Notas iniciais
MissLany: Boa tarde leitoras queridas!!!
Extraordinariamente estou trazendo um post hoje,uma vez que amanha, dada a quantidade de trabalho a fazer, seria impossivel postar um capítulo.
Antes de tudo, agradecemos as duas novas recomendações. *O/* *vibrandomuitopelaceitação*
Owwwwwwwwwww meninas o que dizer de recomendações tão apaixonadas??? Obrigada Lily e Ariciaguiar por palavras tão carinhosas. Its so perfect!Bjus!
Agora um capítulo novinho para vcs curtirem!!! ;)
Esse capítulo é cheio de pequenos detalhes, que serão de suma importância para toda a estória, fiquem atentas.
Nossa eu tenho uma queda pelas frases do começo de cada capítulo, dizem muito do que vem a seguir. Bjus e conversamos ao final :)

“Não te irrites, por mais que te fizerem... Estuda, a frio, o coração alheio. Farás, assim, do mal que eles te querem, teu mais amável e sutil recreio...” (Mário Quintana)

A luz do sol irradiou pelo quarto, ultrapassando a fina cortina que cobria a janela da meretriz. Aos poucos o casal fora despertando, mas o aconchego dos lençóis e de seus corpos nus em contato era quase irresistível. De repente a mente de Jacob passou a alertá-lo, de que por alguma razão esquecida ele teria obrigações logo cedo naquela manhã. O conhecimento lhe tomou de assalto, e ele levantou-se num átimo. O contrato.

A consciência de Emma ainda estava entorpecida, e seu corpo suportava o cansaço físico da noite extasiante com um homem em pleno vigor físico. Continuou deitada sobre a cama, a observar o jovem índio dirigir-se ao pequeno lavabo a esquerda da janela. Jacob lavara o rosto, passando as mãos molhadas pela nuca e cabelo, em seguida pegou as roupas espalhadas no chão do quarto e vestiu-se rapidamente.

- Estás com pressa, Cariño... – falou, espreguiçando-se em seu leito.

- Esqueci que tinha um compromisso hoje cedo. Devo estar na fábrica em menos de meia hora... – sentou-se na beirada da cama e respondeu olhando-a por cima do ombro, em seguida abaixou-se para calçar os sapatos de couro italiano. Embora não valorizasse bens materiais tão supérfluos, era bom desfrutar do que o dinheiro lhe proporcionava.

- Pensei que pelo menos tomaria o café da manhã comigo, já que me abandonastes por tanto tempo... – a prostituta choramingou com o tom de voz enrouquecido, abraçando-o pelas costas, coberta apenas pelo fino lençol, o que atribuía uma conotação ainda mais sensual ao gesto sem pudores.

- É uma idéia incrivelmente tentadora, Emma, mas infelizmente tenho obrigações a cumprir. – o rapaz explicou afavelmente, dando-lhe um beijo singelo nos lábios entreabertos.

Levantou-se, ainda sendo observado pela espanhola e apanhou os últimos de seus pertences jogados ao chão. Embora, de fato, ainda não tivesse matado toda a saudade que sentia do rapaz, não era de seu feitio fazer cenas dramáticas. Pelo contrário, dava-lhe a liberdade que exigia para si mesma, por isso não sentia tanto as ausências de Jacob e nem deveria, já que era apenas uma boa e velha amiga. No entanto, o que mais lhe fizera falta na noite anterior fora uma de suas longas conversas. Estranhamente o rapaz estava mais calado e ávido por sexo do que o normal.

Jacob retirou a carteira do bolso de traz de sua calça e a abriu, retirando um grosso maço de notas e as depositando no criado-mudo da espanhola.

- Sabes que não precisas disso... – a mulher apontou, fazendo uma expressão de desagrado.

- Sei que não, mas faço questão! – Jacob falou firme, com um tom que não permitia contrariedades. O jovem não estava pagando pelo prazer. Considerava tal atitude baixa demais, principalmente para Emma, a quem não considerava uma reles prostituta. Desde que se afeiçoara à espanhola, a relação entre os dois perdera o caráter lucrativo. Ficavam juntos apenas pelo prazer da boa companhia. – Você é uma boa amiga, Emma. E amigos auxiliam uns aos outros quando necessário, não é mesmo?! – completou, mirando-a carinhosamente.

Emma levantou-se da cama, finalmente desperta, e aproximou-se do índio para poderem se despedir melhor. Foi puxada pela cintura pelos braços fortes do rapaz, que colou o corpo nu da prostituta ao seu.

- Não sei por que insistes nesse contra-senso! – a espanhola exclamou, aborrecida, enrugando levemente o nariz. – O que ganho aqui é mais do que o suficiente! — exasperou-se inutilmente.

- Se fosse apenas por você, talvez eu até corroborasse esse seu orgulho bobo. Mas sabe que não é este o caso... Além do mais, isso é apenas o que tinha em minha carteira. O restante irei depositar em sua conta, conforme faço todos os meses. – o jovem falou.

A espanhola pretendia revidar as palavras, mas Jacob encerrou seus lábios com um beijo cálido, e em seguida afastou-se para ir embora. De fato, não tinha como contrariá-lo, pensou Emma. Há algum tempo deixara de cobrar as noites tórridas que passava com o jovem. Não se sentia uma prostituta a vender seu corpo para ele, motivo pelo qual nunca mais fora capaz de dar o seu preço. No entanto, tal fato parecia não ser razão suficiente para que Jacob deixasse de ajudá-la financeiramente. Segundo ele, não era a vontade dela que estava em jogo, e sim interesses maiores, com os quais estava intrinsecamente ligado. Apenas por essa razão Emma aceitava a benevolência do rapaz de maneira emocionada. Somente ele conhecia seu mais íntimo segredo.

- Quando o verei novamente, Cariño? – a prostituta questionou, assim que o jovem alcançou a porta.

- Não sei ao certo... – respondeu pensativo, e ela percebeu imediatamente que o rapaz escondia algo. – Estarei bastante ocupado nos próximos dias. Negócios importantes a serem concretizados... – um brilho diferente atravessou os olhos obtusos de Jacob, confirmando as suspeitas da espanhola.

- Estarei lhe esperando, Cariño, para o que precisares... – falou Emma, conotando mais significados às suas palavras do que o percebido pelo jovem.

Jacob acenou levemente com a cabeça e soltou-lhe um beijo no ar. Por um momento a espanhola teve a sensação de que aquela noite incrível havia sido a despedida do casal. Vislumbrou os olhos ausentes do rapaz como uma evidência de sua intuição. Depois que ele atravessou a porta, uma certeza lhe abateu: não teria mais em sua cama fria o fogo ardoroso de Jacob Black.

Ainda fechando os botões do seu colete, Jacob descia a escada do prostíbulo às pressas. Ouviu as risadinhas das moças da casa, que organizavam os cômodos após mais uma noite de grande movimento. Ao aproximar-se do saguão, reconheceu a voz de quem arrancava os sorrisos das prostitutas.

- Só um beijinho, Penélope. Só um beijinho e não a incomodo mais! – o rapaz de traços indígenas e três anos mais novo do que Jacob falava ao pé do ouvido da moça, que fingia indiferença, mas não conseguia conter um riso nos lábios.

- Nada disso, Embry! Já conheço as suas artimanhas, e esse será apenas o começo... – A prostituta balançou a cabeça negativamente, enquanto limpava o balcão do bar com uma flanela. A jovem sabia, pelo seu ofício, afugentar os tipos de homens mais inconvenientes que existiam, e poderia até se desviar do rapaz sentado à sua frente, caso realmente quisesse. Mas não o faria, pelo menos não quando se divertia com o jeito matreiro de Embry.

- E que tal pularmos logo para a parte final, hãn? O que me diz? – o jovem ergueu a sobrancelha sugestivamente, e mordiscou a orelha de Penélope, provocando-a enquanto aguardava sua resposta.

- Não importune a garota, Embry! – a voz rouca de Jacob fez-se soar por entre o salão, arrancando olhares e suspiros das prostitutas, que se amontoaram de uma só vez no balcão de madeira com a intenção de vê-lo. A visão de uma pequena parte de seu peito nu, ainda não abotoado pelo colete, deixou as jovens em polvorosa. – Ela já tem trabalho suficiente para se dar ao luxo de perder um par de horas com você.

- Par de horas! – Embry exclamou falsamente ressentido. – Dê-me vinte minutos, benzinho. Vinte minutos e garanto que sairá satisfeita! – falou, mirando maliciosamente a prostituta nos olhos, que não se sentiu constrangida, apenas por ter mais intimidade com o rapaz do que o socialmente aceito.

- Guarde seus galanteios para outro dia. – Jacob o puxou pelo braço, rolando os olhos. – Temos coisas mais importantes a fazer. – mencionou. Enquanto os dois atravessavam a porta, as moças da casa despendiam-se com acenos e beijinhos entusiasmados, pela promessa implícita na fala de Jacob de uma próxima visita. Não era todo dia que tinham a companhia de rapazes galantes, em detrimento de velhos desagradáveis e beberrões.

- Posso saber o que faz aqui, a essa hora da manhã? – Jacob indagou, assim que adentraram no Lincoln estacionado na rua ao lado do bordel.

- Não preciso perguntar o mesmo para você, hein irmão? – Embry respondeu, batendo no ombro de Jacob com camaradagem. O mais velho apenas lhe lançou de canto de olho uma repreensão, então ele continuou: — O pai estava desesperado com o seu sumiço! Passou a noite inteira resmungando e andando de um lado para o outro dentro de casa. Mas eu sabia onde você poderia estar. – ele riu de forma pretensiosa. — Só não poderia contar para ele. Sabe como o velho é cheio de regras morais. Então preferi que guardasse o sermão apenas para você... Assim que amanheceu, saí de fininho para lhe buscar.

- Percebi o quanto estava interessado na minha pessoa! – Jacob retrucou em deboche.

- Sabe como é... Não podia perder a viagem! – respondeu Embry, com cinismo inocente.

Apesar de considerarem-se irmãos, e muitos acreditarem que isto era verdade, Embry e Jacob eram primos. A mãe de Embry, irmã de Billy, engravidara muito jovem e morrera no parto. O pai de Embry fora um forasteiro que permaneceu na tribo apenas tempo o suficiente para tomar ciência da gravidez da moça, desaparecendo do mapa logo em seguida. Depois disso, jamais ninguém voltou a ter notícias suas. Billy, como irmão mais velho da jovem, após sua morte avocou para si a criação de Embry.

- Mas me diga irmão, que coisas tão importantes são essas que temos a fazer, que fizeram eu me afastar daquele belo par de pernas da Penélope? – Embry indagou insatisfeito. Jacob rolou os olhos para a clara demonstração de imaturidade sexual do irmão. Desde que trouxera Embry pela primeira vez ao prostíbulo, há cerca de um ano atrás, o rapaz não dava sossego às Meninas de Mirna, principalmente à bela loira provocativa de sotaque russo.

- Preciso estar na fábrica em... – olhou para o belo relógio prateado de pulso, para checar quanto tempo lhe restava. – Vinte minutos. Fecharei um negócio importante. – sorriu satisfeito, vibrando internamente por faltar tão pouco para a concretização de seu desejo vingativo.

- Por acaso tem algo a ver com seu casamento com a riquinha filha do Collin? – Embry indagou, causando surpresa em seu ouvinte.

- Como sabe? – Jacob perguntou, olhando o irmão de soslaio.

- Não foi você quem passou a noite ouvindo as lamúrias de Billy... A propósito, ele está fulo da vida com você!

- O velho há de entender. Estou fazendo o que é melhor para os negócios... Tenho certeza de que o maldito do Collin não irá pagar a dívida, portanto tomaremos as suas propriedades. Além disso, seu sobrenome abrirá para nós as portas que continuam fechadas...

- E o fato de ser Elize a vítima não tem importância alguma? – Embry o pôs em cheque.

- Claro que não. Ela não significa nada para mim... – Jacob replicou, não convencendo o rapaz sentado ao seu lado, que soltou fortemente o ar pela boca, como se dissesse “sei”. – Aliás... De fato, não posso negar que a satisfação de submetê-la, tanto a ela quanto a seu pai, a uma situação tão humilhante foi o peso final que me impulsionou a concordar com o negócio.

- Você deve saber o que está fazendo... – Embry balbuciou por fim.

Jacob sabia que, ao contrário de todos, não importasse sua decisão, Embry ficaria do seu lado. Despertava no jovem o fascínio do irmão mais velho, corajoso e super-protetor. Embry sonhava em ser um dia ao menos a metade do homem em que seu irmão se transformara, e suas transgressões tornavam-se apenas deslizes aos seus olhos. Mas de uma coisa Embry tinha certeza: seu irmão devia ter boas razões para tomar a atitude em questão. O vingativo Jacob Black tornava-se um verdadeiro justiceiro na visão do caçula.

Em menos de quinze minutos os dois chegaram à fábrica, e subiram apressadamente até o escritório de Jacob, cumprimentando de maneira cordial os empregados que encontravam no meio do caminho. Quando adentraram a sala do administrador, alguém já os aguardava.

- Pensei que não viria mais, e que sua ligação no meio da noite fora apenas uma brincadeira de mau gosto. – observou o rapaz, levantando-se da cadeira à frente da mesa de Jacob.

Paul era um jovem Quileute recém formado em Direito. Há muito não morava na reserva, saíra cedo com intuito de estudar. Cursara durante cinco anos na Universidade de Dartmouth, em New Hampshire. Apesar dos longos anos de estudo, porém, não perdera nenhum dos traços de sua personalidade: era um rapaz astuto e ambicioso, não nutria muito respeito pelas pessoas à sua volta, mas também não era considerado um mau caráter pelos amigos mais íntimos. A profissão de advogado, pelo contrário, aguçou a esperteza e perspicácia de Paul, que utilizava de todos os artifícios e brechas na lei para conseguir o que seus clientes desejavam, tornando-se um exímio jurista. Exatamente por esse motivo Jacob se lembrou de seu nome para cumprir a tarefa que iria lhe incumbir. Os rapazes se cumprimentaram cordialmente, logo após Jacob tomou seu lugar em sua cadeira, e os outros jovens curiosos se assentaram à sua frente.

- Pronto para ganhar muito dinheiro? – Jacob questionou ao advogado, que se sentava relaxadamente, já que, embora bem educado, nunca fora dado à formalidade excessiva.

- Por qual outra razão me levantaria a essa hora da manhã? – Paul devolveu, com seu sorriso debochado de costume. — A não ser que você me explique como foi que a garota Clearwater sem graça e briguenta se tornou essa tentação de morena. – os olhos de Paul tornaram-se maliciosos. O rapaz era conhecido por suas conquistas, e não se envergonhava de torná-las pública, por isso não havia mulher que o intimidasse. Era bonito ao seu modo, sem exageros. Corpo atlético, feições marcantes, pele morena, tom de voz rouco, um charme surpreendente, uma lábia espetacular e um temperamento infernal. Isto por si só já lhe garantia boas brigas.

- De certo que não o chamei para flertar com Leah... — Jacob observou. – Sei de sua fama com as mulheres, Paul, então mantenha-se distante.- o jovem índio recomendou.

- Foi apenas um elogio, não me interprete mal. — Paul dissimulou sem sucesso.

Embry gargalhou alto.

- Aposto cinco pratas que a tentação de morena aí fora... – Embry apontou numa imitação vacilante da voz impostada de Paul. – Lhe daria um belo fora na primeira oportunidade. — Embry continuou a sorrir e Jacob o repreendeu duramente com o olhar.

- Se pretende continuar com suas galhofas, Embry, retire-se. – ordenou. — Tenho coisas importantes para definir aqui, neste exato momento .- Paul soltou um leve pigarro e Embry calou-se automaticamente, mantendo-se em silencio.

Em poucos minutos Jacob contou sobre a visita de Melfin Collin na tarde anterior, bem como sobre a proposta que havia lhe feito. Sabia que tinha dinheiro suficiente para cumprir com sua parte no trato, e que o Collin não tinha escrúpulos suficientes para voltar atrás no prometido, mas estava interessado em saber se tal negociação teria respaldo jurídico ou não. A intenção do jovem era amarrar todas as pontas, pois não daria saída ao velho nem à sua família.

- Bem... Vejo que se trata de um caso bastante... Peculiar. – comentou o advogado, depois de alguns minutos de meditação. Embora pensativo Paul não pareceu surpreso, nem chocado, apenas indagava-se se uma mulher valeria tanto. – Quanto às propriedades, não haverá problema em estipulá-las como garantia pelo pagamento do empréstimo. Mas em relação ao casamento... Quer mesmo ir até o fim com essa idéia?- indagou reticente.

- Claro que sim! Ou não teria o chamado até aqui. Simplesmente pediria que um dos advogados da fábrica redigisse o contrato. – Black falou, exasperando-se.

- Tudo bem! – concordou Paul, tentando acalmá-lo. – Qual a idade da moça?

- Vinte e dois anos. – respondeu Jacob com toda a certeza, pois cada aniversário de Elize era uma data marcante em sua vida. Até quatro anos atrás era o dia mais esperado do ano, mas a partir de então se tornara o dia mais difícil, por inúmeras razões.

- Infelizmente a moça já é maior de idade. Apesar de ser bastante comum a realização de casamentos arranjados, muitas vezes contra a vontade da noiva, se ela for uma moça esclarecida poderá se opor ao matrimônio, pois juridicamente seu pai não poderá obrigá-la a se casar caso ela não queira. – explicou o advogado sem rodeios. – Mas... Há sempre uma saída, meu caro amigo. – falou Paul com um sorriso maledicente, sendo acompanhado por Black. – Aconselhe o Collin a obrigá-la, coagi-la, há tantas maneiras de um pai ameaçar uma filha...

- Tenho certeza de que o velho conseguirá persuadi-la. – Jacob respondeu bruscamente, entretanto temendo pela primeira vez que seus planos fossem por água abaixo. – Mas uma vez que o casamento tenha sido celebrado, há outras cláusulas que gostaria de impor...

O jovem Black expôs todas as suas condições, e à medida que o advogado as revestia de legalidade, eram repassadas para o contrato em redação. Meia hora depois, o acordo estava pronto e acabado, e Jacob esboçava um sorriso triunfante. Não demorou muito para que a secretária anunciasse a chegada do velho Collin, bem na hora marcada. Jacob conjecturou o tamanho de seu desespero, o que não lhe permitia atrasar nenhum minuto se quer.

Após leves batidas na porta, um homem de porte elegante e bem vestido, mas de olheiras incrivelmente visíveis atravessou a sala, sentando-se na cadeira em que Embry antes repousava. O irmão agora se fixava de pé, ao lado de Jacob. Black encarava com frieza seu futuro sogro observá-lo com desdém. O velho era altivo por natureza, nem a tragédia que se abatera sobre sua família era capaz de tirar-lhe o ar de superioridade que tão arrogantemente trazia. Para Jacob, ele não passava de um rato de esgoto, um animal imundo e sem valor. Trincou os dentes, mas ainda assim conseguiu encará-lo.

- Não podia ao menos apresentar-se asseado, Black? – olhou para o lado, observando o advogado, depois voltou a encarar Jacob fitando-o de cima abaixo. — Esse cheiro de puta só pode emanar de você, e não desse outro pirralho... – apontou para Embry, que pareceu indignado. Ao contrário do que Collin imaginava, Jacob abriu um sorriso debochado em resposta ao seu comentário.

- Infelizmente tive que vir direto para a fábrica. Mas estranhei a ausência do meu futuro sogro na casa de Madame Mirna ontem à noite. – o rapaz respondeu de forma cínica, passando as mãos nos cabelos bagunçados. De fato, saíra tão apressado, quem nem ao menos um banho tomou. Apenas lavou o rosto e vestiu-se, então era normal que exalasse sexo.

- Ora, seu... – o velho esboçou uma resposta não muito educada, mas foi compelido a silenciar ante a interrupção de Jacob.

- Deixemos de lado assuntos sem importância, e vamos logo ao que interessa. – o interrompeu de forma impaciente. – Aqui está o contrato. – entregou a folha de papel em suas mãos. – Leia-o e assine. – finalizou com a voz firme.

Conforme Melfin Collin analisava o conteúdo do papel que lhe fora dado, sua expressão mudava drasticamente. De surpresa à fúria. De vergonha a inconformismo. As cláusulas que Jacob impusera não eram fáceis de serem aceitas, ele bem sabia, mas valia-se do desespero do homem à sua frente para conseguir tudo o que queria.

Primeiramente, o momento da concretização do negócio se daria apenas após o casamento de sua filha com o índio. Assinados os papéis, o dinheiro seria entregue. A partir de então, Collin teria um ano e meio para devolver-lhe os cinco milhões, caso contrário, suas propriedades, dadas como garantia, seriam tomadas.

- Espere um momento. – o velho retrucou com a expressão confusa. – Pensei que receberia um abatimento da dívida, devido ao casamento com minha filha...

- Dê-se por satisfeito por eu não lhe cobrar os juros exorbitantes que qualquer outro imporia, Collin. – Jacob rebateu de forma seca, e Collin voltou a examinar o contrato de maneira resignada.

De fato, se o empréstimo fosse concedido até mesmo por um banco oficial, teria de pagar pelo menos a metade do valor pedido apenas de juros. Quanto ao tempo para o adimplemento, sua autoconfiança lhe assegurava que seria o bastante para se recuperar financeiramente.

As próximas cláusulas, entretanto, quando lidas, trouxeram um gosto amargo à sua boca. O velho provou de um tão grande desconforto, que julgara sentir na garganta a acidez da bile estomacal.

Segundo o contrato, a cerimônia de casamento se realizaria dentro de duas semanas, mínimo de tempo suficiente para que os proclamas corressem. A cerimônia seria planejada e realizada pelo próprio noivo, de acordo com a sua vontade. Embora feliz por não ter de arcar com mais uma despesa, algo dentro de si alertava-lhe que o rapaz escondia segundas intenções com aquela exigência. Deixou tal pormenor de lado, e voltou a concentrar-se nas demais cláusulas.

As condições se tornavam cada vez mais vergonhosas. Primeiramente, havia a exigência de que o casamento fosse, de fato, consumado, o que por si só motivou o rubor nas faces do leitor falso moralista. Espantou da mente o constrangimento de entregar a filha para que este homem a possuísse, mesmo contra a sua vontade, e continuou a leitura.

A próxima condição ditava que Elize só veria seus pais, familiares e pessoas próximas, com a expressa autorização do esposo, e a seguinte exigência estipulava que os filhos de ambos seriam criados sem a interferência da família de Elize.

- Isso é um absurdo! – o velho esbravejou, espalhando gotículas de saliva, por causa do quase engasgo. – Ele não pode fazer esse tipo de exigência! – completou, dessa vez encarando o advogado, buscando em Paul ajuda diante de tamanho despautério, mas o advogado apenas o mediu sem dar-lhe confiança.

- Uma vez casada, as decisões de Elize terão de passar pelo crivo do seu esposo, o senhor bem sabe*. Apenas por uma questão de maior segurança jurídica, e para evitar surpresas futuras, tais detalhes foram pormenorizados no contrato. – Paul respondeu, em tom célebre e indiferente.

Collin encarou indignado o jovem índio à sua frente, que contemplava satisfeito toda a situação. Na verdade, tais cláusulas estavam presentes no contrato apenas com a intenção de humilhá-lo, objetivo que estava sendo alcançado brilhantemente. Gabava-se internamente Jacob Black por isso.

Mesmo que o seu sangue nobre o impulsionasse a rasgar aqueles malditos papéis em suas mãos, Melfin continuou a ler as condições do contrato. Tal instrumento previa, por fim, que em caso de dissolução conjugal motivada pela esposa – adultério, abandono de lar, desquite, ou outro motivo semelhante – o contrato estaria desfeito, tendo de ser devolvido o dinheiro imediatamente, e como multa o esposo teria a faculdade de escolher uma das propriedades que seriam dadas como garantia, e esta passaria a ser sua.

A última cláusula, entretanto, intrigou Melfin Collin. Caso o divórcio, separação ou desquite fosse requerido pelo índio, o contrato se manteria em vigor, não alterando as cláusulas anteriormente estipuladas. Como uma velha raposa que era, Melfin percebeu no ato a intenção do jovem Black: ele almejava apenas desposar Elize, ter filhos com ela, para assim utilizar-se de seu nome, mas não era sua intenção permanecer com a moça por muito tempo. Isto explicava até o prazo de um ano e meio para pagamento da dívida, tempo suficiente para que ela ao menos engravidasse do rapaz.

- E quanto aos meus netos? – indagou, com os olhos estreitos e irrequietos.

- O que têm eles? – revidou Jacob, sem saber aonde o velho queria chegar com tal curiosidade.

- Não nasci ontem, meu caro rapaz. Sei exatamente o que pretende com essas condições absurdas. Não será mais vergonhoso para minha filha ser largada pelo marido do que carregar seu sobrenome durante um ano e meio!

Apesar da surpresa com a perspicácia do pai de Elize, Jacob não se intimidou.

– Não preciso expor nesse contrato o que qualquer juiz de bom senso irá me conceder. Eles serão criados por mim!- enfatizou.

A fisionomia de Melfin Collin pareceu transfigurar-se, e todos esperavam que ele pusesse fim imediatamente a uma negociação tão medonha. Mas paulatinamente suas feições foram retornando à normalidade. Tirou uma caneta de ouro do bolso do paletó, recostou o contrato sobre a mesa, e o assinou.

Seus expectadores permaneceram alguns segundos sem entender a mudança abrupta de comportamento do homem, mas logo se puseram a assinar as duas vias do contrato – Jacob como a outra parte, e Embry e Paul como testemunhas.

Um segundo contrato foi entregue nas mãos de Melfin Collin. Tratava-se de um contrato de esponsais – uma promessa de futuro casamento entre os contratantes. Este deveria ser assinado pelos futuros nubentes: Elize e Jacob. Collin e o rapaz acordaram que tal contrato seria entregue, devidamente assinado pela noiva, mais tarde, em um jantar na casa do velho, que selaria o enlace. A última exigência do rapaz foi que a moça não soubesse que o futuro noivo seria ele, e que o mesmo se revelasse apenas no jantar.

Entre todas as condições estipuladas pelo índio, essa fora a mais fácil para Melfin aceitar. Não estava disposto a proferir o nome do jovem Black uma vez mais. Com sua via do contrato, e os esponsais em mãos, Collin deu as costas e foi embora sem se despedir. Teria pela frente a difícil missão de convencer sua filha a assumir a responsabilidade de livrar sua família da ruína. Sabia que não seria fácil, mas rememorou-se de que ainda era o patriarca da família Collin, portanto não havia nada que Elize pudesse fazer contra sua palavra final.

Jacob, por sua vez, pagou pelos honorários de Paul, despediu-se do rapaz, que lhe prestara o serviço de maneira formidável, e refestelou-se em sua cadeira.

- Não acredito que terá coragem, Jake... – Embry balbuciou, capturando a atenção do irmão. – Casar-se com Elize por vingança, tudo bem. Sei que quer se enganar, mas no fundo sabe que ainda sente algo por ela. Mas tirar um filho dos braços de uma mãe... É muita crueldade, irmão!

Pela primeira vez desde que propusera o acordo vil para o Collin, Jacob sentiu-se envergonhado por suas atitudes. A decepção gritava nos olhos de Embry, transpassando o coração do – para todos os efeitos — irmão mais velho.

- Você não entende Embry. Ninguém entende! Eles precisam pagar pelo que me fizeram! – Jacob desabafou quase em desespero, para que o irmão o compreendesse.

- O Collin, de fato, é a pior pessoa que conheço. — bufou o jovem, fazendo uma careta. — Tenho nojo de suas atitudes arrogantes! Elize também não agiu de forma correta nos últimos anos. Mas o que você pretende... – balançou a cabeça de um lado para o outro em descrença. – Atingirá o seu próprio sangue! Qualquer criança precisa crescer ao lado de sua mãe, Jake. E sabe que falo por experiência própria.

As palavras de Embry o feriram como navalhas, reabrindo feridas antigas, difíceis de serem cicatrizadas. Não, não eram as palavras de Embry que remexiam seus ferimentos. Eram suas próprias atitudes movidas pela sede de vingança. Mas para Jacob, aquela era a única maneira de atingir cruelmente a família que tanto lhe fizera mal. O Collin não pagaria a dívida, então Jacob tomaria os seus bens, entregando-o à miséria. Após um casamento desfeito, ninguém mais se interessaria em contrair matrimônio com a bela Elize, então ela também acabaria seus dias sozinha, como bem merecia. E quanto ao filho, se viesse, seria apenas a cereja do bolo, o abrilhantamento do seu plano cabal!

*Não encontrei informações sobre as leis nos Estados Unidos, mas aqui no Brasil, apenas a partir de 1962, com a promulgação do Estatuto Civil da Mulher Casada, a mulher passou a ter capacidade civil plena. Antes, para todos os atos da vida civil, a esposa necessitava de autorização do marido.

Notas finais
MissLany: Esse capítulo é cheio de detalhes. Quando o escrevemos , lembro que demoramos dias discutindo até concordarmos que assim que deveria ser..E eu particulamente amo tudo.Embry e seu jeito divertido, Paul pakassafadenho e principalmente o contrato.
Agora me digam! Jake tem o poder ou não??? Eu particulamente me encanto como brilhantemente dele impondo tudo que deseja a Melfin Collin....Muitas emoções a caminho. E antes que vcs perguntem, no próximo capítulo Elize saberá do contrato. E aí, alguem a posta a reação da moça???
Esperando reviews...Muitos bjus, comentem indiquem e recomendem...É legal e nos estimula. :)
P.s- adorei saber a opinião de vcs no capítulo anterior e surpreendetemente todas concordaram que Jake estava certo!!! O nosso caramelinho está com cartaz alto hein. Hehehe!!!
P.s2- Meninas ia me esquecendo. Eu gostaria de recomendar uma fic para vcs. She Wolf é sobre Leah e acho que vale muito a pena ler.Tanto pela personagem quanto pela escrita e ainda mais pela autora que é uma fofa, que escreve sobre Leah como ninguem!
http://www.fanfiction.com.br/historia/161647/She_Wolf
Leiam, não irão se arrepender. Eu particulamente amo a estória. Heheh!!!