Notas iniciais
Oi meus amores! Estou sumida como sempre, agora está mais difícil postar por que tenho que cuidar de 3 fanfics. Mas como prometido, vou dar o máximo de atenção para vocês. Espero que gostem ;3 ~ Garota Extraordinária

Depois de uma semana em observação e trancada naquele quarto de hospital, respiro ar puro e consigo voltar para minha rotina de antes. Acordar e fazer vários nadas.

Louse teve que levar a namorada no aeroporto, ela vai ver a família na Islândia. Nem passou pela minha cabeça que ela era islandesa, mas isso não importa. O que importa é que ela está longe e posso descansar em paz. Não que eu vá morrer, pelo menos não ainda. Quero pelo menos ter uma ''vidinha'' antes de bater as botas.

Quando sai do quarto, quase desmaiei de novo. Minha mãe queria que eu ficasse mais alguns dias no hospital, ela disse que eu estava fraca demais. Bom, eu sou fraca, então não tem muita coisa para fazer. Aimee me ajuda com a mochila e pega minha mão enquanto minha mãe leva o carro para garagem.

Dou um passo de cada vez. Ficar uma semana sem se mexer piorou minha situação e meu humor também. Nos primeiros dias que estava lá, eu até fiquei confiante tipo ''vou sair daqui rápido''. Sai porra nenhuma. Eu passei o natal em uma cama de hospital, tudo que eu não queria. Hoje é o primeiro dia de 2016, e eu não consigo nem andar direito. Aimee pediu para ficar comigo na virada, ela implorou para mim. Eu disse que não queria ela lá, ela tinha que sair para se divertir como uma adolescente normal. Bom, ela ficou comigo e Louse também. Eles são muito bons para mim. Eu não saberia o que fazer sem eles do meu lado.

Com todas essas lembranças, eu reflito na banheira. Aimee insistiu que ela ficasse do banheiro comigo para saber se eu realmente estava bem. Ela é muito irritante. Concordei. Eu estou com uma cara horrível, estou pálida igual aquela menina do crepúsculo. Minhas mãos estão tremendo, mesmo a água quente jorrando na minha cabeça. Estamos no inverno e nevou muito ontem. Quando saio da banheira, Aimee oferece uma toalha e me ajuda a ir até meu quarto.

– Não esquece de tomar seu remédio das 9 horas. — Mee fala enquanto me cobre com 3 camadas de cobertor. Não imaginava que era tão cedo. Olho para o relógio da parede e vejo que são 8:28.

– Obrigada. — Digo com a voz fraca.

Ela sorri e beija minha testa.

– Qualquer coisa me chama. Vou embora só 11h, minha mãe me obrigou a ir para o almoço da família. Louse vai vir 2h. Eu ficaria se eu pudesse.

– Não. Pode ir. Isso não pedido. Vai se divertir.

– Se divertir? Sério? Com meus tios piadistas? É pavê ou pacumê? — Ela fala achando graça. Eu rio também. — Descansa tá? Qualquer coisa...

– Eu vou chamar. Pode deixar. — Ela abre a porta e sai do quarto.

x.x.x

O resto do dia foi normal. Louse veio e trouxe filmes de comédia e assistimos até de madrugada. Minha mãe estava quieta e quase não conversou comigo, só me deu os remédios e me perguntou se eu estava bem.

Quando Louse foi embora eu subi as escadas devagarzinho e ouvi minha mãe chorando. Eu parei sentei em um dos degraus da escada. Coloquei as duas mãos na cabeça e implorava para tudo acabar. Tanta gente fala para eu ter fé e nunca desistir de lutar pela minha vida. Eu vou morrer. Isso é uma certeza. E eu sei que minha mãe está chorando por que recebeu alguma notícia de Debbie. Eu só quero que tudo acabe. Se eu vou morrer, quero morrer de uma vez. Quero que seja rápido.

Levanto e abro a porta da minha mãe. Ela leva uma susto e enxuga seu rosto. Eu olho com raiva para ela. Ela se aproxima de mim e eu sinto meu rosto molhado. Mas eu não pareço fraca, pareço dura como uma pedra.

– Quer saber. Eu vou morrer. Você sabe disso. É doloroso para você, mas entende logo de uma vez. EU VOU MORRER. E você não pode fazer nada para mudar isso. Eu sofro mais por você do que por mim. Eu quero que tudo isso acabe. Quero morrer de uma vez...

– Não diz isso Bea! — Ela grita.

– Quero me livrar de tudo isso. Desses tratamentos. De camas de hospital. De pessoas sentindo pena de mim. EU QUERO ME LIVRAR DE TUDO ISSO. Isso está começando a me irritar. Eu devo imaginar por que você está assim. Deve ter recebido alguma notícia da oncologista não é? — eu espero a resposta dela, mas ela não responde.

– FALA! O que ela disse vai mudar alguma coisa? EU VOU MORRER DE UMA VEZ!

– BEA PARA! — minha mãe cai no chão e se encolhe.

– Eu não quero isso para minha vida! — Eu grito.

– Para por favor. — Ela diz baixinho.

– Eu quero morrer logo. — Minhas lágrimas são mais profundas.

– Não fala isso. NÃO FALA ISSO!! — ela levanta e grita ainda mais comigo.

– VOCÊ SABE QUE É VERDADE!

Louse entra no quarto e me agarra me levando para foro do quarto da minha mãe. Ele pega meu pulso e desce as escadas correndo para me tirar dentro de casa. Pega meu casaco pendurado na porta e saímos para varanda. Ele me puxa para si e me abraça. Eu choro em seu peito e ele me aperta mais ainda.

– Eu não aguento mais Louse... — digo baixinho.

– Você é forte.

– Não sou. Eu acho que sou. Na verdade eu sou fraca.

– Olha, eu não vou te deixar assim. — Ele me puxa e me leva até seu carro.

Louse é bem mais velho do que parece. Ele tem cara de 16, mas ele tem 18. Seu carro é um Ford usado que ganhou da sua mãe. Ele me arrasta para dentro e corre com o carro para bem longe daquela casa. Bem longe daquele lugar. Ele pega um cobertor no banco de trás e estende sobre meu corpo gelado. Ele liga o aquecedor e tudo parece mais confortável.

– Bea, não deixa essa doença vencer. Você é mais que isso. — É a última coisa que eu escuto antes de cair no sono.

x.x.x

Notas finais
;-; ~ Garota Extraordinária