Notas iniciais
Miss_Lari:
Floressss!!!!!!
Primeiramente Feliz Ano Novo pra todo mundo!!! Espero que esse ano seja recheado de emoções para todas, assim como nossas fics amadas!
;D
Agora queria pedir desculpa pela demora na postagem, Flores. Prometo que me explicarei no final do capítulo.
Queria agradecer especialmente a Liz_Black, por ter recomendado a fic tão lindamente. Virtude e Insensatez só existe porque voce teve essa ideia maravilhosa, então muito obrigada por compartilha-la conosco!
Quanto ao capítuilo... Será que continuará no clime romantico do anterior? Será que algo atrapalhará a lua-de-mel do nosso casalsinho preferido?
Só lendo o capítulo para descobrir...
Boa leitura!!!
;*

Capítulo 15


“O curso do amor verdadeiro nunca fluiu suavemente." William Shakespeare


Seu pulso já estava acelerado quando Jacob sugou lentamente sua língua. Elize sentiu um frenesi dançar em seu baixo ventre. Seu sangue percorreu seu corpo, espalhando a excitação provocada pelo beijo, demorado e possessivo. Os movimentos de Jacob eram dominadores, embora calmos. Sua mão deslocava-se como uma serpente, sem pressa, pela coluna da jovem, firmando-se, por fim, um pouco abaixo da cintura, acariciando prazerosamente a sua anatomia. Elize tremeu, ainda que o contato tenha se dado por cima do tecido Quileute que vestia.

Não se sentiu constrangida, nem mesmo quando a umidade surgiu entre suas pernas, de forma quente e deliciosa. Era assim que reagia às carícias de Jacob, era a maneira com a qual seu corpo demonstrava o quanto o queria. Era evidente que há alguns dias atrás esse tipo de contato entre ambos seria impensado, o consideraria sujo e obsceno, depreciativo até, uma vez que jurou para si mesma que jamais Jacob a teria em sua cama. No entanto, não queria pensar em toda a raiva que sentira por ter sido barganhada pelo pai, no ar provocador e quase desumano com que Jacob a tratou, menosprezando seus sentimentos e destruindo o que acreditava ser seu futuro, no ódio que sentiu todas as vezes que ele a fizera se sentir uma verdadeira idiota com seu autoritarismo, ou mesmo na forma como Rilley a julgara. Não! Não queria pensar nos últimos dias, assim como não pensou nos últimos quatro anos, ou pelo menos tentou. Convenceu-se de que o passado tinha sido um sonho ruim, portanto irrelevante demais para ser lembrado, e que o esqueceria para sempre.

Não se lembraria nem mesmo do dia em que Jacob Black a encurralara no Newton, trazendo à tona a dor de um dia tê-lo abandonado. Ficara evidente o ódio que ele sentiu ao vê-la. Assim como foi perceptível que o jovem tramava algo, tão grave que o fez cercá-la, agarrá-la e até tentar beijá-la, como um teste, um lance do jogo perverso que o rapaz desencadeara. Olhando os acontecimentos passados, Elize teve certeza de que naquela noite Jacob já sabia que ela lhe pertenceria.

Todavia nenhum desses dissabores tinha relevância. Os sentimentos que há tão pouco tempo se digladiavam dentro da jovem, misturando-se ao ponto de Elize não distinguir quando amava ou odiava Jacob, haviam declarado paz, pois a enormidade daquilo que Elize definiu como amor era exatamente o que a tinha guiado ao altar. No fim, o amor vencera, e sempre venceria, como nos romances da literatura que eram constantes na leitura de Elize.

Permaneceu de olhos fechados, deixando sua mente a mercê de suas conjecturas, e o seu corpo nas mãos intrépidas de Jacob. Suas pernas débeis não eram capazes de sustentá-la em pé por muito tempo, se o rapaz continuasse com suas deliciosas carícias. O índio definitivamente tirava-lhe o fôlego, à medida que explorava sua boca com sua língua, e seu corpo com suas mãos, deixando-a quase num estado de semi-inconsciência, quando sussurrava em seu ouvido o quanto ela era desejável.

Ambos se compraziam dessa recém descoberta, das ondas de prazeres que os deixavam em pé de igualdade. Não havia a vontade de subjugar, tão inerente às provocações de Jacob, nem muito menos a resistência, tão peculiar à indiferença de Elize. Nada os impedia de sufragar aquilo que ambos tinham perdido tão cruelmente: a liberdade de amarem um ao outro.

Jacob demorou-se propositadamente nas carícias, tornando inevitável o latejar lancinante do seu sexo, duro sobre as calças, o que julgou ser torturante. Em sua mente, ele repetia que a possuiria durante toda a noite, lenta e demoradamente, apreciando cada detalhe do corpo tão belo. Jacob rememorava o gosto doce da boca de Elize, mas imaginar beijar todo o seu corpo era supremo.

– Não deveríamos demorar tanto... — Elize disse baixo, ainda sentindo os lábios úmidos do índio sobre os seus. O brilho prateado da lua iluminava o rosto másculo de Jake, cujos olhos negros, insondáveis, pareciam menos densos, revelando-se excitados. — Darão por nossa falta. – acrescentou com dificuldade, devido à falta de ar que vez ou outra lhe bloqueava a garganta, advinda do pulsar acelerado de sua feminilidade.

– Somos casados, é natural que escapemos. Além do mais, eles estão mais ocupados em festejar do que em dar falta de nossa presença. — ele respondeu despreocupadamente, segurando o rosto de Elize entre suas mãos, avaliando a perfeição do contorno preto, que delineava os olhos cor de mel, dos cílios cheios, e da boca vermelha e inchada dos beijos recém trocados.

– É natural em um casamento convencional, Jacob. — ela respondeu num tom leve, sem criticas, mas apenas explicativo. No começo pareceu deslocada, estranhou quase tudo, mas por fim relaxou e concluiu que tinha gostado de todo o ritual e não queria ser acusada de romper com qualquer parte que fosse da cerimônia, nem muito menos de ser uma branca que não valorizava os costumes do marido.

– Todo casamento é convencional em qualquer cultura, Elize, se é isto que a esta lhe preocupando. – ele sorriu e como se lesse sua mente acrescentou. — Ninguém espera que seja alguém que não é. Você já fez muito se vestindo e agindo como uma de nós. – sua sinceridade a comoveu, e por um momento Elize não soube o que dizer. Teve a nítida impressão de que embora Jacob amasse seus costumes, não imporia a ela nada que não quisesse. O silêncio que se seguiu foi pouco revelador, dando a Jacob a impressão de que algo mais a incomodava, principalmente devido às circunstâncias anteriores. Era natural que houvesse dúvidas, ele próprio as tinha, no entanto estava disposto a debelá-las. — Está com medo?- ele quis saber e Elize observou que seu rosto estava sério.

– Não. – Elize respondeu seguramente e era a mais absoluta verdade. Nunca fora medrosa, no entanto nunca imaginara que se tornaria indiferente em relação ao seu futuro, como agora. Todavia, tal falta de receio dava-se, principalmente, pela traição do pai. Não que nesse momento a impostasse, já que tudo o que sempre quis fora estar com Jacob, mas o comportamento da mãe e do pai a fortaleceram, enchendo-a de uma certeza: jamais necessitaria deles outra vez. Jacob encantou-se novamente com aquele brilho espetacular que ela despertava quando exercia toda sua determinação. – Eu não tenho medo do hoje, do amanhã... Não tenho medo de nada, não mais. – enquanto falava, segurou firmemente a mão do esposo e o encarou, demonstrando o quanto tinha certeza do que dizia. — Apenas acho que é cedo para nos ausentarmos, os tambores ainda estão tocando...

– Eles comemorarão até o amanhecer. – o jovem a explicou, enquanto envolvia a cintura de Elize novamente com seus braços. — Mas você tem razão quanto a voltarmos... – pressionou o corpo da jovem ao seu, e ela suspirou, surpresa. — Não acredito que possa me controlar por mais tempo... Você é desejável demais. – sussurrou em seu ouvido, e Elize sentiu o sangue ferver e a boca secar, imaginando as sensações de ser possuída pelo rapaz. A jovem tentou controlar as emoções, e agradeceu internamente a penumbra, só assim Jacob não notaria seu ligeiro rubor.

Quando retornaram, Elize foi cercada por um pequeno grupo de mulheres, lideradas por Emily, cujo desejo era diverti-la com danças, comida e mais regalos.

A intenção de fazer a coisa certa, de alguma forma, atormentava Jacob, o que era estranho, já que estava feliz. O conflito de sentimentos que alimentara seu caos era latente, todavia a metamorfose a que era subjugado não poderia ser mais violenta como agora. Não odiava Elize como julgara, embora tentar alimentar tal sentimento fosse uma prática diária durante os últimos anos. Mentira para si mesmo, a fim de conseguir extirpá-la da sua mente e do seu coração. Jacob sabia que só o conseguiria por meio do ódio, seu aliado em todos esses anos, fomentando sua fome de vingança, que pelo que imaginava não se saciaria nunca.

Todavia enganou-se. Assim que viu os olhos cor de mel de Elize pintados nos moldes Quileutes, soube que nada havia mudado. Odiar a jovem era o mesmo que odiar a si mesmo, traçar a ruína dela era o mesmo que traçar sua própria ruína. Pensar na morte da jovem era o mesmo que pensar em sua própria. E tal pensamento era quase insuportável, já que não viveria num mundo em que Elize não existisse. Imaginá-la fora do seu mundo era o mesmo que não ter um.

O prazer de subjugar Elize, que outrora era pujante, não chegara aos pés do deleite de perceber o quanto a jovem ainda o amava, e que, assim como ele, fora incapaz de esquecê-lo. Não havia em Elize nenhum traço da indiferença tão habitual, da sua petulância em resistir às suas ordens e da sua aversão a ser dele como normalmente ocorria. A jovem, pelo contrário, participou do ritual como uma verdadeira Quileute, tão submissa às tradições indígenas como ao seu próprio coração, e só um perfeito desatento não perceberia o desejo da moça de fazer esse momento eterno.

Sentado, Jacob desistiu de entender como sua mente conflitante processava e permitiu-se indubitavelmente apreciar sua esposa, enquanto degustava algumas típicas iguarias Quileutes. Elize entretinha-se com Emily e a pequena Sarah, que fizera do seu melhor passatempo chamar a atenção da jovem senhora Black.

– Ela é encantadora. — um som abafado de uma cadeira se movendo, como que empurrada, fez Jacob virar o rosto para o pai, que acabara de sentar-se ao seu lado. O jovem índio deu um breve sorriso de canto de boca.

– Ela é muito mais do que encantadora. – disse convencido. Seus olhos fitaram a esposa novamente e a forma displicente com que Elize deslizava o pingente preso ao colar nativo entre os dedos... Como sorria tão despretensiosamente, chegando a ser excitante... Como parecia tão menina vestida de Quileute, num corpo de mulher... Como ficava vermelha diante de elogios bobos... — Já viu como consegue ser tão incrivelmente linda vestida como uma nativa?

Billy sorriu satisfeito.

– É uma bela jovem, meu filho, não tenho dúvidas. No entanto, só não está mais bonita do que sua mãe no dia em que nos casamos. — ele disse saudoso e Jacob percebeu quantas memórias reviravam o passado do pai, assim como o dele. Perder a mãe foi um golpe muito duro, principalmente porque ainda era um menino, mas seu pai fora o responsável por conseguir dá-lo, na ausência dela, um lar de verdade. Claro que não poderia esquecer-se da dedicação da querida Sue, verdadeiro braço direito incansável de Billy.

– Não tenho dúvidas de que ela também foi uma noiva encantadora. Afinal, tenho a quem puxar. – Jacob assegurou, brincalhão, embora atento aos movimentos de Elize, sempre graciosos e comedidos.

Observava-a com paixão e com desejo, e pela primeira vez percebeu que tivera sorte com o arranjo. Melfin estava desesperado, e se não fosse Jacob a comprar Elize, usufruindo da negociata, provavelmente seria um velho, gordo, rico e beberrão que o faria, e jamais poderia imaginar Elize na cama de um tipo desses. O velho não tinha escrúpulos e fizera de Elize sua galinha dos ovos de ouro.

– Mas hoje a noite é sua. Acho que não preciso perguntar se está feliz... – Jacob riu prazeroso.

– Passei um bom tempo tentando imaginar como seria tê-la como esposa. E agora que a tenho... – Billy o encarou pensativo.

– Nunca imaginei que vocês pudessem dar certo, até esta noite. Sua persistência em odiá-la me deixou preocupado, me tomou o sono em algumas noites... E quando finalmente conseguia dormir, sonhava... — Jacob observava o pai em silêncio. – Você era como o sol, forte, vigoroso, determinado, já Elize era a lua, sempre intocável, solene. Havia um grande abismo entre vocês, algo intransponível, como se não pudessem pertencer um ao outro nunca. Mas já viu o que acontece quando o sol e a lua se aliam?- o velho pai disse. — Eles se tornam um só. Portanto, meu filho, é o que eu lhes desejo, que não haja diferenças entre vocês, que sejam felizes, que sejam um. – Jacob abraçou o pai calorosamente e disse para si mesmo que a única razão de ter ido de encontro ao pai fora o fato de amar irrevogavelmente Elize.

A festa continuava com o mesmo entusiasmo das primeiras horas. A celebração parecia não ter fim e embora Elize não parecesse entediada, nem incomodada, Jacob estava seguro de que chegara a hora de ir. Não havia como negar que estava ansioso como na época em que era apenas um garoto impulsivo. Esperara por quatro anos e isso era tempo mais do que suficiente.

– Ora, ora, se não é o noivo. Então você conseguiu. — o timbre grave, misturado ao tom jocoso, denunciou a brincadeira que Paul fazia em alusão ao contrato redigido segundo as orientações de Jacob. O jovem chegara vestindo calças formais, sapatos sociais, no entanto a blusa estava desensacada, com as mangas dobradas pouco acima do cotovelo, denunciando que trabalhara até agora.

A ambição de Paul parecia não ter limites. Para ele pouco importava o dia da semana, se manhã ou noite, tudo era motivo para trabalho, principalmente quando enxergava uma boa oportunidade a quilômetros de distância, perseguindo-a como uma águia. Não mentira quando afirmara que ainda seria o melhor advogado de Washington, e, bem, faltava bem pouco para conseguir. Sua fama de incansável já corria solta nas pequenas cidades, era apenas questão de tempo para que a capital soubesse o quanto era destemido, até render-se aos seus pés. Como ele próprio dizia, não poderia dar sorte para o azar. Como descendente indígena, tinha que trabalhar duas, três ou até mesmo quatro vezes mais do que um branco para se fazer respeitável. Jacob cumprimentou com um abraço o amigo, cujo espírito debochado era indissociável.

– Eu tenho um ótimo advogado. – respondeu. — Por onde você esteve?

– Viajando. Estou com alguns contatos em Washington, Casa Branca, pessoas importantes, como o secretário do presidente Roosevelt. — ele citou com uma pitada de euforia, o que não era de se admirar. Quantos advogados recém formados tentavam todos os dias, sem sucesso, o que Paul conseguia com habilidade nata? — O que inegavelmente me abrirá as portas dos melhores casos, principalmente agora, com tantos homens enlouquecidos com a guerra. Aquele lugar parece um barril de pólvora ambulante, a qualquer momento pode explodir. — Jacob não se importava com a guerra, nem com os alemães. Ele fazia parte da população cujas atividades bélicas de Adolf Hitler eram indiferentes. A única coisa que de fato chamava-lhe atenção era o modo como a guerra tornava simples cidadãos homens milionários do dia para a noite. O resto pouco lhe importava. — Mas me diga, quantas jovens terei que consolar, agora que é um homem casado?- Paul mudou repentinamente o assunto. Jacob riu. Todavia Paul não mentiu sobre as mulheres que fariam de tudo para casar-se com Jacob, por sua beleza, e, claro, por ser o único herdeiro da Tecidos Black, o que fazia dele, na concepção da maioria das moças cujos sobrenomes não passavam de um complemento na certidão de nascimento, um trampolim social. – Aliás, onde está a morena, a Leah?- Jacob balançou a cabeça, o ignorando.

– Deixe a Leah em paz, Paul. Não quero perder um amigo por se envolver com uma garota que considero como uma irmã. — repreendeu com olhar belicoso, o que não desencorajou Paul. No entanto, pela primeira vez na noite Jacob percebeu que Leah não estava, que não a vira em momento algum durante a cerimônia, muito menos durante a celebração.

– Foi apenas uma pergunta sem maiores interesses. — ele justificou dissimuladamente. — E quanto à sua esposa... – começou cautelosamente, voltando os olhos ardis para Elize, observando-a de maneira curiosa, enquanto a jovem distraidamente sorria. – Ainda manterá as cláusulas do contrato?

– Por que a pergunta? — Jacob indagou, arqueando a sobrancelha com desconfiança.

– Já viu a forma como a olha? Você gosta dela, Jake! – e o amigo não pôde contradizê-lo. — Não, não, mais que isso... Você está fascinado! – Jacob apenas deu de ombros, insatisfeito por ser tão transparente quanto aos seus sentimentos em relação à Elize, quando para todo o resto era tão discreto. Era mais um dos efeitos do fascínio que a jovem despertava nele. – Mas não o culpo, meu amigo. – emendou Paul. — Sua garota é incrível. Em poucas mulheres vi algo tão irresistível como nela... – Paul mal terminou de falar e já se arrependera. Jacob o fitara com olhos endurecidos e sua expressão não disfarçava que não gostara da postura tão analítica do jovem. — Quero dizer que você é um homem de sorte. — apressou-se em corrigir suas avaliações, o que possivelmente não teria feito, se o dono da jovem não fosse Jacob. Não era dado a certas moralidades, o que o permitia admirar o sexo feminino com naturalidade e sem qualquer restrição. No entanto, Jacob era mais do que um cliente rico, era seu amigo, o que tornava o relacionamento de ambos diferente daqueles de fachada, que dispunha com um punhado de gente. Não era louco de meter-se com a obsessão do amigo.

– Paguei muito caro pelo seu trabalho, Paul. – disse Jacob finalmente, após entender o descuido do amigo, o que o fez relevar. — E não pretendo desperdiçá-lo, portanto digamos que eu consegui o que sempre quis. — Jacob foi enfático, todavia não respondeu o óbvio e nem precisava. A partir de hoje o contrato seria igual a qualquer um dos seus documentos bem guardados, exceto pelo fato de que não poderia desfazer-se nunca dele. Melfin era uma raposa maldita, não confiava nele e portanto não destruiria a única prova do seu arranjo, que garantiria a destruição de Melfin Collin. Se seu coração abrandara em relação à Elize, não poderia dizer o mesmo em relação ao seu velho e inescrupuloso pai.


Sob o manto daquele céu estrelado de outono, cuja lua majestosa se destacava, Elize viu-se ansiosa. Pegara-se pensando quando iria acordar deste sonho. Quando Jacob viria chacoalhá-la, dizendo-lhe que ainda teria que pagar pelo que fizera a ele? Olhou ao redor e decidiu que não era o momento de pensar daquela maneira, aproveitaria a oportunidade que a vida estava lhe dando para ser feliz e nada mais.

Durante quase uma hora ouvira estórias, ganhara presentes, experimentara a culinária, tentara repetir algumas poucas palavras em Quileute, o que fez algumas mulheres rirem de sua imperícia. Todavia não se sentiu incomodada, muito pelo contrário, com o tempo também se viu rindo, e admirou-se por ouvir, de forma tão deliberada, o som de sua própria risada. Há quanto tempo não tinha motivos para sorrir? Agora, entretanto, tudo lhe parecia diferente. Apesar de todas as circunstâncias, sentia-se feliz.

Distraída, mal percebeu Jacob em pé, ao seu lado. Encarou-o apenas quando a sombra do seu corpo de quase dois metros de altura a encobriu, oferecendo-lhe a mão. Elize a aceitou, e mesmo em pé foi obrigada a erguer o rosto para fitar melhor a expressão serena de Jacob, cujos olhos negros despertavam-lhe um caleidoscópio de sensações.

– É hora de irmos. — disse com uma suavidade quase romântica, o que contrastava com seu tamanho, que poderia assustar a qualquer um, principalmente quando não usava blusa, como agora. Elize aquiesceu.

Por Elize, tinha se despedido de todas as mulheres com quem fizera amizade, mas Jacob a alertou de que não conseguiriam sair antes que o sol raiasse, uma vez que todas as mulheres passariam horas dando-lhe conselhos sobre a primeira noite de um casal, sobre como agradar um homem, como satisfazê-lo na cama e como mantê-lo bem nutrido. Elize imaginou que Jacob estava zombando, apenas para ver o leve rubor corar seu rosto, mas por fim preferiu dar crédito ao que o esposo dizia. Assim, discretamente despediram-se de Billy, Embry, Sue, Sam, Emily e da pequena Sarah, de quem Elize fizera questão.

Guiada por Jacob, Elize fora conduzida ao estacionamento. Jacob ainda acariciava a sua mão quando fora obrigado a soltá-la para buscar as chaves do carro que havia esquecido. Aborreceu-se pelo esquecimento, todavia informou que não demoraria nem dez minutos, beijou-lhe a boca e então a deixou.

Sozinha, Elize tocou os lábios e sentiu toda a paixão que julgou ter perdido. Ambos tinham sido tão irremediavelmente orgulhos, tão insensatos... Elize fitava o nada, se bendizendo por sua sorte ter finalmente mudado. Relevou os últimos quinze dias, dizendo para si mesma que seria capaz de esquecer tudo. O sorriso que brotou tão facilmente em seus lábios, entretanto, murchou em segundos. Seus olhos maximizaram-se quase em pânico, quando Rilley tropeçou bem aos seus pés, fazendo-a se dar conta de que havia coisas de que nunca se esqueceria.

Elize fitou Rilley aturdida. O médico parecia ter envelhecido cinco anos, estava mais magro, o rosto demonstrando sinais agudos de cansaço. Ele estava terrivelmente pior do que na última vez em que o vira. Sempre bem vestido e penteado, agora Rilley era o sinônimo do desespero, suas roupas estavam bagunçadas, a barra da calça suja e o cabelo desalinhado, como Elize nunca o vira. Era um perfeito estranho. Nem sinal do médico vívido, alegre e bem disposto que era. O jovem lhe lançou um olhar lânguido, suas mãos estavam inquietas e seu lábio inferior tremia. Elize chocou-se. Aquela imagem de Rilley dificilmente seria arrancada de sua mente. Em meio ao silêncio perturbador, Elize foi a primeira a quebrá-lo.

– Por Deus, Rilley, o que você está fazendo aqui?- Elize podia sentir gelo percorrer seu sangue enquanto corria apressado por suas veias.

– Elize... — o nome da jovem saiu fraco, quase como num sussurro de acalento. — Eu precisava vê-la. — ele acrescentou com um sorriso tímido, que a fez lembrar-se do tempo em que se conheceram. — Queria impedi-la de cometer essa loucura...

– Rilley, como você entrou aqui? — Elize perguntou, sentindo a voz engasgar. Ignorava as palavras do rapaz e partira para a objetividade. – Há quanto tempo está aqui?

– Que diferença faz? O importante é que eu vim. — ele aproximou-se.

– Você tem que ir embora, Rilley, esta é uma propriedade particular, se Jacob o vir... Meu Deus! Nem quero imaginar o que ele poderá fazer... — Elize disse, correndo os olhos pela propriedade, se dando conta do quanto estava assustada.

Jacob, em muitas oportunidades, deixara claro sua antipatia, ou melhor, sua mais célebre aversão a Rilley, de tal forma que não pouparia esforços para destruí-lo, tornando-o pó, caso se aproximasse de Elize. Claro que ela não dera créditos às ameaças, mas algo em seu interior dizia que seus temores não eram infundados. Jacob não ameaçaria algo que não pudesse cumprir.

– Jesus Cristo, o que ele fez com você? — amargou Rilley. Seus olhos entristecidos ganharam faíscas de furor, enquanto observava a falsa nativa à sua frente. — É isso que ele quer fazer com você? Fantasiá-la? Expô-la ao ridículo? — Elize sabia que não adiantaria desdizê-lo. Por alguma razão Rilley aparentava estar fora de si. O médico quebrou todo o espaço que existia entre ambos, segurou com sofreguidão as mãos de Elize, seguidamente tocou-lhe o rosto, as bochechas pintadas, fez uma careta e retorceu os lábios, enquanto a esquadrinhava. Desesperadamente acariciou seus cabelos trançados e beijou-lhe a testa. A moça permanecia sem reação. – Eu vim livrá-la de tudo isso. Sei que não está com ele porque quer. Só um filho da puta usaria de tal baixeza e compraria uma mulher, como se você fosse um objeto.

Elize assustou-se com o tom agressivo e notou que Rilley bebera. Sim, seu hálito fedia a álcool misturado a cigarro barato. A jovem conjecturou, por um momento, quem havia contado toda a verdade para Rilley, o que provavelmente o levara ao descontrole de suas emoções, já que o médico não era dado a bebida e fumo em demasia. O jovem, a princípio, não entendera os motivos que a levaram a findar com o relacionamento sem ao menos dar-lhe a oportunidade de vê-la. Mas julgara muito mal Elize e não lhe dera chances de saber quais os reais motivos que fizeram a namorada deixá-lo de maneira tão ignóbil. Naquela mesma manhã Rose o procurara e contara-lhe toda a verdade, fazendo-lhe amargar em arrependimento por não ter ouvido Elize quando esta o procurou. A moça desejava apenas a sua ajuda, pensou, mas ele simplesmente lhe virou as costas. Como fora um perfeito estúpido! Mas agora estava aqui para consertar seus vitupérios.

– Você não deveria estar aqui! Por favor, vá embora. — pediu Elize, quase desesperada, no entanto Rilley parecia determinado.

– Não, Elize. Eu vim buscá-la. Só sairei daqui com você. – disse resoluto, apertando suas mãos em torno dos ombros da jovem. Elize não sentiu dor, mas tremeu, experimentando uma sensação de terror. Jacob não tardaria a voltar, e Elize não estava dramatizando, Jacob não perdoaria a insolência de Rilley. — Fuja comigo, Elize... Iremos para o Sul. Tenho tios que poderão nos ajudar a nos estabelecermos. Tenho algumas economias que nos manterão por um ano. Sou médico, posso arranjar um bom emprego em algum hospital. Se preferir, podemos ir para outro país. Tenho amigos em Londres...

– Não, Rilley! – a jovem o interrompeu, elevando o tom de voz, como se tentasse acordar o rapaz para a realidade. — Não posso fugir com você. Acabei de me casar... — Elize balançou a cabeça energicamente em negativa, enquanto olhava a entrada da mansão, a espera da aparição do seu esposo. Que Deus tivesse piedade de Rilley quando isso ocorresse!

– Casamentos se dão por livre e espontânea vontade, e não foi isso que a fez assinar aqueles papéis. Podemos pagar um bom advogado e pedir a anulação do ato. Claro que o processo seria caro e demorado, mas eu pagaria, eu esperaria, não me importo. Só quero reconstruir nossas vidas longe daqui...

– Rilley, não sei quem lhe contou sobre o negócio, mas... As coisas mudaram, não aconteceram como você imagina... – Elize tentou explicar, dizer toda a verdade, mas era Rilley quem meneava a cabeça negativamente dessa vez. Como fazê-lo entender que casou com Jacob porque simplesmente o amava? Poderia gritar-lhe, dizer que era em Jacob que pensava quando o beijava, mas tinha o direito de magoar Rilley ainda mais?

Elize sabia que Rilley não desistiria e sua insistência a irritaria ainda mais. Tentou explicar mais uma vez sua nova condição com impaciência, mas este novamente não lhe deu ouvidos. Estava preocupada, pois Rilley se negava a ver o óbvio, o quanto absurda era a sua proposta.

– Nenhum advogado conseguirá ir de encontro ao que foi acordado entre meu pai e Jacob, Rilley. – a moça prosseguiu. – De fato, fui coagida por meu pai, a princípio, mas... Não assinei ao contrato sob coação... – a moça lembrou-se da fúria que sentiu quando o fez, o que jamais poderia explicar. A má sensação percorria suas entranhas, subindo para sua garganta, sufocando-a, e por fim alojando-se à boca do estômago. – Rilley, pelo amor de Deus, me ouça. Se fugirmos, Jacob nos procurará por cada palmo até nos encontrar. Ele não descansará. – tentou mudar de estratégia, mas parecia que a jovem jogava palavras ao ar.

– Não tenho medo dele. — murmurou Rilley com audácia. — Eu a amo mais do que tudo nesta vida, Elize, ninguém pode ter seu sonho arrancado assim das mãos. Ele a roubou de mim... — disse com pesar.

Seus olhos baixos foram aos poucos se erguendo até encontrarem o olhar perplexo de Elize. Seu olhar tinha uma tristeza genuína. Elize subestimara Rilley, em todos os sentidos. Ele não tinha as armas de Jacob, mas não era um fraco, afinal estava se arriscando por ela. Jacob a roubara dele? Não, não poderia roubar o que Rilley nunca teve.

As cenas pareciam se repetir, anteriormente com Jacob, agora com Rilley. Elize sentiu raiva, por ter colocado Rilley nesta situação degradante, por não poder ajudá-lo como gostaria, por torná-lo vítima de uma humilhação sem tamanho, por extirpá-lo de sua convivência, por ter lhe negado o seu amor, por agir exatamente como ele a acusara tão ferozmente no dia em que o visitou no hospital, sem dar-lhe a chance ao contraditório. Sim, fora mesquinha, egoísta e fria. Não dera a Rilley a oportunidade de ser correspondido. Talvez até tivesse amado Rilley, mas não sabia dizer em que nível. A raiva misturou-se a compaixão. Não poderia deixar que as coisas tomassem o mesmo rumo de outrora, portanto era responsável por ele.

Depois de tamanha reflexão, viu-se incapaz de sentir raiva de Rilley, mesmo diante de um comportamento tão impróprio. Rilley não era frívolo, bem provável que no dia seguinte fosse acometido pela vergonha ao se lembrar do que fora capaz de fazer, e tudo o que restasse a Elize fosse relevar e esquecer a imprudência do rapaz. Se o médico tivesse em pleno domínio de suas faculdades mentais, com certeza não cometeria tamanho desatino. Diante do desastre e desconforto palpável, Elize se viu obrigada a prometer ao homem mais meritório que conhecera a única coisa que o faria ir embora, que arrancaria um sorriso dos lábios endurecidos, que daria brilho aos olhos escurecidos. A única coisa que seria incapaz de cumprir: vê-lo no dia seguinte.


Apenas quando Elize estava dentro do carro com Jacob, que seguia por uma estrada de terra batida, foi que se permitiu respirar aliviada, deixando a descompressão percorrer seu corpo. Sentindo que os tremores internos cessavam, Elize viu-se relaxar, extirpando a letargia da qual fora acometida há alguns minutos, que para ela pareceram infinitos.

Se Jacob percebeu alguma leve alteração na moça, não disse nada. Mas claro que Jacob havia percebido. Elize era motivo de constante observação. Se não fosse assim, como poderia distinguir seu orgulho, sua indiferença ou sua alegria de sua tristeza? De qualquer forma, mesmo percebendo a alteração, que Jacob definiu como ansiedade, Elize mantinha o rosto sereno, como se estivesse dizendo que ele se enganara, que não havia nada de errado. Elize sustentava seu olhar de modo a não levantar suspeitas, mas torcia para que no dia seguinte Rilley recobrasse o juízo e não a procurasse, pelo menos até arranjar uma oportunidade de conversar com Alice, a amiga haveria de ajudá-la.

– Não está curiosa para saber aonde vou levá-la?- perguntou Jacob, lançando seus olhos para a mulher ao seu lado, notando que Elize estivera todo o caminho calada. Elize fora arrancada de suas reflexões e então encarou o marido, imprimindo uma suavidade que estava longe de sentir.

– Não gostaria de estragar a surpresa. – disse e sorriu com dificuldade. Teria que ser mais convincente. – Tudo bem... Aonde está me levando?- arqueou uma sobrancelha expectante.

– Pensei que não gostaria de estragar a surpresa. — ele a lembrou num tom de voz rouco, emanando toda sua masculinidade.

– Mudei de idéia. — mas Jacob não revelou. Deu-lhe seu melhor sorriso, que lembrou a Elize o garoto impulsivo, capaz de fazer qualquer coisa por ela, contanto que o amasse para sempre. Era apenas o que ele exigia, seu amor. Os olhos misteriosos a inundaram de desejo, arrepiando todo o seu corpo e ela soube que não haveria nada que Rilley pudesse fazer para ela mudar de idéia.

A casa de madeira fora construída próxima ao mar, pouco mais distante das demais casas da reserva. A base rochosa, que serviu de alicerce para a construção de primeiro andar, se estendia como um tapete longo sobre o mar, como um arrecife natural aonde as ondas quebravam, formando uma pequena piscina natural na lateral da casa. Elize ficou maravilhada, nunca imaginara algo mais bucólico do que esta pequena propriedade.

– É onde vamos morar?- Elize perguntou estupefata. A casa não era uma mansão como a sua, muito pelo contrário, parecia ser simples. Exceto por ter um primeiro andar, nada nela chamaria atenção, mas ainda assim Elize a julgou de bom gosto. Na verdade era idílico e Elize custou a acreditar que Jacob escolhera um lugar tão perfeito para ambos, quando estava tão determinado a transformar a sua vida num inferno.

– Se lhe agradar... – ponderou. — Mandei construir para nós dois... – o rapaz confessou, analisando a reação de Elize. A moça encheu-se ainda mais de admiração, por saber que Jacob mandara construir o imóvel especialmente para ela. — Acho que vou entender sua admiração como um elogio. — ele pausou e em seguida emendou. — Venha, vamos ver como é por dentro. — pediu e Elize obedeceu. De mãos dadas, percorreram a entrada, cujo caminho de pedra os levaria até a porta principal. Ele abriu a porta, e antes que Elize pudesse observar o interior do ambiente, Jacob a fez parar. — Espere. Essa é a hora em que devo carregá-la. — sem responder nada, Elize se viu em instantes nos braços de Jacob, sendo aconchegada em seu peitoral nu. Foi impossível não sentir aquelas ondas de excitação perpassarem por seu corpo, como correntes elétricas a pinicar seus pontos sensíveis.

Com Elize em seus braços, Jacob entrou. Não poderia sentir-se mais satisfeito do que naquele momento, com a mulher da sua vida em seus braços. Colocou-a no chão e acendeu as luzes. Os móveis eram simples e rústicos, mas nada feio ou destoante do ambiente. A sala de estar contava com um jogo de sofá frente a uma lareira. Algumas almofadas enfeitavam o sofá e alguns enfeites embelezavam a sala. Elize notou que tais enfeites só poderiam ter sido escolhidos por uma mulher, mas não perguntou. A sala de jantar era igualmente simples, apenas continha uma mesa de jantar e uma cristaleira. A madeira estava tão lustrosa, que ficou fácil perceber que o trabalho terminara há pouco.

– A esquerda é a cozinha e no primeiro andar os quartos. Gostaria de ver o quarto principal? — a voz de veludo estava carregada de intenções. Eram incrivelmente desconcertantes as emoções que emanavam dele.

– Sim. — respondeu.

Elize subiu primeiro, seguida de Jacob, que mantinha uma das mãos sugestivamente em suas costas, acariciando sua cintura. O quarto, diferentemente do resto da casa, era um pouco mais sofisticado. Uma bela cama ao centro, ao lado uma penteadeira com espelho, e vários produtos sobre a cômoda. Do outro lado, um closet cheio de roupas e sapatos. Lembrou-se do dia, na Maison de Margareth, quando a mulher informou que Jacob tinha comprado seu enxoval, e pela quantidade de roupas não havia economizado. Por fim, Elize viu o banheiro igualmente bonito, com uma banheira grande o bastante para caber duas pessoas. Sentiu-se corar, mas foi inevitável não pensar nesta possibilidade.

Jacob continuava parado à porta do quarto, observando Elize continuar sua inspeção de forma curiosa. Pegou-se observando os movimentos sutis do seu quadril, num vai e vem fascinante, contrastando com a inocência advinda do trançado do seu cabelo. Estava ansioso por tê-la finalmente em seus braços, mas daria à moça o tempo necessário para absorver todas as novidades, desde que este não fosse demasiado.

Ao sentir o cheiro fresco de maresia, Elize não pôde resistir e caminhou até a janela. O que a pegou desprevenida ao descortiná-la foi a visão do que mais tarde seria o sol nascente. As ondas chocavam-se contras as rochas, iluminadas pela luz do luar. Elevou os olhos, e contemplou novamente o céu coberto de estrelas. Em poucas horas seria a luz do sol que tomaria aquele lugar. Era o nascente a paisagem que veria todas as manhãs e por esse momento permitiu-se sorrir.

Com passos leves Jacob se colocou atrás dela. Ele respirou fundo, ansioso, e mesmo que não tivesse tocado em Elize, ela ainda assim se sentia excitada com a presença masculina lhe rodeando. Silenciosamente Jacob desfez uma, depois a outra trança. Elize sentiu o coração acelerar e então fechou os olhos, ligeiramente insegura. Fazia tanto tempo que tinham se tocado...

Quando os cabelos de Elize estavam livres, Jacob afundou as mãos neles, sentindo a textura do castanho claro que emoldurava o rosto perfeito. Lentamente inspirou o perfume que as madeixas exalavam. Nada se igualava ao perfume de Elize. Suas mãos desceram pela curva do seu pescoço, ombros e cintura. Levemente Jacob a puxou, colando seu quadril à jovem. A fricção fez a rigidez de seu membro aumentar, ardendo para ser saciada. Seus lábios beijaram a curva do seu pescoço.

– Gostou da casa?- ele perguntou, e sua voz saiu abafada, já que Jacob não quebrou o contato com a pele de Elize. — Se não gostou procurarei a maior e melhor casa na cidade.

– Não, eu gostei. — ela se ouviu dizer. Não havia nada na casa que tivesse a desagradado, muito pelo contrário, o lugar era pitoresco e aos poucos faria deste ambiente seu lar. Podia se imaginar passando seus dias ali, ao lado do homem a quem tanto amava. Virou-se para entreolhá-lo, mas o seu olhar fora automaticamente desviado para o tórax nu.

– Falo sério. — os olhos negros a analisaram com carinho. — Não precisamos ficar aqui se não quiser. Quando mandei que construíssem a casa, tinha outras intenções... — ele falou, procurando alguma dúvida no rosto sereno de Elize. Esperava que a jovem reagisse mal à residência simples que construíra para morarem. Morar ali seria mais um dos seus castigos para a jovem. Sabia que a sua Elize jamais se importaria com o tamanho da casa onde morassem desde que estivessem juntos, mas julgava que Elize Collin se tornara uma pessoa diferente da que conhecera. Pelo visto se enganara mais uma vez.

– Não precisamos mudar, quero ficar. – a moça disse com convicção, olhando-o nos olhos.

– Como você quiser então. – respondeu e sorriu, satisfeito.

Jacob inclinou a cabeça e sem dizer palavra alguma se apossou da boca de Elize, cobrindo os lábios macios de forma esfaimada, e a moça foi incapaz de resistir ao que veio depois. As mãos habilidosas de Jacob acariciaram seu rosto, pescoço e ombros, descendo vagarosamente pela lateral de seu corpo, até tocarem a barra de seu vestido, puxando-o para cima. Quando Jacob livrou Elize da roupa, desceu sua boca sobre o pescoço da jovem, que entrelaçou seus dedos nos cabelos do índio, prendendo-o ali, contra a sua pele. O contato com o peito nu do índio instigou-a ainda mais, pelo que mordiscou a sua orelha, atiçando-o. Em resposta, o rapaz prensou sua ereção contra a moça, mostrando-a o quanto já estava excitado ante seus estímulos. Afastou-se minimamente para admirá-la, enquanto a jovem permanecia de olhos fechados, mordiscando o lábio inferior e arfando expectante. Tal visão de Elize seminua, exalando desejo por ele, turvou os pensamentos do índio, deixando-o ainda mais ávido por tê-la naquele instante. Não se satisfaria enquanto não a tivesse completamente. Desceu os olhos sobre o colo da jovem, que palpitava devido à aceleração do seu coração, e hipnotizado deitou beijos sobre a extensão de sua pele alva. Deslizou as alças do sutiã carinhosamente, e em instantes livrou a jovem também desta peça.

– Estive todo esse tempo esperando por esse momento... – seus dedos tocaram os seios expostos. – Imaginando o dia em que a tocaria novamente... Amaldiçoei cada dia que me afastou de você nesses quatros terríveis anos. Deus sabe como foi que suportei vê-la com aquele médico imbecil. — Jacob soltou um riso curto e frio. — Você é minha, Elize. E ninguém, nunca, jamais, poderá tocá-la desta forma. – disse suavemente, o que não diminuiu o sentimento de posse.

Beijaram-se com paixão, o contato entre os corpos tornando-se cada vez mais inebriante. Jacob ergueu Elize em seus braços e levou-a para a cama, sem quebrar o beijo em momento algum. Elize jogou seus braços sobre o pescoço do rapaz, enquanto sabia que ele a guiava para um momento sublime. Com flashes rodeando-lhe a mente, Elize lembrou-se de quando pela primeira vez pertenceu a Jacob.


Flash back on

P.O.V. Elize

Enquanto nos beijávamos no celeiro da propriedade, no dia do meu aniversário de dezoito anos, após recitarmos os votos indígenas, flashs de minha vida invadiram a minha mente. E em todos os momentos, nos mais difíceis ou nos mais felizes, Jacob estava presente em todos eles. Como seria minha vida sem ele? Meu peito chegava a doer em cogitar tal hipótese.

Eu sabia que minha escolha não seria fácil. Não era mais uma criança ou uma adolescente inconseqüente. Jacob não era apenas um amigo de infância, alguém com quem eu me divertia, alguém que eu iria esquecer quando atingisse a maturidade, como minhas amigas diziam. Não. Ele era o homem que eu havia escolhido para mim. Não importava as diferenças sociais, a reprovação dos meus pais ou o preconceito que eu enfrentaria. Como seria feliz sem ele? Tal possibilidade não existia.

Ele parecia disposto a enfrentar tudo por mim, a se sacrificar por mim. E eu, o que faria? Permaneceria na zona de conforto, sem me arriscar da mesma maneira? Seu amor por mim era tão palpável, que naquele momento percebi que não havia risco algum. Era seguro retribuir ao seu amor, era seguro amá-lo da mesma maneira, era seguro me entregar a ele. Minha alma já lhe pertencia, por isso tudo o que queria naquele instante era sentir-me sua completamente.

Assim como em nosso primeiro beijo, fui eu a dar o primeiro passo. Afastei-me minimamente, mas tímida, não consegui olhá-lo nos olhos, enquanto desamarrava a faixa que envolvia o meu roupão de seda. “Você não é covarde, Elize”, repeti para mim mesma, e encarei-o enquanto abria a peça de roupa e a deixava deslizar até o chão.

Jacob permaneceu por alguns segundos sem reação, apenas me olhando, fascinado e surpreso ao mesmo tempo. Eu vestia apenas um baby-doll de seda, cor de rosa, e senti o rubor atingir o meu rosto inevitavelmente. É certo que já havíamos nos visto com roupas de banho quando íamos à praia, mas a situação não tinha um tom intimista ou até erótico, como agora.

Ele pareceu querer dizer algo, mas me aproximei e toquei seus lábios, impedindo-o. Temia perder a coragem naquele momento, e ele pareceu compreender. Simplesmente tomou meus lábios novamente em um beijo apaixonado. Ao sentir sua língua roçando a minha, meu corpo foi relaxando aos poucos em seus braços, como sempre ocorria. Meus músculos pareciam se tornar gelatina quando ele beijava meu pescoço daquela maneira, ou quando mordiscava a minha orelha e sussurrava que me amava. Não havia mais dúvidas. Eu seria dele.

Caminhamos abraçados, cambaleando entre beijos, até nos sentarmos sobre a cama que ele havia improvisado com uma colcha. Posicionei-me em seu colo, de frente para ele, e pude sentir o poder de sua masculinidade entre minhas pernas. Uma onda de excitação percorreu o meu corpo ao senti-lo daquela maneira. Ele me queria da mesma maneira que eu o desejava.

Já estava acostumada a sentir a umidade se formar em minha intimidade sempre que ele me tocava ou me beijava com mais paixão, mas o frenesi que me invadiu ao sentir seus dedos envolverem meu seio, mesmo por cima da seda, foi indescritível. Inconscientemente movimentei-me em seu colo, friccionando nossos sexos, o que pareceu estimulá-lo ainda mais. Seus beijos, que tomavam meu pescoço, foram descendo até o meu colo, enquanto suas mãos desciam as alças do meu baby-doll. Arrepiei-me por inteira, enquanto seus dedos me acariciavam. Quando o tecido finalmente descobriu os meus seios, não pude deixar de observar a expressão de Jacob. Ele parecia fascinado com a descoberta do corpo feminino, o que me fez lembrar que ele era tão inexperiente nessa seara quanto eu.

Ele olhou-me, como se pedisse permissão para avançar ainda mais, e simplesmente fechei os olhos e pendi a cabeça para trás, entregando-me ao seu deleite. Seus dedos tocaram meus mamilos delicadamente, numa carícia enlouquecedora, fazendo-me arfar e sentir sensações nunca antes experimentadas. Mas foi quando seus lábios envolveram meu seio que pensei que meu corpo entraria em combustão. Ele beijava, sugava, mordiscava, como que experimentando todas as possibilidades da nova carícia, e eu simplesmente enlouquecia em seus braços.

Eu também queria senti-lo, tocá-lo, estimulá-lo, por isso toquei a barra da sua blusa e a levantei, até livrá-lo daquela peça de roupa tão indesejável no momento. O contato entre nossas peles desnudas foi simplesmente sublime, o que me fazia querer senti-lo ainda mais. Adivinhando meus pensamentos, Jacob tirou minha camisola carinhosamente, admirando-me durante o processo. Mais uma vez senti uma pitada de vergonha, mas agora já era tarde demais, eu o queria, e para isso ultrapassaria qualquer barreira.

Por isso acariciei seu peito nu, deitando beijos por toda a extensão do seu tórax. Ele era extremamente desejável, o homem com que toda garota sonhava. E estava aqui, comigo, gemendo enquanto o tocava, desejando-me mais do que tudo. Não pude conter o desejo e a curiosidade, por isso desci minhas mãos até a sua masculinidade, por cima da sua calça. Assustei-me num primeiro momento, com sua firmeza e dimensão, pensando se seria muito doloroso enquanto ele me possuísse, mas afastei tal pensamento quando ouvi meu nome sendo sussurrado por sua voz rouca.

Ele então me deitou, e admirou-me mais uma vez. Desceu seus beijos sobre todo o meu corpo, desde o colo, seios, ventre e pernas, e olhando-me nos olhos retirou minha única peça intima devagar. Senti-me exposta, vulnerável como nunca, diante da pessoa que mais me conhecia nesse mundo. Ele então, de forma também tímida, livrou-se da bermuda e de suas roupas intimas de uma vez. Não pude conter o choque ao vê-lo totalmente despido daquela maneira, mas quando nossos corpos se encontraram, totalmente desnudos, foi apenas o desejo que me tomou.

Seus dedos inseguros e trêmulos acariciaram minha intimidade, em reconhecimento, e foi minha vez de gemer o seu nome, quando um de seus dedos foi introduzido em meu sexo, estimulando-o e desbravando-o ao mesmo tempo. As garotas que perdiam a virgindade sempre descreviam o momento como incrivelmente doloroso, mas tudo que eu sentia até o momento eram ondas de prazer, que me tomavam enquanto Jacob me estimulava com suas mãos inexperientes. Era bom saber que nesse ponto estávamos em pé de igualdade, um não sabia mais do que o outro. E aprenderíamos juntos como satisfazer um ao outro.

Enquanto me deliciava, sentindo sua língua percorrer o meu seio e seus dedos circundarem meu clitóris, senti-o posicionar o seu membro em minha intimidade, e o latejar em meu sexo tornou-se enlouquecedor. Encaramo-nos, trêmulos e expectantes pelo que estava por vir, o amor sobrepujando o desejo em seu olhar. Era um ato de amor que compartilhávamos, e não algo meramente carnal.

Mas a dor que senti quando ele finalmente deslizou sua haste dentro de mim fez-me cravar minhas unhas em suas costas. Uma lágrima escorreu do meu olho, e trinquei os dentes para não gritar, e ele, vendo minha dor, tentou retirar-se, mas o prendi com minhas coxas. Eu o queria completamente, e não voltaria atrás.

Jacob então deitou beijos sobre meu rosto, enquanto enxugava a lágrima que havia escorrido. Beijou meu lábio carinhosamente, envolvendo minha língua com a sua, até que meus músculos foram relaxando. Mas ele introduziu-se ainda mais, e mais uma vez a dor se fez presente, dessa vez com menos intensidade. Meu corpo aos poucos foi se adaptando ao seu, pelo que ele pôde introduzir-se completamente. Paulatinamente o sofrimento foi dando lugar ao prazer, enquanto Jacob movimentava-se devagar. Gemidos roucos de deleite saiam de sua boca, estimulando-me a aproveitar o momento. A dor ainda se fazia presente, mas o prazer era ainda maior.

Movimentei meus quadris, e ele arfou em reação. Percebendo que eu não mais sofria, intensificou as investidas, trazendo-me de volta às ondas de prazer que me tomavam anteriormente. De repente meu útero começou a contrair-se, e senti pequenos choques em minhas partes sensíveis. Jacob tomou meus lábios com os seus, talvez tentando abafar meus gemidos, que se tornavam cada vez mais intensos, e aumentou a velocidade das investidas. Foi aí que fui tomada completamente pela onda de prazeres que ele provocava, ao mesmo tempo em que sentia seu líquido quente me invadir. Não havia palavras para descrever o que senti naquele instante. Desfaleci em seus braços, extasiada pelo momento sublime que havíamos compartilhado.


A inexperiência e ingenuidade do garoto que permearam a memória de Elize, em nada se comparavam à perícia do homem de agora. Jacob deslizou suas mãos quentes e grandes sobre o quadril da jovem, numa aptidão que não carecia de ensinamentos. Vagarosamente Elize sentiu sua calcinha sendo retirada e se permitiu envolver-se numa plena e nova sensação de satisfação, que seria tão nonsense*, se não fosse a mais vertiginosa realidade.


*absurdo

Notas finais
Miss_Lari:
Antes de falarmos do capítulo, gostaria de justificar nossa demora. Primeiramente, tive problemas sucessivos de saúde na família, por isso não pude escrever durante algumas semanas. Além disso, antes de postarmos a fic haviamos escrito um bom número de capítulos, por isso postavamos semanalmente. Agora, infelizmente, não poderemos fazer mais isso, pois os capítulos serão postados conforme os escrevermos. Peço a compreensão de todas, mas desde já me comprometo a não demorar demais nas postagens.
Quanto ao capítulo... O que acharam? Lindo? Perfeito? Porque eu achei tudo isso e mais um pouco! Créditos à minha amiga Lany, que estava inspiradíssema! E a primeira vez deles? Sei que algumas de voces já suspeitavam que os danadinhos já tinham "ficado" antes. Mas foi surpreendente? E Rilley, será que reaparecerá? Prometo muitas emoções nos próximos capítulos, flores! Voces não perdem por esperar!
Beijinhosss a todas!!!
Comentem, please!
N/A: MissLany - Oi meninas apareci apenas para me desculpar pela demora, e especialmente a Sô, ja que disse no forms que postariamos antes do Natal. Como Lari explicou, foram muitos problemas de saude, infelizmente não deu!!!
No mais comentem, indiquem e recomendem!!!