Notas iniciais
Olá, como vão? Bem esse é o primeiro capítulo onde vou apresentar Thomas Smith que é o personagem principal

I

Entre as pessoas mais importantes da história encontra-se uma figura que provavelmente foi a mais marcante para o desenvolvimento financeiro de nossa sociedade: Thomas Smith. Nascido em 16 de agosto de 2900, tendo morrido em 15 de maio de 3042, foi ele quem aprimorou as Equações Monetárias de forma que foi possível analisar os padrões de aplicação financeira e de investimento. Suas empresas, conquistadas a partir da compra e venda de ações utilizando as equações elaboraram um império comercial que perdura até hoje nas mãos de seu neto.

(...)

Além de Smith temos o genial e brilhante Richard Byron, ele por vez era um grande mestre da tecnologia tendo desenvolvido os principais sistemas de comunicação que usamos atualmente como o HGN e a Nova Macro Onda. Ele por vez nasceu numa família pobre arruinada pela crise, ao invés de Smith, e seu gosto por tecnologia gerou uma obrigação de esforço próprio e mais tarde a criação da grande corporação que se concretizaria como a Byron Comunicações que acabou por mais tarde se tornar a Comunicações Supremas.

Morreu em 7 de fevereiro de 3040, Thomas Smith declarou certa amargura por sua morte, foi ao seu enterro e realizou um dos discursos mais memoráveis da história. De fato, eram bons amigos.

Grandes Personalidades: Homens Modernos

Por Vincent Nolan em 3088

Uma coisa que a maioria dos livros não conta é que Thomas Smith era, pelo menos nos padrões de sua época, um homem descolado. Muitas fotogramas lhe mostram como uma pessoa série olhando para cima e sorrindo com papéis para dar a sensação de trabalhar mesmo quando não devia, sendo que não era bem assim. Ele estava sempre preocupado em seu trabalho, mas não tão exageradamente. Ele era o homem que resolvia as coisas, um verdadeiro profissional cuja concepção era apenas a de resolver os problemas internos e externos da Smith Investimentos, sempre que fora criada pelo seu avô e do qual ele cuidava. Mas, além disso, era um ser humano e todo momento em que podia afrouxava a gravata e se ocupava com outra coisa.

Naquele momento, por exemplo, ele disputava com Mary Stevenson uma partida de racha por hovercar num planalto montanhoso próximo, deslizando com cuidado pelas curvas do morro calmamente. Stevenson era uma verdadeira amiga com o qual ele passara grande parte de sua vida, separando-se a uma distância maior do que sete quilômetros apenas quando ele ingressou a Universidade de Direito, mas voltaram a comunicar-se quando ela anunciou seu noivado com Peter McClarke. O marido pai de suas duas filhas.

Thomas deslizou ligeiramente para a direita, provocando correntes de ar convergentes para com o carro da Desembargadora Stevenson, seu carro perdeu uns dois centímetros de altura e raspou a lataria no solo. Ela em revanche caiu alguns centímetros de altura conseguindo mais potência, apenas para aumentar a altitude e bloqueá-lo. Agora mais uma vez ela estava ganhando.

Smith preparou sua estratégia, localizou pontos fáceis e previu o que ela faria em defesa. Decidiu fazer a única coisa que ela não pensaria dele, o provável, e para isso precisaria usar manobras conhecidas. Pensou numa, claro, por que não? A estratégia Valdorf seria perfeita. Acelerou encostando o carro no dela, provocando uma alteração do campo magnético, o carro incrementou a velocidade em mais de 20 quilômetros apenas para frear 40. Ele levantou o carro seis metros de altura e ainda nessa altitude cruzou a linha de chegada.

Ela estava simplesmente furiosa.

– Como ousa? — perguntou ela.

– A estratégia Valdorf é um clássico — disse calmamente.

– Eu não estava com meus campos de retenção ligados, mas não há uma forma concreta de percebê-los, muito menos tecnologias para detectá-los. Realizá-la com meus campos de retenção ligados seria possível, mas desligados não,

– Os campos de retenção servem para reduzir o atrito gravitacional entre a superfície e o carro. Você, porém tinha abaixado seu carro para me ultrapassar. O que acontece é que eu acabei por não realizar a estratégia Valdorf corretamente por causa de adivinhe o quê — ele inclinou-se, esperando uma resposta que não veio — A posição de seus painéis está organizada de maneira a poupar velocidade — indicou chapas de aço em inclinações diferentes, elas podiam ser usadas de formas diferentes em cada caso e cada situação.

– Você usou os campos gravitacionais — disse receosa e hesitando — para emitir uma onda cinética que alterou o comportamento de meus painéis — fez outra pausa — para que meu carro poupasse velocidade ao invés de dispersar?

– Não, eu fiz isso para que seu carro acelerasse, ultrapassando o normal e causando uma reação cibernética, que no caso foi a de seu computador reduzindo a velocidade de vez.

– Isso não faz sentido, você não sabe nada sobre Física.

– Eu não, mas o computador do hovercar sabe.

– Isso foi trapaça.

– Como diria James Trick: A trapaça é boa, desde que funcione.

Ele começou a caminhar em direção ao carro, era hora de voltar para Nova, a fabulosa megalópole do qual vinham. E, enquanto os cabelos louros de Mary sopravam em suas costas, Smith caminhava vitorioso antes de ligar os motores do potente modelo Apolo e voltar para casa nos arredores da cidade gigante onde nunca se dorme e nunca se para.

Desceu o carro verticalmente numa plataformas circular conectada a sua casa por uma ponte. Qualquer tropeço e ele cairia do 10º andar de sua casa, décimo e último, portanto, uma morte em que veria tudo que sua família construiu perder-se para sempre. Não tinha filhos tal como não tinha parentes. O pai morrera de câncer no cérebro (por sinal, o único tipo de câncer ainda não curável no mundo inteiro) e a mãe ainda que viva não poderia gerar outro herdeiro para continuar a linhagem Smith que se estendia por 7 gerações.

Entrou pelo décimo andar, mas já estava no terceiro providenciando algo para comer depois de cinco minutos. Procurou a superfície de vidro biótico para que fosse possível iniciar seu divertimento preferido: Álgebra Econômica Dinâmica, tal paixão por esse tipo de matéria causou um estudo analisado na inovação de dados e utilização de variáveis de nome: Compilação de Estudos Analíticos sobre Adaptação de Informação Matemática e Inovação no Uso das Variáveis que rendeu o Nobel da Economia, prêmio restaurado no século anterior para incentivar a ciência.

Uma tela de vidro foi providenciada. Escrevendo inseriu as variáveis que recebera de relatórios de companhias adquiridas da Smith Investimentos, empresa de seu avô e mais tarde de seu pai, ainda que a mãe fosse a Presidente Executiva por hereditariedade familiar. Procurou variáveis que não estavam lá com matemática reversa e conseguiu-as, depois de meia hora já terminava de adaptar as fórmulas das Equações Monetárias que o levaram ao segundo prêmio Nobel por: Compilação de Estudos Analíticos sobre a Adaptação da Inovação no Uso das Variáveis em Novas Formas de Cálculo Algébrico. Um nome bastante grande para algo genial, muito complexo e difícil. Pelo menos os outros pensavam assim.

As Equações Monetárias consistiam na utilização de formas para gerar um gráfico conhecido por Gráfico Geral onde eram possíveis se localizar a evolução positiva ou negativa de ações econômicas. Ele poderia usar isso para muita coisa, só que preferia usar para expandir o império financeiro de sua família e manter aquele seu padrão de vida. Se estivessem passando fome em algum lugar do mundo ele até poderia pensar em outros fins que não enriquecer, mas naquela sociedade utópica as coisas eram diferentes. Ninguém se importava com caridade.

Pressionou no vidro um pequeno ícone digital com forma de barra.

10 de agosto de 2930. Hoje iniciei mais equações monetárias para uma taxa de previsão de duas semanas com base no que está acontecendo no campo de vendas imobiliárias, as com maior destaque — disse ainda realizando suas equações — as taxas de previsão tem se mostrado negativamente satisfatórias, uma vez que até o próximo sábado esse campo sofrerá um destaque perdendo 17% do valor atual. Como essa taxa influenciará o campo econômico rural, incidi uma quantia de valores que vão quedar outros campos para aumentar o rural e, portanto o imobiliário com uma valorização de preços dos terrenos. Poderei reaver 75% dos lucros perdidos em curto prazo e o resto em longo prazo. No caso, dois meses.

Pressionou novamente o ícone, salvou no computador central da casa e voltou a detalhar da mesma maneira outras informações usando outro sistema com informações e variáveis diferentes.

10 de agosto de 2930. Reanalisando os dados encontrei um erro em uma de minhas equações que nada tem a ver com as gravações anteriores. Ao que parece existe uma pequena interferência financeira nas empresas associadas de segurança — disse um tanto curioso para saber o que era tal — Quando atualizei meus relatórios e revi os gráficos notei uma queda de 0,00001% sendo que as outras declararam total estabilidade. As chances do computador estar enganado são mínimas, estamos na era de terminais quânticos, portanto algo exterior está interferindo em meus acertos.

Fez uma pausa, usando-a para beber um pouco de água num copo que fora deixado pelos empregados. Eles cuidavam do território e quando ele pedia lhe serviam, ainda que a maioria não tivesse de fazer isso profissionalmente.

E sinceramente, eu não gosto de estar errado.

II

Resumo da Entrevista com Thomas Smith (13/07/2945)

Entrevistador: O que você realmente gosta de fazer?

Thomas Smith: É uma pergunta interessante. Eu acho que gosto de um pouco de tudo, talvez de escrever análises e teses, estudar ainda que soe um pouco forçado e ler.

Entrevistador: E qual você considera sua maior contribuição?

Thomas Smith: Perguntas paralelas (risos), bem, de que ponto de vista?

Entrevistador: Bem, por que não do ponto de vista humanitário?

Thomas Smith: Sendo assim já tenho minha resposta pronta. Acredito que a minha maior contribuição do ponto de vista humanitário (risos), foram as Equações Monetárias.

Entrevistador: Verdade, dentre todas as suas milhares de contribuições?

Thomas Smith: Não exatamente, mas considero a mais adequada.

Entrevistador: E qual a contribuição verdadeira?

Thomas Smith: Segredo.

Entrevistas: Entrevista com Thomas Smith

Por Elizabeth Baker em 3001

A mansão da propriedade Smith como foi dito era uma enorme casa de dez andares. Foi estabelecida com arquitetura inovadora e traços sutis para adaptar-se inteiramente à enorme fonte de mármore onde a construção foi construída. Sua fachada compunha sete colunas retangulares com um metro de distância entre cada enquanto na outra metade estava o minimalista portal de entrada à casa.

Atrás da mansão por sua vez encontravam-se as cascatas de mármore. Eram três: Prometeia, Epimeteia e Atlanide. Ele gostava quando pequeno de deslizar pelas pedras que foram polidas e transformadas num enorme playground. Uma vez ou outra ele ainda deslizava por entre as pedras dando mergulhos de 50 metros de altura e descobrindo novas cavernas seguindo o curso da água.

Thomas porém encontrava-se numa região mais distante, as florestas.

As florestas ficavam a um distância de 15 quilômetros de sua casa, era lá onde ele costumava ir durante os finais de semana dar um passeio com seu carro. O carro comum que deslizava pelo chão ao invés de flutuar sobre ele — Hovercars para falar a verdade eram usados apenas em corridas. Dessa vez porém ele estava de pé, e por ser impossível ter chegado lá em um intervalo de quinze minutos a pergunta e a intriga deve permanecer em suas mentes durante um pouco mas de tempo. Dessa forma, cabe saber o que ele fazia lá.

Ele estava caçando.

A prática da caça era totalmete ilegal. Portanto ele utilizava um feixe de laser não letal que apenas refletia um raio de luz concentrado em cor verde e dessa mesma forma, o computador da mira calculava se ele havia acertado ou não era só uma questão de esportiva. Munido, esperando que a presa, no caso um empregado que se voluntariara para caçar com ele, também armado, atirasse.

Para se proteger, os dois utilizavam lentes de contato polarizadas, mas como toda trapaça é pouca, essas quatro lentes possuiam um material biótico que se adaptavam ao ambiente e indicavam onde atirar.

Ouviu-se um barulho de passos. Passos atrás dele. Virou-se, não viu nada exceto folhas caindo... Não era outono, estávamos em pleno inverno. Carregou sua arma novamente e correu, mas não de encontro a árvore. Correu descendo a colina onde estava a floresta procurando um ponto de acesso quase impossível, exceto para ele que passara sua adolescência lá.

Quando chegou ao ponto inacessível gritou bem forte em socorro usando as mãos para aumentar o eco e diminuindo a intensidade da voz cada vez mais até que parou subitamente. Ele se encontrava numa pequena parede de pedra sólida, não podia cair porque pressionava suas pernas contra sentido contrário, além claro de ter preso seu braço num pequeno anel rochoso que formou-se com o passar dos séculos. Era um ponto perfeito.

Ouviu passos em sua direção. Desceu com um salto e com um acrobata, soltou seu braço do anel, juntou os pés e enquanto caía prendeu a mão numa pedra firme presa. Impulsionou-se e caiu a centímetros da beirada. Entrou novamente na floresta e circundo o empregado, que já aparecera e procurava por Smith. Como seu ataque podia causar susto, esperou que saísse da ponta antes de abordá-lo.

Puxou levemente o gatilho enquanto a arma produzia um som abafado.

– Perdeu.

– Como você? — disse ele, Timothy Burnes era um homem velho, mas que já tinha visto muita coisa. Quando ainda era preciso caçar para conseguir comida naquelas bandas, ele e o avô de Smith quem tinham sustentado a casa.

– Infelizmente ao que me parece você teria me vencido fácil, sua pontaria é ótima então tive que utilizar estratagemas para atraí-lo até aqui. Dessa forma foi bem mais simples vencê-lo.

– Seu pai fez o mesmo comigo, mas ao invés de atirar criou uma prisão viva com galhos. Qualquer movimento que eu tivesse feito acabaria por me espetar de uma forma bastante embaraçosa.

– Você se machucou?

– Não — disse sorrindo — você é a mistura de seu avô, o caçador ideal que não teme ou tem amor pela presa e seu pai, o estrategista ideal que não teme ou tem receio da presa. Você me lembra mais seu avô, ele que tinha esses olhos fixos azuis, ainda que esse cabelo ruivo venha do seu pai. Enfim, ótima caça, se mostrou digno de me vencer e até a próxima.

–Você não aceita derrotas, não é?

– Nem um pouco — disse o velho homem sorrindo — quando seu pai venceu eu realmente fiquei estranhado. Seu pai perdeu de mim apenas uma vez enquanto nós jogávamos esse jogo. Eu segui-o e encontrei-o fazendo uma armadilha.

– E do meu avô? — perguntou.

O avô era um caçador nato, tinha uma pontaria invejável em relação a tudo, ainda que seu pacifismo fosse ainda maior e ele jurasse nunca ter encostado em qualquer tipo de animal no intuito de agredi-los. Quando publicou seus livros que o mesmo escreveu até sua morte aos 120 anos, gostava de apresentar a caça mais por sobrevivência do que por entretenimento.

– Eu nunca ganhei de seu avô. Como eu disse ele era o caçador ideal. O problema de todo estrategista é arriscar alguma coisa, os grandes estrategistas estão sempre arriscando seus exércitos e a si mesmo. Temos César, Napoleão, Alexandre, Jason Hunter, Yuri Polokov, Marcus Baltazar. Todos eles tiveram uma ascensão tal como uma queda. César foi assassinado, Napoleão perdeu e Alexandre morreu. Jason Hunter foi traído pelo líder das tribos que acolheu suas tropas, Polokov era agitado e levou três tiros na cabeça enquanto Baltazar não durou o tempo necessário para se conquista todas as terras do norte. Mas os caçadores? Os caçadores têm suas presas, que seguem e estão determinados a obter.

– Então caçadores não podem perder?

– Depende do que caçam. Seu avô me ensinou uma vez que não importa o quanto você seja inteligente, o ser humano tem uma capacidade incrível de adaptar o meio e a si mesmo para a sobrevivência. Assim fizeram 900 anos atrás com a Crise de 2029 e assim fizeram com o Pós-Apocalipse. Todos esses eventos encontram-se para trás de nós e mesmo assim estamos aqui firmes e fortes.

– Eu sou um estrategista e mesmo assim ganhei.

– Você pode ganhar... Mas nem sempre.

III

O Estratego tem que ser considerado a maior personagem da Era Heroica (2945-3000) porque foi ele quem começou tudo. A política de considerar seu senso moral superior à própria lei (o próprio dizia levar isso em conta desde que tal não interferisse o bem estar de terceiros). Foi ele quem treinou os futuros ases, uma vez que ficou na ativa durante apenas um ano, tal como General Cinza, Insurgente, Arqueiro e Legionário Estelar. Continuou por meio de redes de Hiper Linha a dizer com um distorcedor: Respeitar a Lei e a própria Moral, até a Prosperidade.

Fazendo jus ao nome, Estratego mudou o mundo alcançando em 3000 a prosperidade final. Em 1º de julho desse ano ele fez sua última apresentação por HGN, dizendo:

Senhoras e senhor, espero vir por meio desse meio lhes dizer que está terminada a Era Heroica. Não há nada mais a se falar, porque a prosperidade foi alcançada. Encontrar-me-ei hoje com Thomas Smith, e devo conseguir finalmente as negociações finais para o fim dessa Era e o início de outra.

Estratego: Conclusão

Por Vincent Nolan em 3090.

– Muito prazer, senhor Smith — disse a bela e jovem Mary Colins. Olhos castanhos e fixos na imagem do milionário e cabelos soltos nos ombros delicados, os dois dançavam lentamente e coordenados um com os outros — É interessante que já tenha me concebido o prazer dessa dança sem nem mesmo pedir — ela relembrou o acontecimento de instantes atrás, ele tomou suas mãos e iniciou movimentos calmos e ritmados — Muito bonita sua casa na verdade — Smith não dizia nada, os olhos azuis firmaram-se nos delas — Bastante inovadora.

– Meu avô gostava de inovação, meu pai também — outro movimento — eu sinceramente prefiro o clássico, mas depois de 75 anos essa casa já se tornou parte da família. Eu costumava brincar nesse salão com meu pai.

– Girou-a 180° e aproximou-a de si, dançou alguns passos para a esquerda e girou-a novamente, dessa vez encostando os corpos entre si. A dança continuaria mais alguns momentos sem nenhuma palavra a ser pronunciada. Quando terminou a música os dois não se separaram, uniram as mãos e iniciaram uma longa conversa. O primeiro assunto seria determinado com a pergunta:

– Quantas horas?

Andaram por uma rua comprida de vários quilômetros feita de mármore molecularmente alterado para que ao invés de ter listras em tons acinzentados fosse de um verde brilhante.

– Muitas, senhorita, mas infelizmente não posso permitir pressa durante essa noite. Enfim, eu ainda não sei quem é você, sei que seu nome é Mary Colins, que tem 29 anos e acabou de graduar-se como doutora em Arquitetura, fora isso não sei nada a seu respeito — disse Smith, seu terno de festa era da mesma cor que o vestido: Totalmente preto.

– Bem, eu nasci na 7ª capital — e continuou, porém não rápido suficiente.

– Então você gosta de geleia real e gosta de navios, ótimo — ela riu.

– Sim, eu gosto — e riu mais uma vez — Mas eu nasci em São Pedro, meu pai era um engenheiro aeroespacial e minha mãe uma publicitária industrial, foi diretora daquele comercial das noivas de 2912, lembra?

– O comercial onde elas estão lutando pela flor com espadas de esgrima?

– Esse mesmo. Enfim, eu tive uma vida bastante interessante. Como as 6 capitais no Brasil são social e economicamente bem desenvolvidas, meu pai que já era famoso pela criação dos Sistemas de Retenção Radioativa Aéreo também tinha o auxílio financeiro da minha mãe que criou propagandas memoráveis, então sempre tive tudo, assim como você, não?

– Sim, claro. Eu nasci na unidade médica da minha casa, que fica logo no subsolo da casa — disse, acrescentando informação — meu avô a criou quando teve de contratar empregados para trabalhar em casa. Meu pai, antes um dos diretores de pesquisa da Pericles Interprise, acabou se casando com minha mãe o que aproximou-o de meu avô. Ele trabalhou durante vários anos como CEO da Pericles até que foi para a Smith Investimentos e tornou-se Vice Diretor Executivo alguns anos depois com permissão e benção do meu avô.

– Ele nunca desconfiou que fosse um golpe.

– Sim, por isso esperou três anos de casamento até levá-lo para a Smith Investimentos. Meu pai caso não saiba vinha do 18º e chamava-se Adrian Kubiak, então meu avô enviou uma carta por Hiper Linha, naquela época ainda não se tinha o HGL que usamos hoje em dia, implorando para que ele assinasse um contrato para manter o sobrenome Smith no filho.

– Então você é...

– Thomas Lucio Kubiak Smith.

– Lucio?

– Meu avô casou-se com uma 19ª, lá eles mantém o sobrenome materno na família. Minha avó morreu dez anos antes da minha mãe aos 100 anos e sempre gostei muito dela, ainda que ela fosse um pouco mais quieta — isso surpreendeu Mary, os 19ºs eram conhecidos por terem sangue quente e serem agitados — mas isso não é suficiente para você me responder... Porque seu nome é inglês se é brasileira.

– Eu respondo-lhe, meu avô era diplomata.

– Você está brincando comigo.

– Não, meu avô veio da 8ª capital para cá, eu sou escocesa se pergunta.

– Você sabia que isso é bem mais engraçado do que parece? Veja, você é a escocesa/brasileira — disse, incluindo o barra e eu que sou ruivo de olhos azuis. Mas o que a fez sair do Brasil para vir para cá?

– As escolas de Arquitetura aqui são melhores.

– Não são não, eu fiz meu curso suplementar de engenharia lá.

– Fez um curso suplementar de engenharia?

– Sim, cá entre nós esta capital investe mais na bolsa de valores do que em ensino. Minhas opções eram ou a 21ª na Suécia ou o 7ª no Brasil, escolhi esta porque a primeira na época era muito concorrida para uma simples tese de 32 páginas.

– Sua tese suplementar era de 32 páginas?

– Não, mas é a quantia de páginas obrigatórias para cursar lá.

– Me diga uma coisa. Você repara em tudo, não?

– Como assim?

– Não me venha com essa, querido. Eu venho reparando em você desde que chegamos e você é mais atento do que uma coruja — comparou — Por que você dá essas festas se poderia fazer coisa diferente?

– Uma festa é a melhor forma de conseguir investidores chave para meus projetos. Veja bem, não julgo meus investidores por como eles se vestem, mas pela sua capacidade de sempre se manterem bem publicamente de maneira a nunca em hipótese alguma, uma de minhas associadas ser motivo de vexame, estragando direta ou indireta minha imagem e, portanto toda a estrutura que perdura três gerações.

– Então todas essas festas estão ligadas a seu trabalho.

– Sim, mas indiretamente.

– Quantas vezes você se desliga de seu trabalho?

– Bem, eu tenho uma amiga — o fogo nos olhos de Mary intensificou-se — às vezes eu, ela e o marido dela fazemos alguma coisa fora ou dentro da cidade. Mas eu fora isso de fato não faço muita coisa a não ser trabalhar.

– Então a diversão não é muito grande, acredito.

– Às vezes sim, às vezes não.

– Quantas horas?

– Meia noite em ponto.

– Você não tem relógio.

– Você também não.