Vivendo um dia de cada vez

4 Depressão? Vizinhos gatos? Tô fora.


Notas iniciais
Amorees! Voltei com mais um capítulo. Estou em semana de prova (as últimas, graças a Deus) então é pouco provável que eu poste. Espero que gostem do capítulo. Beijos ♥ ~ Garota Extraordinária

Saindo da loja, mamãe permitiu-se um momento de paz. Andamos até nossa casa em silêncio. Quando chegamos Louse e Aimee já estavam na porta esperando a mais nova ‘’careca’’.

– E aí amiga? – Aimee dá um sorriso torto.

– Ué? Cadê os garotos? Louse você espantou eles? – Falo rindo.

– Quer saber de uma coisa? Chega ta? Chega desse lance de auto-estima. Você se comporta como se nada te abalasse. Admite! – Louse dispara.

Cada palavra dele me fez acreditar que o modo que eu me comportava era uma farsa. Aimee ficou em silêncio e minha mãe resolveu entrar para se deprimir em seu quarto.

– Olha, eu sei que você morrer ta? Eu não sou imbecil! Eu estou tentando ajudar a minha mãe. Se você não quer mais me acompanhar ao médico ou saber os resultados dos exames tudo bem. Vai embora. Tchau! Mas não fica tentando me deixar deprimida ou triste. – Minhas lágrimas ameaçaram sair, mas fiquei forte. Não iria ser fraca.

Louse deu passos para trás e caminhou para o meu quintal. Entrei rapidamente dentro de casa.

– Bea! Espera! – Gritou Aimee.

Subo as escadas e entro no quarto da minha mãe. Ela está na cama deitada, dormindo. Dou a volta no quarto e abro o armário dela.

– Onde está esse remédio? – Resmungo.

Olho de baixo da cama. Nada. Olho na gaveta da cômoda. Nada. Olho debaixo do travesseiro. Encontro um frasco aberto vazio.

– Ah não.

Desço as escadas e vou para o quintal. Chegando lá Aimee está sentada no banco junto com Louse. Dessa vez permito que minhas lágrimas desçam.

– Sabe o que acontece quando se tem uma doença? Você não tem mais vida. Você não tem mais personalidade. E sabe por quê? – Louse faz que não com a cabeça. – Porque nós só queremos preparar a nossa família para o pior. Nada mais importa. Sabe o que minha mãe acabou de fazer? – Louse balançou a cabeça negativamente. – Ela se entupiu de remédios e agora está desmaiada lá no quarto dela. Ela não tem mais vida! Essa doença infernal não destrói só o doente, destrói todos em volta dele. E eu amo todos vocês para poder permitir que sofram quando eu morrer. Eu estou sendo forte por vocês! Vocês são minha família... – Aimee está chorando e muito.

– Bea eu te amo muito para te deixar morrer. – Aimee diz me abraçando.

– Eu sei que você ama sua mãe. Me desculpe pela minha atitude. Eu também te amo. Só está sendo... difícil te ver assim. – Ele disse.

– O que? Linda de morrer? Eu sei. Desculpe, mas é muita beleza. Alguns olhos não agüentam. – Digo secando minhas lágrimas.

– Te adoro viu? Ás vezes eu digo umas merdas. É só ignorar.

– Você é um idiota. – Digo abraçando ele.

x.x.x

Mais tarde minha mãe finalmente acorda. Estou na sala assistindo filme, com dois cobertores sobre mim. Não sei se está frio de matar ou é meu câncer vindo dar um oi.

– Filha? – Ela caminha até mim. – Me desculpe. – Ela me abraça e chora.

– Mãe você disse que nunca mais faria isso. Por favor, não faça mais isso. – Digo com a voz firme.

– Prometo. Quando o Louse disse aquilo, não aguentei...

– Eu sei, eu sei. Agora para de chorar e se aconchega aqui. Vou fazer pipoca ta?

– Tá bom, minha pandinha.

x.x.x

Química? Física? Meu Deus não aguento mais estudar. Fecho o notebook e deito na cama.

– Filha! Visita! – Minha mãe me grita.

– Já vou!

Levanto da cama e corro para o banheiro. Olho-me no espelho. Nossa quanta olheira. Você está horrível e careca. Pego minha nécessaire e procuro o corretivo. Dou uma ajeitada na cara e coloco meu lenço florido. Olho para o relógio e são 17h48min, decido tomar logo o remédio das 18h, abro a gaveta dos remédios e puxo o frasco de fitinha lilás. Coloco dois comprimidos na mão e os jogo a goela a baixo. Continua sem gosto.

Desço as escadas e encontro Felipe. Meu vizinho. Ele está segurando uma caixa de presente. Adoro.

– Bea! Você está linda. – Ele diz e me abraça. Ele é gatinho e tem 17 anos. Adoro.

– Não é para tanto. – Eu disse ajeitando o lenço na cabeça.

– Para, você está demais. Te trouxe um presentinho. – Ele me entrega a caixa.

– Ah Lipe, não precisava... – Precisava sim.

– Abre. – Ele fala animado. Desfaço o laço e abro a caixa. Tiro o embrulho e vejo um caderno decorado com várias borboletas e passarinhos. É uma graça.

– Esse caderninho funciona assim, você vai contar todos os seus segredos para ele. Ele vai te ouvir e não te julgará. Eu tenho um e me ajuda muito. – Olho para ele com um sorriso malicioso.

– Ah não desse jeito cheio de borboletas cor de rosa. De um jeito... Ah sei lá. – Ele coloca a mão na cabeça e sua camisa levanta, revelando seu abdômen. Ah Jesus.

– Eu sei seu bobo. Muito obrigada ta? Eu adorei. Mudando o assunto... como está Ângela?

– Nós terminamos... – Ele diz sem um traço de constrangimento.

– Poxa, que chato. Você vai arranjar alguém melhor. Já te disse que tenho uns amigos legais para te apresentar?

– Eu não sou gay... – Ele diz. Eu fico rindo da cara dele e ele ri também.

– Eu sei, eu sei. Estou brincando.

– Como está sendo? Lidar com isso tudo?

– Bem puxado Lipe. É uma coisa indescritível.

– Qualquer coisa pode falar comigo. Não sou um do melhores conselheiros e tals mais estou na faculdade de psicologia. – Ele dá um piscada.

– Obrigada. Se eu precisar vou chamar.

– Okay então. Fique bem ta? Beijos. – Ele me abraça.

– Tchau. – Fecho a porta.

– O que é isso? – Mamãe aparece de repente. E com um sorriso no rosto.

– Uma agenda, diário, sei lá. Bonito né?

– Lindo. Eu ouvi que ele terminou o namoro. Que chato né? – Ela faz uma cara triste. Mentirosa.

– Mãe! – Digo com voz de reprovação.

– Que foi? Ele é bonito e já faz faculdade. Até te traz presente...

– Esquece. – Digo subindo as escadas.

– Só por que você está doente, não quer dizer que não vá pensar nisso.

Paro no terceiro degrau da escada, digerindo as palavras da minha mãe.

– Ah Bea... eu não queria ter dito isso. – Sua voz é trêmula e chorosa.

– Nem se atreva a tomar os remédios de novo. – Digo, e depois continuo a subir as escadas.

x.x.x

Notas finais
Que vacilo em Diane? Até mais amores! ~ Garota Extraordinária