Você De Novo?

21 O Diabo Mostra a Sua Face


Notas iniciais
Bom, aqui vai mais um capítulo então, e eu espero que comentem! Por favor. Isa, mais uma vez, obrigada pela recomendação, e Yas também! Fico feliz que as duas estejam gostando assim da fic! Mais uma vez, mando o link do elenco! https://www.youtube.com/watch?v=o6J6a7nVxKc Assistam! Boa leitura

Nova Moradia –Washington DC – Dia 55

Aquele domingo teve uma das piores manhãs de domingo da minha vida. Primeiro porque eu havia cometido um grande erro – ou não –de ter terminando com Nicholas, e ainda tinha que encara-lo o tempo todo por vivermos na mesma casa. Segundo porque eu havia mergulhado tão de cabeça naquele relacionamento que eu pensava que seria impossível sair. E terceiro porque James realmente me ligou, perguntando se eu queria ir para a sua casa.

Eu morava na casa de Felly, aquilo não seria um problema. O grande problema era que minha animação, se não zero, era mínima e eu não sentia como se fosse útil para fazer alguma coisa naquele dia. James disse que viria me pegar em duas horas então arrumar a minha cara foi a melhor coisa que eu poderia fazer, já que pela manhã quando havia acordado, meus olhos estavam vermelhos e inchados de tanto chorar. Burra, Sidney. Se apaixonou por um traste daqueles. Eu havia chegado a conclusão de que minha melhor opção era seguir em frente e por mais doloroso que fosse, eu não voltaria atrás. Eu tinha uma vida toda pela frente, não desperdiçaria tantas lágrimas por algo que não valia a pena.

Arrumei meus cabelos e maquiei meu rosto, meu ânimo não era o melhor, mas coloquei uma roupa colorida e fresquinha para aquele verão, tentando fazer um contraste entre visual e estado de espírito. Meus olhos bateram na porta e eu pensei em desistir. Eu não queria sair de casa, eu só queria deitar em minha cama e chorar mais... Eu não queria encontrar Nicholas, eu não queria ver o seu rosto ou ter qualquer lembrança que fosse me fazer pior. Mas como se fosse uma resposta aos meus pensamentos, a porta do meu quarto abriu violentamente, e a imagem que eu vi, parou o meu coração.

Nicholas me olhava com sangue nos olhos. Seus punhos estavam cerrados, dentes trincados e respiração forte, com os músculos contraídos na medida em que ele me encarava. Nem precisou dizer nada e meu primeiro impulso foi recuar um passo. Meu coração disparou porque eu percebi o que estava acontecendo, a merda que eu tinha feito. Agora eu estava ferrada.

James Velazquez? Você me trocou pelo bosta do James?! Me diga agora que isso é uma piada!

O tom na voz de Nicholas vez os meus pelos se eriçarem e meu corpo tremer. Ele falava em um tom alto e mesmo sempre odiando pessoas que gritavam comigo, não senti vontade de responder. Eu apenas recuei um passo com medo de ser agredida ou coisa do tipo. A face de Nicholas era vermelha em puro ódio.

–Shh! –Pedi, olhando para os lados. –O pai pode ouvir.

–Eles não estão em casa! –Falou Nicholas em dentes trincados. –O que é bom, porque não vão ver quando eu te assassinar!

Nicholas caminhou em minha direção, e meu reflexo foi desviar para o outro lado.

–Calma, Nicholas. Por favor.

Calma?! –Ele riu. –Você tem que estar brincando. Você só faz isso para me irritar, não é?! Sidney! Eu não me importaria que ficasse com nenhum cara! Não me importaria que ficasse com todos os caras de uma vez, menos ele! Você é retardada? Sabe de toda a história!

–Por causa de uma rivalidade boba de futebol? –Exclamei. –Cresce, Nicholas!

Meu irmão me fuzilou com os olhos e mais uma vez senti medo.

–Eu deveria crescer mesmo! Deveria saber que você além de ser a minha irmã, não é o suficiente para levar qualquer coisa a sério! Por que ele?!

–Por que você se importa?

Perguntei em um tom totalmente impotente. Nicholas estreitou os olhos.

–Porque é James!

Porque é James. A frase ecoou em minha cabeça várias vezes, fazendo o meu coração parar por um segundo. É claro que era por causa de James! Não eram ciúmes! Era pura raiva! Puro desejo de não perder em ponto algum para o inimigo! Eu senti meu corpo arder e meu peito queimar em chamas. Meus olhos fitaram Nicholas em um tom raivoso e por um momento, eu não era eu.

Vá se foder, Nicholas! –Gritei no melhor som que achei. –Foda-se você! Eu já disse chega! Se quer saber o “por que ele”? Aqui vai a verdade, meu irmão! Eu te troquei por ele, porque talvez James seja melhor do que você.

Os olhos de Nicholas caíram em mim e eu percebi que era hora de correr. Os passos dele vieram tão rápidos que eu mal pude contornar o quarto quando as suas mãos agarraram meu pulso, pressionando-me com força contra a parede. O garoto me olhava com fogo nos olhos enquanto ele me prendia. Eu tentei me debater, tentei sair, mas estava difícil. Nicholas estava começando a me machucar.

–Ele fodeu você?!

O que?!

Foi tudo o que consegui expressar com a minha indignação. O rosto de Nicholas estava mais vermelho do que antes e agora ele parecia mais bravo do que nunca. Eu tremia, eu estava com medo. Eu tinha que correr.

–Sua vaca!

Gritou Nicholas, soltando-me com força, fazendo com que meus joelhos não aguentassem meu corpo por um momento. Tropecei, quase caindo no chão e com o desespero e decepção, senti lágrimas descerem por meu rosto. Meu irmão observou-me ainda em pura raiva, enquanto eu chorava por frustração. Frustração por ver quem era o bosta por quem eu me apaixonei! Frustração por me odiar tanto por tudo o que já fiz com Nicholas.

Eu te odeio! –Gritei. –Se você queimar no inferno, eu ficarei feliz.

–Não se preocupe maninha. –Falou em tom sério. –Eu te vejo por lá.

–Eu espero que não! –Gritei. –Você foi o maior erro da minha vida! Eu sei por que você odeia tanto James! Porque você tenta ser alguém que você não é! Você tenta ser uma versão dele quando você na verdade é apenas uma cópia barata muito pior! Você passa uma imagem que não é sua! Você é ridículo.

Nicholas correu até mim, mas dessa vez eu fui mais rápida. Disparei em direção ao banheiro e com toda a minha força fechei a porta atrás de mim e tranquei. Escorreguei pela parede, me sentando no chão e cobrindo o rosto, agora sem lágrimas para dar, apenas em choque por toda a situação que eu estava passando. Nicholas socou a porta, e eu estremeci, mas não me movi. Eu conseguia ouvir a sua respiração alta do outro lado.

Para piorar toda a situação uma buzina soou. Merda. Nicholas e eu tivemos a mesma ideia por um segundo de puro pânico. Abri a porta e com toda a minha velocidade desci as escadas para então ver Nicholas passar a minha frente e correr em direção ao lado de fora da casa. James saiu do carro caminhando em direção a porta, mas assim que olhou para nós e viu toda a cena – Nicholas puto e eu cheia de lágrimas no rosto –sua expressão mudou. O loiro tencionou os músculos e olhou para mim, parecendo preocupado. Seus olhos caíram em Nicholas como se previsse que de alguma forma obvia, estava em problemas. O loiro estreitou os olhos.

–O que você fez com ela?

Ele não teve resposta. Meu irmão virou só um soco forte na cara do loiro, fazendo-o cambalear, mas sem demorar, avançar em meu irmão, jogando-o no chão. Meu coração disparou e eu senti meu estômago se embrulhar. Os dois estavam em meio a uma briga, distribuindo socos e puxando o outro em golpes de luta que eu desconhecia. James e Nicholas pareciam estar apanhando igualmente, mas aquilo não ajudava.

–Parem!

Gritei desesperada, mas ninguém me ouviu. Eu pensei em jogar água sobre eles, em fazer qualquer coisa, mas não parecia que funcionaria. James colocou Nicholas embaixo de si e com o braço forte começou a socar a face do moreno com tanta força que senti vontade de vomitar. Eu corri para dentro da casa, pensando no que fazer, mas nada me ocorreu. Joguei uma pedrinha na janela do vizinho que por sorte acordou e viu meus gritos desesperados de ajuda. Sentindo meu peito acelerado, desci as escadas esperando que os dois ainda estivessem vivos quando vi James se colocar de pé e chutar as costelas de Nicholas, que logo o puxou em uma chave de pescoço e o socou mais uma vez. Eu sentia que ia desmaiar. Para salvar o dia, os dois homens que viviam ao lado saíram da casa para segurar a briga.

Um dos homens levou alguns socos, mas finalmente os dois garotos estavam separados. Eles seguravam ambos e eu estava pálida sem conseguir respirar. Me sentei no chão cobrindo o rosto com as mãos e assim que os olhos dos dois garotos pararam em mim, eles pareceram desistir de tentar se atacar. Um dos homens que segurava a briga gritava palavras para que eles se acalmassem. James tinha que ir. Mas eu não queria ficar sozinha com Nicholas.

–Sidney. Vamos pra dentro.

Mandou Nicholas, mas não me movi. Me coloquei de pé depois de um tempo e caminhei na direção de James que tinha um corte na testa que sangrava. Seu lábio inferior também escorria sangue e eu sabia que ficaria inchado logo. Engoli em seco, completamente arrependida.

–Me desculpe, James...

–Não se preocupe. –Ele falou, olhando feio para Nicholas. –Ele te machucou? Vem comigo.

–Se eu for ele vai atrás.

Falei. James balançou a cabeça negativamente.

–Ele não é mafioso ou coisa do tipo.

–Eu sei. Eu te vejo mais tarde, prometo. –Falei, prendendo a respiração. –Eu só... Preciso falar com ele.

James me observou desconfiado e depois para Nicholas, mas pareceu resolver não discutir. Olhou-me nos olhos, apontando para o carro.

–Eu te espero aqui.

Eu decidi que não conseguiria arranjar nada melhor do que isso, então apenas agradeci aos vizinhos e entrei para a casa junto do meu irmão que tinha mais machucados do que eu esperava. A testa dele sangrava, assim como o nariz e um olho que eu tinha certeza que ficaria roxo mais tarde. Nicholas fechou a porta atrás do corpo e pareceu ficar mais bravo ainda ao ver que o carro de James não se moveu, ao olhar pela janela. Seus olhos caíram sobre mim e eu recebi uma expressão de desaprovação. Meu coração ainda batia forte.

–Mas que merda, Sidney.

Ele comentou, cobrindo o rosto com as mãos. Eu sabia que ele entraria em encrenca mais tarde quando nosso pai descobrisse, mas eu não ligava.

–Você é retardado, Nicholas?! Precisava dessa briga?

–Precisava! –Ele exclamou, se colocando de pé e batendo na mesa. Engoli em seco. –Precisava sim! Como acha que eu me senti quando Bryan me ligou essa manhã e disse que te viu com ele? Porra! A minha irmã! A menina de quem eu gosto, que me deu um discurso enorme em como havia me esquecido na noite anterior, me troca pelo garoto que eu mais odeio no mundo?

–A menina de quem você gosta? –Perguntei em tom debochado. –Você não daria a mínima para mim, se não fosse com o James.

–Mas é claro! –Rebateu. –O combinado era: Deixar você ir caso arranjasse alguém. Quando eu te vi beijando, mesmo o viadinho, eu me mordia de ciúmes por dentro! Eu queria matar ele! Eu quero você feliz com outra pessoa, caso prefira... Mas não o James!

Meus olhos caíram em Nicholas e tudo o que eu fiz foi engolir em seco. Meu coração bateu forte dentro do meu peito e eu senti aquele sentimento que sempre me derrubou. Aquele amor estonteante que eu sentia por Nicholas. Não. Eu tinha que ser forte. Ergui o queixo e olhei fundo nos olhos do meu irmão. Eu entendia a sua raiva, mas não aprovava o que tinha acabado de fazer.

–Eu vou sair com James agora. –Falei firme. –E eu não quero ataques, ou que vá atrás da gente.

–Sidney, por favor! –Nicholas suplicou, puxando-me para perto. Tentei resistir ao abraço, mas assim que seu cheiro entrou em minhas narinas, não consegui me mover. Nicholas me envolvia nos braços. Aqueles braços tão deliciosos, aqueles braços que senti tanta falta. Seus olhos fitaram os meus tão fundos, que não consegui desviar. Ele engoliu em seco. –Você é minha. Só minha e de mais ninguém. Eu quero que você fique aqui e fique comigo. Não com ele. Por favor...

Um suspiro saltou dos meus lábios quando Nicholas me beijou. Suas mãos agarraram minha cintura e se jogando contra o sofá, me acomodou em seu colo, na medida em que me afogava naquele beijo maravilhoso e me apertava forte contra o seu corpo. Arfei. O que eu estava fazendo? Pisquei algumas vezes. Eu amava Nicholas, mas ainda estava confusa sobre tudo. Mas se ele dizia que me amava de volta... Agi antes que pudesse me arrepender. Empurrei o garoto para longe e me soltei dos seus braços me colocando de pé. Aquilo que eu havia acabado de presenciar havia sido maior do que qualquer coisa que envolvia Nicholas. Eu nunca havia o visto tão bravo, tão possuído. Eu tinha cruzado os limites e eu reconhecia aquilo. Eu merecia tudo o que aconteceu.

–Me desculpe, mas eu estou indo.

–Sidney...

–Não. –Interrompi. –Até mais tarde.

E me colocando de costas para ele, fechei a porta atrás de mim, caminhando em direção do carro preto estacionado na frente de casa. Eu não sabia se Nicholas mentia para mim, mas de uma coisa eu sabia: Eu não tinha sentimentos por James, e eu não queria mentir para ele também. Estava na hora de acabar com aquilo. Entrei no carro e olhei para o loiro que tinha um lenço de papel, tentando limpar o sangue já seco em sua pele. Seus olhos caíram em mim, preocupados, quando lhe dei um abraço forte e comecei a chorar. Eu não queria aquilo, mas eu não me contive.

–Seu irmão é um babaca.

Sussurrou e eu tive de assentir.

–Eu sei. Me desculpe.

–Ei, Texas. –Sorriu. –Não foi nem de longe a pior coisa que já enfrentei.

(...)

Era irônico como meu dia pode ter passado de conturbado como mais cedo para um momento tão tranquilo quanto aquele. Era fim de tarde, então o sol ainda estava quente, mas sem queimar, e a brisa era leve e refrescante, mas não forte o suficiente para mover meus cabelos. Eu estava deitada contra o peito de James enquanto ele alisava o meu braço sentindo o balanço leve da rede que nos carregava. Eu nunca estive antes na área da piscina da casa da Felly, e eu tenho que admitir, que deitar em uma rede perto de um deque ensolarado com algumas palmeiras, observando a vista de Washignton, não era a pior vista do mundo. Os cabelos loiros de James brilhavam forte e ele tinha um chapéu apoiado na testa que cobria o corte que havia sido feito na briga com Nicholas. Sua boca havia inchado um pouco, mas menos do que deveria já que tínhamos pressionado a área com um pouco de gelo, mas era possível ver o corte avermelhado que ali estava. James e eu estávamos em silêncio, apenas trocando algumas palavras e aproveitando o som do silêncio que não era desconfortável. Soltei um suspiro quase conseguindo esquecer todo o nervoso que havia passado mais cedo.

–Suas aulas começam amanhã, Texas.

Comentou o loiro, fazendo-me soltar um longo suspiro. Eu sabia e não estava nem um pouco animada. Grunhi.

–Eu sei. Queria ir para o seu colégio e da Felly, não a escolinha particular do Nicholas.

–Nem me fale. –James deu risada, ainda alisando o meu braço com a ponta dos dedos. O sol batia confortavelmente em nossos corpos. –Aquela escola é...

Ele não terminou a frase, mas eu sabia o que ele queria dizer. Era uma brincadeira de “coloque os adjetivos ruins” ali. Meus olhos fitaram a piscina que refletia a luz do sol e eu viajei por um momento. Pensei no tanto que eu estava nervosa para o meu primeiro dia de aula e como eu odiava aquilo. Engoli em seco.

Meus olhos caíram no loiro e eu senti um peso no meu coração. James me fazia tão bem, era um ótimo amigo, mas... Por mais que eu tentasse, eu não conseguia vê-lo como eu via Nicholas. Eu não conseguia sentir nada por ele. Eu sabia que ele também não, mas naquela altura eu reparei que aquele fingimento nosso só traria problemas. Eu percebi que torturar Nicholas não ajudaria também a fazer com que eu me esquecesse dele. Eu sabia que ele poderia estar mentindo quando disse que gostava de mim, mas aquelas palavras ainda me davam esperanças. Eu estava perdidamente apaixonada e aquilo me irritava. Estava na hora de dizer para James que deveríamos ser só amigos e que aquilo havia ido longe demais, que era o melhor para nós. Enchi os pulmões para falar, mas não foi a minha voz que saiu.

–Vai ser muito bizarro se eu te disser algo?

Perguntou, mudando de posição um pouco desconfortável. Olhei para cima de forma com que conseguisse enxergar os seus olhos. James sorriu um tanto sem jeito.

–Diga.

–Eu sei... Que esse é nosso segundo encontro e tal... E olha que não poderia dar mais errado do que entrar em uma briga com o seu irmão, mas... Você não é uma garota.

Ergui uma sobrancelha olhando para James, em um tom um tanto divertido. Franzi a testa.

–Não sou uma garota?

–Sim! Você é. –Ele fechou os olhos tropeçando em suas palavras. –Você é uma... Nossa, que garota. –Sorriu. –Mas você é mais legal que uma garota comum.

Estreitei os olhos observando a confusão do loiro com suas palavras. Era engraçado ver como ele estava atrapalhado com as próprias palavras.

–Certo...

–É sério, Sid. Com você tem bem menos drama. Você é despreocupada, divertida e gosta de muitas coisas que eu gosto. Você não da crises, não é patricinha ou mimada, e eu digo isso, não pelas duas vezes que saí com você, mas por todo esse tempo que te conheço. E você mora aqui, admita que eu convivo muito com você.

Abri um sorrisinho nervoso e dei uma risadinha com o discurso. James parecia tão não articulado que nem me soou como o mulherengo que eu sabia que era.

–Quer ajuda com as palavras, menino atrapalhado.

–Não me enche o saco. –Ele revirou os olhos com um sorriso. –Isso é novo para mim.

–O que é novo para você? –Ergui uma sobrancelha. –Seduzir jovenzinhas?

Perguntei em um tom brincalhão. James balançou a cabeça negativamente.

–Tentando dizer que realmente gosto de alguém.

Meu queixo caiu mais uma vez e eu pisquei tentando entender se eu estava em meio a um sonho louco. Não, não, não, não! Quão azarada eu poderia ser? Digo, James é um cara ótimo, qualquer garota seria sortuda em tê-lo, mas nunca se apega e tal... E ele logo foi se apegar comigo que não posso aproveitar o fato de ele ser tão ótimo? Merda! Meus olhos caíram nos azuis do loiro e por um momento eu me senti sem ar. Eu não podia chuta-lo agora. Isso ia quebrar sua confiança em milhões de pedaços e fazê-lo mais mulherengo do que nunca. Mas eu não gostava dele! Eu gostava no Nicholas! Soltei um suspiro tentando não demonstrar a minha frustração. Mas que merda Sidney!

James pareceu um pouco desconfortável com o meu silêncio, assim como eu. Eu acho que o primeiro passo para tentar esquecer Nicholas seria seguir em frente, então... Por que não? James era um amigo para mim, mas quem sabe... Quem sabe eu pudesse aceitar ele como mais? Quem sabe eu poderia realmente ter uma história com ele sem ter que me esconder. James era incrível... Mas a falta de sentimento me incomodava muito. O loiro acariciou meus cabelos.

–Esse é o discurso que eu uso para ganhar todas.

Brincou, fazendo-me abrir um sorriso. Assenti.

–Aposto que sim. Aí você desvirgina todas as mocinhas inocentes...

–Pode me pedir isso, moça.

Brincou, levando os lábios aos meus em um beijo, que tentei corresponder com a maior intensidade. Eu adorava os beijos de James, mas o problema era que quando eu abria os olhos, desejava que fosse Nicholas. Suspirei.

–Sidney... O que acharia de ter um namorado completamente gato e carismático?

–Está me oferecendo qual dos seus amigos?

Brinquei, fazendo-o dar uma risada e revirar os olhos. Engoliu em seco, pedindo-me por uma resposta.

–Como a ideia lhe soa?

Perguntou. Caralho! James estava me pedindo em namoro? Mordi o lábio e olhei para o canto tentando não demonstrar tanta indecisão. Engoli em seco e abri um sorriso, forçando o meu melhor tom, antes que eu mudasse de ideia.

–Me soa bem...

O sorriso no rosto de James se alargou e pousando as mãos em meu rosto, puxou-me para perto em mais um beijo, que de novo tentei corresponder com o mesmo tanto de emoção. Droga. Eu estava namorando? Então isso mudava a minha situação com Nicholas de uma vez por toda. Eu não podia mais ficar com ele. Eu havia encontrado alguém, e agora se eu quisesse o meu irmão, seria traição. Senti meu estômago embrulhar e um pânico tomar conta de mim de repente. James me apertava entre seus braços e eu me senti sufocada por um momento. Eu estava ferrada. Eu sabia que estava fazendo o certo... Pelo menos por um lado. Mas por que eu me sentia tão mal? O loiro abriu um sorriso, depositando um beijo no topo da minha cabeça quando apoiei novamente a cabeça em seu peito. Um suspiro deixou os meus lábios.

–Sabe o que é sem sentido? –Olhei para James em expectativa por sua fala. –Começar as aulas agora. Serão apenas sete dias! Segunda feira já é feriado de novo, por que não cortar o verão por mais uma semana e não ter essa interrupção?

Perguntou, um tanto indignado. Dei risada dando de ombros com o assunto repentino. Ergui uma sobrancelha.

–Por que a aula te importa?

–Porque, moça... –Sorriu o menino, puxando-me pela cintura, de forma com que eu me deitasse sobre ele, de frente para o seu rosto. –A menina mais legal que eu conheço está indo ser corrompida numa escola de mauricinhos. Quero ficar com ela enquanto ela é aturável.

Revirei os olhos com o que ouvi, com um sorriso no rosto.

–A menina mais legal do mundo nunca vai mudar.

–Do mundo? Está se achando, não está?

Brincou o loiro, dando-me um selinho. Dei de ombros, dando uma risadinha.

–Talvez. Mas eu estou feliz por isso. Uma semana para me conformar com o inferno e depois vou ter um tempo para conseguir me acostumar com a ideia. Eu odiaria não ter pausas.

–Já ouviu em retirar o esparadrapo de uma só vez?

–Essa técnica está definitivamente fora das minhas táticas.

–Por que, Texas?

Ergueu uma sobrancelha em tom divertido. Eu adorava com James sempre tinha uma expressão debochada e de bom humor. Dei de ombros novamente.

–Olhando pela minha vida, chego a conclusão de que gosto de sofrer.

–É mesmo? –Abriu um sorriso, escorregando as mãos pelas minhas costas, até a ponta dos meus cabelos. –Agora vai sofrer um pouquinho mais.

–Obvio que vou. Olha o namorado que arranjei.

–O melhor namorado do mundo.

Se gabou James, empinando o nariz. Abri um sorriso, observando a cena enquanto dava uma risadinha. Talvez ele tivesse razão. Talvez pudesse ser o melhor namorado do mundo, e talvez... Bem, talvez nós pudéssemos realmente ser um. Ser um casal normal. A ideia me parecia tentadora.

Notas finais
E aí gente? O que acharam do video? E do capitulo? Link do video de novo! Quero a opinião de vocês https://www.youtube.com/watch?v=o6J6a7nVxKc