Vingança Filial

1 Casamento Cancelado


Notas iniciais
***ALERTA DE SPOILER*** Essa Fanfic possuí inúmeros spoilers da primeira metade de Whole Cake Island. Se você não quer que a leitura/acompanhamento do mangá/anime perca a surpresa, recomendo ler essa história depois de passar pelo casamento do Sanji, que é o ponto onde a história passa a se alterar. De resto espero que se diverta e que minha versão "What If" de Whole Cake te agrade !!


— Sanji... — disse Luffy com a mão estendida em sua direção ao mesmo tempo em que dava um sorriso reluzente — Vamos voltar pro Sunny...
Sanji, estava perplexo. Seus olhos azuis não conseguiam ocultar um sentimento de perturbação que queimava dentro dele. Depois de tudo o que fez não conseguia acreditar que aquelas palavras fossem verdade.
— Tem certeza disso Luffy ?? Acha que eu mereço isso ?? — o loiro rebateu lentamente, visivelmente tristonho. Estava de cabeça baixa, não conseguia olhar diretamente nos olhos do seu nakama.
Lembranças dolorosas vieram a sua mente. Relembrou-se da surra brutal e covarde que havia dado em seu capitão algumas horas atrás — Não Luffy... — virou o rosto para o lado — Eu não mereço isso... Eu insultei e ataquei a minha própria tripulação, a quem jurei proteger com a minha vida... Levantei a perna pro meu próprio capitão... Desonrei vocês... Quebrei a confiança que depositaram em mim... — o queixo treme, segura um soluço — E fiz a Nami-san chorar... Quebrei uma de minhas promessas mais importantes, de nunca fazer uma dama chorar, e fiz isso justamente com a mulher que amo !! — bradou desesperado. Luffy assistia a aquele desabafo imóvel, impassível. Apesar de parecer um idiota sempre desconfiou que Sanji nutrisse por sua cartógrafa algo mais do que simples atração física — Não sou mais digno de fazer parte da sua tripulação. — finalizou enquanto reprimia desajeitadamente um soluço. Lembrou-se de como o delicado semblante de Nami ficou desolado ao ouvir aquelas merdas que ele foi forçado a dizer para protegê-los... Das lágrimas amargas que desceram lacerantes de seu rosto. Por sua causa. A dor veio mais forte forçando o loiro a soluçar. Luffy pôs uma mão sobre o ombro do cozinheiro:
— Sanji, isso é passado... Eu confio em você. Confiaria a minha vida a você — disse com uma certeza irrefutável estampada em seu olhar que fez o loiro estremecer — Você deixa claro todos os dias através de seus gestos e olhares o quanto gosta de nós. Sei que teve suas razões pra fazer o que fez. Você jamais teria feito aquilo de graça. Só chegaria ao ponto de se defender daquela maneira se estivesse em uma situação desesperadora, sem saída. Se não tivesse outra escolha além daquela pra nos proteger !! — deu um sorriso triste — Mas não precisa me contar o que aconteceu aqui Sanji. Tudo o que eu preciso saber é que você é um homem forte, corajoso, altruísta e digno de pertencer a minha tripulação. Se você fez aquilo pra nos proteger, isso só te torna alguém mais especial e confiável pra mim !! — finalizou dando um sorriso austero.
— Luffy... — murmurou.
Fugaz como um relâmpago, memórias dos últimos dias subiram a superfície de sua mente, causando-lhe uma aflição imensurável: lembrou-se do momento em que teve de abandonar sua amada tripulação em Zou para poder protegê-los, e pra isso foi forçado a voltar para o lugar que pra ele era pior do que a morte, um pesadelo que todas as noites ele sempre tentava esquecer que havia acontecido, o inferno do qual tentou desesperadamente fugir a vida inteira... A sua casa. A sua família. Seu pai e seus irmãos, a sua representação pessoal do próprio demônio. Teria de voltar a vê-los. Teria de voltar a conviver com eles pra proteger Zeff e os seus amigos... Pra Sanji aquele era o sacrifício supremo...
Teve de reviver física e psicologicamente o desespero e os abusos que caracterizaram sua infância na mão deles... Foi obrigado a sentir novamente o desprezo e o ódio que seu próprio pai nutria por ele. Teve de ouvir de novo aquelas palavras hostis, lacerantes, amargas vindas da boca daquele que em teoria deveria amá-lo e protegê-lo. Sofreu novamente o escárnio e o desdem de seus irmãos por ele, que sádicos e perversos, adoraram ter a oportunidade de relembrar os "bons tempos" da infância torturando-o por horas novamente. Quando voltou para seu "lar" Sanji imaginou por um breve momento que poderia bater de frente com eles, já que agora era um homem adulto, confiante e forte, mas estava tragicamente enganado: sua "família" tinha Zeff a sua mercê, e qualquer ato de rebeldia, qualquer coisa que Sanji fizesse contra a vontade deles causaria a morte de seu verdadeiro pai... Teria de ser o fantoche, o brinquedo de seus algozes... Além disso eles haviam colocado em Sanji um par de algemas de Tenryubitto, se a ameaça a vida de Zeff não fosse suficiente para fazê-lo cooperar, a sugestão de passar o resto da vida sem suas amadas mãos, sem poder fazer o que mais amava com certeza o faria. Passar horas revivendo o pior pesadelo da sua infância quebrou seu espirito. Sanji até algumas horas atrás se via como um homem forte, confiante, resistente, capaz de enfrentar qualquer coisa com um sorriso confiante e cabeça erguida. Se ver adulto e tão incapaz de se defender da sua própria "família", exatamente como quando era criança o fez sentir que não havia progredido em nada em toda a sua vida. Ainda era exatamente o mesmo moleque fraco, inútil... covarde... manipulável... que ele odiava ser. Que se enganou a vida inteira achando que havia se tornado forte... Aquilo o despedaçou por dentro.
O motivo de sua "família", os Vinsmokes terem ido atrás do seu maior fracasso, e forçá-lo a voltar pra casa era para obrigá-lo a se casar com Charlotte Purin, filha da Imperatriz Pirata Big Mom. Era um casamento de interesses. Aumento de poder bélico. Judge Vinsmoke não queria sujeitar seus filhos fortes, perfeitos e úteis a tamanha desgraça de ter aquele demônio como sogra e de ter uma vida de casado, mas o seu filho fracassado e inútil finalmente poderia ser útil pela primeira vez !! Selando uma aliança entre ele e uma Yonkou.
Os mugiwaras jamais deixariam um dos seus sozinhos. Ao saber do que tinha acontecido com seu cozinheiro, Luffy reuniu um pequeno grupo e foram até Whole Cake para resgatá-lo. Luffy, Nami, Brook e Chopper, junto com alguns aliados como a coelha Carrot e o Leopardo Pedro. O estado de espirito de Sanji flutuou entre a alegria e o desespero ao se reencontrarem... O problema é que no momento do reencontro a sua "família" estava junto com ele. A família de Sanji era formada por assassinos ensinados a matar desde o berço. Além de saberem matar de inúmeras formas diferentes, possuíam uma ilha, um exército, e uma tecnologia e poder bélico aterrador que fazia países inteiros tremerem. Eram assassinos nobres. Sanji chegou a conclusão de que se Luffy desafiasse Judge para uma luta, ou interferisse em seu problema, eles levariam a pior. A sua família e a família da Big Mom cairia matando encima deles. Eles seriam massacrados. Sem piedade. Sanji havia decidido resolver esse problema sozinho e era isso o que faria. Era seu fardo não deles !! Se alguma coisa acontecesse com eles por sua causa, nunca se perdoaria... Estava se sentindo um amuleto de desgraças... Zeff o havia amado e protegido e agora estava pagando um preço muito alto por isso. Ele não iria deixar mais ninguém sofrer por sua causa... Precisava manter seus amigos longe, e foi o que fez... Com uma navalha dilacerando seu coração humilhou Nami e lutou contra Luffy, atacando-o com brutalidade e inclemência, com todas as suas forças para mantê-los longe. E ele conseguiu afastá-los de seu problema. Mas por pouco tempo. Luffy nunca abandona um nakama. Não importa o que ele faça.
Sanji aceitou o casamento com Purin. Não porque amasse dela, mais pra proteger quem ele amava de verdade. Mas Sanji tentou se apegar a sua noiva. Resignado quanto a seu destino e tentando aceitar a aflição e o desespero que seriam sua vida dali pra frente ele via Purin como sua última esperança, seu raio de luz, sua única possibilidade de ser um pouco feliz naquele lugar. No começo Purin parecia ser mesmo sua luz em meio ao inferno, ela era meiga, doce e parecia se importar com ele. Mas era tudo falsidade. Na real ela o odiava tanto quanto o seu "pai". Descobrir que até sua própria noiva o odiava quebrou a mente de Sanji. Ele se sentiu realmente sozinho pela primeira na vida. Acuado, perdido, condenado. Desejou a morte pela primeira vez na vida. Estava a um passo de se jogar no abismo. Mas, nos seus últimos momentos de sanidade ele se lembrou que ainda tinha sim seu raio de luz. Sua tripulação. Sanji finalmente admitiu para si mesmo que não poderia resolver aquela situação sozinho, como havia prometido a Luffy. Com seu orgulho quebrado e sentindo-se assustado, resolveu pedir ajuda a seu capitão.
— Nenhum de nós vai te odiar por aquilo Sanji eu prometo... Repito o que disse antes — falou olhando dentro dos profundos olhos cor de Safira do loiro — Eu não posso ser o rei dos piratas sem você... Seu lugar é conosco. Você é nosso amigo. Você é importante pra todos nós !! O Sunny nunca mais seria a mesma coisa se o perdêssemos !! Nós te amamos !!
Sanji não conseguindo mais conter desaba em um pranto convulsivo. Sentiu-se confortado, protegido, amado. Sensações essas que por um momento ele pensou que nunca mais viria a sentir desde que foi forçado a viver de novo com a sua "família". Com os Vinsmokes, Sanji só recebeu desprezo, ódio, humilhação e escárnio. Foi ridicularizado até por sua própria noiva, que ele achava ser o seu único raio de felicidade naquele inferno. Achou que nunca mais seria respeitado por ninguém. Que seu futuro seria recheado apenas de sofrimento e desrespeito. E ele teria de aceitar aquilo pra proteger quem ama. Por um momento chegou a passar por sua cabeça que ele realmente merecesse aquele tratamento por ser um homem fraco. Um homem incapaz de se resolver e resolver os seus problemas.
Mas Luffy estava ali agora, ao seu lado, sorrindo pra ele, mostrando-lhe que ele merecia sim ser amado. Que existiam pessoas que se importavam com ele. Que existiam pessoas que dariam a vida por ele. Sentiu as pernas fraquejarem. Deu um passo em direção ao moreno e jogou-se pesadamente em seus braços. As pernas estremeceram e o cozinheiro caiu de joelhos no chão levando Luffy junto com ele. O choro veio incontrolável.
— Lu... Luffy... — soluça — Obrigada...
— Você é nosso companheiro Sanji... Nós sempre estaremos aqui pra você independente do que você faça ou de quem tenhamos de enfrentar pra protegê-lo... Você é parte da nossa família !! Nós te amamos...
— Luffy... Eu também os amo... Daria a minha vida por vocês... Qualquer um de vocês... — Sanji abraça o seu capitão com mais força deixando as lágrimas fluírem livremente... O soluço veio com mais força fazendo-o estremecer. Luffy passou as mãos pelas costas do loiro amparando-o.
— O que você quer Sanji ? — pergunta Luffy complacente.
— Quero voltar para o Sunny — o cozinheiro implorou aos prantos.
— Vamos embora daqui... Você está entre amigos agora !! Conosco por perto ninguém mais vai conseguir te fazer mal — disse Luffy enquanto levantava desajeitadamente o cozinheiro.
— Ir embora... — murmurou Sanji sem acreditar direito naquelas palavras.
De repente o Vinsmoke rejeitado lembrou-se da sua "família". Sanji ouviu Purin dizendo que ela iria ser assassinada durante o casamento. Será que ele deveria ir salvá-la ? Sanji saiu da sua zona de alívio para despencar em uma espiral de conflito. Uma parte de seu ser dizia para salvá-los, porque era a coisa certa a se fazer... Zeff o criou para ser um homem bom, gentil, e mesmo sua família não merecendo, deveria ser protegida... Seu outro lado mais sombrio (que ele nem sabia que tinha) lembrou-o de todo o abuso e humilhação que ele sofreu na mão deles, e o quanto sua mente seguiu quebrada por anos por causa disso. Sanji sofreu muito por causa da tortura psicológica a qual foi submetido por eles, sua própria família. Apesar de acreditar fortemente em seu sonho e ser capaz de morrer por ele, Sanji carregava muitas feridas emocionais por causa de seu pai e irmãos. Provavelmente carregaria por toda a sua vida. Acreditou durante anos ser um fracasso e um fardo pras outras pessoas. Não acreditava que poderia se tornar alguém forte pra conseguir se defender e proteger seus sonhos. Se não fosse pelo amor de Zeff Sanji teria se tornado uma pessoa sem um pingo de auto-estima e coragem... Tudo o que ele era hoje devia a Zeff...
Sanji por um momento esqueceu-se de tudo que estava a sua volta. Mergulhou em um debate mental consigo mesmo. Com os seus princípios. Tentou achar dentro de si uma resposta do que ele deveria fazer. Para Luffy pareceram-se poucos segundos, mas pra Sanji foi uma eternidade:
"Se Zeff estivesse aqui ele iria dizer pra eu salvá-los. Mesmo os odiando. Ele se envergonharia de mim se eu os deixasse pra morrer... Se eu risse da morte deles. Ele me criou para ser um homem bom" — confabulou Sanji para si mesmo.
"E se fosse o contrário, acha que eles iriam te salvar ?" — questionou outra de suas vozes interiores, mais ácida — "Eles iriam vê-lo agonizar e gargalhar da sua cara !! Se tivessem a oportunidade até filmariam a sua morte enquanto riam de você" — Sanji sentiu a raiva engasgá-lo ao imaginar essa cena em sua mente. "Eles fariam exatamente isso e você sabe disso"
"Mas se eu os salvá-los vou lhes mostrar que não sou como eles... — se auto-justificou — Não sou um Vinsmoke. Nunca serei."
"Mas você acha que vale a pena arriscar a vida de seus amigos por eles ? Pessoas que só lhe trouxeram sofrimento ?" — rebateu o seu lado amargo. Sanji sentiu o peito comprimir. Nunca havia experimentado um conflito tão agudo.
".... Não. Nunca me perdoaria se deixasse meus amigos morrerem ou se ferirem por causa de meus problemas. Ainda mais por causa de alguém como eles. Pessoas que não merecem nada..." — admitiu.
"Exato. Essa é a hora da sua vingança. Eles te humilharam e torturam a vida toda. E quando mais precisarem de você irá virar-lhe as costas... Mas não se culpe. Eles merecem isso. Ninguém consegue ser gentil com todo mundo. Lembre-se de tudo o que você fez pelas Mellorines e seus nakamas. Você é uma pessoa boa. Não esqueça disso."
"Eu sei que sou... Sou um orgulhoso cavalheiro"
"Sim. Seria capaz de sacrificar a vida por qualquer pessoa. Mas há uma diferença enorme entre ser bom e ser otário... E está sendo um otário arriscando a sua vida e a de seus amigos por causa...deles."
"...." — Sanji ficou em silêncio. A dúvida do que fazer corroía-o por dentro. Queria abandonar sua "família", mas ao mesmo tempo não queria decepcionar Zeff.
"Já se esqueceu que eles iriam matar Zeff ? — indagou sua voz mais sombria — O homem mais importante da sua vida ? Que eles iriam te matar também se os desobedecesse ? Eles iriam tirar tudo de você !! Iriam até as últimas consequências pra te destruir, pra te quebrar, pra estilhaçar sua mente."
"Sei disso..."
"A única pessoa que realmente merece ser salva é a Reiju. Foi ela quem te tirou daquele inferno. Ela que foi assassina durante anos contra a sua vontade. Merece uma vida nova ao seu lado. Ao lado de seus amigos."
"Reiju vai ser feliz. Irei fazê-la feliz longe desse inferno !! Mas, abandoná-los não me parece certo..."
"Foram eles quem pediram por isso ao tentar barganhar com uma yonkou. Não é culpa sua."
"..." — silêncio.
"Lembre-se de tudo o que eles fizeram pra você. Pense no seu sofrimento, e veja se acha justo sofrer de novo enfrentando inimigos poderosos e arrastando seus amigos nisso, fazendo-os correr um iminente risco de morte para salvá-los... Eles valem tanto a pena assim ?"
— Sanji !! — Luffy grita tirando-o de sua introversão. Sacudiu o rapaz abruptamente pelos ombros — Sanji !! O que aconteceu ?? Você parece tão distante... Está se sentindo bem ?? — seu semblante era de preocupação.
Sanji finalmente desperta de seu torpor. Seus olhos cor do céu focam nos enormes e expressivos olhos cor de jabuticaba do seu capitão.
— Estou bem, Luffy... — sorri tímido — Não era nada. Só estava pensando no que fazer sobre a minha família...
— E o que você decidiu ?? — questionou Luffy curioso.
— Luffy, minha irmã vem conosco. Precisamos ir buscá-la. Ela deve estar naquele mesmo quarto se recuperando do tiro que levou...
Isso o fez se lembrar de outro fator importante naquela mórbida equação... Purin. Sua noiva. A mulher que até algumas horas atrás era seu único conforto e alento naquele lugar. Até se mostrar tão vil e tão sádica quanto sua família. Havia atirado em Reiju apenas para se divertir. Amarrou a garota ferida a uma cadeira e a torturou psicologicamente, debochando que iria matá-la junto com sua família na cerimônia de casamento. E aproveitou a deixa para dizer a ela o quanto odiava seu irmão. O quanto achava Sanji ridículo e irritante por se importar com ela. O quanto tinha nojo de ouvi-lo dizendo que a amava. O quanto o achava inconveniente. Disse que a vontade que tinha de matá-lo não cabia em seu peito. Mal via a hora de apertar o gatilho no meio de sua testa. E passou os próximos intermináveis minutos o imitando jocosamente e zombando de seu jeito carinhoso e de suas palavras doces. O que Purin não sabia era que Sanji estava ouvindo tudo, escondido. A única pessoa que parecia gostar dele naquele inferno também o odiava. Naquele instante a mente de Sanji quebrou... Se Luffy não estivesse ao seu lado agora, dizendo o quanto ele era amado por sua tripulação, provavelmente Sanji nunca mais seria o mesmo...
"Mas o que fazer quanto a ela ?" pensou o loiro. Purin, diferente dele e de Reiju não parecia ser infeliz ali. E ela mesma havia dito que era a filha predileta de Big Mom. Devia ser bem tratada pela mesma para afirmar isso, apesar de algo dentro de Sanji alertar que ela poderia estar mentindo... Mas de qualquer forma, ela era tão cruel quanto uma pirata, e a crueldade que havia demonstrado para ele e sua irmã eram dignas da filha de uma yonkou... Apesar dela o ter desmoralizado e o ridicularizado, Sanji arriscaria sua vida por ela sem pensar duas vezes, faria qualquer coisa para protegê-la, para ajudá-la, para tirá-la dali, se ela estivesse em apuros. Se ela quisesse fugir. Mas não era isso que ela parecia desejar. Ela estava feliz ali. Não lhe faltava nada em Whole Cake e ela tinha a proteção de sua mãe. Tinha conforto e por ser filha de uma yonkou tinha pessoas que lhe davam tudo o que pedia. E havia deixado claro que ele era um estorvo em sua vida. Se ele lhe incomodava tanto como ela afirmou, o melhor a se fazer era deixá-la junto dos seus, e rezar para que um dia ela encontrasse alguém que a fizesse feliz. A única coisa que lhe cortava o coração e fazia-o sofrer era imaginar a pobre Purin solitária no altar, com seu esvoaçante e detalhado vestido colado ao corpo, com os olhos marejados de raiva, esperando impacientemente pela chegada do seu futuro noivo, que nunca chegaria. O casamento não irá se realizar. E ela não precisaria sujar suas mãos com sangue. Sentiu uma pontada de dor no peito ao imaginar fazer aquilo com uma mulher. Mas era necessário. A vida de sua irmã e amigos estaria em jogo enquanto estivesse ali. Quanto mais cedo eles fugissem, melhor...
"Purin-chan... Espero que me perdoe um dia por essa gravíssima falta que cometi contra você. Espero do fundo da minha alma que seja feliz aqui. Saiba que eu te perdoo pelo que fez a mim"
— Sanji !! Sanji !! — exclamou Luffy. Sanji desperta de seu novo devaneio e vira-se em direção a seu capitão — Você anda muito distraído !! — censurou o moreno.
— Desculpa Luffy... — murmurou desconcertado — Só estava analisando se estava deixando alguma ponta solta pra trás...
— Tem mais alguma coisa que precise resolver ? — perguntou sorrindo — Se tiver todos nos te ajudaremos com certeza !! — disse Luffy com confiança.
— Não !! — disse enquanto sorria genuinamente.
As nuvens de chuva cinzas e pesadas começaram a descortinar-se lentamente do firmamento, revelando um céu azul puríssimo por trás. O sol tímido soltava através dos espaços entre as nuvens suaves e calorosos raios, que tornavam a paisagem, que tinha um aspecto assustador e triste há alguns segundos atrás, mais agradável e esperançoso. Os raios frágeis de sol começaram a incidir sobre o cabelo dourado de Sanji, fazendo-o reluzir, dando ao rapaz uma aparência ainda mais nobre e bela.
— Vamos então Sanji !! — disse Luffy impaciente — Temos de achar a Nami e os outros também !!
— Reúna todos os nossos amigos — disse sorrindo — Nós vamos embora daqui.


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Uma igreja em Whole Cake. Algumas horas depois.
O que imperava era o silêncio constrangedor. Todos os convidados esperavam irritadiços e irrequietos a chegada do atrasado noivo. Alguns olhavam as horas, outros sacudiam a cabeça levemente aborrecidos. Era pra ser um casamento pontual !! Big Mom não gosta de esperar !! O que havia acontecido com esse maldito noivo ? O padre, acomodado em seu altar dava um sorriso amarelo aos convidados enquanto acariciava imperceptivelmente dentro de sua túnica a arma com a qual pretendia tirar a vida do terceiro filho homem da família Vinsmoke. Purin andava de um lado para o outro sem parar. Era o centro das atenções da festa, todos estavam prestando atenção em seu semblante, seus gestos, em seus movimentos e comentando sobre eles... Com certeza deviam estar debochando dela, como todos sempre faziam... Rindo de sua vergonha. Sentiu-se humilhada e desmoralizada...
"Sanji deve ter se atrasado de propósito pra zombar de mim" — pensou — "Como todos os outros fizeram... Como todos sempre fazem !!" — segurou um grasnido de raiva — "Ele disse que gostava de mim, mas na verdade queria que eu passasse vergonha. E parece que ele conseguiu o que queria." — concluiu enquanto olhava de cara amarrada para os convidados que estavam a observando com um sorriso sardônico no rosto — "Mas ele vai pagar por isso." — um sorriso diabólico desenhou-se no canto de seu lábio. "Não irei matá-lo de imediato como a mama pediu. Vou atirar nele de forma que ele sofra muito antes de morrer... Assim ele irá aprender (tarde demais) a não brincar com Charlotte Purin..." — sorria sádica enquanto imaginava em sua mente doentia a morte de seu noivo. Purin olhou para o piso brilhante de mármore da igreja a sua frente e imaginou na sua frente Sanji com seu elegante terno de casamento todo empapado de sangue agonizando no chão, gritando e contorcendo-se de dor. Sorriu aliviada.
Big Mom sentindo-se no limite da sua paciência bufou. O ar que saiu de seus pulmões junto a seu stress foi tão forte que levantou do chão vários petiscos, além de dois convidados que estavam próximos a ela, fazendo ambos se chocarem violentamente no chão... Em seguida, sem sentir consideração pelas pessoas que havia ferido levantou-se de sua cadeira e avançou em direção a Judge com o semblante possuído pela raiva. Nesse momento Judge desejou que o chão o engolisse:
— Onde está o noivo Judge ?? — indagou Linlin com um tom de voz que exalava impaciência e irritação.
Judge empertigou-se. O rosto da Yonkou estava colado ao seu, e o patriarca da família Vinsmoke pode notar alguns fios de baba descendo de seu queixo. Era um espetáculo nojento. Sentiu uma ânsia subir lentamente por sua garganta. Deu um passo discreto pra trás.
— Eu... — gaguejou — Não sei... Ele deve estar no seu quarto, se aprontando. Meu filho Sanji é muito vaidoso. — disse Judge fingindo ter uma intimidade com o filho que nunca existiu — Deve estar caprichando no visual. Afinal não se casa todo dia — ri nervosamente. Todos os convidados estavam olhando para ele com o semblante desconfiado, medindo-o dos pés a cabeça. Gotas geladas de suor frio desceram da fronte do rei tamanho o nervosismo e a vergonha que estava passando ali. Fora o medo que ele estava sentindo (mais que jamais iria admitir) da Yonkou Big Mom. Por uma fração de segundo Judge teve a tétrica sensação de que a velha fosse comê-lo vivo. Mal sabia ele que essa era uma possibilidade possível.
Enquanto Judge passava por maus momentos os convidados olhavam feio para os irmãos Vinsmoke, como se eles fossem os culpados por aquela espera interminável.
— Olha só para eles Ichiji... — rosnou Niji — Olham para nós como se fossemos escória. Criaturas inferiores !! Mal sabem esses pobres infelizes que somos superiores a todos eles !! Poderíamos matar todos eles aqui em segundos !! — vociferou com os olhos raiados de ódio — A vontade que tenho é de eletrocutar cada um desses bastardos que estão nos encarando. — disse com seu tom de voz psicótico, tremulando de nervoso.
— Irmão, devo pedir para que não faça isso... — aconselhou Ichiji com seu tom de voz pausado e sem emoção. — Se fizer isso, vai destruir a aliança do nosso pai. E você sabe há quantos anos ele lutou pra conseguir ter uma Yonkou como aliada. Também quero matar todos eles. Mas peço que se segure em respeito a nosso pai.
Niji respondeu grunhindo de fúria.
— Não fique assim... Não fique achando que não vai poder descontar sua raiva em ninguém... Esqueceu que é nosso irmão fracassado quem está casando ?? — indagou Ichiji com um sorriso de escárnio — Quando o casamento acabar você pode aproveitar um momento em que o inútil estiver sozinho e encurralá-lo — deu uma risada sádica — Aproveite então para descontar toda a raiva acumulada de hoje nele... — Niji deu um sorriso vitorioso.
— Imagine só com que cara ele vai olhar pra noiva quando se encontrarem depois do casamento. A pobre Purin vai levar um susto quando notar o rosto extremamente inchado, os dentes faltando, os cortes profundos na pele de seu noivo, e vai dar aqueles gritinhos irritantes de mulher !! — grasnou Niji enojado — E perguntar o que aconteceu com ele naqueles 20 minutos que ele desapareceu depois da cerimônia — zombou Niji.
— Ah querida — debochou Ichiji — Eu tropecei...
— Numa pedra — acrescentou Yonji querendo participar da zoação imitando de forma grotesca o tom de voz de Sanji — E descontroladamente acabei rolando que nem um monte de bosta morro abaixo até me espatifar numa parede de quebra-queixo. Que desabou em cima de mim. Oh esse ferimentos ? Isso aqui é doce, não sangue... — gargalhou — Não querida, definitivamente não foram meus irmãos que me espancaram de novo até eu perder a consciência.
E os três caíram em uma gargalhada histérica, que pegou vários dos convidados de surpresa.
— Tenho pena dessa moça !! — confidenciou Niji — Quando ela perceber que se casou com um inútil que nem consegue proteger a si mesmo vai se arrepender até o último fio de cabelo. Vai odiar o dia de hoje até seu último suspiro... — zombou — Ela seria mais feliz com um homem de verdade, invencível, forte e poderoso... Como eu !! — disse dando uma risadinha debochada.
Judge lançou um olhar compreensivo para seus filhos. Estava morrendo de vontade de se juntar a eles e ficar horas falando mal de seu odioso filho, mas não, tinha de ficar fazendo sala para Big Mom, tentando acalmá-la. Viu a velha começar a ter um acesso de raiva. Sentiu que a sua aliança estava a um passo de ir por água abaixo. Sentiu-a escorrendo lentamente entre os dedos.
"Quando aquele fracasso aparecer irei fazê-lo pagar por essa humilhação." — pensou consigo mesmo.
Os Charlotte estavam na expectativa para que Sanji e Reiju chegassem logo. Queriam que todos os Vinsmokes estivem ali o mais rápido possível. Para que o massacre começasse. Estavam todos famintos por ele...
As horas arrastaram-se tortuosamente. Purin, a infeliz noiva estava com as costas coladas na parede, próxima de sua mãe. Queria que o tamanho e as grandes formas de Linlin a ocultassem do campo de visão dos convidados. Estava segurando a vontade de sair correndo dali, sentia-se sufocada com tudo aquilo. Inflou suas bochechas em sinal de descontentamento. Nunca imaginou que aquele homem, que se dizia tão carinhoso e protetor seria capaz de deixá-la plantada no altar por tanto tempo. Estava morrendo de vontade de matar aquele imbecil.
"Acalme-se Purin. Daqui a pouco você fará ele pagar bem caro. Vou fazê-lo sofrer muito por ter dito que iria me tratar com uma rainha... Por ele ter dito que iria me fazer feliz..." — confidenciou consigo mesma, enquanto sentia a amargura dominar o seu ser quando o rosto angelical de Sanji veio a sua mente.
Em sua mente perturbada e quebrada, acostumada a apenas com a rejeição, a humilhação, a tortura e o desrespeito, Sanji merecia a morte por tê-la tratado bem.
Inesperadamente, Linilin deu um soco violento na parede ao seu lado. Pedaços de concreto desceram em cascatas sobre seus pés, enquanto toda a igreja reverberava. Os sinos, estimulados pelo tremor começaram a tocar uma melodia macabra, que encheu a alma dos convidados de um péssimo pressentimento.
Fuzilando Judge com o olhar Linlin esbravejou:
— Eu cansei de esperar por esse noivo desgraçado !! — Big Mom começou a salivar copiosamente, sem se importar se isso constrangia ou enojada as pessoas ali presentes — Eu quero comer os malditos doces logo !! Onde ele está ? Cade esse rapaz — começou a girar a cabeça para os lados freneticamente procurando por Sanji. Já estava começando a delirar — Alguém pelo amor de Enel vá trazer aquele Vinsmoke infeliz pra cá, mesmo que seja a força !! — ordenou. — Se não tivesse respeito a minha filha que vai se casar com ele, iria arrancar a alma dele do corpo por essa afronta !!
Smoothie, que estava prestando atenção em toda a conversa deixa de lado sua função de servir sucos e dirige-se confiante até sua mãe:
— Quer que eu vá atrás dele Mama ?
— ... — antes que LinLin pudesse abrir a boca para responder Katakuri a interrompe.
— Mama, sinto dizer que o noivo fugiu...
Katakuri, até alguns momentos atrás estava sentando no fundo da igreja, entretido em fazer uma jujuba passar de diversas formas diferentes pelos seus dedos para passar o tempo. Até ter uma de suas visões. Ele possuía um Haki da Observação tão poderoso que lhe dava a capacidade de ver o futuro. E ele tinha acabado de visualizar o porque daquele casamento não estar acontecendo.
Todos os que estavam ali suspenderam a respiração e sentiram calafrio de medo e da apreensão percorrer sadicamente a espinha. Uma noticia daquelas não poderia significar coisa boa... Tanto pra família Charlotte quanto para os convidados, que poderiam ser usados como bode expiatório pela furiosa Yonkou.
— O QUE !?? — foi a reposta de toda a igreja em coro.
— Como sabe disso irmão ? — questionou Purin inflamada de raiva dirigindo-se em direção ao Charlotte mais velho com os braços estendidos, em sinal de provocação.
— Tive uma visão. Vi Sanji e Reiju Vinsmoke fugindo. Estão passando nesse momento pela Floresta da Sedução junto com aqueles malditos piratinhas que nos incomodaram algumas horas atrás. Estão indo em direção ao navio deles. Planejam fugir da ilha imediatamente.
"Então aquele imbecil do Sanji realmente me abandonou" — pensou Purin sentindo esvair lentamente de seu peito a esperança de um dia ser amada por alguém. Apesar de odiar aquele rapaz e querer vê-lo morto, lá no fundo, tão fundo que Purin nem tinha consciência, ela tinha esperanças de que os dois dessem certo. Mas infelizmente pra ela não era isso que o destino tinha guardado pra eles dois... — "E pensar que por um milésimo de segundo eu acreditei no sorriso dele... — pensou, sendo falsa consigo mesma — Agora quero vê-lo morto mais do que nunca !! E de preferência que sofra bastante antes de morrer !!" — concluiu enquanto sentindo-se exausta, sentou-se na escadinha do altar com as bochechas ainda infladas.
— Precisamos impedi-los !! — gritou Linlin espumando de ódio.- Esse casamento irá acontecer, quer o noivo queira ou não !!
"Preciso ter todos os Vinsmokes aqui... Para aniquilá-los... Definitivamente"
— É o que faremos mãe. — disse Katakuri seriamente.
Judge rilhou os dentes. Espumou de ódio. Rosnou. Aquele desgraçado. Aquela falha. Aquele ser inferior. Como aquele lixo de ser humano ousou pensar que poderia humilhá-lo ?? Como ele imaginou ser capaz de passar a perna nele ? Como ele ousou por uma fração de segundo se achar superior a ele ? Jurou a si mesmo que iria fazê-lo pagar !! Mesmo que fosse castigado pelos Charlotte depois por sua inconsequência iria fazer Sanji pagar por aquela humilhação. Iria entregar a Charlotte Purin um noivo sem os braços.
— É meu filho. — intrometeu-se na conversa — Minha responsabilidade. Eu vou atrás dele... — disse convictamente enquanto dirigia-se ao altar para compartilhar sua ideia em alto e bom som.
Mas uma vez um coro de vozes incrédulas se fez ouvir na igreja.
— Como assim ?
— Ele quer passar na frente do exército da Big Mom ?
— Quem ele pensa que é ?
Linlin aproximou-se do patriarca da família Vinsmoke com um olhar sádico, porém curioso:
— E porque deveríamos confiar em você ?
— Porque quero esse casamento tanto quanto você... — respira fundo — Ou até mais do que você !! Estou interessadíssimo no nosso acordo e não vou deixar nada, muito menos esse lixo que não merece ser chamado de meu filho estragar tudo. Além do mais, ele sequestrou minha filha !! — bradou — Minha princesa, minha Reiju !! Pra poder me atingir !! Ele deve estar querendo se vingar de mim... Imbecil... — grasniu — Vou fazê-lo se arrepender de ter nascido — vociferou Judge cheio de ira. — Quando eu terminar com ele, Sanji vai ter desejado nunca ter saído de dentro do útero de sua mãe.
LinLin sorriu. Adorava ver pessoas tão sádicas e cruéis quanto ela.
— Por favor deixe eu e meus filhos resolvermos isso. — disse enquanto se ajoelhava na sua frente a contragosto.
"Realmente deixar esse imbecil ir atrás de sua rebelde cria seria algo muito conveniente. Obviamente tudo isso é culpa dele pra começo de conversa. Não estou com saco pra perseguir o erro dos outros e acho que Judge tem o direito de se exercitar um pouco antes de morrer. Mas e se ele aproveitar essa deixa pra nos trair ?"
Linlin olhou indagativamente para Katakuri esperando que ele compartilhasse alguma de suas úteis previsões. E entendendo o desejo da mãe foi o que ele fez:
— Ele está falando a verdade. Não vai fugir nem usar essa chance para nos atacar pelas costas. Vejo-o perseguindo e alcançando a tripulação dos Chapéus de Palha e enfrentando seu filho em uma luta de vida ou morte. Agora se ele irá derrotá-lo ou não, é uma resposta que minha visão do futuro ainda não consegue alcançar.
Judge sorriu extasiado ao ouvir a frase "luta de vida ou morte" saindo dos lábios de Katakuri. Não importava que o filho vidente de Big Mom não soubesse o resultado daquela contenda. Sanji era uma falha. Era um inútil. Ele tinha certeza de que iria ganhar.
"Então finalmente eu terei a oportunidade de torturar aquele bastardo até a morte !?" — sorriu extasiado.
Linlin bufou. Odiava deixar terceiros cuidarem de seus problemas, mas não estava com saco pra fazer aquilo. Estava agonizando de fome, quase se jogando encima do bolo de casamento e não sabia por quanto tempo ia conseguir se segurar. Correr e lutar só iria piorar sua situação e pior, poderia fazê-la perder o controle. Consentiu:
— Ok então. Se meu filho viu que você não vai fugir vou deixá-lo resolver esse problema. Além do mais, ele é SEU FILHO, então é SEU PROBLEMA. — alfinetou. Judge rosnou colérico. Sentiu vontade de estar com o pescoço de Sanji entre suas mãos naquele momento para poder quebrá-lo. Judge, sem saber como reagir e se sentindo mais humilhado do que poderia imaginar, deu um sorriso sardônico em resposta.
— Big Mom por acaso seria um problema se eu trouxesse o noivo com algumas "escoriaçõezinhas" ? — perguntou enquanto tentava disfarçar um riso sádico que se desenhava no rosto.
— Claro que não — respondeu Linilin enfática — Faça como quiser. "ele vai acabar morrendo de um jeito ou de outro mesmo".
— Obrigado. — Judge faz uma suave reverência a Yonkou. — Irei torturá-lo tanto que ele nunca mais nos desobedecerá novamente. Irei quebrar a mente dele. Vou transformá-lo no nosso fantoche.
Linlin sorriu.
Purin, que a tudo escutava sentiu um enigmático aperto no peito ao ouvir aquelas palavras.
— Divirta -se Judge. — disse Big Mom com um sorriso que mesclava sadismo e escárnio — Vamos te dar 2 horas. Se você não trouxer o noivo de volta a essa igreja nesse meio tempo interviremos... E as coisas vão piorar pra você... — o lado sádico do sorriso prevaleceu nesse momento.
Judge engoliu em seco. Empertigou-se e caminhou altivo em direção aos filhos enquanto fazia um gesto enérgico com as mãos para que se levantassem:
— Vamos logo molecada... Temos um fracassado pra caçar... — disse Judge com um sorriso diabólico no rosto que foi espelhado por seus filhos.

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Naquele mesmo instante, na Floresta da Sedução:
Sanji, Reiju, Nami, Luffy, Chopper, Brook, Carrot e Pedro atravessavam energicamente a floresta em direção ao Sunny. Estavam cansados, mais felizes. Eles tinham conseguido resgatar seu companheiro. Tinham a cópia do Poneglifo pra Robin. Estavam juntos. Não tinham mais nada pra fazer naquele inferno.
Sanji, que corria na frente ao lado de Luffy, frequentemente olhava para trás na direção de sua Nami. Os olhos da ruiva ainda refletiam ódio e rancor quando se cruzavam com os os seus, fazendo-o sentir uma dor pior do que a que sofreu quando foi torturado por seus irmãos.
"Será que eu conseguirei fazer as pazes com ela algum dia ?" — pensou melancolicamente enquanto diminuía o ritmo da corrida, ficando mais próximo do verdadeiro amor da sua vida — "Eu serei capaz de conseguir explicar porque fui obrigado a fazer tudo aquilo ?"
Antes mesmo que seu cérebro registrasse o que estava fazendo, seu lábios balbuciaram:
— Nami-san... Eu...
A ruiva ouviu seu companheiro balbuciar o seu nome, e sem pestanejar devolveu-lhe um olhar fulminante, faiscando de ódio e raiva. Definitivamente, ela não queria interagir com ele.
"Se dependesse de mim, eu não teria te salvado" — pensou Nami para si mesma.
Sanji sentiu seu coração sendo brutalmente apertado, e deu um curto e pesado soluço em resposta. Estava se sentindo perdido, sozinho, mesmo ao lado de tanta gente. Não sabia o que fazer para convencê-la a escutá-lo, mesmo que por um único minuto. Sanji preferia morrer da forma mais brutal possível do que saber que Nami o odiava.
Reiju, que estava observando tudo, sentiu pena por seu irmão mais novo. Sanji havia lhe dito que era apaixonado por Nami, e não conseguia imaginar o quanto lhe foi doloroso ter de humilhá-la junto a seu capitão para conseguir protegê-los. Reiju não entendia muito bem sobre interações humanas por causa de sua criação, mas gostava daquela garota ruiva, achava-a uma mulher forte e determinada, afinal não era qualquer pessoa que meteria a mão na cara de um príncipe em território inimigo nafrente de seu pai e irmãos. Desejava do fundo de seu coração que eles se entendessem no futuro.
Ao mesmo tempo, Reiju se sentia dividida entre a ansiedade de descobrir um mundo novo e o assombro de enfrentá-lo. Nunca havia experimentado a liberdade. Estava feliz por ter sido aceita na tripulação de seu irmão, mas tinha medo de não se adaptar a vida lá fora. Reiju fora criada como uma assassina. Criada pra ser uma pessoa sem sentimentos, sem emoções, sem traquejo social, sem entender como as pessoas funcionavam. Criada apenas pra matar pelo seu pai, assim como o próprio Sanji foi durante um tempo. Ela tinha medo de não conseguir se comportar como uma pessoa normal. Causar problemas para seu novos amigos, por sua falta de jeito. E Reiju não conhecia nada sobre o mundo lá fora. Fora uma princesa mimada, criada como uma bonequinha de porcelana a vida toda. Tinha tudo o que queria em suas mãos. Não fazia ideia de como seria a vida de plebeia. Se iria se acostumar a ela. Apesar de que pelos sorrisos sinceros de seu irmão e de novos companheiros aquela vida parecia ser muito mais deliciosa do que a de uma realeza. E pelo menos ela seria livre. Sanji, que estava próximo a ela, como que sentindo o medo da irmã sorriu pra ela. Aquele sorriso terno, puro, amável que seu irmão sempre teve e que Reiju adorava mais do que tudo. E que foi privada de vê-lo por tantos anos...por causa de seu pai:
— Reiju, vai dar tudo certo. Não se preocupe !! Eu vou te proteger !! — prometeu com aquele sorriso tranquilizador no rosto.
— Irmão... — Reiju sorriu amavelmente. Como admirava aquele homem.
Alguns longos minutos depois, o Sunny já podia ser avistado. O coração de todos se acalmou. Havia acabado. Estavam salvos. Estavam livres.
— Minna, vejam !! É o Sunny !! — exclamou Luffy não se contendo de alegria. — Vamos conseguir !!
Faltava pouco pra liberdade.
Mas quem disse que sair dali seria tão fácil ??
— Eletric Blue !!
Um crepitar agudo percorreu os ouvidos de todos os fugitivos. Tão rápido e violento que nenhum deles conseguiu pressentir, uma rajada azul elétrica perfurou violentamente a floresta indo alojar-se brutalmente no corpo de Nami. A ruiva sentiu uma dor indescritível, sem ter o direito de saber da onde ela estava vindo ou o que estava a causando. Nami pôs pra fora todo o seu sofrimento em um grito estridente de dor e desmaiou em seguida sem os sentidos. Antes que seu corpo se chocasse drasticamente contra o chão, Sanji a amparou em seu colo.
Nami estava inconsciente, respiração intermitente, e sua pele estava gelada. O cozinheiro trêmulo a aperta contra si, para tentar-lhe transmitir um pouco de calor. O rosto da garota estava próximo ao peito do rapaz, onde o coração de seu dono martelava vertiginosamente de medo e aflição. Os olhos de Sanji estavam esgazeados de pavor e fúria. Estava em choque. Sua Nami-san... Não, não podia estar acontecendo...
"Meu Deus... Será que ela está... Não !! — sacode desesperadamente a cabeça tentando afastar os pensamentos mórbidos — Não, impossível, isso não vai acontecer... Eu ainda nem pude pedir desculpas a ela..."
Uma gargalhada psicótica ecoa no ar pegando a todos de surpresa, menos Sanji. O cozinheiro já esperava por ela:
— Niji... Seu psicopata !! — rugiu entredentes — Vai pagar por isso — prometeu a si mesmo com o coração flamejando de ódio enquanto segurava sua amada mais forte contra si.
Os mugiwaras, desesperados com a situação de sua nakama, se aproximam de Sanji com os olhos transbordando de pavor:
— Nami !! Nami !! NAMI !! — berra Luffy enquanto dava tapinhas no rosto da ruiva tentando acordá-la. Sem sucesso.
Parecia um pesadelo.
— Ela ainda respira pessoal — respondeu Sanji sério — Ela vai ficar bem... — disse como se tentasse convencer a si mesmo daquilo — Cuida dela pra mim Luffy. — o loiro entrega a garota inconsciente nos braços de seu capitão.
— Sanji, o que você vai fazer ?
— O que eu devia ter feito a muito tempo — respondeu sério enquanto dava alguns passos a frente, objetivando se posicionar na frente de seus amigos. Sanji tinha certeza que "ele" estava naquela direção — Enfrentar meu passado. — Sanji respirou fundo. Tinha de ser agora. Ele não podia mais fugir.
— NIJI SEU DESGRAÇADO !! SAÍA DA ONDE ESTÁ AGORA MESMO !! ME ENFRENTE COMO HOMEM !!

Notas finais
Bem, pra quem ficou com gosto de quero mais, a fanfic já está concluída, (na verdade tenho ela pronta no meu pc a muito tempo e só agora tô postando) conforme eu for dando uma auto-betagem e uma lapidada nos capítulos subsequentes eu vou postando (mas prometo não demorar). Na minha versão da história o Jimbe não aparece como mugiwara, nem tá junto do povo porque quando eu escrevi essa fic ele ainda não tinha sido canonizado como um e eu achei que ele não ia fugir (pra ver quanto tempo faz que eu escrevi isso) e resolvi deixar assim mesmo porque ele daria uma baita desnivelada na hora do fight, (Jinbei conseguiria levar dois VInsmokes pra lona de uma vez na minha opinião) e o Pedro SPOILER >>>> ainda tava vivo (pra ver quanto tempo faz que eu escrevi isso²) e resolvi deixar assim porque gostaria muito que ele estivesse vivo. Informação desnecessária: shippava o Pedro com a Carrot. Espero sinceramente que tenham gostado !!