Vivendo um dia de cada vez
6 ''Menina do câncer''?
Notas iniciais
Acordo assustada.
– Aimee? — Chamo.
– Bea? — Ela aparece na sala segurando um pote de achocolatado.
– Desculpe não quis te assustar.
– Senhor. Fui ao céu e voltei.
– Está fazendo o que?
– Bolo de chocolate para minha bebê. — Ela sorri. Vai para o sofá onde estou e levanta minhas pernas, sentando abaixo delas.
– Está fazendo um trabalho exemplar de babá heim?
– Bom, sua mãe pediu que eu ficasse de olho em você. Estou obedecendo as ordens da chefe.
– Nossa. Eu que deveria ser sua babá. Ainda não se passou um mês.
– Eu sei.
– Louse está onde?
– Saiu com Ellen.
– A tal Ellen que eu ainda não conheci.
– Ela é legal. Não tão legal quando a gente, mas dá pro gasto.
– Eles começaram a namorar faz quanto tempo?
– Tempo? Acho que uma semana nem é considerado ''tempo'' ainda.
– Ele está feliz né?
– Nunca o vi desse jeito.
– Que bom. Quero que ele seja feliz. — Sorrio pensando no Louse.
– Ele disse que ia passar mais tarde aqui.
– Ah é! Tem o cine pipoca hoje. Quase me esqueci.
– Ele vai trazer os filmes. O bolo é para mais tarde então nem venha colocar a mão no meu bolo precioso. — Ela diz se levantando e indo para cozinha.
– Sem chances de eu conseguir sair desse sofá. Me sinto fraca demais.
– Tomou seu remédio das 18h? — Mee volta para sala e me pergunta.
– Não. Deve ser isso. Pode pegar o remédio para mim?
– Está na gavetinha?
– Sim. Fitinha lilás.
– Eu sei. Tenho sua lista de remédio tatuada na minha cabeça.
Ela vai para as escadas e sobe de dois em dois degraus.
x.x.x
– Trouxe pizza e uma convidada! — Louse entra se anunciando.
– Chegou a estrela da noite. Cadê os fotógrafos para tirar foto desse momento épico? — Aimee joga pipoca nele.
– Que convidada? — Pergunto curiosa.
– Ellen? — Ele chama na porta.
Ellen é uma menina baixa e tem cabelos lisos vermelhos (provavelmente pintado). Ela usa óculos e está usando uma blusa dos Ramones. Ela estava com um sorriso, mas era falso. Dava para ver. Não gostei dela.
– Olá, eu sou a Bea. — Digo cumprimentando ela.
– Oi Bea. Louse me falou muito de você.
– Humm. — Pego um bocado de pipoca e enfio na boca.
– Louse podemos conversar? — Aimee fala.
– Claro. Já volto amor. — Ele dá um selinho na Ellen.
Que nojo.
Ela me encara.
– Que foi?
– Você é a menina do câncer né? — Ela pergunta. MENINA DO CÂNCER? Que vaca.
– Eu não sou ''a menina do câncer''. Eu tenho câncer.
– Humm... é tão ruim assim? — Ela é idiota por acaso?
– Não, fazer milhares de exames, ter que tomar 6 remédios diferentes por dia, passar mal frequentemente, ficar careca, sentir toda vez que você faz alguma coisa é bem legal.
– Que grosseria. — Ela resmunga.
– Que babaquice. — Eu falo.
Louse e Aimee chegam. Louse parece atordoado. Provavelmente Mee falou sobre a Ellen, ela não gosta muito dela. Bom, eu não gosto definitivamente dela.
– Estou cansada. Vou me deitar. — Digo.
– Eu te ajudo. — Mee pega os cobertores e coloca de lado. Puxa me braço e me ajuda a levantar.
– Curtem o filme. — Digo com frieza.
– Boa noite Be.
– Boa noite para você também Ellen. — Digo. Ela vira a cabeça com ignorância.
Chegando no meu quarto, Aimee vai até o Armário e pega um cobertor.
– Be você viu como ela é um nojo? Será que só ele que não percebe?
– Ela perguntou se eu sou a ''menina do câncer''. Eu chamei ela de babaca.
– Ela é uma babaca mesmo. Quando o Louse ia me abraçar ela foi e se colocou entre nós.
– Que vaca.
– Pois é. Louse é cego. — Ela coloca o cobertor na cama me cobrindo.
– Minha mãe vai chegar que horas?
– Ela disse 22:00.
– Não sabia que ir no mercado demora tanto.
– Ela foi lá no centro resolver umas coisas.
– De noite? — Eu pergunto.
– Vai entender.
– Quando ela chegar me avisa okay?
– Aham. Vou ficar aqui com você. Não suporto respirar o mesmo ar que aquela menina. — ela deita do meu lado e fecha os olhos.
x.x.x
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