Vingança
30 Presa na Teia da Aranha
Notas iniciais
Quero dar um mega beijo especial a:
Ellen Kuchiki, Fe Neac, Dalila Araujo, a curious, Matsumoto Narumy, Hana.
Que me deixaram reviews lindos!^^ E a todos que acompanham, pacientemente, a minha fic. Grande beijo e sigamos com a leitura.
JJ
"O uso frequente da astúcia é sinal de pouca inteligência, e quase sempre quem se serve dela para cobrir-se de um lado acaba por se descobrir do outro".
[François La Rochefoucauld]
...
Urahara lia, atentamente, cada informação da cópia do relatório, que Yamamoto conseguira confiscar de um arquivo backup de alguns de seus casos, incluindo os de Kuchiki. Sorriu com as assinaturas no final de cada página. Havia agarrado sua presa.
Levantou-se animado, e tomou o telefone para iniciar sua armadilha. Rukia e Ichigo já deveriam estar chegando em Aomori, então não poderia perder tempo. Sabia que o assistente técnico não tinha competência suficiente para assinar o laudo, mas ali estava, de forma clara e límpida, sua assinatura e de mais outro assistente, ocupando o lugar do perito, verdadeiro responsável pela redação do mesmo. Algo que não passou despercebido pelo loiro.
Aguardou o telefone ser atendido, e depois de esperar um pouco, escutou a voz de Shiba, seguido de um gemido insatisfeito. Adorava o jeito resmungão da amiga e antiga amante.
– Descobriu quem foi o dedo-duro?
Ouviu, antes de iniciar qualquer assunto.
– Kaname Tousen, assistente pericial a mais de dez anos, mas que já vem sendo investigado, secretamente, por corrupção em alguns processos. Mas nada conclusivo...
– Ok! Conheço esse seu tom... Algum suspeito mais?
– Uma mulher... Nemu... – pausou, duvidoso.
– Nemu?
– Kurotsu Nemu! – respondeu por fim, causando silêncio no outro lado da linha.
– O QUÊ? Achei que ela estivesse na Europa... Espera... Essa não é a filha do primeiro casamento do velho maluco?
– Exato!
– Hum... Isso não faz nenhum sentido, Kisuke! Por que ela colocaria sua carreira em risco? – questionou-o, pensativa.
– Acho que teremos que descobrir! Você fica com ela! Bem, vou continuar minhas ligações. Te vejo mais tarde! – falou, desligando o telefone e rediscando outro número.
– Diga? – Yoruichi perguntou rápida.
– Are! É assim que se responde um telefonema? – pausou dando risada – Preciso que fique na cola de um assistente daqui! Conseguiu o que te pedi? – questionou, animado.
– Não foi fácil convencer aquele almofadinha do cartório, mas foi simples encontrar aquele nome estranho! Nem sabia que alguém pudesse ter um nome desses hoje em dia... Descartei todas as mulheres maiores de trinta anos e encontrei uma, que nasceu numa cidadezinha perdida na região de Tōhoku...
– Só pode ser ela! Conseguiu algum endereço? – perguntou se sentando na cadeira de seu escritório.
Ouviu-a suspirar com cansaço.
– Essa garota sumiu do mapa, Kisuke! Não encontrei mais nada dela desde que ela completou a maioridade! Simplesmente desapareceu! – respondeu, parecendo nervosa.
– Os pais?
– Ainda não consegui descobrir o paradeiro deles, mas continuam se correspondendo com os familiares e amigos! – respondeu rápida.
Urahara parou de falar, segurando o telefone no peito, e iniciou seu raciocínio lógico. Não tinha completa certeza. Mas se estivessem certos, aquela garota era a verdadeira assassina. Entretanto, se estivessem errados, Rukia seria executada. Tremeu com esse pensamento e o espantou. Confiava em sua inocência. Sua intuição lógica sabia que não estava errado.
– Kisuke? Oe? Ainda está aí?
– Sim, estou! Yoruichi... Vou precisar que cuide do assistente! Tenho certeza que ele já deve estar fazendo seu movimento! Passarei os dados dele por e-mail... – pausou – Já faz quase seis horas que os meninos foram levados, e três que Yamamoto incluiu o endereço deles no relatório de proteção às testemunhas! Ou seja, eles já devem ter essas informações em mãos! Não temos tempo a perder! – finalizou, apreensivo.
– Ok! Te vejo depois, então! Se cuida!
Shihouin desligou. Urahara pegou as chaves de seu carro para sair. Seria uma longa noite para todos.
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O dia amanhecia ensolarado, mas para Kuukaku não estava sendo bem recebido. Havia ficado a noite toda seguindo Kurotsu. Aquela mulher parecia não saber a diferença entre dia e noite, pois não saia do laboratório já há quinze horas, ininterrupto. Não ligou uma vez sequer o celular, ou acessou a internet de seu computador. Ficou parada no microscópio verificando algumas provas periciais por horas.
Shiba desistiu de incluí-la como informante da tal assassina. Aquela cientista não parecia perceber sequer o mundo ao redor de si, além de seu próprio trabalho. Nesse ponto, precisava concordar que a filha puxou muito ao pai.
Observou a morena de longos cabelos pretos, presos numa trança bem feita, roupa social preta, coberta com um jaleco de branco impecável, anotar os resultados em sua caderneta. Tudo metodicamente limpo e organizado. Kuukaku odiou essa parte naquela garota. Detestava organização. Não fazia seu estilo. Preferia encontrar a paz no caos e na desordem.
Continuou com seu binóculo, sentada, desconfortavelmente, naquela cadeira secretária, do escritório no sétimo andar do prédio vizinho ao do laboratório. Cortesia de Urahara. Bufou com desagrado. Ele sempre a deixava com a parte mais cansativa. Precisava colocar aquele loiro no próprio lugar.
Mordiscou uma barra de chocolate pela metade e voltou a observar o movimento da jovem. Aquela posição era privilegiada, pois tinha todo o andar daquele laboratório no foco da visão de seus ocupantes, já que o dito lugar tinha metade da parede em vidro transparente, necessário para alguns experimentos.
Pegou o celular e digitou uma mensagem, com o apoio do ombro esquerdo, descartando a jovem cientista do crime. Não havia como ela conseguir passar alguma informação a qualquer pessoa daquele jeito. Torcia para que sua companheira tivesse mais sorte com o outro suspeito.
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Urahara não perdeu tempo, quando recebeu a mensagem de Yoruichi. Finalmente conseguira descobrir o verdadeiro informante da assassina, com nome de deusa. Também conseguira algo que o fazia vibrar de felicidade: a descoberta da participação de Geon no crime. Aquilo o pegou desprevenido. Mas não contestou as informações passadas por sua amiga e aliada, Kurosaki Masaki.
Havia passado a ela a única prova, que não fora descartada por Tousen: as joias que Rukia usava no dia do crime.
Cruzou os dados que tinha com os traços genéticos encontrados em algumas peças, e encontrou o DNA de Rukia ou de Amaterasu, como vinha supondo e de mais uma pessoa. Um homem. E qual não foi à surpresa ao saber que era de Aoki Geon. Aquele caso estava cada vez mais interessante e intrigante.
Sabia que não existia crime perfeito, mas se aquele homem estava na cena, então compreendia o porquê de tanta dificuldade em solucioná-lo.
As joias só não foram destruídas ou escondidas, porque a família Kuchiki as recolheram, antes mesmo da perícia terminar o seu trabalho. Alegaram que não as encontravam em lugar algum, o que foi deixado de lado pelos peritos da época. Provavelmente por conta de algum suborno. Mas que foi prontamente encontrada pelo loiro e sua equipe. Não deixaria uma prova tão importante como essa passar despercebida.
Ainda tinha o apoio imprescindível do líder da família, o jovem Byakuya, a seu favor. Por isso conseguiu acesso à dita e preciosa coleção. Apesar da dificuldade inicial em conseguir a confiança do rapaz.
Estacionou o carro em frente à mansão da família Aoki. O lugar era tão grande e suntuoso quanto à mansão Kuchiki. Mas assumia um estilo mais moderno.
Aguardou ser atendido. Apesar de não ter marcado hora com Geon, sabia que não seria negligente com um camarada de profissão, independente da rivalidade que tinham entre si.
Olhou o relógio de pulso e constatou que ainda era bem cedo. Não passavam de cinco da manhã.
Estava mais sossegado agora, sabendo que logo Shiba Kaien chegaria em Aomori, para levarem Rukia ao verdadeiro lugar seguro. Fora muito arriscado usá-la como isca, mas não se arrependia de tê-lo feito, e se Kurosaki soubesse, estaria morto. Entretanto, conseguiu o que queria. Com a transferência da garota, os suspeitos começaram seus movimentos.
Saiu de suas conjecturas ao ouvir o viva-voz da portaria eletrônica.
– Residência da família Aoki! – a voz falou em tom cortante e frio.
– Diga ao senhor Geon, que Urahara Kisuke está aqui para vê-lo! – falou indiferente ao tratamento hostil.
– Sinto muito, mas ele não pode atender! – a voz novamente falou fria.
– Tenho certeza que ele irá querer! Por que não diz meu nome a ele e veremos se não se interessa em conversar comigo? – sugeriu, confiante.
A mulher do interfone ficou em silêncio, parecendo se decidir entre fazer ou não o que foi sugerido pelo visitante matutino.
– Infelizmente, o senhor Aoki-sama acabou de sair! – entregou nervosa.
Urahara arregalou os olhos e sem responder mais nada, correu de volta ao seu carro e arrancou.
– Droga! Como não previ isso? – se repreendeu nervoso.
“Preciso pegar um avião”! Pensou agitado. Não conseguiria chegar antes de Kaien e torcia para que ele encontrasse o casal antes de Geon. Ou teriam mais um crime.
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Não sabia como conseguira chegar a tempo de encontrar a casa vazia, mas ali estava ele, sem fôlego e com seu estranho chapéu na mão.
Começou a ligar freneticamente para Shiba, mas parou no meio da digitação, quando recebeu uma mensagem do rapaz, confirmando que estava na estrada com o casal.
Suspirou. Havia conseguido a tempo no fim das contas. Mas jamais se perdoaria se algo acontecesse a eles. Jamais se perdoaria se errasse dessa maneira.
Sentou-se numa cadeira na copa e observou a mesa posta. Ainda havia alguns alimentos mornos, confirmando a presença de seus donos. Estava satisfeito em notar que o filho de Ishin era responsável o bastante para cuidar da jovem.
Sorriu. Sentia que um romance interessante estava acontecendo entre os dois. Isso o fazia se sentir nostálgico. Precisava encontrar uma nova namorada.
Estava tão entretido em seus pensamentos, que só escutou o segundo toque na porta. Alguém batia e só poderia ser ele.
Ficou ansioso para ver com que cara seu velho colega de faculdade ficaria quando se encontrassem. Olhou pelo olho mágico da porta e ficou um pouco decepcionado. Mas rechaçou aqueles sentimentos. Afinal, uma de suas presas mais importantes estava diante daquela porta.
Abriu a porta e viu os olhos da jovem se arregalaram em espanto.
– Okaerinasai, Amaterasu-chan! – falou em tom cantante.
Amaterasu permaneceu estática por um tempo e de um segundo a outro, deu meia volta e correu.
Urahara nem se prontificou a seguir a jovem. Um dos seguranças, que Yamamoto havia designado para proteger o casal, deu algumas passadas largas e agarrou-a pela cintura, pendendo-a no ar.
– Me largue, seu brutamontes! – gritou a mulher histérica.
– Obrigado, Sado-kun! Leve-a para dentro da casa e depois vigie ao redor para ver se não vem mais ninguém! – comentou o cientista, ajudando o rapaz a colocar a jovem na cadeira onde estava sentado há instantes. – Qualquer coisa, me avise! Não se arrisque a toa, ok? – finalizou.
Sado amarrou os braços e as pernas da jovem, que não parava de lutar e chutar contra o grandalhão. Tudo em vão. O rapaz alto e moreno saiu depois de imobilizá-la.
– Precisamos conversar... Irmã mais velha! – falou com um sorriso malicioso.
Amaterasu ficou estática e de olhos arregalados. Havia sido pega pela teia de aranha daquele homem.
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Vocabulário
O laudo pericial é o parecer técnico resultante do trabalho realizado pelo perito, ou seja, apresenta o resultado de uma perícia. Nele deve ser relatado tudo que fora objeto dos exames levado a efeito pelos peritos.
O laudo pericial é portanto, o documento mais completo, razão da sua origem que é um exame de natureza pericial, feito por peritos.
O laudo pericial deve ser redigido pelo próprio perito, mesmo quando existem assistentes técnicos . Um laudo pericial é uma forma de prova, cuja produção exige conhecimentos técnicos e científicos, e que se destina a estabelecer, na medida do possível, uma certeza a respeito de determinados fatos e de seus efeitos. O Perito somente deve falar através do laudo pericial. Além disso, o Perito deve ter o cuidado de descrever e documentar, da forma mais objetiva possível, os fatos com base nos quais pretende desenvolver sua argumentação e, afinal expor suas conclusões.
O laudo pericial é uma peça do processo, que deverá ser interpretada e avaliada pelo Juiz ou Tribunal, como qualquer outro instrumento de prova e de convencimento.
Notas finais
JJ
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