Em minha infância e adolescência... Tudo isso poderia não ter acontecido caso aceitasse uma linhagem.

Muitas confusões aconteceram, tantas mentiras me rondaram, a incerteza martelava em minha mente surgindo uma dúvida se eu poderia viver em paz.

Quando criança decidi viver em outro propósito. Construir minha própria vida. Filho de um oráculo e uma sumo-sacerdote conhecidos em muitas províncias, eu já tinha uma linha de vida a seguir: Estudar e avançar de cargo dentro do clero. Toda minha liberdade restringida!? Jamais. Enquanto fugia da escola da Igreja, frequentava a casa dos irmãos de meus pais, tio Louis e o tio Charquesi, atualmente eles são arquimago e assassino, mas eram feiticeiro e mercenário. Pessoas simples, adoravam as tavernas locais nos períodos noturnos, eles sempre saíam juntos, mas nunca voltavam juntos, tinham objetivos diferentes. Louis, grande galanteador, focado em conhecer novas mulheres, em sete dias era capaz de ter relações sexuais com 14 diferentes e com sua lábia atraía mulheres a transarem com Charquesi. O grande mercenário dedicava as noites para conseguir dinheiro à casa, basicamente de duas maneiras, ou roubando, ou trabalhando como matador de aluguel.

Um dia decidi após inúmeros convites de ir acompanhar os tios à uma reunião do império de Duarcia. Meu tio indicara que eu deveria me juntar aos filhos de amigos feiticeiros dele e assim fiz. Particularmente quando criança possuía uma enorme timidez, capaz de se isolar socialmente, mas quando estava à presença de parentes, principalmente meu tios, costumava "maquiar" essa insegurança para fazer novas amizades. Assim que cheguei ao local acompanhado dele já identifiquei muitos olhares para mim, tudo isso era devido por ser famoso como o filho caçula deserdado, o rumor do deserdamento já se espalhara a todos os cantos da província. Um belo local era aquele e nada podia me atrapalhar, objetivo que fora proposto, o evento localizara em uma parte do castelo do rei, lá estava muitos seres influentes do clero, comércio e império.

Meu primeiro passo foi procurar os jovens feiticeiros. Minha estatura baixa aos 15 anos não me ajudava a encontrar nada no meio de seres adultos, enquanto procurava, eu me deliciava com os petiscos do evento. Eu não conseguira encontrar, mas, encontrei com os dois amigos da escola da igreja, aqueles amigos que compartilhavam a mesma ideia, fugir de serem escravos na igreja. Entretanto, eles não fugiam das aulas, mas também não faziam nada, cadáveres dentro da sala de aula, exceto no horário de intervalo. Ambos eram os irmãos gêmeos Luzorn e Atyr, filhos de simples sacerdotes. O momento especial da igreja em que meninos e meninas compartilhavam um saguão. Meus amigos agiam rapidamente, o tempo que escorria na ampulheta era bem aproveitado embora a comunicação fosse restringida nos diferentes gêneros (masculino e feminino) pelos guardas, trocavam frases por pedaços das páginas da bíblia. Veio ao meu conhecimento alguns anos depois que um quarto das mulheres tiveram relações sexuais com eles nos arredores da abadia, algumas na madrugada naquele mesmo saguão...

Após cumprimentá-los, eles me chamaram para conhecer novas crianças. Apesar da confraternização, o ambiente local era bem distinguido através de grupos, e um chamava atenção, lindas sacerdotisas e suas filhas aspirantes a linhagem branca. Eu não estava trajado como um aprendiz a magia branca bem diferente deles que estavam, os iniciantes são chamados de noviços que utilizam uma batina de cor levemente amarelada com um cordão na cintura e solidéu de mesma cor. Luzorn tomou a iniciativa, apesar de ser idêntico à Atyr, ele era ligeiramente mais alto, e enquanto andava em direção as meninas segurava um copo de vinho, bebida era algo que o libertara da covardia perante às moças, quaisquer que seja.

De antemão já tomara uma grande quantidade de vinho antes de aborda-la e a taça de vidro transparecia a pouca quantidade, sua ousadia demonstrava valor superior as demais pessoas, assim que se aproximou da noviça que se separou do grupo já abriu um enorme sorriso. A aproximação dele à moça gerou enorme curiosidade aos presentes da reunião, um gelo se quebrara entre grupos naquela noite pela primeira vez. Aquela ação me fez tomar outra ação, segurava um copo meio cheio de suco de laranja misturado a bebida alcoólica desconhecida, tomei a coragem para tomar metade daquele liquido de uma só vez e andei em direção a outra amiga que entrara na conversa de Luzorn. Atyr tomou sua "coragem" em líquido e partia em meu encalço, seu objetivo estava mais afastado.

Minha aproximação gerava ainda mais curiosidade, assim que fui percebido, Luzorn propôs irmos ao lado de fora. Esperava um pouco de insegurança por partes das meninas, mas não acontecera, ao contrário, fui bem recepcionado na interação e a qual tinha destinado como meu alvo me elogiara pela coragem posta a prova diante meus progenitores. Lindos campos de relva cercavam à grande mansão do rei, a área externa era pouco iluminada por lampiões espalhados de forma aleatória. Sob risada nós caminhávamos em direção a uma floresta pouco distante da reunião, enquanto isso observava a moça que eu escolhera, toda linda, pele bem clara semelhante a de elfos, olhos cor de mel e após ela retirar o capuz, pude observar seu longo cabelo comprido enrolado de cor castanho avermelhado. Perguntei seu nome. Arcádia.

Luzorn conhecia o lugar melhor que eu e recomendara prosearmos em um lugar onde as copas das árvores eram espaçadas, a iluminação lunar era bem forte, dava um ar especial ao momento. Olhei ao redor e achei um tronco no qual poderíamos nos sentar. Nunca me senti tão bem, até aquele dia, com uma companhia de uma pessoa. Graciosos beijos ao longo da noite.

No dia seguinte, acordei na casa dos meus tios, desde já pensando em visitar Arcádia na igreja. Eles estavam acompanhados de uma humana e uma elfa em suas camas que foram colocadas juntas lado a lado, algo rotineiro, sabia que os gemidos escutados não eram fruto de minha imaginação...

Antes do caminhar a igreja, escovei meus dentes, troquei de vestimentas e comi um pão caramelado acompanhado de água. A trajeto durara suficiente para marcar minha vida. Olhares e murmúrios me atingiam, fiquei intrigado de que acontecera de uma má forma e como se eu fosse o responsável. Começou a chover, era um dia negro, as vielas de Duarcia estavam pouco movimentadas, comecei a correr afim de ficar menos tempo embaixo de chuva.

A igreja tomara um ar sombrio, algo horripilante acontecera, alguns sacerdotes estavam em conversa do lado de fora, uma ação atípica. O acesso à igreja é feito através de escadas, antes de começar a subir, ouvi gritos caluniosos dirigindo-se a mim, comecei a pensar... Algo me dizia que era a relação entre mim e Arcádia. Desciam em minha direção rapidamente, mas me dirigi a entrada lateral. Em meio a correria, identifiquei Arcádia aos prantos após um empurrão que recebera naquele mesmo instante. Gritei por seu nome e ela veio em minha direção, antes que falasse alguma palavra, recomendei que corrêssemos a uma floresta localizada atrás da igreja.

A floresta de pinheiros sob chuva dificultara a perseguição contra nós. Corremos por longo tempo, cheguei a carregar Arcádia por uma distância, até que me cansei por completo e paramos em uma fenda em um grande pinheiro. Lembro com detalhes de toda interação que tivemos dentro daquela fenda:

–- Conte-me tudo que aconteceu! — disse desesperado.

–- Vivici... entenderam tudo errado! — Arcádia chorava e lamentava. — Um sacerdote mentiroso viu o que fazemos na noite anterior, mas declarou ao sumo-sacerdote que nós tivemos relações sexuais! Sou jovem demais para superar tudo isso!

–- Já sei o que fazer. Iremos ir para outra cidade... — Fui interrompido pelo seu tom choroso.

–- Não posso sair daqui, não tenho onde morar! Eu sou órfã!

Após ouvir essas palavras, meu mundo desabou. Senti o suor frio escorrendo entre o rosto e as costas, não consegui conter as lagrimas.