Vizinho
3 Capítulo 3 - Fazendo amigos e inimigos
O tempo foi se passando e poucas amizades foram surgindo, parecia que eu era um alienígena naquela cidade, a única amizade que fiz foi com o Luan e isso era bom, mas para o resto da turma eu era invisível. afinal de contas eu era invisível? Isso não importa.
A cada semana o senhor pateta passava uns 3 trabalhos diários e muitas dessas vezes era pra entregar no dia seguinte.
– Já não aguento mais tanto trabalho — falei para o Luan.
– Nem eu, ainda bem que vamos ter 3 dias de folga — ele disse — ta sabendo que hoje tem uma festa na rua onde você mora?
– Sim, mas provavelmente não estou muito animado. — eu respondi
– Mas assim você conhece pessoas novas — ele disse
– Shh
Esquecemos que estávamos na biblioteca.
– Melhor a gente ir, passo na sua casa a noite e nós vamos a festa — ele disse.
– Tudo bem, onde eu compro fantasia? — pergunto, já que ainda não conhecia tudo daquela cidade.
– Tem uma loja que aluga roupas perto da escola, vamos lá, também vou ter que alugar uma nova.
Fomos andando até uma pequena loja bem apertada em meio a uma rua movimentada, a loja estava vazia, era Halloween e ninguém estava comprando ou alugando fantasia? Era estranho.
Entramos e a porta fez um barulhinho, olhei para a cima e vi um sino pequeno e uma mulher veio nos atender.
– Olá, o que desejam? — ela nos perguntou dando um sorriso extremamente grande demais, o que me deu medo.
– Queremos uma fantasia — eu disse
– Ora, isso é uma loja de fantasias, fiquem a vontade. — ela disse
Ficamos procurando, o Luan disse que não queria nada demais, então escolheu a primeira que viu e foi até o provador, eu continuei procurando até que uma chamou minha atenção.
– E ai, o que achou? Drácula não é ruim — O Luan pergunta saindo do provador.
– Ficou legal — a mulher do caixa falou.
– É sim, ficou boa — eu disse.
– E ai, encontrou alguma? — ele me perguntou.
– Acho que essa ficaria legal — falando isso fui até o provador.
A roupa ficou legal, nem apertada e nem afrouxada demais, você deve estar pensando que fantasia eu escolhi não é? Desculpem a demora a informar, eu escolhi uma fantasia de Bruxo.
– E ai o que acharam? — perguntou saindo do provador
– Ficou ótima, vai levar? — a atendente falou
Ao invés de simplesmente alugar as fantasias eu e o Luan compramos.
– Eu vou indo, passo na sua casa a noite.
– Tudo bem, até lá.
Até o caminho de casa eu fiquei pensando o por que que aquela loja andava vazia, claro que não era da minha conta, mas eu sou curioso e ia descobrir o por que.
Cheguei em casa era quase 18:00 horas, percebi que passei muito tempo na rua e só teria o tempo de me arrumar, então subi as escadas, tomei um longo banho frio e vesti a fantasia, desci, comi um pedaço de pizza na cozinha e a campainha toca.
– Mãe, Pai, já estou indo. — gritei e abri a porta.
– Tudo bem, já estamos indo — minha mãe gritou da cozinha
– Entra ai — falei ao Luan
– A festa ainda não começou, se quiser esperar seus pais tudo bem — O Luan disse ainda na porta.
– Melhor não — eu disse, mas assim que terminei meus pais já estavam na porta.
– Vamos? — Minha mãe disse.
Percebi várias crianças passando de porta em porta para pedir doces e lembrei que nunca tinha feito isso.
– Nossa, ainda me lembra dessa época, bons tempos — meu pai disse.
– Tenho que falar com meu pai, vem comigo?
– Não vão muito longe, estaremos na barraca de doces. — Minha mãe disse
Fomos andando em meio a uma multidão de pessoas até um posto policial, até que o Luan viu alguém, parou e foi em sua direção. Eu o segui.
– Bela fantasia senhor — eu disse
– Não estou de fantasia. — ele disse, ele estava vestido como um policial.
– Desculpe
– Tudo bem
– Pai, posso ir em uma outra festa que fomos convidados? Não vai ter nada demais por lá. — o Luan falou.
– Como posso ter certeza? — ele perguntou
– Ele não me deixaria fazer nada — falando isso apontou com a cabeça para mim.
– Tudo bem, volte antes das dez.
Voltamos pelo mesmo caminho.
– Por que não me disse que seu pai era policial? — eu perguntei.
– Você nunca perguntou. — isso era verdade, nunca pensei que fosse da minha conta, então lembrei de uma coisa.
– Ei cara, por que aquela loja estava vazia hoje? No Halloween?
– Por que houve um assassinato ali uma vez e o pessoal dessa cidade tem medo de tudo — ele disse — vamos precisamos falar com seus pais.
Não demorou pra encontra-los.
– Mãe, posso ir em uma festa da escola com o Luan? — perguntei
– Claro que não, você vai ficar conosco aqui — ela disse
– Mas mãe, deixa de ser careta, não vai ter nada demais, é só uma festa da escola.
– Antes das dez você tem que estar em casa e eu vou lá verificar.
– Tudo bem — eu disse.
– Vamos, não é tão longe daqui — O Luan falou
Fomos a pé mesmo por que realmente não era longe, já tinha ouvido falar desse bar.
Assim que entramos o Luan foi logo cumprimentando algumas pessoas.
– Fala galera, esse aqui é o Josh Williams e ele é novo na cidade — ele disse.
– Vão ficar ai parados feito duas estatuas? — uma garota bonita perguntou. Puxei uma cadeira da outra mesa e me sentei.
Ficamos conversando por um tempo, eles me fizeram varias perguntas que me deixaram constrangido, até que o assunto acabou.
Houve uma pequena pausa até que o garoto mais calado da turma falou.
– Tão afim de fazer algo? Sair por ai pedindo doces?
– Somos grandinhos demais para sair pedindo doces — a garota bonita que agora eu sei o nome — Susan — falou.
– Quem se importa? Eu topo — O garoto mais forte e mais alto que eu ainda não sabia o nome falou.
E todos concordamos, pedimos no bar 6 sacolas de papel para pedir os doces e saímos — eu não bebi nada — e fomos de casa em casa pedindo os doces.
Depois de mais ou menos uma hora pedindo os doces voltamos para o bar que agora estava lotado, conseguimos uma mesa e ficamos ali conversando, rindo, bebendo — sim, dessa vez eu bebi — e comendo os chocolates que conseguimos, percebi ali que tinha feito novas amizades.
– Tenho que ir — falei
– Pior que eu também — o Luan falou
– Não ser maior de idade é ruim por que infelizmente temos que ter hora pra chegar em casa — Susan falou e complementou — também tenho que ir.
Fomos os 3 caminhando até a rua onde eu morava e a festa continuava.
– Eu moro aqui por aqui — e falando isso deu um beijo no Luan e em mim se despediu e saiu correndo.
– Ela é legal — eu disse
– Eu sei
– E bonita — complementei
– Ta afim dela? — ele perguntou
– O que? — eu rebati
– Você tá gostando dela, isso é bom.
– Cara, para, vamos. — eu disse e começamos a rir.
Ficamos andando por um tempo até o Luan chegar ao posto policial e ficar com o pai, me despedi e continuei a andar, enquanto andava pela multidão não via os meus pais.
Cheguei em casa e meus pais não estavam, fui para o meu quarto e tomei um banho, assim que voltei a janela estava meio aberta e eu nem havia percebido, quando fui fechar percebi que alguém estava do outro lado, olhando para a janela, seria um voyeur? Fechei a janela, as cortinas e liguei para o posto policial.
– Qual a emergência? — uma mulher falou
– Tem um voyeur na frente da minha casa e estou sozinho. — falei meio que sussurrando.
– Isso é ruim, qual o seu endereço? — a mulher perguntou.
Disse o endereço e ela disse que iria ligar para a unidade mais próxima e a sorte é que tinha uma bem perto.
Não demorou muito e ouvi as sirenes do carro passar devagar pela casa, olhei pela janela e não vi mais nada.
Desci e liguei a TV para me acalmar, estava passando um filme de terror, claro, era Halloween e com toda a certeza do mundo estaria passando um filme de terror, assisti um pouco e quando percebi já havia adormecido.
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