Virtual Love.
2 Capítulo 1 – Um novo começo.
Notas iniciais
Virtual Love.
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Capítulo I – Um novo começo.
Natalie – On.
29/08 – Sexta-feira, 16h00min.
Brunoh11. Esse nickname não saía da minha cabeça desde que ele me chamou para uma conversa. Não consegui dormir direito, aquilo estava mexendo comigo tanto assim? Qual é! Era a primeira vez que eu tinha conversado com alguém que eu não conhecia e eu já fico assim?
Resolvi abrir meu notebook e conversar com ele novamente. Estava nervosa, mas não podia deixa-lo no vácuo. Não sou assim.
Entrei no site, coloquei meu nickname e minha senha e então vi uma pequena janelinha no canto inferior direito da tela, onde havia “Brunoh11” com uma pequena bolinha verde ao lado de seu nickname, indicando que ele estava on-line. Chamei-o.
“Oi, Brunoh11, desculpa não te responder ontem, é que eu tive... Tive um assunto para resolver ^^ – Natalie.
Hm. Eu já estou acostumado com isso, mas se você não quiser passar seu endereço, não fale mais comigo. – Bruno é o cara 8)
O que? Mas, Brunoh11, e-eu... Eu nem te conheço, como posso passar meu endereço para alguém que eu não confio, não conheço, não sei nada? – Natalie.
Olha aqui, sua putinha, não me venha com conversa, ou você fala seu endereço ou fica na tua, porque eu só to nessa merda de site pra poder transar com as putas. Então, se você não é uma delas, não fale mais comigo. – Bruno é o cara 8)”
Fiquei paralisada. Pasma. Não acreditei no que eu li. Não acreditei que existiam pessoas assim. Assustada, desliguei o notebook rapidamente e liguei para Victor. Não me importava se ele estava no trabalho, ou com a Marie, eu só queria falar com ele, pois só ele me entendia.
– Alô? – ele atendeu.
– Oi, Victor, é a Natalie, por favor, vem aqui em casa agora, é urgente, eu preciso de você, por favor – eu disse desesperada, lacrimejando.
– Natalie, o que aconteceu? Diz-me, foi com a mãe? O pai bateu nela? Natalie me fala! – ele também parecia desesperado.
– Victor, venha aqui agora, pelo amor de Deus, eu preciso de você aqui agora! – uma lagrima percorreu meu rosto.
Dez minutos depois, ele tocou a campainha. Corri de meu quarto para atendê-lo.
– Victor, sobe, agora – peguei seu pulso e fui puxando-o para cima, ao meu quarto.
– Natalie, pelo amor de Deus, me fala o que ta acontecendo, aonde tá a mãe? E o pai? Natalie, você tá chorando?
Ignorei-o e cheguei a meu quarto. Abri a porta e joguei-o com força para dentro do cômodo. Ele sentou-se na cama, aflito.
– Natalie, me fala! – ele insistia.
– Victor, não aconteceu nada com a mãe nem com o pai – eu estava cabisbaixa.
Ele soltou um breve suspiro. Ele parecia aliviado.
– Ah, que bom. Então, porque me chamou aqui?
– Sabe aquela merda de site que você me recomendou? – cerrei os punhos.
– Ah, sei sim! E então, conseguiu fazer muitas amizades em um dia? – ele parecia feliz.
– Victor, eu nunca mais quero entrar naquela merda de novo – apontei para o notebook. – Um menino, Brunoh11, me chamou de puta e disse que queria me comer, Victor, que merda de site é esse? – levantei minha cabeça com força, eu estava, realmente, chorando.
Victor ficou pasmo. Parece que aquilo tinha chocado ele mesmo. Então, ele levantou-se da cama e veio em minha direção e me abraçou. Um abraço quente, confortador, caloroso, cheio de amor. Um abraço que eu recebo só dele, nem minha mãe, nem meu pai, nem meus parentes não conseguem me abraçar assim. Só o Victor.
– Me diz Natalie, você colocou uma foto sua como de perfil? – ele acariciava minha cabeça. Como era maior que eu, ele podia fazer isso com facilidade.
– Sim... O que tem? – eu disse, em meio á soluços.
– Isso é um erro, maninha. Primeiro! Nunca coloque uma foto sua no primeiro dia. Segundo! Se algum cara parecer muito, sei lá, estranho, pervertido, ou algo assim, pare de falar com ele. Terceiro! Só coloque uma foto de perfil verdadeira sua, quando tiver certeza que já está na hora.
– Mas Victor, como... Como eu ia saber? – confortei-me em seu peito.
– Tudo bem, Natalie. Agora, apenas exclua aquela foto sua, coloque uma de um... Sei lá, de um jogo que você joga, talvez? E só coloque uma sua, ou mande para alguém, quando tiver certeza absoluta, ok?
– Tudo bem, obrigada – sorri e separei-me do abraço.
– E então, o que aquele otário falou? – ele sentou-se na cama, levando-me junto á ele.
Contei tudo para ele – não era muita coisa, mas vale a intenção –, e depois liguei meu notebook novamente. Mudei minha foto de perfil, mudei meu status e mudei meu perfil. Victor disse que todas essas informações são iscas para os estupradores virtuais.
Minha vontade, na verdade, foi de excluir aquele site por toda a minha vida, mas eu não queria decepcionar o Victor. Ele faz tanto por mim, eu nunca pude retribuí-lo, e agora está chegando minha hora. Eu realmente estava com nojo de olhar para aquele site, só de pensar que existem mais pessoas como o Brunoh11, mas, também pensei em como Victor achou a Marie. Eles são tão felizes agora, eu fico imaginando se algum dia eu vou achar alguém com quem eu poderei confiar, alguma amiga de confiança, que não fica comigo só para saber meus segredos, algum amigo de confiança, que não converse comigo só para transar depois, algum namorado, até, se eu der sorte. Mas, por não acreditar em mim mesma, eu não acho que eu consigo fazer algo tão... Tão pesado assim. Nunca me imaginei namorando alguém. Nunca me imaginei conversando com alguma menina, nem mesmo contando segredos, ou andando de braços cruzados, mãos dadas, nem indo á casa dela.
Realmente, eu não tenho confiança em mim mesma. Eu não acredito em mim mesma. Eu não tenho fé em mim mesma.
Mas, como eu já disse, eu estou sempre feliz. Motivos para ficar triste? Lógico que tenho, mas não preciso ficar me abalando por aí.
– Natalie, ei, Natalie, tá aí? – disse Victor, estralando os dedos, chamando minha atenção.
– Ah? Desculpa, Victor, eu estava pensando numa vida perfeita. Sabe aquelas que a gente pensa antes de dormir? Então... Eu estava pensando nisso... – sorri constrangida.
– Haha, bobinha, você algum dia terá uma vida assim. Mas você me desculpa né? Eu tenho que ir agora, tenho que ir buscar a Marie no trabalho... – ele parecia triste por ter que me deixar.
– Tudo bem, Victor... Até mais – abracei-o. – Você já sabe o caminho para fora, né? Haha.
– Ai, grossa, pra que me magoar assim? – ele fez beicinho. – Haha, mentira, sim eu sei, então até mais, maninha!
– Tchau... – murmurei, acenando para o nada, já que ele havia saído do cômodo.
Fiquei encarando o notebook com raiva. Não queria voltar lá. Mas eu tinha uma promessa, não tinha?
“Victor, odeio-te muito.” – amaldiçoei-o em meus pensamentos enquanto me aproximava do notebook. O site ainda estava ali, então eu podia mexer sem problemas. Mas o site já era um problema.
Entrei naquela lista novamente e fiquei olhando os vários nicknames que as pessoas colocavam. Alguns formais demais, outros muito babacas e alguns normais. Por exemplo, tinha um que era “LeiteDeNega”, aí eu pergunto, o que leva uma pessoa a fazer um Nick assim? E tinha outros mais formais, como “EuSouEduardomtPrazer”, tipo, ele já tá dando muito prazer sendo que nem conhece a pessoa? E tinha os mais normais, como “Miah55”, que eu achei muito fofo esse nickname. Parece que ela está miando, sei lá (N/A: Natalie, que ideia é essa? A menina, miando? /Natalie: Deixa-me!).
Fiquei mais um tempo ali, só vendo os nicknames das pessoas, rindo e gargalhando às vezes. Olhei para o relógio, 18h54min. Espantei-me, eu perdi a conta do tempo! Tudo bem que minha mãe só voltava às 22h e pouco, mas eu tinha que jantar, não é? Dei mais uma olhada no site e deixei-o ali, aberto. Desci lá em baixo e preparei um lanche muito nutritivo para eu comer, depois que acabei, escovei os dentes e voltei ao notebook.
Vi que ninguém tinha me chamado, nem nada, então eu optei por sair do site e ir jogar um joguinho qualquer on-line, mas quando fui sair da minha conta, alguém me chama no chat. Meu coração saltitou novamente, mas eu não podia me deixar levar por isso. Fui ver quem era e adivinha!
“ Oin, Nah2703! Sou Miah (esse não é meu nome, mas eu gosto desse nickname ;3), muito prazer em te conhecer! – Miah *-*”
Não acreditei. Eu tinha achado ela fofa e realmente, ela tinha falado comigo? Isso é o destino? Mas eu não posso me abalar! Não posso, não posso!
“O que eu faço agora? Eu posso respondê-la e ficar conversando ou eu posso sair do site e ir tomar um banho. Eu também posso optar por respondê-la amanhã... É isso que vou fazer! Mil desculpas Miah, mas você vai ficar no vácuo” – pensei.
Saí do site, desliguei o notebook e fui tomar um banho. Nele, fiquei pensando em Annie, a minha “ex amiga”, em Victor, em Brunoh11, em Miah, e, principalmente, no site. Por fim, resolvi dormir cedo, mesmo amanhã sendo sábado.
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