Vingança Filial

2 Batalha na Floresta da Sedução


Notas iniciais
Ola a todos !! Como vão ?? Peço desculpas pela demora em atualizar, esse 1 mês e meio passou basicamente a jato. Se algum de vocês tem alguma promessa de "fim de ano" pra cumprir é melhor começar a trabalhar nela agora porque parece que 2018 será um ano que vai passar em um piscar de olhos... Bem, demoras a parte aqui está a segunda parte da minha versão da fuga dos Mugiwaras em Whole Cake, dando ênfase em quem na minha opinião são os verdadeiros vilões desse arco (mas parece que o Oda se esqueceu disso): Os Vinsmokes. Espero que gostem.

— Quer uma luta de homem contra homem ? — debochou Niji com seu riso tétrico — Mas isso é impossível !! Só estou vendo um homem entre nós !!

Niji irrompeu em uma gargalhada sádica. Violenta, brutal, inclemente, uma risada digna de um morador das profundezas do inferno. A risada parecia estar entre eles, e em todos os lugares ao mesmo tempo. Sua intensidade aumentava e diminuía vertiginosamente, como se ela estivesse se afastando e se aproximando com a velocidade de um trovão.

Chopper apavorado ao ponto de estar tremendo, se agarrou as pernas de Carrot, que acariciou suavemente a testa macia da rena, tentando confortá-la. Luffy trouxe o corpo inconsciente de Nami para mais perto de si. Sanji estava imóvel, expressão tensa. Aspirava o cigarro com uma avidez quase que desesperadora. Ele não podia mais fugir. Tinha de ser ali, tinha de ser agora. Era tudo ou nada. Aquele seria o dia, que para o bem ou para o mal ele iria descobrir se finalmente superou a sua "família".

Depois de cansar-se de assustar suas presas com sua risada psicótica, Niji saiu detrás de uma árvore com aquele clássico sorriso desprovido de emoções:

— Irmãozinho, como vai ? Não devia estar em um casamento ou algo assim ?

Sanji não respondeu. Rosnou de ódio. A única coisa que queria naquele momento era fazer a cara de Niji beijar o chão através de suas pernas.

— DIABLE JAMBE. COLLIER STRIKE

Se Niji não tivesse bons reflexos teria perdido metade da face. O pé flamejante de Sanji passou raspando por seu rosto. Niji reagiu rapidamente e contra-atacou lançando um raio mas o cozinheiro, muito mais ágil que seu irmão desviou, jogando-se no chão e contra-atacando com um violento chute em seu tornozelo. O golpe atingiu Niji em cheio, fazendo-o trincar os dentes, mas não foi suficiente para fazer o assassino cair, só cambalear. Sanji aproveitou o momento para acertar um chute no rosto de seu adversário.

— JOUE SHOOT

Niji, conseguiu recuperar-se rapidamente e se defendeu posicionando seu braço na frente de seu rosto. Os membros chocaram-se. Perna contra braço. Atritando-se, fazendo força um contra o outro. Duelando inclementes pra ver quem sairia dali vencedor. Ou vivo. A situação deixava os dois frente a frente, olho no olho:

— O QUE VOCÊ FEZ COM A NAMI-SAN ?! — berrou Sanji.

Niji riu. Um riso assustador que fazia brotar o pânico no coração de quem o recebia. Refletido naquele sorriso só havia um sadismo insano:

— Você tirou algo de nosso pai ao fugir. A honra dele. Ele foi humilhado, e apesar de ser um rei todos os convidados riram dele por sua causa !! — vociferou com um tom de voz impregnado de ira, brutalidade e o mais visível desejo de vingança — Nada mais justo do que tirar algo de você

também — deu um riso de canto de boca — De preferência, algo que você ame. Dá pra ver nos seus olhos canalha. Você gosta dela, não é ? Da garota ruiva. Como será que vai ficar a sua mente quando cair a ficha que ela morreu por sua causa ? Espero que fique despedaçada...

"Ela não está morta. Minha Nami-san não pode estar morta." — pensou enquanto lutava contra o desespero que tentava possuí-lo.

Sanji gritou, pondo todo o seu ódio pra fora:

— MALDITO !! — Sanji avançou pra cima do seu irmão. Olhos flamejando ódio. Mesmo que tivesse de sujar seus pés com sangue, mesmo que tivesse de matar como foi criado pra fazer, iria livrar seus amigos daquela perseguição. Aquilo tinha de acabar. Aquilo ia acabar:

— ANTI MANNER KICK COURSE !!

Niji estava com a guarda baixa. Estava brincando com ele. Na verdade nem pensou em se defender. Em sua mente via Sanji como algo tão insignificante, tão fraco, tão desprezível que seu chute mal faria cócegas nele...

Ledo engano.

O chute acerta o rosto de Niji com brutal violência, jogando-o do outro lado da floresta.

Sanji sorri satisfeito ao ver o irmão levantar-se com dificuldade enquanto cuspia grossas golfadas de sangue. Sentiu vitorioso. Sentiu-se dando o troco pelas surras e humilhações que sofreu toda a infância:

— Já está bom pra você Niji ? — disse com desdém — Ou quer continuar apanhando ?

Mas a alegria durou pouco. O sorriso desmanchou quando sentiu o ar crepitar em sua volta. Antes que conseguisse piscar Niji estava ao seu lado agrrando-o agressivamente pelos cabelos. Sanji não conseguiu conter um grito de dor e de surpresa:

— Já está gritando mocinha ? — debochou Niji puxando as madeixas douradas com mais violência —

Mas eu ainda nem comecei a brincar... — sorriu insano — Admito que você melhorou um pouco nesses anos... Mas nunca chegará a sombra de um verdadeiro Vinsmoke...

— Como se eu quisesse ser igual a vocês malditos... — sorriu — Prefiro morrer !!

— Seu desejo é um ordem... maninho — Niji ainda agarrando-o pelos cabelos começou a socá-lo violentamente no rosto. Seus golpes eram carregados de eletricidade, que faziam Sanji se contorcer de dor cada vez que era atingido. As descargas elétricas constantes deixavam Sanji

atordoado a ponto de não conseguir se defender... Em meio as dores e a aflição, sentia a sua consciência deslizar lentamente para o abismo.

"Meu melhor chute... Não fez nem cócegas nele... Todo aquele treinamento no inferno... E eu não consegui superá-los ?? Será... que eu vou morrer aqui ?? — o coração dispara e ele imagina seu pai e irmãos gargalhando ao saberem da sua morte — Não... Não posso !! Eu... Não vou

deixá-los vencer !! — cada célula de seu corpo gritou internamente essas palavras. Nesse momento, fugaz como um relâmpago as palavras de Luffy que o salvaram do abismo vieram a sua mente "Sanji, sem você eu não serei o Rei dos Piratas."

Foi o que ele precisava pra se restabelecer.

"Luffy precisa de mim !! Minha Nami-san também !! Vou pedir perdão a ela por tudo olhando em seus olhos !! Nami-san... Eu não vou morrer aqui !!

Luffy, desesperado ao ver seu cozinheiro sofrer, avançou com os olhos inflamados de ira em direção a Niji, em socorro ao seu companheiro:

— SANJI !! AGUENTA AI !!

Antes que desse mais um passo, rápido como uma centelha, Luffy teve sua passagem fechada por um corpo que até meio segundo atrás não estava posicionado ali. Era Ichiji. O Vinsmoke sorriu maldosamente ao vislumbrar o olhar de aflição que o Chapéu de Palha deixou transparecer:

— Onde pensa que vai ? — perguntou com desdém.

Yonji também surgiu tão repentinamente quanto seu irmão. Com a expressão transbordando de prazer encurralou Pedro e Carrot.

Sanji sentiu o coração querer saltar pela boca ao ver seus amigos em perigo.

"Não, eles não vão machucar meus amigos !!"

Dando tudo de si, o loiro segurou os braços de seu irmão. Em seguida girou seu tórax pra baixo objetivando desequilibrá-lo. Niji estava tão relaxado e desatento se divertindo com o fraco e inútil do Sanji que não esperava um revide daqueles vindo dele. Niji perdeu o equilíbrio e o

pensamento de que iria se encontrar com o chão o fez perder a concentração por um segundo. Era a deixa que Sanji queria.

— DEUXIÈME HACHÉ

Acertou um golpe com toda a fibra de seu ser no estômago no irmão fazendo-o estremecer de dor. Niji largou os cabelos de Sanji, que sem total controle de seu equilíbrio, veio ao chão. Recobrando suas forças rapidamente, Sanji rolou para o lado e teve a oportunidade de ver Niji

agarrar o estomago com as mãos, num reflexo para conter a dor. Um pouco de sangue escorreu de seus lábios:

— Você... Vai pagar por isso... Desgraçado... — ameaçou.

— Isso é pela Nami-san... E pela Cosette.

Niji estava de quatro tentando se levantar. Sanji avançou na direção de seu pérfido irmão com as pernas ardendo em chamas. Niji tentou se defender desferindo um raio um raio no cozinheiro, mas Sanji foi mais rápido:

— PREMIÉR HACHÉ !!

Niji saiu voando alguns metros do chão, indo chocar-se contra um corpo com três vezes o seu tamanho e largura. Niji soltou um ganido de dor e frustração. A figura recém chegada segurou Niji pelos ombros impedindo-o de se chocar com o chão. Quem olhasse mais perspicazmente poderia notar que quem segurava o Vinsmoke de cabelo azulado o fazia com um certo...carinho e preocupação.

— Pai não se intrometa, não preciso da sua proteção — reclamou Niji.

— Eu sei disso, meu filho. — repondeu o recém chegado com carinho em sua voz — Aquele inutil só teve sorte em conseguir te acertar.

— Judge — Sanji rosnou de receio e ira, sentindo a voz falhar. Deixou seu corpo em posição de ataque. Ele não ia machucar seus amigos. Mais nenhum deles.

Judge direciou para Sanji um olhar frio, desprovido de emoção ou misericórdia. Depois ignorando-o avançou em direção á sua filha Reiju.

— Minha filha, minha princesa — começou — O que foi que eu fiz para que você fugisse de nós ??

Eu e seus irmãos sempre te tratamos bem, eu sempre te dei tudo o que queria, fiz todos os seus gostos, e é assim que você retribui ?? Aqui você sempre teve um conforto e uma riqueza que fariam pessoas morrerem de inveja. Tinha criadas que te arrumavam e maquiavam em um estalar de dedos, carruagens que te levavam para onde você quisesse, cozinheiras treinadas que preparavam o que você queria antes que abrisse a boca pra pedir... Aqui você é uma princesa, uma nobre !! — exclamou enfatizando a palavra nobre — O que acha que vai ganhar no mar com esses inúteis ?? Prefere trocar uma vida de luxo a uma vida de fome e sofrimento com esses merdas, e com o fracassado do seu irmão ??

Sanji sentiu algo crescer em seu peito. Aquilo que crescia dentro de si, nada mais era do que ódio. Ódio que fluía por cada um de seus poros. Antes que pudesse responder pela irmã e mandar seu pai para o inferno, Reiju tomou a dianteira:

— Meu pai — replicou — Eu nunca fui feliz aqui... A verdade que tenta inutilmente negar é que você nunca me tratou como uma pessoa, mas sim como arma. A mim e a meus irmãos também. — Niji que estava ouvindo deu um riso cínico — Nós sangue do seu sangue, só somos dignos do seu afeto quando servimos pra matar e adquirir poder bélico. Se somos sensíveis ou amorosos — olha ternamente pra Sanji — você nos excomunga e humilha. Nunca gostei de matar. — desabafou com a voz embargada — Passava dias trancada em meu quarto chorando quando voltava de uma missão, mas você nunca percebeu isso. Você nunca se importou com nosso estado mental, só com nosso sucesso nas missões. E se percebesse, teria me matado, ou dado um jeito de "sumir" comigo como fez com o Sanji. Nunca conseguirei esquecer os rostos petrificados de medo das minhas vítimas segundos antes de eu matá-las... — Reiju começa a chorar. Sanji se aproxima cautelosamente dela

e a abraça, fazendo Judge rosnar de ódio — Isso... Isso não é vida !! — brada. — Eu só não fugi daqui antes porque não tinha coragem, achava que não havia lugar pra uma aberração como eu lá fora !!

— Reiju... — murmurou Sanji sentindo-se desolado pela irmã. Ele sabia o que ela estava sentindo.

— Aceitei meu destino de ser uma arma e vivi aqui resignada... até agora. Meu amado irmão me oferece a chance de viver uma vida, de poder desbravar um mundo lá fora, e ao lado de pessoas incríveis e não de marionetes dissimuladas e sem alma como os meus irmãos !!

Ichiji, Niji e Yonji riram sarcasticamente ao ouvir aquela confissão. Judge entretanto não se cabia de ódio e frustração. Estava espumando de raiva. Aquele com certeza não era o melhor dia da vida dele:

— Menina ingrata !! Fraca !! Imbecil !! — berrou perdendo o controle. Reiju que nunca o havia visto agir daquele jeito para com ela estremeceu involuntariamente nos braços de Sanji — Vai trocar a vida no paraíso por uma passagem de ida para o inferno ?! Como você é burra !! Inútil !! E pensar que eu amei alguém como você... Merece apodrecer no inferno junto com o miserável do seu irmão. — Judge deu um passo a frente em direção a Reiju. Sanji pôs-se na frente de Reiju, os olhos irradiando ódio. Um ódio intenso, reprimido durante toda a sua vida. Sanji detestava senti-lo, mas não conseguia mais ignorar a sua existência. E naquele momento aquele sentimento estava em todo o seu ápice:

— Se quiser tocar em um fio de cabelo da minha irmã vai ter de passar por cima do meu cadáver. — determinou irredutível.

Judge deu uma gargalhada insana. Sanji rilhou os dentes:

— Eu não preciso tocar em você para mandá-lo para o inferno... — Judge mostra o controle que faria as pulseiras de seu filho explodirem a seu bel-prazer. Sanji sentiu um calafrio agudo percorrer a espinha mas não deixou transparecer — É só apertar esse botão que as suas duas mãos

vão para o espaço... Ou será que se esqueceu disso ?? — questionou cinicamente. O loiro engoliu em seco. Estava com medo do que poderia acontecer, mas se lembrou do que Reiju havia dito. Ela havia colocado algemas falsas nele... Mas Judge não sabia. Seu pai não desfrutaria o

prazer de vê-lo agonizar de dor sem os braços. — Você é o meu fantoche Sanji. Hoje e sempre. Tenho você, e aquele velho ridículo a quem chama de família. Te tenho nas mãos. Vai ter de fazer o que eu quero, como eu quero até a hora da sua morte, se quiser ter uma vida um pouco menos do que miserável.

— Desgraçado....

— Olhe a boca, seu infeliz se não quiser perder uma das mãos...

"Já é hora de quebrar o espirito imbatível desse merda" — pensou Sanji.

O loiro sorriu confiante, quebrando o deboche de Judge:

— Vá em frente seu lixo. Acabe com isso logo !! Aperte logo o maldito botão, já que está explícito em seus olhos o quanto quer fazê-lo... Prefiro cozinhar com os pés a ter de servi-lo... — esbravejou enquanto queimava Judge com o olhar. — Prefiro morrer a ter de viver isso...

— Não me tente desse jeito moleque... — sibilou Judge — Se soubesse que ia me fazer ser humilhado daquela forma teria te matado quando era uma criança.

Aquilo foi demais pra Sanji. O ódio e a raiva dominaram-o. Queria fazer seu pai pagar por aquelas palavras ácidas. Queria fazê-lo pagar por tudo o que ele o fizera sofrer. Girando vertiginosamente seu corpo em seu próprio eixo ele fez sua perna flamejar.

— Vou calar sua boca imunda com meu pés !! — profetizou com o semblante confiante enquanto deixava a perna direita incandescente na altura de seu peito.

— Pode vir seu lix... — Antes que Judge se desse conta já havia recebido um chute potente em seu queixo. Cuspiu uma golfada de sangue e cambaleou pra trás tentando recuperar o equilíbrio.

Sanji sorriu confiante:

— Se arrepende de não ter me matado ? — questionou com um sorriso cínico — Pois agora você não tem como arrumar isso !! Me tornei forte graças ao meu verdadeiro pai !! Zeff !! Por causa dele, hoje eu sou forte o suficiente para derrotar você !! Pra te fazer engolir, mesmo que seja a força — sua voz deu uma embargada quase imperceptível — todas as merdas que você disse sobre mim desde a infância !! VOCÊ ESTAVA ENGANADO SOBRE MIM JUDGE VINSMOKE !!

— Moleque petulante como ousa...

— PARAGE SHOOT !!

Sanji, avançou em direção a Judge. Antes que conseguisse revidar o rei Vinsmoke foi massacrado por uma metralhadora de chutes flamejantes simultâneos.

Os outros três Vinsmokes, que haviam cercado os companheiros de Sanji e os estavam impedido de interferirem na "conversa" entre pai e filho assistiram a surreal cena atônitos...

—... Não posso acreditar no que meus olhos veem... — murmurou Ichiji.

— Ele... Está derrotando nosso pai... — admite Yonji sentindo-se frustado ao ver seu saco de pancadas favorito conseguindo se defender perfeitamente.

— Não por muito tempo... — retrucou Niji confiante — Não veem ?? Nosso Sanji ainda é um fracote. Ele sempre será. Só precisamos lembrá-lo !! — finalizou enquanto rápido quanto um relâmpago desaparecia da frente dos irmãos.

— Onde você vai ?? Não vou deixar que atrapalhe a luta do Sanji !! — berrou Luffy enquanto esticava seu braço em direção a Niji. Tarde demais. A velocidade do Vinsmoke foi mais rápida, ele desapareceu no ar deixando Luffy aturdido, enquanto Ichiji, sedento pelo combate, avançou em direção a Luffy:

— Se você quer atrapalhar a conversa entre nossa família e esse estorvo eu vou precisar te punir... Não, acho que prefiro atacar essa doce moça desmaiada em seus braços — disse sem tirar os olhos de Nami, que repousava nos braços de Luffy. Brook que não ficava pra trás no quesito velocidade brotou entre os combatentes com sua espada em punho:

— Pra machucar um de meus amigos vai ter de passar por cima de mim !! — exclamou. Aproveitando a proteção que Brook momentaneamente proporcionava, Luffy passava a responsabilidade dos cuidados de Nami para Chopper:

— Chopper, quero que mantenha a Nami viva, enquanto eu cuido dele — dirige um olhar intimidador pra Ichiji. — Confio em você.

— Não se preocupe Luffy. Ela vai ficar bem — disse com uma certeza irredutível.

— E eu vou ficar perto dos dois para protegê-los de quem queira machucá-los. — disse Brook para Chopper e Nami enquanto encarava Ichiji com suas órbitas vazias.

— E eu vou proteger vocês três — disse Luffy enérgico — Enquanto eu chuto essa versão ruiva do Sanji. Ichiji, de frente para Luffy riu debochadamente.

Alguns metros dali Yonji se posicionava entre Pedro e Carrot:

— Porque eu sempre fico com os mais fracos ? — reclamou.

— Não devia nos subestimar... Nós Minks explodimos nosso verdadeiro potencial no calor de uma batalha. — disse Pedro.

— Não pense que somos fracos por causa de nossa aparência. — rebateu Carrot.

— Eu só consigo ver dois bichinhos de pelúcia na minha frente — riu Yonji.

— Vai se arrepender por ter dito isso... — rosnou Pedro.

Sanji e Judge estavam agora um de frente por outro. Expressões sérias. Olhos refletindo ódio e fúria. Sanji tragava desesperadamente um cigarro. Já o rei estava desnorteado. Tentava desajeitadamente se equilibrar, mas os chutes que havia recebido de seu filho tornaram isso quase impossível. O suposto soberano invencivel caiu de joelhos, vindo em seguida a beijar o solo, inconsciente.

Sanji ficou olhando estaticamente para o seu pai desmaiado no chão. Estava surpreso. Sem palavras. Finalmente. Finalmente !! O havia derrotado. Havia conseguido provar pra ele que era forte. Que era capaz. Com o patriarca derrotado, agora era só dar cabo de seus irmãos para poderem fugir dali. Ele ia conseguir. Não, eles iam conseguir. Juntos !! Iriam dar um jeito na situação como sempre deram.

Antes que pudesse dar um passo a frente Sanji sentiu aquela desagradável sensação do ar crepitando a sua volta novamente. Niji. Estava vindo se vingar. Sanji precisava pensar rápido. Seu objetivo era se defender do ataque do irmão pra depois contra atacar.

"Talvez ele não consiga me atingir no ar" pensou.

Olhou para cima e começou a escalar velozmente o céu com seu Sky Walk. Queria ter uma visão ampla do terreno, procurar por Niji, achá-lo primeiro.

Ele não foi capaz.

Aquela sensação do ar estalando agudamente sob suas costas. No segundo seguinte Niji estava atrás dele:

— Acho que alguém aqui precisa se lembrar do lugar a que pertence... — riu sadicamente fazendo o loiro arregalar os olhos — debaixo dos nossos pés — disse as últimas palavras com um prazer irrefreável na voz, fazendo com que Sanji involuntariamente estremecesse de pavor. Era esse o

mesmo tom de voz que Niji usava em sua trágica infância, antes de torturá-lo...

— Henry Needle.

Sanji sentiu uma brutal corrente elétrica castigar cada célula de seu corpo. Naquele momento todo o seu ser se tornou dor. Sem conseguir mais se conter, soltou um berro de sofrimento e agonia que encheu Niji de júbilo, fazendo-o dar um sorriso de canto de orelha. Sanji não resistiu a eletrocução e perdeu os sentidos, exatamente como da outra vez que havia recebido o mesmo golpe. Niji satisfeito agarra Sanji em pleno ar pelos cabelos. Cospe no rosto dele e diz cinicamente:

— Parece que eu ganhei... De novo !! Hehehehehe !!

Em seguida soltou o corpo inconsciente de Sanji nos braços do vazio. O loiro sem noção do que estava acontecendo, rodopiou vertiginosamente por alguns instantes até ser recebido sem consideração pelo frio e denso chão.

Luffy e seus amigos olham pra cena aterrorizados. Por um instante passou pela mente de Luffy que Sanji...

— Não !! — gritou para si mesmo enquanto se defendia de um chute flamejante de Ichiji — Sanji nunca iria perder pra vocês !!

Ichiji riu discretamente:

— Você não sabe nada mesmo sobre ele não é ?

Judge, que nesse meio tempo já havia recuperado a consciência, se aproximou do corpo desmaiado de seu filho. Iria deixar aquele fardo inconsciente de uma vez por todas. Levantou sua bota alguns centímetros do chão. Estava insano. Que se danasse a Big Mom. Que se danasse o casamento. Iria pisar em sua cabeça. Iria fazê-lo pagar.

Luffy tentou esticar-se para salvar seu amigo, mas foi impedido por uma parede de fogo criada por Ichiji... Já Yonji impediu Pedro de avançar com um grito sônico.

Mas a sorte estava ao lado de Sanji. Sua mente voltou a superfície da consciência segundos antes de sentir a bota de seu pai esmagando seu crânio. Ignorando a dor e o cansaço, com sua velocidade e seus reflexos sobre humanos rolou para o lado sobre seu próprio corpo, desviando. Judge chiou de raiva.

"Como esse verme é duro na queda !!" pensou. Respirou fundo. A sanidade retornou (mesmo que só um pouco) a sua mente.O casamento. Ele tinha de casar com Purin. Para lhe dar o poder que aquela aliança teria. Tinha de levá-lo até a Big Mom e o tempo estava acabando. Sanji se pôs de pé desajeitadamente, com uma expressão de dor e desconforto nítida nos olhos. Judge não tinha mais tempo a perder. Teria de conquistar seu filho de alguma forma... Faze-lo obedecê-lo. Mesmo que fosse através do carinho, por mais humilhante e degradante que fosse.

— Filho... — disse suavemente com a voz besuntada de mel.

— Não !! — berrou Sanji — !! Nunca mais me chame disso... Você não é meu pai !! Nunca foi e nem nunca será !! Você não merece esse título. — gritou Sanji enquanto tentava se manter de pé — Judge engoliu seco.

— Você lutou bravamente contra o seu irmão... — mentiu — Lutou como um Vinsmoke. Com garra, fúria, impetuosidade, força. Eu me arrependo, de coração — era difícil não notar o tom de voz artificial de Judge — do que fiz a você. Estou disposto a aceitá-lo de volta na Germa... A ser um dos nossos soldados... Não, um comandante !! Vai ter seu próprio exército !! Terá dinheiro !! Mulheres !! Tudo o que quiser a sua disposição em segundos !! — estende a mão na direção do filho — Então, você aceita largar esses pobretões e viver uma vida de luxo e poder ao lado da sua

verdadeira família ?

Sanji sorriu ironicamente e cuspiu nos pés de Judge:

— Pegue esse seu exército e enfie no c* porque eu não preciso isso.

Aquilo foi demais. Ninguém em sã consciência responderia um monarca daquele jeito. Judge sentiu o chão fugir de seus pés. A fúria o dominou. Babando de raiva, incontrolável, levantou o controle que faria as algemas nos pulsos de Sanji explodirem com o apertar de um

botão. Sanji arregalou os olhos. Judge riu ao ver o medo estampado nos olhos do filho. Não se importava mais com o castigo que iria receber da Big Mom. Tudo o que queria era fazer aquele moleque insolente pagar por tê-lo humilhado:

— Lembre-se de mim quando se encontrar com Deus, fracassado. — riu Judge enquanto pressionava sem arrependimentos o botão que faria aquelas algemas explodirem. Sanji sentiu o coração parar de bater.

O silêncio imperou. A floresta adquiriu uma atmosfera insuportável. Os segundos transcorreram como uma eternidade. Todos sentiram o medo revirar suas entranhas. Aquele seria o fim de Sanji ? O fim do imbatível Perna Negra ? Ele iria morrer daquela forma triste e trágica, assassinado pela própria família ??

Mas nada aconteceu... As mãos, pulsos e braços de Sanji continuaram intactos, exatamente como estavam antes de Judge apartar o pérfido botão...

— Não... Não !! Porque elas não explodem !? Porque elas não explodem !? — berrava Judge enquanto apertava repetida e freneticamente o botão de seu controle, ávido por ver seu filho em pedaços.

Do outro lado Sanji sorria vitorioso:

— Não vai acontecer o que tanto deseja, Judge...

— Bruxo !! O que você fez com as minhas pulseiras ?? — berrou enquanto jogava violentamente o controle no chão, que se partiu em pedaços, dando alívio pra alma de Sanji.

— Segredo... — riu satisfeito olhando o rei nos olhos — Se ouve uma coisa boa em voltar para esse inferno é que agora eu sei quem eu sou... E eu não sou um fracasso !! Carrego dentro de mim o amor de minha mãe e irmã e dos meus amigos !! Pessoas que estão sempre do meu lado não importa qual o preço a se pagar por isso, pessoas que me amam e que se arriscaram por mim, o tanto quanto eu me arriscaria por elas. Enquanto você Vinsmoke Judge não tem nada... Transformou seus próprios filhos em armas, seres sem emoções que não podem sorrir nem compartilhar nenhum momento com você. Eles não vivem. Só existem pra matar. Eles não se importam como você. Está sozinho. Você causou sua própria solidão !! Além de causar agonia e sofrimento a todos que ficam próximos a você, como fez comigo. Você já me causou dor demais Judge... Já atrasou a minha vida demais... E isso acaba agora. — Sanji andou com confiança e elegância em direção a Judge, até ficar de frente pra ele. — Suma das nossas vidas, monstro. — disse em tom altivo — Vá embora, finja que não me conhece, que eu não existo !! Me deixe em paz !! E se ousar vir atrás de nós eu mato você !!

Judge riu discretamente, quebrando o sorriso e a confiança de Sanji...

— POR QUE ESTÁ RINDO MALDITO ?

— Não deveria por o nome da sua irmã no meio, sabia ?? — disse com cinismo — Ela nunca será confiável...

— Como ousa dizer isso sobre sua própria filha, monstro... Você não tem nada no coração... Vá para o inferno !! Reiju não é um monstro como você a enxerga !!

— Não ?? — indagou o rei sorrindo.

— Reiju !! — Judge chamou a garota com um tom de voz autoritário.

Reiju adquiriu uma palidez sobre-humana. Seus olhos esgazearam de desespero. Começou a suar frio e a tremer descontroladamente. Sanji percebeu o pavor da irmã e tentou consolá-la:

— Reiju, não tenha mais medo dele. O farei beijar o chão antes dele sequer pensar em encostar em você.

— Não pai... Por favor... Com o Sanji não... — Judge sorriu extasiado ao ouvir a filha implorar.

— Você não tem escolha... Esse imbecil já viveu demais... Faça com que deixe de existir...

— Você acha que minha irmã vai te obedecer por causa de umas palavrinhas ?? — debochou Sanji — Você é mesmo um lixo...

Antes que pudesse completar a frase, Sanji sente uma lufada de ar chocar-se contra seu rosto, que precedia um chute de Reiju vindo em sua direção. Com um salto pra trás ele desvia do golpe, vendo o veneno que fluía do corpo de sua irmã passar-lhe raspando pelo peito:

— Reiju... — a fita com o semblante perdido na confusão — Porque !?

— Sanji... — a assassina estava com a expressão chorosa e falava com a voz embargada — Fuja !! Por favor !! Eu não posso... Eu não consigo desobedecê-lo !! Se ficar perto de mim... Vai morrer... Vá embora !! Me deixe aqui !! Por favor !!

Nesse momento o ódio de Sanji pelo pai alcançou níveis inimagináveis...

— JUDGE !! O QUE VOCÊ FEZ COM ELA !!??

Notas finais
E aí, o que acharam ? Peço desculpas por não dar muito destaque para o Ichiji e o Yonji, mas como o Oda nem foi capaz de revelar abertamente quais eram os poderes deles, eu resolvi deixá-los meio apagadinhos na história. Deduzo que o Ichiji tenha poderes de fogo pela cor do cabelo e pela alcunha de "centelha", e o Yonji poderes de som pela alcunha de guincho, que seria uma forma de grito. E o Judge caiu rápido né ? Depois de vê-lo usar um escudo humano contra o Sanji quando ele estava adquirindo vantagem e (SPOILER) da forma fraca e covarde que ele reagiu no casamento da Big Mom quando viu que tinha sido tapeado eu só consigo enxergá-lo como um bunda mole. Prometo que atualizarei o terceiro (e último =/) capítulo mais rápido. Tudo de bom !!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.