Vingança

11 Vestido


Notas iniciais
Olá pessoas do meu coração! Desculpem a demora, mas como já havia dito no capítulo anterior, meu tempo estará meio corrido por essas semanas! Mas irei postando conforme forem abrindo as brechas! Quero agradecer minha linda Beta (Bloodyrose) e a todas que me enviaram mensagens de apoio! Obrigada a todos, de coração!^^ Também quero oferecer esse capítulo a Clarinha (minha fofa amiga) que faz aniversário hoje (16/10)! Flor, um beijão e muita felicidade pra você! Não cantei os parabéns, devido a rouquidão, mas ainda assim te envio tudo de bom que possuo no coração, para que possa ter felicidade, paz e muita saúde! Deus te abençoe e estude muito, viu? Estou perdoando a falta dos reviews sua e da Jujy, por conta dos estudos... Mas olha lá essas notas. Quero as melhores!^^
Um beijo especial aos que me deixaram reviews:
Kuchiki Keithy, liruichi, Fe Neac, bya_kurosaki, Jenix, Feh Nanda e Amanda Catarina e um mega beijasso a Yumi Sakurai, pela recomendação mega fofa! Também detesto melô, Yumi!^^ Mas romance com muita intriga, soa muito melhor! kkkkk

"O pensamento lógico pode levar você de A a B, mas a imaginação te leva a qualquer parte do Universo." [Albert Einstein]

...

A lua parecia grande e brilhante demais naquele vitral da janela do escritório. Urahara observava, atento, os vários documentos coletados do caso, dispostos em sua mesa numa ordem cronológica impecável. Havia passado apenas duas horas desde o telefonema de Yoruichi sobre o sequestro relâmpago da pequena Kuchiki. Seus neurônios trabalhavam a mil por hora. Nada naquele sequestro era plausível. Primeiro pelo fato do tempo curtíssimo e a devolução da garota sem nenhuma explicação. Segundo, a tentativa frustrada de assassinato de Ginrei e a dita carta. Carta esta que tinha uma cópia em sua mão, enviada por Sasakibe.

Levantou o olhar para os vídeos de segurança da mansão Kuchiki. Foram os materiais entregues pelo mordomo na época do crime do casal. Mas pelo que seu analista de imagens e vídeos lhe falou, faltavam alguns vídeos de alguns corredores externos aos quartos, e o do corredor principal possuía um corte temporal. Aquilo estava deixando Urahara irritado. Muitos erros e divergências absurdas que foram deixadas e esquecidas muito facilmente. Conhecia a fama de Yamamoto e sabia que isso jamais ocorreria. Pousou as vistas novamente na carta. A letra parecia muito com a de Rukia, mas tinha uma leve tremura na caligrafia, algo que lhe chamou a atenção desde que a recebeu para análise.

Jogou a carta com cuidado na mesa, e, ao se levantar, tomou uma das fitas, a da entrada principal. Sentou-se na poltrona que estava colada ao aparelho de televisão moderno. Kisuke estava sozinho naquele escritório. Kuukaku havia saído no momento em que receberam a dita ligação; iria acudir à amiga e encontrar um local seguro. “Proteção à testemunha” foi à frase dita pela agente antes de sumir de vista.

Urahara preparou o DVD e acionou no horário das treze horas e quarenta minutos. Aguardou o play funcionar, e o vídeo começou com a visão ampla da rua interna da propriedade Kuchiki. Podia-se observar ao longe o carro esportivo de Kaien se aproximar da portaria central. A mansão era composta por duas muralhas. Uma externa que separava a imensa propriedade das ruas que a circundavam, e uma interna que protegia a casa principal, onde residiam os Kuchiki. Toda extensão do muro interno era coberto por cercas vivas e um imenso jardim de inverno. Urahara ainda não havia conseguido uma permissão para analisar o lugar, mas já havia visto, numa revista de arquitetura contemporânea e antiga, um pouco sobre a renomada mansão Kuchiki. Sabia-se que muitos segredos permeavam o lugar, e nem todos os cômodos da casa principal, ou os jardins internos, foram permitidos filmar, fotografar ou visitar por estranhos a família. Um verdadeiro lugar proibido.

Pausou no momento em que Kaien sai do carro para poder apresentar sua identificação para entrar no muro interno. A segurança era praticamente impenetrável a estranhos. Uma das seguranças patrimoniais mais caras do Japão. Kaien estava trajando um terno italiano de cor azul marinho, gravata verde, contrastando com os olhos de mesma cor. Os sapatos brilhavam numa cera impecável e a desenvoltura do rapaz era perfeita. Algo realmente curioso para Urahara, já que a jovem não havia saído do carro e deveria, segundo o próprio Shiba, estar passando mal dentro do automóvel. Ele não aparentava nenhuma preocupação pela saúde da mesma.

Os olhos verdes do perito observaram minuciosamente os dois seguranças jovens que atendiam o Shiba. O uniforme bem passado, as roupas e armamento bem alinhados, podiam demonstrar a exigência da família Kuchiki em bons serviços que recebiam. Um era ruivo e o outro moreno. Folheou um relatório disposto na mesinha de centro, e encontrou os dados dos ditos seguranças na época. Ficha completamente limpa e sem qualquer infração jurídica. Os rapazes não trabalhavam mais na mansão, agora pertenciam ao quadro de segurança de um grande conglomerado bancário financiado pela família Kuchiki.

Respirou frustrado com as informações dos rapazes e apertou o play novamente. Kaien é observado pelos seguranças, e parece que ele informa algo importante sobre a garota, já que o Shiba aponta um pouco apreensivo para o carro, que ainda permanece com os vidros fechados. Como eram filmados, Urahara não pôde enxergar nada além de um vulto feminino e pequeno com a cabeça levemente pendida. O segurança ruivo se aproximou do carro, seguido por Kaien, e olhou para dentro. Trocaram mais algumas palavras e permitiram o acesso do rapaz. Tudo isso não durou mais de cinco minutos e dezessete segundos, que foram prontamente anotados por Kisuke em seu caderninho que sempre levava no bolso da calça.

O carro seguiu, e sumiu da imagem por algum tempo. Urahara avançou a apresentação e depois de rodarem exatos trinta e cinco minutos, reaparece o automóvel, agora com todos os vidros abaixados, mostrando um único ocupante. Kaien conversou rápido com os rapazes e sumiu novamente do vídeo, e assim prosseguindo o entra e sai de carros de seguranças, todos sendo anotados por Urahara. Desde seu horário de entrada, saída, cor, tamanho, quantidade de ocupantes e placas.

As horas passavam, e a bela lua já estava quase desaparecida da janela. Urahara observou o último vídeo importante, como catalogou anteriormente, daquela noite, ou madrugada? Pelo horário no relógio de parede, já estava amanhecendo.

Terminou com o vídeo onde vários empregados corriam desesperados pelo corredor dos quartos, e logo após sai do quarto da ala esquerda, uma Rukia com vestido encharcado de sangue e tremendo muito. Pausou o vídeo na imagem da garota para anotar todos os detalhes que pudesse encontrar.

O vestido era de tom pêssego e a seu ver não caiu bem na jovem. Ele descia até metade da perna, um mid, e tinha tirinhas que pendiam no colo alvo da moça. Os cabelos maiores que o atual, estavam todos desalinhados e aparentemente pegajosos devido sangue; não podia precisar, pois a câmera não havia focado no rosto da menina. As mãos estavam sujas e machucadas. Algumas escoriações na bochecha esquerda – e devido o ombro descoberto – Kisuke pôde visualizar o que parecia um arranhão profundo no ombro direito, próximo ao colo. Anotou todos os detalhes do cenário, e até desenhou a posição da garota.

Parou com um ar pensativo. Aquele vestido estava tão deslocado. Kisuke sempre tivera um defeito: ser detalhista demais em cenários de crime, e por conta disso queria perfeição em algumas cenas. Aquela cor pêssega não combinava em nada com um jantar a rigor no dito restaurante francês. Poderia ser um mero capricho seu, mas jamais permitiria que uma namorada sua, fosse à luz do dia em um lugar como aquele, com um vestido tão simples e sem vida como o que presenciava. Observou a maquiagem da garota, o tom vermelho das unhas num esmalte brilhante, os lábios vermelhos e a joia delicada de apenas um pingente de cor violeta. O pequeno bracelete, que devia ser conjunto aos brincos e colar, também apresentavam a pedrinha violeta. O vestido estava completamente fora do conjunto. Levantou-se bruscamente.

– Isso não está combinando em nada! O vermelho do sangue ficaria muito melhor ali. Droga... Será?

– Será?

Urahara levou um leve susto com o sorriso malicioso da amiga que entrou na sala sem que percebesse. Kuukaku se aproximou do companheiro. A sala estava repleta de papéis espalhados ordenadamente no piso. Faziam uma espécie de círculo em volta de Kisuke. Nelas haviam horas e características anotadas de todos os vídeos que assistiu. E ele nem havia assistido metade do acervo que recebeu.

– Você me assustou, Shiba-san! Mas... Me responda com sinceridade... O que acha desse vestido?

Apontou para a imagem parada na tela. Kuukaku olhou-o espantada pela pergunta nada convencional para um homem. Mas sabia das peculiaridades de seu amigo, e se ele estava atento a esse detalhe ínfimo, era porque devia ser importante. Sorriu com gracejo do companheiro, ao se lembrar de uma vez que saiu com ele numa conferência em Paris, e ele a convenceu a retornar para o hotel, trocar de roupa, por achar nada adequado seu vestido de veludo preto. Dizia que evento de ciência médica, não combinava com a cor preta.

– Não gostei do amarelo! – Respondeu involuntária.

– É pêssego, e não amarelo! Mas, concordo com você. Não creio que isso fique adequado com esse conjunto que grita por vermelho!

Sorriu com o rosto pasmo da companheira. Como era muito descuidado com sua aparência no cotidiano, pessoas desavisadas podiam taxá-lo como desorganizado e preguiçoso. Mas os mais íntimos sabiam de sua estrema observância nas cores, detalhes, combinações e cenários. Sabia exatamente o que deviam usar em cada ocasião, seja mulher ou homem.

– O quê? Urahara, você ficou assistindo esses vídeos à noite toda? Enquanto eu estava morrendo de preocupação com Shihouin-san, você...

– Elas estão bem?

Cortou a amiga, anotando rapidamente suas conjecturas no caderninho. Não observou o ranger de dentes de Shiba. Ela odiava quando ele fazia isso: falar com ela sem olhar em seus olhos, e continuar em seu próprio mundo.

– Sim, mas...

– Espera... Ela não entrou com esse vestido! – Exclamou animado.

Kuukaku ficou paralisada ao ver o companheiro correr de um lado a outro, procurando um dos vídeos e colocar um específico no DVD. Na tela, uma câmera que apontava para a bela escadaria, mostrava Kaien com uma Rukia desacordada, e para surpresa da jovem agente, a menina vestia um tubinho vermelho.

– Não disse? Não sei como deixei isso passar! – Falou com um sorriso.

Kuukaku achou absurdo o comentário, já que soou parecido ser óbvio passar horas assistindo vídeos de vários lugares diferentes, anotar mentalmente várias cenas e memorizar os rostos, ainda ter que observar detalhes tão estranhos.

– Ora! Talvez meu irmão tenha trocado ela!

A bela Shiba estava morrendo de vontade de espancar o amigo, já que achava aquela conversa de loucos, ridícula.

– Não! Ele me disse que somente a deixou na cama, ficou um tempo até vê-la adormecer de verdade e depois sair. Isso também foi relatado há dois anos e não mudou. Portanto, não foi seu irmão quem trocou a Kuchiki-san e muito menos as empregadas, pois ninguém entrou no quarto depois de Kaien. Isso sim, que é detalhe importante. Se Kuchiki-san tivesse matado seus pais, porque se daria ao trabalho de trocar de roupa? E, além do mais, se tivesse se trocado para dormir melhor, por que não retirou a maquiagem e as joias? Isso não faz sentido algum! Alguém trocou a menina.

Urahara só faltava saltitar. A Shiba não respondeu nada, já que entendeu o raciocínio do rapaz. Isso sempre a irritava: ele sempre tinha razão.

– Ok. Mas o que isso muda pra nós? O sangue era dos pais da garota, conforme relatório da perícia.

– Ainda temos o vestido arquivado? – Desconversou de algo que para si era óbvio.

– Acho que não. Parece que muitas provas foram destruídas...

– Claro. Não queriam que soubessem de quem era o outro DNA no vestido. Mas dou um milhão de ienes para provar que era da assassina!

– Como assim?

– Esse vestido é de uma empregada, sem dúvida alguma!

Horrorizada, Shiba olhou seu amigo com o sorriso arrogante nos lábios.

– Que absurdo, Urahara-san! Só porque não gostou do vestido, diz ser de uma empregada?

– Claro que não! Mas a simplicidade extrema da peça não me permite dizer que pertenceu a Kuchiki Rukia. Ela se vestia muito simples, mas mesmo suas roupas mais despojadas custavam caríssimo, e ESTA não é uma roupa que consideraria de “marca”!

Soltou decidido e envaidecido. Adorava ver sua bela ex-namorada boquiaberta com suas conjecturas mirabolantes. O mais interessante é que elas sempre corroboravam com o cenário do crime. Quase nunca se enganava.

– Sabe... Acho que precisa de café da manhã! Ou melhor... Eu preciso de um café preto e bem forte!

A Shiba saiu meio cambaleante até a copa. Informação demais para uma agente que amava luta corporal.

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– Saya-san, estou cansada de ficar nesse quarto e não ter nada divertido pra fazer! Vamos saiiir? — Arrastou a última frase, uma estressada Riruka.

Halibel e Mony assistiam entretidas as últimas notícias de Tóquio, que, para variar, não mencionava outra coisa além do caso Kuchiki.

– Essa menina era mesmo inocente? Mas que mundo é esse em que vivemos? Por isso que matei mesmo! Do que adianta ser certinha? Todo mundo vai te lascar mesmo...

– Corta essa, Mony! Você matou seu namorado porque aquele idiota te entregou no assalto... Eu te falei que não valia a pena ficar com um traficante idiota. Só dá nisso.

– Halibel? Não fale assim com Mony-san! Ela só matou aquele imbecil, porque ele a traiu na maior cara dura! Certo, Mony-san?

– Cala a boca, Riruka! Não preciso da sua defesa idiota. E além do mais, se não fosse por aquele imbecil, eu e Halibel, estaríamos curtindo nossa grana na Califórnia. Jogando em Vegas como sempre sonhei!

– Vegas? Achei que quisesse conhecer a Disney!

– Ah, Halibel! Aquilo era quando eu era mais jovem... Depois eu queria jogar em Vegas!

Os olhos brilharam com a expectativa frustrada. Mony ainda possuía sonhos no sujo coração de traficante e assassina.

– Ei, Ganju? Certo? Pode me tirar daqui? Não suporto mais essas idiotas no meu pé! Quero ver a Kia!

Saya, já farta de toda aquela conversa cíclica que não as levava a lugar algum, chamou o rapaz que estava responsável por trazer provimentos para o apartamento onde estavam. O prédio era pequeno e ficava num lugar afastado de Nagoya.

– Como você é má, Saya-san!

E a voz chorosa de Riruka voltou a soar atrás do ouvido de Saya, que por inercia batia nervosa a cabeça na porta. Ganju não deu sinal de vida, portanto devia ter saído para alguma compra para as garotas. No fim, aquilo não era muito diferente da cadeia.

Notas finais
Espero que tenham curtido esse cap praticamente descritivo. Mas como toda investigação, temos momentos extenuantes de análise do cenário do crime. E, nada como nosso Urahara para investigar esse crime super esquisito!^^
As nossas fugitivas estavam desaparecidas, mas retornaram! E acreditem, irão fazer muita bagunça também. Semana que vem tem mais cap, e como estarei mais relaxada, postarei no tempo certo. Mais uma vez, desculpem o atraso e muito obrigada por todo o carinho! Queria chegar ao 110 reviews, antes de postar o próximo. Mas será que consigo? Vamos me ajudar? Ok, conto com vocês!^^ Até semana que vem. Kissus,
JJ