Vivendo um dia de cada vez
9 Tristeza e Jose Cuervo
Notas iniciais
Acordo do quarto de Aimee, ela não está lá. Não sei por que estou aqui. Apaguei e dormi como uma pedra. Me recordo aos poucos o que aconteceu ontem. Olho ao redor do quarto e vejo Louse sentado aos pés da minha cama com um garrafa com algum tipo de álcool que não reconheço na mão.
Saio da cama e caminho até ele. Eu não me lembro de nada da noite passada para ter dado motivo para ele beber tanto, a garrafa estava quase vazia. Pego a garrafa e bebo o resto. Faço uma careta estranha e coloco a mão na boca para não tossir e acordar Louse.
Levanto e pego meu celular. Ligo para Aimee.
(visão de Aimee, HORÁRIO2h21min da madrugada)
– Mãe, posso sair? — Pergunto.
– Para onde? — ela diz com a voz rouca de tanto rir dos meus tios.
– Para ver como Bea está.
– Pode sim, manda beijos para ela. — Ela ri de novo de uma outra piada que não escutei por que sai correndo de lá.
Faço sinal para o ônibus e ligo para casa de Bea. Ninguém atende. Ligo para o celular dela. Ninguém atende. Lembro que Louse ia para lá, então ligo para o telefone dele.
– Alô. — A voz dele é rouca e triste.
– Sou eu. — Ouço o barulho do trânsito. — Onde você está?
– Eu estou com Bea. Ela brigou feio com a mãe. Ela não está bem e eu também não. Por favor vem para cá. — Ele fala com ar desesperado.
– Claro. Louse, ela está bem? — Digo preocupada. — Você está bem?
– Ela dormiu.
– Você está bem? — Repito a pergunta.
– Não. — Ele fala quase chorando. Para fazer Louse chorar precisa ser uma coisa séria.
– Louse, presta atenção. Estou no ônibus e vou descer no próximo ponto, quero que você pare em algum lugar. Você não está em condições de dirigir. Vamos nos encontrar.
– Te busco em frente do Restaurante?
– Vou estar lá.
Desligo o celular e saio do ônibus. Ando um pouco até o restaurante. Nessa caminhada eu fico repetindo a mesma frase o tempo todo Que não seja uma coisa séria.
Quando chego, o carro está parado. Abro a porta do motorista e vejo Louse com a cabeça no volante refletindo. Eu puxo para mim e o abraço. Ele não diz nada.
– Aposto que tem alguma coisa haver com sua namoradinha. — Digo com a voz cheia de raiva.
Ele não diz nada.
– Quer beber?
– Estou dirigindo.
– Eu dirijo. — Eu sento no banco do motorista e Louse abre a porta para o banco de trás. Olho para Bea ao meu lado e vejo as lágrimas quase secas no seu rosto. Beijo sua testa. Ela está pálida. Ligo o carro.
– O que aconteceu? — Perguntou olhando as ruas para ver se posso atravessar para pista.
– Eu estava indo embora, mas ouvi uns gritos e subi para ver o que estava acontecendo. Aí eu vi a Diane encolhida no chão chorando e a Bea gritando com ela dizendo que queria morrer. Levei ela para fora e perguntei se ela queria dar uma volta.
– Foi o certo a fazer. Vou ligar para ela daqui a pouco para ela não ficar preocupada. Agora me conta de você. — Ele não fala nada. — Louse eu sou sua melhor amiga. Não dá para de ajudar se você não quer falar o que tá acontecendo. — Falo sério com ele.
– Você acertou. — Ele estava se referindo a namorada dele.
– O que aquela filha da puta fez? — Falo com raiva.
– Acho que ela não sabe que eu sei. Ela estava numa festa e um amigo estava lá e viu ela com... eles... — Ele não terminou a frase.
– Eu sabia que ela ia te magoar. Eu e Bea avisamos...
– Porra vai me ajudar ou brigar comigo. — Ele levanta a voz.
– Dá para calar a merda da boca. Bea está dormindo. — Eu falo baixo.
Eu paro o carro em frente a uma loja de bebidas.
– Entra lá e compra duas garrafas de José Cuervo (tequila).
Ele obedece e volta com duas garrafas. Ele começa a beber. Ligo para a mãe de Bea.
– Alô. — Ela fala com uma voz fraca. É obvio que estava chorando.
– Oi Diana, é a Aimee. Queria ligar para dizer que Bea está comigo e com Louse. Fica calma tá?
– Obrigada por avisar. — Ela desliga na minha cara.
– De nada. — Falo para o celular desligado. Depois olho para Louse. — Vai com calma.
– Ela é uma vaca, é uma vaca... — Ele começa a chorar.
– Você é um idiota. — Resmungo.
Saio e abro a porta de trás. Tiro Louse e nós dois sentamos na calçada. Ele bebe e começa a falar um monte de coisa que gostava naquela puta e depois xingou ela de todas as formas possíveis.
– Não sei qual é o problema dos homens. Eles só se apaixonam por mulheres que os fazem de gato e sapato. As que valorizam continuam solteiras e virgens é sempre assim. — Falo para Louse.
– Você é uma boa pessoa. Eu ficaria com você se não fosse minha melhor amiga. — ele fala bêbado e tenta me abraçar. Olho para meu relógio de pulso são quase 4h da manhã. — Vamos, já está tarde. — Levanto e dou a mão para ele.
– Já? Vamos ficar um pouco. Quero que você fale o que você sente. — Ele fecha os olhos e se joga na minha direção, caindo de bêbado.
– Quer saber o que eu sinto seu babaca? EU TE AMO, MAS VOCÊ NÃO VAI SE LEMBRAR DE NADA AMANHÃ POR QUE ESTÁ BÊBADO E SOFRENDO POR UMA MULHER QUE NÃO TE DEU VALOR! — Uma lágrima de raiva desce. Eu não posso culpa-lo de não me amar. Afinal, ele me ama, mas não o suficiente. Ele está inconsciente.
– Vamos seu babaca. — Coloco um braço dele ao redor de mim e o levo até o carro. Dirijo para minha casa.
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