Vingança
20 Coadjuvantes de confusões
Notas iniciais
Um mega beijos, primeiramente a minha beta, e a sensei linda, Amanda Catarina, que sempre me aconselham e apóiam na construção de uma autora melhor! Kkkkk E um beijo molhadão a todos que escreveram reviews:
Jujy, Mirela Dalarovera,Kurosaki Rukia,Jenix,Urahara,Sarah Kurosaki, Kuchiki Keithy, a curious.
JJ
Quem tem um amigo, mesmo que um só, não importa onde se encontre, jamais sofrerá de solidão; poderá morrer de saudades, mas não estará só.
[Amir Klink]
Grimm odiava ser o responsável por comprar alimentos e produtos de higiene para as fugitivas. Não imaginava que para receber a soma alta que lhe prometeram, teria que enfrentar tantas complicações. Com certeza teria sido melhor ficar no lugar de Ganju, mas preferiu ser o que sairia mais vezes e olha onde estava?
Parado em frente ao pequeno hotel, notou algo estranho no último andar, onde estavam escondidas as garotas de Seireitei. A luz estava apagada, algo incomum dado o horário adiantado. Avançou, segurando firme as sacolas cheias de provisões, e o que viu no corredor o deixou sem fala. Correu ate o amigo que estava estirado no chão com um pequeno corte na testa.
– GANJU? O QUE ACONTECEU? EI, GANJU? Droga!... Onde elas...
Deixou o rapaz caído no chão e entrou na sala. Nem uma alma viva estava ali. Elas haviam fugido.
– Porra! E agora? O que eu faço? Droga! Nunca mais aceito as propostas da Kuukaku! Droga! Onde eu vou achar elas? – perguntou exasperado.
– A-ai... Grimm? On-de es-tou? – Ganju perguntou, suspendendo a cabeça nas mãos.
A dor estava pulsante no corte que levou. Jamais imaginou que aquelas belas mulheres pudessem ser tão cruéis com ele, depois de tudo o que fizera por elas naqueles dias. Mas, no fim das contas, eram apenas assassinas.
-Tudo bem, cara?
- Sim... Essas monstrinhas me enganaram de jeito!... Ai! isso dói, idiota! – reclamou ao perceber o colega tocar o corte. – Elas me chamaram dizendo que a de trancinhas tava com dor, eu fui ver e zaz!... Recebi uma pancada da morena. Droga! – terminou, levantando-se.
- Temos que avisar sua irmã antes que elas façam besteiras – completou Grimm, ajudando o colega a se restabelecer.
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– Sayaaaa-chaaan? Como iremos encontrar a pirralha? Ela não estava naquela tal mansão? – Riruka chiava enquanto tentava alcançar as três amigas que já seguiam mais à frente.
– Cale a boca e ande logo, Riruka! – Mony e Halibel gritam juntas.
Aquela loucura era para somente Saya levar adiante, mas nenhuma das garotas permitiria que ela corresse o risco de ser presa sozinha. Apesar de nenhuma delas admitir, a amizade que compartilhavam era mais intensa que o desejo de sobrevivência. Pelo menos era naquele momento.
– Por que se importa tanto com aquela garota? Ela não fez nada por nós e ainda estamos correndo riscos à toa e...
– Ninguém pediu pra você vir, Riruka-chan! Se não quiser vir, volte pro hotel, ou fuja para outro lugar se quiser – cortou Saya que se concentrava em não chamar atenção das poucas pessoas que passavam por elas.
Não queria ser presa tão cedo, e faria o possível para não voltar à cadeia. Mas algo dentro de si dizia que sua adorada amiga estava em perigo eminente, e sabia que quando sentia isso não deveria relegar.
– Mas se a Mony-chan e a Halibel-sama também vão, eu também irei!
– Faz o que você quiser, só pare de nos atrapalhar – Halibel resmungou.
– Odeio vocês! – Riruka explodiu, mas sem deixar de segui-las.
Levou um bom tempo e muitos transportes públicos até o dinheiro que pegaram de Ganju acabar. Agora estavam em Tóquio decidindo o que fazer. Demoraram um pouco para encontrar roupas e disfarces adequados, mas já que era final de expediente, poderiam andar mais despreocupadas, sem correr o risco de serem reconhecidas, algo quase impossível naquela multidão de jovens que se divertiam nos bares e casas noturnas do centro japonês.
Halibel tentava disfarçar o desconforto dos olhares masculinos sobre o grupo. Fazia dez anos que não saia da prisão. Era a que tinha mais tempo de confinamento e, portanto, a mais deslocada de todas. Somente Riruka e Saya se comportavam como simples garotas buscando, aparentemente, diversão na cidade que não dormia.
– Como vamos encontrar os tais advogados, Saya-san? – Halibel questionou ao desviar o olhar de um grupo de rapazes mais ousados que a observavam.
– O escritório fica aqui perto, então só temos que encontrar o tal lugar – disse Saya soltou após soltar um beijo ao grupo.
Amava as ruas de Tóquio. Era sempre seu lugar preferido para visitar quando queria gastar o dinheiro da família que a mimava quando jovem.
– Mony-san? – Saya questionou a amiga que parou, de repente, no meio da calçada.
– Acho que conheço aquela garota ali – disse, apontando uma bela mulher de longos cabelos alaranjados.
– E daí? – Halibel perguntou, irritada.
Já não suportava seu sucesso com o público masculino. Sempre odiara ser o centro das atenções. Riruka aproveitava a timidez da amiga para paquerar os rapazes. Afinal já estava confinada há quase cinco anos, e teria mais quinze longos anos, caso não fosse aumentado por conta da fuga.
– Podemos pedir ajuda! Esperem aqui...
– Espera, Mony-chan! – Saya gritou, mas não teve êxito, já que a garota sumiu na multidão.
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– Como será que Kurosaki-kun está se virando naquela mansão? – perguntou a ruiva à amiga.
Ambas haviam saído para comprar bebidas para a pequena festa que dariam para consolar o amigo de cabelo prateado. A morte de Hinamori havia deixado em todos um sentimento de preocupação com a forma com que levavam as próprias vidas. Nada havia sido declarado ainda, somente que ela havia morrido por ingestão de cianureto. Mas o motivo do suposto suicídio ainda não havia sido divulgado.
– Nem imagino, Hime! Ainda estou atordoada pela morte da Hina! Toushiro-san está arrasado e tudo o que faço não o ajuda a melhorar. Nem mesmo quando me ofereço ou brinco com ele, o tira daquele jeito catatônico que está! Por isso tive a ideia de fazermos uma festinha pra ele – Rangiku choramingou enquanto carregava as sacolas com as bebidas e doces comprados.
– Pena que Grimm-san sumiu! Ele saberia como divertir nosso amigo – a loira emendou mais animada.
Estavam quase dobrando a esquina, quando Inoue teve o braço segurado por alguém.
– Mas o quê?
– Inoue Orihime? Se lembra de mim? – Mony disparou animada, assustando a loira avantajada.
– Mo-ny-san? Mas como você...? – gaguejou Orihime, derrubando as sacolas que trazia.
– Conhece ela, Hime? – Rangiku perguntou, duvidosa.
Estava preparada para atacar aquela loira que achou estranha demais. O corpo de ambas era um show a parte para os rapazes que passavam por perto. Mony tentou disfarçar um pouco sua emoção, afinal, faziam mais de quatro anos que não via sua antiga colega de faculdade.
– Meu Kami-sama, é você mesma, Mony-san? Achei que tivesse saído do país... Você me disse na última carta, não foi? Onde estava mesmo? Ah! Na Itália, não era? Você tinha me prometido trazer alguns lenços e... – iniciou seu monólogo, esquecendo-se completamente das outras duas.
– Sim, Hime-chan! Eu retornei com umas amigas, mas precisamos conversar sobre alguns assuntos com o escritório de advocacia Kurosaki, mas como faz muito tempo que não venho, estamos perdidas – falou rapidamente, aproveitando a pausa para respirar da ruiva.
– Kurosaki-sama? Mas estamos bem perto, não é mesmo, Hime-chan? Sou Rangiku Matsumoto, prazer em conhecer – se apresentou a loira mais alta.
– Watanabe Mony, e o prazer é meu!
– Suas amigas são da Itália, Mony-chan? – Inoue perguntou, curiosa, enquanto tentava encontrar as ditas companheiras ao redor.
– Não... Mas nos encontramos em minhas viagens! Vai amar as meninas... E nossa, você está deslumbrante, Hime-chan! – emendou para dar tempo para as amigas se aproximarem.
As três mulheres observaram o sinal com as mãos que Mony fazia. Estava de costas para elas, e as chamou silenciosamente, fazendo-as entender que era o momento certo para se aproximarem. Saya ouviu a loira contar sobre as belezas naturais da Itália e logo percebeu o papel que teriam que desempenhar. Como eram orientais, não poderiam dizer que nasceram na Itália, mas logo inventaria algo credível.
– Aqui estão, deixe-me apresentá-las: Kato Saya, Kimura Riruka e Mori Halibel. Meninas, essas são Inoue Orihime e Rangiku Matsumoro – soltou um pouco nervosa.
– Matsumoto, Mony-san – corrigiu Rangiku, um pouco irritadiça com o erro.
– Perdão. Sempre levo tempo para memorizar sobrenomes – confessou entristecida.
Riruka nunca havia visto a loira atuar. Sabia que ela era muito boa em chantagens, mas jamais imaginava que ela atuaria tão bem. Nem parecia a mulher bruta que conheceu na prisão. O sorriso delicado e a fronte suavizada a faziam ficar mais jovem e bela.
– Então levaremos vocês para o escritório, e depois vocês estão convidadas para a nossa festinha, né Ran-chan?
– Claro, mas quero que me contem tudo sobre aquele país maravilhoso. Deve ser incrível morar lá, não é mesmo? – questionou animada a bela loira.
As ex-prisioneiras se entreolharam e se preparam para tentar soar convincentes, já que nenhuma das presentes havia conhecido aquele país.
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– Você precisa comer algo, Toushiro! As meninas estão tentando te animar e a única coisa que faz é ficar com essa cara azeda e sem graça. Nem parece você, cara!
Hirako tentava, inutilmente, animar o colega. Estava morrendo de curiosidade em saber o que estava acontecendo com Ichigo na mansão, mas tinha que apoiar o amigo que merecia atenção. Ainda não acreditava no que Karin lhe havia dito, mas com a informação de Hitsugaya não cabia dúvida: Hinamori tentara assassinar Rukia. Qual seria o motivo ou mesmo o porquê de ter se suicidado, ainda era incerto.
– Ela não se matou, eu tenho certeza! – gritou o rapaz. – E como quer que eu fique calmo quando Kurosaki-chan está afirmando que ela tentou matar Kuchiki-san?
Estavam recostados no sofá da sala daquele apartamento que era o refúgio do grupo de amigos.
– Eu sei, mas ainda não temos certeza de nada... A perícia está...
– Não! Karin-chan afirmou com veemência que foi Hinamori quem tentou matar Rukia-san! – esbravejou, levantando-se irritado.
Hirako soprou cansado. Mais uma vez se arrependia de não ter encarado a carreira de ator como sua família queria. Teria sido muito mais fácil que tratar de problemas psicológicos, e ainda por cima de graça, já que seus companheiros não o achavam merecedor de receber algo por seus conselhos.
– Então quem você acha que foi o culpado disso tudo, Toushiro?
– Aizen! Quem mais? Não sei o que ele fez pra ela fazer tal coisa, mas tenho certeza que a obrigou e, quando ela percebeu o que fez, correu desesperada pra ele e ele a matou – sussurrou um pouco desconfiado.
Até mesmo ele tinha dificuldade de acreditar no que falava. Mas queria acreditar na noiva. Queria se lembrar dela como uma garota doce e cheia de sonhos, não como assassina defraudada, que a única forma que encontrou de se livrar da prisão foi cometendo suicídio. Não! Jamais aceitaria isso. Sabia quem ela era e não permitiria que a maculassem assim, ainda que fosse a irmã de um de seus melhores amigos.
Ouviram a porta se abrir e a cabeça de Orihime aparecer. Logo, uma atrás da outra, as garotas foram entrando, tentando disfarçar a emoção. Ulquiorra que, até o momento, estava escondido no quarto, apareceu para receber as bebidas trazidas por elas.
– Imagine quem nós encontramos no centro? – soltou a ruiva, animada.
Rangiku entrou por último e fechou a porta. Saya se sentia, mais uma vez, sitiada. O desconforto daqueles olhares a deixava insegura. Hirako se aproximou dela com um sorriso suspeito.
“Será que ele nos reconheceu?”, pensou nervosa.
Inoue apresentava uma a uma, contando em detalhes as anedotas que tinha ouvido sobre suas viagens. Ulquiorra não ficou entre o grupo para ouvir a suposta namorada. Foi com as sacolas para a copa preparar os comes e bebes da festa. Logo os outros amigos chegariam. Queria que Grimm estivesse ali para ajudar. Sempre ficava tudo pra ele e estava irritado com essa folga geral, como titulava a ação dos amigos.
– E quando Halibel-san foi receber a bênção do Papa, Riruka-chan escorregou no pátio caindo no coroinha da fila...
– Nossa, quanta informação! Mas não acham melhor se sentarem, já que todos nos apresentamos?
Hirako tentava, desesperadamente, cortar o monólogo de Inoue que já irritava Hitsugaya e as convidadas. Sentiu alívio ao escutar o telefone. Correu até o aparelho e escutou a voz desesperada do companheiro na outra linha.
– Calma, Grimm, o que aconteceu com Ganju?
Saya e Halibel quase caíram no canto do sofá onde estavam sentadas. Se tinham ouvido bem, estavam com pessoas que conheciam o rapaz que deixaram desacordado, ou seja, estavam no pior lugar possível. Se ao menos o escritório dos Kurosaki estivesse aberto quando o encontraram, nada disso teria ocorrido. Mas, segundo a secretária, eles não retornariam em três dias.
– Como é? Quatro garotas? – falou alto, chamando a atenção de todos.
Riruka, que conversava animada com Rangiku, sentiu uma pequena gota de suor escorrer no pescoço. Como sairiam daquilo? Bem, isso não queria dizer que saberiam que elas eram as fugitivas, mas que era azar encontrá-los, disso ninguém tinha duvida.
– Acho que não viemos em boa hora, não é mesmo, Hime-chan?
Mony tentava controlar a voz que queria tremer. Halibel e Saya já se preparavam para sair.
– Não mesmo! A festa nem começou, e ainda temos muito o que conversar, certo Ran-chan? – chiou a ruiva como menina mimada.
– Vocês precisam nos ajudar a animar Shiro-chan e não aceito um não como resposta! – enfatizou a loira.
Hirako terminou a ligação e sorriu para o quarteto que quase sofreu uma síncope. O rapaz entrou na animada conversa e quando as bebidas chegaram todos brindaram. Saya não tirava os olhos dele e, vez ou outra, também observava o outro, triste, de cabelos brancos. Poderia ser uma brincadeira do destino aproximá-las daquele grupo de amigos? Seria inverossímil demais. Mas se achavam que aquilo era o pior, ficaram catatônicas quando a porta se abriu novamente.
– Então é aqui que você se escondeu, Toushiro-chan? Preciso que responda algumas perguntas e... Ora, ora! Olha quem vemos por aqui? – Kisuke falou brincalhão ao ver a palidez do quarteto.
– Quem é o senhor? – Orihime perguntou curiosa, adversa ao desespero das convidadas.
– Urahara Kisuke, ao seu dispor! Vejo que temos uma festa aqui! Adoro festas!
Sorriu galante para Mony que não sabia onde esconder o rosto. Foram encontradas mais rápido do que imaginaram. O passeio chegava ao fim, com certeza.
Notas finais
JJ
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