Você De Novo?

20 Virando o Jogo


Notas iniciais
Meu deus, meninas, mil desculpas. Eu fui retardada o suficiente para tentar postar o capítulo antes, e até achei que tinha postado! Eu fiquei esperando por reviews e quando não recebi nenhum, eu reparei que não tinha ido o capítulo! x.x Fui retardada o suficiente para perceber isso com um dia de atraso! hahahahahha! Bom, eu fiz um video do trailer do livro, e bem... Peguem leve porque está super amador, já que foi o primeiro que eu fiz! Pra quem quiser cegar, segue o link: https://www.youtube.com/watch?v=LbqdUxBW8CI&feature=youtu.be Aqui vai também mais um capítulo, e eu espero que vá mesmo! hahahahah! Boa leitura!

Nova Moradia –Washington DC – Dia 54

Eu não sabia o que esperar sobre aquele “encontro” marcado. Eu havia passado o dia inteiro em pânico, ouvindo Christian me dizer o tanto em que eu era sortuda por sair com James, por mais que ambos soubéssemos que não era para valer. Felly e o ruivo, por alguma razão, acharam que não seria necessário dar-me conselhos sobre o assunto e por essa razão eu estava cem por cento, sozinha quanto ao assunto. Minhas mãos eram trêmulas quando eu escolhia por alguma roupa em meu armário. Eu havia decidido que por mais que eu não quisesse nada com James, o mais justo seria levar aquela noite a sério e fazer dela algo divertido. Vesti uma blusa de cor branca de botões junto de uma saia de cintura alta preta, não muito colada que tinha, que pareceu simples e elegante ao mesmo tempo com as sapatilhas que calcei. Eu não me arrumava daquela forma havia um tempo já que meus destinos geralmente eram a casa de Felicity e a minha, coisa que não requisitava por boas vestes.

Eu havia feito cachos em meus cabelos naquela noite. Os cachos caíam pesados pelos meus ombros de forma com que meus cabelos pareciam mais brilhantes, e meus olhos azuis haviam sido delineados com um lápis de cor preta não muito forte, mas que deixava a sua cor mais destacada. Meus lábios haviam sido pintados em um vermelho não muito forte, quase discreto, e com um último olhar no espelho, encontrei o relógio que marcava oito horas. No meu espelho havia um bilhete que havia anotado, lembrando que teria psicóloga depois da escola na segunda feira e prendi a respiração nada contente com a ideia. Eu não queria começar nas aulas tão cedo... Só o pensamento me dava enjoo.

Ouvi o barulho de carro do lado de fora e apressada agarrei a minha bolsa, deixando o quarto em direção a escada. A minha família se preparava para o jantar, e eu não tinha certeza se havia os avisado que estava de saída, porque assim que apareci, todos os olhos caíram em mim.

–Onde você vai?

Perguntou o meu pai, provavelmente assustado pelo fato de eu finalmente ter tirado um dia para me arrumar. Engoli em seco enquanto abria um sorrisinho. Tentei ignorar os olhos azuis curiosos de Nicholas sobre mim.

–Me desculpe, pai... –Falei levando a mão a testa, parecendo arrependida. –Eu esqueci completamente de te avisar. Eu vou sair com um amigo hoje a noite...

–Mas Sidney... Quem é o rapaz? Um amigo? Pensei que pudéssemos jantar em família hoje.

Abri a boca para responder, mas por um momento o som não saiu da minha boca. Nicholas me observava, sim e não parecia muito feliz, mas mais uma vez não pareceu enciumado. Ele apenas olhava para o prato como se não quisesse voltar os olhos para mim. Por um momento eu me senti ridícula e quis voltar para o meu quarto e simplesmente desistir de tudo, apenas me sentar e comer com um olhar de vergonha na face, mas como eu nunca iria imaginar, a voz menos esperada possível, soou em minha defesa.

–O quê? Olha como ela está linda! –Sorriu Jessica caminhando ao lado do meu pai. –Robert, pelo amor de Deus. Sidney é grandinha o suficiente para decidir com quem sai, creio eu. Deixe com que ela vá se divertir. Podemos jantar em família todos os outros dias da semana. Afinal, é sábado!

–Huh... É...

Abri um sorriso para Jessica em agradecimento enquanto o meu pai parecia confuso. Antes que ele pudesse recuperar o raciocínio para me fazer ficar, corri para lhe dar um beijo na bochecha e em seguida acenei para Jessica. Nicholas não olhava para mim, então não pude lhe dar um tchau descente.

–Eu prometo que não volto depois da meia noite! Até mais!

–Meia noite? –Perguntou papai alarmado. –Sidney!

Parei ao ouvir o meu nome. Abri um sorriso, dando uma risadinha.

–Onze horas.

Falei, papai estreitou os olhos.

–Nove.

–Dez.

Fechou Jessica fazendo-me olha-la mais uma vez com um sorriso. Quando ela havia se tornado uma pessoa não tão desagradável? Papai soltou um suspiro relutante enquanto eu mandava um beijo para todos e apressava corria para fora da casa, encontrando finalmente o carro do loiro ligado, porém pude reconhecer a silhueta encostada contra a porta, de braços cruzados e me abrindo um sorriso. Tive que morder o lábio.

James, como sempre, estava extremamente bonito. Seus cabelos loiros estavam atrapalhados, mas apenas de forma rebelde e não desleixada. Ele usava uma camisa branca gola V e uma jaqueta de couro que com os seus jeans me deu uma visão maravilhosa de um anti-Nicholas. Enquanto o meu irmão era o garoto que andava arrumado, engomado e com roupas caras, James era o rico rebelde, de jaqueta de couro e estilo bad boy que eu apostava que agradava muitas garotas. Eu não tinha sentimentos pelo loiro ou coisa do tipo, mas até eu poderia admitir que ele estava extremamente atraente naquela noite. Me abriu um sorriso assim que me aproximei.

–Olá, Texas... –Sorriu olhando-me por um momento. –Você está incrivelmente bonita essa noite.

–Que cavalheiro da sua parte dizer isso. –Respondi em um exagerado tom cortes em brincadeira, assim como o dele. –Eu posso dizer o mesmo do senhor.

–Grato...

Falou o menino pegando a minha mão e delicadamente depositando um beijo em suas costas. Abri um sorriso com um gesto enquanto ele deixava escapar uma risada. Abriu a porta para que eu pudesse entrar. Agradeci enquanto me sentava no banco do passageiro e o via se sentar no banco do motorista. Rezei a cada segundo para que Nicholas aparecesse na janela e nos visse, mas infelizmente, não aconteceu. Eu não estava com sorte.

James ligou o carro então a música começou a soar. Música que eu conhecia, música boa. People are Strange tinha um ritmo calmo e gostoso, coisa que achei estranho para o loiro escutar, não que eu duvidasse que ele apreciasse um bom rock n roll.

–The doors...

Comentei. O loiro abriu um sorriso enquanto o carro entrava em movimento.

–Gosta da banda?

–Eles são muito bons.

Concordei, fazendo-o assentir. James ergueu a mão tocando o botão enquanto trocava algumas músicas. Tinha um sorriso estampado na face.

–Vamos ver os seus gostos musicais, Texas. Me diga o que te agrada.

Meus ouvidos foram inundados por doces solos de guitarras e vozes que eu conhecia. James colocou a primeira música que só pela pequena intro conhecida eu já reconheci. Um sorriso se formou em meu rosto, quando falei com certeza.

–Come As You Are, Nirvana.

O loiro assentiu, com um sorriso divertido enquanto trocava a música.

–Essa foi fácil. Deixe-me ver...

Mais uma vez o som trocou e eu reconheci a melodia de primeira. Olhei para o loiro, erguendo uma sobrancelha em tom desafiador.

–Crazy Train, Ozzy Osbourne.

Falei. James assentiu mais uma vez.

–Boa. E essa?

Eu demorei um pouco para reconhecer com o ritmo inicial. Eu sabia que era do The Rolling Stones, mas eu não conseguia me lembrar do nome da música de jeito nenhum. Escutei a voz soar e com um clique minha mente agarrou o título.Sorri.

–Paint it Black, The Rolling Stones. -James abriu um sorriso, apertando o botão de novo. –Love me Do, The Beatles. –Mais uma vez. –Chop Suey! Sistem of a Down. – De novo. –Living on a Prayer, Bon Jovi.

–Moça... –A voz de James soou um tanto impressionada enquanto ele me abria um sorriso um tanto que orgulhoso. Tive que sorrir também, em tom orgulhoso quanto ao ato. –Se case comigo.

–Ou, ou, ou. –Ergui as mãos em rendição. –Muito cedo. Acho que estamos indo rápido demais.

James me olhou de canto e uma risada escapou dos seus lábios. Meus olhos estavam distraídos na rodovia que passava rápida sob as rodas do carro. James resolveu deixar a música do Bon Jovi, abaixando um pouco para que eu pudesse o escutar.

–Está com fome ou quer ir para o cinema primeiro?

–Sempre podemos comer pipoca.

Respondi com um sorriso. James assentiu, como se mais uma vez eu tivesse dito algo que lhe agradou.

–Podemos sempre matar dois problemas com um tapa só. Ok, Texas. Hoje a noite, você é quem manda.

–Me parece bom...

Sorri em um tom um tanto que desafiador. James assentiu olhando-me por um momento. Percebi certo tom de humor naqueles olhos azuis.

–Sim, é. Não ouse se acostumar.

(...)

–Você é mais inteligente que isso, Texas. –James ria enquanto eu tentava adivinhar a droga da charada na trívia do cinema. Eu não entendia a razão de termos pequenos quizzes antes do filme, mas era interessante. James parecia se divertir com a minha dificuldade. –Vamos lá. Quem é o ator que interpreta o Homem de Ferro?

–Pra você deve ser ridiculamente fácil já que é tão viciado em quadrinhos! –Dei risada um tanto encucada com a pergunta. –Eu não sei nada sobre super-heróis.

Assim que terminei minha frase os olhos de James se arregalaram em minha direção, como se eu tivesse acabado de chutar um filhote de cachorro ou algo do tipo. Franzi a testa um tanto confusa, enquanto o via balançar a cabeça em desaprovação. Fiz força para não rir.

–Você não disse isso! –Sorriu, roubando um gole do meu refrigerante. –Vamos ter que tirar um dia para eu te ensinar tudo o que sei sobre quadrinhos.

–Parece bom.

Sorri, recebendo um dele em troca. Era engraçadíssimo como James era o capitão do time de futebol, músico e tinha ainda uma paixão infantil por super-heróis. Uma coisa que eu admirava no loiro era que ele parecia ser cem por cento natural. Ele parecia não esconder quem realmente era e aquilo me invejava. Ele não tinha medo do que os outros pensavam sobre ele e se dava muito bem com isso. Todos o adoravam. James era um super-homem de cabelos loiros. Só faltava poder voar. Eu ainda me surpreendia quando pensava em como ele e Callie dariam um casal perfeito.

As luzes se apagaram e o filme começou. Decidimos por fim assistir Frozen, o filme animado da Disney, o qual achei totalmente irônico ele ter topado assistir. James insistia em roubar minha pipoca no meio do filme, mas achei engraçado. Era minha porque eu chamava de minha, ele havia pagado. Joguei alguns grãos sobre ele e gargalhamos juntos em algumas cenas, mais do que algumas crianças que estavam ali. James e eu assistíamos o filme com sorrisos no rosto e em um momento, quando Anna conversava com o rapaz que havia acabado de conhecer para leva-la até Elsa, os olhos de James se encontraram aos meus. Abri um sorriso para ele e percebi seus olhos caírem em direção aos meus lábios, enquanto ele delicadamente colocava uma das mãos em minha face, observando-me com um sorriso. Eu não fugi quando o garoto uniu nossos lábios em um beijo. O beijo de James era doce e romântico, coisa que me surpreendeu mais do que nunca. Era totalmente diferente do de Nicholas, mas aquele foi um dos melhores beijos que já dei. Assim que nossos lábios se desgrudaram, o loiro abriu um sorriso e subiu o suporte de copos que nos separavam, passando o braço sobre meus ombros em um meio abraço. Usei do movimento para apoiar a cabeça em seu ombro, enquanto ríamos mais uma vez com a cena de Olaff, o boneco de neve cantando. Os olhos do loiro caíram em mim mais uma vez.

–Ai, ai Texas. Que furada me chamar para passar um tempo com você.

Abri um sorriso e assenti, enquanto erguia o rosto para beija-lo mais uma vez. Eu me sentia mal fazendo aquilo, ainda mais porque não sentia nada quando o beijava, mas saber que ele também não sentia, fazia com que eu me sentisse um pouco menos maligna. Desgrudei nossos olhos, lhe dando uma piscadela.

–Eu? Uma furada? Essa é a minha melhor qualidade.

O filme acabou pouco depois e eu me senti triste por isso. Aquele definitivamente era o melhor filme de animação da Disney. Eu havia quase chorado na parte em que Anna foi congelada e isso bastou para que James fosse o caminho todo de volta para casa tirando sarro de mim. Eu não me importava. Eu me divertia com o seu jeito irritante e eu até achava que aquele era um charme. James era um grande amigo... Digo, um grande... Seja lá o que ele fosse meu.

O carro preto parou na porta de casa e ainda haviam algumas luzes acesas. Nós ainda dávamos risadas enquanto o rock tocava e eu nunca havia imaginado em toda a minha vida que eu me divertiria tanto assim com ele em um dia. Eu sabia que ele era divertido, mas aquele... Encontro... havia sido muito bom. Por um momento senti medo de que quando eu terminasse com James, terminaria também com a nossa amizade. Mas não... Ele era galinha. Eu sabia que ele havia saído comigo pelo puro gosto de se vingar de Nicholas, e é obvio que isso não me incomodava.

–Eu não acredito! Eu posso apostar que nós gostamos do filme mais do que as crianças.

–Não que tinham muitas crianças... –Dei risada. –Mas sim! Acho que éramos as pessoas que riam mais.

James ria enquanto conversávamos indignados por termos gostado tanto assim de um filme infantil, o loiro assentiu.

–Com certeza. A juventude de hoje é sem graça.

–Nem me fale.

Pisquei enquanto avançava em seus lábios para mais um beijo. James puxou-me para perto pousando suas mãos em minha cintura e me apertando em seus braços. Um sorriso surgiu em seu rosto assim que nossos lábios se desgrudaram.

–Eu vou te levar até a porta.

Não foi bem uma pergunta, então não protestei. Saí do carro e me surpreendi ao ver que o loiro agarrou a minha mão. Caminhamos de mãos dadas até a entrada da casa e por um momento eu rezava que Nicholas estivesse olhando da janela para ver aquela cena. Prendi a respiração enquanto olhava pelo vidro, mas nem um sinal de movimento se apresentou. O loiro mais uma vez olhou-me nos olhos quando paramos ao lado da porta. Abri um sorriso diante dos olhos azuis.

–Foi uma noite divertida. Eu adorei. Obrigada.

Falei, fazendo-o assentir. O garoto enfiou as duas mãos nos bolsos da calça, parecendo um pouco sem jeito, coisa que achei estranho. Eu sabia que James já esteve milhares de vezes naquela situação com outras garotas. Meus olhos não deixavam a porta, na esperança de alguém aparecer.

–O bizarro é que eu me diverti muito também.

Tive que sorri. O loiro mais uma vez pousou as mãos em minha cintura e eu vi seus lábios se aproximando dos meus. Estávamos muito perto de um beijo quando a porta da casa se abriu e com ela meu coração bateu a mil. Meus olhos caíram decepcionados quando foi Bryan quem deixou o local. Seus olhos caíram sobre mim e James e por um momento eu vi um híbrido de confusão e surpresa. Ele não pareceu muito contente em ver o meu acompanhante, por isso seus olhos caíram se jeito, sobre mim.

–Huh... Sidney!

–Oi Bryan. –Falei com um sorrisinho enquanto James soltava a minha cintura. –O que faz aqui?

–Eu estava com Nicholas. –Falou, encarado James com uma expressão não muito boa. Limpou a garganta. –Já estou de saída.

–Ah! –Sorri, um tanto sem graça. –E... Onde está ele?

–No quarto dele. –Falou estreitando os olhos. –Eu... Tenho que ir.

Falou, abrindo-me um sorriso e mais uma vez encarando James antes de se retirar em direção ao carro estacionado que não havia reparado antes. Meus olhos caíram em James e ele ergueu uma sobrancelha. Um sorriso irônico se mostrou em seu rosto.

–Eu acho que vamos frequentar a minha casa. Algo me diz que não sou muito bem-vindo aqui.

–Pare com isso... –Falei com um sorriso, mesmo sabendo que estava mentindo. –Você não quer entrar?

Perguntei totalmente esperançosa. Se eu entrasse com James, Nicholas nos veria e aí as coisas ficariam feias. Eu poderia até levar o garoto para o meu quarto, mas é claro que tínhamos que passar pelo de Nicholas que era caminho. Minha mente bolava mil planos, mas a resposta de James foi a última que imaginei.

–Acho melhor não. Já está tarde...

Meu queixo caiu. O que? Franzi a testa observando o garoto imaginando por um momento o que estava errado. Não que eu fosse dormir com ele no primeiro encontro, ainda mais porque não gostava dele, mas fazê-lo pensar que sim deveria ser motivo o suficiente para fazê-lo entrar. Nicholas iria nos parar no caminho... Mas por que ele estava negando? Aquele não me parecia muito o James mulherengo que eu conhecia.

–Huh... Tem certeza? –Perguntei franzindo a testa. –Eu realmente não estou com sono. Você poderia me fazer companhia.

–Ei Texas... –O sorriso do garoto se alargou na medida em que ele me apertava em seus braços. –Você é uma menina linda, eu daria tudo para passar uma noite contigo, mas não faça isso.

–O quê?

Perguntei confusa. James sorriu.

–Eu sempre admirei o respeito que você tem por si mesma. –Comentou. –Nunca te vi com ninguém aqui, não é uma menina fácil. Não arruíne isso.

Mais uma vez o meu queixo caiu, mas não me senti irritada. Eu sempre tive muito respeito por mim, mas em pensar que James reparou uma mudança nisso, fez com que eu me sentisse envergonhada. O que eu estava fazendo? Eu estava saindo com um garoto só porque queria fazer o meu irmão com ciúmes. Estava me vendendo a esse ponto? Só porque eu suspeitava que um cara me usava por sexo? O certo seria terminar com Nicholas de uma vez por todas. O que eu havia me tornado. Baixei a cabeça, assentindo.

–Você tem razão, James. –Sorri. –Me desculpe.

Ia me virar para sair, mas os braços do garoto me puxaram para mais perto, mostrando-me um sorriso bobo naquela face tão bonita. James colocou uma mecha do meu cabelo para trás da orelha e mais uma vez seus lábios tocaram os meus. Correspondi o beijo com vontade, sentindo o aperto em minha cintura. Os olhos azuis fitaram fundo os meus.

–Ei, não pense que se livrou tão fácil de mim, Texas. Eu quero sair com você de novo. –Sorriu. –Vai fazer algo amanhã?

Parei por um momento o observando. Balancei a cabeça negativamente, por fim.

–Não que eu saiba.

–Faremos assim... –Começou. –Eu te ligo pela manhã e você me diz se quer fazer alguma coisa.

Ergui uma sobrancelha com um olhar brincalhão. James retribuiu só esperando o tipo de brincadeira que sairia pela minha boca.

–Aposto que você é um daqueles caras que dizem que vai ligar, mas nunca ligam.

James deu uma risadinha e assentiu, dando-me uma piscadela.

–Com certeza. Não espere acordada.

–Não irei.

Respondi, sendo interrompida mais uma vez pelos lábios do garoto que tomaram os meus. James se afastou, acenando enquanto caminhava em direção ao seu carro. Assisti que ele entrasse para que eu passasse pela porta e ouvisse o barulho do motor se afastar. Soltei um longo suspiro sentindo-me pesada por toda aquela noite. Havia sido incrível, mas eu ainda me odiava por fazer o que estava fazendo. “Eu sempre admirei o respeito que você tem por si mesma” ele disse... James, eu sinto falta de quando eu me admirava por esse motivo.

Subi as escadas de forma impotente e me arrastei pelo corredor em direção ao meu quarto. Meus olhos pararam na forma do garoto que estava de costas para mim, observando algumas fotos que havia colocado em minha estante, com meus amigos do Texas, e é claro, meus amigos dali. A foto que Nicholas olhava naquele momento era uma em que eu abraçava a minha mãe, do lado de uma que eu havia tirado no churrasco com todas aquelas pessoas da escola rival. Ao ouvir os meus passos, o garoto pareceu se assustar, e olhou para mim um pouco sem jeito quando me aproximei. Cruzei os braços, cansada, e não muito feliz por vê-lo em meu quarto sem permissão, mas nem me incomodei em falar.

–Sidney... Finalmente chegou. -Assenti enquanto me sentava em minha cama, soltando um longo suspiro. Um sorriso surgiu no rosto do meu irmão. –Acho que alguém não teve um encontro muito bom.

Comentou, fazendo-me balançar a cabeça negativamente. Fechei os olhos.

–Foi ótimo, Nicholas.

Meu irmão piscou algumas vezes, olhando-me um tanto surpreso e preocupado. Ele se sentou ao meu lado na cama, observando-me calmamente, como se eu fosse uma bomba perto a explodir. Estreitou os olhos.

–Por que essa cara então?

–Eu estou cansada...

–Cansada de que?

Perguntou, olhei para ele, séria.

–Da gente.

A expressão do meu irmão mudou de tom imediatamente. Nicholas mudou de posição, desconfortável, olhando-me em tom cuidadoso. Engoliu em seco.

–Explique-se.

–Eu estou cansada de tudo isso. –Desabafei, jogando os braços para cima. –Nós, eles, o mundo! Isso é tão errado...

–Ei! –Meu irmão chamou, puxando-me para perto, de forma que nossas testas ficassem coladas. –Pensei que já tínhamos conversado sobre isso.

–Não. –Grunhi, empurrando-o e me colocando de pé. Meu irmão se levantou também, mas não se moveu. –Eu cansei Nicholas. Eu não quero mais que tenhamos algo. Eu não quero mais viver o que estamos vivendo. Eu sinto tanta coisa por você... Mas eu não quero mais. Eu quero superar.

–Pare Sidney. –Nicholas, olhou-me completamente preocupado. –O que está acontecendo? Quem é esse cara com quem saiu hoje? Está apaixonada por ele?

Meus olhos caíram em Nicholas tentando achar algum tipo de fraqueza em seus olhos, algum tipo de ciúmes, mas tudo o que ele parecia era triste. Como se tivesse perdido o peixinho, e não um amor. Segurei o pensamento em meu peito que me machucava como facas. Nicholas não me amava e isso me machucava! Ele sabia que eu o amava e isso dava a ele tanta segurança, que me irritava profundamente. Eu queria que ele sentisse a dor que eu sentia. Eu queria que ele sofresse, mesmo sabendo que seria impossível já que ele não tinha metade do sentimento por mim. Bati o pé, completamente irritada. Olhei fria para Nicholas escolhendo bem cada palavra. Eu queria machuca-lo.

–Sim, eu conheci alguém e me apaixonei. –Menti. –Eu não te amo mais.

Meu irmão piscou algumas vezes, me observando. Era impossível ler a sua face e aquilo me irritava. Ele assentiu.

–Certo... Quando?

–Faz tempo. –Falei. –É por isso que venho fugindo de você. Eu não quero mais você, Nicholas. Eu achei alguém melhor.

Meu irmão piscou algumas vezes, arregalando os olhos como se achasse impossível o fato de eu ter achado alguém mais perfeito que ele. Ele me olhou um tanto surpreso enquanto eu caminhava de um lado para o outro do quarto.

–Então é isso? –Falou simplesmente. –Para desapaixonar é mais fácil?

Meus olhos caíram nos dele, mas não houveram trocas de palavras. Nicholas estava imóvel, como pedra, mas eu não via resquícios de dor em sua face. Cobri o rosto com as mãos e soltei um longo suspiro. Engoli em seco, me virando de costas para o garoto quando soltei as palavras.

–Vá embora Nicholas. Tudo o que fizemos foi um erro.

Ouvi um suspiro, mas nenhuma reação além disso. Eu recusei a me virar e um tempo depois, consegui escutar as palavras que arrancaram a minha alma:

–Tudo bem... Se é isso o que você quer... Até amanhã, Sidney.

E então a porta bateu delicadamente atrás de mim, dando a deixa para que eu deixasse as lágrimas rolarem por meu rosto. O que eu fiz? Joguei-me contra o travesseiro e comecei a soluçar. Soluçar porque eu sabia que Nicholas não gostava de mim, soluçar porque eu havia acabado de terminar com qualquer chance de ficarmos juntos e soluçar porque eu sabia que ele não estava sequer abalado com todo o meu discurso. Você é uma burra, Sidney! Como foi deixar isso acontecer? Meus olhos caíram na janela que mostrava o anoitecer. Acho que aqueles era sinais. Sinais de que estava na hora de mudar, de seguir em frente... Por mais impossível que a ideia parecesse.

Notas finais
Reviews?