Notas iniciais
Boa noite, meus caros leitores! Como vocês estão? Espero que estejam todos indo muito bem. Aqui estamos nós em mais uma atualização com um capítulo novo! Acho que já faz um bom tempo desde a última atualização. Não vou me estender com grandes explicações, então, sem mais delongas... Uma boa leitura à todos!

A sala do diretor Edward Norton era bem ampla, decorada de uma forma que a fazia transmitir uma sensação de tranquilidade e acolhimento. As paredes eram pintadas de cores claras e as cortinas tinham um tom pastel, mas estavam sempre abertas para permitir que a luz do dia iluminasse a sala. Havia muitos quadros com obras abstratas que misturavam linhas, círculos e outras formas geométricas, pendurados nas paredes de forma bem organizada para não competir com os retratos de pessoas e momentos importantes da história do colégio. Prateleiras de livros e estantes de troféus e medalhas também ornavam o lugar.

O Diretor Norton já era um homem acima dos cinquenta anos, o corpo denunciando as marcas da idade. Seus poucos tufos de cabelo nas laterais já estavam bastante grisalhos e a careca no topo da cabeça refletia as luzes do teto como um espelho. Objetos comuns de escritório adornavam sua mesa luxuosa, como a plaquinha de metal pintada de dourado que o identificava como “Diretor Edward Norton”, mas uns poucos eram de natureza pessoal, como seus diplomas emoldurados e retratos pessoais. Um, em especial, tinha uma moldura dourada; ele mostrava o Diretor Norton — ainda novinho e com mais cabelo — de mãos dadas com outro homem de cabelos loiros volumosos, ambos usando elegantes ternos de linho.

Embora fosse sua sala, o Diretor Norton não se encontrava sozinho. Enquanto ele se sentava à sua mesa, ocupado com a pilha de documentos que lia e assinava, do seu lado esquerdo, andando de um lado para o outro, estava o Professor Lange, revisando algumas folhas dentro de uma pasta plástica. Ambos estavam mergulhados em seus papéis quando batidas na porta ecoaram. Pelo vidro translúcido e embaçado da porta, era possível ver as silhuetas de dois homens do lado de fora.

— Entrem! — ordenou o diretor, a voz de um tom bastante grave ao falar.

A porta foi aberta e o Treinador Steven entrou, acompanhado de Nicholas. O Sr. Lange os encarou sem esboçar expressão alguma, enquanto o Diretor Norton demonstrou um semblante mais simpático, completado por um sorriso acolhedor. Com um simples gesto de mãos, ele indicou as duas cadeiras à frente de sua mesa, pedindo para que ambos se sentassem sem a necessidade de dizer.

— Obrigado por terem vindo! O assunto que eu tenho para tratar não será muito agradável. — Apesar do jeito sério de falar, o Diretor Norton ainda se esforçava para manter uma expressão tranquila.

— Tudo bem, Diretor Norton. Não precisa ser tão eufêmico — respondeu Steven.

— Muito bem. Lange, por favor!

O Sr. Lange mexeu em sua pasta, separou alguns papéis e os entregou para Steven. Assim que os teve em mãos, ele os estudou e, conforme ia lendo-os, sua expressão se tornou cada vez mais decepcionada, até que ele se virou para Nicholas e o encarou firmemente, fazendo o garoto se preocupar ao entender que o motivo de terem sido chamados era ele.

— Bem, como pôde constatar por esses papéis, Steven — começou Lange, a voz apática —, nós os chamamos para discutirmos as notas do Nicholas, que vêm caindo absurdamente desde o último trimestre.

— Você tem algo a dizer em sua defesa? — Steven encarou o filho de forma intensa, intimando-o.

Mas Nicholas não teve coragem de respondê-lo, abaixando a cabeça.

— O senhor gostaria que eu tomasse alguma providência em relação a isso? — Steven perguntou diretamente ao Diretor Norton.

— Naturalmente, mas a minha preocupação é outra.

— Como assim? — indagou o treinador dos Hawks.

— Não somente o desempenho do Nicholas tem abaixado, mas o de outros membros do Hawks também. Como sabe, Steven, para que os alunos possam frequentar as atividades extracurriculares, é necessário que eles mantenham um histórico, ao menos, regular, com boas notas e comportamento exemplar.

— Sim, eu tenho consciência disso — respondeu Steven.

— Acontece que, após colocarmos os alunos do time para frequentar o programa de educação comportamental… Bem, digamos que recebemos uma reclamação formal.

— Não me diga que…

— Sim! — confirmou o diretor com um aceno de cabeça. — Os pais do Harry vieram fazer o acompanhamento semanal do filho e ele alegou que não está se sentindo bem tendo membros na equipe com um desempenho tão baixo, ainda mais o capitão do time. Então, meio que os pais dele me questionaram…

— O senhor não precisa me dizer mais nada. Eu já entendi tudo.

— Eu consegui alegar aos Trevor que todos os membros dos Hawks estão participando igualmente dos programas educacionais como forma de todos aprenderem, como uma equipe, sobre a responsabilidade que eles têm de preservar o nome e a honra do time ao representarem a escola. Mas mesmo eu contornando toda essa situação difícil, eles ainda questionaram a presença de membros com baixo desempenho na equipe e propuseram que fizéssemos uma mudança nela para que um novo capitão fosse escolhido. É claro que Harry deseja assumir o posto de capitão dos Hawks e ele usou os pais como meio para me colocar em uma saia justa.

— Parece que ele adora se esconder atrás dos pais — murmurou Nicholas, mas não baixo o suficiente, podendo ser ouvido por todos.

— Não vejo diferença entre vocês — acrescentou Lange, com tom de desdém.

Steven tentou segurar a expressão de desgosto com o comentário, mas não pôde evitar fuzilá-lo com os olhos.

— É claro que, em outras circunstâncias — continuou o Diretor Norton, rapidamente capturando as atenções —, eu não discordaria da opinião dos Trevor. Mas nós sabemos muito bem tudo a respeito do Harry e, francamente, eu não desejaria tê-lo como capitão da equipe. Seria mais problemático ainda, dado o seu… comportamento.

— Ficou claro, diretor. Também partilho da sua opinião — respondeu Steven.

— Foi pensando em tudo isso que eu decidi ter essa conversa com vocês primeiro. Eu ainda vou conversar com os demais membros do Hawks que estão com baixo desempenho e os seus pais também. Tentaremos ajudá-los e estimulá-los a melhorar suas notas. Mas, no momento, a minha preocupação é o Nicholas manter-se apto a permanecer na equipe e, principalmente, no posto de capitão.

— O que o senhor quer que eu faça, exatamente? — perguntou Steven.

— Eu propus ao diretor uma alternativa — respondeu Lange. — Eu vou fornecer algumas provas extras para que alguns alunos possam tentar recuperar suas notas. Não que eu esteja muito disposto a ajudar, afinal, não tenho obrigação nenhuma com vocês.

— Lange! — bradou o diretor em advertência.

— Desculpe, mas não posso evitar ser sincero — Lange comentou debochado.

— Poupe-nos de sua sinceridade e vá direto ao ponto! — impôs Steven.

— Está certo. Enfim, essas provas extras serão aplicadas por mim e pelos demais professores com o intuito de ajudar os alunos com baixo desempenho a tentarem melhorar suas notas e se prepararem para os exames finais. Mas só faremos isso. O resto, que é pegar no pesado e estudar para valer, fica a cargo de cada aluno. Porém, no caso do Nicholas, eu percebo que ele tem muitas dificuldades com as matérias de exatas, especialmente física e matemática. Foi por essa razão que eu pensei que, para ajudá-lo, talvez fosse necessário que ele tivesse algumas aulas particulares e…

— Aulas particulares?! Eu?! — Nicholas se espantou.

— Precisamente, Sr. Nicholas Kepplerman. — Havia um leve desdém na voz de Lange ao respondê-lo. — Eu poderia até me propor para isso, mas não tenho o menor interesse. No entanto, tenho aqui alguns contatos de colegas meus e acredito que eles podem…

— Um momento — interrompeu Nicholas. — O senhor está sugerindo que eu contrate um professor particular? Para mim, para me ajudar com os estudos?

— Está tão difícil assim entender essa questão? — indagou Lange, arqueando a sobrancelha e observando Nicholas como se desconfiasse ainda mais de sua capacidade intelectual.

— Não precisa falar assim, Lange. — Steven parecia se segurar para não avançar em cima do colega de trabalho. — Tá certo, eu farei o que está sugerindo. Me dê os telefones que eu vou…

— Um momento, pai! — Nicholas interrompeu outra vez e todos o encararam.

Por uma fração de segundo, quando Lange falou pela primeira vez sobre a necessidade de um professor particular, uma imagem veio à cabeça de Nicholas: o rosto de Thomas. E então, sem que percebesse, sua mente vagou até o fatídico dia de segunda-feira, no qual Nicholas e seus amigos haviam parado em frente a um bebedouro no corredor. Como se sua memória estivesse resgatando algo com muito esforço, ele conseguiu se lembrar de que, muito antes de Harry o provocar, Thomas já estava no corredor e conversava com os amigos. No princípio, Nicholas não havia dado importância para aquela conversa, mas, agora, parecia que a voz de Thomas estava mais clara em sua cabeça.

Eu estou procurando empregos de meio período nos finais de semana para aumentar minha poupança para a faculdade”, ele se recordou e o conteúdo da conversa ficou fresco em sua lembrança. Era algo sobre a necessidade de arrumar um bom trabalho para Thomas, ou algo assim.

— Diretor Norton, o senhor, por acaso, tem alguma coisa aí sobre um rapaz chamado Thomas Anderson? — Nicholas o encarou ao perguntar.

— Thomas? — questionou Steven. — Thomas Anderson? Não é aquele garoto que o Harry vive perseguindo?

— Ele mesmo, pai.

— Mas o que você quer com ele?

— Naquele dia em que… Bem, o senhor sabe, eu me recordo de que, antes do Harry agir, acho que o Thomas estava falando alguma coisa com os amigos sobre ele precisar de dinheiro. E eu sei que ele é um bom aluno. Achei que…

— Entendi onde quer chegar, Nicholas — disse o diretor Norton. Ele rapidamente mexeu no computador e, logo em seguida, começou a imprimir algumas folhas. Ele as pegou e as analisou cuidadosamente. — Hum, excelentes notas, ótimo comportamento. É uma pena que tenha sido vítima de bullying do Harry. Hum, ele se inscreveu para prestar o exame estadual de verificação de desempenho acadêmico. Acredito que ele deseja obter uma bolsa para alguma boa faculdade. A meu ver, só me parece que os professores relatam uma timidez excessiva e um comportamento meio retraído. O que você tem a dizer sobre ele, Lange? Eu vejo aqui que ele frequenta sua classe de Cálculo Avançado.

— Thomas Anderson, vejamos. — O Sr. Lange olhou para cima, pensativo, parecendo se esforçar para lembrar. — Bem, ótimo aluno, não tenho o que reclamar. Notas sempre próximas do máximo, muito bom em fazer contas de cabeça. Graças a Deus não é tagarela, queria ter mais alunos caladões como ele, mas antissocial… Bem, não vejo por que não. Se tentassem me bater ou enfiar minha cabeça na privada todos os dias, eu faria o mesmo.

— Deixa eu ver se eu entendi — interrompeu Steven. — Você quer que o Thomas Anderson seja seu tutor particular, Nicholas? É isso?

— Isso mesmo.

— Eu não vejo por que não, Steven — acrescentou o diretor. — Ele é um ótimo aluno. Além disso, pense bem: talvez, se ele começar a se enturmar com os outros membros dos Hawks, conviver com eles, quem sabe…

— Não, diretor, não acho uma boa ideia. Não agora — comentou Nicholas rapidamente. — O Thomas ainda tem muito medo dos Hawks. Deixa eu convencê-lo a me dar aulas particulares primeiro. Talvez, com o tempo, eu faça ele e outros membros da equipe, alguns que sejam de minha confiança, se enturmarem. Pode até ser uma oportunidade de redimir a equipe toda perante ele e livrá-la da imagem negativa que o Harry acabou trazendo para nós.

— Está bem, eu concordo com você, Nicholas. — O Diretor Norton acenou a cabeça. — Mas acho melhor as primeiras aulas serem na sua casa, com a supervisão do Steven. Faça ele se sentir confortável com você, depois com outros membros. Vou te passar os nomes dos seus colegas que precisam melhorar as notas. O importante é que você faça com que a equipe passe a respeitá-lo e vice-versa. Quem sabe, não acabamos com os problemas de mau comportamento na escola.

— Não quero ser estraga-prazeres, diretor — continuou Nicholas —, mas acho que isso só vai acontecer quando Harry deixar a escola.

— Eu concordo com meu filho nessa — acrescentou Steven.

— Sejamos otimistas! — propôs o diretor.

— Muito bem, acho que estamos todos resolvidos — disse Lange. — Os exames serão daqui a dois ou três meses. É o tempo que você tem para melhorar suas notas, Sr. Nicholas, além, é claro, de se manter regular nas aulas normais. Espero que não desperdice essa oportunidade.

— Não vou. Com certeza, não irei — respondeu, mas parecia que Nicholas não estava se referindo somente aos exames.

— Bem, Nicholas, eu lhe desejo boa sorte. Talvez você precisará para conquistar a confiança dele.

— Eu agradeço, diretor. E pode ter certeza de que eu vou me esforçar para fazer tudo dar certo.

— Eu confio em você. — E o diretor estendeu a mão para o jovem, que a apertou em respeito.

Nicholas e Steven se levantaram, se despedindo do diretor com apertos de mão, mas dando apenas um leve aceno de cabeça para Lange. E, então, eles se encaminharam até a porta, deixando finalmente a sala do diretor.

Notas finais
E aí, o que acharam do capítulo? Estão curtindo o andamento da história? Deixem, então, os seus comentários para eu estar acompanhando a opinião de vocês. Muito obrigado pela chance dada e a leitura do capítulo. Agradeço de coração essa oportunidade que cada um de vocês têm me dado ao darem uma chance para a história. Espero vê-los em breve novamente! Atenciosamente, João V. Guimarães!