedimento.
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