Vingança

10 Sonho e Despertar


Notas iniciais
Bom diaaaaaa! Como estão todos? Não querem me matar, né? ^^ Bem tive alguns probleminhas e não pude postar na semana. Mas hoje posto um cap pequetucho. Como minhas queridas sensei e beta quase me mataram por estar fazendo vocês sofrerem em ler capítulos enormes - desculpem, acho que perdi o controle ^^ - eu irei me reeducar e escrever decentemente. Esse cap de hoje começa uma nova etapa na vida de Kia. Não ficou no meu gosto, mas acho que está passável!^^ Vou ter alguns atrasinhos, mas prometo que não serão tão longos. Estou passando por dois momentos distintos na vida... Sabe aqueles filosóficos? kkkk Um bom e outro muito ruim. Mas enfim, acho que, adoráveis como são, irão me compreender!^^ Obrigada de coração aos que me deixaram reviews: Ise Yuki, Fe Neac, Liruichi, Jenix, Amanda Catarina, Bya_Kurosaki e Feh Nanda. Sinto saudades de algumas pessoas, só espero que retornem log!;_; JJ

Não desças os degraus do sonho

Para não despertar os monstros.

Não subas aos sótãos — onde

Os deuses, por trás das suas máscaras,

Ocultam o próprio enigma.

Não desças, não subas, fica.

O mistério está é na tua vida!

E é um sonho louco este nosso mundo...

[ Os Degraus de Mário Quintana]

...

A recepção da família Kurosaki foi de imensa surpresa. Ver o rapaz trazer ao colo uma das fugitivas de Sereitei deixou todos perplexos. Mas ninguém perguntou nada aos dois rapazes, devido o rosto austero e preocupado que ostentavam. Masaki prontamente fez uma análise rápida da pequena garota, e, para garantir, colheu sangue para um exame mais detalhado. Pela variação da pupila da adormecida Kuchiki, ela foi dopada com algum entorpecente forte.

Ishin não compreendia como o filho sabia a localização da jovem e não lhe contou nada até aquele momento, e também por qual motivo a menina estava daquela maneira. Estava suportando ferozmente o desejo de encher o filho de perguntas. As dúvidas do Kurosaki foram acentuadas com a chegada de Yoruichi e Soi Fon. Algo completamente inesperado, tanto quanto Rukia estar naquela casa.

— Shihouin-san? Agora é que não entendo mais nada! – Ishin soltou exasperado desabando no sofá da sala.

As duas visitantes inesperadas sentaram no outro sofá, enquanto eram observadas com curiosidade pelas gêmeas, Yuzu e Karin. Ichigo e Hirako ainda permaneciam calados do lado de fora do quarto onde Rukia e Masaki estavam. A bela Kurosaki saiu com um pouco de preocupação, o que fez os dois ficarem alertas.

— Ela está... Ela está bem, okaasan?

Ichigo demonstrava toda sua frustração e desespero nos olhos amendoados. Hirako aguardou um pouco mais seguro, já que não percebeu algo mais grave na expressão de Masaki. Conhecia bem aquela senhora de sorriso meigo e expressão carinhosa. Não havia dúvida de que Rukia estava fora de perigo.

— Não está machucada ou sofreu violência sexual. Pelo menos num primeiro exame.

Parou para ver o rosto do filho se suavizar. Estava curiosa com o repentino interesse de seu primogênito em uma garota desconhecida. Ichigo já não trazia mais namoradas desde que foi abandonado pela noiva no altar. Lembrar-se desse dia a deixou um pouco contrariada. Por ser médica, sabia que muitas pessoas agiam por impulso sem medir suas próprias consequências sociais. Tentou esquecer a raiva que sentia pela morena, mas por ser mãe, seu sentimento materno a fazia se irritar somente com a menção do nome daquela garota.

— Menos mal! Mas isso está muito estranho. Por que a deixaram dessa maneira? Quem afinal seria capaz de fazer algo desse tipo? No mínimo, um provável psicopata! – pontuou Shinji em seu monólogo.

— Urahara-san já foi inteirado do assunto. Yo, Masaki-san, como está?

Shihouin se aproximou do trio que estavam no corredor dos quartos do primeiro andar. Masaki sorriu surpresa e sem muito formalismo abraçou a velha amiga que conheceu assim que Ichigo nasceu. A ocasião foi inesperada na época, pois o casal Kurosaki aguardava o senhor Shihouin numa conferência do qual eram responsáveis, mas foi a jovem filha quem apareceu ao evento. Uma gripe forte havia acometido o pai da garota, e por isso ela estava ali para prosseguir com a festividade – uma feira para arrecadar fundos para apoio social a menos favorecidos, que Masaki era líder naquele ano. Foi amizade à primeira vista, e criou-se um laço com a madura Yoruichi.

Ichigo observou sua mãe sair de mãos dadas com sua madrinha, e Hirako acompanhar atrás das mulheres em silêncio. Tocou a porta com sumo cuidado e abriu sem fazer barulho. Aproximou-se da cama da convalescente e se sentiu um pouco aliviado. Não sabia o motivo daquele sequestro relâmpago, mas tinha um consolo em saber que a pequena garota estava sã e salva em sua casa.

Sentou-se na cadeira disposta ao lado da cama e do criado, e passou a contemplar o rosto de feições delicadas. Rukia parecia estar absorta em algum sonho interessante, pois sua testa estava levemente franzida e o canto do lábio tinha um leve sorriso trêmulo.

Ichigo tomou a delicada mão que estava ao seu lado e apertou com suavidade. Não conseguia entender em quando foi que ficou profundamente ligado aquela garota. Mal a conhecia, e já sentia algo superior a qualquer sentimento que já tinha vivenciado. Algo tão semelhante ao que sentia por Senna, mas de um jeito especial, já que não conhecia praticamente nada daquela pequena Kuchiki, somente o que os autos judiciários lhe permitiram.

Acariciou os dedos finos e gélidos e tentou passar um pouco de seu próprio calor. A pena e a dor por aquele sofrimento estampado no rosto alvo estavam deixando Kurosaki sem chão.

— O que posso fazer por você, pequena?

Aquelas palavras saíram com um profundo sentimento de empatia e preocupação. Ichigo queria poder fazer algo pela menina, e não somente colocar o maldito responsável pela dor dela na cadeia, mas também apoiá-la em sua recuperação emocional.

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Rukia terminava de ajustar o vestido tubinho de tom avermelhado, para estar melhor apresentável para sair com o noivo. Adorava se vestir confortável, mas sentia que logo teria que se acostumar com conjuntos mais sensual e feminino. Afinal, logo estaria casada com o lindo Kaien. Por ser quase dez anos mais nova que o rapaz, sentia-se sempre muito insegura ao estar próximo dele. O Shiba tinha um estilo requintado e moderno demais, e não conseguia compreender o que ele viu nela. Mas seu orgulho Kuchiki a faziam acreditar que foi seu próprio carisma e a cor de olhos exóticos que o fez se aproximar dela.

Tsuki-chan, ainda não saiu? Mocinha sabe que horas são?

Sua mãe entrou sem bater com um gesto de irritação teatral, já que a bela Kuchiki jamais brigaria com sua preciosa filha adotiva.

Okaasan? Achei que ainda estivesse dormindo... Acabei ficando em dúvida no que vestir. — tentou se desculpar arrumando a franja que, por mais que lutasse, ficava a frente de seu rosto.

Ai, meu amor! Você está linda. Apresse-se, pois já são onze da manhã... Está atrasada para se encontrar com seu galã! – falou em tom cantante.

Akemi ficou mais aberta assim que a pequena Rukia entrou em seu lar. Pôde se liberar dos excessivos protocolos da família Kuchiki. Ser verdadeira e sem reservas. Ser feliz.

Bem, então vou indo, okaasan. Deseje-me sorte!

Abraçou a mãe adotiva com carinho, dando-lhe um beijo na bochecha.

Você jamais irá precisar de sorte, minha menina! Você sempre brilhará! Nunca se esqueça de que é uma Kuchiki e sempre será!

Um doce sorriso brindou o rosto corado de rugi da garota. Sentia-se tão feliz e completa naquela casa, que sua mente sequer se lembrava de seus momentos de desespero e medo nas ruas onde foi abandonada.

Não queria que minha menina se casasse tão cedo...

Hideki entrou no quarto para presenciar a cena calorosa da família. Era sempre assim, quando estavam com Rukia; não existia espaço para as formalidades e frieza Kuchiki. Eram uma família comum como qualquer outra.

Tenho que ir mesmo, pessoal! Vejo vocês no jantar.

Pegou a bolsinha da Vitor Hugo e beijou o pai sem responder a afirmação definitiva de desaprovação desse noivado. Não passava de ciúmes da filha. Amava aquela família e faria tudo para deixá-los orgulhosos dela. Sempre foi a melhor de sua turma, e agora na faculdade renomada da Todai, era uma aluna de excelência no curso de Administração. Não se permitia fraquejar, precisava ser forte e altiva para merecer o carinho e amor de sua família. Ser Kuchiki Rukia.

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As imagens começaram a se apagar, uma a uma de sua frente e a última imagem a sumir foi seus pais abraçados na porta de seu quarto, com um sorriso cúmplice e feliz. O corpo da pequena garota percebeu que aquilo não passava de um sonho ou uma lembrança. Rukia acordou transpirando e respirando com um pouco de dificuldade. Sentou-se encostada na cabeceira da cama que desconhecia. Fez uma rápida vistoria do local como o olhar assustado, e notou aquele rapaz de cabelos de cor vibrante adormecido ao seu lado, com parte do corpo apoiado na cama, e a outra na cadeira. Parecia muito desconfortável.

Pela primeira vez naqueles dois turbulentos anos, Rukia se sentiu acolhida. Todos os gestos preocupados daquelas pessoas a faziam perceber o quanto foi egoísta. Lembrou-se de Unohana, e como ela sempre a visitou, e quando apenas uma única vez ela faltou, seu coração adoecido já se imaginou abandonada novamente. Tocou o peito com tristeza. Nem sequer se preocupou em saber como a grande amiga estava todos esses dias. E se estava doente? E se tinha problemas sérios que não a permitiam ir até Sereitei? Jamais se imaginou tão fraca e egoísta como agora. Sentia vergonha de si mesma.

Tudo bem que sua dor era terrível, mas não permitiu nenhuma brecha para essas pessoas que se importavam com ela, se aproximarem. Eram estranhos todos aqueles sentimentos que renasciam dentro de si. Nunca havia sonhado com aquele dia fatídico. Bloqueou aqueles últimos momentos de paz e felicidade de sua memória como havia feito quando fora abandonada pela própria família. Família? Não, não havia sido seus pais que a abandonaram na rua, e sim ela.

Uma dor de cabeça latejou ao se lembrar daquele par de olhos revoltados para si. Sacudiu a cabeça para esquecer. Não se permitiria mais sofrer daquela maneira. Estava manchando tudo o que seus pais Kuchiki lhe ensinaram. Seus pais. Jamais deixaria de considerá-los como pais verdadeiros, porque era assim que se sentia em relação a eles.

As lágrimas banharam novamente o rosto alvo, e num gesto brusco, Rukia limpou-as para evitar sucumbir novamente ao desespero emocional. Não conseguia compreender bem o porquê, mas era como se todo aquele peso e remorso tivessem sido arrancados de seu peito somente com aquela lembrança. O medo ainda era uma constante, mas já não com a mesma intensidade. A vontade de vingança já não era mais o único gatilho que mantinha sua mente lúcida.

Olhou novamente o rapaz e sem perceber começou a acariciar os cabelos espetados. Era tão macio e cálido, que nem parecia ser de um adulto. Pensou em como ele também deveria ter seus próprios problemas. Enquanto ela somente se fechava para tudo, ele e seus amigos tentavam salvá-la de sua autodestruição. Envergonhou-se novamente. Se alguém a descrevesse agora há dois ou três anos atrás, diria que era uma mentira horrível. Jamais desistiu de nada na vida. Envaidecia-se quanto a sua própria adaptabilidade e sobrevivência, e agora em que havia se tornado? Quem era aquela garota fraca, chorona que sequer reagia quando era tratada como lixo por desconhecidos? Não era a Kuchiki Rukia, com certeza.

Hideki, seu pai, lhe ensinou que uma Kuchiki jamais se rebaixa ante ninguém. Sua mãe, Akemi, ensinou-a a sempre erguer a cabeça e enfrentar tudo e todos para mostrar o quão poderosa ela podia ser. E nesses anos todos, o único que havia feito foi destruir o que eles lhe ensinaram. Se automutilou permitindo-se ser violada sem sequer lutar. Não, isso não tornaria acontecer.

Sem perceber os seus finos dedos puxaram com força os cabelos ruivos. Queria apagar aquele passado. Queria não, apagaria aquele passado custasse o que custasse.

— Se isso te fará sentir melhor, não me importarei com a dor.

O sorriso caloroso daquele rosto sonolento e cansado deixou aquela frase um pouco cômica demais naquela voz rouca. Rukia, ao perceber o que fazia, retirou rápida a mão que brindava carinho e dor ao mesmo tempo. Ela realmente puxou com muita raiva, descontando seus pesares no pobre rapaz. Aquela proximidade não a deixou tão assustada como na primeira vez. Faria um esforço para colocar em seu ser quem eram os verdadeiros inimigos e os verdadeiros amigos. E não existia mais dúvida: Kurosaki Ichigo estava ao seu lado.

— Desculpe... Eu...

— Sem problema, pequena! O importante é que você acordou e está bem. — falou descontraído, deixando a garota um pouco coibida.

Só existia uma pessoa que costumava chamá-la daquela maneira, e era seu noivo. Não compreendia porque aquele rapaz que mal conhecia parecia estar tão próximo e íntimo de si. Isso a perturbava, mas também a aliviava. Tinha aliados agora. E Ichigo seria o principal apoio em seu projeto de justiça. Justiça e não vingança como havia cogitado anteriormente. Faria diferente daqui por diante. A começar por procurar a família Kuchiki e exigir de volta seu sobrenome. Foram seus pais que lhe deram a honra de pertencer àquela família, e nada nem ninguém iria demovê-la dessa tarefa e direito.

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Vocabulário

Okaasan – Mãe em japonês.

O sonho/lembrança de Rukia ficou em itálico para destacar o tempo do texto.

Notas finais
Espero que tenham curtido. Desculpem a falta de criatividade! >< Mas como disse antes, vai ser um pouquinho complicado pra mim nessas semanas. Espero que compreendam. Vou aguardar seus vitaminados reviews! Vamos torcer para que Kia seja a cura de Ichi, e vice-versa logo!^^ A coitada já sofreu demais! Pobrezinha... Mas logo isso dá um giro. Desculpem as gafes e erros passados, já que estou colocando a corda no pescoço de minha beta! kkkk Beijasso pelo apoio de todos. Até o próximo cap. Kissus, JJ