Vivendo um dia de cada vez
5 Febre e vômito... é só o início
Notas iniciais
Acordo na madrugada. Coloco a mão na testa e vejo que estou suando.
– De novo não... — resmungo.
Levanto e vou para o banheiro. Ligo a luz e coloco minhas mãos debaixo da água fria. Jogo água no rosto e depois seco minhas mãos. Procuro o remédio para febre na gaveta de remédios e pego o frasco de fitinha cinza. Volto para cama e me enrolo nos lençóis.
Depois de meia hora tentando dormir levanto e vou até o armário. Pego mais dois cobertores. Minha febre ainda não passou e eu estou com muito frio. Me enrolo e procuro minhas pantufas para calçar. Abro a porta e sigo o corredor indo para o quarto da minha mãe. Bato das vezes.
Ouço pegadas correndo até minha porta.
– Filha? O que foi? Está bem? — Imediatamente, ela coloca a mão sobre minha testa. — Já tomou o remédio? — Ela perguntou.
Balanço a cabeça afirmando.
– Daqui a pouco vai passar. Vamos, vou te levar até o quarto.
Minha mão coloca seu braço em volta de mim e me guia até meu quarto. Puxa os lençóis e deitamos na cama. Ela fica do meu lado me abraçando.
– Queria tanto que isso acabasse... — Mamãe sussurra. — Eu te amo tá? Desculpa pelas coisas que eu falei hoje. Não era minha intenção. Eu só quero que você seja uma adolescente normal.
– Eu também...
x.x.x
Na manhã seguinte acordo com o som do alarme.
– Ah droga... — Resmungo procurando o despertador.
Coloco a mão na testa. Felizmente a febre foi embora. Quando levanto para arrumar minha cama me sinto enjoada. Rapidamente coloco a mão na boca e corro para o banheiro. Levanto a tampa da privada e coloco tudo para fora, inclusive o remédio e sangue.
– De novo? — A voz da minha mãe aparece na porta do banheiro. Ela agarra meu cabelo fazendo um coque. — Quer ir no hospital?
– Não.
– Bea...
– Mãe, você sabe que isso é normal.
Ela afirma com a cabeça.
– Vou fazer uma coisa leve para você comer de café da manhã. Está bem?
– Agora, acho que sim. — Falo levantando e indo até a pia.
– Qualquer coisa me chama. — Ela sai.
x.x.x
– Febre de novo? — Aimee pergunta.
– Aham. Já me acostumei. — Falo virando a página do livro.
– Louse estava muito mal ontem.
– Eu ainda mais. Bom, sou eu a doente.
– Ei, cadê aquela auto-estima? — Aimee disse me cutucando.
– Acho que vomitei.
– Sem graça. — Ela fica séria.
– Estou muito cansada. Vou cochilar um pouco, essa madrugada eu quase não dormi.
– Tudo bem, quando você acordar vou estar aqui.
– Obrigada tá?
– Pelo o que?
– Por estar comigo. Mesmo eu estando desse jeito, ferrada e careca.
– Somos irmãs. Sempre vou estar com você.
E adormeço.
x.x.x
(Uma semana depois de descobrir a doença)
– Você é ridículo Will!
– E você não vive sem mim.
– Com certeza. — Bea o abraça.
– Já decidiu?
– O que? Se vou fugir com você? Claro que não. Somos menores de idade. Lembra?
– O que é que tem?
– Eu não vou fugir. Esquece.
– Por que você está tão diferente?
Bea fica em silêncio. Ela ainda não tinha contado para Will sua doença. Seria uma grande notícia para ele.
– Eu tenho uma coisa para te contar. Sobre mim.
– Pode falar.
– Eu... tenho...
– Desembucha. Até parece que é algo tão grave. — Diz Will rindo.
– Eu estou com cancêr. — Ela diz de uma vez.
Ele fica paralisado.
– Quando que você descobriu?
– Uma semana atrás...
– Atá.
Bea fica inconformada com a resposta de Will, aquele que dizia ser seu melhor amigo.
– Atá? Jura? Eu digo que estou com câncer e você diz atá?
– Quer que eu diga o que?
– Nada. — Bea se levanta e sai.
Depois daquele dia Bea nunca mais viu Will. Ele realmente fugiu, e o pior, é que ele foi sem ela.
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