Virtual Love.
1 Prólogo.
Notas iniciais
Virtual Love
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Prólogo.
Natalie – ON.
Sou Natalie. 15 anos. Cabelos castanhos, lisos, comprido até a região da cintura. Olhos verde folha. Sou uma garota comum. Ou, pelo menos, eu penso assim. Não ligo para coisas de meninas, não sou cheia de fru-fru e nem de mi-mi-mi, sou uma garota normal. Ok, pode até ser que eu não seja tão igual como as outras garotas, mas eu faço o que posso.
Minha mãe e meu pai são divorciados. Moro com minha mãe em uma casinha pequena, mas confortável e gostosa de viver. Não me lembro de o porquê dos dois terem se divorciado, pois o caso aconteceu quando eu tinha cinco, seis anos, então não me lembro direito, mas todo final de mês, meu pai passa um fim de semana inteiro comigo, por lei.
Minha mãe é farmacêutica, então volta tarde em casa, por esse mesmo motivo, acabo não ficando muito tempo com ela. Meu pai, nem sei o que ele realmente é. Não sei nem porque dedica seu tempo para tentar ficar comigo. Mas, fico feliz, de qualquer modo, do jeito como os dois me tratam.
Tenho um irmão, Victor, de 20 anos. Ele sim é quem deveria ser meu pai. Ele é tão atencioso comigo, dando-me atenção, me escutando quando estou deprimida, e me confortando nos meus momentos mais difíceis. Ele, na verdade, é como uma mãe e um pai para mim. Ele é meu melhor amigo desde o jardim de infância, pois foi lá que as coisas “realmente” pioraram.
Não me dou bem com a escola. Quero dizer, eu dedico-me nos estudos, vou bem às provas, testes, trabalhos, mas a única coisa, que realmente me incomoda, são os meus colegas. Por algum motivo, não falam comigo. Não conversam não se entrosam não fazem nada. Absolutamente, NADA.
Realmente, a única coisa que fazem comigo é debocharem da minha cara por eu não me importar em cuidar da minha pele, ou por eu parecer um pouco “máscula”. Jogando bolinhas de papel em mim, xingando-me, insultando-me. O que eu faço? Apenas ignoro. Fico ali, aguentando eles falarem merda por quatro malditas horas.
Se eu me corto? Não. Nunca. Não vejo motivo para as pessoas fazerem isso. Sério, no que adiantaria se cortar? Eu, realmente, não vejo motivo.
Se eu sou depressiva? Não. Como eu já disse, meu irmão me ajuda em tudo. Quero dizer, quase tudo. Muitas vezes, chorar ajuda mais.
Quando estou sozinha em casa, eu acabo me trancando no quarto e chorando, sem motivo algum, apenas para limpar a alma.
Há uma semana, uma colega minha, Annie, começou a conversar comigo. Senti-me feliz, por estarmos conversando, eu estava aliviada, parecia que realmente eu tinha encontrado a amiga dos meus sonhos, nós conversávamos no inicio das aulas, intervalo, e final das aulas. Eu confiava nela. Eu sentia que podia “voltar á viver”, quando estava com ela. Mas tudo isso foi uma mera mentira. Uma semana depois que nós estávamos sendo “amigas”, eu descobri por outra garota que Annie falava mal de mim pelas costas. Quando ouvi aquilo, lógico que não acreditei, pois não tinha sentido, ela estava sendo tão legal comigo, afinal. Mas, minha curiosidade bateu. Corri para procura-la, e perguntei se realmente, ela havia falado mal de mim pelas costas. Perguntei, também, se ela era, realmente, minha amiga de confiança. E então foi aí que tudo parou. Ela estava sim, falando mal de mim pelas costas. Contou todos os meus segredos, contou que meu pai era um vagabundo bêbado, contou que minha mãe não dava a mínima para mim e meu irmão, e inventou mais trilhões de mentiras. Realmente, eu não acreditei. Não sabia o que fazer, se eu chorava, corria, me escondia, gritava. Eu estava sentindo muitas emoções ao mesmo tempo, aquela tinha sido a primeira vez que alguém me traíra daquele jeito, eu não sabia como reagir, fiquei sem fôlego, sem reação.
Para nós vermos como são as pessoas de hoje em dia, não é? Conversando com a gente, fingindo ser alguém que não é só para saber os segredos da pessoa. Isso é muita crueldade.
Realmente, se não fosse meu irmão, não sei o que seria de mim. Provavelmente eu estaria morta. Ou toda cortada.
(...)
28/08 – Quinta-feira, 15h47min.
Lá estava eu, lendo meu livro preferido, chamado “Easy”, quando alguém tocou a campainha. Era Victor.
– Victor, você veio! – exclamei feliz, abraçando-o.
– Sim, Nat, consegui vir hoje! E então, como estão mamãe e papai? – perguntou ele, já adentrando a casa e sentando-se no sofá.
– Na mesmice de sempre. Mamãe esfolando-se no trabalho e papai se vagabundeando com alguma vadia qualquer aí.
– Qual é Nat, não fale coisas desse tipo, você tem apenas 15 anos! – sorriu.
– Victor, cale a boca! – joguei uma almofada nele, sentando-me no sofá logo em seguida.
– E então... – ele parecia um pouco mais sério agora. – Como está a escola? Ainda estão zombando de você? Conseguiu fazer amigos? E a Annie, como está ela?
– Calma, Victor, uma pergunta de cada vez... – sorri disfarçando minha nervosidade. – Ok, a escola está ótima, estou com as notas belíssimas como sempre. Não, já pararam de zombar de mim, agora eles estão até mais gentis. Sim, consegui fazer algumas amizades. E a Annie, bem... Ela está ótima, também – sorri nervosa.
Ele me olhava com um olhar reprovador. Encarei-o, provocando-o também.
– Que foi? – perguntei.
– Tsc, tsc, Natalie, você mente muito mal... – disse, levantando-se. – Venha, vou te mostrar uma coisa no seu quarto.
Peguei em sua mão e subimos as escadas que levavam até meu quarto e o quarto de minha mãe. Adentramos e eu me sentei na cama. Victor foi para a minha mesa de centro, onde se encontrava meu notebook.
– O que você vai fazer Victor? – perguntei, pegando um bichinho de pelúcia e começando a acaricia-lo.
– Venha aqui – disse ele, sinalizando com os dedos para me sentar ao seu lado. O fiz. – Está vendo esse site?
Afirmei com a cabeça.
– Ele fala sobre relacionamentos on-line. Basicamente, você cria uma conta aqui, coloca um nickname e começa a conversar com pessoas que você não conhece. Claro, mamãe e papai não aprovam isso, mas como você acha que eu conheci a Marie?
Marie era a namorada dele.
– Mas Victor... Um site de relacionamentos? E-eu não sei...
– Por favor, Natalie, tente, apenas uma vez! Se você gostar, continue conversando com eles, mas se não gostar, tudo bem, pode parar. Mas me prometa uma coisa.
– Prometer o que?
– Se você não gostar desse site, você vai fazer amigos na escola. Prometa-me! – ele estendeu o dedo mindinho para mim.
– P-prometo... – estendi também e entrelaçamos os dedos.
– Ok, agora que eu sei que você vai mexer no site, eu vou indo – disse ele, levantando-se e indo em direção á porta, para sair de meu quarto.
– Mas você já vai, Victor? Qual é! Você nem ficou comigo direito! – reclamei, levantando-me também.
– Natalie, os tempos não são como antes. Eu tenho que pegar a Marie no trabalho. Até mais, maninha – abraçou-me e saiu.
– Tchau... – murmurei para mim mesma.
Fechei a porta, tranquei-a e voltei a olhar a tela de meu notebook. Fiquei encarando o site por mais ou menos cinco minutos. Eu estava confusa, não queria decepcionar meus pais, entrando nesses sites e ficando viciada, eu realmente não queria, mas eu também queria muito fazer uma amizade. Pelo menos uma, que seja verdadeira, não igual a da Annie.
“Natalie faça isso. Se papai aceitou a Marie, e a mamãe também, porque não aceitariam você também?” – pensei comigo mesma.
Mexi o mouse onde indicava bem grande, “Criar conta”.
Coloquei meu e-mail, uma senha qualquer, e meu nickname que eu usava nos jogos on-line, “Nah2703”. Quando o site anunciou que minha conta foi aceita, meu coração saltitou. Eu estava tão empolgada assim?
Coloquei uma foto minha para meu perfil e coloquei algumas informações também. Bem básicas, mas não eram mentiras. Coloquei um status normal, apenas com meu nome.
Cliquei em “Procurar amigos” e comecei a ver uma lista enorme de gente com nomes azuis (para meninos) e vermelhos (para meninas). De repente, ouço um barulhinho. Era alguém me chamando para uma conversa. Meu coração saltitou novamente. Olhei o nome, “Brunoh11”.
“Oi. – Bruno é o cara 8)
Oi. – Natalie.(N/A: Então, essa é a fala da Natalie no site, entenderam? *^*)
Tudo bem? – Bruno é o cara 8)
Sim, e você? – Natalie.
To bem. E aí, me passa teu endereço? Onde você mora? – Bruno é o cara 8)”
Fiquei com medo. Estava suando. Não sabia o que lhe responder. Eu acabei de conhecê-lo, não podia passar meus endereços pessoais.
Optei por desligar o notebook e descansar. Tirar um cochilo e pensar melhor nesse tal site.
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