Notas iniciais
Suspeitas voltam a cair nas redondezas do apartamento de Melissa

John – Eu me vejo sendo morto.

Melissa – Desde quando?

John– Sempre... Desde o dia que eu voltei pra essa cidade!

Melissa – Não fica assim, vai ficar tudo bem!

John– Tem horas que eu só penso nisso!

Melissa – Seus sonhos são sempre assim?

John– Assim e pior. Eu já sonhei até com você me matando, querida.

Melissa– Eu? Eu nunca te faria mal algum, meu amor!

John– É que eu te fiz sofrer de uma forma horrível, nada mais normal do que você querer se vingar de mim, de alguma forma...

Melissa– Deixe de ser bobo! Eu te amo! Por mais que eu tenha ficado magoada e com um pouco de raiva, eu estou superando tudo isso. Já não sofro tanto como quando eu achava que você estava morto...

John– É reconfortante saber isso!

Os dois estão abraçados, deitados, no quarto do apartamento da garota. E já estavam planejando se mudar, em breve, para fora do país:

Melissa– Já até consegui uma casa bonita e muito boa para nós dois lá fora... Teremos uma família feliz, finalmente... Eu, você e uns filhos!

John– Uns filhos?

Melissa – Não muitos. Talvez, cinco!

John– Cinco? Aposto que, depois do seu primeiro parto, já vai desistir dessa ideia...

Ele começa a fazer cócegas na moça, que revida com alguns tapinhas. O casal já não lembrava mais, realmente, dos problemas que aconteceram pouco tempo atrás... Só queriam saber do futuro. Porém, no momento, não seria possível. Ainda tinham assuntos a tratar, como ir visitar Michael no hospital e fazer com que John saia de vez da lista de suspeitos dele.

~~

Michael – Então... Quer dizer que ela acabou fugindo?

John– Sim, sim... Ela deixou os seus parceiros inconscientes e, depois, quebrou um vaso na sua cabeça. Por isso que você está aqui, agora, no hospital.

Michael – Não tentaram agarrar ela?

John– Ela foi mais rápida e pegou a sua arma.

Michael– Me desculpe, foi uma falha... Acho que ela usou alguma técnica para que as algemas não ficassem tão firmes no pulso. Enfim... Botei um casal inocente em perigo! Me desculpem, senhor Edward e Melissa... Não se importam que eu os chame pelo nome, né? E seu sobrenome, Melissa, qual é mesmo?

Melissa– Drummond.

Michael– Oh, sim... Enfim, caso eu necessite de alguma informação nova, eu ligo. Muito obrigado mesmo.

John– Estamos a disposição, detetive.

Quando os dois acabam saindo do local, Marisa, que observara durante todo tempo o homem e estando meio indignada e desconfiada, questiona:

Marisa– Não achou o casal suspeito, nem um pouco?

Michael – A princípio, sim, mas... Eles não parecem ser uma ameaça. E ele não tem nada a ver com o John Mello.

Marisa – Se ela passou esse endereço pra você, acha mesmo que era seria boba de armar tudo isso? É claro que eles ajudaram na fuga!

Michael– Eu não me lembro de muita coisa, mas... Eu me lembro da Paige nocauteando meus dois ajudantes e, depois, foi a minha vez. O casal estava bem nervoso, acuado, se sentindo enfraquecido.

Marisa– A barba dele era grande, todo mundo sabe... Ele pode ter feito a barba!

Michael– Nem parece... O cabelo está muito diferente, a barba também... Nem os olhos são da mesma cor!

Marisa– Lentes! Às vezes você nem parece um detetive de verdade, sabia?

Michael– Esse caso interessa mais a você do que a mim, apesar dos meus contatos... Se está tão mais preocupada com os seus milhões e seu ego inflado do que com minha opinião profissional, vai lá! Tenta você!

Marisa– Eu tenho certeza que é ele! Eu vou acabar com a vida desse miserável e da namoradinha cúmplice!

Michael – Espera, Marisa! Não faça nenhuma besteira! MARISA! DROGA! VOU TER QUE IR ATRÁS DESSA MULHER!

Ele sai do repouso (no qual estara apenas por um dia e acabou ficando por lá por recomendação da equipe do FBI e do próprio médico, devido a forte pancada e aos machucados no rosto e na cabeça) e vai correndo, com certas dificuldades, em sua direção, mas não consegue alcançá-la. Ela pega o carro do marido e revira o porta-luvas até encontrar o tal endereço. Enquanto isso, o detetive telefona para o FBI pedindo reforço.

Michael – A louca da minha mulher vai cometer uma loucura, isso não pode acontecer!

Quando ela chega no local, porém, percebe que o casal não havia ido para casa. Na verdade, eles estavam comprando as passagens para a viagem em uma agência. A data seria na semana seguinte, quando eles já teriam organizado tudo que precisariam para ter uma vida fixa por lá. O destino: Inglaterra. Londres, mais precisamente.

Antes deles chegarem, o detetive Michael já estava por lá.

Michael– Eles não estão aqui?

Marisa– Parece que não.

Michael – Ainda bem... Você ia fazer uma loucura, querida. SEM NENHUMA PROVA!

Marisa – Eu... Só quero o meu dinheiro de volta! ELES ESTÃO COM MEU DINHEIRO!

Michael – Eu já falei que nós vamos recuperar o seu dinheiro...

Marisa – Vocês não recuperaram nem o dinheiro dos golpes anteriores deles... Como posso confiar? Eles já devem ter gastado e investido tudo!

Michael – Ainda podemos pegar a Paige.

Marisa– Não, ela não é boba de manter a mesma identidade... Vai fazer um monte de plásticas também, aposto...

Michael – SE ACALME! FICA CALMA, OK? Olha lá, eles estão chegando...

E, então, Melissa fica muito aflita por ver quase que um multirão do FBI estacionado em frente ao seu condomínio. John fala para ela relaxar e, então, os dois saem do carro. As passagens e passaportes? Ficaram todos no porta-luvas do carro, caso uma revista corporal fosse ocorrer... Mas eles não escapariam de serem pegos, caso o FBI ali estivesse para prendê-los e coletar provas.

Marisa– VOCÊ É O JOHN MELLO! DESGRAÇADO! DEVOLVE O MEU DINHEIRO! DEVOLVE! SEU BANDIDO!

John– Desculpe. Eu não sou esse senhor. Eu nem o conheço. Meu nome é Edward Fenn. Quer ver meus documentos?

A mulher pega-os assim que ele os tira do bolso e, então, nota que ele está falando a verdade. Mesmo ainda desconfiando dele e tentando inventar acusações, ela não podia falar nada: A identidade era original. A falsa era de John Mello. Uma brecha que poderia ser notada é a de que Edward Fenn pode estar sendo dado como morto, mas, na verdade, Samus ajudou-o, na época, a mudar os documentos e fazer com que outra pessoa (a que realmente estava no caixão do Ed) fosse dada como morta. E essa pessoa também teve o óbito com o seu nome, e não o dele. Por isso essa brecha é inviável.

~~

Melissa– Então Edward Fenn, judicialmente, nunca foi dado como morto?

John– Diante da lei, meu amor, isso nunca aconteceu... Foi apenas ilusão. Vocês achavam que sim e os caras da época também, mas... Hoje, quando eles olham o obituário, não se lembram e acham que está tudo certo. Que o nome está correto. Até porquê sempre fui representado com um nome falso pela justiça. Ah, um detalhe: O homem que morreu também se chamava Edward. Edward Suárez.

Melissa– Entendi... Esperteza a sua... Você realmente teve um caso com a Samus durante todo o tempo?

John– Claro que não, ela te disse isso? Foi uma noite só. E, na realidade... Foi algo muito interessante, pois... Eu dopei ela. E, até hoje, ela acha que realmente transamos mas, nada aconteceu.

Melissa– Você me jura? De coração?

John– Olha nos meus olhos e vê se estou mentindo. Estou? Eu te amo, Melissa Drummond.

Melissa– Eu também... Er... John Mello?

John– Edward Fenn. O verdadeiro, desde sempre.

Realmente, ele havia dopado ela. E ela até sabe que nada aconteceu, mas até planeja para quando ele voltar, sequestrá-lo para que os dois possam fugir e ficarem juntos para sempre. Ela sempre amou Edward. É inevitável de se perceber isso. E por isso o ajudou, naquela ocasião.

~~

Michael – Me desculpem o transtorno... Passar bem.

Marisa – Passar bem...

Melissa– Ufa... Amor, eles se foram!

John– Não tecnicamente, mas... Sim, eles se foram! Ei, vou pegar as passagens no carro assim que eles dobrarem a esquina...

Melissa – Enquanto isso... Me beija?

John– Precisa pedir?

Os dois se beijam... E o plano de fuga estava cada vez mais bem arquitetado. O próximo passo? Matar John Mello de uma vez por todas! April o ajudara com os detalhes, mas quem iria executar essa operação arriscada era o próprio Ed, numa missão que realmente poderia custar a sua vida! O que será que vai acontecer, de fato?