Visões

2 II. A primeira visão


Notas iniciais
Mais uma capítulo para vocês ^-^P.S. Valeu pelo review.

– Alexia! – Ouviu alguém chamar.

– Quem está aí? – Perguntou a garota estreitando os olhos. Como poderia haver tanta neblina em plena tarde?

Depois ouviu uns passos e uma buzina. Quem quer que seja, atravessou a rua. Seus olhos percorreram de baixo para frente, enxergando uma grande quantidade de árvores. Seu pai mora perto de uma floresta? Se Jannie soubesse disso ficaria horrorizada.

– Lexie, o almoço está pronto. – Gritou Max na escadaria.

Lexie fechou a janela, sem trancá-la e desceu. Se deparou com Max sentado numa mesa com duas cadeiras. Em cima da mesa redonda, um pote de plástico branco. O cheiro do molho do macarrão penetrou nas narinas da garota, deixando-a abruptamente com fome. Sentou-se na cadeira de frente para o pai.

– Está com fome? – Ele perguntou.

Lexie assentiu colocando uma grande quantidade do espaguete em seu prato. Max murmura um riso e continua comendo.

– Pai por que não me contou sobre a floresta? – Perguntou a garota saboreando o macarrão que seu pai fizera.

– Quando me mudei para cá era a única casa que meu dinheiro poderia comprar, não sei o que aconteceu, mas o preço dela abaixou. – Respondeu sem dar importância.

– E você nunca pensou em perguntar para os vizinhos? – Lexie perguntou de repente.

– Não. – Max a respondeu. – Você sabe que seu velho não é de conversar muito. – Ele disse fitando a filha acabar de comer.

Alexia terminou e juntou os pratos e talheres, colocando-os dentro da pia sem dar mais nenhuma palavra com seu pai. Aquele silêncio não era comum quando morava com Jannie. Virou-se para Max, vendo o mesmo guardar as sobras de macarrão na geladeira velha e azul, desbotada.

– Você nunca chegou a conhecer seus vizinhos? – Alexia perguntou tentando digerir essa informação incredulamente.

– Por que conheceria? – Max perguntou como resposta.

– Para ter amigos, pessoas que se importam com você. – Ela respondeu. – Quer saber? Amanhã eu quero que você dê uma volta pela cidade, sei lá, arranjar um amigo ou quem sabe uma amiga. – Lexie falou como uma ordem.

– Eu não vou sair da minha casa. – Ele murmurou.

– Pai, deixa de birra. – A menina falou como se falasse com uma criança. – Você não tem mais idade para isso.

– Tudo bem, tudo bem. – Ele aceitou a proposta da filha. – Se isso lhe deixa feliz. – Falou sem vontade.

Alexia assentiu satisfeita subindo de volta para seu quarto. Apesar de todo o diálogo que teve com seu pai essa tarde, não pôde deixar de esquecer aquela voz grossa chamando-a em meio à neblina. Quem era? Como a conhecia? Como sabia que, agora, mora ali? Várias perguntas surgiram em sua mente, mas não havia nenhuma resposta coerente para elas.


~

Lexie mal conseguiu dormir noite passada. Estava atordoada. Não parava de pensar em Jannie, em como ela estava reagindo ao primeiro dia sem a filha. Querendo ou não, Jannie era uma pessoa que se apagava à outros fácil demais, não seria nada fácil para ela esses primeiros dias. Também não parava de pensar na razão de seus pais terem se separado, era uma das perguntas que martelavam sem pausa em sua mente. Lexie chorou noite passada. Ficar sem a mulher que cuidou dela desde pequena era difícil, mesmo tentando colocar em sua mente que Max, seu pai, estava ali para o que der e vier.

Agora, a garota está sentada na sua cama, abraçando os joelhos, pensativa, quando Max adentra seu quarto. Deviam de ser umas dez horas da manhã.

– Filha, vou sair como me pediu. – Ele disse esperando uma confirmação, mas a mesma não respondeu, continuou fitando o edredom. Max se aproximou. – Lexie, você não pode ficar assim para o resto do dia, recomendo que você coma, nem que seja uma mínima. Se continuar assim ficará fraca demais.

Não ouve nenhuma palavra saindo da boca da garota novamente. Ela realmente estava abalada com a separação dela e da mãe.

– Lexie, você é uma pessoa independente agora. Tem dezoito anos, eu não posso força-la a ficar aqui, apesar de ter meus direitos. – Ele pausou, vendo que a filha o fitava como canto dos olhos. – Eu deixo você visitar Jannie nos fins de semana.

A cabeça da garota levantou de repente e um sorriso pequeno formou-se em seus lábios. Max sorriu satisfeito, sabendo que estava fazendo o certo. O que adiantaria afastar Lexie da mãe? Não mudaria nada na vida dele, apenas teria uma filha emburrada e trancada no seu quarto todos os dias.

– Obrigada pai. – Ela murmurou aliviada. – E... Bom passeio.

Max deu uma risada de alivio.

– Obrigado. – Eu não demoro.

A garota assentiu. Logo depois de seu pai sair do seu quarto, Lexie tomou uma ducha morna e calmante. Já sabia o que iria fazer depois de sair do banheiro.

Já trocada pegou seu celular e ligou imediatamente para Jannie, para lhe contar a novidade. Ambas ficaram alegre ao pensar que faltavam mais três dias para Lexie ir visita-la. Jannie chorou de emoção, não sabia que depois de tudo que Max fez, ele cederia essa oportunidade à Lexie, assim como nunca fizera.

Quando desligou o celular, não tinha ideia do que ficar fazendo sozinha dentro de casa, então resolveu ficar sentada na calçada esperando Max voltar, do jeito que era, ele não demoraria.

Sentou-se virada para a floresta, algo nela a incentivava a adentrar a paisagem verde e escura. De repente começou a ouvir uma voz:

­– Venha Lexie... ­– Uma voz doce e serena a chamava.

– Quem está aí? – Perguntou encarando a floresta com medo.

Abruptamente, uma dor de cabeça acertou-lhe em cheio. Deu um murmúrio de dor e colocou as duas mãos na cabeça, abaixando-a e sentindo lágrimas percorrerem seu rosto. Nunca havia sentido nada como aquele dia, quer dize, ela até sentia dores de cabeça quando tinha seus pesadelos cotidianos, mas aquilo era mais forte. Sua visão começou a ficar turva e de repente ela estava em outro local

Está escuro demais para poder enxergar algo. O que está acontecendo? Alexia olhou ao seu redor, tentando descobrir onde estava. Aquilo não podia ser real. Sua visão começou a voltar ao normal, permitindo-lhe ver a rua da casa de seu pai totalmente deserta, parecia que a rua era abandonada. A sua frente a floresta. Sentiu seu corpo levantar-se da calçada, mas não ela que se move. Sentia seu corpo lhe levando para dentro da floresta contra sua vontade. Ela não conseguia sair daquele transe. Passo a passo, um após o outro, até adentrar a floresta, ou um pedaço dela.

– Venha Lexie... – aquela voz serena lhe chama mais uma vez.

– Alexia! – Ouve alguém chamar. Olhou a sua volta, mas não havia ninguém. – Alexia! – Reconheceu a voz, mesmo em seu transe: é Max.

O mesmo corre até a garota que começa a entrar na floresta. Preocupado segura seu braço, fazendo a pobre menina sair de seu transe.

– Alexia, o que você estava fazendo? – Perguntou Max preocupado.

– Ai, minha cabeça. – Murmurou Lexie caindo nos braços do pai.

(Continua...)

Notas finais
E aí? Gostaram do capítulo? Reviews? O que estão achando?[/Sexta que vem, mais um capitulo novinho em folha]