Vingança
12 Reencontros
Notas iniciais
Esse capitulo eu dedico em memória de uma amiga que perdeu a luta contra um câncer. Infelizmente nossa alegria na melhora que ela vinha apresentando foi cedo demais. Um impacto muito forte em minha vida, mas que terei que conviver e extrair de minha jornada. O sorriso e vontade de viver que Rosa tinha, irei carregar comigo até o fim dos meus dias. Que Deus a tenha em bom lugar, pois ela era uma das poucas pessoas que fazem esse mundo vivível.
Desculpem a demora em postar, mas confesso que estava sem animo nenhum para fazê-lo. Um beijasso a minha querida beta, Bloodyrose pelo apoio, correção e carinho. Muito obrigada, flor. Você tem me ajudado a sair de muitos marasmos. E a minha querida sensei pelas mensagens de carinho e ânimo. Obrigada a todos.
Um beijo especial aos que deixaram reviews:
Jon T,Fe Neac,Jheni Kuchiki,Bya_Kurosaki, Bloodyrose,Kuchiki Keithy,Ise Yuki,Jenix,Mirella Dalarovera,Feh Nanda,Amanda Catarina,Liruichi,NokinhasF,Rukiableach,Animeprix, Anacecília, Jujy e pela recomendação de Fe Neac (valeu, querida ^^).
Não chore nas despedidas, pois elas constituem formalidades obrigatórias para que se possa viver uma das mais singulares emoções da vida: O reencontro. [Richard Bach]
...
Ginrei ajeitava mais uma vez o travesseiro com irritação. Não queria estar naquele hospital. O dia já estava claro o bastante para alguém tão ocupado como ele ficar deitado numa cama. Aquilo era inadmissível em sua idade e prestígio. Não que desconfiasse da capacidade do neto, mas lembrar-se do transtorno visível no rapaz o fazia se preocupar com o andamento de tudo aquilo. Escutou o ranger suave da porta ao se abrir, e seu fiel informante entrar com o sorriso conhecido.
– Demorou demais, Ichimaru-san! Conseguiu descobrir o paradeiro de minha neta?
– Desculpe minha pouca consideração, mas como vim do escritório, não tive tempo de comprar flores – sorriu ao desviar da pergunta do Kuchiki.
– Então?
– Acabo de ser informado que a pequena ovelhinha foi encontrada na casa de seus queridos advogados! Assim como o senhor previu!
– Claro! Isso aconteceria mais cedo ou mais tarde... E ela só tem Unohana-san e esses advogados por ela. Não teria mais onde se esconder.
O velho executivo alisou o lençol em seu costumeiro sentimento de ordem e organização. Duvidava muito que a tentativa de assassinato que sofreu fosse mesmo obra de Rukia. Mas não havia como negar a caligrafia da menina.
– Devo proceder como me pediu?
– Tem muitas testemunhas. Isso fica muito arriscado. Quem irá enviar? – disse ele ponderando a melhor resposta.
Observou o rapaz de cabelos claros sorrir mais abertamente e abrir os olhos eternamente fechados. Aquilo com certeza deveria estar divertindo seu aliado.
– Minha criança preferida. Imaginei que como temos uma doutora na casa, será muito apropriado minha pequena ajudante trabalhar. O que acha?
– Não sei... Mas se ela fizer qualquer besteira e isso vir a público, seu pescoço será cortado com o dela, entendeu?
A raiva de Kuchiki apagou sua imagem imaculada de pacificidade e frieza. Estava extremamente cansado com esses eventos. Desde que essa menina havia entrado em seu lar, perdeu seu único filho, e corria o risco de perder também seu neto. Não mediria esforços para proteger sua herança.
– Então não precisa se preocupar... Ela será perfeita, como o foi com Hisana-san!
A menção daquele nome fez Ginrei encurvar o corpo para frente. Nunca gostou daquela mulher, e sentia um grande alívio por tê-la matado. Mas a mera semelhança da pequena Kuchiki com sua falecida rival o fazia querer apressar a morte da garota que um dia aceitou como neta.
– Então faça isso antes que Byakuya a encontre. Não quero que ele a veja. Faça o que for necessário para alcançar a morte de minha neta — pontuou irritadiço.
Nada disso estaria ocorrendo se não fosse pela obsessão de seu neto. Mas não havia mais volta, precisava eliminar seu último problema para que Byakuya liderasse definitivamente a família.
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Tessai caminhava apressado pelo corredor que levava aos quartos principais. Já estava procurando seu mestre há alguns minutos. Mesmo com as câmeras não era muito fácil encontrar o rapaz naquela imensa propriedade. Chegou à biblioteca particular de Byakuya e, com cuidado, tocou a porta para mostrar sua presença ao rapaz.
– Kuchiki-sama? Posso mandar trazer sua...
Parou ao notar que não havia ninguém. Andou até a mesinha onde o rapaz costumava ficar para ler sem ser perturbado, e viu alguns papéis na mesa. Com discrição, se aproximou e viu o que parecia ser parte do testamento dos pais de Byakuya. Não queria ler, mas a curiosidade foi mais forte. Iniciou onde estava sublinhado com caneta marca texto. Nele, apresentava que metade dos bens pertencia a Rukia. Ficou assustado. Sabia do carinho e devoção de seus antigos mestres pela menina, mas metade? Isso era mais do que poderia imaginar para uma criança adotada. Arregalou os olhos ao ver a soma altíssima discriminada.
– Ela merecia muito mais que isso!
Tessai levou um susto ao ouvir o rapaz atrás de si, que havia notado o interesse nos valores do testamento. Não percebeu quando ele retornou. E ficou imensamente envergonhado por ser pego no flagra olhando o que não lhe pertencia.
– Perdoe-me... Eu...
– Não tem problema! Recebeu alguma ligação de ojii-san?
– A enfermeira disse que ele não quer mais ficar no hospital, mas como a recomendação médica manda resguardo, eu me propus a visitá-lo para que ele tenha um pouco mais de conforto e se acalme! – falou solene, ainda com a bochecha levemente ruborizada.
Possuía anos de vivência como mordomo, e o que mais o envaidecia era sua capacidade de estar sempre impassível e impecável em seus trabalhos. Byakuya o observou como se quisesse fazer mais uma pergunta. Estava cansado, não dormiu a noite inteira. Não era somente pela preocupação por conta do avô, mas também por Rukia. Não passava por sua cabeça que a sua irmã fosse capaz de fazer algo assim. E sabia que havia algo errado naquela caligrafia. Ela se parecia muitíssimo com o de Rukia, mas... Também lembrava outra que já leu, e isso era impossível.
– Kuchiki-sama? Está tudo bem com o senhor?
Preocupado com o silêncio do rapaz, Tessai tocou seu ombro para que ele se sentasse na cadeira disposta ao lado da mesinha. Byakuya o obedeceu como um menino. Se existia uma pessoa que conhecia o jovem Kuchiki de corpo e alma, era seu fiel mordomo.
– Preciso saber onde ela está... Já é de manhã e ela pode estar ferida, assustada... Ou... Nem quero pensar. Entende? Preciso encontrá-la o quanto antes, Tessai-san!
A tristeza e voz quebrada de Byakuya deixaram mais uma vez o mordomo irritado. Aquele não era o garoto que conhecia. Quando iria abrir a boca para reclamar de sua fraqueza uma empregada apareceu à porta com o telefone.
– Senhor, telefone para Kuchiki-sama! – Falou solene e corpo levemente abaixado numa saudação de respeito.
– Eu mesmo atendo!
Byakuya se levantou e pegou o telefone da jovem, que sem esperar saudou o rapaz e fechou a porta. Tessai o observou atender com uma expressão preocupada e depois um suave sorriso nos lábios, algo extremamente incomum. Após desligar, Tessai aguardou que o jovem mestre a sanasse suas cruéis dúvidas e curiosidades.
– Sasakibe-san encontrou o paradeiro de Rukia. Prepare meu carro, irei imediatamente para lá!
Nem terminou a frase e já se foi da biblioteca, deixando Tsukabishi confuso. Pelo menos, era um grande alívio vê-lo melhorar um pouco o humor.
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A casa estava em silêncio sepulcral. Os donos e suas convidadas estavam sentados no sofá olhando atentamente o recém-chegado. Ninguém ousava falar absolutamente nada.
No quarto, Rukia ainda dormia com a respiração suave e compassada. Ichigo sorria um pouco mais feliz, já que lhe custou um bom tempo seu para fazê-la dormir. Depois do carinho tenso da menina em seus cabelos, ambos iniciaram uma conversa monologa. Sem muito objetivo só para descontrair o silêncio que se fez no quarto. Rukia mostrou-se muito melhor e aberta, algo que surpreendeu muito o rapaz. Ainda permanecia sentado ao lado da cama, mas dessa vez com uma mãozinha nas suas. Rukia só dormiu depois de ele confortá-la e muito pedir para que descansasse.
Ouviu toques leves na porta. Deveria ser sua mãe para ver se a sua nova paciente estava bem. Recolocou a mão da menina de volta na cama, arrumou a mecha de cabelo e saiu para abrir a porta. Sua mãe estava com uma expressão estranha e preocupada, como se algo ruim tivesse acontecido. Temeu pela garota. Faria qualquer coisa para protegê-la. E ainda que viessem com mandado, não permitiria que a tirassem de perto de si.
– Tem... Tem alguém querendo conversar com Kuchiki-san...
– Ela está dormindo, e somente eu e o pai falaremos por ela. Vou me arrumar e já desço — falou irritado, mas tentando não elevar a voz para não acordar a pequena adormecida.
– Bem... É que...
– Okaa-san, ninguém irá falar com Rukia, se eu não permitir. É um direito protegido por lei! Pode deixar que já desço. E não quero mais conversa, por favor!
– Ok! Vou avisar que você já vai descer... Mas não vai gostar nada do que verá... Tenho certeza disso. Mas isso teria que acontecer mais cedo ou mais tarde, para seu próprio bem!
Ichigo não compreendeu direito o que a mãe resmungou, pois ela não lhe deu oportunidade e saiu fechando a porta devagar. O ruivo olhou mais uma vez a menina e com cuidado ajeitou o edredom para que não se resfriasse. O dia parecia que seria frio e isso era um mau sinal. Ele não acreditava em mau agouro, mas, por alguma razão, algo em seu íntimo dizia que teria muitos incômodos para proteger essa garota que já estava consumindo metade de seus pensamentos.
Saiu do quarto e voltou-se para o seu. Trocou as roupas do dia anterior, após uma rápida ducha, e antes de descer com sua roupa formal e script mentalizado de bom advogado, passou pelo quarto de hóspedes, onde a morena repousava, e sem remorsos trancou a porta a chave. Guardou-a no bolso e desceu. Não queria correr riscos desnecessários.
O burburinho de conversa estava acalorado. Ele pôde ouvir nitidamente sua mãe reclamar como tinha coragem de vir depois daquilo. Daquilo o quê? Parou estático na metade da escada quando reconheceu aquela voz. Seu corpo gelou e seus olhos se arregalaram. Não podia acreditar que depois de tanto tempo voltaria a enfrentar seus temores. Não estava preparado. Não queria sair do lado daquela frágil garota. A doce voz, o cheiro delicado, a pele macia, tudo nela o fazia se acalmar. E sentia que isso era recíproco. Por quê? Não sabia, mas logo descobriria. Já estava há mais tempo sem drogas do que poderia se lembrar, e a pessoa responsável estava dormindo. Agora o motivo de seus problemas estava sentada na sua sala, sendo literalmente vigiada por seus familiares e amigos. Soi Fon a olhava de modo desafiador. Ichigo sabia do estremo ciúme que ela possuía sobre a ex-noiva, mas era uma surpresa Senna estar em sua casa depois da fuga desesperada que fizera há dois anos. Aquilo era demais para suportar. Desceu com o cenho franzido, mas com uma áurea de respeito e seriedade. Não permitiria que ela o visse sofrer. Isso nunca.
– O que quer com minha cliente, Abarai-san?
Chamou pelo sobrenome do antigo companheiro de faculdade, mas não sabia se ela estava casada com o rapaz. No entanto, isso pouco importava para ele no momento, o único ponto ali era proteger Rukia de pessoas como ela.
– Ichi... Kurosaki-san, eu vim...
A porta da sala foi reaberta por Karin que percebeu alguém tocar a campainha, e nela entrava um Kuchiki com rosto preocupado e surpreso com a pequena comoção na sala. Viu de relance uma velha conhecida que sorriu ao vê-lo reconhecê-la. Yoruichi estava calada ao lado da sobrinha que apertava as mãos com irritação. Não queria se meter na vida pessoal de deu afilhado, mas mordia os lábios para não soltar impropérios à morena que ainda não conhecia, mas que pelo o que Masaki fez questão de expor ao vento, havia destruído o rapaz.
– Onde minha irmã está?
E a expressão de Ishin, que antes de era de tristeza pela briga da esposa com a antiga nora, foi alterada para a de apreensão. Não seria nada positivo para sua cliente receber tantas visitas inesperadas. Uma com a intenção absurda de entrevistá-la, algo que ainda o deixava curioso por saber como ela encontrou tão rapidamente a garota; e o outro que foi um dos responsáveis pela prisão de uma inocente, mesmo que indiretamente.
Yuzu que tentava preparar chá na cozinha retornou com uma bandeja com xícaras contadas, observou o novo visitante e com um suspiro retornou para pegar mais louça. Aquela manhã, sem dúvida, seria agitada demais para sua jovem cabeça. Karin observava a todos como se estivesse esperando uma reação mais acalorada. Sentia vontade de correr até a morena que ousou chamá-la de amiga um dia, e torcer seu pescoço no melhor estilo oriental que conhecia. Mas se conteve ao ver o tremendo esforço de seu irmão mais velho em conseguir se controlar para não perder a calma. Estava muito orgulhosa de Ichigo. Não imaginava que ele pudesse conseguir algo assim.
– Minha cliente não receberá ninguém enquanto não estiver melhor. Agora, peço que se retirem, pois não estou para entrevistas e muito menos conversas sem sentido! Daqui pra frente, quem quiser falar com Rukia, terá de se ver comigo! Sou o advogado dela, e nem om intimação a deixo sair daqui! Fui claro? Obrigado...
E subiu, deixando todos atônitos. Seus pais e Yoruichi mostram-se orgulhosos. Senna e Soi Fon surpresas. Karin estava com uma cara indiferente, e Byakuya com uma de espanto. Se ele havia escutado bem, aquele moleque acabara de insultá-lo ao comparar um familiar como ele a uma estranha que deveria ser um repórter qualquer. Isso era inaceitável!
– Não estou te pedindo favores, Kurosaki-san! Vou ver minha irmã, e você não irá impedir! — soltou frio e segurando a vontade de explodir e gritar com aquele insolente abusado, a seu ver.
Ichigo parou novamente na metade da escadaria e voltou-se com olhos irados. Seu controle estava no limite, e não queria que seus sentimentos de revolta, dor e ódio explodissem próximo de alguém que precisava de toda atenção e cuidado. Inspirou e expirou devagar, sendo acompanhado com expectativa por todos, inclusive Byakuya que aguardava no final da escada. Seu olhar era de desafio e não permitiria sair dali sem antes ver sua amada.
– Você é o que ela menos quer ver agora, Byakuya! Por conta de seu desrespeito e falta de proteção, ela sofreu algo que jamais poderá ser remediado. Então, por favor, nos deixem em paz! Rukia precisa de descanso e tratamento. Se ainda assim quiser continuar com sua prepotência, então não verei outra forma que acionar a justiça e pedir proteção policial para minha cliente.
Byakuya ficou inerte observando o ruivo se virar e continuar a subir. Não se mexeu e quando sentiu a mão de seu mordomo tocar seu ombro, percebeu que estava muito tempo parado.
Senna não disse nada, e, sem falar com mais ninguém saiu da casa. Precisava respirar um pouco; ver seu ex-noivo defender aquela garota, suposta inocente, a deixou sem chão. Então ele havia esquecido seu amor? Por mais tempo que tivesse passado, ainda não estava preparada para presenciar isso.
– Yosh! Esse é meu garoto! Não acha, Ishin-san, Masaki-san?
Yoruichi falou pela primeira vez no dia. Tinha um sorriso petulante e divertido. Estava adorando a cena de seu antigo pupilo com seu afilhado. Estava orgulhosa com a reação bem dosada e profissional do ruivo, e decepcionada com a decadência de Byakuya. Jamais o imaginara fragilizado daquela maneira. Aquela história estava ficando ainda mais interessante do que poderia imaginar.
– Cheguei em hora ruim?
Hirako entrou com caixas de pizzas para alegrar seu companheiro e quem sabe conseguir conversar com a morena, mas o que viu foi alguém que jamais pensaria estar na casa de Ichigo e uma comoção estranha. O dia com certeza não seria muito positivo. Já preparava suas táticas mais elaboradas de conhecimentos psíquicos para sobreviver àquele embate.
Notas finais
JJ
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