Violetta - O Recomeço

11 Capítulo 6 - Memórias Esquecidas


Notas iniciais
Violetta já sabe a verdade...e Angélica será que algum dia saberá? E Rosário como irá ela ajudar Gérmen? Será que vai conseguir falar com Angie? —---COMENTEM, FAVORITEM....PARTILHEM

Gérmen esperava que Violetta começasse a fazer perguntas sem parar, mas em vez disso ela levantou-se pegou na fotografia deles os quatro, e quando se virou ficou por um momento a olhar para ele e depois sentou-se ao seu lado e abraçou-o. Um abraço onde descarregou toda a frustração que sentia mas também todo o amor. Foi um abraço breve mas que Gérmen sentiu que durava a horas.

— Vilu queres fazer-me alguma pergunta? Sei que deves estar muito confusa…

— Papá espero que saibas que Angie te ama muito, e que está a sofrer com tudo isto. E sim tenho montes de perguntas, mas a principal onde está Angie? Sabes onde está certo?

— Não Vilu, eu não faço ideia onde ela está, mas eu e a tua avó Angélica já estamos à procura.

— Mas…

— Vilu, eu sei que queres respostas sobre onde está Angie e Clara mas essas ainda não as consigo dar. E de certeza que tens mais perguntas.

— Sim tenho...claro que tenho. Papá, e esta “Tia” que “apareceu” assim do nada, sabes onde está?

— Sei, ela vive em Espanha, mais precisamente em Sevilha. Aliás a tua avó levou-a a ver o espetáculo no ano passado, ela já te conhece pelo menos de longe.

— Ela foi ao concerto? E a avó Rosário também? E tu conhece-la?

— Não, nunca a vi. O que eu sei é que a tua avó a tinha deixado com “uma amiga” para que fosse ela a criá-la. O teu avô…bem tu conheces o suficiente do teu avô para imaginar o que ele disse á tua avó.

— Sim, acho que começo a conhecer. Sabes mais alguma coisa, como se chama, se sabe de nós?

— Chama-se Luzia, e parece que sempre soube de tudo. A tua avó contou-me hoje de manhã que…

— Falaste com a Avó Rosário, ela vem a Buenos Aires?

— Sim falei, e não ela não vem. Eu falei-lhe porque sabes que ela consegue sempre dar a volta ao teu avô…mas ela não vem.

— Mas ela sabe onde está a tua, vossa…isto é tão confuso papá.

— Eu sei, sim ela contou-me que Luzia, sempre soube que a tua avó era a sua mãe. Elas viam-se de vez em quando, porque a tua avó ia muitas vezes a Sevilha para a ver. Na altura eu nem me apercebi de nada, sempre pensei que ela a dera e que tudo estava resolvido.

— E afinal a Avó Rosário nunca a deixou…mas...

— Não, nunca e também nunca a deixou com uma suposta “amiga”. Luzia foi criada com a Tia Mercedes, ela sempre soube quem era e toda a história por detrás do seu nascimento.

— E Angie ficou a saber agora. – Gérmen acenou com a cabeça. – E a mamã soube?

— Não a tua mãe nunca o soube. E escuso de te dizer que a tua avó Angélica nunca poderá saber, foi por isso que Angie saiu de casa.

— Eu nunca contaria nada papá, mas…porque é que tu me contaste? Podias apenas ter-me dado a carta de Angie...

— Sim podia Vilu. Mas como diz Angie, e a tua Avó Rosário também mo disse ao telefone, está na hora de acabar com as mentiras e eu prometi a Angie e a ti que nunca mais mentiria. Eu falhei essa promessa com Angie mas não vou falhar contigo.

— Papá o que vai acontecer agora? A Avó Angelica não pode saber ela iria sofrer muito. No outro dia esteve horas a falar-me do Avô Miguel, devias ter visto o brilho nos olhos dela.

— Eu sei Vilu, eu sei. Mas o teu avô não vai parar ele quer…voltar para Espanha. – Vilu olha para Gérmen não percebendo qual o problema nisso…- Ele quer voltar para Espanha connosco: comigo, contigo e com Clara.

— O avô quer…quer tirar Clara de Angie? Quer separá-las! Não papá, não podes deixar, não podes. Sabes o que Angie sofreu por mim, não podes deixar o avô fazer isso...

— Calma Vilu, eu não vou deixar é obvio que não. Mas sabes como é o teu avô já deve ter os melhores advogados a trabalhar na teoria maluca que inventou de que Angie raptou Clara, e já deve ter contratado todos os detetives que encontrou em Buenos Aires para se porem á procura delas.

— Papá, não podes deixá-lo, por favor Angie não merece. E eu não quero voltar para Espanha tenho cá tudo: o meu trabalho no Estúdio, os meus amigos e tenho o Leon.

— Tem calma, ninguém vai a lado nenhum. Em relação a Clara estou a tratar do assunto, não quero nem vou tirar Clara de Angie.

— Mas papá, e o avô?

— Está descansada, eu vou tratar do assunto. Vilu ouve, eu não sei como é que eu e Angie vamos resolver toda esta situação mas tenho a certeza que ela nunca nos afastará de Clara.

— Eu sei papá, mas como é que vais evitar que o avô faça o que quer, nós temos que conseguir avisar Angie, já lhe ligaste, já tentaste falar com ela?

— Violetta, tem calma. Eu tentei falar com ela, a tua avó tentou falar com ela; mas Angie não nos responde, o que de certa forma seria de esperar, com toda esta história, Angie ainda deve estar a processar tudo.

— Então e como é que vamos conseguir avisá-la? Se ela não nos atende a nenhum de nós, porque eu também já tentei e ela não me atende.

— Eu e a tua avó já falamos com Pablo, se há alguém que pode conseguir falar com Angie é Pablo, ela confia nele.

— Tens a certeza? E se ela não atender, e se nem Pablo conseguir falar com ela?

— Vamos viver um dia de cada vez. Hoje temos esta hipótese, amanhã logo vemos. Vilu, a única coisa que eu te prometo é que vou tentar que nem Angie nem Clara sofram com um erro que os teus avós cometeram.

— E tu papá, também não estás a sofrer? Quem é que te ajuda a ti?

— Eu tenho-te a ti. E agora vamos descansar, amanhã é um novo dia.

— Papá…preciso de um abraço…- e estende os braços a Gérmen, esperando, ansiando por aquele abraço…- Papá fica comigo, até eu adormecer…ficas por favor?

— Fico, até tu dormires como quando eras pequena…

— E chamava pela mamã…

— Sim. – E abraça-a como há muito não a abraçava, não era apenas ela que o abraçava, também ele recebia aquele abraço como se tivesse sido ele a pedi-lo, no fundo sem se aperceberem ambos precisavam do apoio um do outro. – Vilu, quero que saibas: nós vamos ser novamente uma família. Não sei quando, nem como mas eu não vou desistir, Angie e Clara vão voltar para nós. Prometo. — E assim com esta promessa, eles abraçam-se e deixam-se estar assim, juntos, inseparáveis, amparando as suas mágoas, a sua dor.

Enquanto isso Pablo juntamente com Brenda vão ter com Angie, ele não sabe bem como lhe vai contar o que José quer fazer e está visivelmente ansioso, ele sabe que vai ser um golpe para Angie, mas também sabe que ela não irá ceder facilmente…Brenda apercebe-se e antes de ele sair do carro abraça-o e beija-o.

— Amo-te. Por seres quem és: e tu és a melhor pessoa que conheço.

Pablo sorri e retribui-lhe o beijo, e sem saber porquê todo o seu nervosismo diminui, se bem que continua sem saber como começar toda aquela conversa com Angie, ela tinha que saber do plano maquiavélico daquele homem, ela tinha que voltar para casa de Gérmen, primeiro para não perder Clara e depois para acabar com toda esta mentira que apenas servia para os fazer sofrer a todos. Tinha que ser ela a contar a Angélica. Pablo sai do carro e encaminha-se para a casa onde está Angie, Brenda fica no carro esperando por ele.

— Pablo que fazes aqui a esta hora, tínhamos combinado que nos falaríamos apenas por telefone.

— Falar por telefone? É difícil quando tu o desligas para que nem Gérmen, nem a tua mãe, nem ninguém te fale.

— Desculpa, esqueci-me. Mas que vieste cá fazer? Aconteceu alguma coisa é a minha mãe? É Vilu? Que aconteceu? Ela está bem?

— A tua mãe está bem dentro do possível. Vilu está…triste, confusa, zangada com o avô. Mas acima de tudo preocupada por ti e por Clara.

— Então porque vieste? Nós tínhamos combinado…

— Que eu só viria cá por uma urgência. Eu sei…

— Então qual é a urgência…se não aconteceu nada a minha mãe nem a Vilu…É Gérmen? O que é que aconteceu?

— Podes deixar-me falar por favor. Eu vim porque a tua mãe e Gérmen me procuraram, a tua mãe acha que eu sei onde estás.

— Como é que ela sabe? Tu contaste-lhe alguma coisa?

— Não, mas tua mãe sabe que nós somos amigos, bons amigos. Para além disso ela conhece-me muito bem…de qualquer forma acho que consegui convencê-la e a Gérmen que não sabia de ti, mas que iria tentar dar-te um recado que eles me pediram.

— Recado? Que recado? Pablo…

— Tu não vais gostar do que te vou dizer. Eles vieram ter comigo…

— Pablo diz de uma vez estás a deixar-me nervosa.

— Bem o pai de Gérmen…ele anda á tua procura. Ele quer tirar-te Clara.

— O quê? Clara é minha filha ele não pode…

— Angie, ele poder até pode. Ele diz que tu fugiste com Clara que a raptaste, e de certa forma ele tem razão. Tu estás a privar Gérmen de estar com a filha.

— Mas Gérmen sabe porque é que eu fiz o que fiz. Ele sabe porque é que eu saí de casa, ele não pode…ele não me faria uma coisa destas!?

— Gérmen não tem nada a ver com isto, por isso é que ele te quer ver. Ele quer saber onde estás, porque dessa forma aquele homem já não pode fazer nada.

— Não, eu não quero…eu não posso.

— Angie se não o fizeres e ele te encontra vai tirar-te Clara.

— Ele não me vai encontrar, nem que eu tenha que sair da Argentina, nem que eu tenha que ir para o fim do mundo. O que pensa aquele homem, que basta estalar os dedos e tem tudo o que quer…

— Pelo que Angélica me contou, ele consegue basicamente tudo o que quer, tem muitos e bons contactos e relações…eu fiquei com medo.

— Não, eu já abdiquei de Gérmen não vou abdicar da minha filha.

— Angie pensa bem, tu não tens que voltar para casa. Gérmen apenas te quer ajudar ele apenas quer falar contigo e arranjar uma forma de resolver tudo isto.

— Não Pablo, já te disse. Eu não posso…se Gérmen vier, se eu o vir, não vou conseguir…não vou conseguir continuar longe dele.

— Angie…por favor pelo menos deixa-me dizer-lhe onde estás, ele não precisa de te ver, eu faço-o prometer não te vir ver?

— Não Pablo…tu prometeste que me ajudavas, mas se não queres eu vou-me embora daqui eu arranjo-me noutro lugar…

— Eu bem disse á tua mãe que iria ser difícil…tu és tão teimosa.

— Agora sou teimosa, aquele…aquele “senhor” faz o que quer e eu é que sou teimosa.

— És teimosa sim…mas não há nada que eu te possa dizer que te faça mudar de ideias? – Angie olhou para ele determinada e com cara de quem tinha a certeza do que estava a fazer. – Bom então vou-me embora, espero que saibas o que estás a fazer. – E já quase na porta vira-se para Angie. – Sabes que podes contar comigo…

Despediu-se de Angie e foi ter com Brenda que estava á sua espera no carro, contou-lhe que tal como previra Angie se negara a encontrar com Gérmen, ele até lhe propusera apenas dizer a Gérmen onde ela estava fazendo-o prometer não vir vê-la, mas ela estava irredutível. Angie estava disposta até fugir do país com Clara se fosse necessário, e conhecendo-a como ele a conhecia ela era bem capaz de o fazer.

— E agora que vais fazer? Achas mesmo que ela pode ficar sem Clara?

— Se o pai de Gérmen a encontra eu não tenho dúvidas que ela ficará sem Clara. E sei que a decisão devia ser dela mas…eu não o posso permitir, Angie não iria aguentar.

— Não consegues deixar as coisas assim, pois não? E o que é que fazemos?

— O que fazemos?

— Nem penses que te deixo nisto sozinho, Angie também já é uma amiga para mim e eu sei que ela está a sofrer por estar longe de Gérmen.

— Eu sei e ela acabou de me confirmar, ela diz que não quer ver Gérmen porque se o vir não vai conseguir não voltar para ele; por isso já decidi amanhã vou falar com Gérmen.

— Tens a certeza que é o melhor? Eu não sei…eles amam-se e nota-se mas eu acho que Angie não está pronta para o ver.

— Não sei, eu acho que ela até o quer ver. Mas tem medo…

— Talvez, eu concordo contigo Angie no fundo quer...mas ela saiu de casa, abdicou de Gérmen, não por não o amar mas porque o pai dele “a obrigou”.

— Eu sei que ela saiu obrigada, e também sei que provavelmente ela irá ficar zangada comigo durante muito tempo, mas não vou permitir que ela fique sem Clara. Não vou mesmo…

— Eu sei que ela te vai perdoar…quando tudo estiver resolvido, quando ela vir que fizeste tudo para a ajudar.

— Talvez. Talvez, um dia ela acabe por me agradecer.

— Pablo, vocês são mais que amigos, são irmãos…e eu sei que assim que ela se aperceber que o fizeste porque a amas, como um irmão ama uma irmã, ela te vai desculpar tudo.

— Talvez…mas não deixo de sentir que a estou a trair…

— Pablo…não a estás a trair, estás a tentar ajudá-la.

— Tens razão. Amanhã, vou falar com Gérmen, vou-lhe contar onde está Angie, eles têm que falar, têm que arranjar uma solução para tudo isto, mas os dois juntos.

— Eu não sei se existe uma, eu estive a falar com Angie e numa coisa ela tem razão: qualquer solução que se arranje ela ficará sempre a perder. Seja qual for a escolha ela irá sofrer sempre ou por Gérmen ou por Angélica.

— Mas fugir, mentir também não resolve nada.

Pablo tinha a certeza que se ela falasse com Gérmen tudo se resolveria, eles amavam-se e ou muito se enganava ou bastava uma oportunidade para se verem, para falarem que tudo ou quase tudo se resolveria. Seguiram os dois para casa, com a certeza que em toda esta história todos os envolvidos iriam sofrer de uma forma ou de outra, e não havia volta a dar: Angie, Gérmen, Angélica, Vilu e até Clara iriam sofrer por toda esta raiva que José tinha.

Quando amanheceu Gérmen apercebeu-se que tinha adormecido no quarto de Violetta. Esta ainda dormia ao seu lado, sem fazer ruído ele sai e depois de se arranjar desce para o escritório, Olga que estava já na cozinha decide levar-lhe o pequeno-almoço ao escritório, sabe bem que nenhum deles tem conseguido comer ou mesmo dormir depois de todos estes últimos acontecimentos. Quando estava para o levar tocam á campainha, e ela vai abrir: era Rosário. Olga nem quer acreditar! Primeiro José, agora Rosário, estava tudo a acontecer ao mesmo tempo, era tudo muito complicado, muito confuso, muito tumultuoso e Olga fica como que assombrada. Rosário cumprimenta-a e pergunta-lhe por Gérmen, ela não consegue falar mas indica-lhe o escritório, esta percebe que Olga estava a levar o pequeno-almoço a Gérmen, pega na bandeja e pede a Olga que lhe prepare também um café, depois vira-se e bate á porta do escritório. Gérmen convencido que é Olga ou Ramalho manda entrar.

— Posso entrar Gérmen?

— Mamã! Mas eu pensei que tu não viesses…tu disseste que não vinhas.

— Sim e não era para vir mas a tua irmã, Luzia, convenceu-me.

— Luzia, convenceu-te? — Gérmen estava incrédulo...

— Sim. Eu contei-lhe tudo o que me disseste ao telefone. E bem podes agradecer á tua irmã por ser muito convincente quando quer. – Gérmen faz uma cara de admirado, zangado…confuso.

— E decidiste vir porque Luzia te convenceu…mas quando eu te pedi tu nem pensaste duas vezes e respondeste logo que não...e ainda queres que agradeça a Luzia...

— Gérmen, cena de ciúmes na tua idade…não achas que estás um pouco crescido para isso?

— Não são ciúmes, simplesmente acho incrível…só vieste porque a tua filha te disse para vires e quando fui eu, o teu filho, que te implorei pela tua ajuda, simplesmente me ignoraste me mandaste tratar eu do assunto.

— Ela apenas me disse que seria uma boa oportunidade para que todos, e incluo Angélica, saberem de tudo. E que tu precisavas da minha ajuda...mas se não queres volto para Sevilha...

— Não, desculpa mamã, eu estou cansado têm sido dias difíceis. E também já te disse que Angie nunca vai deixar que Angélica saiba de...de toda esta história entre ti e Miguel...ela ama-a demasiado.

— Agora sou eu que te digo que não é justo castigar Luzia. Ela quer-vos conhecer, estar com a sua família: contigo, com Violetta, com Angie, com Clara.

— Não me parece que isso vá acontecer tão cedo mamã. Desculpa, e sei que Luzia não tenha culpa mas têm que dar tempo a Angie.

— Por isso mesmo decidi vir. Não vim falar com o teu pai, nem contigo e muito menos com Angélica…vim falar com Angeles.

— Vieste falar com Angie?

E pegando numa foto de casamento de Gérmen e de Angie, relembra vários momentos do passado: aquela menina linda de cabelos loiros, olhos verdes…a correr, a saltar, a dançar, a cantar…parecia que fora ontem que a vira assim um anjo lindo…mas estava uma mulher linda e a expressão continuava igual toda ela inspirava uma doçura brilhante.

— Ela continua tão linda como eu me lembrava. Sempre teve este ar de anjo...mas era tão endiabrada...

— Tu ainda te lembras de Angie? Mas passaram-se tantos anos.

— Sim, mas há feições que não mudam…e Angeles não mudou nada, tem a mesma expressão que tinha quando era menina. Lembras-te quando ela caiu num natal e a árvore caiu em cima dela, e quando a tiramos de lá ela ria como se nada fosse.

— Sim, Maria ficou tão aflita…mas quando levantamos a árvore Angie ria…com as luzes todas embaralhadas naquele cabelo loiro…

— E estes olhos verdes…que nos inundavam de doçura, candura…continua com o mesmo olhar. Sabes onde é que ela está?

— Não sei, ninguém sabe. Não atende o telefone a ninguém, não sei dela. Estou a ficar doido...eu não consigo imaginar a minha vida sem ela...e Vilu está mal, Angelica está pior...

— E já a procuraste, falaste com os amigos?

— Sim mamã procurei por todo o lado. E falei com o Pablo, o diretor do Estúdio é amigo de infância de Angie, ele ia tentar falar com ela. Angélica acha que ele sabe onde ela está, mas…o que mais me preocupa agora é o papá…

— O teu pai claro, que é que ele fez agora? Ou melhor dizendo o que ele quer fazer?

— Ele anda á procura de Angie, quer tirar-lhe Clara. Quer levá-la a ela e a Violetta para Madrid.

— O teu pai quer o quê? Mas ele está pior do que eu pensava…

— Sabes como ele é, se for preciso consegue a guarda de Clara para ele. Mamã eu estou a ficar doido com tudo isto…já não aguento mais…

— Não percebes que o teu pai vive com esse ódio há anos, e não consegue livrar-se dele...ou melhor não quer livrar-se. Sem esse ódio ele não tem nada, ele perdeu tudo: perdeu Angélica, perdeu-me a mim, perdeu-te a ti e a Vilu. Gérmen, temos que acabar com isto, Angélica tem de saber. Se retirares esse trunfo ao teu pai ele não vai poder fazer nada.

— Angie nunca o vai permitir. Mamã, Angélica é…tudo para ela. Quando Maria e Miguel morreram elas só se tinham uma á outra, apoiaram-se, ajudaram-se, têm uma ligação muito forte.

— Sim eu sei disso, foi muito duro: perderam Maria, e de certa forma também perderam Violetta.

— Porque fui egoísta e só pensei em mim…

— Sim isso é verdade. Logo a seguir Miguel morreu de forma estranha. Mas Luzia tem razão: vocês não têm que pagar pelos nossos erros.

— Sim nós não temos que pagar pelos vossos erros, mas a verdade é que sempre fomos nós que os pagamos. Sempre.

— Porque é que dizes isso?

— Lembras-te do que eu e Maria passamos? O que passamos para conseguirmos estar juntos?

— Sim, lembro-me bem. Este ódio, esta raiva, fez-nos sofrer a todos e está na hora de acabar com isto. Gérmen vocês já sofreram demais.

— Mamã, já te disse Angie preferiria dar a vida do que ver Angélica sofrer com toda esta história.

— Gérmen, onde posso encontrar esse Pablo? Nesse Estúdio? Dá-me a morada, eu quero falar com ele, porque quem vai falar com Angeles não vais ser tu, nem Angélica, e muito menos José. Sou eu.

Gérmen, em vão pediu-lhe para que não fosse falar com Angie, que ela seria a última pessoa com quem ela quereria falar, mas Rosário estava decidida, tinha que ser ela a falar ou ia-se embora de volta para Sevilha. Como não conseguia fazer a mãe mudar de opinião, decidiu oferecer-se para a levar até ao Estúdio, mas ela também não quis. Queria ser ela a resolver este assunto, e ou ele a deixava fazer as coisas á sua maneira ou ia-se embora de novo para Espanha. Gérmen não teve outra hipótese senão deixá-la fazer o que queria, pensou que pior do que estava não podia ficar.

Quando estavam a ponto de se despedir, tocam á campainha. Este abre a porta e vê Pablo, e foi como que se entrasse de novo uma luz no seu coração que estava escuro desde que Angie se fora. O facto de ele estar ali logo de manhã bem cedo só podia querer dizer que ele tinha conseguido falar Angie, mas teria ele conseguido convencê-la a voltar para casa? Teria ele conseguido que ela aceitasse pelo menos falar com ele? Gérmen estava tão nervoso, como se fosse um menino á espera de abrir o seu presente no Natal., mas antes de se dirigirem ao escritório apresenta-o a Rosário.

— Conseguiste falar com Angie? Ela vai voltar? Vou poder falar com ela? Pablo diz qualquer coisa…

— Calma Gérmen, sim falei com ela. Mas eu disse-vos, a ti e a Angélica que ia ser difícil, Angie é teimosa como só ela…igual a…

— Igual ao pai, Miguel. Sim se havia pessoa teimosa era o Miguel.

— Mas o que é que ela disse Pablo? Disseste-lhe o que o meu pai quer fazer? Ela vai voltar? Vou poder falar com ela?

— Gérmen, tu conheces Angie, ela nunca irá permitir que José conte alguma coisa a Angélica. E em relação ao resto…

— Mas tu disseste-lhe que ela pode ficar sem Clara…que se pelo menos eu soubesse onde ela está podíamos evitar que ele fizesse alguma coisa, que eu vou respeitar o tempo que ela precisa, que só não quero que o meu pai lhe tire Clara.

— Sim, eu contei-lhe tudo. Que tu apenas querias tentar resolver tudo, que não querias tirar-lhe Clara, mas ela diz que já abdicou de ti, que não ia abdicar de Clara, nem permitir que Angélica soubesse de alguma coisa.

— Eu sabia, eu sabia…ela nunca irá deixar Angélica sofrer…

— Pablo, posso chamá-lo assim? – E vendo que este não se opõe – Permite-me fazer-lhe uma pergunta?

— Claro diga…

— O Pablo sabe onde está Angie, não sabe? – Pablo ficou algo surpreso…- Pelo seu discurso parece-me que esteve com ela pessoalmente, será que estou errada?

— Não, não está. Eu sei…- e olhando para Gérmen…- desculpa não vos ter tido nada, e foi tão difícil mentir, principalmente a Angélica…mas eu tinha prometido a Angie que a ajudava.

— Eu percebo Pablo, quis ajudar Angeles, mas acho que agora já percebeu que para isso tem que nos dizer onde ela está.

— Sim e foi isso que cá vim fazer. Sei que Angie me vai odiar por fazer o que vou fazer, mas alguém precisa de a impedir de fazer uma loucura.

— De que loucura estás a falar Pablo? – Pergunta Gérmen assustado.

— De fugir, de desaparecer. Aí sim o teu pai teria razão, eu não a posso fazer isso…eu vou levar-te até onde ela está Gérmen.

— Não, vai-me levar a mim. Sou eu que vou falar com ela.

— Mamã, não acho que seja uma boa ideia. Se Angie não me quer ver a mim…muito menos te vai querer ver a ti.

— Gérmen tu tinhas razão no que disseste á pouco não podem ser vocês a sofrer pelos nossos erros. E sabe Deus os erros que nós os quatro cometemos ao longo destes anos todos.

— Mamã, não sei se Angie vai querer falar contigo, logo contigo: tu és a mãe de Luzia, a filha que Miguel teve da traição…desculpa estar a dizer-te isto assim mas é como Angie te vai ver.

— Luzia é vossa irmã, e de vocês todos é talvez a que menos culpa tem nisto. Angie vai ter que aceitar as coisas como elas são. Vamos Pablo?

— Eu não quero meter-me em assuntos que não são meus, mas eu conheço Angie há muitos anos, conheço-a melhor que Gérmen…

— Ouve o Pablo mamã…ele conhece muito bem Angie…

— Bom, e eu não acho muito sensato ir a Senhora falar com Angie. Como disse o Gérmen, ela vai associá-la a tudo o que levou a esta situação em primeiro lugar: o pai, a traição, a filha que nasceu, á chantagem que vocês estão a ser alvo, e mesmo á própria relação que ela teve com o pai antes e depois da morte de Maria.

— Estás a falar de quê Pablo? Que relação tinha Angie com o pai?

— Bem eu não vou entrar em pormenores, mas vamos dizer que não era das melhores e depois de Maria morrer ficou um pouco pior.

— Bem, concorde ou não, vou eu falar com Angeles.

Pablo olhou para Gérmen, que ao olhar para a mãe tão decidida percebeu que nada a faria mudar de opinião, assim deu um sinal a Pablo que fizesse o que a mãe lhe estava a pedir, e assim saíram os dois ao encontro de Angie.

Quando lá chegaram Pablo quis entrar com Rosário, ele achava que talvez fosse mais fácil para Angie tê-lo por perto se bem que ao mesmo tempo era capaz de o mandar embora com raiva por ele ter contado a Rosário e Gérmen onde ela estava, mas ela fê-lo ficar no carro, dizendo que aquele era um assunto entre elas e pediu para lhe dizer qual era o apartamento, deixando Pablo á espera.

Angie estava com Brenda que era agora a sua companhia durante os dias que estava fechada em casa, esta transformara-se numa boa amiga e ajudava-a com Clara para que Angie conseguisse descansar e dormir. Hoje porém Brenda estava lá em casa porque tinha combinado com Pablo, eles tinham receio que se Gérmen aparecesse sem que ninguém estivesse lá com Angie esta não lhe abrisse a porta, assim enquanto ele ia buscar Gérmen, ela ficaria com Angie de forma a garantir que a porta seria aberta a Gérmen. Quando batem á porta é Brenda que vai abrir com Clarita ao colo, ela sabe quem seria, pelo menos era o que ela pensava.

— Bom Dia, Angeles está?

— Aqui não mora nenhuma Angeles, deve-se ter enganado na porta. – Brenda não tem ideia de quem é Rosário, e muito menos sabe tudo o que aconteceu em casa de Gérmen, e que Pablo se acabou forçado a vir com Rosário em vez de vir com Gérmen.

— Eu sei que Angeles mora aqui, até porque reconheço a minha neta, pelas fotografias que o meu filho me enviou. Não se preocupe eu só quero falar com ela, não vim tirar-lhe Clara e muito menos vou dizer ao meu ex-marido onde ela está.

— Eu não sabia que…desculpe, entre. Eu estava só á espera de outra pessoa.

— Eu sei estava á espera do meu filho, pois eu sei. Mas vim eu…pode ir chamar Angeles por favor?

— Eu vou chamá-la, ela está a descansar. Mas não sei como ela vai reagir.

— Ela não vai reagir bem. Mas não se preocupe eu só quero falar com ela.

Brenda deixou Rosário na sala e foi chamar Angie que estava a dormir, acordou-a pedindo-lhe desculpa mas estava a avó de Clara na sala e queria falar com ela. Quando esta se inteirou que estava lá a avó de Clara pensou imediatamente em Angélica, e numa fração de segundo ocorreu-lhe que a mãe já saberia de tudo, depois do sacrifício que esta fizera, José fizera-o: contara a traição do seu pai. Não ela não podia acreditar, não era possível, Gérmen teria impedido ela tinha a certeza, mas que outra razão levaria a mãe a vir ter com ela, Pablo sabia que só se fosse uma urgência poderia contar onde ela estaria, e ela confiava em Pablo, mas pensando na conversa da noite anterior, teria sido ele capaz de ir contar tudo a Angélica? Não Pablo gostava demasiado de Angélica, ela era como uma mãe para ele, ele nunca faria nada para a ver sofrer.

Ao entrar na sala não foi a mãe que viu, era Rosário, a mãe de Gérmen. Ela lembrava-se bem dela sempre a tratara bem quando se viam nos anos de Maria, nos Natais e mais tarde nos anos de Violetta; e apesar de hoje perceber que tinha todos os motivos para tratá-la mal nunca o fizera. Hoje que sabia de toda a verdade Angie pensava que Rosário tinha todos os motivos para nunca ter gostado dela, mas nunca a mãe de Gérmen a tratara mal, pelo contrário sempre a tratara bem, nunca se esquecia dos seus anos fazendo questão de lhe oferecer sempre algum presente e de estar presente nas suas festas. Mas de qualquer forma Angie ficou petrificada, gelada não sabia bem o que fazer ou dizer, Rosário era claramente a última pessoa que esperava ver ali naquele dia.

— Angeles, estás igual…linda como me lembrava, e esses olhos que nos encantavam a todos. – Ao vê-la com um ar surpreendido mas também algo assustado Rosário esboçou um sorriso. – Não te preocupes não te vim ver para tirar Clara, apenas vim para falar contigo, e aproveito para conhecer a minha neta, que realmente é muito parecida contigo.

— Não percebo, que está a fazer aqui? Como soube onde eu estava?

— O teu amigo Pablo, ele foi falar com Gérmen hoje de manhã. Eu também cheguei ontem de Espanha e estava precisamente naquela altura em casa de Gérmen a falar com ele quando o teu amigo chegou, foi uma coincidência…

Angie olha para Brenda que continua com Clara ao colo, sem perceber como é que Pablo fora capaz de ir falar com Gérmen, contar a Rosário onde ela estava. Ela confiara nos dois, mas ele…traíra-a.

— Como é que o Pablo…eu…eu confiei em vocês.

— Desculpa Angie, eu e o Pablo falamos e achámos que tu e Gérmen tinham que falar. Têm que resolver o que vão fazer sem que ninguém sofra, porque como estão as coisas todos vós iram sofrer.

— Eu confiei em vocês. Em ti, em Pablo…e vocês foram a correr contar a Gérmen…e dizem-se meus amigos?

— Angie tu ias, tu vais ficar sem a Clara se continuasses assim…nós só te queríamos ajudar.

— Ajudar? Queriam ajudar…como?

— Angeles por favor, não te zangues com os teus amigos, eles fizeram-no com a intenção de te cuidar. E depois a tua amiga tem razão, temos que resolver tudo isto.

— Não é assim tão fácil. Quem me dera que fosse assim tão fácil…mas não é. Mas se acham que é assim tão fácil, dêem-me uma solução, em que ninguém saia a sofrer? – Nem Rosário, nem Brenda lhe respondem – Sabem porque não dizem nada? Porque não há solução, no meio de toda esta mentira todos nós vamos sofrer de alguma forma.

— Não eras tu que estavas cansada de mentiras, enganos e segredos…então, vamos acabar de uma vez por todas com esta história.

— Não, a minha mãe nunca irá saber desta história, nunca. Se eu puder evitar que ela sofra eu farei o que for preciso…eu abdico de tudo.

— Por favor pode-me deixar falar com Angeles sozinha. – Diz Rosário a Brenda, uma vez que queria ter esta conversa sozinha com Angie – Pablo está lá em baixo, porque não vão passear um pouco com Clara. – E olhando para Angie que acena como que a dizer que consente, Brenda sai com Clara. – Por favor podemos falar?

Notas finais
Como irá correr a conversa entre Rosário e Angeles? Será que Angie vai voltar para casa? Que segredos iremos descobrir?