Você Sabia o Que Estava Por Vir
13 Capítulo XII - Aquela simples fra... Peraí! O que?
Notas iniciais
Acordei antes mesmo de meu despertador tocar, tinha acordado de bom-humor sem nenhum aparente motivo (Não você ai pensando coisas erradas, com certeza meu bom-humor não tinha relações com acontecimentos do dia anterior), me levantei, tomei meu banho, fiz minha rotina e fiz meu caminho matinal, mas dessa vez parei na padaria, não tinha tomado café, então peguei dois mini croissant e meu Toddynho, me sentei na mesma mesa de segunda-feira, só então me dei conta de tudo que tinha acontecido nesse pequeno período de tempo, pequeno é pouco, esse era meu quinto dia na cidade e quarto dia na escola e o que estava acontecendo comigo nunca tinha dado nem sombra de algum dia acontecer.
Depois de comer, quanto já estava saindo acabei trombando com um menino alto e loiro, ele me encarou com raiva e abriu a boca para falar algo, mas antes de qualquer palavra sair de sua boca Henri o impediu:
–Trent! Calma, lembra? – Então esse era o Trent me lembro parcialmente de ele ser o menino mais imbecil na face da terra. Pera ai! Só agora me dei conta, o que ouvi foi real?
Trent revirou os olhos e continuou andando, percebi que todos os Ken (só eu que considero isso um pouco estranho? Do tipo meio gay?) estavam me olhando e o olhar do, acho que, Gabriel me intrigou, não sabia dizer exatamente o que aquilo significava, o que eu geralmente percebo fácil, era como se estivesse me julgando com o olhar, como se risse de mim, mas não do que ele tenha pensado sobre mim, do que tenha visto, de algum defeito, da mesma forma que parecia transmitir um pouco de pena, não sei se essa palavra, talvez compaixão?
Bem, ignorei aquilo e continuei meu caminho para escola, minha primeira aula seria filosofia, não conhecia o professor ainda, quando cheguei não achei nenhuma Daniella gritando, o que com toda certeza ela iria fazer, vendo que ontem ela teve um encontro, fui para meu armário, peguei meu material e fui para a aula.
O dia passou rápido, quando me dei conta já era hora do almoço. Depois de encontrar com a Dani, que pelo que ouvi (e acredite ouvi muito) o encontro dela foi perfeito e todo o blah blah blah, fui para a biblioteca devolver meu livro. O dia estava mais normal do que eu estou acostumada, e eu não estou reclamando, realmente amo o normal, mas claro, minha vida não tem nada de normal. Fui para meu armário pegar o material para a próxima aula, quando o fecho dou um pequeno pulo de surpresa/susto.
–Hey! – Exclamou Henrique.
–Oi, você poderia aparecer sem me assustar?
–Am... – Ele pareceu pensar no assunto e continuou. – Não, essa é a graça. Eai tudo bem?
–Tuudo...
–Não vai perguntar se estou bem?
–Am... – Imitei a cara que ele antes tinha feito. – Não, mas então, eu tenho aula daqui a pouco, você poderia pular essa parte e dizer logo o que você quer?
–Entendi, uma menina ocupada?
–Fala logo Henrique, o que você quer?
–Sabe, a ideia inicial era eu falar não sendo pressionado, mas já que insiste, eu vim pedir desculpa.
–Sobre o que exatamente?
–Sobre a forma como terminei com você.
Então... Eu não ia contar isso para você, mas já que o infeliz tocou no assunto... Agora ficou um pouco mais difícil de esconder, é... É que assim, primeiramente entenda que eu não te enganei, eu realmente tento o máximo que posso excluir algo da minha mente, portanto, aquilo não tinha acontecido para mim, ou seja, não iria contar a vocês algo que nunca existiu não é mesmo? Estou certa, mas voltando, da forma que contei antes pareceu que o término veio naturalmente, o que iria acontecer, por isso optei por essa versão para colocar em minha cabeça. Ok! Eu tenho que parar de enrolar quando não quero contar algo.
Vamos lá, flashback agora. Para começo de conversa eu era aquela menina que ninguém sabe o nome, que ninguém ouve a voz, poucas pessoas sabiam que eu realmente existia, provavelmente quem sabia era somente por conta da chamada, e ele era o menino que falava com todos, não era O menino, aquele que todos amavam, não, isso não, ele só era... Ele? Bem, todos sabiam quem era, poucos realmente conheciam. Então ele virou meu amigo, e o resto da história você sabe, essa parte é verdade, nós realmente nos tornamos o casal do colégio, muitos só então passaram a me ver. Em uma festa de aniversário de uma amiga ele me contou que iria se mudar (nesse tempo Never Gonna Leave This Bed estava tocando, por isso nossa música, não fomos um casal convencional no qual geralmente a música do casal é aquela que tocou quando se conheceram ou beijaram ou até que combine com a história do mesmo, na verdade acabo de perceber que a música nunca fez tanto sentido quanto faz agora, quando tiver um tempo veja a tradução, é liiinda e o vídeo também, ok vou parar com a propaganda), então sem falar ou planejar decidimos que iríamos continuar juntos até quando fosse possível. Se continuasse assim não seria perfeito? Será que se tivéssemos planejado, se ele realmente seguisse o combinado ele teria que pedir desculpas? Acho que não. Três noites antes de ele viajar ele me mandou uma mensagem, uma simples frase, três palavras.
Nós vamos terminar.
Eu, é claro, pensei que ele se referia ao óbvio, que ele iria se mudar, que não iríamos nos ver mais, então respondi:
Eu sei que vamos, mas você só vai viajar daqui a três dias. Nós podemos continuar e aproveitar esses últimos.
Ganho como resposta algo doloroso, a sólida verdade.
Você não entendeu não é garota? Nunca sequer existiu NÓS! Tudo aquilo foi somente uma brincadeira, você realmente achou que EU iria me interessar por VOCÊ? Achou mesmo que só havia você? Ou você via, mas não queria enxergar ? Você é cega garota. Manipulável como uma boneca.
Não posso dizer que chorei, por alguma razão, por mais que tentasse lágrimas não escorriam, eu não estava triste, não era esse o sentimento que me preenchia naquela hora, estava com raiva, ódio de mim mesma por me permitir acreditar naquilo tudo, raiva de simplesmente ser tão ingénua, depois disso não me permiti apaixonar, virei pedra, aquele sentimento não voltaria a circular pelo meu sangue tão cedo, com o tempo é claro melhorei um pouco, tive outros namorados? Sim, mas por nenhum abri meu coração. Mudei muito, depois daquilo eu realmente me mudei, e agora sou o que me transformei, melhorei bastante no quesito sentimento, devo admitir.
E sei que parece que menti para você, mas foi melhor para mim manter aquele imagem dele, manter o que ele foi para mim, mesmo depois de tudo pelo que passei, pelo tanto que mudei por causa dele, se bem que não posso dizer que mudei, continuei “eu”, só mostrei mais quem eu era, portanto, quando vi ele aqui ele realmente não era o mesmo que eu conhecia.
Voltando para o presente e esquecendo tudo isso que eu acabei de contar, nada nunca aconteceu...
–E por que se desculpar? Não estou entendo. – Falei.
–Ah! Já entendi. – Ele disse. – O lance de nada nunca aconteceu?
–Vendo que não sei do que você esta falando, com certeza, seja lá do que você fala, nunca aconteceu.
–Saquei... Mas quando você encontrar quem sabe do que estou falando pedi para ela entender que eu fui um retardado imbecil, que na verdade ainda estou tentando melhorar, estou tentando e espero estar progredindo, peça para ela pensar no assunto e tentar entender que eu era uma criança imbecil e que é para ela me ligar para eu conseguir explicar tudo melhor.
–Pode deixar... Se eu encontrar ela eu falo.
E fui para minha sala, teria aula de português não poderia me atrasar.
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