Vingança.
3 Capitulo 2
Notas iniciais
– Você é mais pesada do que eu imaginei... – John murmurou depois de certificar-se de que Morgana ainda estava inconsciente. Se ela estivesse acordada... Não queria nem imaginar o que faria com ele.
Estava na metade do caminho e já arquejava um pouco e parecia cansado. O caminho não era longo, na verdade era bem curto, era apenas uma estradinha de chão batido que ia da arena até o castelo e os dormitórios. Ele estava passando pelo prédio dos dormitórios e chegou a pensar na possibilidade de deixar Morgana em seu quarto e ir chamar uma enfermeira, mas depois não teria como explicar para ela o porquê de não tê-la levado até a enfermaria.
Virou a cabeça e viu a floresta, Morgana adorava ficar ali, bem diferente de John que achava muito perigoso. Não que aquela floresta lhe desse medo, ele considerava-se o mais corajoso entre os três, mesmo que elas normalmente discordassem disso e rissem logo depois. Ele não entendia por que elas riam, aquela floresta realmente era perigosa, haviam monstros ali dentro, não eram considerados muito perigosos, jamais matariam algum aluno. Mas sem sombra de duvidas, o deixariam a beira da morte e provavelmente fariam com que aquele aluno nunca mais quisesse voltar à floresta.
John nunca tinha entrado ali porque, logo que tinha chegado na escola, contaram-lhe historias assustadoras sobre aquele lugar e disseram que se ele dava valor a sua vida jamais deveria entrar. Mas, Morgana e Lucy já haviam entrado ali centenas de vezes, Lucy tinha medo também, por isso só ia se a amiga fosse junto. Ela dizia que depois da parte “assustadora” havia uma clareira tão linda que parecia ser mágica, que as arvores ao redor da clareira estavam sempre se balançando acompanhando o vento, mesmo que nem sequer tivesse vento, e que, logo depois havia uma parte mais assustadora, mas, em seguida havia um lago cristalino, tão transparente que dava para ver os peixes nadando lá no fundo, que haviam flores coloridas de espécies desconhecidas e muito mais. Mas a parte do lago ele não sabia se era verdade, nem Morgana tinha conseguido chegar lá, alguns poucos alunos disseram que chegaram a ver o reflexo da água nas arvores, mas mesmo esses não conseguiram realmente chegar ali e se banhar.
Ainda olhando para floresta conseguiu avistar dois olhos azuis o encarando, ele sorriu e assoviou, mas o animal simplesmente se virou e correu floresta adentro.
– Ignorado por um lobo... – Resmungou e seguiu seu caminho em direção ao castelo observando alguns alunos que transitavam por ali, até que avistou Dave, seu companheiro mais antigo desde que chegara ali, antes mesmo de conhecer Morgana. Eles se viam poucas vezes, apenas em alguns fins de semana, porque, ou estavam em aula, ou ocupados com seus amigos. Na verdade, seria mais correto dizer que Dave estava ocupado com seus amigos. Ele tinha mais amigos que John, alto e bonito, com seus lindos cabelos louros e olhos azuis, era o sonho de qualquer garota, Dave era muito mais popular e muito mais poderoso também, mas era muito humilde, não gostava de lutar em torneios e normalmente não mostrava toda sua capacidade. Deve ser coisa de magos esse negócio de não gostar de torneios... John havia chegado a essa conclusão havia algum tempo, afinal Morgana também não gostava de lutar em publico.
Dave e Morgana passaram pelas mesmas coisas, moravam em um vilarejo na ilha e tinham sido encontrados quando pequenos logo depois que o lugar tinha sido destruído por Zarkov’s, eram um dos únicos que já tinham visto as criaturas pessoalmente. Bom, quase todos já tinham visto um Zarkov pessoalmente, ou no laboratório, enjaulado, ou quando eram pequenos, mas ninguém realmente teve um contato direto com eles. Apenas Morgana e, segundo Lucy, ela ainda tinha as cicatrizes na cintura... Mas não gostava de falar sobre isso. Afinal, tinha perdido toda família por causa deles.
Com Dave era a mesma coisa, mas só os viu destruindo, nunca tinha visto um de perto, sem ser nas aulas do laboratório. Ele morava nas fronteiras do vilarejo, assim, conseguiu fugir antes de ser pego, mas acabara perdendo a família e tudo o que lhe restava. Eles já tinham presenciado dois ataques, nunca foi explicado o porquê de terem se salvado no primeiro ataque, só John, Dave, Lucy e Morgana sabiam. Na verdade, quem realmente sabia eram Dave e Morgana, seus pais haviam lhe contado que o vilarejo era protegido por cinco magos, dois deles eram a mãe de Morgana e o tio de Dave. Lucia — Mãe de Morgana — havia morrido com mais dois magos protegendo o primeiro ataque, sobraram apenas Thomas – Tio de Dave — e outro mago chamado Mark. Mas eles morreram com o ultimo ataque.
Dave achou a escola e contou-lhes o que tinha acontecido. Assim alguns dos professores e o grupo de exploração saíram em busca de sobreviventes e encontraram Morgana.
– O que houve com ela? – Dave perguntou curioso, afastou os cabelos cacheados e ruivos do rosto da garota e a observou por um tempo. – Está pálida.
– Sei lá cara, ela começou a dizer umas palavras estranhas e acertou a outra garota com um negocio preto. Depois, as duas caíram no chão.
A face de Dave tomou uma expressão dura.
– A Morgana? Ela usou esse feitiço? – John assentiu em resposta – Contra quem ela lutou?
– Aquela... Ahn... Acho que o nome é Tsurara, não tenho certeza.
– Tsurara? Claro... Ela usou fogo, entendo o porquê de ter usado o feitiço...
– É? Que bom. Agora vamos logo para enfermaria porque eu não estou mais sentindo meus próprios braços. – Ele bufou e saiu caminhando com dificuldade.
– Sabe, acho que você deveria malhar mais, tá muito fraquinho. – Dave riu e pegou Morgana do colo de John. – Vamos, eu levo ela até lá.
– Eu sou um dragão... Não sou fraco. – Murmurou bravo, fazendo Dave rir ainda mais.
– Não, você é um filhote de dragão, ainda não tem noção de seus poderes.
– Eu poderia te ganhar?
– Me ganhar? – Dave fez uma careta e abriu um sorriso. – Vamos para a enfermaria logo.
Dito isto, saíram andando em silencio até o castelo, John estava cansado de ser fraco, seu pai lhe dizia que os dragões eram criaturas maravilhosas e muito poderosas, por isso, quando chegou ali, escolheu ter os poderes de Dragão, mas nunca se sentira poderoso, e muito menos maravilhoso.
Entraram na primeira porta do corredor principal e foram até a recepção na sala de espera. A recepcionista parecia estar sempre de mau humor, estava alguns quilos acima do peso, tinha uns poucos cabelos brancos na cabeça e a pele pálida e fina, como uma senhora de idade doente, mas ela normalmente tinha saúde o suficiente para xingar os alunos e dizerem que o machucado não era nada demais. Mandava-os aguentarem e serem mais fortes para em seguida expulsá-los de lá.
Infelizmente John era um desses alunos, vivia se machucando no laboratório ou em um treinamento, e nunca podia ficar na enfermaria, assim, tinha que procurar Morgana e pedir pra ela fazer um feitiço de cura qualquer.
– O que quer agora fracote? – Ela resmungou sem tirar os olhos das anotações.
– Como... Ahn... Como a senhora sabe que sou eu?
– Acho que você não entendeu. – Ela ergueu a cabeça e encarou John com aqueles olhos assustadoramente claros, pareciam até transparentes. – O que quer agora?!
John não sabia o que dizer, aquela mulher o deixava nervoso, até que Dave se aproximou rindo, como sempre.
– Não serve pra trazer a garota, nem pra falar com a recepcionista? Pelos deuses John! – Ele se virou para mulher no balcão. – Precisamos de atendimento para ela, consumiu muita energia e recitou um feitiço negro...
– Podem entrar. – Ela murmurou e voltou para suas anotações.
Dave entrou na enfermaria, deixou Morgana em uma das macas e olhou para John.
– Vou pra arena, não sei quando vou ter que lutar, mas se precisar de qualquer coisa, pode chamar.
– Ok, valeu amigo, até mais.
Dave saiu da enfermaria e John sentou-se ao lado de Morgana. Não demorou muito e Lucy entrou apressada no lugar.
– Como ela está?
– Bem, eu acho. Mas vai se recuperar. Como foi a luta?
– Bem?! John, ela não parece muito bem. Esta pálida e sem forças... Ainda não acordou?
Lucy era uma garota muito exagerada e era muito preocupada, então, se algum de seus amigos sofresse algum ferimento, por menor que fosse ela imediatamente os levava à enfermaria – A recepcionista não resistia aos seus encantos de persuasão e sempre a deixava entrar.
– Lu... Você a conhece, vai se recuperar e ainda vai dizer que não devia ter sido tão fraca. Mas você não me respondeu. Como foi a luta?
– A luta... – O rosto de Lucy tomou uma expressão de desprezo – Acho que não poderia ter sido pior, achei que Lyon fosse um pouco melhor lutando.
– Então seu príncipe te desapontou? – John sorriu zombeteiro.
– Humpf, tavez. Mas isso não importa. – Ela deu de ombros. – Acho que Nakamura vai ficar louco... E, se ele ficar louco você sabe o que vai acontecer.
– “Não temos lugar para loucos, tome cuidado criança...”.
– “... Ou você pode ver o terror dos Zarkov’s novamente.” – Lucy estremeceu ao reiterar as palavras da diretora. Ela sempre dizia isso aos novatos, talvez para deixa-los com medo ou realmente os avisando do que aconteceria... Mas ninguém sabia, nunca tinham visto alguém ficar louco para confirmar isso.
John ouviu Morgana respirar profundamente e fixou os olhos na amiga, preocupado. Bem diferente do garoto, Lucy não resistiu e pulou em cima da feiticeira, abraçando-a aliviada.
– Ahh Morg! Graças aos deuses! Você está bem, está acordada! Ai nossa, que alivio!
– Ahn... Lucy, você... Você esta me, sufocando.
– Ah, desculpa! Desculpa, desculpa mesmo! – Ela saiu de cima da garota meio atrapalhada. – Desculpa... Você está bem?
– É... Acho que sim... O que houve depois da minha luta?
– Ahn... O que houve... Tipo, contigo e a sua oponente, ou a outra luta? – John perguntou sério.
– Os dois, por favor.
– Tudo bem... Bom, a gente ainda não sabe o que houve com a sua amiguinha depois que ela caiu inconsciente. – Disse John ironizando a palavra “amiguinha”. – E, sobre a outra luta, eu não sei, não fiquei para ver.
– Ou seja, você não sabe de nada. – Morgana olhou para ele fixamente e então deu de ombros, se levantou com certa dificuldade e olhou para Lucy. – Eu vou para floresta, quer vir?
– Você esta em condições para isso? Só porque está acostumada a entrar na floresta não significa que não precisará lutar. — Lucy olhou para ela e teve cautela em suas próximas palavras. – Olha, você ainda esta... Fraca. Não conseguirá vencer os monstros com facilidade... E, desculpe.
– Não precisa se desculpar. – Morgana sorriu carinhosamente. – Eu estou fraca mesmo, estou ciente disso... Se não quiser vir não tem problema, eu preciso pensar...
– Não! Claro que eu vou, não posso te deixar com aquelas coisas sozinha.
– Garotas... Eu vou. – John finalmente falou e as duas olharam para ele, para logo depois se entreolharem e começarem a rir, mas Morgana logo ficou séria novamente e olhou para ele.
– Tinha até esquecido que você estava ai. Tudo bem, esta menos preocupada agora Lucy? Vamos.
A garota pegou o cajado da mão de Lucy e saiu andando pela enfermaria, fazendo o possível para não cambalear, quando ouviu os dois rindo atrás dela e se virou.
– O que é?
– Primeiro: Você esta parecendo um zumbi. E segundo: A saída é para lá. – Disse John apontando para porta no lado contrario do lugar.
– Se eu tivesse forças...
– SE tivesse... Mas não tem. – John abriu um sorriso zombeteiro, caminhou até a porta e a abriu. – Vamos?
Os três saíram do castelo e foram caminhando pela estrada, aonde Dave vinha vindo à direção contraria, parecia fraco e estava com as roupas chamuscadas. John olhou para ele com certa preocupação e curiosidade.
– Contra quem lutou?
– Que bom que acordou Morg, queria falar com você sobre aquele feitiço... – Disse Dave, ignorando John.
Morgana sentiu sua face corar um pouco, sabia que não devia ter usado aquilo, era perigoso e consumia muita energia. Se tivesse dito apenas uma palavra errada, a morta seria ela e não Tsurara.
– Olha, foi mal, ta legal? Eu não fiz de propósito, quando me dei conta já o tinha feito... E, se eu não conseguir recitar aquele feitiço, como vou matar Zarkov’s?
– Não precisa usar feitiços tão malignos para matá-los.
– É, mas você sabe que...
– Os dois magos poderiam falar de algo que a gente também entenda? – John os interrompeu. – Alias, Dave, você não tem que ir para enfermaria? E, Morgana, você não queria ir para floresta?
– Vão para floresta? Posso acompanha-los? – Disse Dave.
– Mais um para proteger... Tudo bem, vamos. – John virou e adentrou na floresta, mas toda sua coragem se esvaiu ao pisar na grama, não tinha mais tanta certeza de que queria ir ou de que queria proteger alguém ali dentro.
Morgana riu, mas não disse nada, apenas colocou a mão no ombro de John e sorriu para ele, o encorajando. Em seguida desapareceu entre as arvores. Dave foi logo atrás dela e Lucy estava prestes a segui-lo, quando percebeu que John estava relutante em continuar. Ela pegou sua mão e o guiou floresta adentro, logo atrás dos dois magos.
Realmente, a floresta era de certo modo, assustadora, era escura e todas as plantas ali pareciam mortas. A cada passo, John estremecia, pensando que o som das folhas secas se fragmentando em contato com seus pés poderia de alguma forma, chamar a atenção das Criaturas.
Mas, depois de um tempo andando sem nenhum perigo, John quase parou de acreditar na historia de monstros... Talvez apenas para contrariar os pensamentos do garoto, um uivo surgiu ao longe e Morgana percebeu a face do garoto ficando pálida e sorriu.
– Calma John, ninguém vai morrer.
– Você acabou de matar uma garota, e agora me diz que ninguém vai morrer?!
A face de Morgana entristeceu John não devia ter dito aquilo. Pôde ver o olhar de reprovação nos olhos de Dave e Lucy e desviou o olhar, envergonhado.
– Desculpe, eu não quis...
– Tudo bem, eu entendo. – Morgana sorriu para ele sem mostrar os dentes. – Eu também não quis matá-la. E, não se preocupe, o uivo é da Saphira.
A garota assoviou e alguns minutos depois, a loba branca apareceu dentre as arvores. Morgana sorriu e afagou o pelo do animal levemente, em seguida voltou a caminhar – cambalear – na floresta. John se sentiu culpado, não tinha dito com más intenções, ele estava apenas com medo, estava cansado de ter medo, mas não podia pensar naquilo agora, tinha que prestar atenção na floresta e no que ele iria falar, não queria magoar a garota de novo, então decidiu que o melhor seria ficar em silencio.
Olhou para Dave e viu que o garoto corria e brincava alegremente com Saphira, não sabia que ele conhecia o animal, talvez não conhecesse, mas isso era praticamente impossível, Saphira atacaria se um desconhecido brincasse com ela daquela maneira... Mas a diversão durou pouco tempo, a loba logo desapareceu entre as arvores novamente.
Eles caminharam por mais um longo tempo sem nenhum perigo, John chegou a pensar que estavam se aproximando da clareira e se permitiu abrir um largo sorriso, mas, infelizmente tinha se enganado, provavelmente demorariam a chegar à clareira, e isso se chegassem... Tinham caído em uma armadilha.
Nove Criaturas o cercavam, todos eram fisicamente iguais, bípedes e corpulentos, com uma cabeça estranhamente redonda, não tinham boca nem nariz, apenas dois olhos totalmente negros e coisas que, de certa forma podiam ser consideradas orelhas. Ninguém sabia o nome das criaturas que ficavam na floresta, nem como tinham sido criadas, elas apenas moravam ali, e isso era tudo. Lucy e Morgana chamavam-nas de Criaturas, afinal, era aquilo que elas eram. A única diferença entre elas certamente eram o elemento que dominavam. John não tinha certeza disso, era apenas uma dedução, afinal, cada um estava envolto por um elemento. O mais próximo de John tinha o corpo coberto de chamas, o outro ao lado, parecia ter a pele idêntica a casca de uma arvore, o próximo tinha pequenas faíscas saindo de seu corpo, mas seus braços era completamente eletrificados e assim por diante, água, gelo, etc.
– O que a gente faz agora? – John perguntou.
– Não é obvio? Lutamos! – Morgana riu e começou a combater os monstros desajeitadamente.
Lucy abriu suas asas e voou, apenas dando cobertura aos que ficaram lá embaixo, impedindo um monstro ou outro de tentar se aproximar despercebido. A garota acertava as criaturas com uma facilidade incrível, parecia fazer aquilo a séculos, e, provavelmente fazia mesmo, sempre que ela e Morgana iam para floresta, deviam lutar exatamente assim. Mas como conseguiam lutar com nove monstros? Provavelmente hoje tinha sido um dia de azar e por isso tantas criaturas.
John observou Morgana lutando, mesmo desajeitada e fraca, tinha uma habilidade incrível em combates, John nunca a tinha visto lutar daquele jeito, até porque ela nunca treinava pra valer, nem em torneios nem em treinos. Mas ali, ela sabia exatamente o ponto fraco de cada monstro, desviava e atacava com uma facilidade incrível, não estava nem sequer usando magia.
– Três! – Ela gritou de repente, aparentava estar cansada, mas exibia um sorriso, que a muito John não via no rosto da amiga.
– Três também! – Disse Dave, da mesma maneira que Morgana, e John não pode evitar um sorriso, era bom ver seus amigos assim.
– Cuidado John! – Lucy gritou, e quando se deu conta, uma das criaturas estava caída aos seus pés. – E... Um!
– Estamos empatados, Meyer. – Morgana sorriu desafiadora. – Quem vai matar os outros dois?
– Não é obvio? Eu! – Dave respondeu e atacou o outro. Mas ele já tinha caído.
– Dois! – Lucy gritou lá do alto e acenou. – Desculpa Dave!
John tentou atacar o ultimo que tinha sobrado antes que ele também morresse, ficou os observando e acabou esquecendo-se de lutar, e não sabia que aquilo havia se tornado uma competição. Na verdade, jamais imaginaria que tivessem tamanha facilidade em matá-los, principalmente depois que seu golpe contra a criatura foi praticamente inútil e ele foi jogado contra uma arvore.
– Três! – Lucy lançou um flash de luz nos olhos do monstro, em seguida lançou varias flechas seguidas nele e pousou comemorando – Alcancei vocês feiticeiros! Nunca subestimem uma fada! Ebaa!
– Parabéns Lucy, mas você não nos alcançou, nós estávamos cansados lembra? – Disse Morgana.
– Poxa Morg... Não estrague com a minha alegria, por favor.
– Tudo bem, vamos. – Morgana riu e continuou seu caminho, e todos os seguiram.
Não precisaram caminhar muito para chegarem a tal clareira, para John, não parecia nada demais, era só uma clareira qualquer, sem nada de especial, talvez a única coisa mágica ali era o fato de que aquele lugar conseguia deixar Morgana feliz, alias, tinha deixado todos felizes, mas John não se sentia assim, ele se sentia triste e fraco, mas não queria deixar os outros perceberem... Encostou-se a uma arvore e ficou observando seus amigos, Lucy correu para o meio da clareira e se sentou, meditando, era quase engraçado ver a amiga tão brincalhona meditando assim, de uma maneira tão seria. Morgana e Dave não paravam de treinar, eles murmuravam feitiços e faziam coisas incríveis com o gelo ou com o fogo, provavelmente deviam fazer isso sempre, John nem sabia que eram tão amigos assim, mas concluiu que os três deviam vir para clareira constantemente, para treinarem ou coisas assim.
John tinha que admitir que talvez realmente estivesse um pouco enciumado, seus melhores amigos se viam sem ele saber e treinavam juntos, sem nem sequer convidá-lo. John nem imaginava que Dave e Morgana eram tão amigos, ou que Dave e Lucy eram tão amigos, ele queria que eles pelo menos tivessem o contado.
Entediado, o garoto saiu caminhando em direção a Lucy, sentou-se na frente dela e a ficou observando, Lucy era realmente linda, não sabia como Lyon nunca tinha prestado atenção nela, mesmo que todas as fadas tivessem uma beleza extraordinária, Lucy era sem duvidas a mais bonita dentre as outras.
John sentiu seu rosto corando ao perceber o que estava pensando e ficou mais vermelho ainda quando Lucy abriu os olhos e sorriu para ele curiosa.
– Você esta vermelho, que fofo. – Lucy apertou suas bochechas rindo. – Por que está vermelho?
– Ahn... Eu estou vermelho? Sério? – Disse John tentando disfarçar e tirou as mãos da garota de suas bochechas – Não sei por quê. Mas, vocês sempre vêm pra cá?
– Sim... Nós viemos mais por causa do Dave e da Morg, eles não gostam de treinar em publico, mas precisam se fortalecer se não nunca conseguirão sua vingança... — Lucy apontou para os dois, mas eles não estavam mais ali. — Achei que hoje não iriam... Estão fracos...
– Não iriam para onde? E... Eles ainda não esqueceram essa vingança? – John perguntou preocupado, mas Lucy apenas balançou a cabeça em sinal negativo e ficou em silencio.
Ela sabia que os amigos queriam que John não soubesse de nada, ele era totalmente contra a vingança de Morgana, e ela já a tinha mencionado, o que não deveria ter feito. Mas não omitiam isso por mal ou por não confiar em John, pelo contrario, amavam John e confiavam nele, principalmente Morgana, ela não demonstrava, mas tinha uma quedinha por John e claro que não conseguiria esconder isso da melhor amiga, mas simplesmente não podiam contar.
Dave e Morg costumavam treinar na floresta com as criaturas enquanto Lucy ficava na clareira meditando. Ela poderia ir treinar com os dois, mas adorava ficar na ali, sentia magia emanando daquele lugar, e sentia-se mais forte depois de sair dali com suas energias renovadas. Mas seus amigos discordavam totalmente, eles viam apenas uma clareira comum, e diziam que para sentir-se mais forte, só depois de um longo treinamento...
Certamente, John nem sabia que ela e Morgana viam Dave com tanta frequência e ela se sentia culpada por ter escondido isso do amigo e principalmente por ainda estar escondendo, mas se John soubesse que eles treinavam ali para conseguir sua vingança, tentaria impedi-los a todo custo, John se preocupava muito com os amigos e os fizera prometer que esqueceriam a tal vingança. Mas eles não cumpriram a promessa e, mesmo que Lucy também se preocupasse com os amigos, incentivava a vingança, afinal, eles eram magos, eram os únicos que realmente podiam acabar com os Zarkov’s, ou não... Se nem cinco magos foram capazes de deter os Zarkov’s em sua pequena invasão ao vilarejo de Morgana, talvez dois magos, por mais fortes que sejam, não consigam exterminar com as criaturas. E era por esse motivo que Lucy, secretamente, recrutava mais alguns estudantes para acompanhá-los durante a vingança, já tinha alguns aliados que estavam dispostos a se arriscar e ajudar... Dentre eles estavam: Tommy, o demônio, ele não era muito forte agora, mas tinha prometido se esforçar, e Lucy sabia o quão poderoso ele era, mesmo que tivesse rido quando lutou contra Jenny, sabia que era um aliado valioso após o devido treinamento; Pollyana, mais conhecida como Polly, era uma anja, outra aliada valiosa. Anjos eram raros, não precisavam ter sangue divino nem nada do tipo para ganhar as habilidades de anjo – Como acontecia com os feiticeiros e demônios. -, mas era necessário passar por uma serie de testes até descobrirem se o aluno seria merecedor de tais habilidades ou não; Margareth, uma fada, era muito amiga de Lucy e, mesmo que não fosse muito forte, estava disposta a ajudar e isso já a tornava valiosa, afinal, eram raros os que aceitavam lutar contra Zarkov’s; Nick, uma Quimera, Lucy nunca o viu lutar, ele era de certa forma, novato ali, mas era poderoso e esforçado, isso já valia bastante não importavam quais eram suas habilidades.
Não eram muitos, mas ao menos ajudariam Lucy e Dave a manterem-se vivos... Alias, falando na Morg e em Dave... Eles estavam demorando para voltar do treino. Será que sempre demoravam assim? Talvez Lucy perdesse a noção do tempo durante sua meditação e apenas hoje tinha notado que eles ficavam tanto tempo assim treinando. Ou não... Talvez tivessem sido derrotados pelas Criaturas e estavam em algum lugar, sem forças para voltar.
Lucy começou a ficar preocupada, olhou para John e forçou um sorriso, tentando não demonstrar o que estava sentindo, se ele soubesse, provavelmente seria mais contra vingança do que já era. “Não conseguem nem derrotar as criaturas, como querem derrotar Zarkov’s? Claro que não vão conseguir, desistam disso”. Diria John depois que estivessem todos bem.
– Lucy... Não acham que eles estão demorando demais? – John perguntou como se lesse os pensamentos da garota. Lucy engoliu em seco e tornou a abrir o sorriso forçado.
– Não. Eles sempre demoram assim. São rigorosos em seu treinamento. – Ela tentou rir, mas dava para perceber que era uma risada falsa. Por sorte, John pareceu não notar, ele não estava prestando atenção em quase nada do que ela dizia.
– Ah... Então ta.
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