Violetta - O Recomeço
10 Capítulo 5 - À Procura de Angie (Continuação)
Notas iniciais
Enquanto isso Angie e Brenda conversam já na casa que fora desta, tinham combinado com Pablo que apenas se falariam por telefone, para não correr o risco de alguém seguir Pablo e descobrir o paradeiro de Angie. Clara dormia numa cama que Brenda tinha conseguido junto de uma vizinha, dizendo-lhe que era para uma filha de uma prima que tinha vindo visitá-la durante uns tempos, ninguém podia saber quem eram na realidade.
— A casa não é muito grande, mas aqui pelo menos poderás estar mais descansada e pensar no que vais fazer.
— Obrigada Brenda, a sério. Eu nem sei se quero pensar, estou tão confusa, o que queria mesmo era dormir, esperar que tudo se resolvesse.
— É normal, mas posso-te fazer uma pergunta, e não me leves a mal, mas não estás nem um pouco curiosa por conhecer essa irmã?
— Sinceramente, não. Ela simboliza algo que nunca pensei que o meu pai pudesse fazer. Ele não era o melhor pai do mundo, mas era o meu pai.
— Angie, se pensares bem ela não teve culpa de nada. O erro foi do teu pai e da mãe de Gérmen não dela.
— Eu sei Brenda, ela também é uma das inocentes nesta historia...mas…não consigo pensar que tenho um irmã…que também é irmã de Gérmen.
— Mas um dia vais ter que encarar a realidade tal como ela é, porque ela existe e mais cedo ou mais tarde ela irá aparecer na tua vida. É confuso eu sei...mas já pensaste que podes ter mais sobrinhos, quer dizer ela pode ter filhos é possível!?
— Nem tinha pensado nessa possibilidade…Ai! Acho que neste momento não consigo pensar nisso, e sinceramente nem quero pensar…queria dormir até tudo isto se resolver.
— Eu percebo-te, mas nada se vai resolver sozinho. E tens que pensar no que vais fazer, em relação á tua mãe e a Gérmen.
— Eu sei, mas não sei se quer por onde começar…das poucas coisas que eu sei é que não quero perder Gérmen, e que não quero ter que contar toda esta história á minha mãe.
— Mas não podes ter as duas coisas, quer dizer para não perderes Gérmen terás que contar tudo á tua Mãe.
— Eu não posso nem quero magoar a minha mãe…depois da morte do meu pai e de Gérmen nos ter afastado de Vilu ficamos só as duas…eu não consigo…
— Eu percebo…a sério. Mas não achas que estás a abdicar de muito e de certa forma a privar Clara de crescer em família? Com uma mãe, um pai, uma irmã?
— Eu nunca a vou afastar da família, eu não vou afastá-la de Gérmen e de Violetta…não depois de sofrer o que sofri por nos terem afastado de Vilu como nos afastaram, sofremos todos.
— Exatamente sofreram todos…e será que não vais repetir toda essa história, esse sofrimento...porque ao fim e ao cabo tu estás afastada dos que amas e a forçar uma separação.
— Mas como é que eu posso ser feliz com Gérmen se souber que foi às custas de fazer a minha mãe sofrer?
— E tu estás disposta a sofrer?
— Seja qual for a minha decisão, eu ficarei sempre a perder em tudo isto…- Levantando-se espreitou Clara que dormia no berço.
— Provavelmente, mas também não tens muita alternativa vais ter que escolher entre perder Gérmen ou de certa forma perder a tua mãe.
— E agora pergunto-te que culpa tenho eu dos erros do meu pai? Porque é que tenho que ser eu sempre a sofrer pelos erros dele?
Brenda levanta-se e abraça-a. De facto Angie era a mais prejudicada em toda esta história. Ao escolher proteger a mãe perderia Gérmen, mas se fosse ele a sua escolha a mãe iria sofrer e por consequência ela sofreria por vê-la mal; assim em qualquer das duas opções ela iria sofrer, e não era justo pois ela não fizera nada de mal e Gérmen também não, porque é que tinham que ser eles a sofrer as consequências dos erros dos pais. Chegaram assim as duas á conclusão que não havia solução que fosse a melhor, porque nenhuma seria a ideal.
Entretanto Angélica e Gérmen chegam ao Estúdio e procuram por Pablo, mas não o veem: vão a sala dos professores, a sala da direção até que encontram Camila, que fora ter com Broduei. Quando passa por eles cumprimenta-os e começa na sua mente a imaginar o que eles estarão a fazer ali, mesmo sem ainda os ter ouvido a sua cabeça começa a viajar. O que era muito típico de Camila: começar a imaginar as histórias mais melodramáticas que conseguia…a sua mente era um mundo…
— Gérmen, como está? Vilu não está.
— Sim, sim ela está em casa, eu vim… – e olhando para Angélica corrigiu-se a ele próprio. – Nós viemos falar com o Pablo, ele está por cá?
— Sim, está a dar uma aula. Acho que podem esperar na Sala dos Professores.
— Não, não estás a perceber. É que nós na verdade não podemos esperar, achas que o podes ir chamar por favor? É algo urgente.
— É Vilu…ela está doente? Você não a vai deixar mais cantar, nem vir trabalhar no Estúdio, nem…
— Não, não está descansada não é nada com Vilu.
— Não de certeza? Não me está a mentir só para eu ir buscar o Pablo?
— Não, fica descansada. Mas podes ir chamá-lo por favor? É que é mesmo urgente…Ah! E Camila se puderes ir ver Vilu ela está a precisar das amigas neste momento.
— Está a ver, afinal aconteceu alguma coisa…eu sabia…
— Camila por favor podes ir chamar o Pablo? – Diz Angélica impaciente.
Camila começou de novo com os seus delírios mas depressa Gérmen lhe lembra que precisa de falar com Pablo, se bem que não muito convencida ela vai chamá-lo. Quando entra no Zoom pede licença e vai junto dele para que ninguém ouvisse e diz-lhe que Gérmen e a Avó de Vilu estavam lá fora á espera dele e que era urgente. Claro que tal como sempre e como era normal, fez logo a pior das cenas que a sua mente pode imaginar, quem a ouvisse parecia uma cena daquelas de um filme melodramático em que se chora do início ao fim. Mas Pablo já a conhecia o suficiente para moderar a sua imaginação tão fértil.
— Camila menos por favor, não precisamos de mais uma novela... Angélica e Gérmen estão lá fora? Mas eu estou a dar uma aula, diz-lhes que esperem um pouco por favor.
— Eu disse-lhes mas parece que é algo urgente. – Começando de novo a divagar na sua novela e começa a prever as piores coisas a Violetta e a Leon…Pablo olha para ela completamente incrédulo pelo poder imaginativo de Camila, a sua mente trabalhava depressa demais, imaginado as cenas mais melodramáticas que poderiam existir que ela nem se deu conta quando começou a falar mais alto do que deveria, e todos os alunos a ouviam e se estavam todos a rir daquela “novela”…e mais uma vez Pablo teve que a chamar de volta á realidade.
— Bom está bem, está bem…fica tu a terminar a aula por favor Camila. Meninos, eu vou ter que sair, mas a Camila irá ajudar-vos a terminar a ideia que estávamos a desenvolver. Como podem reparar ideias não lhe faltam…esta cabeça tem mais ideias que as vossas todas juntas… — e sai rindo-se para Camila, que já estava habituada a este tipo de comentários, os alunos voltam a rir…mas Camila olhou para eles com um ar tão feroz que logo os fez parar.
E assim que sai do Zoom vê-os aos dois, parecem nervosos, angustiados mas sobretudo inquietos; e mal se aproxima é bombardeado com perguntas: “Onde está a Angie?”, “Como está ela?”, “Porque me mentiste?”, “Tens que nos dizer o que sabes!”; Pablo nem tinha tempo para responder a uma pergunta que já tinha outra para responder. Ele não queria ter que dar respostas ali no meio da entrada do Estúdio, por isso assim que conseguiu falar, pediu a Gérmen e a Angélica que fossem com ele para o gabinete da direção, embora hesitantes porque queriam ter respostas naquele momento, perceberam que o local não era o mais propício para terem aquela conversa e seguiram Pablo. Assim que fechou a porta, novamente as mesmas perguntas sem interrupções e sem tempo para que Pablo conseguisse pelo menos responder a uma: quando tentava responder á de Gérmen, Angélica lançava-lha outra, e assim que tentava responder aquela já outra vinha de Gérmen, era de doidos.
— Basta! Posso falar, eu não sei onde está a Angie…eu já o tinha dito. Angélica, achas que se eu soubesse não te tinha tido logo…
— Eu não acredito que Angie não te tenha tido nada, se não foi ter contigo pessoalmente pelo menos ligou-te. Ela confia em ti, és como um irmão para ela.
— Angélica achas mesmo que ela viria ter comigo, eu seria a primeira pessoa a quem vocês viriam ter para saber dela, como o estão a fazer…se ela queria “desaparecer” como me pareceu na carta eu seria a última pessoa que ela procuraria.
— Sim, Pablo tem razão Angélica. Angie nunca o iria procurar…ela sabia que seria a primeira pessoa a quem recorreríamos.
— Pablo, por favor. Se sabes de alguma coisa tens que nos contar.
Pablo sentiu-se mal por estar a mentir ou a ocultar onde estava Angie, percebia pelo tom de Angélica e pela sua expressão que ela estava nitidamente aflita. Mas prometera a Angie que não contaria a ninguém onde estava. Por muito que lhe custasse tinha que cumprir aquela promessa, pelo menos por enquanto.
— Angélica, eu não sei nada acreditem em mim. Mas porque é que estão tão…inquietos?
— Pablo, nós temos mesmo que falar com Angie. Ela não te ligou, não sabes como a contactar? É mesmo muito importante…
— Não Gérmen, eu não sei de nada, juro-vos que não sei. – Pablo já não sabia se eles estavam a acreditar mesmo no que ele dizia…
— Eu não acredito, não acredito que Angie não te tenha ligado pelo menos, não acredito.
— Angélica. Importam-se de me explicar o que é que se passa, porque é que têm tanta urgência em falar com ela. – Começa a passar-lhe mil e uma coisas pela cabeça, de repente lembra-se – Passa-se alguma coisa com Violetta?
— Não, Violetta está bem. Está…triste, muito triste com tudo isto para além de ter ouvido o meu pai falar mal de Maria e de Angie…
— O teu pai falou mal de Maria e de Angie? Á frente de Violetta? Mas o que se passa com esse homem, desculpa Gérmen sei que é teu pai, mas ele não tem noção do que diz e do que faz, que magoa as pessoas.
— Não precisas de pedir desculpa, o meu pai está fora de si. Bem mas passando á frente Pablo por favor, eu preciso de falar com Angie.
— Pelo que li na carta que ela deixou a Angélica, tu és a última pessoa com quem ela quer falar.
— Sei que talvez seja a última pessoa com quem ela queira falar, e estava preparado a dar-lhe o espaço e o tempo que fosse necessário para que ela pensasse, apesar de lhe ter tido que iriamos arranjar uma solução juntos.
— E achas que existe uma solução para isto tudo?
— Não sei…mas preciso falar com ela, e acredita se não fosse importante nunca te pediria ajuda, mas é muito sério o que lhe tenho que dizer.
— Bem agora estão a deixar-me preocupado e algo curioso também. O que se passou afinal parece bastante grave.
— Então sabes onde está Angie. Eu sabia, eu sabia que ela te tinha falado. Por favor Pablo…se sabes diz-me. – Suplica-lhe Angélica já com lágrimas.
— Angélica, eu não sei onde está Angie, de verdade que não sei.
— Tens a certeza que não me estás a esconder nada?
— Não, mas posso tentar telefonar-lhe, já tentaram ligar-lhe?
— Ela não atende ninguém, eu já tentei, Angélica também. Até pedi a Ramalho e a Olga que ligassem…mas nada não atende ninguém.
— Eu posso tentar, pode ser que ela a mim me responda o telemóvel. Ela não sabe que vocês falaram comigo, por isso posso tentar falar e dar-lhe o recado que vocês quiserem?
— Angélica acho que vale a pena tentar. Não?
— Tu não sabes mesmo onde ela está Paplito, por favor não nos faças sofrer, não me faças sofrer.
— Angélica. – E abraça-a sentindo-se mal por a estar a enganar, mas não tem outra opção. E ao dizer isto Pablo estava a roer-se de culpa por dentro, ele conseguia sentir a dor de Angélica, mas prometera a Angie ajudá-la. – Eu não sei, mas posso tentar falar-lhe e dar o vosso recado.
— Angélica, não custa nada tentar. E o importante é que Angie saiba o que o meu pai quer fazer.
— Espera outra vez o teu pai? O que é que ele vai fazer mais? O que é que ele pode fazer mais depois de vos separar?
— O meu pai, ele quer…
— José quer tirar Clara de Angie. Ele saiu de casa de Gérmen a dizer que ia falar com advogados e com a polícia. Ele diz que Angie raptou Clara, como é que ela pode ter feito isso, ela é a mãe…a mãe de Clara.
— Bem na verdade, tecnicamente foi o que Angie fez Angélica…
— Mas ela é a mãe Pablo?
— Ela saiu de casa com Clara sem dizer a Gérmen, que é o pai, para onde ia. Se bem que tenho a certeza que tu…- virando-se para Gérmen.
— Eu não quero nada disto, eu sei que Clara está bem com Angie. Eu sei que ela nunca me afastará da vida de Clara. Mas o meu pai, ele…
— Por favor Pablo tenta encontrar Angie…por favor. Se José consegue o que quer, Angie não vai aguentar, eu sei que não.
— Vou tentar Angélica, mas conheces a filha que tens…teimosa como só ela. Mas vou tentar, prometo-te que vou tentar.
Pablo prometeu que ia tentar encontrar Angie, e falar-lhe de tudo o que José estava a fazer. Angélica e Gérmen despediram-se e foram os dois para casa, ambos preocupados e angustiados com tudo o que se estava a passar. Assim que eles saíram Pablo estremeceu, como é que iria convencer Angie a voltar para casa? Ele sabia que ia ser uma missão senão impossível, quase impossível. Ela nunca iria aceitar mais uma exigência, mais uma ameaça de José, mas Pablo percebeu pelo que Gérmen lhe dissera que o pai não iria desistir até conseguir tirar Clara de Angie, e todos sabiam que Angie não iria suportar ficar sem a filha. Ele não sabia como iria conseguir convencê-la mas tinha que tentar.
Em casa Vilu finalmente acorda se bem que continua algo inquieta e exaltada, quando a vê assim Leon corre para a ela e abraça-a e logo todos aqueles nervos que ela sente se vão. Leon tinha aquele dom, pensou Vilu ao se ver aconchegada por ele, quando a abraçava parecia que tudo desaparecia: a angústia, a ansiedade, o desassossego que sentia no coração, era como se nada mais tivesse importância.
— Vilu, como estás? Mais calma?
— Agora sim…quando me abraças parece que nada mais importa.
— Vou estar sempre aqui com mil e um abraços só para ti.
— E o papá onde está? Ele disse que vinha falar comigo? Ainda lá está em baixo com o Avô?
— Não ele saiu, foi com a tua avó não sei onde, mas saíram com alguma pressa.
— Mas ele prometeu-me que vinha falar comigo…
— Tu estavas a dormir. Eu falei com Francesca e a Camila, pensei que talvez elas te animassem um pouco, mas elas não podem vir.
— Não é preciso, tu és a única pessoa que eu preciso. – E abraça-se a Leon sentindo-se segura e protegida. – Tudo isto me parece um pesadelo, porque é que ele é assim, como é que consegue viver cheio de ódio.
— Talvez tenha sofrido no passado e não consiga ultrapassar essa dor.
— Sim, mas…o que me faz mais confusão é que ainda não percebi o porquê de Angie se ter ido embora.
— Tenho a certeza que quando Gérmen chegar te vai explicar tudo, eu nunca vi o teu pai tão perdido e triste. Não queres descer, talvez eles estejam a chegar?
— Não, prefiro ficar aqui contigo. Abraça-me por favor, não deixes de me abraçar…só assim consigo esquecer-me de tudo.
— Claro que sim…não vou sair daqui nem por um minuto.
E assim ficaram abraçados, Violetta sentia-se protegida naquele abraço de tudo o que vinha do mundo: das tristezas, dos desgostos, das mágoas, dos sofrimentos e até mesmo das saudades.
Entretanto, Angélica a pedido de Gérmen iria ficar em casa deles naquela noite, não fazia sentido ela ir para casa sozinha pensar em Angie e no que José podia fazer, e depois desta forma Gérmen conseguia impedir que José contasse a Angélica fosse o que fosse; ela ficou algo reticente ao início, uma vez que não via motivo para ficar, mas acabou por aceitar até porque Gérmen insistiu tanto dizendo-lhe que Violetta precisava de todos juntos e dessa forma conseguiu convencê-la.
Quando chegaram, viram Olga e Ramalho que estavam á espera de notícias, mas infelizmente não sabiam nada de novo, tinham uma esperança, apenas uma: que Angie respondesse a Pablo e este lhe contasse o que José queria fazer. Gérmen pediu a Olga que tratasse do quarto de Angélica pois esta iria passar a noite lá em casa, e esta assim o fez. Angélica foi com ela primeiro porque não queria ser um peso e queria também ela ajudar, mas principalmente porque se sentia desgastada com toda aquela história.
Assim que ficaram a sós Gérmen perguntou a Ramalho por Vilu, este disse-lhe que ela ainda estava no quarto com Leon, que Olga já tinha tentado que ela comesse alguma coisa mas nem Olga nem Leon conseguiram convencê-la a comer.
— E Leon ainda cá está? – Perguntou Gérmen.
— Não saiu do lado de Violetta, há pouco fui lá para ver se precisavam de alguma coisa…estavam a ver um filme. Até ouvi um riso de Vilu.
— Bem, pelo menos distraiu-se um pouco. Vou ter com ela, preciso de falar com ela e dar-lhe a carta de Angie.
— Será mesmo necessário? Ela afinal já sabe que Angie se foi…e tu não sabes o que Angie escreveu nessa carta.
— Ramalho seja o que for que esteja escrito nesta carta foi Angie que escreveu para Vilu e eu não lhe vou negar isso. Para além disso eu pretendo contar-lhe toda a verdade.
— O quê? Perdeste o juízo, vais contar-lhe tudo? Da chantagem? Da tua, vossa irmã? Tudo, tudo?
— Sim, uma coisa que finalmente eu aprendi com toda esta história foi que não vale a pena esconder a verdade. Mais cedo ou mais tarde ela aparece.
— Bom, então boa sorte. Acho eu!
— Obrigado Ramalho, vou precisar. Não vai ser fácil explicar tudo isto.
E sobe com as duas cartas: a que Angie escreveu a Violetta e a que lhe escreveu a ele. Quando chega á porta está a Olga a passar, ele pergunta-lhe por Angélica, ela responde-lhe que esta foi já descansar pois estava exausta. Ele agradece-lhe, respira fundo, bate á porta do quarto de Vilu.
— Vilu posso entrar? Ah, Leon…ainda cá estás?
— Papá entra, já tens novidades de Angie? Sabes onde ela está? E Clara? Elas vão voltar para casa? Papá responde-me…
— Vilu, tem calma deixa o teu pai responder. –diz Leon, tentando acalmar Violetta que de repente voltou a ficar nervosa.
— Vilu assim não consigo falar, muito menos responder-te as todas as tuas perguntas. – E virando-se para Leon – Podias deixar-nos sozinhos Leon.
— Eu quero que ele fique papá. — como se Leon fosse o seu porto seguro.
— Desculpa Leon não é nada contigo, mas precisava de falar com Vilu sozinho. Vem amanhã tomar o pequeno-almoço connosco se quiseres?
— Sim, claro eu venho amanhã bem cedo. Ok? – E despedindo-se com um beijo na testa por respeito a Gérmen diz-lhe baixinho – Amo-te…até amanhã. – E sai deixando-os sozinhos.
— Papá porque não o deixaste ficar? Eu queria que ele ficasse…
— Porque tenho que falar contigo, uma conversa entre pai e filha apenas.
— Falar comigo, sozinha? O que é que se passou, o que é que me queres dizer? Estás a assustar-me.
— Não, não te preocupes. Vilu, eu contava dar-te isto...- mostrando a Vilu um envelope... — quando chegasses do Estúdio, mas com toda…bem toda a “confusão” que se gerou entre ti e o teu avô; depois tu adormeceste e eu tive que sair para tentar encontrar Angie…
— E encontraste Angie? Já sabes onde ela está?
— Não, mas ela deixou-te isto. – E entrega-lhe a carta.
— Uma carta para mim? Tu já a leste?
— Ela escreveu uma carta para cada um de nós: uma para mim, outra para a tua avó e esta é a tua. E não, não a li. Quero que a leias e no final falamos, pode ser?
Vilu responde que sim com um aceno, pega na carta, abre-a e começa a lê-la. Ela não sabe bem porquê mas as lágrimas vêm-lhe logo aos olhos: talvez porque pensara que Angie se tinha ido embora sem se quer lhe dizer nada, talvez por medo ou porque estava fragilizada devido á discussão que tivera com o avô e as suas emoções estivessem todas á flor da pele.
“Minha querida Vilu,
Não sei como começar a escrever-te, nem o que te escrever a não ser que me perdoes. Perdoa-me por me ir embora de novo, perdoa-me por te deixar sozinha mais uma vez, perdoa-me por ser cobarde e egoísta, perdoa-me por ser assim. Mas acima de tudo perdoa-me por te privar de estar com Clara, mas não a poderia deixar. Não aguento mais Vilu, a verdade é que não aguento a ideia de conviver com o teu avô, aquele tom de desprezo, de repúdio que se sente ao ouvi-lo falar de mim, do teu avô Miguel e até da tua mãe. Ele conseguiu separar-me do teu pai, fazer-me sair dessa casa mas nunca me poderá fazer deixar de vos amar. Peço-te que ajudes o teu pai, ele não teve nem tem nada a ver com esta minha decisão, eu amo-o cada vez mais. Ajudem-se um ao outro, apoiem-se um no outro, peço-te que animes a tua avó, também para ela tudo isto vai ser complicado. Prometo-te que assim que conseguir organizar as minhas ideias aviso-te, de alguma forma eu aviso-te. Adoro-te Vilu, és a melhor sobrinha do mundo, e sei que vais ser a melhor irmã do mundo.
Beijos da tua Tia que te adora.
Angie”
— Papá, não percebo. Angie diz que se teve que ir embora por causa do avô, mas não explica porquê. Podes-me explicar o que se passou?
— Eu sei, por isso quero que leias esta carta. Foi a carta que Angie me escreveu a mim, vais ficar com mais dúvidas, decepcionada até mas eu vou-te responder a tudo o que quiseres, não há mais mentiras.
— Decepcionada? Papá mas esta carta é tua…eu não posso…
— Não há mais mentiras lembras-te? Não te preocupes lê-a.
Vilu começa então a ler a carta que Angie escreveu a Gérmen e começa a perceber que afinal ela se fora embora para proteger Angélica, renunciara do seu amor por Gérmen pela felicidade de Angélica. Vilu não conseguiu conter as lágrimas, o avô conseguira…a família que Gérmen e Angie tinham construído com ela e com Clara estava arruinada, ela sabia que Angie não iria voltar, não sem ter a certeza que a avó nunca, mas nunca ficasse a saber de toda aquela história de traição do avô, ela própria não conseguia pensar em toda aquela embrulhada: a Avó Rosário e o Avô Miguel juntos, e existia uma filha, uma tia que ela não conhecia que era irmã do seu pai, da sua mãe e da sua tia…era tudo tão confuso. De repente começou a pensar em como seria esta “nova” Tia seria parecida com quem? Seria parecida com a mãe? Teria filhos, teria ela primos? E como é que ela ficou a saber de toda esta história? Como tinha reagido? Ficara também ela confusa com toda aquela história? Quereria ela conhecê-los: ao pai, a Angie, às sobrinhas? Vilu tinha tantas perguntas, mas a principal, aquela que ela tinha medo até mesmo de pensar era sobre Angie: voltaria ela para casa? Mas continuou a ler a carta, e percebeu o quanto Angie sofria por o deixar, por desistir de tudo o que conquistara, se o fazia era por Angélica para que ela não sofresse e apesar de estar triste e de se sentir mal, Vilu não a podia culpar por se ter ido embora, por muito que todos estivessem a sofrer Angie fizera o que tinha de fazer e talvez fosse a que estivesse a sofrer mais, sim Violetta tinha a certeza que aquela decisão não fora fácil, e que ela estaria a sofrer muito mais que todos eles. Quando acabou, dobrou a carta e entregou-a a Gérmen, foi até á sua secretária onde estava uma foto, ficou a olhar para ela durante algum tempo. Nela estava a família que naquele momento já não existia, a família que eles tinha construído e que o Avô tinha conseguido destruir, e de repente começou a sentir de novo aqueles sentimentos ruins, de novo aqueles sentimentos de raiva, irá e mesmo ódio começaram a nascer dentro dela…nunca iria perdoar o avô, não podia. Ele destruíra tudo, destruíra a sua família.
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