Vivici Sampel - Utopia
5 Sentidos aguçados
A grande marcha terminara e já havíamos dormido por algum tempo. Podíamos ver o forte inimigo a uma longa distância, a grande lua clara azulada abrangia grande parte do céu e dava uma grande luminosidade naquele terreno.
Minha parte do plano consistia em infiltrar e abrir os portões, sozinho dependia somente do meu poder persuasão para contar com a ajuda dos próprios inimigos para abrir o caminho.
Os sáurios rondavam o forte de tempos em tempos, sete grupos com vinte guerreiros de cada vez, davam três voltas ao redor do forte e voltavam para dentro. Essa era minha chance. Observara que um grupo estava pronto para voltar, me preparei, entrei em modo furtivo e disparei rapidamente. Os sáurios tinha uma boa percepção sensorial, preferi manter distância e fiquei atrás do grupo. Passei tranquilamente pelo portão, já me desloquei para baixo de um patamar de tábuas de madeira que serve para arqueiros atirarem contra inimigos, deduzi que o muro que cercara a fortaleza possuirá 6 homens humanos de altura, uma medida padrão do país de Garland. Observara os arredores, agora o grupo de guerreiros descansava em uma tenda onde eram servidos poções de energia e comidas, outro grupo imediatamente já marchara para retomar a posição vaga.
A arquitetura sáuria era bem avançada para época, era uma mescla de arquiteturas de diferentes raças (humana, élfica, draconiana, asnarak e tauriana), admiradores da praticidade, as construções não haviam grandes desenhos mas sim objetos de grande utilidade, como rampas ao contrário de escadas, as moradas são sobrepostas sobre uma armação de madeira que é envolvida por uma camada de concreto. Concreto era ótimo à época mas o cimento, um de seus ingredientes, possuía grande valor. Os humanos e gnomos foram seus criadores e detentavam a maior companhia de fabricação de cimento, precisam levar argila e calcário à altas temperaturas em um forno, os materiais se fundem com ajuda de baforadas de dragões, e como resultado se obtém o cimento empedrado. O processo é finalizado com prensas manuais destroçando as pedras de cimento e motores elétricos acionam hélices que moem o cimento transformando-o em pó.
Tochas fincadas sobre o chão davam mais iluminação ao forte e dificultariam minha passagem, hesitei por um momento. Escravos humanos e élficos trabalhavam construindo uma nova torre a minha direita, as torres já construídas eram ainda mais altas que o muro com 8 homens humanos de altura e comportavam balistas. Balistas são máquinas de guerras apoiadas ao chão, semelhante a balestras, elas são feitas totalmente de madeira e atiram vários dardos simultaneamente com poderosa força, sendo capazes de atravessar cotas de malha à longa distância. Os pobres coitados trabalhadores trajavam túnicas e calças cinzentas surradas pelo excesso de trabalho.
Guardas do grande portão, a única entrada e saída daquele lugar, estavam atentamente postos a frente do portão, exceto quando um grupo recuava para o interior do forte e eles se deslocavam para as laterais onde ficavam perto sobre as armações do patamar. Seres de grande organização, formaram uma fila. Me desloquei para próximo ao último da fila, o sáurio se sentou na armação... Fincara uma de minhas adagas sobre sua garganta e o puxei rapidamente para debaixo das sombras mais escuras daquela armação. Uma pequena confusão seria criada naquele instante, eu acabara de cometer um erro porque um escravo humano observou a cena e foi checar perto da armação sem ser notado por seu superior.
– O que tu fez?! — Perguntou espantado.
– Rapidamente seu infeliz.. — Agarrei-o pela túnica e o puxei para baixo da armação — Estou em uma missão para acabar com estes sáurios nojentos. Se pensar em gritar cortarei sua face como um pão. Preciso de roupas de trabalhador para infiltrar-me no meio desta gente.
– Seu pedido é uma ordem, senhor.. Poderia me dizer teu nome? — Perguntou entusiasmado.
– Vivici, agora vá rapidamente. No momento do início da guerra, quero que vocês desarmem as balistas.
– Certo senhor! Seremos eternamente gratos! — O escravo disparou em direção a torre em fase de construção. Falou com outros escravos acerca do meu aparecimento e eles ficaram ansiosos. Por um momento, o escravo chamou a atenção do seu superior, um homem barbudo careca que trajava somente uma calça, e apontou para a armação. O superior vinha em minha direção, enquanto isso, os escravos ansiosos faziam gestos com as mãos para cortarem o pescoço. Me encostei no muro e esperei por sua vinda. O pobre homem colocou rapidamente seu corpo diante a escuridão da armação, ligeiramente acertei a adaga na lateral de sua face, ela rasgou-a com um movimento abrupto para baixo, antes que ele pudesse agonizar com a dor, enfiei outra adaga contra seu peito e a puxei em direção a pescoço. Enfim morto.
Momentos depois, eu já estara conversando, trajado como seu superior, com os pobres escravos e planejando meus próximos passos. Entrei em modo de furtividade e me distanciei. Os trabalhadores começaram a "chorar" conforme tramamos ao acharem o corpo de guerreiro sáurio morto e o corpo de seu superior fora escondido e enterrado. Com toda a confusão criada, os operários subiam nas torres, o acesso era dado por uma grande escada vertical de madeira, tomavam posse das torres sem dificuldades por estarem vazias e derrubavam as escadas. Os operários com posse das balistas começaram a se rebelar e disparavam enlouquecidamente contra os orcs e sáurios. Subi para o patamar para aniquilar os arqueiros. Um estrondoso grito de batalha foi solto a distância e pude observar os parceiros marchando ligeiramente a longa distância. Subi e corri sobre o patamar arrastando as adagas sobre costelas inimigas. Desci rapidamente dali, me escondi novamente sob o patamar para vestir minhas antigas vestimentas. Esperei pelo exército por um momento.
Seis cavaleiros montados em cavalos chegaram trombando entre os inimigos. Desmontaram ainda em movimento e partiram contra os inimigos. Fiquei me perguntando o que aconteceria com os cavalos... mas eles se revelaram druidas de diferentes raças. Logo chegaram os gladiadores com enormes machados dilacerando sáurios junto de numerosos guerreiros habilidosos manejando espadas motivados pela canção de um único bardo e os draconianos acompanhavam pela retaguarda receosos, nunca estiveram em um ataque antes.
A batalha se estendera pela presença dos orcs. Os druidas abençoados pelo poder de Arcádia concediam vida às árvores do forte, elas entrelaçavam os orcs com as raízes que surgiram sobre seus pés, paralisados, eram alvos fáceis aos guerreiros. Zurich encarregado de executar seres com poderes mágicos, empenhara sua habilidade com competência, já esvaziara metade da aljava com orcs xamãs e sáurios sacerdotes. Draconianos atacavam com invejável organização, dividiram-se em três grupos que não se separavam e repeliam grandes massas de orcs.
Os gladiadores de origem nômade abriam caminho às moradas inimigas com os machados flamejantes encantados por Luíza, o contato delas com as armaduras inimigas causavam uma chuva de faíscas. Eu observara toda ação sempre de trás do grande grupo acompanhado de Arcádia.
Ao chegarmos às pequenas moradas, metade do grupo dos guerreiros invadiam moradas facilmente (elas não possuem portas) e executavam os seres incapazes de lutar, sem restrição de idade ou gênero. Luiza agora atendia os pedidos pelos guerreiros sedentos por vingança: Incendiara cada morada, algumas com seres em seu interior, que fugiam ao exterior em chamas maioria das vezes e eram abatidos por Zurich. O mar de fogo refletira nossa felicidade. A batalha acabara sem uma única baixa, todo plano fora posto em prática com tremenda perfeição.
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