Visões
3 III. Fugir
Notas iniciais
Faziam-se exatas quatro horas que Alexia estava desmaiada em sua cama. Max não sabia o que fazer. Quando voltara para casa pegar os documentos do carro que havia esquecido, avistou sua filha andando em direção à floresta, parecia sem rumo, andava lentamente e não movia mais nenhuma parte do corpo, a não ser as pernas. Ele saltou para fora da caminhonete, deixando a porta aberta e seguro a menina, antes que adentrasse a floresta. Depois de ter murmurado sobre uma tal dor de cabeça desmaiou em seus braços.
Max a levou para dentro de casa nos braços. Ela estava pálida. Subiu as escadas com a menina no colo e a deitou na cama. Aproximou-se dela para ver se ainda respirava. Seu coração parou quando ouviu um ar fraco saindo de sua boca. Ela está viva, é só o que Max conseguiu pensar no momento, aliviado.
O homem anda de um lado para o outro dentro do quarto da filha, colocando as mãos na cabeça. Ele deveria contar para Jannie, mas se o fizesse, a mesma correria ver a filha e a levaria de volta, culpando o pobre homem preocupado sobre o acontecimento. Resumindo, Jannie enlouqueceria.
Por um momento parou, observando o rosto da filha. Seu corpo se remexeu na cama e seus olhos esforçavam-se para abrir. Max se aproximou e ajoelhou-se ao lado da filha.
– Lexie, querida, você está bem? – Max perguntou segurando a mão da filha, preocupado.
Ela assentiu com a cabeça, devagar. Seus olhos abriram-se, observando o local em que está agora.
– Pai, o que aconteceu? – Lexie perguntou confusa.
– Eu que lhe pergunto, o que aconteceu lá fora? – Ele perguntou. Lexie o fitou confusa, tentando lembrar-se do acontecera mais cedo. – Lexie, você estava andando em direção à floresta. – Ele falou na expectativa de fazê-la lembrar.
Quando ouviu seu pai dizer floresta, a mente de Lexie viajou por um momento, capturando imagens dela sentada na calçada e começando a ter aquela dor de cabeça incrivelmente forte. Lembrou-se também de tentar evitar com que seu corpo continuasse seguindo em frente, mas ele não a obedecia.
– Lexie? – Max chamou pela milésima vez, vendo a garota, finalmente, encará-lo. – Vai me contar o que aconteceu?
– Eu... Eu estava sentada na calçada olhando para a floresta e....
De repente, Lexie escuta uma voz suave vindo do lado de fora da janela. Ela olha para mesma, escutando aquela voz misteriosa dizer:
– Não conte nada a ele Alexia. – A voz ecoou em sua mente.
– E...? – Max perguntou.
– Você ouviu isso? – A garota perguntou perturbada.
– Ouvi o que? – Ele perguntou confuso.
– Ahn... Nada. – Respondeu Lexie mais confusa ainda.
– Lexie, o que você está escondendo de mim? – Max perguntou.
– Pai, eu... eu só queria ver como era a floresta e de repente fiquei com uma tremenda dor de cabeça. – Mentiu a garota. – Isso foi o que aconteceu lá.
Max a encarou por alguns segundos, desconfiando daquela desculpa da filha. Lexie apertava o próprio braço, esperando com que Max acreditasse naquela mentira tola.
– Lexie, vamos deixar uma coisa bem clara aqui... Você não mente para mim e eu não minto para você. – Ele disse mantendo-se calmo. – Conte-me a verdade.
– Você vai me contar o que aconteceu entre você e minha mãe? – Alexia perguntou o desfiando.
– Ah, Lexie, não comece, por favor. – Ele disse levantando-se.
Eles se encararam por um tempo. Lexie não daria o braço a torcer, prometera a ela mesma que, enquanto Max não contasse o que acontecera na noite em que se separara de Jannie, ela também não contaria o que aconteceu na tarde de hoje. Para falar a verdade, nem ela mesma sabia o que havia acontecido com ela. Ela queria descobrir e faria de tudo para tentar fazer aquilo acontecer novamente.
Max encarou a filha com desprezo, não conseguira reconhecer tanta criancice na própria garota. Tudo bem, ele também não estava sendo muito maturo em relação ao assunto de sua separação, mas é uma das coisas que ele não preferia contar para filha tão cedo. Ela o odiaria. Finalmente deu às costas e saiu do quarto de Lexie.
~
Lexie olhou pela janela, vendo a chuva cair. Depois de sua discussão com Max, ele não permitiu que ela saísse do quarto, em hipótese nenhuma. Isso soou como um desafio para Lexie. Quem ele acha que ela é? Uma garotinha de dez anos que fica de castigo toda vez que faz coisa errada?
Presa em seus próprios pensamentos e no seu quarto ela pensara em fugir, mas não seria exagero? Não, claro que não. Ela tinha motivos e, isso é o suficiente. Entrou no banheiro pequeno que há em seu quarto e tomou, um banho quente. Saiu do mesmo vestida com uma calça jeans, um moletom preto com olhos de gato, uma bota de cano alto e uma jaqueta quente por cima de tudo. Olhou o relógio e viu que é tarde, uma hora da manhã, Max deveria estar dormindo. Alexia pegou a primeira mochila vazia que viu e desceu as escadas em silêncio. Foi diretamente para a cozinha e pegou tudo o que tinha nos armários.
Sair pela porta não seria uma coisa boa, contando que Max podia acordar. Subiu para seu quarto e abriu a janela devagar para não haver nenhum barulho. Agora garoava bem fraco, mas seu quarto está muito longe do chão, talvez, não conseguisse pular.
– Merda. – Sussurrou para si mesma.
Bem ao lado do seu quarto, tem uma árvore. Ela tem uma aparência horrível, sem folha alguma, parecia de filme de terror. Lexie colocou a mochila nas costas decidida. Sim, ela vai descer pela árvore. Sentou-se na abertura da janela e esticou uma das pernas para alcançar o galho mais grosso que não está tão longe da janela. Deu um impulso para frente temendo cair, mas felizmente ela conseguiu sentar-se no galho. Deu uma olhada para baixo, vendo os possíveis jeitos de descer dali. Bem no meio do tronco da árvore tem um buraco, provavelmente um ninho de pássaro abandonado. Ela se movimentou de vagar até o centro da árvore e com os dois braços segurando num galho, alcançou o buraco, onde seu pé encaixou. Quando conseguiu firmeza, foi descendo seus braços nos galhos próximos, até chegar no chão. Lexie nunca se sentiu tão bem de estar no chão.
Então, uma pergunta um tanto quanto confusa veio em sua mente. Para onde ela iria? Ela começou a andar em direção da cidade, mas depois saberia que seria um dos primeiros lugares que Max a procuraria. Enfim, sentou-se na calçada colocando as mãos na cabeça.
– Venha Lexie, você está perto. – Ela escutou aquela voz suave novamente.
Lexie pensou em responde-la, mas acordaria toda a vizinhança, então, levantou-se e foi lentamente para a floresta. Um certo medo subiu em sua alma, trazendo um frio na barriga e fazendo com que suas mãos congelassem.
– Eu não posso. – Sussurrou ela para voz, encarando a floresta.
– Não Lexie, não tenha medo. Siga-me, sei que pode me ver. – A voz que vinha da floresta mais parecia um convite.
– E... Eu não posso vê-la. – Sussurrou de volta.
– Venha descobrir o seu passado, minha querida... – A voz da mulher soou mais perto.
Lexie recusou a si mesma a continuar, mas seu pai já havia a impedido. E que passado era esse? Não havia nada de interessante no passado dela. Seus pais a tiveram e se separaram, depois começaram a ter relacionamentos cada vez mais distantes... E fim. Não existe mais nada no passado da garota.
– O que você sabe do meu passado? – Ela sussurrou para a floresta novamente.
Quando ouviu a janela de um dos vizinhos abrindo, ela adentrou a floresta rapidamente para não ser vista.
Atrás de uma árvore, observou o vizinho, que ela não fazia questão de saber o nome, observar toda a floresta confuso e sonolento. Logo fechou a janela e voltou a deitar.
De repente, uma mão leve e pequena pousa em seu ombro. Ela cobriu a boca com as duas mãos e prendeu a respiração. Seus olhos se arregalaram e ela não achou coragem de virar-se para a pessoa que a tocara. Sentiu seu coração acelerar e, por fim, soltou a respiração levemente.
(Continua...)
Fale com o autor