Virtual Love.
6 Capítulo 5 – Sofi.
Notas iniciais
Virtual Love
.
.
.
Capítulo V – Sofi.
Natalie – On.
Meu dia não podia estar pior. Eu estava com dor de cabeça, estava brigada com minha mãe e com Victor já fazia uma semana e Mia não estrava mais no site. Eu estava mais preocupada com Mia do que com meus pais. Realmente, eu adorava muito ela. Queria muito me encontrar com ela!
Mas enfim. Isso, era algo que, realmente, demoraria muito para acontecer.
02/10 – Quinta-feira, 07h44min.
Eu estava acordada, mas não para ir á aula, pois a mesma estava em falta hoje. Eu apenas estava... Sem sono. Na verdade, eu estava pensando na vida. Sabe aquele momento em que nós pesamos em um mundo perfeito? Um mundo perfeito para nós? Aquele mundo em que a gente espera que se torne realidade?
São nesses momentos que a gente percebe a porcaria de mundo que nós vivemos.
E, também são nesses momentos que nós sabemos que esse mundo nunca se tornará realidade.
Resolvi ir ao site. Vai saber se a Mia não estava online?
Levantei-me com a maior preguiça, abri meu notebook e entrei no site. Mia não estava online, mas Sofi estava. Chamei-a.
Nat: Oi, Sofi!
Sofi: Hey, Nat! E então, acha que a gente pode se encontrar?
Nat: Ei, não acha que estamos indo muito rápido? Quero dizer, nem te conheço direito! Quero saber muitas coisas sobre vc... E, sem ofensas, mas eu não sei se vc é mulher mesmo ou se não é um homem estuprador.
Sofi: Credo, Nat, eu não sou estuprador coisa nenhuma!
Nat: Então tudo bem se a gente for devagar nesse assunto?
Sofi: Claro, mas... Eu queria que pelo menos fosse essa semana (até sexta-feira da semana que vem), porque eu vou me mudar, e eu nunca encontrei nenhum amigo virtual na minha vida, e eu sei que a gente pode não ser amigas, mas será que vc não podia fazer um esforço?
Fiquei com dó dela. Tudo bem que, certamente eu nunca havia encontrado a Mia também, mas isso não vem ao caso. Isso é uma oportunidade imperdível!
E, confesso, eu também estava com muita vontade de encontra-la.
Nat: Ok, Sofi, eu vou conversar com meus pais e eu... Respondo-te ok?
Sofi: Muito obrigada Nat! Mesmo não te conhecendo direito, sei que vc é uma ótima pessoa, e uma ótima amiga! Então, que dias vc tá disponível?
Nat: Na verdade, todos os dias de tarde.
Sofi: Ok eu irei ver um dia! Agora, desculpe-me, mas eu tenho umas coisas para fazer... Mais tarde nos vemos, beleza?
Nat: Tudo bem, beijos.
Desliguei. Engraçado, né! Todos os dias, quando converso com as garotas, sempre elas saem primeiro que eu, quero dizer, com a Mia, a mãe dela sempre atrapalha nossas conversas, e com Sofi... Bem, com Sofi, ela apenas tinha coisas a fazer.
Não posso negar, eu estava empolgada com esse tal encontro. Mesmo não a conhecendo direito e tal. E também, se minha mãe não aprovar, se Victor não aprovar, eu não ligo. Saio de casa, fujo de casa, sei lá.
Resolvi fazer minha higiene pessoal e assistir alguma coisa na TV, pois eu não tinha nada melhor para fazer mesmo.
Estava passando um programa que eu gostava de assistir, então fiquei ali, estirada no sofá, vadiando a manhã inteira.
Olhei para o meu celular, 09h12min, nossa como passou rápido!
Peguei meu notebook e o levei até a sala. Abri o site novamente, querendo falar com Mia. Como eu disse, quando você acha alguém para ser seu amigo, você não liga para mais nada, apenas pensa nele. Isso, realmente, é uma droga.
Mia ainda não estava online, fiquei decepcionada. Mentira, eu estava normal, apenas fiquei um pouco triste. Mesmo sabendo que ela não ia me responder, mandei uma mensagem para ela.
Nat: Oin, Mia, então entra logo! Tenho novidades! :D
Decidi explorar mais o site, afinal eu só entrava nele para conversar com Mia, eu nem sabia nada dele em si. Vi, em um anuncio do próprio site, que ele também era disponível para celular. Logo, peguei meu celular, procurei o app e o baixei, assim quando Mia vier falar comigo, estarei sempre disposta.
Explorei tudo o que havia para explorar. Entediei-me e resolvi dar uma volta. Já eram 13h46min, eu não havia comido nada, e minha mãe estava no trabalho então resolvi sair para comer alguma coisa. Assim, também, eu saia de casa um pouco.
Coloquei uma roupa casual, calça jeans, camiseta regata com estampa de animais, sapatilha preta e cabelo preso num rabo-de-cavalo. Fui até o McDonald’s.
Sentei-me em uma mesa e conectei á internet meu celular. Vi que Mia havia me mandado uma mensagem.
Miah: Hey, Nat! Então, qual é a novi?
Nat: Oin! Ah, a novidade é que... Sabe aquela Sofi, a menina que queria sair comigo? Ou melhor, me conhecer?
Miah: Sei, sei sim!
Nat: Então, conversei com ela, e eu vou me encontrar com ela sim.
Miah: Mas Nat, vc tem certeza? Vc não sabe nada dela, né? Vc confia nela, de verdade?
Nat: Bem... Não. Mas sabe o que é? Ela vai se mudar, e ela queria me encontrar antes que seja tarde demais...
Miah: Bem, eu não poso mandar em vc, mas eu acharia melhor não... Mas é vc que decide né...
Nat: Mas enfim, tudo bem, Mia?
Miah: Sim, tudo ótimo! Eu e o Rafael estamos super bem, minha mãe tá parando de me incomodar e eu quero apresentar uma pessoa á vc!
Nat: Uma pessoa? Quem?
Miah: Ah, é um rapaz muito bom! Bem... Ele é meu amigo, meu melhor amigo (depois do Rafa, claro) e eu quero que vcs sejam amigos também! O nome dele é Matthias, e ele, bem, ele é super-gato, confesso.
Nat: Hahaha, Mia, que isso?!! Olha que o Rafa não gosta, hein! Mas enfim, me apresente á ele, talvez eu goste dele, hehe
Miah: Hum, Nat, já tá pensando em mais que amizade é? Hahaha! Eu aprovo vcs dois!
Abri um sorriso de orelha a orelha.
Nat: Ih, Mia, se esse for o caso, vai demorar muito, baby! Então, me apresente á ele outra hora, ok? Agora estou comendo, então, vou desligar, depois conversamos mais, blz?!
Miah: Tudo bem! Beijos!
Comecei a comer o meu hambúrguer. Logo depois que terminei, paguei a conta e saí de lá. Como eu não tinha nada para fazer eu fui andar ao parque. Recebi uma mensagem do site. Olhei para o celular, era Sofi.
Sofi: Ei, Nat, voltei!
Nat: Oi, Sofi! Ei, posso te fazer uma pergunta?
Sofi: ...
Nat: Sofi?
Sofi: Pode...
Nat: Ok, então, me manda uma foto tua? Vai que eu te encontre aqui no parque!
Sofi: ... Tudo bem...
Fiquei esperando. Esperei, esperei, esperei por mais ou menos uns 7min, até que ela enviou. Ela era linda! Loira, cabelos compridos, olhos castanhos e pele clara. Olhei ao redor do parque. Ninguém parecida com ela.
Nat: Sofi, vc é linda!
Sofi: ... Obrigada. Agora, me manda vc uma foto tua!
Nat: Tá.
Mandei minha foto mais atual. Eu estava horrível, porque odiava tirar fotos, mas eu deveria retribuir favores.
Sofi: vc também é linda, Nat! Maravilhosa!!
Nat: O-obrigada...
Levantei-me e comecei a andar para voltar pra casa. Já eram 15 horas da tarde, e eu não podia ficar muito tempo fora de casa. Senti que tinha alguém me observando, então eu olhava para trás a cada cinco passos que eu dava, e sempre que eu olhava, eu via um homem, alto, cabelos pretos, olhos da mesma cor que os cabelos e um sorriso perturbador no rosto. E estava segurando um celular.
Comecei a andar mais rápido, peguei meu celular na mão e disquei o número da polícia. Aquilo realmente estava assustador.
Cheguei a minha casa, abri a porta rapidamente e a tranquei logo. Fiquei espiando pela janela, aquele homem ainda estava lá. Comecei a tremer.
“Se eu ligar para Victor, ele viria aqui, e esse homem pode estar armado... Se eu ligar para a mamãe, ela vai se preocupar, e vai ligar para Victor... Se eu ligar para papai... Bem, papai é um infeliz, nem sabe que eu existo” – pensei.
– O que eu faço...? – perguntei a mim mesma.
Olhei novamente, ele estava ainda mais próximo de minha casa, dessa vez, mexendo no celular. Recebi uma notificação de Sofi.
Sofi: Ei, Nat, vc mora aonde? Eu quero saber teu endereço...
“Bem, ela morava na mesma cidade que eu, que mal faria se eu contasse?” – pensei.
Passei meu endereço, logo depois, voltei a olhar para a janela. O homem parecia curioso, olhava para todos os lados, á procura de algo.
Comecei a ligar os fatos.
Ele, bem que poderia ser a “Sofi”.
Mas espera Sofi não era mulher?
“Mas Nat, vc tem certeza? Vc não sabe nada dela, né? Vc confia nela, de verdade?”
Lembrei-me das palavras de Mia. Sim, ela realmente poderia ser esse homem.
Fato número um: Eu não a conheço.
Fato número dois: Ela mora na mesma cidade que eu.
Fato número três: Não sei nada sobre ela, e o que sei, pode ser falso.
Fato número quatro: Desde que eu falei que estava no parque, esse homem me persegue.
Fato número cinco: Eu sou muito babaca.
“Caramba, Natalie, como você consegue ser tão burra! Mia te avisou, Victor te avisou, você mesma se avisou! Burra, burra, burra!” – eu me amaldiçoava.
Olhei para a janela, o cara estava pulando meu muro de casa.
Nessa hora, estremeci. Corri até o banheiro de meu quarto e me tranquei lá. Liguei para a polícia rapidamente, totalmente desesperada.
– Alô, é da polícia?
– Sim, qual é a emergência? – uma mulher me atendeu.
– Tem um homem invadindo minha casa, alto, moreno, provavelmente 34 anos, meu endereço é – passei meu endereço, eu estava com meus olhos lacrimejando, não queria sair do banheiro de motivo algum. – Por favor, venham rápido!
– Estamos a caminho – desligou.
Eu estava suando. Tremendo. Chorando. Não ouvi nenhum barulho em casa, o que provavelmente o tal homem faria, mas a casa estava muito silenciosa. Abri uma fresta da porta lentamente.
– Olá, Nat – me deparei com o homem bem á minha frente, com o seu sorriso perturbador, e seus olhos arregalados. Pulei para trás, fechando a porta rapidamente.
– Quem é você? Como sabe meu nome? Porque tá aqui? – eu gritava desesperada.
– Calma Nat. Sou eu, Sofi. Você disse que nós iriamos nos encontrar! – ele abria a porta lentamente. Sua voz era assustadora, assim como sua expressão.
– Sai daqui, você me enganou! Você é nojento! – eu gritava, comecei a me espremer contra a parede, pois estava totalmente sem senso de direção.
– Ih Nat, não vai me desejar boa sorte na mudança? Ora, vamos! Diga-me onde é seu quarto... – ele agarrou meus pulsos.
– Sai daqui seu merda! Eu já liguei pra polícia, você não terá tempo de fazer nada comigo! – comecei a me debater.
– Natalie, Natalie, se você vai ser ruim, serei ruim com você também – ele sorriu maleficamente.
– O... Que? – perguntei assustada.
Não pude ver mais nada, minha visão ficou preta, a única coisa que eu vi no final foi seu sorriso e, em sua mão, uma faca. Depois disso, tudo ficou preto.
Fale com o autor