Vivendo um dia de cada vez
10 Capítulo 10 - Ele é um idiota
Notas iniciais
— Mee, onde você está?
— Estou entrando aí agora.
Ela abre a porta e aparece com um sorrisinho triste.
— Você está bem? Fiquei tão preocupada. — Ela me abraçou.
— Minha mãe é o problema. — digo com uma voz fraca.
— Ela te ama Bea. Assim como eu e o Louse. Queremos seu bem, e você não enxerga isso. Imagina como deve ter sido um saco para ela ouvir que você queria se matar? Dá mais uma chance.
— Vou conversar com ela depois. E agora me conta de você. Essa tua cara triste tem haver com o Louse? — pergunto acariciando seus cabelos.
Ela me conta tudo o que aconteceu na noite anterior, ouço com atenção todos os detalhes. Ela deixa uma lágrima escapar, mas não se incomoda.
Depois de conversarmos, ela vai até o meu amigo que está caído no chão.
— Ela vai pagar caro por deixa-lo assim. — Falo enquanto vejo Aimee o colocando na cama. Levanto e a ajudo.
— Pois é. Ele ficou muito mal. Nunca tinha visto ele assim.
Aimee o cobre e pega a garrafa de tequila jogada no chão. Ela joga no lixo e se tranca no banheiro do seu quarto.
Eu sempre soube que ela sentia alguma coisa 'a mais' por Louse. Aimee sofreu por todos os namoros dele, e mesmo assim o idiota não sacou que ela gostava dele. Na noite de ontem, eu acordei e ouvi uma parte da conversa deles, ouvi Mee dizendo que o amava e quando vi que eles estavam entrando no carro fechei os olhos e voltei a dormir. É a única coisa que lembro também.
Pego o celular de Louse em cima da cabeceira e ligo para minha mãe.
— Alô? — Ela fala com um voz fraca. Aposto que ela não dormiu.
— Oi, eu vou ficar um pouco na casa da Mee, porque Louse está aqui e ele está muito mal. Mais tarde peço para ele me levar.
— Tudo bem.
— Tchau. — Desligo.
Coloco o celular de volta. Caminho até o banheiro e coloco meu ouvido na porta.
— Mee? Deixa eu entrar por favor.
Ela abre a porta e cobre o rosto.
— Vem cá amiga.
Abraço-a bem forte. Ela chora baixinho no meu ombro e me aperta ainda mais.
— Ele é um idiota Mee. — Falo.
— Ele é muito idiota. — Ela fala rindo.
Ela deita no meu colo e eu a abraço mais. É disso que nós duas precisamos. De amor.
x.x.x
Quando terminamos de almoçar, concordamos em acordar Louse. Aimee preferiu ficar na cozinha e lavar os pratos, eu não discuti. Subi as escadas e fui até o quarto dela, ele estava da mesma posição que o colocamos horas atrás. Dei dois tapas (talvez dois tapas agressivos, mas merecedores) e o chamei.
— Louse, acorda! — gritei no ouvido dele.
Ele arregala os olhos e quase cai no chão. Eu rio baixinho e caminho até o banheiro, pego um copo e encho de água. Volto para cama e jogo o conteúdo do copo na cara sonolenta dele.
— Você doida?! — ele diz tirando a água dos olhos.
— Muito doida.
Eu saio do quarto.
— Ele acordou? — Mee pergunta.
— Sim. Pode deixar que não o acordei como a bela adormecida. — eu dou uma risada e ela dá um sorriso fraco.
Ele desce as escadas e Aimee se vira totalmente para a louça. Eu sento na cadeira e termino meu copo de suco.
— Quem deixou eu beber tanto ontem? — ele pergunta coçando o olho.
— Você mesmo. — Aimee disse sem olhar para ele.
Ficamos em silêncio.
— Que clima chato é esse? Vão me dizer o que eu fiz ontem? — ele pergunta com uma expressão de humor.
Aimee para o que está fazendo e o encara. Joga a frigideira com força na pia e sai da cozinha. Lou se assusta e se vira para mim.
— O que aconteceu com ela?
— Você é burro mesmo ou se faz de idiota? — eu digo.
— Você fala como se eu soubesse.
— Ela só está cansada de ser sua babá Louse. Ela ficou cuidando de você a noite toda, e de mim também. Pelo menos eu peço um 'obrigada'.
— Então é por isso que ela está assim? Por que ela foi minha babá?
— Não, ela está assim por outra coisa, mas você é idiota demais para perceber.
Me levanto e vou atrás de Aimee.
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