Vingança
22 Opostas e Contrariedades
Notas iniciais
Um beijo a todos que me deixaram reviews:
Velvets (minha beta linda, que quando corrigir esse cap, reposto), Sarah Kurosaki, Amandinha e Jenix, além de todos que me escrevem e apóiam!
“Seja humilde, pois, até o sol com toda sua grandeza se põe e deixa a lua brilhar”.
[Bob Marley]
...
As imagens estavam embaçadas, e o som da própria respiração, fazia o coração disparar. Não prestava atenção em nenhum lugar que passava, mas sabia que estava muito longe de casa. A voz calma daquela mulher sem face e, olhos vivos, num fogo azulado, a fazia querer correr mais do que as pequenas pernas permitiam. Estava próxima do cais, quando sentiu os cabelos longos serem agarrados com violência. Sentiu o corpo ser jogado no chão e todos os ossos frágeis doeram com o impacto.
– Sua monstrinha! Assim nee-san não poderá levar você pra ver os peixinhos dourados! Por que correu de mim? – a ouviu questionar fria.
A voz parecia ficar metálica e sem vida, como se já estivesse morta. Não conseguia enxergar o rosto dela, mas seus cabelos pretos escorriam em cima de seu próprio rosto.
– Por favor, Amaterasu-nee-chan, não me bata, por favor! – choramingou com tristeza.
Aquela garota maior passou a torcer o braço da pequena com irritação por escutar o próprio nome pronunciado.
– Já disse pra não me chamar desse nome ridículo! Não me diga que fica satisfeita em se chamar Tsukihime? Ridícula como okaa-san, como todos que me rodeiam! E pare de chorar! – gritou – Já disse para agir como uma mocinha. Pare de chorar e se levante, porque não vou levar você no colo... Não vou mesmo! Não sou sua empregada, entendeu?
As lágrimas banhavam o rosto alvo e, a dor crescia quando sua irmã mais velha se mexia por cima de seu corpinho pequeno. Tentou se levantar, mas o peso de Amaterasu impediu o sucesso. A adolescente se divertia com o sofrimento da menina de cinco anos.
– Que foi, Tsuki-chan? Não consegue se levantar sozinha? Precisa de ajuda?
– AMATERASU?
O corpo pesado da garota levantou-se rápido ao escutar o grito da mãe. Tsuki tentou enxergar o rosto da mulher que a chamava desesperada, mas as vozes sumiam pouco a pouco, e se tornavam inaudíveis, enquanto os rostos perdiam o foco num espiral de cores ate vislumbrar um clarão.
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Rukia se levantou com a respiração ruidosa, acordando o ruivo que dormia no chão. Ele se levantou e a abraçou para tentar acalmá-la.
– “Havia sido um pesadelo ou uma lembrança”? Pensava Rukia, enquanto controlava aos poucos os tremores do corpo. Aconchegou-se no tronco do rapaz, e começou a se acalmar com o cheiro amadeirado dele. O abraço era protetor e reconfortante. Podia se acostumar com aquilo.
– Melhor? – Ichigo questionou, apreensivo.
– Amaterasu-chan... – sussurrou, ao lembrar aquele nome que clamava por algo repleto de dor e tristeza.
– O quê?
Rukia sentiu algo frio tocar sua mão. Uma pequena lua pendida do pescoço bronzeado do rapaz. Ficou curiosa e brincou com ela entre os dedos finos.
Ichigo deixou-a ficar em silêncio, mas estava curioso com o que ela poderia ter sonhado. Um pesadelo significa muito mais do que aparentava. Hirako já lhe havia alertado que nos sonhos, muitas lembranças e temores são mais claros, algo que jamais o paciente externaria. Acariciou os ombros dela com delicadeza e a recostou novamente na cama. Ainda era madrugada e o sol demoraria a nascer. Eles precisavam descansar, pois teriam um longo dia, e seria fora daquela mansão.
Finalmente havia conseguido uma entrevista com Yamamoto e Juushirou. Seria a oportunidade ideal para colocar as coisas a limpo. Além de poder se encontrar com o tal investigador criminal, que Yoruichi tanto falou.
Yoruichi. Estava com saudades dela e de suas loucuras. Mas seria se aproveitar demais da paciência de Byakuya, trazendo ela para a mansão também. Impensável. E ainda havia a Soi Fon. Ela precisaria de todo o apoio da tia para se restabelecer. Estava feliz por não ter ouvido nada novo sobre a morte do ministro. Sabia que uma Shihouin jamais ficaria presa ou mandada à pena de morte. Aquilo não passara de um teatro, para que a família dele não acusasse o Estado de indiferença e injustiça. Com todos satisfeitos, tudo voltaria ao normal. Yoruichi era livre, e isso já bastava para sossegar seu coração por hora.
Mas agora tinha Rukia. Precisava fazer algo quanto a isso. E infelizmente só confiava no idiota do Hirako para ajudá-la, já que psicologia era a praia dele.
Suspirou resignado. Jamais diria a ele que o considerava tanto. Sorriu com a possível cara de alegria que o rapaz faria.
– Ichigo? – Rukia sussurrou.
– Sim, pequena. Pode falar – devolveu com ternura.
– Acho que começo a me lembrar de minha infância... E...
– Sim? – incentivou.
– Eu tenho a impressão... De já ter visto essa mulher aqui antes! – falou, elevando o rosto e fitando-o com interesse.
Havia algum sentimento estranho ali dentro daquele mar violeta. Parecia ser medo. Meditou um pouco e percebeu que era algo mais: medo e saudosismo.
– Essa tal... Hum, como era mesmo? Ah! Amaterasu, correto? – questionou, forçando a própria memória.
Aquele nome era de uma divindade muito antiga, da cultura japonesa. Seria o oposto do nome Tsuki. Talvez fosse parente de Rukia.
– Sim! Ela apareceu em meu sonho... Mas já havia sonhado algo similar quando menor, mas... Não queria me lembrar de nada... Então, tentava esquecer! – disse duvidosa.
Não era que não se lembrasse de algumas passagens de sua própria infância, antes de conhecer sua adorada protetora, mas ela não queria encontrar aquela pessoa que a fazia ter calafrios novamente. Não queria ser encontrada. Queria ser uma Kuchiki. Nem mesmo queria reencontrar seus próprios pais.
– Sei! Bem... Mas, porque acha que ela estaria aqui? Quer dizer... Você a viu ontem no jantar? Tinha umas velhotas, uma ou outra mulher mais jovem servindo as mesas...
– Isso mesmo! – falou alto, assustando o rapaz.
– Isso o quê? – perguntou perturbado.
– Foi uma mulher que levava o carrinho de serviço! Eu já a vi outras vezes, mas...
– Mas?
– Ela sempre está diferente – respondeu, contrariada com a própria afirmação.
O que poderia ser aquilo? Aquele rosto estranho estava em varias épocas diferente e, em pessoas diferentes. Imaginou que poderia finalmente estar perdendo o próprio juízo. Por que não cabia dúvida que era algo impossível e forçado demais.
– Bem... Se você sentir algo suspeito com essa tal pessoa, pode contar comigo! Não deixarei essa, seja lá quem for, te fazer mal! Ok? Agora vamos dormir! Temos outra reunião maçante com velhotes! Esse país só tem velho, só pode ser! – comentou, espreguiçando-se na cama da morena.
Queria dormir ali abraçado a ela, mas não forçaria nada sem o consentimento de sua estimada amiga — amante.
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– Abarai-san? – chamou o assistente de edição.
– Ah! Desculpe... Eu não ouvi sua pergunta! – Sena falou, um pouco envergonhada.
Estava distraída e pendente em seus pensamentos já há alguns dias. Na verdade, desde a última vez que viu Kurosaki. Fazia anos que não se via refletida naqueles olhos mel e, seu coração balançou com algo que achava estar morto.
– Eu perguntei se você irá fazer a cobertura daquele caso... A dos Kuchiki! – repetiu o rapaz loiro.
– Eu acho que não, Kira! O diretor nos proibiu de participar, pois o escritório Kurosaki nos intimou! Parece que além deles, o líder Kuchiki proibiu qualquer entrevista a ex-prisioneira! Ela vem de peixe grande! – comentou, emburrada.
Apesar de ter lutado muito naqueles dias, após o encontro, não conseguiu demover os mandados contra as ditas entrevistas. O poder dos Kuchiki e dos Kurosaki juntos, eram poderosos demais. Um tinha o dinheiro para comprar quem quisessem, e os outros tinham a fama no mundo jurídico e seus contatos influentes.
Não sabia se o que mais a irritava, era o fato de ter que se afastar do caso, ou se era o da tal garota conviver com Ichigo naquela mansão. Podia estar impedida de entrar em contato com ela, mas nunca a perdeu de vista. Observou de camarote a entrada da morena e seu antigo amor naquela imensa propriedade.
– Acho que vou dar uma volta! Estou à meia hora tentando te perguntar algo e você só fica parada e calada! CALADA? Se alguém me ouvir dizendo isso, irão achar que fiquei louco! Se cuida! – avisou Kira, levantando-se e deixando a garota sozinha na sala.
Sena olhou-o chateada e irritada consigo mesma. Mas uma idéia aflorou em sua mente sistêmica.
– “Poderia funcionar muito bem”! Pensou animada. Lembrou-se de ter visto de relance, enquanto saia da casa de seu ex-noivo, o amigo loiro de anos atrás. Shinji Hirako. Se não poderia se aproximar de Rukia ou de Ichigo, faria isso indiretamente por ele.
– Sensacional, garota! – elogiou-se, animada.
Agradeceu internamente o fato do estudante de psicologia ser um mulherengo incurável. Colocaria seus planos em ação, e deixaria de ficar rememorando um passado que só a consumiria.
– “Agora, só preciso convencer o idiota do Renji”! – pensou, desanimando um pouco.
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Kisuke aproveitou o intervalo da audiência, para tomar sua bebida preferida: chá oolong. Um costume que aderiu quando ainda residia em Shangai, enquanto estudava seu doutorado.
Observou o relógio de parede e, se irritou um pouco. Havia feito questão de chegar mais cedo, apesar do cansaço que o quarteto o fez sofrer, somente para conversar com Rukia, mas nem a garota, nem o protegido de Yoruichi, haviam chegado ainda.
Estava animado com as proposições que conseguiu até aquele momento. Algo que pensou ser fantástico, já que a morte da noiva de Toushirou se encaixava perfeitamente naquele quebra cabeças envolvente que era o caso Kuchiki. Passou a noite inteira pesquisando sobre dados de funcionários da mansão, contratações da época, filmagens que ainda não havia prestado atenção, que nada tinha a ver com o caso, mas que o levou ao que queria.
– Urahara-san?
Ouviu uma voz masculina o chamar. Levantou os olhos e observou a cabeleira extravagante e rosto jovem. Aquele deveria ser o filho de Ishin, melhor amigo de Yoruichi.
Levantou-se e deixou a xícara na mesinha, para saudar o recém chegado. Só então percebeu o pequeno corpo atrás dele. Aquela garota do dia da fuga. Parecia pálida, mas com aparência mais suave e sossegada.
– Urahara Kisuke a seu dispor! Fico feliz em revê-la, minha cara! Como têm passado? – disparou para a morena.
Rukia respondeu comedida e aceitou o convite de sentarem, para aguardar ser atendida pelo juiz Yamamoto. Somente se lembrar daquele nome, fazia seu corpo sentir um temor estranho. Sabia que não era culpa dele o fato dela ter sido presa, mas seus sentimentos eram de tristeza e medo para com o responsável por sua condenação. Afinal, ele era o juiz mais temido de Sereitei. Responsável por dezenas de sentenças perfeitas, até o dia em que ela se sentou na cadeira de réu.
– Kurosaki-san é bem mais jovem do que imaginei! – comentou, divertido.
O terno verde musgo de Urahara contrastava com o chumbo de Ichigo, em seu perfeito alinhamento. Ichigo ficou incomodado com o perfil desleixado do investigador. Afinal, era ele quem tinha o caso de Rukia nas mãos.
– “Como ele pensa que irá ter crédito ante Yamamoto-san, vestido desse jeito”? Pensou nervoso. Não era fanático pela ordem e a disciplina, mas se aprendeu bem com seu velho pai, era que a aparência e o comportamento contavam muito num julgamento inicial do juiz e dos jurados. Aquele homem a sua frente era um disparate ao que seguia e, ficou muito incomodado.
Urahara percebeu que o rapaz se mexia bastante na cadeira e, sorriu. Deveria estar analisando-o com sumo cuidado e, isso o fez ficar satisfeito. Não era a toa que Yoruichi deixava a garota em suas mãos, o garoto tinha potencial. Só de vê-lo podia compactuar com sua transparência e autoconfiança, respeitabilidade e profissionalismo jurídico. Muitos novatos ficavam nervosos e falavam coisas sem nexo para entravar uma conversa e, relaxar um pouco. Mas Ichigo era silencioso e prestativo. Analisava o ambiente antes de se aventurar a falar algo. Bem diferente do que Yoruichi o descreveu.
– Bem! Se pedi para que viessem uma hora antes do combinado é, porque preciso fazer algumas perguntas a Kuchiki-san antes! Se importa? – perguntou a aludida.
– Que tipo de perguntas? – intrometeu-se Ichigo.
Urahara sorriu e sacudiu frenéticas as mãos, a frente do rosto para descontrair.
– Nada muito profundo, somente algumas dúvidas que preciso sanar para ajudar na investigação! Podem confiar em mim, Kurosaki-san! – comentou, divertido com o espanto do rapaz.
Ichigo observou a morena que tinha a mão entrelaçada a sua e assentiu. Apesar de não gostar muito daquele homem de aparência duvidosa, sabia que poderia confiar nele. Sua madrinha confiava, então já era suficiente.
– Ok! – respondeu, por fim.
– Muito bem! Kuchiki-san, sei como é complicado pra você ficar retomando assuntos como esse, mas pense que é para seu próprio bem, ok? – falou, sério.
– Sim! – respondeu, comedida.
– Nas filmagens do dia em que o crime aconteceu, você estava de vestido vermelho, correto?
– Sim, estava!
– Mas quando saiu do quarto, após a morte de seus pais... Você vestia outro, de cor amarela! Correto? – perguntou com suma curiosidade, abaixando um pouco o corpo para ficar da altura de Rukia.
– Não... Eu não tinha nenhuma roupa dessa cor... Não gosto muito, mas... Como assim? – respondeu confusa.
– Era essa a resposta que eu queria! Vamos para mais uma e depois te explico, ok? – interrompeu a garota – Existe alguma outra forma de entrar nos quartos da mansão, sem ser pela porta principal? Sabe se existem portas conectadas a outras salas ou algo assim, no seu quarto, especificamente? – perguntou, com um brilho no olhar.
Rukia parou para pensar um pouco. Ichigo se lembrou bobamente daquela sensação de ser vigiado, mas não interferiu. Queria saber onde tudo aquilo iria dar. E teriam que ser rápidos, pois logo Byakuya estaria ali com eles, já que foi obrigado a participar de uma reunião extraordinária na própria empresa.
– Não! Creio que não tenha isso em nenhum quarto! No de meus pais tinha duas sala conectadas, um escritório pessoal de meu pai, e uma salinha de leitura de minha mãe. Nada mais além da suíte onde dormiam. Para entrar nessas salas, precisava atravessar a porta do quarto! Mas não compreendo o porquê dessas perguntas, Urahara-san! – questionou duvidosa.
– Como disse antes, você aparece com o vestido trocado quando sai de seu quarto. E em nenhuma filmagem dos corredores, aparece alguém entrando ou saindo de seu quarto, até o momento de sua saída! O ridículo disso tudo, é que se não tinha nenhuma conexão de seu quarto para com o de seus pais, então porque os corpos deles apareceram lá? Shiba-san foi claro que quando a deixou no quarto, não havia ninguém! Então como explicam uma falha gritante como essa, Yamamoto-san? – perguntou, se levantando e direcionando-a ao juiz que acabara de chegar.
Juushirou estava logo atrás e quase teve uma síncope com tal informação.
– Acho que é exatamente por isso que está aqui, não Urahara-san? – respondeu seco o juiz, que não se intimidou com a evidente acusação.
Ichigo ficou boquiaberto com aquilo. Era fatalmente visível que ninguém sequer verificou a cena do crime e, ainda assim, condenaram Rukia sem prova nenhuma. Aquilo era bem pior do imaginava. Apertou a pequena mão tremula da morena que estava nervosa com tudo aquilo.
Quando todos aqueles eventos aconteceram com ela, não teve consciência dos desfalques que estivera sofrendo. Sempre fora inocente e ninguém se dignou a ajudá-la. Não até aquele momento. Sabia que teria que falar sobre suas lembranças para aquele investigador. Sentia que ele era o único quem poderia alcançar o verdadeiro assassino de sua família.
– Ainda nem começamos, Yamamoto-san! Teremos muito mais informações gritantes como essas! – Urahara falou altivo e, satisfeito com o impacto que trouxera suas investigações.
Tinha total confiança no que iria falar, e sabia que não seriam algumas horas, suficientes para explanar tudo. Mas teria que aproveitar a presença de Rukia para confrontar seus argumentos e verificar se eram mesmo válidos.
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Vocabulário
Amaterasu (天照), também conhecida como Amaterasu-Oho-No-Kami (天照大神), cujo nome significa "Grande Deusa Augusta que ilumina o céu", é a Deusa do Sol, divindade japonesa que vela sobre os homens e os enche de benefícios. Nasceu do olho esquerdo de Izanagi (伊邪那岐) e domina o panteão xintoista, em que figura um certo número de personificações das forças naturais. É representada empunhando um disco solar. O Kojiki (古事記), o documento mais antigo sobre a história do Japão não usava pronomes ou gêneros. Alguns livros como Hotsuma Tsutae descrevia a divindade como homem.
Fonte: wikipedia
Notas finais
JJ
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