Vingança
19 Os fantasmas da mansão Kuchiki
Notas iniciais
Um grande beijo a:
Sarah Ariel,Kurosaki Rukia,Sarah Kurosaki,bya_kurosaki,Jenix,Fe Neac
JJ
"E é você, você é o fantasma atrás dos meus olhos.
O fantasma que me conta mentiras".
[Hans Gruber]
Byakuya ainda rememorava as cenas da reunião que acabara de assistir. Todos os membros mais influentes da família fizeram questão de participar, independente do horário extremamente avançado. Olhou para o relógio de parede da biblioteca e percebeu que logo o sol nasceria. Não tinha sono e seus pensamentos estavam na ala norte dos quartos de hóspedes.
Apesar de seu sentimento de felicidade e gratidão pelo abraço que recebeu da irmã, estava preocupado com o que poderia estar ocorrendo em seu quarto, já que aquele rapaz de cabelos estranhos estava com ela. Não queria permitir, mas não pôde negar esse desejo a ela.
Ainda meditava sobre as palavras frias de Kouga e seu avô ao dizerem que Rukia jamais seria digna de confiança, mesmo sendo inocente da morte do casal Kuchiki. Não sabiam se foi ela a verdadeira culpada na tentativa de assassinato de Ginrei, e por conta disso, seria observada em todo lugar que estivesse.
Sorriu diante da hipocrisia dessas suspeitas. Estava mais do que óbvio que Rukia não fora a autora do disparo. Isso jamais seria considerável credível.
– Byakuya-sama? O senhor já não deveria estar descansando? – Tessai perguntou surpreso ao entrar na sala e encontrar seu mestre ainda desperto naquele horário avançado.
– Como ela está? – cortou, indiferente.
– A última vez que fui vê-la, uma hora atrás, Kurosaki-san estava se preparando para deitar no futon ao lado da cama de Rukia-sama. Ela já estava dormindo e parecia melhor. Deixei alguns analgésicos, caso ela sinta dor... E... – gaguejou com dúvida.
Byakuya levantou a sobrancelha pelo comportamento estranho do velho mordomo. Tessai sempre era muito polido em suas frases e vê-lo divagar era estranho demais.
– Algo mais? Aconteceu mais alguma coisa, Tessai-san? – indagou, nervoso.
– Gin-sama estará fazendo guarda durante a madrugada inteira... Ordens diretas de Ginrei-sama, por isso não objetei! – emendou para controlar a fúria do jovem.
– Mas o que é isso agora? Rukia não fez nada. Vão ficar vigiando uma garota que acabou de sair do hospital? – elevou a voz.
O corpo entesado e as mãos crispadas mostravam sua frustração por não poder impedir essa visível desfeita por parte de seus familiares. Ainda a tratavam como uma assassina, uma homicida inconsequente no seio da família. Sua paciência já estava no limite e não suportaria barbáries como essas para com sua inocente irmã.
– Vou falar com ele! – protestou, dirigindo-se para a porta, mas teve o braço segurado pelo mordomo.
Byakuya tentou protestar, mas se deteve ao ver um brilho diferente surgir atrás das grossas lentes de Tessai.
– Se fizer isso eles irão levá-la daqui! É isso o quer, Byakuya-dono? Pelo menos aqui, você poderá protegê-la, mas se deixar suas emoções te controlarem, não terá feito o mesmo que quando a abandonou? – sussurrou com firmeza.
O jovem Kuchiki assentiu e passou a refletir sobre o que o mordomo disse. A porta se fechou e mais uma vez Byakuya se viu solitário e preso em suas correntes de responsabilidades. Não poderia agir de forma suspeita ou leviana diante dos outros membros se quisesse mesmo proteger a vida de Rukia. Não tinha escolha a não ser aceitar as exigências e caprichos de seu avô.
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– Vai retornar à mansão, Yuri-chan? – Geon questionou.
A garota estava com o corpo parcialmente pendido no sofá do escritório de Mayuri. A sala era simples, mas ampla e com móveis de boa qualidade. As cores predominantes eram branca e cinza. Nenhum adorno ou quadro descontraíam aquele lugar. O casal aguardava o velho companheiro retornar de uma reunião importante. Ainda era cedo demais para ter alguém no laboratório.
– Acho que sim. Minha irmãzinha resolveu voltar para o lar. Não posso perder uma oportunidade dessas – soltou, preguiçosa.
– Fico preocupado se ela não terá suas memórias de volta estando naquele lugar. Não confio tanto assim nas drogas alucinógenas que administramos... A mente pode ser uma caixa de Pandora. Não gosto disso, colocaria tudo a perder! – reclamou, pensativo.
– Sem problemas. Conheço aquele lugar como a palma de minha mão. E sei que Tsuki-chan nunca soube nada sobre as passagens secretas. Afinal, elas só pertencem aos fantasmas da mansão!
Sorriu ante o espanto e descrença do companheiro. Não tinha dúvidas do que dizia. Uma das coisas que sondara sobre a pequena Kuchiki era se ela tinha ciência da arquitetura secreta do lugar. Perguntara de forma irreverente e distante de qualquer suspeita, e ficou muito feliz ao perceber que ela realmente desconhecia este fato. Parece que o casal Kuchiki temia um pouco os segredos escusos da família e queriam proteger a garota.
– Como vai retornar à mansão? Já faz algum tempo que não trabalha por lá! Isso pode parecer suspeito demais – perguntou, duvidoso.
– Aqueles bastardos sequer sabem quem entra ou sai da mansão. Não prestam o mínimo de atenção nos empregados que contratam! - exclamou alto e acrescentou – Não precisa se preocupar. Tenho o responsável da administração daquela casa em minhas mãos – lembrou com um sorriso cínico.
– Ainda tem um caso com aquele homem? Nossa, quem diria? Você sempre me surpreende, Yuri-chan! Mas quem imaginaria que um homem de sangue nobre se rebaixaria a ser amante de uma mera empregada? Ele não te reconheceu mesmo? – questionou, curioso.
Yuri já estivera naquela casa, mas seu papel era outro. Depois de retornar como mera empregada, nenhum dos membros da família a reconhecera, nem mesmo quem dizia amá-la perdidamente. Era uma atriz que desempenhava seu papel beirando a perfeição. Mudava seu penteado, sua cor de íris, marcas de expressão e tom de voz de uma forma tão credível que nem mesmo seus pais seriam capazes de reconhecê-la. Percebeu seu dom quando ainda era adolescente e se revoltou por perceber que sua família não tinha nada a lhe oferecer a não ser se tornar babá de sua irmã mais nova. Algo que achou imperdoável e inadmissível para alguém tão talentosa como ela.
– Kouga-san sempre comeu na minha mão, Geon-san! Mesmo antes de fazer o papel de empregada, ele amava trair seu priminho comigo! Além do mais, ele vive querendo a posição de líder da família, precisa se entrosar com todas as mulheres bonitas e elegantes que entram naquela casa!
Gargalhou ao se lembrar do cortejo obsceno do rapaz, ainda que ela fosse supostamente casada na época, e depois quando era empregada, ele sempre a rondava e clamava seu corpo para saciar seu desejo insano. Aquilo foi uma época memorável, já que sabia que o rapaz nunca teve sua atenção voltada para a pequena Kuchiki. Isso somente mostrava sua superioridade diante da irmã mais nova.
Sorriu mais comedida ao pensar que a menina nunca sequer a reconheceu. Claro que estava disfarçada e completamente diferente do que era quando mais jovem, mas a similaridade física que tinha com a garota sempre a fez se questionar se Rukia não a havia reconhecido. Mas não foi assim. Ela nunca suspeitou de nada. Sempre foi muito aberta com ela, e até se tornou sua amiga, inclusive quando era empregada. Saber que a garota perdeu a memória a deixava em vantagem singular.
– Como será que foi a primeira noite de Tsukihime-chan? Acho que mamãe teria adorado revê-la! Sinto tantas saudades dela, Geon-san! Hoje mesmo retorno para o lado de minha adorada luazinha! – soltou com voz animada e um brilho no olhar.
– Sabia que você é doente?
Elevou uma das sobrancelhas com a pergunta absurda do companheiro. Afinal, ele era o mais doente daquela sala, só perdendo para as loucuras e excentricidades de Mayuri.
– Olha só quem fala!
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Ichigo ainda não conseguia sair do futon. Estava muito confortável e aquecido. O dia não parecia que seria quente, mas úmido e fechado. Levantou o torso para ver que a garota dormia sossegada na cama. O rosto estava pacífico e um delicado sorriso o adornava. A princípio, pensou que estar ali a faria ficar triste e desconfortável, mas foi completamente o oposto.
Sabia que se devia ao fato de estar por perto, mas não queria tomar esse cargo em suas costas. De alguma forma aquilo o deixava um pouco constrangido, mas feliz.
Sentiu como se fosse observado e se levantou de forma brusca. Olhou em volta e não visualizou ninguém. Mas algo dentro de si dizia que não estava sozinho. Tinha ciência que fora do quarto tinha alguém vigiando. Algo que achou desnecessário, mas não objetou. Não queria deixar a estadia da garota mais complicada do que já era. Mas sentia-se observado de algum lugar daquele quarto.
Aproximou-se da parede e fixou o olhar num dos quadros. Era um desenho simples e moderno, mas algo parecia vivo demais. Pensou no quão ridículo era aquilo. Estava pensando bobagens demais.
– Até parece que aqui tem paredes falsas e quadros com buracos! Que estupidez, Ichigo! Se liga! – repreendeu a si mesmo.
Mais uma vez se aproximou do futon, e se sentou ao lado da cama para contemplar a garota adormecida. Aqueles sentimentos de ternura o fizeram se lembrar do que havia feito. Apesar de se odiar por tê-la forçado a fazer sexo consigo, estava feliz por ser correspondido naquele momento. Lembrava-se de tudo e não negava: a queria novamente daquela forma.
Sorriu e acariciou a bochecha de Rukia. Teria que acordá-la logo, afinal o dia seria longo e cansativo, já que um bando de velhos sem ter o que fazer, queriam uma reunião com a garota para decidir o rumo de sua jovem vida.
Notas finais
JJ
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