Vivendo um dia de cada vez
7 Corpo de Gelatina
Notas iniciais
Preferia não ter acordado essa manhã.
– Nós só estamos dizendo que não gostamos da sua 'namorada', não somos obrigadas a gostar. Queremos ser sinceras. Só isso. — Mee tenta acalmar Louse. Não está dando certo.
– Minhas duas melhores amigas não me apoiam. — Ele diz achando graça. — Obrigada pela força. — Ele caminha até a porta.
– ELA É UMA VACA. NÃO QUERO ELA AQUI NA MINHA CASA! — grito e faço Louse parar e me encarar. Ele me queima com seu olhar. Meu rosto muda e transbordo arrependimento.
– Se ela não pode vir aqui, eu também não vou vir mais. — Ele sai e fecha a porta com todo seu ódio.
– Arggg!! — Rosno e sento no sofá de braços cruzados.
– Como ele é cego. Essa raiva é passageira. Ele não vive sem a gente. Mais tarde ligo para ele.
– Mee por que você estava tão calma? Você estava tão furiosa ante dele chegar.
– Bea, quero Louse feliz. Ele só está hipnotizado por uma das 'várias' que ele encontra por aí. Eu não queria mostrar minha raiva para não deixar na cara... — Ela para de repente de falar.
– Deixar o que na cara? — Pergunto.
– Que... nos importamos muito com ele. Ele é nosso irmão. Já já volta correndo para gente. Você vai ver. — Não engoli essa história.
Louse é meu melhor amigo e não é a primeira vez que ele traz uma namorada para nós conhecermos. Costumávamos gostar delas, só Aimee que sempre dizia que não iam dar certo. Bom, não dava mesmo. Duas semanas depois acabava tudo e começava tudo de novo. Eu amo Louse, assim como amo Aimee, mas Louse é muito cabeça dura e me irrito fácil com ele.
Quando me levantei para ir buscar mais pipoca sinto uma tontura. Aimee se assusta e levanta rapidamente.
– Você está bem? – Ela arregala os olhos.
Não consigo responder. Sinto minha cabeça rodando e meu corpo fica gelado. Caio no sofá. Desmaio.
(visão de Aimee)
– Bea? Bea!! Ah não! – Tento acordar ela, mas provavelmente ela não vai acordar. – DIANA! DIANA!
Diana corre as escadas com uma pressa que só mãe pode sentir. Ela arregala os olhos assim como fiz. Nunca que ela se acostumaria a ver sua filha assim. Nem eu.
– Ela desmaiou, está gelada, mas ainda respira. Pega a chave que eu a levo pra garagem. – Diana pega a chave do carro e eu coloco Bea nos meus braços.
Algumas semanas atrás posso dizer que Bea estava no seu peço ideal. Agora posso dizer que ela está pesando uns 30 quilos. Pego a com facilidade e a coloco no carro.
Um mês atrás aconteceu uma coisa parecida. Bea estava vendo filme comigo e com Louse. Ela começou a tossir sangue, muito sangue. Levamos para emergência rapidamente e ela se recuperou. Tinha fé que não ia re repetir e ela iria melhorar. Não aconteceu como eu queria.
Chegamos na emergência e a coloco numa maca. Diana acompanha a enfermeira e pergunta como que ela vai ficar.
Um enfermeiro impede a minha passagem para acompanhar Bea. Diana também é parada e ela não gosta nada disso.
– EU SOU A MÃE DELA! — Ela grita chorando.
O enfermeiro deixa ela entrar no corredor.
– Eu sou a melhor amiga dela por favor. Eu preciso saber se ela vai ficar bem. — Digo com minhas lágrimas descendo.
– Sinto muito. Só família. — Ele responde rigidamente.
– EU SOU A FAMÍLIA DELA!!! — Eu grito e caminho a sala de espera.
Pego meu celular e ligo para Louse.
– Aimee não adianta... — Ele começa a falar.
– Bea está no hospital. Achei que gostaria de saber. — Desligo na cara dele.
Bea sempre foi uma menina cheia de luz. Brincalhona e sempre com um auto estima. Quando essa doença veio para retirar tudo dela, ela se mostrou valente e não deixou sua personalidade de lado. Confesso que tinha fé que ela iria melhorar. Rezo todas as noites pedindo que essa doença acabe, mas não acaba e ela não melhora. Só de pensar em viver sem minha melhor amiga me dá um aperto enorme no coração. Sou muito fraca para não ter ela comigo.
Louse abre as porta correndo da sala de espera. Eu levanto anda com minhas lágrimas a mostra e ele corre para me abraçar. O abraço dele é reconfortante. O tempo está frio lá fora, com bastante neve, mas ele permanece quente. Ele me aperta e eu grito em silêncio.
– O que foi? — Ele toma coragem para me encarar.
– Ela ficou gelada e desmaiou. — Falo pausadamente.
– Foi culpa minha? — Ele sussurra.
– Não foi culpa sua. Foi culpa dessa doença infernal. — Mais uma lágrimas cai.
– Desculpa. — Ele diz.
– Está desculpado.
Sento na cadeira onde estava e Louse senta ao meu lado. Deixo minha cabeça repousar em seu ombro e ele coloca os braços ao meu redor, me apertando. O cheiro dele é tão reconfortante.
x.x.x
Abro os olhos um de cada vez. Minha cabeça dói. Me sinto fraca e meu corpo parece uma gelatina. Parece que estou no hospital mais uma vez.
Olho para o calendário. 23 de dezembro.
Não quero passar Natal nessa cama.
Tento me levantar mais minha coluna não permite. Aperto o botão que do lado da cama e chamo a enfermeira. Ela entra rapidamente no quarto e sorri. Um sorriso fraco, assim como eu.
– Bom dia Bea. Como está se sentindo.
– Minha cabeça dói, como sempre.
– Está se sentindo forte? — Ela pergunta.
– Estou pronta para ir para casa. — Digo com um sorriso forçado.
– Hoje não Bea. Você está em observação. Ainda não está 100% para poder ir para casa. Sinto muito.
– Vocês não podem me obrigar a ficar aqui. Eu não quero passar Natal aqui!
– Vou chamar sua mãe. Com licença. — Ela fecha a porta.
Droga.
Minha mãe entra correndo no meu quarto.
– Ah filha! — Ela senta do meu lado e beija minha testa. — Você está bem?
– Estou. — Mentirinha de leve.
– Seus amigos estão aqui. Passaram a noite aqui.
– Aimee e Louse? — Pergunto.
– Sim. Quer que eu chame eles? — Ela pergunta.
– Só Aimee. Depois falo com Louse. — Digo.
– Já volto filha. — Ela sorri e seca uma lágrima.
Aimee entra correndo no quarto como minha mãe. Ela vem para me abraçar fraquinho e me beija na bochecha. Ela está chorando.
– Bea que susto que você me deu. — Ela briga comigo mas me abraça ao mesmo tempo. Vai entender.
– Desculpe Mee. Não queria te assustar.
– O importante é que você está bem. — Ela pega minha mão.
– Não chora Mee. — Seco uma lágrima dela.
– Eu quase morri durante essa noite Bea. — ela fala.
– Louse ficou com você? — Pergunto.
– Sim. Ele está doido para te ver. Por favor, não brigue com ele. Ele está muito preocupado com você assim como eu. — Ela explica.
– Chama ele por favor. — Digo com um tom tranquilizador.
– Okay. — Ela dá um sorriso fraco. Assim como eu.
Louse entra no quarto civilizadamente. Não como as duas loucas que estão lá fora.
– Oi. Você está bem? — Ele pergunta.
– Já ouvi isso 3 vezes só hoje. Gostaria de não ter que responder. — Dou um risinho. Ele sorri.
– Você sabe que eu não vivo sem você né Bea?
– Que coisa gay Louse. Que baixo nível. — Tento soar engraçada.
– É sério. Me desculpa por ontem tá?
– Desculpo. Assim que você me desculpar por querer matar você e sua namorada de 101 formar diferentes.
– Te desculpo por isso. — Ele sorri.
Ele se aproxima de mim e senta na cadeira ao meu lado.
– Você sabe que não precisa fingir que está forte perto de mim. — Ele fala me encarando.
– Minha cabeça está doendo, meu corpo parece gelatina, me sinto fraca e eu não consigo me levantar. Não estou fingindo. Acho que minha aparência está mostrando minha fraqueza Louse.
– Pior que não. Você parece dura como uma pedra. Não parece fraca e nunca pareceu. Não para mim. — Ele dá um sorriso sincero.
Ele me abraça e sai do quarto.
x.x.x
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