Virtus et Sapientia
2 Capítulo 2
Um Ano Depois
I
Como apresentei em minha palestra anterior a esta classe, todo o tipo de cálculo matemático que corresponde às bases algébricas conhecidas pode ser facilmente resolvido seja com a aplicação direta de equações e fórmulas. Até agora nós conhecemos três graus de equação: 1ª, 2ª e 3ª, eu porém desenvolvi em minha tese a fórmula resolvente para todos os possíveis graus em gráfico que se formam. Eu por sigilo profissional decidi não apresentar meus cálculos, ainda que forneça apoio para o governo na utilização destas.
E na aula de hoje, eu aposto 5 mil dólares Terceiros contra 40% da nota atual de você para que descubram a resolução dessa fórmula me apresentando os dados que realizaram para chegar até ela.
(aluno insatisfeito ergue o braço e pergunta)
– Mas por que 40%, não é um valor muito alto?
– É porque eu já perdi essa aposta uma vez, essa é a única forma encontrada para reaver a quantia, naquela época 100 mil dólares, que perdi do meu mais inteligente e mais odiado aluno até hoje.
– E quem era ele?
– Não conhecem? Bem, chama-se Thomas Smith.
Palestra do Professor Mitchel Cranmer
Em 17 de fevereiro de 2931
Os pés pequenos de Mary Collins deslizavam suavemente pelo chão, seus olhos procuravam atentos em busca do noivo, que não estava na cama e por isso: ou fazendo seus cálculos ou se arrumando para uma conferência. Não achando o quase marido, encontrou um dos mordomos, o mesmo com o qual Thomas caçara, e até melhor: O mesmo que Thomas caçara no ano anterior.
Vestida apenas de um hobbie deixado perto da cama, perguntou ligeira e nervosamente envergonhada para Tim Burnes, o velho caçador de cabelos e barba branca (Thomas, que por causa da noiva raspara a barba, admitira invejar).
– Olá, Tim, bom dia — sorriu — Onde está Thomas?
Tim virou-se para um dos mordomos que faxinava a casa e perguntou.
Depois respondeu:
– O Fred disse que ele saiu para um conferência.
– Conferência de quê?
O mesmo se repetiu.
– Para uma conferência com o Prefeito.
– Muito bem, obrigada. Ele não me falou nada.
– O Fred disse que ele foi avisado de última hora, nem café tomou.
– Onde estão as anotações dele? As Equações Monetárias.
– Provavelmente na tela biótica que deixou ontem na sala. Por quê?
– Ele me disse ontem que a valorização de certas áreas relacionadas ao campo político podiam interferir nas ações da Smith Investimentos. Desligou depois de uma hora no telefone todas as possíveis conexões, o Prefeito deve querer saber o por que de tudo isso — aproximou-se da tela, Smith obrigara a esposa a aprender as equações em caso de necessidade — aplica a raiz, multiplica essas proporçõs e faz um gráfico — utilizando o ajudante de configuração inseriu as coordenadas e o gráfico se formou digitalmente à sua frente.
– O que o gráfico está dizendo?
– O que Tom fez teve certas repercursões eu as calculei, mas — abriu uma guia e fez o download do jornal por HGN, naquele ano, a Byron Comunicações com seu upgrade refez o Holo Gerenciador Legível, o HGL, trocando-o por Hiper Gerente Nulo, uma grande diferença especialmente na forma de utilização. Abriu o jornal na área de finanças e verificou — os resultados estão certos... É a interferência.
– Interferência? — perguntou o caçador.
– Thomas ano passado descobriu que há uma interferência econômica, no primeiro semestre ele ficou doido, mas depois descobriu que uma margem de 85% é capaz de ser investida sem grande prejuízos desde que 15% se mantenha instável, ou seja, ele tem apenas 85% de certeza nos seus cálculos, o que ainda é grande mesmo que não total como antes.
– Mas por que se antes não havia isso? Uma atualização?
– Não, a Máfia, com os grandes chefões contrabandeando produtos e com esses mesmo sonegando impostos uma margem de 5% dos cálculos é abalada, mas a Economia rege outras leis e fenômenos, um deles é o Efeito Borboleta que no caso é uma pequena alteração, como toda vez que um carro dos Aragona chega ao destino estabelecido, a economia toda é afetada. O máximo de alteração é 100%, mas como a Bolsa de Valores geralmente está em alta os efeitos são de 5% a 15%, por tal motivo eu preciso de parar de falar assim — disse embaraçada.
– Senhora Smith — para Burnes, dos velhos tempos, dois jovens morando juntos há seis meses eram ou irmãos ou estavam casados — O que quer que eu faça? Eu não sei fazer essas equações.
– Não quero que faça nada, obrigada, mas por que levaram ele?
– Senhora Smith, fique calma, não vai acontecer nada.
O problema é que ia. Depois de ser levado sob ameaça de processo contra a cidade, Thomas foi colocado em uma cadeira e posto em frente ao Prefeito, um ser robusto de braços fortes, totalmente careca e queixo triangular que o encarava com os olhos apertados. Em suas mãos havia um anel, mas obviamente algum comlink disfarçado equipado com sinal de alerta, como sabia disso? As empresas associadas da Smith Investimentos forneciam de tudo, a Pericles investia em apoio financeiro e a Byron em comunicações adaptadas.
– Então, senhor Smith, como está sendo seu dia?
– Estou com fome, infelizmente — ao dizer isso, serviram-lhe pratos dos mais variados gostos: Pão Quinto, Geleia Real (com letras maiúsculas porque esta era realmente a geleia real) e Leite Sétimo — Obrigado — e começou a comer.
– Bem, queremos saber por que cortou 70% dos serviços prestados.
Smith pegou uma faca e o pão, abrindo-o, despejou a geleia vermelha e espalhou-o com o talher, nesse meio tempo pensava em uma mentira que evolvesse qualquer coisa excetos suas equações monetárias, como eram apenas teorias, nunca provou cientificamente nada entregando fórmulas resolventes falíveis que jamais de forma alguma levariam à sua fórmula. Encheu sua caneca de leite e também jogou a geleia, que adaptou-se ao ambiente e começou a colorir o líquido de uma tonalidade avermelhada cheia de proteínas.
– Eu fui ameaçado ontem por dois mafiosos por uma carta em HGN, eu desliguei e hoje mesmo — e decidiu ser mais afiado — depois de tomar o café da manhã, claro — e voltou a comer, utilizando isso para dar mais consitência — iria chamá-lo por não ter encontrado uma solução ao problema. Podem me chamar de prodígio e tudo mais, mas precisei de sua ajuda e espero obtê-la.
O Prefeito sentiu-se incomodado, com um pouco de remorso.
– Me desculpe, não sabia. Poderia ter me ligado mesmo à noite.
– Meu orgulho não permitiu, eu que me desculpo.
– Então voltará a investir a quantia?
– Não — agora aplicaria seu lado intelectual — uma vez retirado, a volta da deposição causaria um certo choque na Bolsa de Valores desvalorizando as ações de minhas empresas. Recomendo que invista em empresas de médio porte e com capital não muito grande, se perguntarem, diga que é um incentivo à indústria ou crie um concurso público para incentivar a produção.
– Como assim? — perguntou interessado.
– Não sei. Diga que as três melhores empresas de determinado setor serão conectadas à Prefeitura durante três meses, que é o tempo necessário para completa regeneração dessa saída. Eu pago 75% da quantia inicial e depois tudo fluirá.
– 75%? Mesmo que tenha causado o problema — funcionara, apostar uma quantia excessivamente alta deixaria o Prefeito desarmado de sua gentileza — foi você quem encontrou a solução, não terá que pagar nada.
Mais uma vez, inteligência ganhou ganância.
– Tem certeza? Posso voltar atrás com minha oferta.
– Deixe isso para lá.
– Posso ir, Vossa Excelência?
– Claro que sim, e bom final de semana. Lembre-se de investir em nossa secretaria de finanças novamente dentro de três meses, vou negociar com empresas para o concurso.
– Falando nisso, poderia me passar os nomes das empresas? Não quero causar grandes problemas de burocracia ao senhor, me passe os dados de todas que quando anunciar o projeto eu as compro.
– O senhor é um bom homem, envio por HGN, tenha um bom dia.
– Idem.
Saiu do escritório, desceu os três degraus de escada e pegou o celular, não uma peça cibernética digital, mas sim um pequeno retângulo negro de metal onde a superfície macrobiótica corria com película. Clicou e chamou a secretária.
Um, dois, três toques. Atendeu.
– Kelly? Bom dia, estou te incomodando? Não, ótimo. Faça o seguinte, eu quero que vá hoje até a Bolsa, o que não deve ser grande problema — ela morava a dois quarteirões do edifício, e as cambiações menores podiam ser feitas pelo terminal direto instalado em seu apartamento — e compre 0,01% das ações das empresas que vou te enviar daqui a pouco, entendido? Ótimo, até amanhã.
Desligou e ligou para a noiva:
– Querida?
Do outro lado da cidade ela respondeu:
– Tom, o que foi?
– Eu tenho uma ótima notícia.
II
O Neo Caratê foi um estilo de luta criado por Isabel Peres, como a principal forma de defesa pessoal durante as Guerras Bárbaras. Óbvio que ele após 641 anos deixou de ser usada, mas com o crescimento da criminalidade no século XXX levou a um maior estudo dessa arte e a criação de novas versões. Entre um dos maiores incentivadores do Neo Caratê foi Adrian K. Smith e mais tarde, seu filho, o genial Thomas L. Smith, empreendedor que apoiou ao lado de seu amigo, Richard Byron, outro utilizador do Neo Caratê: O Estratego.
Neo Caratê, A Arte da Guerra: Capítulo 3
Por Borysko Negodiaev em 2922
– O lance é esse — as palavras doíam nos ouvidos de Thomas, o homem de 2 metros de altura de fato tinha um rifle, mas falava como um porco — Onde está o computador central de controle das ações?
– Não acredito — respondeu — Que arrombou minha porta, invadiu minha propriedade e assustou a todos nessa festa que dou hoje para você e sua trupe de — contou os homens que invadiam enquanto pensava no que fazer, não tinha armas e acertariam-no de qualquer maneira — seis homens, sem contar você me peçam uma senha de computador?
– Isso mesmo, e como é que vai ser?
– Não posso fazer isso.
– Então me espera no Inferno.
Quando ele carregou a arma, ele utilizou o pulso para desviar o cano, de maneira a acertar, não letalmente, o peito de outro invasor, repetiu isso com a mão mirando em outro, a acertou raspando no ouvido. Girou a arma, aproximando-se do inimigo e chutou-lhe o peito. Agora as armas estavam em suas mãos, carregadas e apontando para um deles.
Ainda assim eram quatro.
– Nós te matamos de qualquer jeito.
– A única diferença é que... Eu conheço muito bem essa casa, nasci aqui e cresci aqui, vocês estão aqui há vinte minutos e pensam apenas porque tem armas podem se considerar superiores — procurou algo para atirar e proteger os outros, não achou, pensou em atirar no lustre, mas provavelmente esmagaria alguém, e ele não queria arriscar a vida de ninguém — Corram todos.
Todos saíram, estavam agora apenas nove e ainda que quatro estivessem desmaiados, a situação era de imenso risco. Mas se perguntam quem era o nono ser lá, a resposta era simples, o fiel: Timothy Burnes.
– Dois contra três, mais favorável — disse Thomas.
– Para nós.
Thomas utilizou anos de pontaria para atirar diretamente no tubo, com poucos conhecimentos em Física era possível saber o que aconteceria. A arma num estalo explodiu rasgando o rosto do bandido e cegando seu olho esquerdo.
– Dois contra dois, mais favorável.
Thomas apontou para o primeiro, que apontou para Tim que apontou o segundo que apontou para Thomas. Se todos disparassem ao mesmo tempo estavam mortos, mas a ansiedade aumentou, atiraram todos mirando a cabeça enquanto se abaixavam, nenhum deles foi acertado. E agora ao invés de manter um alvo fixo, se olhavam apontando entre si.
– Quem são vocês, mafiosos? — perguntou Tim
– Não posso dizer-lhes.
– Olha aqui, garoto, enfio essa bala em sua cabeça.
Um silêncio se manteve quando ouviram o barulho da polícia. Thomas jogou suas armas no chão, antes desmontando-a, jogou-a no chão e andou até seu alvo, o primeiro armado, tomou seu rifle chamando por Tim, que atirou no segundo eliminando de vez os inimigos. A polícia ironicamente entrou naquele momento, e fitou a maioria, impressionada, a vitória de simples civis sobre perigosos armados.
– A Polícia foi chamada contra sete homens armados, não era necessário combaterem-no, teríamos tomado conta de tudo — disse um dos oficiais, desapontado por ter perdido uma boa briga para dois caçadores.
– Se não tivessem demorado — retrucou Tim.
– Gostaríamos ter chegado mais cedo... E ajudado.
– Claro — virou-se para Thomas e disse — O que quer que façamos com os convidados? — carregou a arma e pareceu procurar por qualquer arranhão, ainda que quisesse apenas intimidar o oficial... — Qual seu nome?
– Sargento Peter Frost, senhor.
– Ótimo, eu me chamo Timothy Burnes, faça o favor de tirar esses sete idiotas da propriedade do senhor Smith, por favor, a não ser que ele peça para fazer outra coisa, entenderam? — estendeu sua mão, apertando a do oficial — Adeus!
– Senhor...
– Por favor, tire-os daqui, fico muito grato, onde está minha esposa?
– Está do lado de fora, em segurança.
– Perfeito — saiu despedindo-se do oficial, que chamou uma equipe para vistoriar e verificar o armamento dos criminosos, como eles conseguiram-no além de quem eles eram por mil demônios.
Saiu calmamente enquanto vários convidados o perguntavam. Não foi de forma alguma orgulhoso, relatou apenas os fatos inserindo em cada frase que Burnes fora vital naquela operação e brincou para acalmar (seu pai lhe ensinou que apenas uma piada negra realmente conforta) dizendo que Mary não poderia ser chamada de viúva porque de fato nunca haviam se casado. Todos riram.
Acelerou o passo e encontrou a esposa, em vestido de gala, chorando com medo do marido estar ferido. Abraçaram-se, ela encarou-o, verificou se não estava cheio de sangue ou com um machucado qualquer, voltaram a se abraçar.
– Tommy, como pôde?
– Sete idiotas, eu e Tim estapeamos a cara deles todos.
– Mas Tom... Você estava desarmado, e eles... Bem, você sabe.
– Eu sei Neo Caratê, sei me defender e tenho boa mira. Na verdade, quero que me perdoe, e espero que o faça, porque explodi uma arma no rosto de um deles e não sei se ele está vivo. Cego com certeza, mas...
– Eles que se danem, mas e você?
– Estou ótimo. Agora, eu infelizmente não pude te dar as boas novas.
– Como assim, Tom?
– Lembra-se da anomalia econômica que encontrei ano passado?
– Claro, a que atrapalha a exatidão de seus cálculos.
– Exato. Como é aparentemente impossível pará-la uma vez que por vez exista, eu decidi rastrear, portanto revesti toda minha capacidade de lucro numa taxa de prejuízo. Os bancos, porém enviaram-me uma solução de risco, economia pura e simples de investimento que apliquei a meus investimentos, ao mesmo tempo, tanto a capacidade de previsão quanto a certeza se equilibravam: 50% erro e 50% acerto.
– Sim, entendo.
– Hoje eu reverti a taxa de prejuízo em lucro investindo meu capital na compra de 0,01% das ações de cada empresa, e enquanto minhas ações caíam elas subiam. Portanto pode imaginar uma confusão monetária, correto?
– Sim, eu não sei como pode achar uma solução.
– Pois bem, é impossível economicamente eu reaver meu prejuízo em tão curto período de tempo, mas eu obriguei-me ontem à noite a localizar focos onde a anomalia está presente e investir neles, e adivinha...
– Recuperamos nosso lucro?
– Nós duplicamos ele. Eu estou duas vezes mais rico, e pensei em coisas muito legais para fazer com esse dinheiro — os olhos dela brilhavam — uma delas foi uma viagem, mas desisti. Depois pensei em viajar pelos mares, mas 70% dos oceanos mais próximos ainda estão infectados então finalmente decidi a melhor coisa para se fazer nessa situação.
– O quê?
– Como percebeu, eu quase levei um tiro, e para alguém que vai casar-se em dois meses isso não é muito bom. Você tem andado preocupada com seus prédios e eu com essa porcaria de anomalia, então podemos fazer o seguinte: Primeiro, eu e você fechamos nossa comunicação social durante dois meses, casamos e volta tudo ao normal, ou, adiamos o casamento para daqui a seis meses e descobrimos o que é essa porcaria de anomalia e porque querem justamente a minha cabeça e não a de outro zé-corporacionista qualquer.
– Escolho a segunda.
– Tem certeza?
– Absoluta.
– Perfeito, falemos de um projeto meu, mais tarde.
– Qual?
– Eu o chamo de Estratego.
III
Encontramo-nos numa sociedade auto-destrutiva, seremos assim para sempre não importando nossa dedicação para diferenciar-nos desse estado e eu tenho medo que isso acabe por se tornar perigoso a ponto do atual estado de Utopia estabelecer uma distopia totalmente disfuncional tal como foram os primeiros dias que sucederam o Holocausto. Podemos então ou nos render tal como fizeram todos os líderes mundiais do século XXI ou nos unir num objetivo comum como a gama de heróis tem feito ultimamente. Precisamos de um novo Jason Hunter, precisamos de um novo Yuri Polokov, precisamos de um novo Estratego, e mesmo que seja apenas para um apogeu até uma queda, basta para sairmos desse estado corruptível.
Se Hunter caiu por confiar nas pessoas erradas, se Polokov caiu pornão tomar suas pílulas contra o estresse, se Baltazar caiu por não ir ao médico e se Nicolau caiu por investir mais em armas do que nos soldados, o Estratego triunfou sem falhas, apenas acertos bem calculados que levaram-no à posição de lenda eterna nas mentes boas e nas más, trazendo a todos uma sensação de nostalgia.
Cabe destruir a nostalgia e trazer de volta os bons hábitos.
Nostalgia Estratégica, artigo da coluna Armada
Por Franklin N. Boston em 2980
Eu posso ser uma pessoa boa, tanto quanto posso ser ruim. Tudo vai se orientar pela indicação de meus atos, posso fazer algo bom e ser visto de maneira errada, ou posso fazer algo que considero ruim e ser visto da maneira certa pensou Thomas, preocupado em suas futuras ações enquanto a mulher dormia, não tinha pensado ainda em dizer a ela o que consistia o plano Estratego se não uma forma de resolução da anomalia Mas... E se eu criar uma nova filosofia, uma filosofia que eu sempre sustentei, mas nunca apresentei.
Pensou mais um pouco Eu preciso de uma frase de efeito para meu novo caráter, tenho na verdade de agir completamente diferente de como tenho agido no dia, preciso primeiramente... Como eu pude não pensar nisso correu até o Disco de Comunicação instalado na parede e digitou o número de Richard Byron, posicionou-se num círculo espaçoso no chão onde as configurações de luz, áudio e imagem para que ele pudesse trafegar livremente pela sala de Richard ou pela sua caso Byron não o quisesse nela. Arrumou-se ligeiramente ajeitando a postura e limpando a poeira do terno enquanto a casa de Byron tomava forma, primeiros vieram as linhas retas e curvilíneas, e logo depois as cores.
Quando lhe foi permitido, andou, dizendo:
– Olá, Richard, como vai?
– Vou bem, e você? Mas o que o traz aqui?
– Primeiramente, sim, vou bem, obrigado. Segundo, venho para pedir um favor, lembra-se seis anos atrás quando venci aquele jogo de xadrez e seu sócio me concedeu a licença para comprar a Hughes Interprise? Bem, eles receberam bancos de dados gigantes e contratos enormes para construírem sob minha supervisão uma armadura nanobiológica de proteção e defesa pessoal.
– Quando te pediram?
– Essa manhã, enfim, eu tive muitas facilidades com minha equipe, mas eu não quero entregar simplesmente, quero apresentá-la com a sua ajuda. Como foi você responsável pela criação da HGN...
– Quer que eu invada os monitores de HGN?
– Sim, eu vou ter uma pequena esfera câmera que vai gravar tudo.
– Você?
– O usuário do traje quero dizer. Poderia fazer isso?
– Claro, não haverá problema para isso, correto?
– Não, estou trabalhando para o governo, será dado como brincadeira.
Pronto, só precisava oferecer o projeto à Prefeitura, não se sentiria mal e poderia dar início a uma nova estratégia diferente da sua inicial, onde desafiara uma onda de conceitos: Políticos, Filosóficos e Urbanos. Mas seu plano era muito mais, de parâmetros quase microscópicos, minucioso, iria mudar tudo desde que tivesse um pouco de atenção, suficiente para transmitir medo.
– Sendo assim faço o código e envio para você amanhã — disse sem o ar de desconfiança que podia surgir com qualquer outro de seus empregados — Não sei se será possível terminá-lo, mas estou confiante.
– Obrigado, deseja alguma recompensa?
– Pode me fornecer uma semana de recesso?
– Já foram — riu calmamente — Mas por quê? Geralmente você é ligado ao seu trabalho, além do mais trabalha em casa, algo urgente? Algo com sua mulher, sua filha? — perguntou seriamente.
– Não, eu estava pensando em estudar um pouco de História Pós-Nuclear e especialmente os grandes estrategistas como Jason Hunter e o Marcus Baltazar. Só não sei qual deles posso começar, quero dizer, Jason Hunter é o motivo por estarmos aqui agora, mas Marcus Baltazar foi responsável pela constituição dos exércitos e da 3ª Capital indo dos 13 Estados Bárbaros até o nosso grande estado — e continuou um pouco mais detalhista, mas comparando — Jason Hunter eliminou 6 milhões usando simples estratégia, lançando as tropas bárbaras contaminadas de penhascos apenas aplicando um sistema de estratégias por guerrilhas, mas Baltazar era o verdadeiro, se não o maior gênio das guerras até hoje, uma pena que morreu tão cedo.
– Mas e Polokov?
– Não tenho muito interesse por ele, de fato fez trabalhos incríveis como eliminar os Nibelungos, sendo que fez isso apenas em sete dias, mas não fez muito além disso — e continuaria, mas sentado — Ele era mais um guerreiro, porque nós se cá comentar, eliminava inimigos com as mãos e tinha uma mira excelente por seus ataques de pânico que o tornavam imbatível.
– Polokov era um de meus preferidos quando criança justamente por isso. Meu avô preferia obviamente Baltazar, mas então porque não escolhe personagens mais contemporâneos?
– Como quem? O General Audric?
Pronunciou o nome do corajoso comandante das tropas Alfa que destruiria os corruptos políticos da 25ª Capital cem anos antes, até hoje a 25ª era uma das mais leais e mais bem comportadas capitais de todos os tempos, especialmente depois da Nova Guerra, um conflito social onde deixaram de ser usadas armas laser e voltou-se a usar as clássicas espadas.
– Por exemplo.
– Boa ideia — pegou uma peça de vidro retangular e bem polida com as pontas levemente arredondadas, sobre essa havia um material de proteção, aquilo podia cair vinte vezes que não causaria um arranhão sequer — Uma pergunta, qual é o nome desse processo que você está iniciando, por exemplo, as armaduras são dadas por Mark I até Mark X.
– Não será assim, já pensei em um nome.
– Qual?
– Es... — pensou melhor — Na verdade coloque como Mark III.
– Tem certeza?
– Sim — fez uma breve pausa — Bem, sendo assim, boa noite.
– Boa Noite.
Desligou o receptor e encontrava-se a 7 metros do círcul ao lado de uma parede sólida, um passo e se chocaria em cheio contra ela. Saiu do ambiente e entrou num outro cômodo, o escritório, e localizada a estante de livros procurou o disco no qual estava inserido um código desenvolvido pelo avô. Como matemático nato usou sua memória e capacidade algébrica para reconhecê-lo e destravar a porta.
Eu tenho o palco, tenho a roupa e tenho o camarim pensou levemente.
Só falta o público.
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