Notas iniciais
Para você que quer chorar, acho melhor você fechar essa página. Por que você só vai sorrir com essa personagem forte e corajosa.

Olá! Meu nome é Bea e eu tenho câncer. Não é uma coisa normal de se dizer. Estou sendo realista. Querem saber como eu lido com isso? Vou contar para vocês minha história.

Descobri meu câncer com 15 anos, é recente. Venho fazendo um tratamento super caro que exige que eu tome em média uns cinco comprimidos por dia. É dureza. Eu moro com minha mãe, ela aguenta firme. Esse é o nosso mantra ‘’aguentar firme’’. É comum ter um mantra quando se tem câncer. Faz você se sentir melhor. Querem saber se deu certo para mim? Não, muitas coisas não deram certo para mim.

Bom, minha rotina é acordar cedo e estudar. Querem saber se eu vou à escola? Não, eu não vou à escola. Eu faço aulas online. Estou no segundo ano do ensino médio, com 16 anos. Não sou umas das adolescentes que nessa idade experimenta os ‘’prazeres’’ da vida, que saem com garotos mais velhos e bebem até ficar em coma. Sou daquelas que têm câncer. Mas calma. Vocês acham que estou em depressão ou algo assim? Não. Por incrível que pareça não. Vou contar um segredo. Ninguém nunca prestou atenção em mim quando eu não era doente. É verdade. O que mais recebo são mensagens no Facebook como frases sobre ‘’ser forte’’ e ‘’vencer o câncer’’. Isso é legal? Mais ou menos. Tem hora que irrita. Acho fofo quando as pessoas que vem me visitar trazem presentes. Acho fofo mais ainda quando trazem chocolate. Adoro. Tenho 2 melhores amigos: Louse (sim é nome de menino) e Aimee. Somos tipo os três mosqueteiros. Ficamos todas ás tardes vendo filmes do James Bond e jogando xadrez. Eles são os únicos que me tratam como uma pessoa normal. Eles e minha mãe.

Minha mãe. O que posso dizer sobre ela... Ela é a minha vida. Ser mãe solteira não é fácil. Ela me criou com muita dificuldade, dividindo sua vida em duas partes: pagar as contas e cuidar de mim. Ela nunca, eu disse ‘’nunca’’ deu as costas para mim. Quando descobrimos minha doença, minha mãe se deprimiu. Ela passou mais de um mês cuidando de mim e chorando. Todas as noites. Todas as manhãs. Todas as tardes. Eu levava fé que ela iria melhorar. Bom, Deus foi gentil comigo e realizou meu desejo. Minha mãe foi até meu quarto e disse que nós duas íamos ter que ser fortes e agüentar a barra juntas. Vou resumir como essa conversa acabou: nós duas choramos litros.

Eu tenho leucemia, câncer no sangue. Eu passo mal frequentemente, mas isso nem é o pior. O pior são as cirurgias e comas profundas. Têm 6 meses que tenho essa maldita doença e já passei por mais de 100 cirurgias e ressonâncias.

Chega de sentirem pena de mim, eu tenho mais o que fazer.

x.x.x

Notas finais
Bejinhos da Bea para vocês.~Garota Extraordinária